{"id":1058,"date":"2016-06-16T00:00:00","date_gmt":"2016-06-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2016\/06\/16\/las-pedagogias-de-la-violacion\/"},"modified":"2016-06-16T00:00:00","modified_gmt":"2016-06-16T03:00:00","slug":"las-pedagogias-de-la-violacion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/las-pedagogias-de-la-violacion\/1058\/","title":{"rendered":"Las pedagog\u00edas de la violaci\u00f3n"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">&nbsp;<em>por Washington Castilhos<\/em><\/p>\n<p>A despeito de todo o julgamento moral que desencadeou nas redes sociais assim que veio a p&uacute;blico por meio da divulga&ccedil;&atilde;o de um v&iacute;deo no Twitter, o caso de estupro coletivo da jovem de 16 anos em uma comunidade do Rio de Janeiro tamb&eacute;m evidenciou o lugar da internet como mediador de opini&otilde;es e sensibilidades em rela&ccedil;&atilde;o ao ide&aacute;rio feminista. A not&iacute;cia impactante criou as condi&ccedil;&otilde;es para que debates, antes restritos a p&aacute;ginas de alcance segmentado, ganhassem mais visibilidade. Campanhas no Facebook entraram em cena politizando o evento, em contraposi&ccedil;&atilde;o &agrave; rea&ccedil;&atilde;o conservadora que o caso tamb&eacute;m despertou. <a href=\"http:\/\/www.bolsademulher.com\/comportamento\/leitoras-contam-historias-reais-de-abuso-sexual-na-familia-estupro-no-trabalho-e-mais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Diversos blogs publicaram relatos de leitoras<\/a>&nbsp;contando hist&oacute;rias reais de abuso na fam&iacute;lia, no trabalho e em outros locais.&nbsp;<\/p>\n<p>Iniciativas de romper o sil&ecirc;ncio n&atilde;o s&atilde;o novas &ndash; relatos de ass&eacute;dios j&aacute; haviam tomado conta do Twitter atrav&eacute;s da campanha #meuprimeiroassedio, entre outras &#8211;, mas se tornaram mais frequentes a partir do caso que mobilizou o pa&iacute;s nas &uacute;ltimas semanas. S&atilde;o relatos que desconstroem tratamentos e significados comumente atribu&iacute;dos ao estupro, usualmente relacionado &agrave; rua. No epis&oacute;dio do Rio de Janeiro, um grande n&uacute;mero de coment&aacute;rios que circularam na rede no primeiro momento buscavam desqualificar e culpabilizar a v&iacute;tima, impulsionados tanto pelo tratamento dado pelo delegado inicialmente encarregado do caso (que, baseado em um exame de corpo de delito feito quatro dias ap&oacute;s o ocorrido, afirmou n&atilde;o haver sinais de viol&ecirc;ncia sexual), como pelo contexto, circunst&acirc;ncia do crime e caracter&iacute;sticas da v&iacute;tima (favela carioca, adolescente pobre frequentadora de baile funk e m&atilde;e de uma crian&ccedil;a de 3 anos).&nbsp;<\/p>\n<p>Por&eacute;m, relatos como os citados &ndash; que, coincidentemente, se parecem com as hist&oacute;rias pessoais contadas por mulheres que participaram de Atos contra a cultura do estupro, convocados via internet e realizados em diversas cidades brasileiras no dia 1 de junho &ndash; mostram v&iacute;timas de perfis diferentes do da jovem violentada na comunidade da zona oeste do Rio de Janeiro. S&atilde;o mulheres que n&atilde;o sofreram a agress&atilde;o ap&oacute;s um baile funk. <em>&quot;Quando os homens saem &agrave; noite com medo de levarem seu celular, n&oacute;s mulheres sa&iacute;mos com medo de termos nossos corpos violados.