{"id":1017,"date":"2015-02-24T00:00:00","date_gmt":"2015-02-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2015\/02\/24\/la-mirada-del-otro\/"},"modified":"2015-02-24T00:00:00","modified_gmt":"2015-02-24T03:00:00","slug":"la-mirada-del-otro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/la-mirada-del-otro\/1017\/","title":{"rendered":"La mirada del otro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>por Washington Castilhos<br \/> colaborou F&aacute;bio Grotz<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O denominado &ldquo;infantic&iacute;dio ind&iacute;gena&rdquo; foi destacado no &uacute;ltimo mapa da viol&ecirc;ncia do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a brasileiro, por conta da pr&aacute;tica&nbsp;<i>Yanom&acirc;mi<\/i>&nbsp;de dar direito a m&atilde;es e pais de matarem rec&eacute;m-nascidos em casos de crian&ccedil;as que nas&ccedil;am com defici&ecirc;ncia. Segundo reportagem do programa dominical&nbsp;<i>Fant&aacute;stico<\/i>&nbsp;do final de 2014, a pr&aacute;tica teria engrossado os &iacute;ndices de viol&ecirc;ncia da cidade de Caracarai (em Roraima, onde est&aacute; localizada a maior reserva&nbsp;<em>Yanom&acirc;mi<\/em>&nbsp;do pa&iacute;s), colocando-a como campe&atilde; de homic&iacute;dios em 2012 no Mapa da Viol&ecirc;ncia lan&ccedil;ado em 2014.<\/p>\n<p>A pr&aacute;tica&nbsp;<i>Yanom&acirc;mi<\/i>&nbsp;foi al&ccedil;ada ao status de quest&atilde;o nacional em agosto de 2007, quando o deputado federal Henrique Afonso apresentou o projeto de lei 1057 &ndash; conhecido como Lei Muwaji &ndash; para&nbsp;<i>&ldquo;combater pr&aacute;ticas tradicionais nocivas &agrave; prote&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais de crian&ccedil;as ind&iacute;genas&rdquo;<\/i>, e logo em seguida a Revista Veja publicou reportagem (sob o tendencioso t&iacute;tulo&nbsp;<i>&ldquo;Crimes na Floresta &ndash; Muitas tribos brasileiras ainda matam crian&ccedil;as e a Funai nada faz para impedir o infantic&iacute;dio&rdquo;<\/i>, edi&ccedil;&atilde;o 2021, de 15\/08\/2007) em que o ato era detalhadamente discutido. Desde ent&atilde;o, o tema tem sido ocasionalmente abordado pelos diversos meios de comunica&ccedil;&atilde;o brasileiros, sempre imerso em valores culturais e considerando unicamente a verdade moral ocidental acerca do que &eacute; a vida, do que s&atilde;o os povos ind&iacute;genas e de como os agentes n&atilde;o ind&iacute;genas podem resolver tais situa&ccedil;&otilde;es, com &ldquo;nossos&rdquo; aparatos e valores, assumindo uma supremacia sobre as cosmovis&otilde;es desses povos.<\/p>\n<p>Por ser este um tema inquietante desde sua denomina&ccedil;&atilde;o &ndash;<i>&nbsp;o ato pode ser chamado &quot;infantic&iacute;dio&quot;?<\/i>&nbsp;&ndash;, fomos ouvir pesquisadores que desenvolvem estudos com recorte nas tem&aacute;ticas dos direitos humanos e &eacute;tnicos nas &aacute;reas da Antropologia e do Direito, a fim de saber como estes avaliam a significa&ccedil;&atilde;o do (dito) &ldquo;infantic&iacute;dio ind&iacute;gena&rdquo; como &ldquo;problema social&rdquo; e seu enquadramento nas estat&iacute;sticas de viol&ecirc;ncia produzidas pelo estado. Compreender a pr&aacute;tica&nbsp;<i>Yanomami<\/i>&nbsp;torna-se complicado em uma sociedade cujas crian&ccedil;as t&ecirc;m cada vez mais seus direitos sujeitos &agrave; tutela do Estado e onde o conceito de vida &eacute; t&atilde;o valorado e sacralizado.