{"id":1029,"date":"2015-04-15T00:00:00","date_gmt":"2015-04-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2015\/04\/15\/narrativas-t\/"},"modified":"2015-04-15T00:00:00","modified_gmt":"2015-04-15T03:00:00","slug":"narrativas-t","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/","title":{"rendered":"Narrativas T"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"\/uploads\/imagem\/livro_joao_nery.jpg\" width=\"100\" height=\"149\" align=\"right\" alt=\"\" \/>Em cada inst&acirc;ncia da vida, uma pessoa trans experimenta situa&ccedil;&otilde;es nas quais tem que se explicar &agrave; fam&iacute;lia, &agrave; pol&iacute;cia, a professores, a empregadores, aos agentes de imigra&ccedil;&atilde;o de aeroportos. A literatura sobre o tema da transexualidade &eacute; grande, apesar desta ser uma popula&ccedil;&atilde;o relativamente pequena. A maioria das hist&oacute;rias s&atilde;o contadas a partir dos outros &ndash; m&eacute;dicos, psiquiatras, policiais &ndash;, mas cada vez mais elas s&atilde;o relatadas pelas pr&oacute;prias pessoas trans. &Eacute; o caso de&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.saraiva.com.br\/viagem-solitaria-memorias-de-um-transexual-30-anos-depois-3677270.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>Viagem Solit&aacute;ria &ndash; mem&oacute;rias de um transexual 30 anos depois&nbsp;<\/i>(Ed. Leya Brasil)<\/a>, livro autobiogr&aacute;fico de Jo&atilde;o W. Nery, o primeiro homem trans de que se teve not&iacute;cia no Brasil.&nbsp;<\/p>\n<p> &quot;Hist&oacute;ria todos n&oacute;s temos. A diferen&ccedil;a &eacute; que alguns a compartilham, e outros n&atilde;o&rdquo;, observa J&ocirc; Lessa, que depois de 46 anos tamb&eacute;m decidiu contar sua hist&oacute;ria em livro. Guarda municipal na cidade do Rio de Janeiro h&aacute; 16 anos, ele relata em&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.saraiva.com.br\/eu-trans-a-alca-da-bolsa-relatos-de-um-transexual-8412509.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>Eu trans &ndash; A Al&ccedil;a da Bolsa: relatos de um transexual<\/i>&nbsp;(Metanoia Editora)<\/a>&nbsp;que nunca se sentiu nem homem nem mulher, nem se enquadrava como l&eacute;sbica ou sapat&atilde;o, como gay ou como mulher cis. Detestava se ver em frente ao espelho e n&atilde;o sabia por qu&ecirc;. At&eacute; que, aos 40 anos, a esposa (como prefere chamar a mulher com quem se casou no civil numa cerim&ocirc;nia coletiva) disse: &ldquo;Voc&ecirc; &eacute;&nbsp;<i>um<\/i>&nbsp;travesti&rdquo;. Ele ent&atilde;o lhe respondeu: &ldquo;N&atilde;o existe&nbsp;<i>o<\/i>travesti&rdquo;.<\/p>\n<p>At&eacute; que, nessa busca por encontrar seu lugar no mundo, conheceu Jo&atilde;o Nery em uma palestra que o autor de&nbsp;<i>Viagem Solit&aacute;ria<\/i>deu em Maric&aacute; (RJ), cidade onde J&ocirc; vive com a esposa. &ldquo;Eu o vi relatar minha vida. Era como se outra pessoa estivesse contando a minha hist&oacute;ria&rdquo;, conta J&ocirc; Lessa em&nbsp;<i>Eu Trans<\/i>, cujo pref&aacute;cio alerta, &ldquo;o livro foi escrito em linguagem coloquial e emotiva, vindo direto do cora&ccedil;&atilde;o. Se fosse concebido de outra maneira, talvez n&atilde;o trouxesse em suas linhas tantas verdades&rdquo;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"\/uploads\/imagem\/capa-eu-trans.jpg\" width=\"103\" height=\"152\" align=\"left\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div>\n<p>O relato em primeira pessoa n&atilde;o busca analisar ou explicar a transexualidade, como outros esperariam. Esse&nbsp;<i>Eu trans<\/i>&nbsp;&eacute; um&nbsp;indiv&iacute;duo que transcendeu e transformou a vida. Na interpreta&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Nery, que assina a contracapa da obra, a &ldquo;al&ccedil;a&rdquo; do t&iacute;tulo &eacute; o g&ecirc;nero, carregando todo peso de um corpo que nunca foi sentido como seu.