{"id":1019,"date":"2015-03-10T00:00:00","date_gmt":"2015-03-10T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2015\/03\/10\/es-el-8-de-marzo-solo-para-mujeres-cisgenero\/"},"modified":"2015-03-10T00:00:00","modified_gmt":"2015-03-10T03:00:00","slug":"es-el-8-de-marzo-solo-para-mujeres-cisgenero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/es-el-8-de-marzo-solo-para-mujeres-cisgenero\/1019\/","title":{"rendered":"\u00bfEs el 8 de marzo s\u00f3lo para mujeres cisg\u00e9nero?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Sonia Corr&ecirc;a*<br \/> Washington Castilhos**<\/em><\/p>\n<p>Recentemente, os banheiros femininos da Unicamp foram pichados com frases do tipo&nbsp;<i>&ldquo;n&atilde;o deixe que os machos invadam nossos espa&ccedil;os&rdquo;, &ldquo;usar nossos sapatos n&atilde;o te fazem mulher&rdquo;<\/i>&nbsp;e&nbsp;<i>&ldquo;vou cortar sua pica&rdquo;<\/i>. Os &quot;machos&quot; em quest&atilde;o s&atilde;o alunas trans que freq&uuml;entam os banheiros femininos, e as picha&ccedil;&otilde;es foram feitas por grupos feministas radicais, conhecidas como RadFem, que interpretam a presen&ccedil;a de alunas trans nos banheiros como amea&ccedil;a a sua integridade f&iacute;sica, pois, segundo elas, isso potencialmente levaria a que homens passassem a se vestir de mulher para atac&aacute;-las e estupr&aacute;-las nesses locais.<\/p>\n<p>Para as as RadFem, as mulheres trans continuam sendo essencialmente homens por que t&ecirc;m um p&ecirc;nis. Afirmam que os homens s&atilde;o opressores &lsquo;por natureza&rsquo; e que as mulheres trans s&atilde;o homens disfar&ccedil;ados que colocam as mulheres em risco quando compartem ambientes femininos. A vers&atilde;o RadFem do lesbianismo pol&iacute;tico considera o sexo heterossexual como express&atilde;o m&aacute;xima da opress&atilde;o patriarcal, e por isso elas condenam radicalmente a prostitui&ccedil;&atilde;o e a pornografia. Segundo elas, o feminismo &eacute; para &ldquo;mulheres de verdade&rdquo; e sua miss&atilde;o &eacute; combater frontalmente os homens e as masculinidades como fontes da subordina&ccedil;&atilde;o, exclus&atilde;o e viol&ecirc;ncia a que as mulheres foram submetidas ao longo da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Quando recorrem &agrave; verdade biol&oacute;gica para excluir mulheres trans de banheiros femininos, essa corrente se desvincula da vertente feminista inaugurada por Simone de Beauvoir &#8212; quando afirmou, no final dos anos 1940, que &quot;ningu&eacute;m nasce mulher, torna-se mulher&quot;. Os fios desse insight original se estendem, como bem sabemos, &agrave;s te&oacute;ricas contempor&acirc;neas que fizeram dos problemas de &lsquo;sexo&rsquo;e &lsquo;g&ecirc;nero&rsquo; seu tema principal &#8212; como Gayle Rubin, Judith Butler, Monique de Wittig, Anne-Fausto Sterling e Elizabeth Grosz, entre outras &ndash; as quais inspiram o transfeminismo dos dias atuais.<\/p>\n<p>Os transfeminismos pensam sexualidade e g&ecirc;nero no marco da instabilidade e da plasticidade. Sublinham que a coincid&ecirc;ncia entre &lsquo;sexo&rsquo; biol&oacute;gico, identidade, desejo e pr&aacute;tica &eacute; sempre artificial. Um dos conceitos nodais do transfeminismo &eacute; o termo &ldquo;cisg&ecirc;nero&rdquo;, cunhado no &acirc;mbito acad&ecirc;mico nos anos 1990, que nomeia a pessoa que n&atilde;o &eacute; trans, que se reconhece como pertencendo ao g&ecirc;nero ao qual foi compulsoriamente designada quando nasceu, em fun&ccedil;&atilde;o do seu sexo anat&ocirc;mico, ou seja, s&atilde;o Cis g&ecirc;nero as pessoas cujo g&ecirc;nero est&aacute; presumidamente &ldquo;em conformidade&rdquo; com seu corpo biol&oacute;gico. O prefixo &ldquo;Cis&rdquo; vem do latim e quer dizer &ldquo;do mesmo lado&rdquo;. A perspectiva transfeminista pontua assimetrias entre pessoas Cis e pessoas trans, em termos de poder, status social e acesso a recursos materiais e simb&oacute;licos. Ou seja, existem desigualdades entre mulheres trans e mulheres Cis, mesmo quando essas &uacute;ltimas s&atilde;o oprimidas por homens Cis. Uma express&atilde;o dessa desigualdade &eacute; exatamente o fato de n&atilde;o serem reconhecidas como mulheres de verdade.