{"id":1046,"date":"2015-10-14T00:00:00","date_gmt":"2015-10-14T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2015\/10\/14\/por-una-coma\/"},"modified":"2015-10-14T00:00:00","modified_gmt":"2015-10-14T03:00:00","slug":"por-una-coma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/por-una-coma\/1046\/","title":{"rendered":"Por una coma"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;A aprova&ccedil;&atilde;o por uma Comiss&atilde;o Especial da C&acirc;mara dos Deputados de parecer favor&aacute;vel ao Estatuto da Fam&iacute;lia (PL 6583\/13), cujo texto restringe-se &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lia como o n&uacute;cleo formado a partir da uni&atilde;o entre um homem e uma mulher, provocou protestos pelo pa&iacute;s e mobiliza&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito acad&ecirc;mico brasileiro. Diversos centros de pesquisa, programas e n&uacute;cleos universit&aacute;rios debateram o tema dentro de um movimento nacional intitulado &ldquo;Por todas as fam&iacute;lias&rdquo;, que incluiu, al&eacute;m de debates, o envio de mensagens individuais e coletivas a deputados.<\/p>\n<p>Em resposta a professores e pesquisadores participantes deste Movimento, o deputado Diego Garcia (PHS\/PR), resumindo as quase 100 p&aacute;ginas de sua relatoria, tentou explicar por que, do seu ponto de vista, o Estatuto n&atilde;o deveria ser considerado inconstitucional ou homof&oacute;bico, n&atilde;o feriria a laicidade do Estado, e n&atilde;o prejudicaria &ndash; segundo ele alega &ndash; outros arranjos familiares que o Estatuto formalmente exclui. No entanto, os argumentos do relator do projeto resvalam quando este responde por que o Estatuto abrange apenas a rela&ccedil;&atilde;o conjugal heterossexual:&nbsp;<i>&ldquo;Porque o Estatuto traz as rela&ccedil;&otilde;es familiares reconhecidas pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal como a base da sociedade (&#8230;) o Estatuto da Fam&iacute;lia pautou-se no texto constitucional ao reconhecer quais as rela&ccedil;&otilde;es familiares que formam a base da sociedade&rdquo;<\/i>.<\/p>\n<p>O argumento utilizado desloca o sentido do artigo 226 da Carta Magna. Para entender esse deslocamento na interpreta&ccedil;&atilde;o do relator, &eacute; necess&aacute;rio atentar para a sintaxe do citado artigo, que diz:<\/p>\n<p>&ldquo;Art. 226. A fam&iacute;lia, base da sociedade, tem especial prote&ccedil;&atilde;o do Estado.&rdquo; (<a href=\"http:\/\/www.tjrj.jus.br\/institucional\/ceja\/legis_nacional\/artigos_226_230_CRF.pdf\" target=\"_blank\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" rel=\"noopener\">Clique aqui<\/a>&nbsp;para ler a &iacute;ntegra)<\/p>\n<p>&nbsp;Ao colocar o termo &lsquo;base da sociedade&rsquo; entre v&iacute;rgulas, o texto da CF refere-se claramente &agrave; &lsquo;fam&iacute;lia&rsquo; de forma gen&eacute;rica, diz que &lsquo;a fam&iacute;lia&rsquo; (em geral) &eacute; base da sociedade, e n&atilde;o privilegia apenas um tipo de arranjo familiar. Assim, todas as fam&iacute;lias a&iacute; impl&iacute;citas podem ser consideradas base da sociedade.<\/p>\n<p>Ao extirpar as v&iacute;rgulas, a frase fica&nbsp;<i>&ldquo;A fam&iacute;lia base da sociedade tem especial prote&ccedil;&atilde;o do Estado.&rdquo;<\/i>, como se, no texto constitucional, apenas um tipo de fam&iacute;lia fosse contemplado &ndash; a &ldquo;fam&iacute;lia base&rdquo; &ndash; express&atilde;o que Garcia utiliza in&uacute;meras vezes para justificar a aprova&ccedil;&atilde;o do projeto de lei. Ao retirar as v&iacute;rgulas, extirpa-se o aposto, que se transforma assim em adjetivo restritivo, transmitindo a ideia equivocada de que a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal privilegiaria um tipo &uacute;nico de fam&iacute;lia, a tal &ldquo;fam&iacute;lia base&rdquo;, que mereceria tratamento legal distinto de outras formas familiares.