&quot;<\/em>, escreveu uma internauta logo ap&oacute;s o v&iacute;deo ter viralizado. Distante da associa&ccedil;&atilde;o corrente, restritiva e problem&aacute;tica &quot;estupro-classe social-favela-negritude&quot;, a realidade &eacute; que mulheres podem ser violentadas dentro de relacionamentos afetivos  ou em uma ida a um baile funk, independente de sua conduta. Ou seja, a experi&ecirc;ncia da mo&ccedil;a de Jacarepagu&aacute; (bairro na regi&atilde;o Oeste do Rio de janeiro) n&atilde;o foi exce&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Por sua vez, o agressor tamb&eacute;m &eacute; muito distante da ideia de &quot;monstro&quot;, termo preferencialmente usado por boa parte dos internautas que se escandalizaram com o caso para se referirem aos criminosos em seus coment&aacute;rios na rede. Em geral, mulheres que j&aacute; sofreram viol&ecirc;ncia sexual n&atilde;o foram violentadas por desconhecidos. O agressor pode ser familiar, namorado ou amigo, com quem a vitima se relaciona afetivamente. Coloc&aacute;-lo como monstro reifica a ideia de se tratar de uma exce&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;A abordagem do estupro como um ato monstruoso e pelo lado da conduta da v&iacute;tima fortalece uma ideia de excepcionalidade, tanto com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vitima quanto em rela&ccedil;&atilde;o ao agressor. O conceito de cultura do estupro &eacute; uma ferramenta politica importante porque fala da n&atilde;o excepcionalidade e dos mecanismos sociais que faz com que a situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade permane&ccedil;a&quot;, avalia a antrop&oacute;loga Regina Facchini, pesquisadora do N&uacute;cleo de Estudos de G&ecirc;nero &#8211; PAGU\/Unicamp.<\/p>\n<p>&quot;Viol&ecirc;ncia\/agress&atilde;o sexual\/estupro s&atilde;o temas pol&iacute;ticos, que fazem parte de uma produ&ccedil;&atilde;o social\/cultural cotidiana, dai a no&ccedil;&atilde;o de cultura do estupro. Um coment&aacute;rio bastante preocupante que vi foi <em>&quot;sou solid&aacute;ria com todas as mulheres que sofreram e sofrem abusos, mas n&atilde;o gasto 1% da minha energia defendendo bandidos (&#8230;) garota que posta que adora dar para bandidos e gosta de orgia n&atilde;o me representa&quot;<\/em>. O estupro nesse tipo de posicionamento n&atilde;o &eacute; recha&ccedil;ado como viol&ecirc;ncia que fere a gram&aacute;tica de direitos humanos, &eacute; apenas adequado a uma gram&aacute;tica moral, refor&ccedil;ando a ideia da exist&ecirc;ncia de mulheres estupr&aacute;veis &#8211; &quot;aquelas que gostam de bandidos&quot;, &quot;as que gostam de orgias&quot;, ou seja, a ideia de mulher estupr&aacute;vel fica intocada, produzindo um sujeito moral e hierarquizando feminilidades ligadas a condutas, corpos, classe, cor da pele, orienta&ccedil;&atilde;o sexual&quot;, afirma a cientista social Carolina Branco de Castro Ferreira, tamb&eacute;m pesquisadora do PAGU\/Unicamp.&nbsp;<\/p>\n<p>Neste sentido, ambas as pesquisadoras chamam a aten&ccedil;&atilde;o para como a internet tem sido um campo importante de atua&ccedil;&atilde;o e inst&acirc;ncia pedag&oacute;gica de constru&ccedil;&atilde;o de sensibilidades em rela&ccedil;&atilde;o a ide&aacute;rios feministas, atrav&eacute;s do ativismo virtual (do chamado &quot;ciberfeminismo&quot; ou milit&acirc;ncia feminista virtual) e do engajamento de mulheres mais jovens.