{"id":1070,"date":"2017-02-10T00:00:00","date_gmt":"2017-02-10T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2017\/02\/10\/placeres-cuidados-y-derechos\/"},"modified":"2017-02-10T00:00:00","modified_gmt":"2017-02-10T02:00:00","slug":"placeres-cuidados-y-derechos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/placeres-cuidados-y-derechos\/1070\/","title":{"rendered":"Placeres, cuidados y derechos"},"content":{"rendered":"<p> \tNo VII Congresso Brasileiro de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas em Sa&uacute;de (organizado pela ABRASCO), a mesa-redonda &ldquo;Corpos, Prazeres e Paix&otilde;es: cuidado em sa&uacute;de em foco&rdquo; (t&iacute;tulo em alus&atilde;o ao conhecido livro do antrop&oacute;logo Richard Parker sobre sexualidade no Brasil) discutiu como as rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero, idade e gera&ccedil;&atilde;o, os processos de estigmatiza&ccedil;&atilde;o, a produ&ccedil;&atilde;o de estilos corporais e de novas tecnologias, bem como as emocionais que d&atilde;o sentido a uma doen&ccedil;a, podem ajudar a pensar em formas mais eficientes, eficazes e humanizadas de promo&ccedil;&atilde;o do cuidado em sa&uacute;de. Participaram da mesa, coordenada por Lu&iacute;s Felipe Rios, Vera Paiva, Lore Fortes e Carlos Guilherme do Valle. A mesa redonda foi fruto da parceria entre o Grupo Tem&aacute;tico &ldquo;Pol&iacute;ticas, Subjetividades e DST\/HIV\/AIDS&rdquo;, coordenado por Ivia Maksud (Fiocruz), Lu&iacute;s Felipe Rios (UFPE) e Claudia Mora (UERJ), e o grupo &ldquo;Pol&iacute;ticas do corpo e do cuidado: corporeidade, diversidade sociocultural e as pr&aacute;ticas de sa&uacute;de&rdquo;, coordenado por Edemilson Antunes de Campos (USP), Maria Marce Moliani (UEPG) e Lore Fortes (UFRN). Transcrevemos, nesta mat&eacute;ria, trechos das discuss&otilde;es.<\/p>\n<p> \t<i><b>Zika e os corpos das mulheres<\/b><\/i><\/p>\n<p> \tCom rela&ccedil;&atilde;o &agrave; epidemia de Zika, a pesquisadora Lore Fortes iniciou sua exposi&ccedil;&atilde;o reportando-se &agrave;s recomenda&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de p&uacute;blica emitidas por governos e ag&ecirc;ncias internacionais, consideradas por ela como deficientes e parciais, por dirigirem-se somente &agrave;s mulheres. &ldquo;Como se estas fossem as &uacute;nicas respons&aacute;veis pela reprodu&ccedil;&atilde;o. A responsabilidade pelo cuidado sempre recai sobre o corpo da mulher&rdquo;, afirmou a pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p> \t&ldquo;Apesar da Zika atingir homens e mulheres, as pol&iacute;ticas governamentais t&ecirc;m sido mais dirigidas &agrave;s mulheres. Organismos internacionais, como a OMS e a Organiza&ccedil;&atilde;o Panamericanana de Sa&uacute;de, fizeram recomenda&ccedil;&otilde;es para deter o avan&ccedil;o da enfermidade e limitar as complica&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de em decorr&ecirc;ncia do v&iacute;rus, enquanto alguns governos latino-americanos solicitaram &agrave;s mulheres que n&atilde;o engravidassem e n&atilde;o tivessem filhos at&eacute; segunda ordem. Vejo outros atores diretamente envolvidos, como os infectologistas, que t&ecirc;m dito em palestras que as mulheres n&atilde;o deveriam ter filhos por cinco anos, at&eacute; que tenhamos o controle da epidemia. Na verdade a gente sabe que, na pr&aacute;tica, as coisas n&atilde;o funcionam dessa forma&rdquo;, complementou.