<\/p>\n<p>Aproveitando-se do fato de a uni&atilde;o entre sexos diferentes ser citada mais abaixo no mesmo artigo da CF, que admite&nbsp;<i>&rdquo;Para efeito da prote&ccedil;&atilde;o do Estado, &eacute; reconhecida a uni&atilde;o est&aacute;vel entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua convers&atilde;o em casamento&rdquo;<\/i>, os formuladores do Estatuto chegam &agrave; conclus&atilde;o de que essa tal &ldquo;fam&iacute;lia base&rdquo; seria, por defini&ccedil;&atilde;o, heterossexual. Seu privil&eacute;gio se basearia no suposto desta ser biologicamente reprodutiva.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/proxy\/OExv2Cpeq3GQ1QKhx4aI0Un22dXw23SxUQXDVGC1AEoFgAqCe6tZ1lg9RrdKG3MtAoBHKgwJaFD97qc9tqYoUsGhO3RKNg=s0-d-e1-ft#http:\/\/clam.tempsite.ws\/uploads\/imagem\/Mema1.jpg\" width=\"164\" height=\"134\" align=\"left\" alt=\"\" class=\"CToWUd\" \/>&nbsp;&quot;O Estatuto proposto faz uma sobreposi&ccedil;&atilde;o deliberada entre uni&atilde;o heterossexual e fam&iacute;lia, que s&atilde;o duas coisas diferentes. Na reinterpreta&ccedil;&atilde;o dos defensores deste projeto, a Constitui&ccedil;&atilde;o estaria privilegiando este tipo de uni&atilde;o como &lsquo;fam&iacute;lia base&rsquo;, quando na verdade no texto constitucional n&atilde;o existe essa restri&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirma o antrop&oacute;logo S&eacute;rgio Carrara (CLAM\/IMS), um dos participantes da atividade do Movimento &ldquo;Por todas as fam&iacute;lias&rdquo; na UERJ no dia 30 de setembro.<\/p>\n<p>Por sua vez, o projeto do Estatuto da Fam&iacute;lia, em seu artigo 2&ordm;, afirma que&nbsp;<i>&ldquo;define-se entidade familiar como n&uacute;cleo social formado a partir da uni&atilde;o entre um homem e uma mulher, por meio do casamento ou uni&atilde;o est&aacute;vel, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes&rdquo;<\/i>&nbsp;(<a href=\"http:\/\/www.camara.gov.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra?codteor=1159761&amp;filename=PL+6583\/2013\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clique aqui<\/a>&nbsp;para ler a &iacute;ntegra).<\/p>\n<p>S&eacute;rgio Carrara adverte que, para defender o privil&eacute;gio a ser concedido ao casal heterossexual, o relat&oacute;rio de Garcia centra-se na reprodu&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, em detrimento de outras dimens&otilde;es de reprodu&ccedil;&atilde;o social presentes nos arranjos familiares. &ldquo;Na verdade, se est&aacute; querendo criar um tratamento diferenciado para um tipo de fam&iacute;lia baseada no fato de ela ser supostamente reprodutiva do ponto de vista biol&oacute;gico. Nem mesmo a parentalidade realizada atrav&eacute;s da ado&ccedil;&atilde;o ou de tecnologias reprodutivas &eacute; claramente contemplada no Estatuto. Subsume-se a reprodu&ccedil;&atilde;o social &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, quando sabemos que nem sempre casais heterossexuais t&ecirc;m filhos e que muitas mulheres e homens solteiros e casais de pessoas do mesmo sexo os t&ecirc;m, seja de uni&otilde;es anteriores, seja atrav&eacute;s da ado&ccedil;&atilde;o ou da utiliza&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida&rdquo;.