{"id":1023,"date":"2015-03-24T00:00:00","date_gmt":"2015-03-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2015\/03\/24\/un-delito-con-nombre\/"},"modified":"2015-03-24T00:00:00","modified_gmt":"2015-03-24T03:00:00","slug":"un-delito-con-nombre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/un-delito-con-nombre\/1023\/","title":{"rendered":"Un delito con nombre"},"content":{"rendered":"<p>O reconhecimento gradual e a incorpora&ccedil;&atilde;o de termos como racismo, sexismo e homofobia se deram atrav&eacute;s do desenvolvimento de uma linguagem que permitiu que as pessoas passassem a falar sobre tais assuntos.&nbsp;Antes, havia a pr&aacute;tica, mas n&atilde;o o conceito que a diferenciasse e especificasse. A palavra &ldquo;racismo&rdquo; teve origem em 1936, no contexto das teorias nazistas da superioridade ariana, tomando o lugar da mais antiga &ldquo;racialismo&rdquo;. O termo &ldquo;sexismo&rdquo; foi criado por analogia ao termo &ldquo;racismo&rdquo; na segunda metade dos anos 1960. Na mesma &eacute;poca, no campo da psiquiatria, era cunhado o termo &ldquo;homofobia&rdquo;. Um desdobramento jur&iacute;dico dessas categorias &eacute; o desenvolvimento da no&ccedil;&atilde;o de &quot;crime de &oacute;dio&quot;, referido tanto &agrave; motiva&ccedil;&atilde;o pelo racismo como pela homofobia e, mais recentemente, pelo feminic&iacute;dio.<\/p>\n<p>Conforme apontado por Pierre Bordieu, a for&ccedil;a da lei no ato de nomear tem, atrav&eacute;s dele, o efeito de criar o fen&ocirc;meno que essa linguagem designa. Assim, a mobiliza&ccedil;&atilde;o social, al&eacute;m de outros aspectos, consiste em uma conceitualiza&ccedil;&atilde;o cujo &aacute;pice &eacute; representado pela cria&ccedil;&atilde;o de leis e direitos. Assim, na Mesoam&eacute;rica foi necess&aacute;rio criar o termo feminic&iacute;dio para trazer &agrave; aten&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica o problema da viol&ecirc;ncia letal que vitima milhares de mulheres pela condi&ccedil;&atilde;o de serem mulheres. O termo enquadra tais crimes como sendo especificamente de g&ecirc;nero. Na Am&eacute;rica Latina, M&eacute;xico, Chile e Argentina j&aacute; incorporaram o crime de feminic&iacute;dio &agrave;s respectivas legisla&ccedil;&otilde;es penais. Na Col&ocirc;mbia, a Suprema Corte de Justi&ccedil;a condenou um homem por feminic&iacute;dio recentemente, mesmo o crime n&atilde;o estando previsto no C&oacute;digo Penal daquele pa&iacute;s. Como o Congresso colombiano tem se negado a modificar a legisla&ccedil;&atilde;o para penalizar este tipo de crime, a mudan&ccedil;a aconteceu pela via jurisprudencial.<\/p>\n<p>E agora, no Brasil, o assassinato de mulheres motivado pelo g&ecirc;nero tamb&eacute;m deixou de ser um crime sem nome ou sem especificidade: a presidente Dilma Rousseff acaba de sancionar lei que o tipifica penalmente. A lei 13.104 modifica o C&oacute;digo Penal de modo a categorizar o feminic&iacute;dio como um tipo de homic&iacute;dio qualificado, caracterizando-o ainda como um crime hediondo. Isso significa que a pena para o homic&iacute;dio de mulheres passa a variar de 12 a 30 anos e que o crime &eacute; inafian&ccedil;&aacute;vel e n&atilde;o poder&aacute; ter redu&ccedil;&atilde;o da pena. A lei tamb&eacute;m estabelece que a pena poder&aacute; ser aumentada em caso de assassinato contra gestante ou nos tr&ecirc;s meses posteriores ao parto; contra menores de 14 anos, maior de 60 ou pessoa portadora de defici&ecirc;ncia; e ainda em caso de homic&iacute;dio na presen&ccedil;a de descendente ou ascendente da v&iacute;tima.<\/p>\n<p>A lei foi comemorada por diversos movimentos de mulheres e d&aacute; continuidade &agrave; atua&ccedil;&atilde;o do Estado brasileiro frente ao fen&ocirc;meno da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero. Em 2006, a Lei Maria da Penha, aclamada por diversos movimentos como um marco fundamental, trouxera o endurecimento da puni&ccedil;&atilde;o contra agressores de mulheres, bem como mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o e garantia ao bem-estar e seguran&ccedil;a das mulheres. Por isso, de acordo com Marisa Sanematsu, pesquisadora e editora-chefe da Ag&ecirc;ncia Patr&iacute;cia Galv&atilde;o, a nova lei constitui uma conquista das mulheres.