{"id":1074,"date":"2017-06-28T00:00:00","date_gmt":"2017-06-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2017\/06\/28\/precisamos-hablar-sobre-esto\/"},"modified":"2017-06-28T00:00:00","modified_gmt":"2017-06-28T03:00:00","slug":"precisamos-hablar-sobre-esto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/precisamos-hablar-sobre-esto\/1074\/","title":{"rendered":"PRECISAMOS HABLAR SOBRE ESTO"},"content":{"rendered":"<p dir=\"rtl\" style=\"text-align: justify;\"> \t*Por Jane Russo e S&eacute;rgio Carrara<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tNo dia 2 de junho de 2017, atrav&eacute;s da realiza&ccedil;&atilde;o do evento&nbsp;<em>Mobilidades e prostitui&ccedil;&atilde;o: entre mitos e direitos<\/em>, comemorou-se no audit&oacute;rio do IMS o&nbsp;<em>Puta Dei<\/em>. O dia lembra o momento, em 1975, quando 150 prostitutas ocuparam a Igreja Saint-Nizier, na cidade de Lyon-Fran&ccedil;a, em protesto perante a discrimina&ccedil;&atilde;o e viol&ecirc;ncia de Estado. Em reconhecimento &agrave; sua luta e coragem, esse dia foi declarado pelo movimento organizado de trabalhadorxs sexuais como Dia Internacional da Prostituta e vem sendo celebrado anualmente desde 1976. Em 2012, a express&atilde;o&nbsp;<em>PutaDei&nbsp;<\/em>para se referir &agrave; data foi cunhada no Brasil por iniciativa da organiza&ccedil;&atilde;o de prostitutas GEMPAC (Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado de Par&aacute;).<\/p>\n<p> \tNo IMS o evento foi realizado no &acirc;mbito da disciplina&nbsp;<em>Migra&ccedil;&atilde;o, G&ecirc;nero e Sa&uacute;de<\/em>&nbsp;e inclu&iacute;do entre as atividades do movimento&nbsp;<em>Uerj Resiste<\/em>. O car&aacute;ter simultaneamente acad&ecirc;mico e pol&iacute;tico do encontro espelhou-se na composi&ccedil;&atilde;o da mesa de debates, que congregou pesquisadores do tema e ativistas do movimento de prostitutas. Al&eacute;m disso, ao final aconteceu a performance art&iacute;stico-pol&iacute;tica de Tertuliana Lustosa, mulher trans e aluna do Instituto de Artes da UERJ.<\/p>\n<p> \tDepois de advertir &agrave; plateia que a apresenta&ccedil;&atilde;o incluiria cenas de nudez e obtendo seu assentimento para realiz&aacute;-la, Tertuliana despiu-se e passou a retirar de um envelope in&uacute;meros documentos &#8211; registro de nascimento, laudos m&eacute;dico-psiqui&aacute;tricos, testes hormonais, decis&otilde;es judiciais etc. &ndash; que, ao longo dos anos, haviam sido produzidos sobre si e sobre seu corpo. Como barreiras simb&oacute;licas, os documentos que exibia pontuavam o &aacute;rduo caminho que vinha trilhando na busca por direitos fundamentais &ndash; &agrave; vida, &agrave; dignidade e, sobretudo, &agrave; auto-determina&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero. &nbsp;Em geral, as mesmas barreiras marcam a vida de todas as travestis, mulheres (e homens) transexuais brasileiras, empenhadas individual e coletivamente nessa luta. E, como se sabe, para muitas delas a prostitui&ccedil;&atilde;o &eacute; importante fonte de renda e de sobreviv&ecirc;ncia.<\/p>\n<p> \tA prostitui&ccedil;&atilde;o &eacute; tema pol&ecirc;mico e, desde a publica&ccedil;&atilde;o do livro do m&eacute;dico franc&ecirc;s Parent-Duchatelet &#8211;&nbsp;<em>La prostitution dans la ville de Paris&nbsp;<\/em>&#8211; em 1836, vem sendo objeto de intensa discuss&atilde;o nos campos da sa&uacute;de p&uacute;blica, da higiene e da medicina social. Por mais de um s&eacute;culo, corpos de prostitutas foram assediados e esquadrinhados por uma ci&ecirc;ncia que buscava estabelecer as causas determinantes de uma atividade considerada como manifesta&ccedil;&atilde;o da imoralidade e do desvio sexual. Nessa dire&ccedil;&atilde;o, &eacute; exemplar a obra do m&eacute;dico e antrop&oacute;logo criminal italiano Cesare Lombroso,&nbsp;<em>La Donna Delinquente<\/em>, publicado em1893. Nele, Lombroso buscava demonstrar que, no corpo das prostitutas, inscreviam-se os estigmas ou sinais da degenera&ccedil;&atilde;o, do atavismo.