{"id":1060,"date":"2016-06-16T00:00:00","date_gmt":"2016-06-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2016\/06\/16\/condiciones-para-un-debate\/"},"modified":"2016-06-16T00:00:00","modified_gmt":"2016-06-16T03:00:00","slug":"condiciones-para-un-debate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/condiciones-para-un-debate\/1060\/","title":{"rendered":"Condiciones para un debate"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">Embora a epidemia da zika afete muitos pa&iacute;ses da &Aacute;frica e outros da Am&eacute;rica do Sul e Central, foi no Brasil que se estabeleceu a primeira correla&ccedil;&atilde;o entre a infec&ccedil;&atilde;o e a microcefalia. Em novembro de 2015, a Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz notificou a presen&ccedil;a do genoma do v&iacute;rus zika em amostras de l&iacute;quido amni&oacute;tico de duas gestantes da cidade de Campina Grande, estado da Para&iacute;ba, em cujos fetos houve confirma&ccedil;&atilde;o de microcefalia por meio de exame ultrassonogr&aacute;fico, ap&oacute;s a suspeita ser levantada pela m&eacute;dica Adriana Mello, especialista em sa&uacute;de fetal de uma maternidade daquele munic&iacute;pio. A partir daquele momento, por&eacute;m, o governo brasileiro adotou postura diferente de pa&iacute;ses como Col&ocirc;mbia e El Salvador, preferindo n&atilde;o recomendar &agrave;s mulheres que evitassem engravidar, em um contexto onde ainda n&atilde;o se havia comprovado o nexo entre a infec&ccedil;&atilde;o por zika e os casos de microcefalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A comprova&ccedil;&atilde;o da associa&ccedil;&atilde;o entre o v&iacute;rus e a microcefalia (entre outras altera&ccedil;&otilde;es no desenvolvimento fetal) foi feita por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto D&rsquo;Or de Pesquisa e Ensino (Idor) em abril de 2016, com a publica&ccedil;&atilde;o de um estudo intitulado&nbsp;<em>Zika virus impairs growth in human neurospheres and brain organoids<\/em>&nbsp;na revista&nbsp;<em><a href=\"http:\/\/science.sciencemag.org\/content\/early\/2016\/04\/08\/science.aaf6116.full\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Science<\/a><\/em>. No artigo, os pesquisadores brasileiros descrevem como, a partir de c&eacute;lulas-tronco reprogramadas, criaram estruturas conhecidas como minic&eacute;rebros (que simulam as c&eacute;lulas do c&eacute;rebro humano durante o desenvolvimento), para depois infect&aacute;-las com o Zika v&iacute;rus a fim de observar as consequ&ecirc;ncias para a forma&ccedil;&atilde;o do c&eacute;rebro fetal: nos modelos investigados &ndash; de 11 dias de vida, que simulam o c&oacute;rtex cerebral de um feto com um m&ecirc;s de gesta&ccedil;&atilde;o &ndash;, houve uma redu&ccedil;&atilde;o de 40% no crescimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Assim, ao denunciar uma situa&ccedil;&atilde;o emergencial de sa&uacute;de p&uacute;blica mundial, especificamente no caso brasileiro a epidemia do v&iacute;rus zika trouxe &agrave; tona quest&otilde;es fundamentais de sa&uacute;de p&uacute;blica historicamente negligenciadas, como a elimina&ccedil;&atilde;o do vetor (<em>Aedes aegypti<\/em>), a cobertura de saneamento ambiental e as debilidades de assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de reprodutiva e materna no Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS). Al&eacute;m disso, as incertezas das mulheres se devem ou n&atilde;o levar a termo uma gravidez diante das vulnerabilidades que enfrentam frente &agrave; epidemia &#8212; muitas s&atilde;o abandonadas pelos maridos e parceiros, lidam sozinhas com os problemas do acesso &agrave; sa&uacute;de, da precariza&ccedil;&atilde;o da vida pela pobreza e dos cuidados di&aacute;rios com os filhos &#8212; criaram as condi&ccedil;&otilde;es para reacender o debate sobre aborto no Brasil. Mais do que isso: o surto do zika abriu uma oportunidade para expandir uma