<\/p>\n<p>&ldquo;Todas as vezes que se classifica esta pr&aacute;tica como &lsquo;infantic&iacute;dio&rsquo;, cai-se num duplo equ&iacute;voco: o primeiro deles &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o da possibilidade de entendimento do que representa tal ato pela l&oacute;gica ou olhar do povo&nbsp;<i>Yanomami<\/i>, pois a sua tipifica&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica como infantic&iacute;dio permite a interven&ccedil;&atilde;o estatal dr&aacute;stica, via esfera penal, ou a&ccedil;&otilde;es de organismos privados, como mission&aacute;rios e ONGs, que t&ecirc;m por base uma leitura do bem jur&iacute;dico &lsquo;vida&rsquo; diferente daquela formulada pelos&nbsp;<i>Yanomami<\/i>, sobretudo na compreens&atilde;o de quando se reconhece de fato um ser enquanto pessoa. O segundo equ&iacute;voco &eacute; a inadequa&ccedil;&atilde;o do uso do tipo penal &lsquo;infantic&iacute;dio&rsquo;, inserido no artigo 123 do C&oacute;digo Penal, para a compreens&atilde;o do que de fato ocorreu em tais situa&ccedil;&otilde;es, posto que para o infantic&iacute;dio seria necess&aacute;ria a exist&ecirc;ncia de &lsquo;estado puerperal&rsquo; que corresponderia &agrave; perturba&ccedil;&atilde;o emocional da parturiente que motiva o ato, ou seja, existe um fator psicol&oacute;gico que explicaria o alegado crime. A pr&aacute;tica&nbsp;<i>Yanomami<\/i>&nbsp;seria melhor traduzida como o n&atilde;o reconhecimento coletivo de transforma&ccedil;&atilde;o do ser em pessoa e, consequentemente, em crian&ccedil;a&rdquo;, analisam Jane Felipe Beltr&atilde;o, professora no Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA), e Assis da Costa Oliveira, Mestre em Direito, professor de Direitos Humanos e coordenador do Curso de Etnodesenvolvimento da Faculdade de Etnodiversidade, tamb&eacute;m da UFPA &ndash;&nbsp;<i>campus<\/i>&nbsp;de Altamira. Assis recentemente lan&ccedil;ou o livro &ldquo;Ind&iacute;genas Crian&ccedil;as, Crian&ccedil;as Ind&iacute;genas: perspectivas para constru&ccedil;&atilde;o da Doutrina da Prote&ccedil;&atilde;o Plural&rdquo; (Editora Juru&aacute;), no qual aborda o assunto..<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores John D. Early e John F. Peters, que realizaram estudos junto aos&nbsp;<i>Yanomami<\/i>&nbsp;na d&eacute;cada de 1990, o que &ldquo;n&oacute;s&rdquo; classificamos como &ldquo;infantic&iacute;dio&rdquo; &eacute; visto por eles como &ldquo;aborto terminal&rdquo;, n&atilde;o como homic&iacute;dio. Muito mais do que um ato ou uma decis&atilde;o, trata-se de um processo cultural com fundamenta&ccedil;&atilde;o complexa e coerente internamente &agrave; aldeia, que n&atilde;o pode ser visto como ato de barb&aacute;rie, primitivo ou comparado ao &ldquo;estado puerperal&rdquo;, na tentativa de defini-los como loucos ou como grupo que desconsidera a vida, pois &eacute; esta justamente o que est&aacute; em jogo.<\/p>\n<p>&ldquo;Para uma comunidade ind&iacute;gena, o valor da vida &eacute; algo fundamental. N&atilde;o h&aacute; qualquer inten&ccedil;&atilde;o, do ponto de vista deles, de agredir esse valor. O que h&aacute; &eacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o de seus limites, freq&uuml;entemente cristalizados em valores e modelos de a&ccedil;&atilde;o social. Nessas horas, uma negocia&ccedil;&atilde;o em di&aacute;logo com as cren&ccedil;as locais pode permitir solu&ccedil;&otilde;es mais felizes. Mas uma a&ccedil;&atilde;o do Estado, por sua natureza gen&eacute;rica e sua dita impessoalidade, que n&atilde;o consegue flexibilizar suas a&ccedil;&otilde;es em contexto algum, n&atilde;o vai conseguir produzir solu&ccedil;&otilde;es felizes. Ele vai impor normas de forma arbitr&aacute;ria&rdquo;, afirma o antrop&oacute;logo Jo&atilde;o Pacheco de Oliveira, professor titular do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Antropologia Social do Museu Nacional (UFRJ) e coordenador de assuntos ind&iacute;genas da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Antropologia (ABA).<\/p>\n<p>Para a pesquisadora Rita de C&aacute;ssia Melo Santos, doutoranda em Antropologia Social no PPGAS\/MN\/UFRJ, a ideia de tomar a pr&aacute;tica ind&iacute;gena como um &ldquo;problema social&rdquo; diz respeito &agrave; forma como a sua origem e abrang&ecirc;ncia foram problematizadas pelo legislativo brasileiro.