{"id":1044,"date":"2015-09-16T00:00:00","date_gmt":"2015-09-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2015\/09\/16\/nuevos-datos-viejos-problemas\/"},"modified":"2015-09-16T00:00:00","modified_gmt":"2015-09-16T03:00:00","slug":"nuevos-datos-viejos-problemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/nuevos-datos-viejos-problemas\/1044\/","title":{"rendered":"Nuevos datos, viejos problemas"},"content":{"rendered":"<p>Nos &uacute;ltimos 30 anos, o aborto tem sido objeto de um n&uacute;mero significativo de estudos no campo da sa&uacute;de reprodutiva, reconhecendo-se sua import&acirc;ncia como problema de sa&uacute;de p&uacute;blica no Brasil. A maioria das pesquisas est&aacute; concentrada em hospitais p&uacute;blicos, em estimativas a partir de interna&ccedil;&otilde;es hospitalares de mulheres admitidas para tratamento do aborto incompleto, restringindo-se aos abortos que apresentaram complica&ccedil;&otilde;es, aponta a pesquisadora Greice Menezes <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-311X2009001400002\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em artigo publicado em 2009 nos Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica. <\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-311X2009001400002 \" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&nbsp;<\/a>Poucos s&atilde;o ainda os estudos de base populacional sobre o tema, e a maioria das investiga&ccedil;&otilde;es, oriundas de outros campos de estudo, foram realizadas na Regi&atilde;o Sudeste, sendo raras nas outras regi&otilde;es. Da&iacute; o m&eacute;rito de recente pesquisa lan&ccedil;ada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), que pela primeira vez realizou uma estimativa sobre o aborto no Brasil, por regi&atilde;o do pa&iacute;s. De acordo com o levantamento, mais de 8,7 milh&otilde;es de brasileiras com idade entre 18 e 49 anos j&aacute; fizeram ao menos um aborto na vida. Destes, 1,1 milh&atilde;o de abortos foram provocados.<\/p>\n<p>No entanto, embora importantes, os resultados somente mostram a ponta do iceberg e devem ser lidos com cautela, avaliam pesquisadoras no tema.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; um avan&ccedil;o termos esta informa&ccedil;&atilde;o em uma pesquisa do Instituto Oficial de Estat&iacute;sticas, mas ainda h&aacute; problemas. Em primeiro lugar, foram selecionadas somente mulheres acima de 18 anos de idade e sabemos que a incid&ecirc;ncia de aborto entre adolescentes &eacute; alta&rdquo;, observa a dem&oacute;grafa Suzana Cavenaghi, da Escola Nacional de Ci&ecirc;ncias Estat&iacute;sticas (ENCE) do IBGE.<\/p>\n<p>&ldquo;Quando se trata de aborto na adolesc&ecirc;ncia, os dados s&atilde;o invis&iacute;veis&rdquo;, ressalta a antrop&oacute;loga Maria Luiza Heilborn (IMS\/UERJ), coordenadora da pesquisa GRAVAD &#8211; <i>Gravidez na Adolesc&ecirc;ncia: Estudo Multic&ecirc;ntrico sobre Jovens, Sexualidade e Reprodu&ccedil;&atilde;o no Brasil<\/i>, realizada com uma amostra representativa de 4.634 mo&ccedil;as e rapazes de Salvador (Bahia), Rio de Janeiro e Porto Alegre. A pesquisa GRAVAD mostra dados sociologicamente importantes: 7,5% das mo&ccedil;as entrevistadas na pesquisa e 12,4% dos rapazes, ao falarem das parceiras, relataram a experi&ecirc;ncia de aborto provocado na adolesc&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Segundo as pesquisadoras, outro ponto da pesquisa do IBGE que deve ser visto com cuidado &eacute; que o n&uacute;mero de abortos ditos espont&acirc;neos mostrado pelo levantamento &eacute; muito maior que o dito provocado. Por ser crime pun&iacute;vel por lei, o IBGE estima que haja um grande n&uacute;mero de casos n&atilde;o notificados em sua pesquisa.<\/p>\n<p>&ldquo;Este problema ocorre sempre que se faz a pergunta direta, ainda mais de um ato considerado crime no pa&iacute;s. Adiciona-se a isto o fato da maioria dos entrevistadores serem homens e n&atilde;o conhecerem o efeito disto sobre a resposta dada pelas mulheres&rdquo;, afirma Suzana Cavenaghi.<\/p>\n<p>Maria Luiza Heilborn concorda que o efeito de g&ecirc;nero pode atravessar as respostas das mulheres &ndash; o que n&atilde;o foi medido na pesquisa do IBGE &ndash;, e chama a aten&ccedil;&atilde;o para o uso impr&oacute;prio de uma linguagem que n&atilde;o diferencia os abortos espont&acirc;neos dos provocados.