<\/p>\n<p>As experi&ecirc;ncias de cada pessoa trans s&atilde;o distintas. Enquanto Jo&atilde;o Nery contou com o apoio da fam&iacute;lia, J&ocirc; Lessa foi testado em situa&ccedil;&otilde;es limites: ainda menor de idade, foi expulso de casa, passou pela FEBEM (Funda&ccedil;&atilde;o Estadual para o Bem Estar do Menor), e foi obrigado a uma tentativa de &quot;cura&quot; num manic&ocirc;mio, para tratar de sua transexualidade, vista como doen&ccedil;a pelos profissionais que o &ldquo;trataram&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<b><i>Embodiment<\/i>: o g&ecirc;nero &lsquo;encarnado&rsquo; das mulheres transexuais<\/b><\/p>\n<p>Raewyn Connell, de longa trajet&oacute;ria sociol&oacute;gica preocupada com quest&otilde;es de g&ecirc;nero e justi&ccedil;a social &ndash; seu conceito de &lsquo;masculinidade hegem&ocirc;nica&rsquo; &eacute; utilizado nos mais diversos contextos tem&aacute;ticos e disciplinares &ndash; chama a aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia desses relatos em primeira pessoa. Eles s&atilde;o uma alternativa necess&aacute;ria para relatos oficiais ancorados em discursos m&eacute;dicos, que desconhecem toda dimens&atilde;o social da transi&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero.&nbsp;<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" src=\"\/uploads\/imagem\/palestra_connell.JPG\" width=\"150\" height=\"96\" align=\"right\" alt=\"\" \/>Conflitos como os vivenciados por Jo&atilde;o Nery e J&ocirc; Lessa foram abordados em palestra sobre o&nbsp;<i>embodiment<\/i>&nbsp;(&lsquo;encorpora&ccedil;&atilde;o&rsquo;, traduzido como &lsquo;encorpora&ccedil;&atilde;o&rsquo; na literatura antropol&oacute;gica brasileira) contradit&oacute;rio de g&ecirc;nero, ministrada por Connell, professora em&eacute;rita da Universidade de Sydney (Austr&aacute;lia), na UERJ na segunda-feira, 13 de abril. Promovida pelo CLAM e pelo LIDIS &ndash; Laborat&oacute;rio Integrado em Diversidade Sexual e de G&ecirc;nero, Pol&iacute;ticas e Direito, a palestra discutiu a evolu&ccedil;&atilde;o nos padr&otilde;es de interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, que tiveram historicamente o monop&oacute;lio do saber sobre &ldquo;o fen&ocirc;meno trans&rdquo; e hoje em grande medida conservam essa hegemonia. Raewyn abordou, ainda, os efeitos contempor&acirc;neos da reconvers&atilde;o da medicina para um regime neoliberal, num panorama de crescente iniquidade; e os impasses das pol&iacute;ticas de direitos LGBT especialmente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres transexuais, para quem a dimens&atilde;o encarnada do g&ecirc;nero &eacute; central.<\/p>\n<p>&ldquo;Para as mulheres transexuais, a experi&ecirc;ncia envolve ser criada como homem, sabendo ser intimamente uma mulher. N&atilde;o se trata de uma escolha de estilo de vida ou prefer&ecirc;ncia, mas sim saber o que a pessoa &eacute;, e isto est&aacute; em contradi&ccedil;&atilde;o com o que os outros pensam saber. A ordem de g&ecirc;nero tem diferentes n&iacute;veis de contradi&ccedil;&atilde;o. A experi&ecirc;ncia trans &eacute; frequentemente vivida com terror e n&atilde;o &eacute; surpresa a frequ&ecirc;ncia de casos de suic&iacute;dio entre essas pessoas. A cada 10 pessoas trans, sete experimentam pensamentos suicidas. Felizmente, nem todas se suicidam&rdquo;, relatou Connell.<\/p>\n<p>A transi&ccedil;&atilde;o aparece como uma forma de resolu&ccedil;&atilde;o desses conflitos. &ldquo;No entanto, as pessoas perguntam por que essa transi&ccedil;&atilde;o tem que ser entendida exclusivamente como org&acirc;nica. Como dimens&atilde;o &lsquo;encarnada&rsquo;, o g&ecirc;nero envolve o todo da experi&ecirc;ncia humana&rdquo;, ponderou.<\/p>\n<p>A dimens&atilde;o corporal &eacute; o motivo pelo qual mulheres e homens trans se envolvem em transforma&ccedil;&otilde;es corporais e hormonais. &ldquo;Mas as transforma&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas n&atilde;o s&atilde;o suficientes, porque a transexualidade tamb&eacute;m tem a ver com a dimens&atilde;o social do g&ecirc;nero&rdquo;, questionou.