<\/p>\n<p>&ldquo;Segundo os &oacute;rg&atilde;os indigenistas e movimentos ind&iacute;genas, trata-se de uma pr&aacute;tica isolada, ritual, realizada em comunidades espec&iacute;ficas e em vias de extin&ccedil;&atilde;o. A cultura &eacute; din&acirc;mica, ela est&aacute; em constante processo de transforma&ccedil;&atilde;o, inclusive no que concerne &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas. Logo, tratar a quest&atilde;o do infantic&iacute;dio ind&iacute;gena como um problema para o qual se faz necess&aacute;rio um projeto de lei nacional, abre uma frente de homogeneiza&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a essas popula&ccedil;&otilde;es bastante perigosa. Muito tem se falado sobre infantic&iacute;dio e sempre h&aacute; uma recorr&ecirc;ncia a casos muito espec&iacute;ficos e pontuais, ao mesmo tempo em que os assassinatos das lideran&ccedil;as ind&iacute;genas, a usurpa&ccedil;&atilde;o dos seus territ&oacute;rios e a morosidade no atendimento &agrave;s suas demandas pouco t&ecirc;m espa&ccedil;o na m&iacute;dia. Estou certa que o projeto de lei do infantic&iacute;dio corresponde a mais um bra&ccedil;o da campanha orquestrada contra os direitos ind&iacute;genas, muito mais do que uma quest&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas crian&ccedil;as. Para isso, temos a altera&ccedil;&atilde;o do Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente em 2009, que incluiu um artigo espec&iacute;fico sobre as crian&ccedil;as ind&iacute;genas, e o apoio do movimento ind&iacute;gena e dos &oacute;rg&atilde;os de a&ccedil;&atilde;o indigenista&rdquo;, avalia Rita Santos, autora do artigo&nbsp;<i>Sentidos e usos sociais do infantic&iacute;dio ind&iacute;gena em alguns ve&iacute;culos da m&iacute;dia brasileira<\/i>. que comp&otilde;e a colet&acirc;nea &ldquo;O fazer e o desfazer dos direitos&rdquo; (E-papers, 2013).<\/p>\n<p>Vale lembrar que, mesmo entre as diversas etnias ind&iacute;genas, h&aacute; diferen&ccedil;as. Os&nbsp;<i>Guarani<\/i>, por exemplo, al&eacute;m dos nascidos com defici&ecirc;ncia, descartam um dos rec&eacute;m-nascidos em caso de g&ecirc;meos.<\/p>\n<p>Jane Beltr&atilde;o e Assis Oliveira lembram que certa vez ouviram um l&iacute;der&nbsp;<i>Guarani<\/i>&nbsp;interpelar uma Procuradora da Rep&uacute;blica que defendia a &ldquo;vida pela vida&rdquo; independente do contexto social, dizendo:&nbsp;<i>&ldquo;A senhora e sua gente nos ensinaram a n&atilde;o eliminar os g&ecirc;meos e os nascidos com defici&ecirc;ncia a partir da &lsquo;cartilha cat&oacute;lica&rsquo;, mas quando a aldeia se encheu de pessoas com defici&ecirc;ncia, ningu&eacute;m apareceu para oferecer vida confort&aacute;vel &agrave;queles Guarani que deixamos viver sem garantia de uma vida boa&rdquo;<\/i>.<\/p>\n<p>&ldquo;Em outras palavras, o l&iacute;der informou &agrave; autoridade que n&atilde;o h&aacute; vida sem que seja poss&iacute;vel viver bem, e que apesar do alarde pela vida, o Estado &lsquo;deixa&rsquo; morrer por n&atilde;o atender. At&eacute; que ponto algu&eacute;m pensa nesta correla&ccedil;&atilde;o? Os&nbsp;<i>Guarani<\/i>, como os<i>Yanomami<\/i>, pensam a vida com condi&ccedil;&otilde;es de ser pessoa e usufruir da condi&ccedil;&atilde;o de humano com garantias&rdquo;, salientam os pesquisadores.<\/p>\n<p>Rita Santos concorda com o peso que t&ecirc;m os fatores sociais, como o dif&iacute;cil acesso dos povos a bens e servi&ccedil;os de sa&uacute;de ofertados pelo Estado. &ldquo;O infantic&iacute;dio tem sido largamente utilizado como um elemento de ofuscamento das reais necessidades dos povos ind&iacute;genas hoje, como a demarca&ccedil;&atilde;o e desintrus&atilde;o de seus territ&oacute;rios; e o acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e &agrave; sa&uacute;de diferenciados&rdquo;, diz ela.