<\/p>\n<p> \tLore Fortes lembrou como, no &acirc;mbito da epidemia da Zika, a cr&iacute;tica feminista tem se direcionado a estrat&eacute;gias de sa&uacute;de que n&atilde;o consideram os direitos sexuais e reprodutivos. Em recente mat&eacute;ria publicada no site do CLAM, a antrop&oacute;loga Cl&aacute;udia Rivera Amarillo afirmou que a epidemia de Zika tem colocado os corpos das mulheres em pr&aacute;ticas de vigil&acirc;ncia, e como a doen&ccedil;a p&ocirc;s em relevo determinados marcadores de diferen&ccedil;a.<\/p>\n<p> \t&ldquo;Na Col&ocirc;mbia, a epidemia irrompeu com mais for&ccedil;a nas regi&otilde;es quentes &ndash; onde h&aacute; uma maior concentra&ccedil;&atilde;o de pessoas negras e mesti&ccedil;as &ndash; do que nas regi&otilde;es frias &ndash; de concentra&ccedil;&atilde;o maior de brancos. Isso acontece na Col&ocirc;mbia e de alguma forma podemos considerar no Brasil tamb&eacute;m. Sabemos que, no caso brasileiro, a concentra&ccedil;&atilde;o maior &eacute; na regi&atilde;o nordeste, e sabemos que l&aacute; &eacute; mais fortemente caracterizado racialmente por uma predomin&acirc;ncia negra ou mesti&ccedil;a. A cr&iacute;tica feminista &eacute; que as mulheres infectadas s&atilde;o estigmatizadas dentro de uma vis&atilde;o preconceituosa e de pol&iacute;ticas fundamentadas na racializa&ccedil;&atilde;o dos corpos. E esse imagin&aacute;rio tamb&eacute;m est&aacute; presente nas pessoas que est&atilde;o atendendo e recebendo as infectadas nos hospitais. Existe essa discrimina&ccedil;&atilde;o nas pr&aacute;ticas de m&eacute;dicos e funcion&aacute;rios do sistema de sa&uacute;de&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p> \t<i><b>Aids e juventude<\/b><\/i><\/p>\n<p> \tAludindo ao tema da mesa, Vera Paiva lembrou que os corpos, prazeres e paix&otilde;es s&atilde;o atravessados por marcadores da desigualdade, como a cor da pele ou o g&ecirc;nero. &ldquo;Porque a experi&ecirc;ncia da doen&ccedil;a n&atilde;o &eacute; igual para negros e brancos, n&atilde;o &eacute; igual para homens e mulheres ou para as diversas identidades de g&ecirc;nero que se tornaram vis&iacute;veis nos &uacute;ltimos 20 anos. A orienta&ccedil;&atilde;o sexual certamente &eacute; outro marcador, mas a idade &eacute; um marcador central e muito relevante para pensarmos as pol&iacute;ticas para os corpos, prazeres e paix&otilde;es dos jovens&rdquo;.<\/p>\n<p> \tA pesquisadora lembrou como os jovens s&atilde;o hipersexualizados tanto pela m&iacute;dia televisiva quanto pela internet, atrav&eacute;s de redes sociais e plataformas de compartilhamento.<\/p>\n<p> \t&ldquo;Se conversarmos com os jovens e perguntarmos de onde vem a socializa&ccedil;&atilde;o para o sexo deles hoje em dia, saberemos que aos 11 anos eles est&atilde;o recebendo pornografia extremamente violenta e sexista via whatsapp, televis&atilde;o e internet. O que mudou, com rela&ccedil;&atilde;o h&aacute; 20 anos atr&aacute;s, &eacute; que hoje n&oacute;s n&atilde;o debatemos com os jovens os temas relativos ao sexo como fizemos nos anos 90, e n&atilde;o os inclu&iacute;mos no debate sobre preven&ccedil;&atilde;o &agrave; gravidez ou a DSTs nas escolas. Isso foi massivo naquela &eacute;poca e eu atribuo o controle da epidemia da AIDS, em parte, ao que fizemos para proteger uma gera&ccedil;&atilde;o, com base na discuss&atilde;o sobre preven&ccedil;&atilde;o feita nas escolas. &Eacute; dif&iacute;cil mensurar, mas eu tenho certeza que foi a partir do momento que deixamos de discutir isso com os jovens &eacute; que come&ccedil;amos a presenciar o aumento de casos da doen&ccedil;a. Quando, a partir da metade dos anos 2000, come&ccedil;a a persegui&ccedil;&atilde;o daquilo que n&oacute;s faz&iacute;amos &ndash; ou seja, fazer da escola um local de reflex&atilde;o cr&iacute;tica para permitir com que os jovens crescessem bem informados, sujeitos do controle do seu corpo e da sua preven&ccedil;&atilde;o &ndash; os dados de gravidez na adolesc&ecirc;ncia e de todas as epidemias, como a do HIV, come&ccedil;aram a crescer&rdquo;.