CLAM - Principal  

TAGs

Traduzir

EM DESTAQUE | oferta acadêmica
 
Brasil

Disciplina eletiva (presencial) 2022/2

Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ Instituto de Medicina Social Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva

DEPARTAMENTO: Políticas e instituições de saúde

PROFESSORA: Laura Lowenkron e Tássia Áquila Vieira (doutoranda IMS/UERJ)

ANO: 2022

CÓDIGO: SEMESTRE: 2

CARGA HORÁRIA / CRÉDITOS: 3cr

INÍCIO (dia/mês): 02/08/2022

 DIA DA SEMANA/HORÁRIO 3af/ 14h-17h

TÉRMINO (dia/mês): 29/11/2022

DENOMINAÇÃO DA DISCIPLINA Políticas da reprodução

OBS: disciplina presencial

EMENTA E PROGRAMA DETALHADOS:

 Ementa: O objetivo do curso é abordar as dimensões políticas da reprodução, explorando seus múltiplos sentidos e aspectos, que são culturalmente interpretados ora como estritamente biológicos, ora como fundamentalmente sociais. Embora a reprodução, em suas diferentes conotações, tenha sido tradicionalmente associada ao domínio íntimo e privado (do corpo, da casa, das relações familiares), autoras cujos trabalhos inspiram as discussões propostas neste curso compartilham a premissa de que toda reprodução é política e/ou toda política é reprodutiva. Nesse sentido, o curso procura dar destaque aos diferentes modos pelos quais a reprodução, ao mesmo tempo em que é invisibilizada e desvalorizada econômica e politicamente, tem sido em diferentes contextos alvo privilegiado de diversas tecnologias de governo centrais nos processos (generificados, sexualizados e racializados) de formação de Estado e construção de nações. Na primeira parte do curso, serão exploradas diferentes ferramentas e/ou vocabulários conceituais desenvolvidos a partir de trabalhos socioantropológicos e feministas que buscam destacar o caráter político da reprodução, tais como: política/governança reprodutiva, políticas da parentalidade/ familiares, trabalho/política do cuidado e reprodução estratificada/hierarquias reprodutivas. Na segunda parte, o que está sendo chamado genericamente de políticas da reprodução será abordado a partir de temáticas diversas, como tecnologias reprodutivas e contraceptivas, esterilização feminina, retirada compulsória de bebês, cuidado de crianças, maternidade/parentalidade, trabalho doméstico, entre outros. Desse modo, o curso toma a reprodução como campo semântico, bem como objeto empírico privilegiado a partir dos quais é possível explicitar as conexões e processos de mútua constituição entre gênero, família e Estado. Especial destaque será conferido a pesquisas que, a partir de contextos historicamente e culturalmente situados, revelam os modos pelos quais o governo da reprodução articula gênero, sexualidade, geração, raça, classe e nação. A partir disso, busca-se evidenciar como políticas reprodutivas mobilizam e (re)produzem não apenas (hetero)normatividades, moralidades, violências, desigualdades, opressões e processos de (des)humanização diversificados, mas também corporalidades, desejos, afetos, agências, aspirações e direitos simultaneamente individuais e coletivos.

 

BIBLIOGRAFIA INDICADA:

Sessão 1 – Introdução e apresentação do curso (2/8)

VIANNA, Adriana; LOWENKRON, Lowenkron, “O duplo fazer do gênero e do Estado: interconexões, materialidades e linguagens”. Cadernos Pagu [online]. 2017, n. 51 [Acessado 22 Junho 2022] , e175101. Disponível em: . Epub 08 Jan 2018. ISSN 1809-4449.

Sessões 2 – Políticas e direitos reprodutivos (9/08)

GINSBURG, F.; RAPP, R. (ed.). Conceiving the New World Order: the global politics of reproduction. Berkeley: University of California Press, 1995. (introduction)

BRIGGS, L. How all politics became reproductive politics: from welfare reform to foreclosure to Trump. Berkeley: University of California Press, 2017.

VIANNA, Adriana; LACERDA, Paula. Direitos e políticas sexuais no Brasil: o panorama atual. Centro Latino Americano em Sexualidade e Direitos Humanos/ Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, IMS/UERJ, 2004. (Cap 8 - direitos reprodutivos.

Sessão 3: Governança e saúde reprodutiva (16/08)

DAMASCO, Mariana Santos, MAIO, Marcos Chor e MONTEIRO, Simone. “Feminismo negro: raça, identidade e saúde reprodutiva no Brasil (1975-1993)”. Revista Estudos Feministas [online]. 2012, v. 20, n. 1 [Acessado 13 Junho 2022] , pp. 133-151. Disponível em: . Epub 25 Abr 2012. ISSN 1806- 9584.