<\/p>\n<p><i><b>Vida: o que &eacute;, quando come&ccedil;a e para que serve<\/b><\/i><\/p>\n<p>Para os&nbsp;<i>Yanom&acirc;mi<\/i>, a vida tem in&iacute;cio ap&oacute;s a primeira mamada: o momento crucial de transmiss&atilde;o da alma &eacute; o aleitamento. At&eacute; ent&atilde;o, o rec&eacute;m-nascido &eacute; um corpo como qualquer animal, assim o &ldquo;descarte&rdquo; dos que n&atilde;o s&atilde;o reconhecidos coletivamente como &lsquo;pessoa&rsquo; n&atilde;o &eacute; repudiado. Deste modo, a discuss&atilde;o sobre a pr&aacute;tica relativiza valores e coloca em evid&ecirc;ncia as possibilidades de ressignificar o que &eacute; vida e quando esta come&ccedil;a.<\/p>\n<p>&ldquo;H&aacute; uma tend&ecirc;ncia no pensamento ocidental de tornar todos os princ&iacute;pios r&iacute;gidos, impositivos e, assim, perdem as conex&otilde;es, ao n&atilde;o serem nunca consideradas em seus aspectos contradit&oacute;rios e amb&iacute;guos, bem como ignoradas as suas repercuss&otilde;es positivas. Assim, eles, os &iacute;ndios, se transformam em monstros&rdquo;, ressalta o antrop&oacute;logo Jo&atilde;o Pacheco.<\/p>\n<p>Mas &eacute; interessante notar o quanto na sociedade brasileira a quest&atilde;o da vida (ou de quando ela come&ccedil;a) n&atilde;o &eacute; um consenso. No Supremo Tribunal Federal (STF), os julgamentos quanto ao uso de c&eacute;lulas-tronco e ao aborto de fetos anencef&aacute;licos, ocorridos nos &uacute;ltimos anos, revelaram posi&ccedil;&otilde;es jurisprudenciais e doutrin&aacute;rias bem diversas do que seria o direito &agrave; vida, isto sem falar da posi&ccedil;&atilde;o dos movimentos feministas e das religi&otilde;es (n&atilde;o apenas as crist&atilde;s, por certo), entre outros segmentos da sociedade.<\/p>\n<p>&ldquo;Logo, nem &lsquo;entre n&oacute;s&rsquo; h&aacute; consenso sobre quando come&ccedil;a ou quando e com que crit&eacute;rios &eacute; poss&iacute;vel interromp&ecirc;-la, o que est&aacute; colocado fortemente na discuss&atilde;o sobre a regulamenta&ccedil;&atilde;o e\/ou legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto. Desse modo, tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel empreender a an&aacute;lise de que, no caso do povo&nbsp;<i>Yanomami<\/i>, assim como dos mais de 200 povos ind&iacute;genas, est&aacute;-se diante de uma diversidade de modos de compreender&nbsp;<i>o que, desde quando e para que serve<\/i>&nbsp;a vida, cujas disputas tamb&eacute;m s&atilde;o feitas internamente dentro desses grupos e no di&aacute;logo com outros grupos e com a sociedade nacional&rdquo;, afirmam Jane Beltr&atilde;o e Assis Oliveira.<\/p>\n<p>Para Jo&atilde;o Pacheco, &ldquo;as pessoas que vivem aquela cultura t&ecirc;m a capacidade de elaborar outras solu&ccedil;&otilde;es, a cultura n&atilde;o &eacute; como nosso c&oacute;digo legal, fechado e amarrado. Ela &eacute; reinterpretada pelas pessoas. Se houver liberdade para que elas reelaborem, se houver respeito em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cultura, se ela n&atilde;o for tratada como uma manifesta&ccedil;&atilde;o de primitivismo, de ignor&acirc;ncia, as pessoas v&atilde;o caminhar para solu&ccedil;&otilde;es que sejam poss&iacute;veis&rdquo;, afirma o antrop&oacute;logo do Museu Nacional, citando como exemplo uma pr&aacute;tica dos &iacute;ndios&nbsp;<i>Tikuna<\/i>, no Alto Solim&otilde;es, etnia estudada por ele em suas pesquisas.