{"id":1025,"date":"2015-04-01T00:00:00","date_gmt":"2015-04-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2015\/04\/01\/ofensiva-feminista\/"},"modified":"2015-04-01T00:00:00","modified_gmt":"2015-04-01T03:00:00","slug":"ofensiva-feminista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/ofensiva-feminista\/1025\/","title":{"rendered":"Ofensiva feminista"},"content":{"rendered":"<p>Criminalizado no Brasil, o aborto &eacute; um assunto interdito e tratado  como tabu, apesar de amplamente praticado de forma insegura. A grande  maioria dos projetos em tramita&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional relacionados ao  tema s&atilde;o contr&aacute;rios &agrave; autonomia das mulheres e aos seus direitos  sexuais e reprodutivos. Segundo levantamento do Centro Feminista de  Estudos e Assessoria (Cfemea), existem mais de 30 projetos no Congresso  de teor restritivo em rela&ccedil;&atilde;o ao aborto. Esse contexto tem diminu&iacute;do os  espa&ccedil;os para um debate cr&iacute;tico, plural e reflexivo sobre a ilegalidade  da pr&aacute;tica e seus tr&aacute;gicos efeitos sobre a vida de milhares de mulheres.  No &acirc;mbito jur&iacute;dico e normativo, o horizonte n&atilde;o se apresenta dos mais  promissores pois, no Congresso e no Executivo, as medidas e posi&ccedil;&otilde;es  estreitam, cada vez mais, as possibilidades de discuss&atilde;o em torno de sua  descriminaliza&ccedil;&atilde;o. Como contraponto, a&nbsp;<i>Iniciativa Duas Gera&ccedil;&otilde;es de Luta pelo Aborto no Brasil<\/i>&nbsp;tem  como objetivo recolocar em novos rumos o debate para a sociedade,  retomando a quest&atilde;o do aborto pela sua dimens&atilde;o de direitos humanos e de  sa&uacute;de.<\/p>\n<p>A&nbsp;<i>Iniciativa Duas Gera&ccedil;&otilde;es de Luta pelo Aborto no Brasil&nbsp;<\/i>&eacute;  pilotada por feministas e organiza&ccedil;&otilde;es que trabalham com a agenda dos  direitos das mulheres e come&ccedil;ou a ganhar forma a partir das mortes de  duas mulheres no Rio de Janeiro, em setembro do ano passado. Elis&acirc;ngela  Barbosa e Jandira dos Santos morreram depois de se submeterem &agrave;  interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez em condi&ccedil;&otilde;es inseguras. Suas mortes ganharam as  p&aacute;ginas da imprensa brasileira, o que, entretanto, n&atilde;o foi capaz de  mobilizar autoridades e pol&iacute;ticos naquele momento, no qual se  desenrolava o processo eleitoral para a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e para o  Congresso.<\/p>\n<p>No contexto de fortalecimento de discursos radicais contr&aacute;rios &agrave; legaliza&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica, a&nbsp;<i>Iniciativa Duas Gera&ccedil;&otilde;es de Luta pelo Aborto no Brasil<\/i>&nbsp;esteve  na semana passada em Bras&iacute;lia para reunir-se com ministros do Supremo  Tribunal Federal (STF), com a ministra da Secretaria de Pol&iacute;ticas para  as Mulheres (SPM) e com parlamentares. Os encontros serviram como sinal  positivo. &ldquo;Foi muito importante o fato de termos sido recebidas por  autoridades, entre elas o presidente do STF, ministro Ricardo  Lewandowski. Isso significa que, apesar de tantas dificuldades, existem  aberturas, canais por onde o di&aacute;logo flui. Nossa inten&ccedil;&atilde;o &eacute; alimentar o  debate do ponto de vista dos direitos sexuais e reprodutivos, chamando a  aten&ccedil;&atilde;o para a perspectiva da sa&uacute;de e dos direitos humanos. N&atilde;o podemos  ficar acuados com a atua&ccedil;&atilde;o de setores conservadores&rdquo;, observou a  advogada e coordenadora da organiza&ccedil;&atilde;o Cepia (Cidadania, Educa&ccedil;&atilde;o,  Pesquisa, Informa&ccedil;&atilde;o e A&ccedil;&atilde;o), Leila Linhares, que integra a Iniciativa.<\/p>\n<p>Quando fala em dificuldades, Leila Linhares resume um contexto  preocupante na quest&atilde;o do aborto. Criminalizada pelo C&oacute;digo Penal de  1940, a pr&aacute;tica s&oacute; &eacute; permitida em casos de gesta&ccedil;&atilde;o fruto de estupro,  quando h&aacute; risco de morte &agrave; mulher ou em caso de feto anenc&eacute;falo (<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=9321&amp;sid=7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conforme decis&atilde;o do STF de 2012<\/a>).  