<\/p>\n<p>&ldquo;O assassinato de mulheres &eacute; um crime espec&iacute;fico, com um contexto pr&oacute;prio e, por isso, deve ser qualificado de forma espec&iacute;fica. O feminic&iacute;dio &eacute; um crime peculiar, pois a rela&ccedil;&atilde;o entre a v&iacute;tima e o assassino geralmente &eacute; &iacute;ntima. Essa intimidade aumenta a vulnerabilidade. A mulher dorme ao lado do potencial homicida, que sabe a rotina, os hor&aacute;rios, o local de trabalho dela. Por isso, h&aacute; uma maior exposi&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirma Marisa, destacando os ganhos que a tipifica&ccedil;&atilde;o penal pode trazer. &ldquo;A lei produz o efeito de mostrar aos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, &agrave; Justi&ccedil;a e a outros atores estatais que o crime &eacute; grave e deve ser tratado de forma diferenciada. Por isso, o registro oficial do feminic&iacute;dio, por meio da categoriza&ccedil;&atilde;o trazida pela lei, permitir&aacute; a produ&ccedil;&atilde;o de estat&iacute;sticas, possibilitando que tenhamos uma vis&atilde;o mais ampla do fen&ocirc;meno e ajudando, portanto, a pensarmos e adequarmos as respostas&rdquo;, completa Marisa Sanematsu.<\/p>\n<p>A real dimens&atilde;o do assassinato de mulheres &eacute; desconhecida. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea), entre 2009 e 2011 uma mulher foi morta a cada 90 minutos. No total, quase 17 v&iacute;timas fatais por dia. At&eacute; 2006, quando da promulga&ccedil;&atilde;o da Lei Maria da Penha, primava a concep&ccedil;&atilde;o da &quot;viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica&quot;, restando peso &agrave; viol&ecirc;ncia contra mulheres e dividindo a responsabilidade entre v&iacute;tima e agressor. Os casos podiam ser resolvidos em juizados de pequenas causas, tendo geralmente como forma de repara&ccedil;&atilde;o o pagamento de cestas b&aacute;sicas ou a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os comunit&aacute;rios. A partir de ent&atilde;o, o Estado brasileiro passou a ter formas de quantificar o fen&ocirc;meno, conforme&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/images\/stories\/PDFs\/130925_sum_estudo_feminicidio_leilagarcia.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mostra a pesquisa do Ipea<\/a>. As estat&iacute;sticas, entretanto, podem indicar limites da ferramenta penal como forma de enfrentamento ao problema da viol&ecirc;ncia contra a mulher. De acordo com o estudo, de 2007 a 2011 no Brasil, a taxa de mortalidade das mulheres n&atilde;o diminuiu. Em 2007, para cada 100 mil mulheres, 4,74 foram mortas; em 2008, a taxa ficou em 5,07; em 2009, 5,38; e em 2011 o &iacute;ndice ficou em 5,43. Dados que, para a Ju&iacute;za de Direito Aposentada Maria L&uacute;cia Karam, demonstram a aus&ecirc;ncia de qualquer impacto da Lei Maria da Penha na preven&ccedil;&atilde;o de mortes de mulheres resultantes de agress&otilde;es dolosas.<\/p>\n<p>&ldquo;Claramente, os dados revelam tamb&eacute;m que tal lei n&atilde;o pode ser considerada um marco importante no enfrentamento ao problema. A referida pesquisa nada mais &eacute; que uma eloquente demonstra&ccedil;&atilde;o de que a edi&ccedil;&atilde;o de leis penais n&atilde;o evita a ocorr&ecirc;ncia das condutas por elas criminalizadas. Insiste-se na mesma falsa &lsquo;solu&ccedil;&atilde;o penal&rsquo; com a Lei 13104\/2015, que acresce &agrave;s circunst&acirc;ncias qualificadoras do homic&iacute;dio o dito &lsquo;feminic&iacute;dio&rsquo;&rdquo;, argumenta Maria L&uacute;cia Karam.