{"id":1007,"date":"2014-11-26T00:00:00","date_gmt":"2014-11-26T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/11\/26\/matices-de-la-desigualdad\/"},"modified":"2014-11-26T00:00:00","modified_gmt":"2014-11-26T02:00:00","slug":"matices-de-la-desigualdad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/matices-de-la-desigualdad\/1007\/","title":{"rendered":"Matices de la desigualdad"},"content":{"rendered":"<p>Ao longo dos &uacute;ltimos anos, a situa&ccedil;&atilde;o das mulheres brasileiras tem avan&ccedil;ado em alguns indicadores. Entre 2000 e 2010, o n&uacute;mero de mulheres no mercado formal de trabalho (com carteira de trabalho assinada) passou de 51,3% para 57,9%, ainda que, em compara&ccedil;&atilde;o com o dos homens, permane&ccedil;a menor (eles apresentam 59,2%). Tamb&eacute;m na educa&ccedil;&atilde;o, do total de 4,9 milh&otilde;es de jovens entre 15 e 17 anos de idade que frequentam o ensino m&eacute;dio, 54,7% s&atilde;o mulheres e 45,3%, homens. Entretanto, avan&ccedil;os no mercado de trabalho e na educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sinalizam uma melhora geral para a popula&ccedil;&atilde;o feminina. No cruzamento de marcadores sociais de diferen&ccedil;a como g&ecirc;nero, ra&ccedil;a\/cor e regi&atilde;o encontram-se obst&aacute;culos significativos para avan&ccedil;ar na condi&ccedil;&atilde;o de vida das mulheres brasileiras, conforme demonstra o estudo &ldquo;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/agenciapatriciagalvao.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/dados-de-genero-ibge.pdf\" rel=\"noopener\">Estat&iacute;sticas de G&ecirc;nero &#8211; Uma an&aacute;lise dos resultados do Censo Demogr&aacute;fico 2010<\/a>&rdquo;, produzido pelo IBGE em parceria com a Secretaria de Pol&iacute;ticas para as Mulheres (SPM) e a Diretoria de Pol&iacute;ticas para Mulheres Rurais e Quilombolas do Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio (DPMRQ\/MDA).<\/p>\n<p>O estudo indica uma situa&ccedil;&atilde;o de maior vulnerabilidade para mulheres pretas e pardas e residentes de regi&otilde;es perif&eacute;ricas e afastadas dos grandes centros econ&ocirc;micos. Na pr&oacute;pria &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o, onde se auferem algumas melhorias, h&aacute; uma discrep&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; taxa de analfabetismo. Apesar de o &iacute;ndice ter ca&iacute;do de forma mais intensa entre as pretas e pardas (36,2% entre 2000 e 2010), ainda &eacute; 2,3 vezes superior ao das mulheres brancas analfabetas. Quando se olha para as regi&otilde;es, a taxa de mulheres analfabetas no Nordeste &eacute; tr&ecirc;s vezes superior &agrave; encontrada no Sudeste.<\/p>\n<p>Dados como esses ilustram problemas estruturais do pa&iacute;s, conforme observa a soci&oacute;loga Lia Zanotta, do departamento de Antropologia da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB). &ldquo;A urbaniza&ccedil;&atilde;o &eacute; um fator importante nesta din&acirc;mica de desigualdade. As regi&otilde;es econ&ocirc;micas mais consolidadas e centrais tendem a ter &iacute;ndices melhores. Em regi&otilde;es mais rurais, h&aacute; uma s&eacute;rie de fatores que dificultam a melhoria de vida das mulheres&rdquo;, observa Lia Zanotta.<\/p>\n<p>Isso &eacute; notado, por exemplo, quando se olha para a taxa de fecundidade das mulheres. De acordo com o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de,&nbsp;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/na-midia\/conteudo.asp?cod=11887\" rel=\"noopener\">a taxa atual m&eacute;dia &eacute; de 1,7 filhos por mulher no pa&iacute;s<\/a>, abaixo dos 2,1 considerado o m&iacute;nimo para que a popula&ccedil;&atilde;o permane&ccedil;a crescendo. No entanto, conforme aponta o estudo do IBGE, a propor&ccedil;&atilde;o de mulheres jovens com filhos cai de maneira desigual na cidade e no campo. Nas &aacute;reas urbanas, 11,1% das jovens de 15 a 19 anos tiveram ao menos um filho nascido vivo, enquanto 15,5% das mulheres do campo da mesma idade tiveram ao menos um filho. Na faixa dos 25 aos 29 anos, 57,9% das mulheres das cidades tiveram pelo menos um filho, ao passo que nas &aacute;reas rurais o n&uacute;mero chega a 75,4%. Esse cen&aacute;rio &eacute; compreens&iacute;vel, observa o dem&oacute;grafo Jos&eacute; Eust&aacute;quio Diniz Alves, professor da Escola Nacional de Ci&ecirc;ncias Estat&iacute;sticas (ENCE\/IBGE):<\/p>\n<p>&ldquo;As taxas de natalidade s&atilde;o tradicionalmente maiores nas &aacute;reas rurais. Ter filhos apresenta uma rela&ccedil;&atilde;o custo-benef&iacute;cio maior. No mundo inteiro &eacute; assim. A inser&ccedil;&atilde;o das mulheres no mercado de trabalho &eacute; menor, elas se casam mais cedo. Al&eacute;m disso, as circunst&acirc;ncias de vida favorecem. Ao contr&aacute;rio das cidades, onde o custo &eacute; alto, com creche, escola, cursos, brinquedos industrializados e uma vida em geral mais cara, no meio rural, a concilia&ccedil;&atilde;o entre trabalho e moradia muitas vezes favorece a cria&ccedil;&atilde;o de filhos, que demandam menos investimento e gasto do que nas cidades&rdquo;, observa Jos&eacute; Eust&aacute;quio.