<\/p>\n<p>&ldquo;A pesquisa d&aacute; conta de quase 9 milh&otilde;es de abortos, mas os provocados s&atilde;o 1 milh&atilde;o. A maior parte das depoentes falam em abortos espont&acirc;neos. Assim, estas n&atilde;o fizeram aborto&rdquo;, observa a antrop&oacute;loga, que, al&eacute;m da GRAVAD, tamb&eacute;m coordenou recentemente a pesquisa <i>Heterossexualidades: contracep&ccedil;&atilde;o e aborto<\/i>, que investigou as articula&ccedil;&otilde;es entre o exerc&iacute;cio da heterossexualidade e as quest&otilde;es relacionadas &agrave; contracep&ccedil;&atilde;o e ao aborto.<\/p>\n<p>O aborto espont&acirc;neo tem origem diversa, ocorre muitas vezes no in&iacute;cio da gesta&ccedil;&atilde;o, parte de um mecanismo de sele&ccedil;&atilde;o natural ou quando a gesta&ccedil;&atilde;o &eacute; invi&aacute;vel; em outros casos, pode estar relacionado a quadros infecciosos, altera&ccedil;&otilde;es uterinas etc.<\/p>\n<p>Ana Cristina Gonz&aacute;lez, m&eacute;dica e pesquisadora colombiana em pol&iacute;ticas de sa&uacute;de p&uacute;blica, afirma:<\/p>\n<p>&ldquo;Para a sa&uacute;de p&uacute;blica, a magnitude de abortos espont&acirc;neos n&atilde;o &eacute; importante, pois eles acontecem por problemas na gesta&ccedil;&atilde;o e ocorrem em 15% a 30% das gesta&ccedil;&otilde;es. Nada se pode fazer a respeito e, deste modo, n&atilde;o faz sentido compar&aacute;-los aos abortos provocados, que demandam interven&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas, provocam gastos hospitalares e, sobretudo, risco de vida ou de morbidade para as mulheres, dadas as condi&ccedil;&otilde;es em que foram feitos&rdquo;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"\/uploads\/imagem\/Aborto_Escolaridade_IBGE_P.jpg\" width=\"164\" height=\"134\" alt=\"\" \/>A pesquisa do IBGE relaciona o n&iacute;vel de escolaridade das mulheres &agrave; ocorr&ecirc;ncia do aborto provocado. Mostra que no Nordeste, por exemplo, o percentual de mulheres sem instru&ccedil;&atilde;o que fizeram aborto provocado (37% do total de abortos) &eacute; sete vezes maior que o de mulheres com superior completo (5%). Por outro lado, tamb&eacute;m mostra que, do total de mulheres que fizeram aborto provocado no Brasil, por n&iacute;vel de escolaridade, 33% tinham ensino m&eacute;dio completo e outros mesmos 33% disseram-se sem instru&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Entretanto, esse diferecial deve ser cuidadosamente ponderado. &ldquo;N&atilde;o s&atilde;o s&oacute; as mulheres sem instru&ccedil;&atilde;o que abortam. As mulheres de n&iacute;vel superior conseguem se proteger mais do aborto provocado, mas ainda assim o fazem&rdquo;, salienta Maria Luiza Heilborn.<\/p>\n<p>A Pesquisa GRAVAD verificou que mo&ccedil;as com renda familiar <i>per capita<\/i> e escolaridade mais elevadas relataram ter abortado, respectivamente, 4,6 e 3,8 vezes mais que aquelas mais pobres e menos escolarizadas. Assim, embora a gravidez tenha sido mais rara entre jovens de estratos sociais mais favorecidos, terminava mais freq&uuml;entemente em aborto, ou seja, apesar das jovens mais privilegiadas relatarem menos eventos de gravidez, quando isto ocorreu, elas recorreram mais ao aborto. Mas ao efetivarem a pr&aacute;tica, n&atilde;o o fizeram nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es que as mais pobres; as quais usaram menos cl&iacute;nicas ou consult&oacute;rios privados e realizaram o procedimento mais tardiamente e por meio de t&eacute;cnicas menos seguras (Menezes G. Cad. Sa&uacute;de P&uacute;blica vol.25  supl.2 Rio de Janeiro  2009). [<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-311X2009001400002\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Link<\/a>]<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"\/uploads\/imagem\/Mapa_Aborto_IBGE_P.jpg\" width=\"164\" height=\"134\" alt=\"\" \/>No mapa do IBGE, a diferen&ccedil;a entre a ocorr&ecirc;ncia do aborto nas regi&otilde;es Nordeste e Sudeste &eacute; de menos de 1% &ndash; portanto, n&atilde;o significativa. A diferen&ccedil;a &eacute; maior entre Sul e Sudeste. Esses resultados convergem com os de outras pesquisas, como a GRAVAD, que evidenciou maior magnitude do aborto entre jovens baianas, e menor entre as ga&uacute;chas, com as cariocas em posi&ccedil;&atilde;o intermedi&aacute;ria.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa do IBGE, entre as mulheres pretas, o &iacute;ndice de aborto provocado (3,5% das mulheres) &eacute; o dobro daquele verificado entre as brancas (1,7% das mulheres).<\/p>\n<p>&ldquo;As diferen&ccedil;as por cor e status econ&ocirc;mico apontam para o problema conhecido de falha na provis&atilde;o de m&eacute;todos contraceptivos adequados entre a popula&ccedil;&atilde;o mais pobre&rdquo;, ressalta Suzana Cavenaghi (ENCE\/IBGE).