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UERJ Resiste em evento acadêmico feminista

Estudantes e pesquisadoras/es de diversas unidades e pós-graduações participaram do 11º Seminário Internacional Fazendo Gênero e 13º Congresso Mundos de Mulheres. O duplo evento aconteceu no campus da Universidade Federal de Santa Catarina em Florianópolis entre os dias 30 de julho e 04 de agosto. Nele, acadêmicas e ativistas de diversos lugares do mundo refletiram e debateram em torno das "transformações, conexões e deslocamentos" que atravessam as políticas sexuais e de gênero contemporâneas.

Aliado ao peso que o seminário Fazendo Gênero vem adquirindo no campo acadêmico feminista brasileiro e Latino-Americano, o Congresso Mundos de Mulheres, sediado por primeira vez na região, dá continuidade a um espaço aberto a diversas vozes, a novas propostas, à valorização de saberes, que amplia horizontes de estudo e de ativismo. Ana Carolina Maia, mestranda do Instituto de Medicina Social (UERJ), participou do Simpósio Temático Tecnologias em saúde sexual e reprodutiva: transformações, conexões e deslocamentos de corpos, gêneros e práticas de saúde, onde apresentou o trabalho “Os encargos do sexo: a divisão sexual do trabalho contraceptivo”. A mestranda destacou o valor dessa, sua primeira experiência em um espaço destas características, como uma oportunidade de "botar o bloco na rua"

- A possibilidade de ter outros olhares e perspectivas apontadas para a minha pesquisa, sobretudo tratando-se de pesquisadoras tão qualificadas e importantes no campo como Claudia Bonan, Elaine Brandão e Marina Nucci – para citar apenas parte do luxuoso ST do qual fiz parte –, foi extremamente enriquecedor. Laços acadêmicos foram reforçados, uma lista de e-mails das pesquisadoras foi criada e abriu-se um canal muito potente de troca entre todas nós.

Ana Carolina não hesitou em denunciar os ataques que a UERJ vem sofrendo por parte do governo estadual:

- Eu e minha colega de ST e de orientação, Georgia Pereira, fizemos breves falas sobre a barbárie que está sendo imposta aos docentes, técnicos e funcionários de uma das maiores universidades da América Latina. O fato de termos ido ao congresso e apresentado nossas pesquisas é um ato de resistência de nossos professores, dos técnicos-administrativos, dos funcionários do IMS e da UERJ. Num congresso militante achamos imprescindível trazer essa situação à tona.

Foto Ana Carolina

 

Geórgia (doutoranda do IMS) apresentou o trabalho "A enorme produção de esp   ermatozoides: reflexões sobre como corpos masculinos são concebidos no campo da contracepção masculina".

A UERJ foi também representada por numerosas professoras, de amplia trajetória em pesquisas sobre gênero. Marilena Corrêa, professora associada do IMS, coordenou o Simpósio Temático O corpo reprodutivo globalizado: questões de gênero transnacionais, que contou com a participação de Anna Uziel, professora do Instituto de Psicologia, com o trabalho “Entre gametas e fronteiras: o plural na parentalidade". Pós-doutoranda e professora convidada do IMS, Laura Murray apresentou o trabalho “Mapeando tendências e as consequências políticas das hierarquias de poder na circulação de informação sobre o trabalho sexual”, em coautoria com Elsa Oliveira e Debolina Dutta, no ST Feminismos, trabalho sexual e as políticas do estado: Do novo abolicionismo ao putafeminismo. Laura também apoiou a organização da mesa redonda Um Século e Meio de Abolicionismo: Prostituição, criminalização e o controle do corpo feminino, moderado pela antropóloga Ana Paula Silva, que contou com a participação de convidadas internacionais como Melinda “Mindy” Chateauvert, ativista norte-americana e historiadora do movimento das trabalhadoras sexuais; Pye Jakobsson, presidenta do NSWP, organização internacional para profissionais do sexo; e a brasileira Monique Prada, ativista, trabalhadora sexual e escritora.

Claudia Mora e Claudia Cunha, ambas professoras da UERJ e pesquisadoras do CLAM, participaram do Simpósio Temático Articulações entre gênero, sexualidade e outras diferenças no cotidiano da prevenção de HIV/aids: olhares a partir de processos de mudança social. Claudia Mora apresentou o trabalho “Prevenção, tecnologias diagnósticas e moralidade sexual: um diálogo com a literatura sobre testagem do HIV com foco em HSH” e Claudia Cunha “Configurações e reconfigurações do Movimento de Jovens Vivendo com HIV/AIDS no Brasil: identidades e prevenções em jogo”. No simpósio tiveram destaque as discussões em torno ao pleno exercício de direitos e os múltiplos sentidos das tecnologias de prevenção nos discursos científicos, além das questões ligadas à memória do ativismo e aos atuais desafios da militância na luta contra à Aids.

Vários outros/as estudantes da UERJ se encarregaram de levar a resistência de sua Universidade para o Congresso. Fernanda Loureiro (mestre em Saúde Coletiva) apresentou ”Porta que abre por dentro”: Análise cultural do processo de formação de doulas para a assistência ao parto no Brasil" no ST Maternidade, movimento de mulheres e feminismos. Também do IMS, Maria Leão Aquino (mestranda) apresentou “Eu nunca namoraria uma bi”: mulheres e noções sobre bissexualidade” no simpósio Cuerpos femeninos no reproductivos, ¿cuerpos abyectos? e Helena Lermen (doutoranda) Gênero e privação de liberdade: uma revisão bibliográfica no simpósio Gênero e sexualidades em sistemas de privação de liberdade.

“História de um mal-estar na contemporaneidade: Michel Foucault e Herculine Barbin” , foi um dos trabalhos apresentados no Simpósio A(des)ordem do sexual: identidades trans no diálogo entre Psicanálise e Gênero, escrito pela mestranda do IMS Carolina Marcondes e pela psicanalista Cláudia Rêgo. O trabalho busca aproximações e distâncias entre as questões colocadas por Foucault no prefácio de seu livro sobre a história de Herculine Barbin e por Éric Fassin no posfácio desse mesmo livro. Do verdadeiro sexo1 ao verdadeiro gênero2  diz da trajetória dos estudos das identidades possíveis em cenários políticos que envolvem também os saberes psi em suas formulações, convocando os psicanalistas a falar.

“Para mim foi muito importante ver psicanalistas de diferentes escolas de psicanálise, de vários estados do Brasil, articulando trabalhos com outros campos de saber, buscando um diálogo que não se encerra em suas formações dentro de suas escolas de psicanálise.”_ (Carolina Marcondes, mestranda IMS)

Cleber Macedo levou parte de sua pesquisa iniciada no mestrado e atualmente em deselvovimento no doutorado no IMS/UERJ sobre o que se convencionou chamar de "cura gay" e suas tensões e transformações no contexto evangélico brasieiro ao longo da última década. Após apresentação do trabalho "Cura Gay' em contextos evangélicos: tensionamentos, deslocamentos e transformações" apresentado no simpósio Família, gênero e sexualidade: cultura, conflito e transformação política, o doutorando destacou a oportunidade de participar do evento em um contexto de retrocesso das liberdades e avanço do conservadorismo moral: "Foi revigorante poder participar de um simpósio temático com pesquisadores de várias partes do país e discutir diferentes maneiras de sociabilidade e parentalidade", celebrou. 

Foto registrada em frente à UFSC, Geórgia Pereira, Cleber M. Ribeiro de Macedo e Fernanda Loureiro

Publicada em: 28/09/2017



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