<\/p>\n<p>Opini&atilde;o semelhante tem a dem&oacute;grafa e pesquisadora da ENCE Angelita Carvalho, para quem &ldquo;os pap&eacute;is de g&ecirc;nero no meio rural s&atilde;o mais definidos e fixos do que na cidade, o que impacta nas condi&ccedil;&otilde;es em que elas vivem e interfere nas possibilidades de emancipa&ccedil;&atilde;o e dom&iacute;nio sobre suas trajet&oacute;rias educacionais e reprodutivas&rdquo;.<\/p>\n<p><b>A cor da desigualdade<\/b><\/p>\n<p>Nesse cen&aacute;rio de assimetrias, o componente ra&ccedil;a\/cor constitui um aspecto relevante. Basta olhar que, tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o aos &iacute;ndices de mulheres com pelo menos um filho nascido vivo, as pretas\/pardas apresentam n&uacute;meros maiores: na faixa et&aacute;ria de 15 a 19 anos, a taxa daquelas com pelo menos um filho nascido vivo &eacute; de 14,1%; com as brancas, a taxa cai para 8,8%. Na faixa et&aacute;ria de 20 a 24 anos, a diferen&ccedil;a &eacute; ainda maior (pretas\/pardas com 31,9% e brancas 45,6%). Diferen&ccedil;as que persistem em todas as faixas et&aacute;rias at&eacute; os 44 anos e sinalizam a complexidade do cen&aacute;rio de vulnerabilidades em que as mulheres brasileiras est&atilde;o inseridas.<\/p>\n<p>Lia Zanotta destaca que a interse&ccedil;&atilde;o desses marcadores &eacute; fundamental para a compreens&atilde;o e an&aacute;lise da situa&ccedil;&atilde;o da mulher brasileira. &ldquo;O cruzamento de aspectos como cor, ra&ccedil;a, regi&atilde;o e g&ecirc;nero demonstra que estamos diante de um quadro de desigualdades com muitos matizes, o que nos leva a refletir n&atilde;o apenas sobre os valores, representa&ccedil;&otilde;es e processos hist&oacute;ricos que situam socialmente a mulher, mas tamb&eacute;m sobre as respostas que s&atilde;o constru&iacute;das e implementadas para enfrentar as desigualdades&rdquo;, observa.<\/p>\n<p>A exist&ecirc;ncia de uma mentalidade tradicional, que valoriza a figura da mulher m&atilde;e, assim como a hist&oacute;ria escravocrata, coexiste com dificuldades pol&iacute;ticas e administrativas do pr&oacute;prio Estado brasileiro. Conforme lembra Lia Zanotta, em lugares mais afastados, h&aacute; fragilidades significativas na implementa&ccedil;&atilde;o e oferta de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Assim, servi&ccedil;os de educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de nem sempre alcan&ccedil;am plenamente as mulheres. &Eacute; o caso das creches,&nbsp;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/destaque\/conteudo.asp?cod=10675\" rel=\"noopener\">abordado neste meio em mat&eacute;ria recente<\/a>. O Censo de 2010 mostrou que apenas 23,5% das crian&ccedil;as brasileiras com at&eacute; 3 anos frequentavam creche. Nas &aacute;reas rurais, apenas 6,3% das fam&iacute;lias tinham acesso &agrave; creche. J&aacute; de acordo com a Secretaria de Pol&iacute;ticas para as Mulheres, do total de 10 milh&otilde;es de crian&ccedil;as em idade de creche apenas 18% estavam matriculadas em 2011. &ldquo;Essas fragilidades e defici&ecirc;ncias nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas afetam mais aquelas mulheres que se encontram no cruzamento desses marcadores sociais de diferen&ccedil;a&rdquo;, aponta Lia Zanotta.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m na &aacute;rea da sa&uacute;de reprodutiva e sexual das mulheres, notam-se clivagens intra-g&ecirc;nero. O racismo, por exemplo, &eacute; amplamente evidenciado em institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de,&nbsp;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/na-midia\/conteudo.asp?cod=11923\" rel=\"noopener\">conforme aponta o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de<\/a>. S&atilde;o as mulheres negras as maiores v&iacute;timas de mortalidade materna (60%) quando comparadas com as mulheres brancas (34%). O acompanhamento pr&eacute;-natal tamb&eacute;m apresenta dados d&iacute;spares: 56% das gestantes negras afirmam que realizaram menos consultas pr&eacute;-natal do que as brancas. Mesmo cen&aacute;rio em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o sobre amamenta&ccedil;&atilde;o, que foi acessado por 78% das brancas enquanto 62% das negras conseguiram o servi&ccedil;o.