<\/p>\n<p>A medicina transexual global apareceu primeiramente em na&ccedil;&otilde;es do hemisf&eacute;rio norte entre 1920 e 1960, quando muitas pessoas a buscaram e foram submetidas a tratamentos m&eacute;dicos, procurando mediar o que era reconhecido como uma incongru&ecirc;ncia entre a sua viv&ecirc;ncia &iacute;ntima do g&ecirc;nero e sua dimens&atilde;o corporal.<\/p>\n<p>Essa abordagem m&eacute;dica &eacute; tridimensional. A primeira dimens&atilde;o diz respeito ao tratamento psiqui&aacute;trico (a transexualidade tem que ser provada como um problema mental); a segunda &eacute; o tratamento hormonal e endocrinol&oacute;gico; e finalmente a cirurgia, parte menos importante por um lado, mas que representa o evento p&uacute;blico mais espetacular. Assim, o sujeito transexual &eacute; constitu&iacute;do socialmente como tal a partir da interven&ccedil;&atilde;o biom&eacute;dica. Nos prim&oacute;rdios da medicina trans, muitos m&eacute;dicos eram contr&aacute;rios &agrave; interven&ccedil;&atilde;o biom&eacute;dica nos corpos trans, que era entendida como uma forma de mutila&ccedil;&atilde;o. As interven&ccedil;&otilde;es nesses corpos eram consideradas anti&eacute;ticas e ilegais. Para os m&eacute;dicos envolvidos, o diagn&oacute;stico psiqui&aacute;trico tinha o valor de justificativa para que as interven&ccedil;&otilde;es fossem realizadas.<\/p>\n<p>Esse roteiro de transi&ccedil;&atilde;o medicalizada institui desafios particulares para quem o empreende. A pesquisadora discutiu ainda a forma como se tem constru&iacute;do a reputa&ccedil;&atilde;o da mulher trans como mentirosa, que falsificaria uma performance de g&ecirc;nero para poder acessar esses servi&ccedil;os. &ldquo;Ela tem que convencer os servi&ccedil;os m&eacute;dicos que vale a pena apoiar suas demandas e necessidades. E a &uacute;nica forma para isso &eacute; dialogar com esses padr&otilde;es que lhe s&atilde;o impostos.<\/p>\n<p>A medicina neoliberal levou essas interven&ccedil;&otilde;es do servi&ccedil;o p&uacute;blico para o privado, e tornou-as um neg&oacute;cio de exporta&ccedil;&atilde;o para pa&iacute;ses em desenvolvimento, como o Marrocos e a Tail&acirc;ndia. &ldquo;Na Austr&aacute;lia, muitas pessoas que querem passar por essa transi&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica v&atilde;o para a Tail&acirc;ndia&rdquo;, relatou Connell.<\/p>\n<p>No entanto, a privatiza&ccedil;&atilde;o desses servi&ccedil;os m&eacute;dicos aumentou o seu custo e, assim, uma vasta maioria das pessoas que encaram a transi&ccedil;&atilde;o (muitas delas em situa&ccedil;&atilde;o de franco desamparo social precisamente a partir da sua identifica&ccedil;&atilde;o como trans) n&atilde;o tem acesso a eles. &ldquo;Em teoria, os servi&ccedil;os p&uacute;blicos est&atilde;o dispon&iacute;veis para todos, ricos e pobres, enquanto os servi&ccedil;os privados est&atilde;o dispon&iacute;veis para quem pode pagar por eles&rdquo;, afirmou a pesquisadora.<\/p>\n<p>A identidade pol&iacute;tica come&ccedil;a a aparecer no in&iacute;cio dos anos 1990, quando o conceito&nbsp;<i>transgender<\/i>(transg&ecirc;nero) foi inventado na Calif&oacute;rnia, num contexto em que as quest&otilde;es de g&ecirc;nero eram abordadas como uma quest&atilde;o estrutural. Esse movimento foi muito favorecido pelo trabalho da te&oacute;rica Judith Butler. &ldquo;&Eacute; uma leitura errada da obra de Butler, porque seu trabalho aponta para uma desconstru&ccedil;&atilde;o do g&ecirc;nero&rdquo;, observou Raewyn Connell. &ldquo;Mas ganhou o apoio do movimento gay\/l&eacute;sbico a partir da suposi&ccedil;&atilde;o de que as quest&otilde;es gays\/l&eacute;sbicas tamb&eacute;m eram quest&otilde;es de g&ecirc;nero&rdquo;.