<\/p>\n<p>Carrara lembra que as fam&iacute;lias nucleares (pais e filhos) quase nunca s&atilde;o socialmente isoladas: av&oacute;s, tios e mesmo parentes sem filhos, por exemplo, t&ecirc;m papel crucial na socializa&ccedil;&atilde;o familiar e nos la&ccedil;os de parentesco das novas gera&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&ldquo;A fam&iacute;lia tradicional j&aacute; &eacute; um arranjo que representa menos de 50% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, enquanto os novos arranjos familiares j&aacute; formam a maioria dos domic&iacute;lios, como mostram os dados do &uacute;ltimo Censo Demogr&aacute;fico&rdquo;, observou o dem&oacute;grafo Jos&eacute; Eust&aacute;quio Diniz Alves (ENCE\/IBGE) durante o debate na UERJ. Segundo este mesmo Censo, o percentual de fam&iacute;lias chefiadas por mulheres no pa&iacute;s passou de 22,2% para 37,3%, entre 2000 e 2010. Foram elas as respons&aacute;veis pelo aumento na Popula&ccedil;&atilde;o Economicamente Ativa (PEA) no Brasil, que passou de 17 milh&otilde;es em 1950 para 93,5 milh&otilde;es em 2010. O Censo 2010 tamb&eacute;m identificou a exist&ecirc;ncia de pelo menos 60 mil casais homossexuais no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Assim, sob a m&aacute;scara da promo&ccedil;&atilde;o de um tipo de fam&iacute;lia, o que se est&aacute; privilegiando &eacute; um tipo de uni&atilde;o, a heterossexual, fazendo com que o Estatuto se apresente como uma resposta direta &agrave; hist&oacute;rica decis&atilde;o do STF que, ao julgar a ADPF 132\/RJ e a ADI 4.277, admitiu que a uni&atilde;o est&aacute;vel entre pessoas do mesmo sexo teria os mesmos efeitos legais da uni&atilde;o est&aacute;vel heterossexual. E em outubro do mesmo ano, o Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ) admitiu a possibilidade de convers&atilde;o dessas uni&otilde;es em casamento (por meio de habilita&ccedil;&atilde;o perante o Registro Civil). E em seguida o casamento homoafetivo foi regulamento pela Resolu&ccedil;&atilde;o 175 do Conselho Nacional de Justi&ccedil;a, que determinou a todos os registros civis que habilitassem os casais de mesmo sexo para o casamento civil. A Resolu&ccedil;&atilde;o em quest&atilde;o veda&nbsp;<i>&ldquo;&agrave;s autoridades competentes a recusa de habilita&ccedil;&atilde;o, celebra&ccedil;&atilde;o de casamento civil ou de convers&atilde;o de uni&atilde;o est&aacute;vel em casamento entre pessoas de mesmo sexo&rdquo;<\/i>.<\/p>\n<p>O discurso ora elaborado pelos parlamentares favor&aacute;veis ao PL 6583\/13 ignora que o tema j&aacute; est&aacute; amadurecido em termos jur&iacute;dicos com as decis&otilde;es do Supremo Tribunal Federal a respeito do conceito de fam&iacute;lia no Brasil. Se n&atilde;o h&aacute; um artigo no C&oacute;digo Civil brasileiro que admita a fam&iacute;lia homoafetiva, tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; artigo que a exclua da prote&ccedil;&atilde;o legal. Efetivamente, a Constitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o limita as formas de constitui&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lia, logo, o artigo 226 apenas exemplifica as formas de fam&iacute;lia protegidas pela Carta Magna.<\/p>\n<p>&Agrave; &eacute;poca da decis&atilde;o no Supremo, seus ministros sustentaram que a uni&atilde;o homoafetiva est&aacute;vel &eacute; hoje uma realidade no Brasil. Mas, como n&atilde;o existe previs&atilde;o constitucional para essa nova modalidade de entidade familiar, caberia aplicar a ela o que os ministros chamaram de &ldquo;t&eacute;cnica de integra&ccedil;&atilde;o anal&oacute;gica&rdquo;, ou seja, enquadrar essas uni&otilde;es na legisla&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima, at&eacute; que ela seja definitivamente regulada por lei aprovada pelo Congresso Nacional. E o dispositivo constitucional mais pr&oacute;ximo, no caso, &eacute; o artigo 226 da CF.