<\/p>\n<p> \tSegundo Vera Paiva, h&aacute;, de um lado, uma hipersexualiza&ccedil;&atilde;o e um discurso sobre o sexo que fala de uma adolesc&ecirc;ncia universal, controlada por horm&ocirc;nios e que n&atilde;o serve para discutir sexo, acirrada pela entrada de uma pol&iacute;tica de preven&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o interpela a oposi&ccedil;&atilde;o fundamentalista e religiosa, n&atilde;o confronta e n&atilde;o faz o debate p&uacute;blico sobre direitos.<\/p>\n<p> \t&ldquo;Meninos e meninas evang&eacute;licos no interior do Brasil e em &aacute;reas metropolitanas come&ccedil;am a vida sexual exatamente igual aos n&atilde;o-evang&eacute;licos. Religi&atilde;o n&atilde;o faz a menor diferen&ccedil;a para como e quando jovens iniciam a vida sexual, a &uacute;nica diferen&ccedil;a &eacute; o fato de os jovens evang&eacute;licos usarem menos camisinha na primeira rela&ccedil;&atilde;o sexual. Mas eles come&ccedil;am a vida sexual aos 14 anos como todo o resto das brasileiras e dos brasileiros&quot; explicou a especialista. Para Vera, existe &quot;uma crescente hipocrisia para falar sobre o sexo da juventude. E &eacute; nesta brecha que temos que entrar para continuar resistindo e protegendo os jovens da Zika, porque esta &eacute; tamb&eacute;m uma doen&ccedil;a sexualmente transmiss&iacute;vel. &Eacute; uma ambiguidade a brecha por onde a nossa a&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito da sa&uacute;de coletiva tem que entrar. Este problema n&atilde;o &eacute; brasileiro. Tenho ido a confer&ecirc;ncias internacionais sobre AIDS, ent&atilde;o eu conhe&ccedil;o bem o que se discute internacionalmente. A juventude &ndash; particularmente abaixo de 19 anos &ndash; est&aacute; no limbo quando pensamos direitos humanos. N&atilde;o h&aacute; universalmente consenso para pensar os adolescentes como sujeitos de direitos. Est&aacute; claro que h&aacute; um crescimento brutal da epidemia de AIDS entre os jovens e altas taxas de mortalidade. Paralelo a isso, esta &eacute; uma epidemia de p&eacute;ssimas leis no mundo inteiro, de criminaliza&ccedil;&atilde;o da sexualidade e da soropositividade, e isso n&atilde;o &eacute; s&oacute; no Brasil. O contexto mundial &eacute; de <i>backlash<\/i>, de rea&ccedil;&atilde;o &agrave;s nossas conquistas dos anos 90, inclusive para as mulheres e para juventude.&quot;<\/p>\n<p> \tDe acordo com as &uacute;ltimas estat&iacute;sticas, adolescentes s&atilde;o os que mais se infectam e morrem de Aids no mundo, e em 2016, o segmento virou popula&ccedil;&atilde;o-chave. &ldquo;Se de um lado o discurso cient&iacute;fico hipersexualiza o adolescente, o discurso religioso e educacional hiper controla qualquer a&ccedil;&atilde;o formal de inclus&atilde;o e de conversa com eles como sujeitos de direitos&quot;, pontuou Paiva, para quem &eacute; necess&aacute;rio &quot;superar esse limbo&quot;. A professora da Universidade de S&atilde;o Paulo alerta sobre que j&aacute; &quot;n&atilde;o se fala de testes para adolescentes, n&atilde;o conseguimos falar de camisinha. Como n&atilde;o se fala de testes, como &eacute; que os jovens podem descobrir