FONSECA, Claudia, MARRE, Diana e RIFIOTIS, Fernanda. “Governança reprodutiva: um assunto de suma relevância política”. Horizontes Antropológicos [online]. 2021, v. 27, n. 61 [Acessado 10 Junho 2022] , pp. 7-46. Disponível em: . Epub 06 Dez 2021. ISSN 1806-9983.

MORGAN, L. M.; ROBERTS, E. F. S. “Reproductive governance in Latin America”. Anthropology & Medicine, [s. l.], v. 19, n. 2, p. 241-254, 2012.

Sessão 4 - Políticas da parentalidade ou familiares (23/8)

CIRNE, Madalena Campos. Em profundo sofrimento: a gestão estatal da automutilação entre crianças e adolescentes de 2017 a 2020. (Dissertação de mestrado). Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva, Instituto de Medicina Social, UERJ, 2022 (cap. 3 políticas familiares), pp. 48-72.

DONZELOT, Jacques. A polícia das famílias; tradução de M. T. da Costa Albuquerque ; revisão técnica de J. A. Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1980. (cap. 3 – O governo através da família, pp. 45-79).

MACVARISH, Jan. “The politics of parenting”. In: Ellie Lee, Jennie Bristow, Charlotte Faircloth and Jan Macvarish. Parenting Culture Studies, Hampshire and New York:: Palgrave Macmillan, 2014.

Complementar: BOURDIEU, Pierre. “Apêndice: O espírito da família”. In Razões Práticas: Sobre a teoria da ação. Campinas: Papirus, 1996.

Atenção: 30/08 não haverá aula

 Sessão 5 – Trabalho e política do cuidado (6/09)

DROTBOHM, Heike. “O Cuidado além do Reparo”. Mana [online]. 2022, v. 28, n. 1 [Acessado 10 Junho 2022] , e281206. Disponível em: . Epub 22 Abr 2022. ISSN 1678-4944.

HIRATA, H.; GUIMARÃES, N.A. (orgs). Cuidado e Cuidadoras: as várias faces do trabalho do care. São Paulo, Editora Atlas, 2012. (Introdução)

TRONTO, Joan. “Assistência democrática e democracias assistenciais”. Sociedade e Estado, Brasília, v. 22, n. 2, p. 285-308, maio/ago. 2007.

Sessão 6 - Reprodução estratificada e hierarquias reprodutivas (13/09)

COLEN, S. “Like a mother to them”: stratified reproduction and West Indian childcare workers and employers in New York. In: GINSBURG, F. D.; RAPP, R. (ed.). Conceiving the New World Order: the global politics of reproduction. Berkeley: University of California Press, 1995. p. 78-102.

MATTAR, Laura Davis e Diniz, Carmen Simone Grilo. “Hierarquias reprodutivas: maternidade e desigualdades no exercício de direitos humanos pelas mulheres”. Interface - Comunicação, Saúde, Educação [online]. 2012, v. 16, n. 40 [Acessado 10 Junho 2022] , pp. 107-120. Disponível em: . Epub 06 Mar 2012. ISSN 1807-5762. https://doi.org/10.1590/S1414-32832012005000001.

 HOOKS, bell. “Constituir um lar. Espaço de resistência”. In: Anseios. Raça, Gênero e Políticas culturais. Editora Elefante. 2019

Sessão 7 – Políticas da reprodução: seminário latino-americano (CLAM/IMS/UERJ) (20/09)

Sessão 8 e 9 - Tecnologias e políticas reprodutivas e contraceptivas (27/09 e 4/10)

ALVES, Andrea Moraes. (2014) “A trajetória do centro de pesquisas e atenção integrada à mulher e à criança (1975- 1992)”. Revista de Ciências Sociais, v.4, no 2, p.180-216, jul./dez.

CARVALHO, Layla Pedreira. Da esterilização ao Zika: interseccionalidade e transnacionalismo nas políticas de saúde para as mulheres. 2017. 212p. Tese (Doutorado em Ciência Política) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017. (partes a definir).

COROSSACZ, Valeria Ribeiro. (2009) “A esterilização feminina como campo discursivo sobre os destinos da nação” In: “O corpo da nação: classificação racial e gestão social da reprodução em hospitais da rede pública no Rio de Janeiro”. Rio de Janeiro: Editora UFRJ.

ALZUGUIR; Fernanda Vecchi; NUCCI, Marina Fischer, Marina. “Maternidade mamífera? concepções sobre natureza e ciência em uma rede social de mães”. Mediações: revista de ciências sociais, v. 20; n. 1, 2015.

BRANDÃO, Elaine Reis e Cabral, Cristiane da Silva. “Vidas precárias: tecnologias de governo e modos de gestão da fecundidade de mulheres ´vulneráveis´”. Horizontes Antropológicos [online]. 2021, v. 27, n. 61 [Acessado 10 Junho 2022] , pp. 47-84. Disponível em: . Epub 06 Dez 2021. ISSN 1806-9983. https://doi.org/10.1590/S0104-71832021000300002.