s&eacute;rie de direitos das mulheres, como prefere afirmar a antrop&oacute;loga e professora da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB) D&eacute;bora Diniz, que faz parte de um grupo que anunciou uma poss&iacute;vel judicializa&ccedil;&atilde;o junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) como resposta &agrave; neglig&ecirc;ncia do Estado brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Frente a um Poder Legislativo dominado por for&ccedil;as conservadoras, o Supremo tem sido a inst&acirc;ncia mais acionada para promover mudan&ccedil;as legais tidas como urgentes para a atualiza&ccedil;&atilde;o do panorama dos direitos no Brasil. Em 2012, por exemplo, o STF decidiu por aquela que ainda &eacute; a mais substancial mudan&ccedil;a na legisla&ccedil;&atilde;o brasileira relativa ao aborto em 75 anos &#8212; a autoriza&ccedil;&atilde;o da interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez de fetos anenc&eacute;falos &#8211;,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.stf.jus.br\/arquivo\/cms\/noticianoticiastf\/anexo\/adpf54.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ao julgar procedente a Argui&ccedil;&atilde;o de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 54<\/a>, ajuizada na Corte pela Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Trabalhadores na Sa&uacute;de (CNTS) com apoio t&eacute;cnico da Anis &#8211; Instituto de Bio&eacute;tica, Direitos Humanos e G&ecirc;nero &#8211;, organiza&ccedil;&atilde;o feminista coordenada por D&eacute;bora Diniz.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">No entanto, al&eacute;m das poss&iacute;veis dificuldades judiciais e burocr&aacute;ticas que a ADPF 54 enfrentou (o pedido de avalia&ccedil;&atilde;o dos abortos para fetos anenc&eacute;falos foi feito pela Anis em 2004 e aceito pelos ministros do STF, por 8 votos a 2, em 2012), a A&ccedil;&atilde;o que a antrop&oacute;loga pretende conduzir agora no Supremo deve esbarrar em barreiras morais e religiosas levantadas por grupos organizados no Congresso Nacional, igrejas e parte da popula&ccedil;&atilde;o. Na anencefalia, os beb&ecirc;s n&atilde;o nascem vivos e assim escapou-se de um debate moral. A microcefalia t&iacute;pica, por sua vez, &eacute; um mal incur&aacute;vel e irrevers&iacute;vel, mas o beb&ecirc; sobrevive na maioria dos casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Por&eacute;m, a argumenta&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o atual deve destacar a vulnerabilidade espec&iacute;fica de mulheres pobres &ndash; j&aacute; que a epidemia ainda se concentra nas &aacute;reas mais carentes do pa&iacute;s, especialmente na regi&atilde;o Nordeste. No caso atual, o pedido de interrup&ccedil;&atilde;o da gesta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se justifica por qualquer diagn&oacute;stico sobre o feto &#8212; diferente do que foi a anencefalia, que impossibilita a vida extra-uterina &#8212; mas sim no intenso e injusto sofrimento mental provocado pela epidemia. Entre os argumentos deve constar ainda o fato de que o dano causado &agrave;s mulheres e aos seus filhos se deve &agrave; neglig&ecirc;ncia persistente do Estado brasileiro em n&atilde;o ter eliminado o mosquito, vetor de um mal cujas consequ&ecirc;ncias futuras ainda n&atilde;o s&atilde;o definidas pela medicina (ningu&eacute;m sabe ainda como o zika atua no tecido cerebral. Sabe-se da rela&ccedil;&atilde;o do v&iacute;rus com o tamanho do c&eacute;rebro).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Na entrevista a seguir concedida ao CLAM, D&eacute;bora Diniz fala das especificidades da epidemia e do peso dos argumentos da a&ccedil;&atilde;o legal com foco na infec&ccedil;&atilde;o que se pretende conduzir ao STF. &quot;&Eacute; a gravidade e a urg&ecirc;ncia de uma epidemia sem precedentes que imp&otilde;e a reflex&atilde;o sobre direitos reprodutivos&quot;, afirma a antrop&oacute;loga.