<\/p>\n<p>&ldquo;Eles t&ecirc;m um ritual chamado &lsquo;festa da pela&ccedil;&atilde;o&rsquo;, em princ&iacute;pio realizado com todos os jovens que passavam pela &eacute;poca da inicia&ccedil;&atilde;o, da puberdade, ora restrito &agrave;s mulheres. &Eacute; um ritual no qual se arranca os cabelos da menina, que depois &eacute; reapresentada &agrave; comunidade em uma nova condi&ccedil;&atilde;o. A partir daquele momento, ela &eacute; considerada um ser poss&iacute;vel de casar, de ter rela&ccedil;&otilde;es sexuais, uma adulta. Antes disso, qualquer a&ccedil;&atilde;o sexual realizada contra ela &eacute; considerada um ato patol&oacute;gico, que ser&aacute; punido como um crime monstruoso. Ent&atilde;o, o ritual &eacute; um ponto fundamental. A vis&atilde;o que os regionais t&ecirc;m sobre isso &eacute; a de um ato cruel, e eles fazem press&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a isso. A tend&ecirc;ncia dos &iacute;ndios hoje n&atilde;o &eacute; mais de arrancar os cabelos como eles faziam manualmente, tufo por tufo. Eles usam a tesoura, e &agrave;s vezes tiram um tufo para a menina ter a ideia da dor. As velhas dizem que as mo&ccedil;as precisam ter ideia da dor, porque o parto &eacute; uma coisa muito dolorosa, e se ela n&atilde;o for capaz de passar pelo ritual, n&atilde;o conseguir&aacute; ter uma crian&ccedil;a&rdquo;, relata o coordenador de assuntos ind&iacute;genas da ABA.<\/p>\n<p>De acordo com as fontes entrevistadas, a diversidade cultural de mais de 200 povos ind&iacute;genas, somente no Brasil, nos diz, acima de tudo, que &eacute; necess&aacute;rio entender melhor tais situa&ccedil;&otilde;es, quem as realizam e por quais motivos.<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o se pode generalizar o &lsquo;infantic&iacute;dio&rsquo; como elemento cultural de todos os povos ind&iacute;genas, tampouco reduzir seu entendimento a mera &lsquo;quest&atilde;o penal&rsquo;, pois sua exist&ecirc;ncia interroga, antes de tudo, a nossa &lsquo;zona de conforto&rsquo; sobre o que somos, sobre nossos valores e direitos, mostrando-nos que h&aacute; um campo de representa&ccedil;&atilde;o plural da vida que precisamos<i>saber entender<\/i>&nbsp;antes de&nbsp;<i>querer intervir<\/i>&rdquo;, ressaltam Jane Beltr&atilde;o e Assis Oliveira.<\/p>\n<p>No Congresso Nacional tramitam atualmente v&aacute;rios projetos nocivos aos ind&iacute;genas, grande parte confluindo para a quest&atilde;o da terra. Nesse sentido, o grande projeto em discuss&atilde;o &eacute; a chamada PEC 215, que visa transferir do Executivo para o Legislativo (o Congresso) a demarca&ccedil;&atilde;o de terras ind&iacute;genas, e a transformaria em um neg&oacute;cio a ser discutido entre bancadas e interesses regionais, sem mais usar qualquer crit&eacute;rio t&eacute;cnico para demarca&ccedil;&atilde;o de terras. Tiraria a Funai, os antrop&oacute;logos e a Procuradoria da Rep&uacute;blica de qualquer interveni&ecirc;ncia. Na pr&aacute;tica, a PEC, se aprovada, pararia para sempre qualquer novo reconhecimento territorial e abriria espa&ccedil;o para a revis&atilde;o dos territ&oacute;rios j&aacute; demarcados.<\/p>\n<p>Todas as propostas de interven&ccedil;&atilde;o judicial ou legislativa &ndash; a exemplo do Projeto de Lei 1057\/2007, conhecido como Lei Muwaji &ndash; se fundamentam na ideia de criminaliza&ccedil;&atilde;o dos ind&iacute;genas, da pretensa incapacidade cultural de alguns povos tradicionais em saberem cuidar de suas crian&ccedil;as, de que s&atilde;o pessoas m&aacute;s, que querem muita terra e invadem propriedade privada. Tal fundamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; sustentada pela ideia de que determinados costumes e pr&aacute;ticas ind&iacute;genas ignoram o valor da vida, da dignidade e da inf&acirc;ncia, colocando-se como atos b&aacute;rbaros ou selvagens, em suma, de sujeitos de uma humanidade &ldquo;abaixo da nossa&rdquo;, e, por isso mesmo, pass&iacute;veis de toda sorte de interven&ccedil;&atilde;o, seja para convert&ecirc;-los (como fazem os mission&aacute;rios) ou para puni-los (como querem os legisladores ou ju&iacute;zes).