<\/p>\n<p><b><i>Reprodu&ccedil;&atilde;o x afeto<\/i><\/b><\/p>\n<p>O conceito de fam&iacute;lia evoluiu historicamente. A fam&iacute;lia dita &ldquo;tradicional&rdquo; servia e serve, acima de tudo, para assegurar a transmiss&atilde;o de um patrim&ocirc;nio material e imaterial (bens, t&iacute;tulos, direitos, prerrogativas). Era comum e extensamente aceito que os casamentos (que aconteciam apenas entre membros da classes mais abastadas) fossem arranjados entre os pais dos noivos, sendo irrelevante a exist&ecirc;ncia de afeto entre os futuros c&ocirc;njuges, usualmente unidos em idade precoce. A c&eacute;lula familiar era submetida &agrave; autoridade patriarcal.<\/p>\n<p>J&aacute; no s&eacute;culo de XVIII, a ideia de fam&iacute;lia come&ccedil;ou a ser associada &agrave; l&oacute;gica do afeto, na qual os c&ocirc;njuges deviam unir-se n&atilde;o s&oacute; por interesses familiares, mas tamb&eacute;m pelo amor. J&aacute; no s&eacute;culo XX, a partir da d&eacute;cada de 1960, imp&ocirc;s-se o modelo contempor&acirc;neo de fam&iacute;lia, que une dois indiv&iacute;duos em busca de rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas. A escolha do parceiro amoroso passa a ser constitutiva da sua &quot;realiza&ccedil;&atilde;o pessoal&quot;, tropo privilegiado do individualismo moderno. Ao mesmo tempo, a sexualidade se desloca parcialmente da reprodu&ccedil;&atilde;o e, portanto, do parentesco e da fam&iacute;lia. Se o advento da p&iacute;lula trouxe a possibilidade de se ter prazer sem filhos, a fecunda&ccedil;&atilde;o&nbsp;<i>in vitro<\/i>&nbsp;trouxe a possibilidade de se ter filhos sem ter rela&ccedil;&otilde;es sexuais, como afirma o jurista Mauro Nicolau Junior&nbsp;<span style=\"font-family: Calibri, Arial; font-size: 14px;\">(<\/span><a href=\"http:\/\/www.ambito-juridico.com.br\/site\/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&amp;artigo_id=10044\" target=\"_blank\" style=\"color: rgb(0, 51, 0); text-decoration: none; border-bottom-style: dashed; border-bottom-color: rgb(204, 204, 204); border-bottom-width: 1px; font-family: Calibri, Arial; font-size: 14px;\" rel=\"noopener\">Leia<\/a><span style=\"font-family: Calibri, Arial; font-size: 14px;\">&nbsp;texto publicado no site &Acirc;mbito Jur&iacute;dico).<\/span><\/p>\n<p>&ldquo;Essa ideia do afeto e do amor rom&acirc;ntico como fundamento do casamento vai ser apropriada e readaptada por parte do movimento LGBT. Este discurso que afirma: se&nbsp;<i>por ora isso &eacute; um Direito, n&oacute;s tamb&eacute;m o queremos<\/i>&rdquo;, conforme assinalou o advogado Bernardo Campinho, da Comiss&atilde;o de Bio&eacute;tica da OAB, na atividade realizada na UERJ no dia 30 de setembro.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ci6.googleusercontent.com\/proxy\/lkljGUlH2GUK8AmA3PgttKIHg5DqDDKskBMeMCdURtKMSxspav3Q88HqqGn64OptE7FjJIZrCmBu8gdyyo3OX6R_hYT1ZA=s0-d-e1-ft#http:\/\/clam.tempsite.ws\/uploads\/imagem\/Mesa2.jpg\" width=\"164\" height=\"134\" align=\"right\" alt=\"\" class=\"CToWUd\" \/><\/p>\n<p>A decis&atilde;o de 2011 do Supremo Tribunal brasileiro fez com que um olhar espec&iacute;fico fosse lan&ccedil;ado sobre esta institui&ccedil;&atilde;o chamada &ldquo;fam&iacute;lia&rdquo;, que vem se moldando e se constituindo fundamentada em par&acirc;metros de amor, cuidado, solidariedade, afetividade, empatia e afinidade, ultrapassando normas legais que apenas a admitiam se fundamentada em la&ccedil;os de consang&uuml;inidade, casamento ou &ldquo;uni&atilde;o est&aacute;vel&rdquo; entre pessoas de sexos diferentes.