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>A Zika p&otilde;e em relevo quest&otilde;es sanit&aacute;rias, ambientais, de controle de vetores, entre outras relacionadas &agrave;s desigualdades sociais, tanto no plano nacional, quanto internacional. Tamb&eacute;m por afetar a reprodu&ccedil;&atilde;o e a sexualidade, est&atilde;o em jogo quest&otilde;es relativas &agrave;s desigualdades de g&ecirc;nero, que marcam o plano das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais. Como conjugar perspectivas de a&ccedil;&atilde;o, mobiliza&ccedil;&atilde;o e luta pol&iacute;tica que contemplem essa dupla dimens&atilde;o, sem restringir uma &agrave; outra?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel pensar o enfrentamento integral &agrave; epidemia do v&iacute;rus zika sem colocar as mulheres no centro da preocupa&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de sa&uacute;de. &Eacute; nelas que se centra o perigo principal da epidemia: a possibilidade de transmiss&atilde;o vertical do v&iacute;rus aos fetos e a s&iacute;ndrome cong&ecirc;nita que causa. A ci&ecirc;ncia vai e deve continuar se movendo para a busca por vacina para o v&iacute;rus, ou por uma tentativa de encontrar novas formas de eliminar o mosquito. O que n&atilde;o est&aacute; acontecendo, e de que as mulheres precisam neste exato momento para prote&ccedil;&atilde;o de seus direitos, &eacute; que se levem a s&eacute;rio suas necessidades em sa&uacute;de reprodutiva: com garantia de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, a contraceptivos e inclusive ao aborto legal e seguro para aquelas que desejarem. Isso &eacute; urgente.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Quais as diferen&ccedil;as e especificidades da a&ccedil;&atilde;o judicial que se pretende levar ao STF e a ADPF 54, atrav&eacute;s da qual o Supremo autorizou a interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez de fetos anenc&eacute;falos em 2012?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Em primeiro lugar, &eacute; importante notar que essa n&atilde;o &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o apenas sobre aborto como tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o para autorizar o aborto em caso de microcefalia do feto. &Eacute; uma a&ccedil;&atilde;o ampla de garantia de direitos diante da epidemia. Por isso, a a&ccedil;&atilde;o pede que se garanta amplo e irrestrito acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres em idade reprodutiva, sobre a epidemia em curso e os riscos a seus planos reprodutivos. Isso inclui garantia de acesso a pol&iacute;ticas e m&eacute;todos de planejamento familiar, para aquelas que queiram ou n&atilde;o queiram engravidar. Para aquelas j&aacute; gr&aacute;vidas, que sejam diagnosticadas com a infec&ccedil;&atilde;o por zika e que estejam em intenso sofrimento diante das incertezas da epidemia, que seja garantido o acesso &agrave; interrup&ccedil;&atilde;o legal da gesta&ccedil;&atilde;o, se for o seu desejo. Para aquelas que n&atilde;o desejarem interromper a gesta&ccedil;&atilde;o, ou que j&aacute; t&ecirc;m filhos afetados pela epidemia, pedimos garantia de acesso a servi&ccedil;os de sa&uacute;de pr&oacute;ximos a seu domic&iacute;lio e acesso ao benef&iacute;cio de transfer&ecirc;ncia de renda da assist&ecirc;ncia social, para garantir condi&ccedil;&otilde;es materiais de cuidado. Ou seja, &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o para ampla prote&ccedil;&atilde;o de mulheres e crian&ccedil;as.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">No caso do pedido de interrup&ccedil;&atilde;o da gesta&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel ver que ele n&atilde;o se justifica por qualquer diagn&oacute;stico sobre o feto, diferente do que foi a anencefalia, que tinha um argumento importante na impossibilidade de vida extra-uterina. Aqui, n&oacute;s estamos falando sobre mulheres que estejam em intenso e injusto sofrimento mental provocado pela epidemia.