Durante o processo de reforma do C&oacute;digo Penal, o anteprojeto  apresentado em 2012 por uma comiss&atilde;o de juristas previa a  descriminaliza&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica at&eacute; a 12&ordf; semana de gesta&ccedil;&atilde;o, desde que um  m&eacute;dico ou psic&oacute;logo atestasse que a mulher n&atilde;o tivesse condi&ccedil;&otilde;es de  arcar com a maternidade. A sugest&atilde;o foi derrubada, e o projeto de  reforma que tramita no Congresso mant&eacute;m a proibi&ccedil;&atilde;o tal como o C&oacute;digo de  1940.<\/p>\n<p>De fato, a possibilidade de avan&ccedil;ar na quest&atilde;o do aborto naquele  contexto era remota. J&aacute; nas elei&ccedil;&otilde;es de 2010, a tem&aacute;tica da  descriminaliza&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica foi al&ccedil;ada &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de muni&ccedil;&atilde;o de ataque  eleitoral, impedindo que o debate fosse reflexivo e levasse em conta os  efeitos tr&aacute;gicos que a ilegalidade provoca. De acordo com a Pesquisa  Nacional de Aborto (PNA) de 2010,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/destaque\/conteudo.asp?cod=6799\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">15% das brasileiras (ou uma em cada sete) entre 18 e 39 anos j&aacute; realizaram aborto<\/a>.  S&atilde;o mulheres de todas as classes socais e neste aspecto &eacute; que os  contornos tr&aacute;gicos ganham evid&ecirc;ncia: as mulheres mais pobres, como  Jandira e Elis&acirc;ngela, est&atilde;o mais vulner&aacute;veis &agrave;s consequ&ecirc;ncias danosas  dos m&eacute;todos prec&aacute;rios e inseguros. Por sua vez, as mulheres com melhores  condi&ccedil;&otilde;es financeiras conseguem interromper a gesta&ccedil;&atilde;o de forma segura.  Por isso, a ilegalidade &eacute; respons&aacute;vel por colocar a pr&aacute;tica como a  quinta causa de morte materna no pa&iacute;s, refor&ccedil;ando as desigualdades  estruturais e impedindo que o Brasil reduza seus elevados &iacute;ndices de  mortalidade materna &ndash; atualmente, 69 mortes por cada 100 mil nascidos  vivos.<\/p>\n<p>Com as elei&ccedil;&otilde;es do ano passado, a configura&ccedil;&atilde;o de deputados no  Congresso Nacional projetou um horizonte desanimador. A bancada  religiosa cresceu 14% em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es anteriores. Juntando  setores cat&oacute;licos, evang&eacute;licos e esp&iacute;ritas, a bancada capitaneia as  a&ccedil;&otilde;es e projetos contr&aacute;rios &agrave;s discuss&otilde;es sobre os direitos sexuais e  reprodutivos. Dentre os projetos de lei mais conhecidas, est&aacute; o Estatuto  do Nascituro, que objetiva conceder prote&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica ao embri&atilde;o e,  portanto, dificultar o direito &agrave; interrup&ccedil;&atilde;o legal da gravidez.<\/p>\n<p>Algumas a&ccedil;&otilde;es inseridas na&nbsp;<i>Iniciativa Duas Gera&ccedil;&otilde;es de Luta pelo Aborto no Brasil<\/i>&nbsp;j&aacute; est&atilde;o ganhando corpo, como o apoio ao&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.camara.gov.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=1050889\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">projeto de lei 882\/2015<\/a>,  de autoria do deputado Jean Wyllys (PSOL\/RJ), protocolado por ele na  C&acirc;mara na semana passada. Elaborado com a participa&ccedil;&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o de  diferentes entidades, coletivos e especialistas na mat&eacute;ria e militantes  dos movimentos sociais que lutam por mudan&ccedil;as nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, o  projeto, al&eacute;m de regulamentar o que s&atilde;o os direitos sexuais e  reprodutivos, regula tamb&eacute;m a interrup&ccedil;&atilde;o segura e volunt&aacute;ria da  gravidez at&eacute; as 12 semanas, que dever&aacute; ser garantida pelo Sistema &Uacute;nico  de Sa&uacute;de (SUS) &agrave; mulher que assim o requerer, e tamb&eacute;m refor&ccedil;a os  dispositivos legais que asseguram a interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez nos casos  decorrentes de viol&ecirc;ncia sexual, de fetos cuja vida extrauterina n&atilde;o  seja poss&iacute;vel, e tamb&eacute;m dos casos onde a gravidez represente risco  iminente &agrave; vida ou &agrave; sa&uacute;de da gestante. O PL representa uma a&ccedil;&atilde;o  importante e necess&aacute;ria, e que marca territ&oacute;rio para os embates que  certamente vir&atilde;o pela frente. (O Grupo Demode est&aacute; promovendo campanha  em apoio ao projeto. Pedidos de ades&atilde;o devem ser encaminhados ao email  gp.demode@gmail.com).