&nbsp;<\/p>\n<p>&quot;A gram&aacute;tica pol&iacute;tica dos feminismos incide em ansiedades e medos difusos, transformando-os em indigna&ccedil;&atilde;o e tecendo uma trama moral, cognitiva e emocional inspiradora da a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, bastante &uacute;til como forma de comunica&ccedil;&atilde;o social entre p&uacute;blicos m&uacute;ltiplos. Mas que, no caso do qual estamos tratando, produz uma s&eacute;rie de ambival&ecirc;ncias como indigna&ccedil;&atilde;o seletiva e a (re)produ&ccedil;&atilde;o de sujeitos morais no &acirc;mbito de pol&iacute;ticas sexuais&quot;, observa Carolina Branco.<\/p>\n<p>O contexto de fortes express&otilde;es conservadoras no Brasil &ndash; evidenciadas em muitas das rea&ccedil;&otilde;es ao caso de estupro coletivo &ndash; est&aacute;, sem d&uacute;vida, vinculado ao cen&aacute;rio pol&iacute;tico do pa&iacute;s, de grandes amea&ccedil;as de retrocessos aos direitos humanos, especialmente ap&oacute;s o afastamento da presidente Dilma Rousseff e da instala&ccedil;&atilde;o do governo provis&oacute;rio de Michel Temer, que, ao nomear apenas homens brancos para compor seu minist&eacute;rio e rebaixar as Secretarias de Pol&iacute;ticas para as Mulheres, de Direitos Humanos e da Igualdade Racial (que nos governos de Lula e Dilma Rousseff gozavam de status de minist&eacute;rios) como ap&ecirc;ndices do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, mostrou evid&ecirc;ncias de que para o &quot;novo governo&quot; (rigorosamente, governo interino) as quest&otilde;es racial e de g&ecirc;nero n&atilde;o s&atilde;o prioridades.<\/p>\n<p>Como Secret&aacute;ria de Pol&iacute;ticas para as Mulheres, o presidente em exerc&iacute;cio nomeou uma mulher contr&aacute;ria &agrave;s pautas feministas, que inicialmente se declarou oposta, inclusive, ao direito ao aborto em casos de estupro, j&aacute; previsto em lei. E enquanto parte da sociedade pauta nas redes sociais a quest&atilde;o do abuso sexual e da cultura do estupro, tramita no Congresso Nacional brasileiro francamente conservador v&aacute;rias proposi&ccedil;&otilde;es que buscam retroceder na mat&eacute;ria. J&aacute; aprovado na Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a da C&acirc;mara dos Deputados, sob patroc&iacute;nio da bancada religiosa, o Projeto de Lei 5069\/2013 prev&ecirc; que uma v&iacute;tima de abuso sexual ou estupro ter&aacute; que realizar um boletim de ocorr&ecirc;ncia (B.O.) e fazer um exame de corpo de delito para, s&oacute; ent&atilde;o, ser atendida em uma unidade de sa&uacute;de. Sabe-se, no entanto, da exist&ecirc;ncia de uma s&eacute;rie de mecanismos que impedem a vitima de sentir-se segura de denunciar, como a opera&ccedil;&atilde;o inadequada do Direito (a vis&atilde;o machista do delegado posteriormente afastado do caso da jovem estuprada &eacute; um caso exemplar disto) e a dificuldade de se punir o agressor.<\/p>\n<p>O texto do PL tamb&eacute;m modifica o tipo de atendimento que a v&iacute;tima receber&aacute; no hospital, vetando, por exemplo, que ela receba orienta&ccedil;&otilde;es sobre aborto legal &ndash; no pa&iacute;s, somente em casos de estupro, de risco de morte para a m&atilde;e ou para fetos anenc&eacute;falos (em alguns casos, para outras malforma&ccedil;&otilde;es fetais que trazem inviabilidade &agrave; vida extra-uterina, mas que dependem de decis&otilde;es judiciais favor&aacute;veis). Al&eacute;m disso, de acordo com o projeto de lei, ela s&oacute; poder&aacute; receber medicamentos que n&atilde;o forem abortivos, embora o texto n&atilde;o defina o que &eacute; abortivo. Assim, se aprovada (o projeto ainda ter&aacute; de ser votado pelo plen&aacute;rio da C&acirc;mara), a lei servir&aacute; para uma posterior proibi&ccedil;&atilde;o da p&iacute;lula do dia seguinte (hoje vendida legalmente em qualquer farm&aacute;cia), caso um m&eacute;dico julgue a p&iacute;lula como abortiva.