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"> \t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<img decoding=\"async\" alt=\"\u201cPhysiognomies of Russian criminals\u201d, Cesare Lombroso, La donna delinquente (1893)\" src=\"\/uploads\/imagem\/ecos.jpg\" style=\"width: 364px; height: 420px;\" \/><\/p>\n<p> \tNo Brasil, desde a segunda metade do s&eacute;culo XIX, os debates entre regulamentaristas e proibicionistas tamb&eacute;m envolveram m&eacute;dicos e juristas. &nbsp;Um pouco mais tarde, a eles se juntariam historiadores, soci&oacute;logos e antrop&oacute;logos. Trata-se, portanto, de assunto de grande import&acirc;ncia no campo das ci&ecirc;ncias humanas e sociais em sa&uacute;de, na medida em que envolve a sexualidade tanto de um ponto de vista sanit&aacute;rio, interessado no controle e preven&ccedil;&atilde;o de ISTs e AIDS, quanto de um ponto de vista sociocultural, voltado a refletir sobre as moralidades vigentes e suas transforma&ccedil;&otilde;es. Finalmente, prostitui&ccedil;&atilde;o e temas correlatos (tr&aacute;fico de pessoas, explora&ccedil;&atilde;o sexual etc.) tornaram-se, no p&oacute;s-segunda guerra, t&oacute;picos incontorn&aacute;veis na reflex&atilde;o sobre os direitos humanos, uma vez que envolvem grupos fortemente estigmatizados (entre os quais, travestis e mulheres transexuais), expostos &agrave;s mais variadas situa&ccedil;&otilde;es de risco, vulner&aacute;veis a todo tipo de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e simb&oacute;lica.<\/p>\n<p> \tA preocupa&ccedil;&atilde;o com a &ldquo;invers&atilde;o sexual&rdquo; &#8211; rubrica sob a qual fen&ocirc;menos como a homossexualidade, a transexualidade e a travestilidade foram compreendidos de finais do s&eacute;culo XIX at&eacute; os anos 1960 &#8211; ocupou igualmente lugar de destaque nas discuss&otilde;es de m&eacute;dicos e juristas. Em geral, os(as) &ldquo;invertidos(as)&rdquo; eram apresentados(as) como &ldquo;aberra&ccedil;&otilde;es&rdquo; a serem explicadas ou, na melhor das hip&oacute;teses, como doentes que deveriam ser quando poss&iacute;vel tratados. Como acontecia com as prostitutas, os corpos de &ldquo;homossexuais&rdquo;, &ldquo;invertidos&rdquo; ou &ldquo;hermafroditas&rdquo; tamb&eacute;m foram examinados, fotografados, manipulados, esquadrinhados e, em livros e aulas, exibidos &agrave; exaust&atilde;o pela ci&ecirc;ncia. Nesse sentido, merece destaque a obra&nbsp;<em>Homossexualismo e Endocrinologia<\/em>, do m&eacute;dico-legista brasileiro Leon&iacute;dio Ribeiro, primeiro diretor do Gabinete de Identifica&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia do Distrito Federal e professor da escola de Direito que, atualmente, faz parte da UERJ. Merecedor do &ldquo;Pr&ecirc;mio Lombroso-1933&rdquo;, o livro exibia os corpos nus de dezenas de homossexuais que, presos por vadiagem na cidade do Rio de Janeiro, foram compulsoriamente examinados por Ribeiro. O m&eacute;dico os expunha aos olhares interessados em descobrir neles aspectos femininos (supostamente produzidos por disfun&ccedil;&otilde;es hormonais). Abaixo, temos alguns exemplos dessas perturbadoras imagens:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"> \t&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"\/uploads\/imagem\/ecos1.jpg\" style=\"width: 212px; height: 302px;\" \/><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"> \t<em>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"\/uploads\/imagem\/ecos2.jpg\" style=\"width: 232px; height: 317px;\" \/>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"> \t<img decoding=\"async\" src=\"\/uploads\/imagem\/ecos3.jpg\" style=\"width: 220px; height: 340px;\" \/><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAs transforma&ccedil;&otilde;es da moralidade no p&oacute;s-guerra inclu&iacute;ram no cerne da luta pol&iacute;tica uma nova classe de direitos: os direitos sexuais e reprodutivos. O g&ecirc;nero e a sexualidade deixaram de ser temas discutidos apenas no gabinete (e laborat&oacute;rio) de cientistas ou em consult&oacute;rios m&eacute;dicos, para ganhar as ruas, os parlamentos, a m&iacute;dia. Os embates com a medicina, a&iacute; inclu&iacute;da a sa&uacute;de p&uacute;blica, foram e s&atilde;o centrais em tais disputas. Disso, testemunham os enfrentamentos de organiza&ccedil;&otilde;es feministas (contra o controle indiscriminado da natalidade, contra o parto medicalizado, contra a farmacologiza&ccedil;&atilde;o da sexualidade), do movimento das prostitutas contra campanhas e pesquisas que as tratam como &ldquo;grupos de risco&rdquo; e\/ou vetores de doen&ccedil;a e de organiza&ccedil;&otilde;es LGBT (contra patologiza&ccedil;&atilde;o da homossexualidade em passado recente e agora contra a patologiza&ccedil;&atilde;o da transexualidade).