precocemente que est&atilde;o soropositivos e, portanto, se beneficiarem da terapia que temos para controlar o HIV? O que assistimos no Hospital de Cl&iacute;nicas de S&atilde;o Paulo pode-se assistir no mundo inteiro: jovem infectado chegando sem condi&ccedil;&otilde;es de reverter ou se beneficiar com a medica&ccedil;&atilde;o existente no Brasil. N&atilde;o d&aacute; tempo de salv&aacute;-lo com a medica&ccedil;&atilde;o gratuita dispon&iacute;vel no Brasil. Sabemos que 6% ou 7% dos jovens homossexuais em S&atilde;o Paulo est&atilde;o infectados antes dos 19 anos. Estou chamando aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia da linguagem de direitos e como ter&iacute;amos que repensar e defender todo o debate sobre direito dos jovens em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de, &agrave; sexualidade, &agrave; educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p> \tVera Paiva chamou aten&ccedil;&atilde;o para como a testagem tem sido negligenciada e n&atilde;o incorporada na pedagogia da preven&ccedil;&atilde;o, em um contexto de aumento da infec&ccedil;&atilde;o e da mortalidade entre os jovens.<\/p>\n<p> \t&ldquo;Historicamente, se olharmos o roteiro de oficina de sexo seguro e o roteiro de trabalho com juventude na aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, a testagem n&atilde;o aparecia como mediador importante quando existe o recurso de tratar. &Eacute; preciso chamar a aten&ccedil;&atilde;o para os diferentes obst&aacute;culos no campo dos direitos para oferecer testagem para o jovem nos servi&ccedil;os, do modo como deveria ser. Nesse momento de backlash, de resist&ecirc;ncia, de rea&ccedil;&atilde;o &agrave;s conquistas que tivemos, n&atilde;o podemos perder de vista o que aprendemos nos anos 90. Precisamos entrar no debate de proteger as crian&ccedil;as e os jovens em particular. Os resultados das perguntas que fazemos em sala de aula com jovens mostram que a preval&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia durante o sexo &eacute; enorme e quanto a isso n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;a entre religi&otilde;es, entre evang&eacute;licos e cat&oacute;licos. Ent&atilde;o, devemos ter em mente a preocupa&ccedil;&atilde;o com a infec&ccedil;&atilde;o pela viol&ecirc;ncia. Agora, a Zika nos d&aacute; novamente a oportunidade para entrarmos nas escolas e fazermos educa&ccedil;&atilde;o sexual, pedagogia de preven&ccedil;&atilde;o, fazermos campanhas. Estou apenas levantando o que a estrat&eacute;gia do direito &agrave; sa&uacute;de historicamente tem nos dado, que &eacute; o que nos ajudou nessa dire&ccedil;&atilde;o e acho que devemos usar de novo: o direito &agrave; prote&ccedil;&atilde;o desses jovens nas escolas&rdquo;, finalizou Vera Paiva.<\/p>\n<p> \t<b><i>Os novos desafios da Aids<\/i><\/b><\/p>\n<p> \tCarlos Guilherme do Valle (professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte) trouxe antecedentes para refletir acerca de dois dos atuais desafios da epidemia de Aids no plano dos direitos humanos: a criminaliza&ccedil;&atilde;o da transmiss&atilde;o do HIV e as novas tecnologias de preven&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tAtrav&eacute;s do balan&ccedil;o da historia social da Aids, o antrop&oacute;logo iniciou sua exposi&ccedil;&atilde;o apontando como na d&eacute;cada de 1970 os &ldquo;novos movimentos sociais&rdquo; &#8212; como paradoxalmente se tem convencionado denominar h&aacute; mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas, segundo ele &#8212; se constitu&iacute;ram em torno de quest&otilde;es de ra&ccedil;a, sexualidade, bem como em fun&ccedil;&atilde;o de diferentes patologias. Na conjuntura de emerg&ecirc;ncia dessas organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e movimentos sociais, a resposta da sociedade civil &agrave; Aids foi se esbo&ccedil;ando at&eacute; a conforma&ccedil;&atilde;o das ONGs Aids. Convergentes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s lutas pelos direitos humanos e uma agenda baseada em objetivos pol&iacute;ticos-administrativos e legais, estas organiza&ccedil;&otilde;es &ldquo;buscavam garantir ao mesmo tempo os direitos humanos e direitos espec&iacute;ficos, inclusive de sa&uacute;de e sexualidade&rdquo;.<\/p>\n<p> \t&ldquo;O mais agravante no caso da Aids, mas tamb&eacute;m de outras epidemias e problemas de sa&uacute;de p&uacute;blica, &eacute; que ela surge como um dilema sociocultural, epidemiol&oacute;gico, em certos contextos altamente midiatizados. Pode ser entendido como um &ldquo;evento critico&rdquo;, segundo o olhar da antrop&oacute;loga Veena Das; isto &eacute;, do dom&iacute;nio dos imagin&aacute;rios pol&iacute;ticos e sociais locais mudando profundamente as vidas das pessoas que s&atilde;o tomadas por esses imagin&aacute;rios. Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa foram decisivos para a constru&ccedil;&atilde;o da Aids como estigma, ou seja, como fen&ocirc;meno cultural de forte dimens&atilde;o moral, especialmente significados negativos sobre sexualidade e estilo de vida espec&iacute;ficos associados como a ideia de promiscuidade.&rdquo; Em seguida, Carlos Guilherme frisou no alcance do p&acirc;nico moral e sexual, de car&aacute;ter acusat&oacute;rio, recaia especialmente sobre as homossexualidades, somado &agrave; posterior difus&atilde;o da categoria &ldquo;aid&eacute;tico&rdquo;, que diz respeito a uma &ldquo;identidade estigmatizada de uma pessoa desacreditada pelo estigma da morte e da doen&ccedil;a&rdquo;.<\/p>\n<p> \tNo que se refere &agrave; observa&ccedil;&atilde;o de alguns paralelos relativos &agrave; emerg&ecirc;ncia das epidemias de Aids e Zika, o antrop&oacute;logo sinalizou a forma como o contexto brasileiro atual, bem como no inicio da d&eacute;cada de 1980, podem ser definidos como momentos de crise econ&ocirc;mica, social e moral, onde tamb&eacute;m &eacute; vocalizado um &ldquo;caos na sa&uacute;de p&uacute;blica&rdquo;.<\/p>\n<p> \tEm seguida, Carlos apontou como as pol&iacute;ticas da identidade e da solidariedade resultam na configura&ccedil;&atilde;o de ideias, discursos e pr&aacute;ticas associados aos sujeitos coletivos, elencando categorias como a de &ldquo;sujeitos de direitos&rdquo;. Neste per&iacute;odo do ativismo de reivindica&ccedil;&atilde;o de direitos humanos e direitos espec&iacute;ficos, os movimentos sociais passam a caminhar em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s lutas pelo reconhecimento, ou seja, a lutar pela legitimidade de certas demandas de coletividades socialmente estigmatizadas e que sofrem desigualdades sociais. &ldquo;Nesse caso, os direitos espec&iacute;ficos sinalizam para o imperativo da garantia de plena cidadania&rdquo;.