<\/p>\n<p>Os defensores do Estatuto da Fam&iacute;lia, no entanto, sustentam que n&atilde;o &eacute; o afeto que deve fundamentar a &ldquo;fam&iacute;lia base da sociedade&rdquo;.&nbsp;<i>&ldquo;Faz-se necess&aacute;rio diferenciar fam&iacute;lia das rela&ccedil;&otilde;es de mero afeto, conv&iacute;vio e m&uacute;tua assist&ecirc;ncia; sejam essas &uacute;ltimas rela&ccedil;&otilde;es entre pessoas de mesmo sexo ou de sexos diferentes, havendo ou n&atilde;o pr&aacute;tica sexual entre essas pessoas. &Eacute; importante asseverar que apenas da fam&iacute;lia, uni&atilde;o de um homem com uma mulher, h&aacute; a presun&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio desse relevante papel social [a reprodu&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica] que a faz ser base da sociedade&rdquo;<\/i>, afirmou o deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF) em recente entrevista. (<a href=\"http:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/noticias\/camara-acelera-projeto-que-proibe-adocao-por-gays\/\" target=\"_blank\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" rel=\"noopener\">clique aqui<\/a>&nbsp;para ler a not&iacute;cia sobre o assunto).<\/p>\n<p>O deputado Diego Garcia disse em seu parecer que as rela&ccedil;&otilde;es de &quot;mero afeto&quot; n&atilde;o devem ser tratadas pelo Direito de Fam&iacute;lia.<i>&ldquo;Defendemos o que est&aacute; na Constitui&ccedil;&atilde;o, e ela n&atilde;o menciona o arranjo familiar baseado no amor e no afeto&rdquo;<\/i>. Para Garcia e outros parlamentares, n&atilde;o basta apenas o afeto, isso &eacute; o que eles chamam de &lsquo;parceria vital&rsquo;. Pode haver at&eacute; uma lei para isso, mas, para esses atores,&nbsp;&eacute;&nbsp;apenas essa &ldquo;fam&iacute;lia base&rdquo; a que rep&otilde;e as gera&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Tudo se passa como se, conforme assinala S&eacute;rgio Carrara, &ldquo;as fun&ccedil;&otilde;es de adensamento das rela&ccedil;&otilde;es sociais, geralmente desempenhadas pela fam&iacute;lia, fossem menos importantes do que suas fun&ccedil;&otilde;es reprodutivas. Mais grave do que isso, como se fosse poss&iacute;vel separar tais fun&ccedil;&otilde;es, ou seja, como se as sociedades se reproduzissem pelo mero fato de pessoas nascerem e n&atilde;o, como sabemos, pelo fato de seus novos membros receberem suporte afetivo e material providos inicialmente por um conjunto de rela&ccedil;&otilde;es a que denominamos &lsquo;fam&iacute;lia&rsquo;&rdquo;.<\/p>\n<p><b><i>Direitos ou privil&eacute;gios?<\/i><\/b><\/p>\n<p>Os demais dispositivos do Estatuto da Fam&iacute;lia cuidam de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a &ldquo;fam&iacute;lia base&rdquo; e de diretrizes para a sua concretiza&ccedil;&atilde;o. O Projeto de Lei &nbsp;institui a fam&iacute;lia como esp&eacute;cie de sujeito pol&iacute;tico, por exemplo, ao propor a cria&ccedil;&atilde;o de Conselhos de Fam&iacute;lia, os quais seriam compostos por membros da &ldquo;fam&iacute;lia base&rdquo;. Este dispositivo pol&iacute;tico-administrativo passaria a hierarquizar quem poder&aacute; ter acesso &agrave; ado&ccedil;&atilde;o (na ordem: casais legalmente casados, uni&otilde;es est&aacute;veis e, por ultimo, pessoas sozinhas), entre outras quest&otilde;es. Al&eacute;m disso, estabelece o 21 de outubro como Dia Nacional da Fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>Segundo o relator do projeto na mensagem enviada aos integrantes do Movimento &ldquo;Por todas as fam&iacute;lias&rdquo;, outros arranjos familiares n&atilde;o ser&atilde;o desamparados, por&eacute;m, n&atilde;o v&atilde;o ser objeto de pol&iacute;ticas especiais. Mas por que ent&atilde;o dar vantagem a um tipo de fam&iacute;lia que j&aacute; &eacute; majorit&aacute;ria?