<\/p>\n<p>Foi a&iacute; que se deu a conflu&ecirc;ncia para se construir o movimento LGBT, que rapidamente se globalizou a partir do final dos anos 1990, tornando-se a linguagem padronizada das ONGs. Para Raewyn Connell, no entanto, a inclus&atilde;o das pessoas trans como mais uma identidade no movimento LGBT afasta o g&ecirc;nero como quest&atilde;o. &ldquo;A grande contradi&ccedil;&atilde;o &eacute; que a apresenta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dessas pessoas como&nbsp;<i>trans<\/i>g&ecirc;neros, tira o g&ecirc;nero delas&rdquo;.<\/p>\n<p>Outra contradi&ccedil;&atilde;o, segundo a pesquisadora australiana, &eacute; quando a comunidade LGBT &eacute; representada como um todo, sob o mesmo guarda-chuva, j&aacute; que as pessoas trans t&ecirc;m demandas espec&iacute;ficas e apresentam diferen&ccedil;as &agrave; pr&oacute;pria identidade que carregam. O pacote da interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, por exemplo, atende a um tipo ideal de indiv&iacute;duos trans, mas n&atilde;o a todos, uma vez que as pessoas t&ecirc;m diferentes expectativas quanto &agrave; performance de g&ecirc;nero ou nem todas podem ascender a esse servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>A transi&ccedil;&atilde;o envolve formas espec&iacute;ficas de vulnerabilidade, particularmente a viol&ecirc;ncia, como o ocorrido com as &ldquo;vestidas&rdquo; de Puebla, no M&eacute;xico, cuja identidade teria, para Connell, parentesco com a das travestis brasileiras. Depois da transi&ccedil;&atilde;o e das transforma&ccedil;&otilde;es corporais, o trabalho sexual tornou-se a &uacute;nica forma de sobreviv&ecirc;ncia para elas, ao terem sido despedidas de seus empregos em f&aacute;bricas e lojas. Uma pesquisadora acompanhou a vida dessas mulheres por 12 anos. Ao final, seis tinham morrido assassinadas por clientes, uma foi atropelada por um carro particular, duas por terem injetado silicone industrial, uma de c&acirc;ncer e 21 morreram de complica&ccedil;&otilde;es da Aids.<\/p>\n<p>&ldquo;Essa &eacute; a realidade dos grupos que atravessam a transi&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero. &Eacute; um momento para se pensar no que consistiria uma pol&iacute;tica que responda &agrave; realidade social dessas pessoas, como a seguran&ccedil;a contra a viol&ecirc;ncia perpetrada por parceiros e pela pol&iacute;cia&rdquo;, disse a pesquisadora, citando o caso da australiana Veronica Baxter, mulher trans que morreu dois dias depois de ser encarcerada pela pol&iacute;cia numa pris&atilde;o masculina, devido a uma ofensa menor.<\/p>\n<p>Uma pol&iacute;tica que responda &agrave; realidade social das pessoas trans deveria incluir, segundo Connell, programas de transfer&ecirc;ncia de renda, uma melhor cobertura p&uacute;blica dos servi&ccedil;os de transi&ccedil;&atilde;o e a abordagem integral da quest&atilde;o da Aids na &aacute;rea de sa&uacute;de, programas de moradia e o apoio social por parte dos familiares.<\/p>\n<p>&ldquo;Quest&otilde;es de classe e ra&ccedil;a tornam a transi&ccedil;&atilde;o mais f&aacute;cil ou mais dif&iacute;cil&quot;, finalizou Raewyn Connell, que iniciou seu pr&oacute;prio processo de transi&ccedil;&atilde;o h&aacute; dez anos, num contexto de seguran&ccedil;a empregat&iacute;cia e com apoio familiar.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La transici\u00f3n por la cual pasan las personas trans debe ser pensada m\u00e1s all\u00e1 de lo org\u00e1nico. La dimensi\u00f3n \u2018encarnada\u2019 del g\u00e9nero involucra toda la experiencia humana, se\u00f1al\u00f3 la renombrada soci\u00f3loga Raewyn Connell, en conferencia en la UERJ, donde contrapuso los relatos vivenciales de personas trans a la hegemon\u00eda de la autoridad m\u00e9dica. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1029","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Narrativas T - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Narrativas T - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"La transici\u00f3n por la cual pasan las personas trans debe ser pensada m\u00e1s all\u00e1 de lo org\u00e1nico. La dimensi\u00f3n \u2018encarnada\u2019 del g\u00e9nero involucra toda la experiencia humana, se\u00f1al\u00f3 la renombrada soci\u00f3loga Raewyn Connell, en conferencia en la UERJ, donde contrapuso los relatos vivenciales de personas trans a la hegemon\u00eda de la autoridad m\u00e9dica. (Texto en portugu\u00e9s)\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2015-04-15T03:00:00+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"fw2\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"fw2\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tiempo de lectura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"11 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/\",\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/\",\"name\":\"Narrativas T - CLAM - ES\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website\"},\"datePublished\":\"2015-04-15T03:00:00+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"es\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Narrativas T\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website\",\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/\",\"name\":\"CLAM - ES\",\"description\":\"S\u00f3 mais um site CLAM - Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos sites\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"es\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010\",\"name\":\"fw2\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"fw2\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/clam.fw2web.com.br\"],\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/author\/fw2\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Narrativas T - CLAM - ES","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/","og_locale":"es_ES","og_type":"article","og_title":"Narrativas T - CLAM - ES","og_description":"La transici\u00f3n por la cual pasan las personas trans debe ser pensada m\u00e1s all\u00e1 de lo org\u00e1nico. La dimensi\u00f3n \u2018encarnada\u2019 del g\u00e9nero involucra toda la experiencia humana, se\u00f1al\u00f3 la renombrada soci\u00f3loga Raewyn Connell, en conferencia en la UERJ, donde contrapuso los relatos vivenciales de personas trans a la hegemon\u00eda de la autoridad m\u00e9dica. (Texto en portugu\u00e9s)","og_url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/","og_site_name":"CLAM - ES","article_published_time":"2015-04-15T03:00:00+00:00","author":"fw2","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"fw2","Tiempo de lectura":"11 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/","url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/","name":"Narrativas T - CLAM - ES","isPartOf":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website"},"datePublished":"2015-04-15T03:00:00+00:00","author":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/#breadcrumb"},"inLanguage":"es","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/narrativas-t\/1029\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/clam.org.br\/es\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Narrativas T"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website","url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/","name":"CLAM - ES","description":"S\u00f3 mais um site CLAM - Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos sites","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/clam.org.br\/es\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"es"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010","name":"fw2","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g","caption":"fw2"},"sameAs":["https:\/\/clam.fw2web.com.br"],"url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/author\/fw2\/"}]}},"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1029","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1029"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1029\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}