<\/p>\n<p>Al&eacute;m do PL 5069, esperam para entrar em vota&ccedil;&atilde;o o PL 7443\/2006, que determina a inclus&atilde;o do aborto entre os crimes considerados hediondos; o PL 1545\/2011, que imp&otilde;e ao m&eacute;dico que realizar o aborto, fora das hip&oacute;teses previstas em lei, uma pena de pris&atilde;o que vai de seis a 20 anos; e a Proposta de Emenda &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o &#8211; PEC 164\/2012, que determina que a inviolabilidade do direito &agrave; vida &eacute; garantia de todos &quot;desde a concep&ccedil;&atilde;o&quot;, incluindo, portanto, o feto.<\/p>\n<p>Aliado a essas proposi&ccedil;&otilde;es, h&aacute; ainda a tentativa de se retirar as tem&aacute;ticas de g&ecirc;nero e da diversidade dos planos de educa&ccedil;&atilde;o, sufocando a possibilidade de uma pr&aacute;tica de ensino e de socializa&ccedil;&atilde;o mais igualit&aacute;rias para meninos e meninas nas escolas e de pol&iacute;ticas preventivas que passam pela Educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>As posi&ccedil;&otilde;es explicitamente ultra-conservadoras e discriminat&oacute;rias de alguns deputados e senadores ganham apoio na sociedade e, com isso, opini&otilde;es claramente racistas, sexistas e homof&oacute;bicas cada vez mais se multiplicam na rede, j&aacute; que as pessoas se sentem &agrave; vontade para express&aacute;-las. Cabe considerar que tais for&ccedil;as j&aacute; estivam na sociedade, embora represadas. Como percebe o <a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2015\/04\/15\/de-onde-vem-o-conservadorismo\/\">fil&oacute;sofo Mauro Iasi, da UFRJ, <\/a>o conservadorismo sempre esteve por aqui, forte e persistente, portanto denomina&ccedil;&otilde;es como &quot;onda conservadora&quot; ou &quot;nova direita&quot; podem ser enganosas.<\/p>\n<p>O Brasil teve no ano passado ao menos 47.646 estupros, mostram os dados oficiais das secretarias estaduais da Seguran&ccedil;a coletados pelo F&oacute;rum Brasileiro de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica. O n&uacute;mero equivale a um caso a cada 11 minutos, em m&eacute;dia. Os n&uacute;meros incluem tamb&eacute;m os estupros de vulner&aacute;vel, crime cometido contra menores de 14 anos. Como a subnotifica&ccedil;&atilde;o &eacute; extremamente elevada no pa&iacute;s, o F&oacute;rum acredita que possam ter ocorrido entre 136 mil e 476 mil casos de estupro no Brasil no ano passado.&nbsp;<\/p>\n<p>Na mesma semana em que a jovem foi violentada no Rio, outro caso de estupro coletivo ocorria no Piau&iacute; e, at&eacute; o fechamento deste texto, outro era relatado no mesmo estado. Todos tendo como v&iacute;timas adolescentes menores de idade. Por conta do crime de Jacarepagu&aacute;, que tomou maior repercuss&atilde;o midi&aacute;tica, o presidente em exerc&iacute;cio Michel Temer apressou-se em fazer passar no Senado, em regime de urg&ecirc;ncia, um projeto que aumenta a pena em at&eacute; 30 anos para quem comete o crime. E o governador (tamb&eacute;m em exerc&iacute;cio) do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, chegou at&eacute; a falar em pena de morte.<\/p>\n<p>&quot;No Brasil h&aacute; sempre a tradi&ccedil;&atilde;o do recurso &agrave; lei penal punitiva, como se fosse resolver todos os problemas, sem levar em conta os problemas sociais que est&atilde;o em jogo. N&atilde;o adianta aumentar a pena ou pensar em solu&ccedil;&otilde;es simplistas punitivas quando a quest&atilde;o de fundo &eacute; a Educa&ccedil;&atilde;o&quot;, avalia Regina Facchini.