<\/p>\n<p>A legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto &eacute; vista mundialmente como um sinal de avan&ccedil;o,  tendo em vista que h&aacute; uma s&eacute;rie de marcos globais, como a Plataforma de  A&ccedil;&atilde;o do Cairo (1994), que reconhecem o abortamento inseguro como um  problema de sa&uacute;de p&uacute;blica. Na Europa, a pr&aacute;tica j&aacute; &eacute; legalizada h&aacute;  d&eacute;cadas, em pa&iacute;ses como Fran&ccedil;a (1974) e Inglaterra (1967). Nos EUA,  desde 1973. Em pa&iacute;ses asi&aacute;ticos, como &Iacute;ndia, a pr&aacute;tica &eacute; legal desde  1971. Na Am&eacute;rica Latina predominam legisla&ccedil;&otilde;es restritivas, pa&iacute;ses com  alguns permissivos legais (como Argentina, Brasil e Col&ocirc;mbia), que  legalizaram a pr&aacute;tica apenas em seu distrito federal (como na Cidade do  M&eacute;xico, onde o servi&ccedil;o &eacute; ofertado at&eacute; a 12&ordf; semana) ou que a pro&iacute;bem sob  qualquer circunst&acirc;ncia (Chile e outros). As exce&ccedil;&otilde;es s&atilde;o Cuba  (permitido em qualquer circunst&acirc;ncia at&eacute; a 10&ordf; semana de gravidez) e  Uruguai, que legalizou a pr&aacute;tica no final de 2012.<\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia uruguaia e as perspectivas para o Brasil foram temas discutidos no Semin&aacute;rio&nbsp;<i>Direito ao aborto legal: contrastes entre o Brasil e o Uruguai<\/i>,  realizado no dia 25 de mar&ccedil;o, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil  no Rio de Janeiro (OAB-RJ). No evento, a senadora uruguaia Constanza  Moreira falou sobre o processo de legaliza&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica no pa&iacute;s  vizinho. De acordo com ela, o aborto fora primeiramente despenalizado em  1934, como uma medida sanit&aacute;ria destinada a controlar a natalidade. Em  1938, a legisla&ccedil;&atilde;o sofreu modifica&ccedil;&otilde;es, restringindo a interrup&ccedil;&atilde;o da  gravidez aos casos de estupro, risco de morte e incapacidade econ&ocirc;mica  da mulher. No entanto, n&atilde;o houve regulamenta&ccedil;&atilde;o dessas previs&otilde;es. &ldquo;Em  geral, sempre houve uma certa toler&acirc;ncia com a pr&aacute;tica, apesar da  legisla&ccedil;&atilde;o. Os ju&iacute;zes sempre mostraram-se relutantes em condenar as  mulheres&rdquo;, observou Constanza Moreira.<\/p>\n<p>A vis&atilde;o sanit&aacute;ria constituiu um importante elemento favor&aacute;vel &agrave;  pr&aacute;tica. Al&eacute;m disso, o fator laicidade tamb&eacute;m se mostrou importante nos  debates e na constru&ccedil;&atilde;o de normas sobre o aborto. Em 1918, a popula&ccedil;&atilde;o  uruguaia votou em plebiscito a separa&ccedil;&atilde;o entre Estado e Igreja. Nesse  sentido, o contexto hist&oacute;rico de certa forma apontava para a legisla&ccedil;&atilde;o  de 2012, apesar das resist&ecirc;ncias. Tamb&eacute;m contribuiu o fato de a educa&ccedil;&atilde;o  sexual ser ensinada nas escolas do pa&iacute;s. O processo que levou a  legaliza&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica, conforme lembrou a senadora Constanza Moreira,  contou com o apoio de partidos, m&eacute;dicos, ju&iacute;zes e universidades  p&uacute;blicas. Diversos argumentos deram sustenta&ccedil;&atilde;o &agrave; proposta.