<\/p>\n<p>No que diz respeito aos m&eacute;todos contraceptivos, o maior entrave no pa&iacute;s &eacute; principalmente a log&iacute;stica de distribui&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m do tamanho continental do pa&iacute;s e das diferen&ccedil;as regionais, as rela&ccedil;&otilde;es entre governo federal, estado e munic&iacute;pios na provis&atilde;o de m&eacute;todos contraceptivos mudam regularmente, sem se ter chegado ainda a uma f&oacute;rmula adequada. Atualmente, o governo Federal se responsabiliza por 100% dos gastos com contraceptivos (sem repasses a estados e munic&iacute;pios), portanto respons&aacute;vel pela compra de todos os m&eacute;todos e da sua distribui&ccedil;&atilde;o at&eacute; as secretarias municipais de Sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Em 2005 o Governo brasileiro lan&ccedil;ou a Pol&iacute;tica Nacional de Direitos Sexuais e Reprodutivos, onde se comprometia a comprar e distribuir 100% dos m&eacute;todos. A primeira compra somente conseguiu se concretizar em dezembro de 2007 e os m&eacute;todos come&ccedil;aram a ser distribu&iacute;dos no in&iacute;cio de 2008. Os resultados da PNDS-2006 (Pesquisa Nacional de Demografia e Sa&uacute;de da Crian&ccedil;a e da Mulher) com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; provis&atilde;o dos m&eacute;todos contraceptivos refletem bem esta situa&ccedil;&atilde;o. Os m&eacute;todos hormonais e camisinha s&atilde;o em sua grande maioria, mais de 70%, adquiridos nas farm&aacute;cias da rede particular. A laqueadura &eacute; que tem a maior oferta feita pelo SUS. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vasectomia, apesar de ser ofertada pelo SUS, a rede particular ainda &eacute; respons&aacute;vel por sua maior provis&atilde;o. Assim, as pessoas mais necessitadas continuam a ter que gastar com m&eacute;todos contraceptivos adquiridos em farm&aacute;cias e os m&eacute;todos mais oferecidos pelo SUS s&atilde;o os cir&uacute;rgicos. Isto pode gerar novo desequil&iacute;brio no leque de m&eacute;todos utilizados. O mais preocupante &eacute; que o uso de m&eacute;todos n&atilde;o permanentes adquiridos no mercado est&aacute; mais sujeito a usos intermitentes e poss&iacute;veis falhas. Como os dados da PNDS mostram, ao redor de 54% dos nascimentos ocorridos ap&oacute;s janeiro de 2001, n&atilde;o foram planejados para aquele momento e 18% n&atilde;o foram sequer desejados.<\/p>\n<p>&ldquo;Ainda precisamos buscar formas mais adequadas de fornecer os meios adequados para que a popula&ccedil;&atilde;o possa alcan&ccedil;ar seus direitos reprodutivos, independente do n&iacute;vel de fecundidade. Assim, apesar de alguns acharem que j&aacute; n&atilde;o temos &lsquo;problemas&rsquo; com a auto-regula&ccedil;&atilde;o da fecundidade, principalmente em uma situa&ccedil;&atilde;o de desejo por uma prole menor, o atendimento &agrave; contracep&ccedil;&atilde;o adequada &eacute; um direito essencial, que deve estar nos programas e a&ccedil;&otilde;es do governo de maneira cont&iacute;nua. Apesar das suas limita&ccedil;&otilde;es, os resultados da pesquisa do IBGE mostram que o problema do aborto &eacute; bem maior do que muitos gostam de admitir. Ainda que fossem apenas um milh&atilde;o os abortos provocados para mulheres de 18 a 49 anos de idade, imagine a quantidade de processos que isto implicaria. Ou seja, tapamos os olhos com peneira quando tentamos, por meio de lei, proibir que as mulheres ou os casais realizem o aborto de uma gravidez n&atilde;o planejada ou desejada&rdquo;, conclui Suzana Cavenaghi.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por primera vez, el Instituto Brasile\u00f1o de Geograf\u00eda y Estad\u00edstica (IBGE) produjo una estimativa sobre aborto en Brasil: m\u00e1s de 8,7 millones de brasile\u00f1as entre 18 a 49 a\u00f1os tuvieron por lo menos un aborto en su vida. Para las investigadoras consultadas por El CLAM, esta es s\u00f3lo la punta del iceberg.<i>(Texto em portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1044","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Nuevos datos, viejos problemas - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/nuevos-datos-viejos-problemas\/1044\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Nuevos datos, viejos problemas - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Por primera vez, el Instituto Brasile\u00f1o de Geograf\u00eda y Estad\u00edstica (IBGE) produjo una estimativa sobre aborto en Brasil: m\u00e1s de 8,7 millones de brasile\u00f1as entre 18 a 49 a\u00f1os tuvieron por lo menos un aborto en su vida. 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