<\/p>\n<p> \tA partir de meados da d&eacute;cada de 1990, as rela&ccedil;&otilde;es entre Estado e sociedade civil podem ser compreendidas como um plano de &ldquo;interrela&ccedil;&otilde;es, interdeped&ecirc;ncias e tens&otilde;es&rdquo;, o que ajuda a explicar a coexist&ecirc;ncia de categorias e ideias como a de &ldquo;parceria&rdquo; e &ldquo;inclus&atilde;o social&rdquo;. Cunhado pelo antrop&oacute;logo Jo&atilde;o Biehl como per&iacute;odo do Estado-ativista (vigente ate hoje em dia), o palestrante apontou que &ldquo;talvez esse novo foco signifique que as ONGs tenham tido que lidar com um olhar menos rom&acirc;ntico e idealizado das rela&ccedil;&otilde;es entre movimentos sociais e Estado, e com as discrep&acirc;ncias entre discursos e pr&aacute;ticas dos ativistas em rela&ccedil;&atilde;o aos grupos de pessoas com os quais pretendem se aproximar e defender. Enfim, as ONGs, inclusive as que atuam na esfera da sa&uacute;de, n&atilde;o podem estar desassociadas do campo de lutas pol&iacute;ticas que est&atilde;o atravessadas pelas din&acirc;micas e rela&ccedil;&otilde;es de poder&rdquo;.<\/p>\n<p> \t&ldquo;Na virada do s&eacute;culo o modelo brasileiro de enfrentamento, interven&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o da Aids alcan&ccedil;ou um patamar bem sucedido de respostas politico-administrativas e de sa&uacute;de p&uacute;blica, considerado exemplar pela Unaids. Contudo, o ativismo biossocial da Aids tem mantido uma posi&ccedil;&atilde;o de reserva e at&eacute; de confronto diante dos desdobramentos da pol&iacute;tica governamental frente &agrave; epidemia. A partir do fim do acordo do Banco Mundial com o Brasil, o movimento social de Aids passou a enfrentar ainda mais um per&iacute;odo de refluxo e enfraquecimento pol&iacute;tico-institucional: ONGs pararam de funcionar por falta de recursos, muitas endividadas, al&eacute;m do esvaziamento em termo do pessoal de volunt&aacute;rios e profissionais (&#8230;) Varias ONGs-Aids resistiram a esse per&iacute;odo de refluxo, e o investimento pol&iacute;tico-ideol&oacute;gico se via amea&ccedil;ado. Uma nova reorienta&ccedil;&atilde;o da agenda pol&iacute;tica tamb&eacute;m ocorreu.&rdquo;<\/p>\n<p> \tFinalizando sua exposi&ccedil;&atilde;o, duas importantes quest&otilde;es foram salientadas pelo antrop&oacute;logo: a criminaliza&ccedil;&atilde;o da transmiss&atilde;o do HIV e as novas tecnologias de preven&ccedil;&atilde;o. Desde 1990 at&eacute; recentemente, a criminaliza&ccedil;&atilde;o da transmiss&atilde;o do HIV era uma quest&atilde;o pouco discutida, mas na ultima d&eacute;cada o movimento de Aids come&ccedil;ou a observar um aumento nos processos judiciais, e adicionalmente a criminaliza&ccedil;&atilde;o ganhou for&ccedil;a quando a imprensa noticiou em 2015 o &ldquo;clube do carimbo&rdquo; [<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/busca\/conteudo.asp?cod=1209\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia mat&eacute;ria publicada aqui<\/a>].&nbsp;<\/p>\n<p> \tDe acordo com o pesquisador, o que est&aacute; em quest&atilde;o &eacute; o que &eacute; chamado de segredo de justi&ccedil;a, pois &ldquo;n&atilde;o ha um artigo espec&iacute;fico no c&oacute;digo penal para infec&ccedil;&atilde;o do HIV. Assim os casos de condena&ccedil;&atilde;o s&atilde;o amparados em artigos variados do c&oacute;digo penal, valendo-se de leis especificas. Mas alguns projetos de lei v&ecirc;m sendo formulados para regularizar a criminaliza&ccedil;&atilde;o da transmiss&atilde;o do HIV&rdquo;. De fato, o PL 198 de 2015, que prop&otilde;e a transmiss&atilde;o como crime hediondo, gerou a rea&ccedil;&atilde;o do Departamento de Vigil&acirc;ncia, Preven&ccedil;&atilde;o e Controle das Infec&ccedil;&otilde;es Sexualmente Transmiss&iacute;veis, do HIV\/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, que atentou para o poss&iacute;vel retrocesso na politica nacional de enfrentamento da Aids. Da mesma forma, a Unaids tamb&eacute;m se manifestou contraria a legisla&ccedil;&otilde;es similares.