&nbsp;<\/p>\n<p>O recurso &agrave; lei penal tamb&eacute;m foi acionado pelo governo indiano ap&oacute;s o estupro coletivo de uma param&eacute;dica em um &ocirc;nibus de Nova Deli em 2013 (<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/destaque\/conteudo.asp?cod=10553\">leia artigo publicado aqui<\/a>). Na &eacute;poca, no Brasil operava o suposto de quecrimes como esse seriam carater&iacute;sticos de outras culturas e n&atilde;o aconteceriam por aqui por serem distantes da nossa realidade. Entretanto, h&aacute; muitos tra&ccedil;os em comum. A frase cunhada por movimentos feministas mobilizados em campanha contra a banaliza&ccedil;&atilde;o das m&uacute;ltiplas formas de viol&ecirc;ncia sexual contra mulheres, &ldquo;cultura do estupro&rdquo;, d&aacute; conta dessas analogias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Viol&ecirc;ncia sexual nas universidades.<\/strong><\/em><strong>&nbsp;Informe de situa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>por Thaisa Alves<\/em><\/p>\n<p>Os casos de estupro acontecidos na rua s&atilde;o os que ocupam o imagin&aacute;rio das pessoas, mas h&aacute; os que acontecem dentro de casa e outros que ocorrem no &acirc;mbito das institui&ccedil;&otilde;es. Recentes casos de estupro na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), a principal do pa&iacute;s, amparados na falta de uma a&ccedil;&atilde;o efetiva de puni&ccedil;&atilde;o, expuseram o problema da omiss&atilde;o e o despreparo das universidades em lidar com a quest&atilde;o dentro de seus muros.&nbsp;<\/p>\n<p>No dia 23 de maio, diversos coletivos feministas de estudantes, juntamente com a Uni&atilde;o Brasileira de Mulheres, &oacute;rg&atilde;os respons&aacute;veis pela seguran&ccedil;a p&uacute;blica e inst&acirc;ncias representativas de universidades p&uacute;blicas do Rio de Janeiro se reuniram na Assembleia Legislativa do Estado (ALERJ), &agrave; convite da Comiss&atilde;o de Defesa dos Direitos da Mulher, para uma audi&ecirc;ncia que teve como tema &quot;Sociedade Fluminense contra os crimes de viol&ecirc;ncia e estupro de mulheres nas universidades p&uacute;blicas e privadas do Estado do Rio de Janeiro&quot;.<\/p>\n<p>Uma p&aacute;gina, criada em 2013 por uma aluna da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, relata 615 casos de viol&ecirc;ncia dentro da unidade, de 1970 a 2016. Alguns ainda n&atilde;o publicados, porque muitas mulheres convivem com o medo. Na Audi&ecirc;ncia, a dona da p&aacute;gina relatou ser o n&uacute;mero 616, e que decidiu criar esse meio de expor os casos para dar voz &agrave;s mulheres, diante da omiss&atilde;o da reitoria. Por ser a criadora desse portal, ela afirmou sofrer intermin&aacute;veis retalia&ccedil;&otilde;es e que ouviu ser um caso isolado ao pedir ajuda da dire&ccedil;&atilde;o. A reitoria explica que a localiza&ccedil;&atilde;o perif&eacute;rica da universidade e o quantitativo reduzido de vigilantes intensifica as a&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia.&nbsp;<\/p>\n<p>A representante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) relatou desde casos de estupro onde o agressor foi solto na mesma semana a viol&ecirc;ncias nos alojamentos, e festas de alto teor machista organizadas na inten&ccedil;&atilde;o de assediar as estudantes. Segundo ela, os alojamentos s&atilde;o habitados por pessoas que n&atilde;o possuem v&iacute;nculo algum com a universidade.