<\/p>\n<p>Desde a famosa afirma&ccedil;&atilde;o de Beauvoir em &ldquo;O Segundo Sexo&rdquo; (1949), o papel do substrato social na constitui&ccedil;&atilde;o das no&ccedil;&otilde;es de homem e mulher tem marcado as discuss&otilde;es te&oacute;ricas e pol&iacute;ticas em rela&ccedil;&atilde;o ao que significa&nbsp;<i>ser homem e ser mulher<\/i>. Do ponto de vista biol&oacute;gico, a mulher &eacute; um ser humano com cromossomas XX; entretanto, do ponto de vista cultural, n&atilde;o h&aacute; somente uma forma de ser mulher, n&atilde;o existe&nbsp;<i>A mulher<\/i>&nbsp;ou uma ess&ecirc;ncia compartilhada. O significado de ser mulher &eacute; institu&iacute;do de modo diferente em contextos coloniais e metropolitanos. N&atilde;o &eacute; o mesmo s&ecirc;-lo em uma teocracia cat&oacute;lica ou mu&ccedil;ulmana que em um regime laico, em um pa&iacute;s n&oacute;rdico ou no Brasil. H&aacute; diferen&ccedil;as geracionais, de classe social, de localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, de cren&ccedil;as religiosas e de ideologias pol&iacute;ticas.<\/p>\n<p>A ativista transexual B&aacute;rbara Graner, ao final de sua apresenta&ccedil;&atilde;o em semin&aacute;rio na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 2007, afirmou:&nbsp;<i>&rdquo;N&atilde;o entendo porque s&oacute; uma cirurgia genital permita que uma mulher seja chamada de mulher. Somente uma vagina pode atestar que voc&ecirc; &eacute; mulher? A quest&atilde;o da feminilidade e de nome est&atilde;o somente ligados ao &oacute;rg&atilde;o genital? Sou mulher! Me sinto uma mulher, logo sou uma mulher!&rdquo;<\/i>&nbsp;Sendo assim, ao se rebelarem contra o (<i>ou se libertarem do?<\/i>)&nbsp;<i>status quo&nbsp;<\/i>e de regras que implicitamente determinam &agrave;s pessoas o uso de determinados espa&ccedil;os (tais como os banheiros) em fun&ccedil;&atilde;o do seu sexo anat&ocirc;mico, as trans (entre elas, as alunas da Unicamp) s&atilde;o feministas, pois est&atilde;o questionando estruturas hier&aacute;rquicas de separa&ccedil;&atilde;o espacial.<\/p>\n<p>Para compreender por que as RadFem s&atilde;o refrat&aacute;rias a essa afirma&ccedil;&atilde;o, &eacute; produtivo retornar a Judith Butler, quando a autora retoma um dos cl&aacute;ssicos paradoxos centrais dos chamados movimentos identit&aacute;rios. Segundo a fil&oacute;sofa norte-americana, movimentos de luta pelo direito &agrave; diferen&ccedil;a tendem a exigir que as pessoas que deles fazem parte se &lsquo;tornem iguais&rsquo;, fa&ccedil;am as mesmas demandas, incorporem as mesmas identidades. Em 1993, Butler publicou o livro &ldquo;Problemas de g&ecirc;nero&rdquo;, onde questiona a premissa de que &eacute; preciso afirmar uma &uacute;nica identidade est&aacute;vel e est&aacute;tica &ndash; no caso, a mulher &ndash; para se fazer pol&iacute;tica feminista.<\/p>\n<p>A transfeminista Daniela Andrade, membro da Comiss&atilde;o da Diversidade Sexual da OAB &#8211; Osasco (SP) e do Coletivo Feminismo sem Demagogia, sustenta que&nbsp;<i>se o feminismo se quer um movimento de liberta&ccedil;&atilde;o e emancipa&ccedil;&atilde;o da mulher, essa entidade chamada &quot;mulher&quot; deveria abarcar todas as mulheres, incluso a&iacute; as mulheres transexuais e travestis.<\/i><\/p>\n<p>A advogada se refere a essa forma condensada de machismo e misoginia como &quot;transmisoginia&quot;. E devolve a cr&iacute;tica:&nbsp;<i>&rdquo;Se o feminismo quer lutar contra a opress&atilde;o da mulher, ele n&atilde;o pode fazer isso sendo transf&oacute;bico e cissexista. Um movimento libertador que continua oprimindo n&atilde;o libertar&aacute; ningu&eacute;m de fato. Ou todas seremos livres ou ningu&eacute;m ser&aacute; livre. Frequentemente me deparo com feministas de correntes mais radicais que n&atilde;o conseguem revisitar seus privil&eacute;gios cis em uma sociedade que nos nega inclusive o direito de ter um nome e um g&ecirc;nero respeitados, n&atilde;o conseguem se afastar da tese que biologiza e genitaliza as identidades e, no caso, as mulheres. Como se ser mulher fosse apenas e t&atilde;o somente um dado biol&oacute;gico, como se a mulheridade estivesse instalada na vulva, no &uacute;tero, nos ov&aacute;rios. N&atilde;o &eacute; o corpo que subjuga a minha constru&ccedil;&atilde;o biopsicossocial, mas o contr&aacute;rio&rdquo;<\/i>, continua Daniela Andrade.