<\/p>\n<p><b>Sa&uacute;de reprodutiva e saneamento<\/b><\/p>\n<p>A distribui&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos contraceptivos, lembra Lia Zanotta, &eacute; outro gargalo, sobretudo em regi&otilde;es mais afastadas. Planejada pelo governo federal, a pol&iacute;tica de planejamento familiar prev&ecirc; que os m&eacute;todos sejam distribu&iacute;dos pelos munic&iacute;pios. Entretanto, neste percurso, nem sempre o planejado &eacute; executado. &Eacute; comum que no n&iacute;vel local alguns gestores n&atilde;o repassem a contracep&ccedil;&atilde;o baseados em concep&ccedil;&otilde;es tradicionais ou discriminat&oacute;rias, como por exemplo negar p&iacute;lulas para mulheres jovens com poucos filhos. &ldquo;Penso que no n&iacute;vel municipal, enfrentamos muitos obst&aacute;culos, pois me parecem menos abertos a trabalharem com uma no&ccedil;&atilde;o consistente da natureza das desigualdades. Essa &eacute; uma leitura que fa&ccedil;o e que exp&otilde;e um cen&aacute;rio muito complexo, porque envolve a discuss&atilde;o sobre repactua&ccedil;&atilde;o federativa, distribui&ccedil;&atilde;o de recursos, moderniza&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre as institui&ccedil;&otilde;es e, naturalmente, a necessidade de consolidar o papel das administra&ccedil;&otilde;es locais na luta pelos direitos das mulheres&rdquo;, avalia Lia Zanotta.<\/p>\n<p>No &acirc;mbito do saneamento, tamb&eacute;m s&atilde;o notadas maiores dificuldades para as mulheres negras e moradoras de regi&otilde;es perif&eacute;ricas. De acordo com o estudo do IBGE, em 2010 28,3% dos domic&iacute;lios chefiados por mulheres no pa&iacute;s tinham saneamento inadequado &ndash; o que leva em conta acesso e abastecimento cont&iacute;nuo de &aacute;gua pot&aacute;vel, tratamento do esgoto e acesso cont&iacute;nuo &agrave; coleta de lixo. No Norte, esses n&uacute;meros chegam a 70%; no Nordeste, a 46,3%; e caem significativamente quando se chega ao Sudeste (12,2%) e Sul (24,2%). No &acirc;mbito dos domic&iacute;lios rurais chefiados por mulheres negras, 22,1% das resid&ecirc;ncias n&atilde;o tinham servi&ccedil;o adequado de saneamento, ao passo que 12,7% dos lares comandados por brancas n&atilde;o contavam com servi&ccedil;o apropriado de saneamento.<\/p>\n<p>S&atilde;o diversos os dados que descrevem a situa&ccedil;&atilde;o das mulheres brasileiras e todos apontam um quadro em que, quanto mais circunscritas a determinadas interse&ccedil;&otilde;es de marcadores sociais, maiores as fragilidades a que est&atilde;o expostas. A c&eacute;lebre frase de que &ldquo;n&atilde;o se nasce mulher, torna-se mulher&rdquo; adquire contornos particulares diante de um pa&iacute;s marcado por distin&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero, cor\/ra&ccedil;a e regi&atilde;o. A se julgar pelos n&uacute;meros tamb&eacute;m recentes do Instituto de Economia da UERJ deste ano &#8211; segundo os quais o rendimento m&eacute;dio da mulher preta e parda de Recife &eacute; R$ 1.093,43 e o da branca da mesma cidade &eacute; de 1.697,50, enquanto, no Rio de Janeiro, as brancas ganham em m&eacute;dia R$ 2.472,13 e as negras, R$ 1.389,79 &#8211; ser mulher &eacute; um fen&ocirc;meno de m&uacute;ltiplas faces e diferentes pesos. Por isso, conforme observa Lia Zanotta, a redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades &eacute; um processo complexo, cujas respostas pol&iacute;ticas devem estar atentas &agrave; intrincada teia de fatores e marcadores sociais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investigaciones recientes muestran que, pese a algunos avances, la vida de las mujeres brasile\u00f1as sigue marcada por inequidades en aspectos como el trabajo y la educaci\u00f3n. Desigualdades que se tornan a\u00fan m\u00e1s evidentes cuando se cruzan con otros marcadores sociales como raza y procedencia. Ser negra y habitante de regiones perif\u00e9ricas tiene un peso mayor. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1007","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Matices de la desigualdad - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/matices-de-la-desigualdad\/1007\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Matices de la desigualdad - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Investigaciones recientes muestran que, pese a algunos avances, la vida de las mujeres brasile\u00f1as sigue marcada por inequidades en aspectos como el trabajo y la educaci\u00f3n. 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