<\/p>\n<p> \tDe certo modo, toda essa conflituosa hist&oacute;ria estava em jogo na comemora&ccedil;&atilde;o do&nbsp;<em>Puta Dei<\/em>, realizada no audit&oacute;rio do IMS, local de defesas de teses e disserta&ccedil;&otilde;es e, portanto, de consagra&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico. Em cena, o corpo sempre desnudado, examinado, exibido e, por isso mesmo, controlado pela ci&ecirc;ncia tomava a palavra e, em seus pr&oacute;prios termos, interpelava politicamente a institui&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica. Por um instante, seu gesto de profana&ccedil;&atilde;o subverteu os jogos de poder que, no campo cient&iacute;fico, tradicionalmente subjazem ao espet&aacute;culo da exibi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de corpos nus e de suas &ldquo;estranhezas&rdquo;. Seu corpo despojado reivindicava corajosamente uma comum humanidade (afinal, todos nascemos nus&#8230;) e denunciava o papel que a ci&ecirc;ncia desempenhou e continua a desempenhar no secular processo de patologiza&ccedil;&atilde;o, desumaniza&ccedil;&atilde;o e abjec&ccedil;&atilde;o de pessoas cujos corpos e desejos s&atilde;o culturalmente considerados inadequados e indesej&aacute;veis. Finalmente, convidava a plateia de alunos, professores e pesquisadores a sonhar com uma ci&ecirc;ncia outra que, ao inv&eacute;s disso, possa ser instrumento de humaniza&ccedil;&atilde;o, de inclus&atilde;o, de cidadaniza&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &agrave; toa, parece-nos, a performance ocorreu justamente na UERJ e justamente no IMS, lugares em que h&aacute; algumas d&eacute;cadas esse sonho vem sendo sonhado atrav&eacute;s da formula&ccedil;&atilde;o de um pensamento cr&iacute;tico e socialmente engajado.<\/p>\n<p> \tO gesto de Tertuliana n&atilde;o valeria de nada se s&oacute; provocasse risos nervosos, rumores, rubores; se apenas motivasse o esc&acirc;ndalo ou o loquaz sil&ecirc;ncio do arquear desaprovador de sobrancelhas. Ele demanda muito mais de n&oacute;s. Exige, sobretudo, uma profunda reflex&atilde;o sobre nossas pr&aacute;ticas de pesquisa, nossos conceitos e nossos preconceitos; e no &acirc;mbito do UERJ Resiste, nossas formas de resistir. Ali&aacute;s, era de resist&ecirc;ncia que falava o cordel&nbsp;<em>Sertransneja<\/em>&nbsp;apresentado por ela como parte de sua performance:<\/p>\n<p style=\"margin-left: 72pt;\"> \t<em>Mando not&iacute;cias pro meu Nordeste\/O clima aqui t&aacute; cabra da peste!\/ Mas seja na rua ou na letra do rap\/Minha irm&atilde;, n&atilde;o se avexe!\/S&oacute; a gente sabe a dor no nosso canto\/S&oacute; a gente sabe o valor do nosso pranto\/Prometemos resistir, voc&ecirc; lembra?\/Minha irm&atilde;, n&atilde;o desista, tenta!\/N&atilde;o tem volta, nosso nome &eacute; revolta.\/N&atilde;o tem volta, nosso nome &eacute; revolta.\/Quem for nos derrubar: d&ecirc; meia volta! \/Nossas ideias s&atilde;o mais perigosas que um fuzil\/Nasceram nos becos desse tal Brasil\/Nossa luta &eacute; &agrave; prova de bala\/A repress&atilde;o n&atilde;o me abala\/Defenda a alegria e organize a raiva! [&#8230;] E nessa sina de lutar\/S&atilde;o tantas refer&ecirc;ncias\/Quantas Marias Bonitas!\/Tantas Marias da Penha!\/Ser nordestina\/Ser travesti, sapat&atilde;o, favelada, preta, puta, ind&iacute;gena&#8230;\/N&atilde;o &eacute; nenhum xingamento!!\/E existe s&oacute; um mandamento:\/Resistir a todo momento! (Lidi Oliveira)<\/em><\/p>\n<p> \tA nudez da Tertuliana, de fato, nos desnudou e continua a nos desnudar. E &eacute; justamente por isso que, agradecendo aos organizadores pela ousada seriedade do evento, e a Tertuliana pela s&eacute;ria ousadia de nos expor a sua performance, consideramos fundamental continuar a falar sobre isso.<span style=\"text-align: center;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/span><\/p>\n<p dir=\"rtl\" style=\"text-align: justify;\"> \tProfessores associados do IMS\/UERJ*<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"> \t<em>*<img decoding=\"async\" alt=\"Resultado de imagem para puta dei ims\" src=\"\/uploads\/imagem\/ecos4(1).jpg\" style=\"width: 301px; height: 167px;\" \/><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ecos de la conmemoraci\u00f3n del Puta Dei, D\u00eda Internacional de las Prostitutas. Para Jane Russo y S\u00e9rgio Carrara, el activismo trans y de las prostitutas interpela a la academia e invita a la ciencia a tornarse instrumento de humanizaci\u00f3n, inclusi\u00f3n y ciudadan\u00eda. 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