<\/p>\n<p>As representantes da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica (PUC) afirmaram que l&aacute; os relatos v&atilde;o desde a persegui&ccedil;&atilde;o aos movimentos feministas por parte dos membros do DCE (Diret&oacute;rio Central dos Estudantes) ao cuidado com as palavras: caso fa&ccedil;am uma mesa sobre aborto, ela deve ser chamada de &quot;sa&uacute;de da mulher&quot;, por conta da liga&ccedil;&atilde;o que a faculdade possui com a Igreja Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>Segundo as representantes da Universidade Estadual da Zona Oeste (UEZO), a situa&ccedil;&atilde;o na unidade &eacute; ainda mais complicada, porque a seguran&ccedil;a p&uacute;blica na &aacute;rea &eacute; subordinada &agrave; mil&iacute;cia, uma das respons&aacute;veis pelos casos de estupro. As normalistas sofrem ass&eacute;dio constante e, mesmo quando s&atilde;o estupradas, n&atilde;o denunciam por medo de morrer.<\/p>\n<p>Segundo relatos da representante da Universidade Federal Fluminense (UFF), no campus da universidade na cidade de Rio das Ostras os estupros acontecem &agrave; luz do dia, h&aacute; casos de trancamento de matr&iacute;cula ap&oacute;s situa&ccedil;&atilde;o de ass&eacute;dio e tentativa em v&atilde;o de expuls&atilde;o de um professor machista. Uma mulher chegou a ser sequestrada e abusada por quatro homens que a jogaram em um rio ao pensarem que estava morta.<\/p>\n<p>A diretora da UNE, Barbara Cardoso, pontuou que &quot;&eacute; necess&aacute;rio que haja o reconhecimento por parte das universidades de que h&aacute; machismo nesses espa&ccedil;os e que se reconhe&ccedil;a tamb&eacute;m as diversas formas de viol&ecirc;ncia, bem como a opress&atilde;o psicol&oacute;gica por parte dos professores&quot;.<\/p>\n<p>Presente &agrave; Audi&ecirc;ncia, a coordenadora da Uni&atilde;o Brasileira de Mulheres, Luciana Targino, explicou que colocar a Pol&iacute;cia Militar (PM) dentro das universidades aumentaria o n&uacute;mero de casos, j&aacute; que a maioria dos policiais s&atilde;o homens e com hist&oacute;rico forte de machismo na corpora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O fato dessas informa&ccedil;&otilde;es serem compartilhadas e essas situa&ccedil;&otilde;es de flagrante agress&atilde;o e descaso institucional serem debatidas constitui um passo &agrave; frente, dado por coletivos de mulheres universit&aacute;rias.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La respuesta frente a los episodios de violaci\u00f3n colectiva ocurridos en Brasil, a trav\u00e9s de una multitud de testimonios, manifiestos y actos p\u00fablicos, constituye una instancia pedag\u00f3gica de construcci\u00f3n de sensibilidades en relaci\u00f3n al ideario feminista. <i> (Texto en portugu\u00e9s)\u00a0 <\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1058","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Las pedagog\u00edas de la violaci\u00f3n - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/las-pedagogias-de-la-violacion\/1058\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Las pedagog\u00edas de la violaci\u00f3n - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"La respuesta frente a los episodios de violaci\u00f3n colectiva ocurridos en Brasil, a trav\u00e9s de una multitud de testimonios, manifiestos y actos p\u00fablicos, constituye una instancia pedag\u00f3gica de construcci\u00f3n de sensibilidades en relaci\u00f3n al ideario feminista. 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