<\/p>\n<p> \t&ldquo;Para o ativismo de Aids trata-se, sobretudo, de uma quest&atilde;o de direitos humanos, sa&uacute;de e cidadania. Isto envolveria assim a quest&atilde;o da preven&ccedil;&atilde;o e dos tratamentos anti HIV, por um lado, mas ainda a discuss&atilde;o do estigma e da discrimina&ccedil;&atilde;o das pessoas com HIV e Aids, que podem ser identificadas como portadores de HIV e Aids. O projeto de lei que quer transformar a transmiss&atilde;o do HIV em crime hediondo foi considerado pelo ativismo biossocial um atentado a toda a mobiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica alcan&ccedil;ada at&eacute; hoje, um retrocesso de car&aacute;ter moral e societ&aacute;rio pautado na dissemina&ccedil;&atilde;o do medo e do p&acirc;nico moral, ao estimular o estigma e a discrimina&ccedil;&atilde;o das pessoas vivendo com Aids&rdquo;, afirmou Carlos Guilherme. Al&eacute;m disso, o antrop&oacute;logo pontuou que, para os ativistas, &eacute; fundamental que seja considerada a complexidade da &ldquo;vida privada, da intimidade e das din&acirc;micas da sexualidade&rdquo;, o que remete novamente ao plano do direito &agrave; intimidade e aos direitos sexuais.<\/p>\n<p> \tSobre a regulamenta&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o das novas tecnologias de preven&ccedil;&atilde;o, especificamente a Profilaxia Pr&eacute; Exposi&ccedil;&atilde;o, em pesquisa de campo etnogr&aacute;fica na ultima Confer&ecirc;ncia Brasileira de DST-Aids e hepatites virais, Carlos Guilherme observou como todos os estudos focados na efic&aacute;cia da PreP (Iprex, Hipergay etc.) foram citados como exemplares, inspirando as pesquisas realizadas no pa&iacute;s. O foco do evento foi principalmente a &ldquo;efic&aacute;cia e bons resultados&rdquo; somado ao otimismo perante tais tecnologias, enquanto seus significados sociais e potenciais pr&aacute;ticas sociais relacionadas a elas n&atilde;o foram objeto de discuss&atilde;o. Logo, o pesquisador questionou:&ldquo;Em que medida a PreP ser&aacute; apropriada em termos culturais e sociais, al&eacute;m de seu sucesso e efic&aacute;cia? Como a sexualidade ser&aacute; vivida e refeita? Em que medida as rela&ccedil;&otilde;es de poder implicam os usos das tecnologias biom&eacute;dicas? Al&eacute;m disso, os discursos parecem n&atilde;o tomar as contradi&ccedil;&otilde;es e ambival&ecirc;ncias que podem aparecer no plano da intimidade, da estigmatiza&ccedil;&atilde;o e das diferen&ccedil;as societ&aacute;rias, sorol&oacute;gicas. Ou seja, o uso das identidades&rdquo;.<\/p>\n<p> \t&ldquo;A coexist&ecirc;ncia desses dois temas &#8212; a criminaliza&ccedil;&atilde;o da transmiss&atilde;o do HIV e os estudos para a regulariza&ccedil;&atilde;o da PreP &#8212; n&atilde;o s&atilde;o mera coincid&ecirc;ncia, pois elas trazem exatamente quest&otilde;es de moralidades e da garantia dos direitos humanos, quest&otilde;es caras aos ativistas e &agrave;s pessoas em geral. Para o antrop&oacute;logo, &eacute; preciso abordar de modo mais complexo os processos de sa&uacute;de\/doen&ccedil;a &quot;para al&eacute;m de um modelo que reforce esse vi&eacute;s biom&eacute;dico&rdquo;, finalizou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuevas grandes epidemias como el VIH\/Sida y el Zika contin\u00faan desafiando a cient\u00edficos, gestores y movimientos sociales. 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