<\/p>\n<p>&ldquo;Se esta fam&iacute;lia base j&aacute; est&aacute; protegida na Constitui&ccedil;&atilde;o, para que o Estatuto? Se o STF reconheceu, baseado na constitui&ccedil;&atilde;o, que a fam&iacute;lia formada por um homem e uma mulher &eacute; apenas um entre tantos modos de configurar uma fam&iacute;lia, porque s&oacute; essa forma de fam&iacute;lia merece estatuto?&rdquo;, questiona Benedito Medrado, professor do Departamento de Psicologia e do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPe) e integrante do Movimento &ldquo;Por todas as fam&iacute;lias&rdquo;.<\/p>\n<p>Bernardo Campinho, da Comiss&atilde;o de Bio&eacute;tica da OAB, chama a aten&ccedil;&atilde;o para como o Estatuto reintroduz uma ideia tradicional de fam&iacute;lia, que acaba por vedar o acesso universal a direitos sociais que est&aacute; no esp&iacute;rito da Constitui&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde; de 1988. &quot;Na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal h&aacute; v&aacute;rios direitos individuais e sociais que pressup&otilde;em a institui&ccedil;&atilde;o familiar como mediadora do exerc&iacute;cio destes direitos em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado e &agrave; comunidade. Ela estabelece, entre outras coisas, que a pequena propriedade rural trabalhada pela fam&iacute;lia n&atilde;o pode ser objeto de penhora (art. 5o, XXVI); que o preso tem direito &agrave; assist&ecirc;ncia da fam&iacute;lia (art. 5o, inciso LXIII); o usucapi&atilde;o de &aacute;rea urbana se utilizada para moradia pr&oacute;pria ou da fam&iacute;lia; a prote&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia como princ&iacute;pio da assist&ecirc;ncia social (art. 203); a assist&ecirc;ncia &agrave; fam&iacute;lia na pessoa de cada um de seus membros e prote&ccedil;&atilde;o contra a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica intrafamiliar (art; 226, par&aacute;grafo 8&ordm;). Diante disso, definir o que &eacute; considerado fam&iacute;lia &eacute; central para acessar e usufruir direitos, ou exigir a concretiza&ccedil;&atilde;o de deveres de prote&ccedil;&atilde;o do Estado. Se voc&ecirc; diz que uma determinada comunidade n&atilde;o &eacute; fam&iacute;lia, voc&ecirc; a exclui do &acirc;mbito de incid&ecirc;ncia destes direitos e de certas posi&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas&rdquo;, afirmou o advogado, no debate ocorrido na UERJ no &uacute;ltimo dia 30 de setembro.<\/p>\n<p>O antrop&oacute;logo S&eacute;rgio Carrara (CLAM\/IMS) especula sobre o que poder&aacute; acontecer diante da l&oacute;gica de privil&eacute;gios que o Estatuto pretende instaurar: &ldquo;Frente &agrave; desaven&ccedil;a conjugal envolvendo, de um lado, membros de um casal heterossexual e, de outro, membros de um casal de pessoas de mesmo sexo, os primeiros ter&atilde;o atendimento priorit&aacute;rio nos servi&ccedil;os p&uacute;blicos? Se um filho de um casal heterossexual estiver atr&aacute;s de um filho adotado por um casal de pessoas de mesmo sexo em uma fila de doa&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os, ele poder&aacute; fazer jus a atendimento priorit&aacute;rio por ser membro de uma &lsquo;fam&iacute;lia base&rsquo;, em detrimento do outro, que &eacute; membro apenas de um &lsquo;arranjo vital&rsquo;, express&atilde;o que o Deputado Diego Garcia utiliza para se referir a todos os outros arranjos familiares? Haver&aacute; privil&eacute;gios na hora de garantir uma vaga na escola, por exemplo?