<\/p>\n<p>&ldquo;Se compreendermos que a vida e a inf&acirc;ncia s&atilde;o valores culturalmente constru&iacute;dos e, portanto, interculturalmente significados de maneira plural, se reconhecermos a capacidade civil plena e a cidadania diferenciada garantidas pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, em seus artigos 231 e 232, e se tivermos a preocupa&ccedil;&atilde;o em analisar tais situa&ccedil;&otilde;es (ditas) de &lsquo;infantic&iacute;dio&rsquo; com cautela e com aten&ccedil;&atilde;o, buscando apreend&ecirc;-las pelo &lsquo;olhar do outro&rsquo; e dialogar sem impor os &lsquo;nossos valores&rsquo;, pensamos ser um bom come&ccedil;o, um procedimento que n&atilde;o busca relativizar valores, mas torn&aacute;-los, efetivamente, multiculturais&rdquo;, defendem Jane Beltr&atilde;o e Assis Oliveira.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso, segundo os pesquisadores, deslocar o foco para os problemas hist&oacute;ricos e estruturais que afetam os povos ind&iacute;genas, como os relativos &agrave; terra, &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e &agrave; sa&uacute;de.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; necess&aacute;rio analisar as discuss&otilde;es sobre o dito &lsquo;infantic&iacute;dio ind&iacute;gena&rsquo; paralelamente a situa&ccedil;&otilde;es de genoc&iacute;dio expl&iacute;cito de &iacute;ndios, como existe em Mato Grosso do Sul, onde eles vivem na beira da estrada, sendo atropelados, violentados por donos de fazendas de soja, pelo governo do estado. No sul da Bahia, casas ind&iacute;genas sendo incendiadas aparecem no jornal como exemplo. Os casos das ditas &lsquo;pr&aacute;ticas infanticidas&rsquo; &ndash; na maioria das vezes meras acusa&ccedil;&otilde;es carentes de confirma&ccedil;&atilde;o &ndash; s&atilde;o infinitamente menores em rela&ccedil;&atilde;o aos casos existentes de viol&ecirc;ncia contra os ind&iacute;genas&rdquo;, observa Jo&atilde;o Pacheco.<\/p>\n<p>Artigo de Rita Segato, com base em pesquisa emp&iacute;rica desenvolvida entre os&nbsp;<i>Suruah&aacute;<\/i>, verificou que dos 143 membros deste povo houve, entre 2003 e 2005, 23 suic&iacute;dios, dois &ldquo;infantic&iacute;dios&rdquo; e uma morte por doen&ccedil;a, ou seja, a ampla maioria dos casos de morte foram decorrentes de suic&iacute;dio, isto sem contar os casos de desnutri&ccedil;&atilde;o e pobreza. Compreender a diferen&ccedil;a e produzir respeito aos povos ind&iacute;genas, &eacute; o que a diversidade nos ensina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>El (llamado) \u201cinfanticidio ind\u00edgena\u201d, perpetrado por los Yanomami y otros pueblos tradicionales, nos sit\u00faa frente a una diversidad de modos de comprender <i>el qu\u00e9, desde cu\u00e1ndo y para qu\u00e9 sirve<\/i> la vida, pone en evidencia las posibilidades de resignificar otros valores culturales y suscita una oportuna reflexi\u00f3n acerca de las reales necesidades de esos pueblos. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1017","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>La mirada del otro - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/la-mirada-del-otro\/1017\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"La mirada del otro - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"El (llamado) \u201cinfanticidio ind\u00edgena\u201d, perpetrado por los Yanomami y otros pueblos tradicionales, nos sit\u00faa frente a una diversidad de modos de comprender el qu\u00e9, desde cu\u00e1ndo y para qu\u00e9 sirve la vida, pone en evidencia las posibilidades de resignificar otros valores culturales y suscita una oportuna reflexi\u00f3n acerca de las reales necesidades de esos pueblos. 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