<\/p>\n<p>&ldquo;Em primeiro lugar, a quest&atilde;o sanit&aacute;ria, tendo em vista a mortalidade  materna, a gravidez de adolescentes e a inevitabilidade da gravidez n&atilde;o  desejada. S&atilde;o fatos que exigem uma resposta. Em segundo lugar, a  fundamenta&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica: nossa Constitui&ccedil;&atilde;o garante o direito dos  cidad&atilde;os &agrave; sa&uacute;de. Tamb&eacute;m foi importante ressaltar que o nascituro n&atilde;o &eacute;  um sujeito jur&iacute;dico e que, portanto, o direito da mulher &agrave; vida deve  prevalecer. Em terceiro lugar, temos dois argumentos filos&oacute;ficos: o  Estado uruguaio &eacute; laico e n&atilde;o pode adotar moral particular, como a  religiosa. Al&eacute;m disso, a tutela sobre o corpo da mulher &eacute; uma  viol&ecirc;ncia&rdquo;, elencou a senadora Constanza Moreira.<\/p>\n<p>Aprovada no Congresso uruguaio, a lei foi sancionada pelo ent&atilde;o  presidente Jos&eacute; Mujica. Prev&ecirc; que a mulher pode interromper a gesta&ccedil;&atilde;o  at&eacute; a 12&ordf; semana, mas estabelece que o m&eacute;dico pode alegar obje&ccedil;&atilde;o de  consci&ecirc;ncia para n&atilde;o realizar o procedimento. Em 2013, movimentos  contr&aacute;rios &agrave; pr&aacute;tica conseguiram promover uma consulta popular destinada  a convocar um referendo sobre a lei. A consulta, no entanto, fracassou,  uma vez que apenas 9% dos eleitores participaram &ndash; muito abaixo dos 25%  m&iacute;nimos necess&aacute;rios para a convoca&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A lei continua em vigor mais de dois anos ap&oacute;s sua san&ccedil;&atilde;o. Dentre os efeitos j&aacute; registrados, est&atilde;o&nbsp;<a href=\"http:\/\/noticias.terra.com.br\/mundo\/america-latina\/uruguai-governo-diz-que-numero-de-abortos-diminuiu-apos-descriminalizacao,ef6beaf4539ad310VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a queda do n&uacute;mero de abortos no pa&iacute;s<\/a>&nbsp;e, consequentemente, a diminui&ccedil;&atilde;o das mortes provocadas por abortamento inseguro.<\/p>\n<p>Tendo em vista a atual configura&ccedil;&atilde;o do Congresso Nacional brasileiro,  a realidade uruguaia parece um mundo distante. Com tantos obst&aacute;culos,  parece improv&aacute;vel que um desfecho semelhante seja exequ&iacute;vel no curto  prazo por aqui, onde o forte componente religioso e moral parece estar  sempre presente nas a&ccedil;&otilde;es do Estado. Assim, a maternidade &eacute; sacralizada e  encarada socialmente como um acontecimento obrigat&oacute;rio. Aquelas que n&atilde;o  seguem esse roteiro, s&atilde;o estigmatizadas. E legalmente punidas, apesar  da pr&aacute;tica do aborto ser amplamente disseminada, a despeito de sua  ilegalidade. Somado a isso, est&aacute; a dificuldade de debater a quest&atilde;o e  refletir criticamente sobre seus diversos aspectos &ndash; morais,  filos&oacute;ficos, jur&iacute;dicos, sanit&aacute;rios etc.<\/p>\n<p>O que n&atilde;o significa que o debate seja imposs&iacute;vel. O esfor&ccedil;o da&nbsp;<i>Iniciativa Duas Gera&ccedil;&otilde;es de Luta pelo Aborto no Brasil&nbsp;<\/i>&eacute;  importante para desinterditar a discuss&atilde;o, cujos desdobramentos n&atilde;o  parecem ser de curto prazo. Pelo contr&aacute;rio. A mobiliza&ccedil;&atilde;o do tema diante  da sociedade &eacute; capital, refor&ccedil;ando os aspectos de sa&uacute;de e direitos  humanos. Conforme afirmou a senadora uruguaia Constanza Moreira, no  debate no Rio de Janeiro.&ldquo;A &uacute;nica batalha que se perde &eacute; a que se  abandona&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciativa feminista brasile\u00f1a busca plantear nuevamente la discusi\u00f3n sobre aborto en el pa\u00eds, pese a la coyuntura pol\u00edtica conservadora actual. Entre las acciones en curso, est\u00e1n audiencias con ministros y parlamentarios, la promoci\u00f3n de debates y el apoyo al reci\u00e9n presentado proyecto de ley de salud y derechos sexuales y reproductivos. <\/i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1025","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Ofensiva feminista - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/ofensiva-feminista\/1025\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Ofensiva feminista - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Iniciativa feminista brasile\u00f1a busca plantear nuevamente la discusi\u00f3n sobre aborto en el pa\u00eds, pese a la coyuntura pol\u00edtica conservadora actual. 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