<\/p>\n<p>A generaliza&ccedil;&atilde;o feita pelas correntes feministas mais radicais em rela&ccedil;&atilde;o aos homens fomenta um outro tipo de clausura te&oacute;rica e de isolamento pol&iacute;tico, uma vez que, al&eacute;m das mulheres trans, os homens (cis ou trans) tamb&eacute;m podem pensar em termos feministas e ter pr&aacute;ticas consistentes com esse modo de pensar. Assim como nem todos os homens s&atilde;o machistas, sexistas, violentos ou estupradores, nada justifica execrar a entrada de mulheres trans em banheiros femininos, sob a alega&ccedil;&atilde;o que isto poderia motivar homens a se vestirem de mulher para atac&aacute;-las e estupr&aacute;-las.<\/p>\n<p>No livro &quot;Feminism is for everybody&quot;, bell hooks sublinha, ecoando ideias escritas por Gayle Rubin em 1975, que os inimigo n&atilde;o s&atilde;o os homens, mas sim o machismo. Para ela, os feminismos n&atilde;o se destinam a eliminar os homens, mas sim a contestar o machismo, o androcentrismo, o patriarcado. Da mesma forma, a proposi&ccedil;&atilde;o de que as mulheres cisg&ecirc;neras s&atilde;o as &uacute;nicas mulheres de verdade &eacute; uma manifesta&ccedil;&atilde;o de intoler&acirc;ncia ancorada no determinismo biol&oacute;gico, cujos efeitos delet&eacute;rios foram identificados e criticados por um vasto n&uacute;mero de autoras e autores.<\/p>\n<p>Epis&oacute;dios como o ocorrido na Unicamp e o debate que suscitou interrogam, portanto, o que &eacute;&nbsp;<i>ser mulher<\/i>. Num m&ecirc;s de marco, tal interroga&ccedil;&atilde;o suscita uma pergunta: Devemos continuar comemorando o 8 de mar&ccedil;o apenas como o dia internacional das (cis) mulheres, tal como foi definido pela ONU h&aacute; quarenta anos? N&atilde;o seria, talvez, o caso de re-inventar essa data como momento para dar visibilidade a todas as formas de desigualdade, discrimina&ccedil;&atilde;o, exclus&atilde;o e viol&ecirc;ncia que decorrem do g&ecirc;nero como materializa&ccedil;&atilde;o de masculinidades e feminilidades cultural e pol&iacute;tica &ndash; e n&atilde;o por isso menos somaticamente &ndash; constru&iacute;das?<\/p>\n<p><em>* Sonia Corr&ecirc;a &eacute; pesquisadora associada da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA) e co-coordenadora do Observat&oacute;rio de Sexualidade e Pol&iacute;tica (SPW).<\/em><\/p>\n<p><em>* Washington Castilhos &eacute; jornalista, coordenador de Comunica&ccedil;&atilde;o Social e editor do website do&nbsp;<\/em><em>CLAM.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00bfDebemos seguir conmemorando el 8 de marzo s\u00f3lo como el d\u00eda internacional de las (cis) mujeres, como lo defini\u00f3 la ONU hace cuarenta a\u00f1os? \u00bfNo ser\u00eda importante reinventar esta fecha para dar visibilidad a todas las formas de desigualdad, exclusi\u00f3n y violencia por g\u00e9nero? <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1019","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>\u00bfEs el 8 de marzo s\u00f3lo para mujeres cisg\u00e9nero? - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/es-el-8-de-marzo-solo-para-mujeres-cisgenero\/1019\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u00bfEs el 8 de marzo s\u00f3lo para mujeres cisg\u00e9nero? - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"\u00bfDebemos seguir conmemorando el 8 de marzo s\u00f3lo como el d\u00eda internacional de las (cis) mujeres, como lo defini\u00f3 la ONU hace cuarenta a\u00f1os? \u00bfNo ser\u00eda importante reinventar esta fecha para dar visibilidad a todas las formas de desigualdad, exclusi\u00f3n y violencia por g\u00e9nero? 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