NASCIMENTO, P. F. G. Desejo de filhos: uma etnografia sobre reprodução, desigualdade e políticas de saúde. João Pessoa: Editora da UFPB, 2020.

 

Sessões 10 e 11 - Parentalidades indesejáveis e maternidades ininteligíveis (11/10 e 18/10)

BUTLER, Judith. “O parentesco é sempre tido como heterossexual?”. Cadernos Pagu [online]. 2003, n. 21 [Acessado 22 Junho 2022] , pp. 219-260. Disponível em: . Epub 23 Out 2006. ISSN 1809-4449.

DAVIS, Angela. “Racismo, controle de natalidade e direitos reprodutivos”. In: __. Mulheres, Raça e Classe. São Paulo: Boitempo, 2016, pp. 205-223

ALVES, Ariana Oliveira. Quem tem direito a querer ter/ser mãe?" Dinâmicas entre gestão, instâncias Estatais e ação política em Belo Horizonte (MG). (dissertação de mestrado). Antropologia social; PPGAS/Unicamp, Campinas, 2021.

EFREM, Roberto e MELLO, Breno Marques de. “A renúncia da mãe: sobre gênero, violência e práticas de Estado”. Horizontes Antropológicos [online]. 202 eu de Kitty ele sente não1, v. 27, n. 61 [Acessado 10 Junho 2022] , pp. 323- 349. Disponível em: . Epub 06 Dez 2021. ISSN 1806-9983.

Sessões 12 e 13 - Governo da infância e políticas do cuidado (25/10 e 1/11)

FERNANDES, Camila. Figuras da causação: as novinhas, as mães nervosas e mães que abandonam os filhos. Rio de Janeiro: Telha, 2021 (caps 1 - Casas de tomar conta: o cuidado feito nas margens do Estado - p. 55-94; cap. 5 – As mães abandonantes o amor nas fraturas da desigualdade, p. 233-287).

VIANNA, Adriana. Limites da Menoridade: tutela, família e autoridade em julgamento. (Tese de doutorado), PPGAS/Museu Nacional/UFRJ, 2002 (Capítulo 4: Ceder ou reter crianças: moralidades em julgamento) LLOBET, Valeria y VILLATA, Carla. “Economías morales del cuidado infantil. Familias, género y desigualdades en los programas de acogimiento familiar en la Argentina”. Horizontes Antropológicos [online]. 2021, v. 27, n. 61 [Accedido 10 Junio 2022] , pp. 227-256. Disponible en: . Epub 06 Dic 2021. ISSN 1806-9983. https://doi.org/10.1590/S0104-71832021000300008.

LUGONES, María Gabriela. “¿Matronato? Gestiones maternales de protección estatal”. Cadernos Pagu [online]. 2017, n. 51 [Accedido 23 Junio 2022] , e175102. Disponible en: . Epub 08 Ene 2018. ISSN 1809-4449.

MURRAY, Marjorie; TIZZONI, Constanza. “Raising children in hostile worlds in Santiago de Chile: Optimism and ‘hyper-agentic’ mothers”. Sociological review, 2021, 1-16. DOI: 10.1177/00380261211056169

Atenção: 08/11 não haverá aula e 15/11 é feriado

Sessão 14 - Trabalho do cuidado e reprodução estratificada (22/11)

RAMOS-ZAYRAS, Ana Y. Parenting Empires: Class, Whiteness, and the Moral Economy of Privilege in Latin America. Duke University Press Durham and London 2020.

SILVEIRA, Liane Maria Braga da. Como se fosse da família: a relação (in)tensa entre mães e babás, Rio de Janeiro: E-papers, 2014.

TEMPESTA, Giovana Acacia e FRANÇA, Ruhana Luciano de. “Nomeando o inominável. A problematização da violência obstétrica e o delineamento de uma pedagogia reprodutiva contra-hegemônica”. Horizontes Antropológicos [online]. 2021, v. 27, n. 61 [Acessado 10 Junho 2022] , pp. 257-290. Disponível em: . Epub 06 Dez 2021. ISSN 1806-9983.

Sessão 15 – Encerramento do curso e discussão de propostas de trabalhos finais (29/11).

TIPO DE AVALIAÇÃO: Seminário e trabalho final

Mais informações em: https://www.ims.uerj.br/pos-graduacao/disciplinas/disciplinas-chs-deliberacao-002-2020/

Publicada em: 13/07/2022



IMS/UERJ - R. São Francisco Xavier, 524, 6º Andar, BL. E - 20550-013 - Rio de Janeiro - RJ - Brasil