<\/p>\n<p>Karam, uma conhecida te&oacute;rica cr&iacute;tica do direto penal, defende que leis criminalizadoras s&atilde;o incompat&iacute;veis com o objetivo de superar preconceitos e discrimina&ccedil;&otilde;es, na medida em que o poder penal &eacute; por natureza excludente e discriminat&oacute;rio. Por isso, ela posiciona-se contr&aacute;ria &agrave; nova lei do feminic&iacute;dio. &ldquo;Trata-se de mais uma lei a constituir lament&aacute;vel exemplo da cega ades&atilde;o ao sistema penal como suposta forma de enfrentamento da viol&ecirc;ncia originada de discrimina&ccedil;&otilde;es fundadas na ainda subsistente desigualdade de g&ecirc;neros. Trata-se de mais uma lei que, aplaudida por muitos ativistas e movimentos feministas, reflete seu paradoxal entusiasmo pela puni&ccedil;&atilde;o de seus selecionados &lsquo;inimigos&rsquo;&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>Maria L&uacute;cia Karam tamb&eacute;m interroga sobre a predile&ccedil;&atilde;o que movimentos de Direitos Humanos demonstram em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; linguagem penal. &ldquo;Movidos pelo desejo de punir seus apontados &lsquo;inimigos&rsquo;, estes t&ecirc;m contribu&iacute;do decisivamente para o maior rigor penal que se faz acompanhar exatamente pela crescente supress&atilde;o de direitos humanos fundamentais; pela sistem&aacute;tica viola&ccedil;&atilde;o a princ&iacute;pios garantidores inscritos nas declara&ccedil;&otilde;es internacionais de direitos e constitui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas; e pela intensifica&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia, dos danos e das dores inerentes ao exerc&iacute;cio do poder punitivo&rdquo;, destaca, refletindo sobre os perigos que se projetam para o campo dos direitos sexuais e reprodutivos. &ldquo;Se ativistas e movimentos de direitos humanos paradoxalmente concordam em sacrificar seres humanos para comunicar mensagens relacionadas aos direitos humanos &ndash; ao querer sacrificar autores de agress&otilde;es contra mulheres no altar do sistema penal para passar a mensagem de que a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero &eacute; algo negativo &ndash;, por que outros ativistas n&atilde;o poderiam fazer o mesmo? Por que, por exemplo, outros ativistas e movimentos n&atilde;o poderiam defender a criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, arguindo que esta seria necess&aacute;ria para passar a mensagem de que o embri&atilde;o ou o feto t&ecirc;m direito &agrave; vida?&rdquo;, questiona.<\/p>\n<p>Levando-se em conta as diversas desigualdades que marcam o Brasil, Maria L&uacute;cia Karam adverte para os riscos da solu&ccedil;&atilde;o penal para direitos humanos b&aacute;sicos. &ldquo;Os adeptos e adeptas do sistema penal parecem esquecer &ndash; ou mesmo n&atilde;o se preocupar com &ndash; o fato de que leis ou quaisquer outras manifesta&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas n&atilde;o t&ecirc;m efeito concreto. Leis simb&oacute;licas n&atilde;o tocam nas origens, nas estruturas e nos mecanismos produtores de qualquer problema social. N&atilde;o fosse isso, privar da liberdade; estigmatizar; causar dor e arruinar a vida de um indiv&iacute;duo, para passar a mensagem de que determinada conduta &eacute; negativa ou &lsquo;m&aacute;&rsquo;, n&atilde;o parece ser um comportamento harm&ocirc;nico com o conceito de direitos humanos fundamentais. Ao contr&aacute;rio, tal comportamento se ajusta perfeitamente &agrave; ideia de um &lsquo;bode expiat&oacute;rio&rsquo; que naturalmente ser&aacute; preferencialmente selecionado dentre os mais vulner&aacute;veis, que s&atilde;o os pobres, os marginalizados, os n&atilde;o brancos e desprovidos de poder, eventuais autores daquela &lsquo;m&aacute;&rsquo; conduta&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>Entre os argumentos contr&aacute;rios &agrave; nova lei est&aacute; a ideia de que, com ela, estaria sendo criado um tipo de hierarquia e distin&ccedil;&atilde;o, como se algumas v&iacute;timas fossem mais importantes que outras. No caso da lei do feminic&iacute;dio, uma cr&iacute;tica muito comum &eacute; a que aponta um tratamento desigual entre a vida dos homens e das mulheres, ao alegar que fixar pena maior para o assassinato de uma mulher significa consider&aacute;-lo mais grave que o assassinato de um homem.