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O desafio que enfrentamos aqui &eacute; poder sustentar o direito &agrave; interrup&ccedil;&atilde;o da gesta&ccedil;&atilde;o como prote&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de da mulher. &Eacute; sobre isso que se trata, sem qualquer pergunta sobre singularidades neurol&oacute;gicas do feto. O argumento da prote&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de da mulher tamb&eacute;m esteve presente na ADPF 54, com a diferen&ccedil;a de que havia um facilitador na conversa: o fato de que o feto n&atilde;o sobreviveria, o que acalma paix&otilde;es morais em torno do tema. Por isso, &eacute; agora um debate mais dif&iacute;cil, mas esperamos que o Supremo Tribunal Federal possa compreender a urg&ecirc;ncia e import&acirc;ncia de proteger direitos diante da epidemia.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Outras doen&ccedil;as infecciosas tamb&eacute;m podem causar &oacute;bito ou malforma&ccedil;&otilde;es fetais, como a s&iacute;filis (ainda fora de controle nas Am&eacute;ricas, exceto em Cuba), encontrando tamb&eacute;m dificuldades no tratamento e diagn&oacute;stico. Qual o peso dos argumentos da a&ccedil;&atilde;o legal com foco na infec&ccedil;&atilde;o por Zika?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A quest&atilde;o agora &eacute; justamente que estamos enfrentando uma epidemia sem precedentes, a epidemia causada por um v&iacute;rus transmitido n&atilde;o s&oacute; por um vetor que pode voar, como tamb&eacute;m pela via sexual. Ou seja, um v&iacute;rus com uma capacidade alta de dispers&atilde;o, que &eacute; transmitido verticalmente, portanto tem efeitos no processo reprodutivo e causa a grave s&iacute;ndrome neurol&oacute;gica em fetos. &Eacute; a gravidade e a urg&ecirc;ncia de uma epidemia neste momento incontrol&aacute;vel que imp&otilde;e a reflex&atilde;o sobre direitos reprodutivos. Diante desse cen&aacute;rio, a expectativa &eacute; que possa gerar a mesma preocupa&ccedil;&atilde;o que um dia levou a <a href=\"http:\/\/www.revistahcsm.coc.fiocruz.br\/epidemia-de-zika-remete-a-rubeola-e-a-discussao-sobre-aborto-como-ato-medico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rub&eacute;ola<\/a> a mudar as leis de aborto em pa&iacute;ses da Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Haja vista que o alerta para o surto de microcefalia, o lan&ccedil;amento das primeiras hip&oacute;teses causais e a mobiliza&ccedil;&atilde;o das autoridades sanit&aacute;rias &#8211; inicialmente em Pernambuco &#8211; foram pautados pelo olhar acurado de m&eacute;dicas de uma maternidade em Campina Grande. Como pensar, atrav&eacute;s dos problemas levantados pela epidemia de Zika, as rela&ccedil;&otilde;es entre g&ecirc;nero e ci&ecirc;ncia?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&Eacute; muito interessante o protagonismo das m&eacute;dicas tanto na identifica&ccedil;&atilde;o da infec&ccedil;&atilde;o pelo zika e suas consequ&ecirc;ncias como no cuidado a longo prazo dessas mulheres e crian&ccedil;as. S&atilde;o elas que est&atilde;o na linha de frente do enfrentamento &agrave; epidemia. Mas junto a elas h&aacute; tamb&eacute;m as cientistas da vida comum, as m&atilde;es dos beb&ecirc;s afetados pelo zika. S&atilde;o elas que est&atilde;o descobrindo, no dia a dia, aquilo que a ci&ecirc;ncia ainda n&atilde;o pode prever sobre os efeitos que o v&iacute;rus tem no desenvolvimento das crian&ccedil;as. As doutoras da assist&ecirc;ncia v&atilde;o observando, analisando e aprendendo junto: s&atilde;o m&eacute;dicas e mulheres comuns fazendo ci&ecirc;ncia na epidemia.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Las respuestas a la emergencia del Zika en las Am\u00e9ricas dejan que desear, en especial en la protecci\u00f3n de las mujeres durante la gestaci\u00f3n y postparto. 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