&rdquo;, questiona.<\/p>\n<p>O Estatuto da Fam&iacute;lia n&atilde;o amea&ccedil;a somente os direitos de pessoas LGBT, mas tamb&eacute;m das mulheres. Seu artigo 3&ordm; diz que&nbsp;<i>&ldquo;&eacute; dever do Estado, da sociedade e do Poder P&uacute;blico assegurar &agrave; fam&iacute;lia a efetiva&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; vida desde a concep&ccedil;&atilde;o&rdquo;<\/i>. A inclus&atilde;o do &ldquo;direito &agrave; vida desde a concep&ccedil;&atilde;o&rdquo; constitui uma amea&ccedil;a ao direito ao aborto nas tr&ecirc;s circunst&acirc;ncias em que &eacute; legal, ou seja, nos casos de estupro, anencefalia e risco de morte da mulher. A premissa do direito &agrave; vida desde a concep&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi inclu&iacute;da no texto constitucional gra&ccedil;as &agrave; atua&ccedil;&atilde;o do Movimento de Mulheres na Constituinte de 1988. De l&aacute; para c&aacute;, conforme lembrou a pesquisadora Sonia Correa (ABIA\/SPW) durante o Encontro na UERJ, a quest&atilde;o do aborto obteve ganhos &ndash; como a edi&ccedil;&atilde;o da Norma T&eacute;cnica sobre o Aborto do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, assinada em 1998 (que instrui os hospitais do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) a realizar a pr&aacute;tica nos casos previstos em lei), a forma&ccedil;&atilde;o em 2005 da Comiss&atilde;o Tripartite para a revis&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o punitiva sobre a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez no Brasil, e a decis&atilde;o do Supremo Tribunal sobre a interrup&ccedil;&atilde;o legal da gravidez em caso de anencefalia.<\/p>\n<p>&ldquo;Mas a quest&atilde;o tamb&eacute;m tem sido alvo de propostas regressivas no Congresso Nacional, como o Estatuto do Nascituro de 2010 &ndash; que outorga ao embri&atilde;o o status de pessoa &ndash; e outras propostas de inscrever na Constitui&ccedil;&atilde;o o direito &agrave; vida desde a concep&ccedil;&atilde;o. E como o texto do Estatuto da Fam&iacute;lia inclui essa premissa, &eacute; importante vincular o aborto &agrave; discuss&atilde;o sobre este projeto&rdquo;, assinalou Sonia Correa.<\/p>\n<p>Apesar de propostas restritivas como o PL 6583\/13, a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 e desdobramentos posteriores passaram a garantir conquistas sociais e consagraram valores imposs&iacute;veis de serem ignorados. A &quot;fam&iacute;lia&quot; da ordem jur&iacute;dica contempor&acirc;nea &eacute; alinhada &agrave; garantia de uma s&eacute;rie de direitos in&aacute;lien&aacute;veis dos indiv&iacute;duos e dos coletivos sociais, que n&atilde;o podem proteger uns em detrimento de outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A trav\u00e9s de un sutil deslizamiento sem\u00e1ntico en el texto de la Constituci\u00f3n Federal brasile\u00f1a, los formuladores y defensores del Estatuto de la Familia pretenden crear una nueva entidad: la \u201cfamilia base de la sociedad\u201d, que s\u00f3lo admite la uni\u00f3n entre un hombre y una mujer, justificada por fines procreativos y no por el afecto, la solidariedad y el cuidado. 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