&nbsp;<i>O sexo feminino, ent&atilde;o, seria mais fr&aacute;gil? Ou a vida masculina teria um valor menor?<\/i>.<\/p>\n<p>Tal racioc&iacute;nio &eacute; recha&ccedil;ado por Maria Sanematsu, da Ag&ecirc;ncia Patr&iacute;cia Galv&atilde;o. &ldquo;A vida de um homem n&atilde;o vale menos que a de uma mulher. S&atilde;o vidas igualmente importantes. No caso do assassinato de mulheres, o que se singulariza &eacute; o crime. O delito &eacute; que difere. A morte de mulheres segue um roteiro espec&iacute;fico, as circunst&acirc;ncias s&atilde;o geralmente distintas &agrave;s dos assassinatos que vitimam os homens. As mulheres morrem dentro de casa, no &acirc;mbito privado, atacadas por parceiros ou ex-parceiros. Os homens tendem a morrer nas ruas. Os contextos s&atilde;o diferentes. Por isso, a lei &eacute; importante, ao colocar em evid&ecirc;ncia que estamos lidando com um fen&ocirc;meno espec&iacute;fico, que precisa de respostas espec&iacute;ficas&rdquo;, argumenta Marisa Sanematsu, para quem n&atilde;o se trata de olhar apenas pelo lado punitivo. &ldquo;Acredito na capacidade pedag&oacute;gica da lei&rdquo;.<\/p>\n<p>Opositores &agrave; lei alegam que a denomina&ccedil;&atilde;o do crime &eacute; problem&aacute;tica, uma vez que o Artigo 121 do C&oacute;digo Penal brasileiro j&aacute; prev&ecirc; pena de seis a 20 anos de reclus&atilde;o pelo crime de homic&iacute;dio, e que as circunst&acirc;ncias envolvendo o feminic&iacute;dio j&aacute; estariam previstas na legisla&ccedil;&atilde;o penal vigente e que, neste caso, n&atilde;o faltam agravantes (motivo f&uacute;til, dificuldade de defesa, crueldade) para punir o &ldquo;feminicida&rdquo;.<\/p>\n<p>A respeito do feminic&iacute;dio, n&atilde;o h&aacute; consenso entre os diversos atores sociais e pol&iacute;ticos que participam das lutas pelos direitos das mulheres. De concreto, h&aacute; uma lei j&aacute; em vigor e que merece aten&ccedil;&atilde;o e acompanhamento atrav&eacute;s dos dados que ser&atilde;o produzidos sobre sua aplica&ccedil;&atilde;o. O fen&ocirc;meno da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero n&atilde;o &eacute; novo, e ningu&eacute;m parece discordar de que seja um grave problema social. O Estado brasileiro tem reconhecido a quest&atilde;o e oferecido respostas, que entretanto n&atilde;o clausuram a discuss&atilde;o nem resolvem definitivamente a quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia contra as mulheres ou o homic&iacute;dio motivado pelo g&ecirc;nero da v&iacute;tima. Eficaz ou n&atilde;o, o tempo dir&aacute;. Contudo, acertada ou n&atilde;o, a medida punitiva n&atilde;o exime o Estado de uma abordagem integral desta manifesta&ccedil;&atilde;o extrema da desigualdade de g&ecirc;nero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nueva ley que tipifica penalmente el feminicidio en Brasil divide opiniones: mientras unos defiendem que fen\u00f3menos espec\u00edficos demandan respuestas espec\u00edficas, otros argumentan que las leyes penales no son eficaces para inhibir las condutas criminalizadas por las mismas, o inclusive hacer justi\u00e7a. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1023","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Un delito con nombre - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/un-delito-con-nombre\/1023\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Un delito con nombre - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Nueva ley que tipifica penalmente el feminicidio en Brasil divide opiniones: mientras unos defiendem que fen\u00f3menos espec\u00edficos demandan respuestas espec\u00edficas, otros argumentan que las leyes penales no son eficaces para inhibir las condutas criminalizadas por las mismas, o inclusive hacer justi\u00e7a. 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