{"id":1082,"date":"2018-01-25T00:00:00","date_gmt":"2018-01-25T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2018\/01\/25\/en-busca-del-aborto-visible\/"},"modified":"2018-01-25T00:00:00","modified_gmt":"2018-01-25T02:00:00","slug":"en-busca-del-aborto-visible","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/en-busca-del-aborto-visible\/1082\/","title":{"rendered":"En busca del aborto visible"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"> \tPor Marcelle Souza*, Alessandra Brigo** e Mar&iacute;a Antonella Barone***<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/uploads\/imagem\/ab%20resenha%20foto%201.jpg\" style=\"width: 640px; height: 360px;\" \/><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<div> \tO filme &ldquo;Invis&iacute;vel&rdquo;, do diretor Pablo Giorgelli, narra a hist&oacute;ria desde o ponto de vista da personagem Ely, que vive na Argentina, mas conecta-se &agrave;s viv&ecirc;ncias de muitas pessoas que enfrentam a problem&aacute;tica do aborto em quase todos os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, onde quem decide pela interrup&ccedil;&atilde;o pode ser criminalizado.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tTrata-se da hist&oacute;ria de uma jovem de 17 anos de classe baixa, que est&aacute; no &uacute;ltimo per&iacute;odo do ensino m&eacute;dio e vive no bairro de La Boca, na periferia de Buenos Aires. Fica gr&aacute;vida e rejeita as poss&iacute;veis consequ&ecirc;ncias desse fato sobre sua vida. Ely entra em colapso com o &ldquo;positivo&rdquo; do teste de gravidez. &ldquo;Invis&iacute;vel&rdquo; promete, em sua sinopse, abordar o momento em que ela precisa tomar uma decis&atilde;o que &ldquo;mudar&aacute; a sua vida&rdquo;.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tUm dos grandes m&eacute;ritos do filme &eacute; contar essa hist&oacute;ria por meio dos sil&ecirc;ncios. Os di&aacute;logos est&atilde;o quase ausentes nas rela&ccedil;&otilde;es de Ely. Uma m&atilde;e depressiva com quem mora e por quem Ely se v&ecirc; respons&aacute;vel tanto emocional como economicamente; uma amiga, que busca meios de ajud&aacute;-la com informa&ccedil;&otilde;es da internet sobre como fazer um aborto; um chefe, dono da cl&iacute;nica veterin&aacute;ria, que s&oacute; d&aacute; ordens; e um amante, o filho do chefe, com quem ela mant&eacute;m rela&ccedil;&otilde;es sexuais espor&aacute;dicas. Todas essas personagens falam pouco e falam quase sozinhas. Ely responde quase sempre com sil&ecirc;ncios, em uma aparente apatia, que ora se mistura com preocupa&ccedil;&atilde;o, ora com tristeza e solid&atilde;o. Desse modo, do in&iacute;cio ao fim, o filme mostra a sua viv&ecirc;ncia (quase) abortiva.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tEsse vazio significativo, por&eacute;m, &eacute; rompido em uma das primeiras cenas do filme: ao ser comunicada da gesta&ccedil;&atilde;o pela m&eacute;dica que a atende, Ely &eacute; assertiva, est&aacute; decidida a interromper a gravidez e anuncia isso &agrave; medica. A doutora n&atilde;o suporta a menina, lembra a jovem que o aborto &eacute; ilegal na Argentina e tenta encaminh&aacute;-la para o pr&eacute;-natal. Mas Ely continua firme na sua escolha e &eacute; nessa busca por um m&eacute;todo seguro e eficaz que caminha o filme.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tO contexto de criminaliza&ccedil;&atilde;o e ilegalidade do aborto na Argentina potencializam a experi&ecirc;ncia de inseguran&ccedil;a de realizar o procedimento. Em determinado momento, ainda em meio aos sil&ecirc;ncios, a jovem percorre farm&aacute;cias na companhia de uma amiga at&eacute; conseguir comprar o medicamento de um farmac&ecirc;utico que lhe vende por meio do com&eacute;rcio ilegal.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tAp&oacute;s ter procurado informa&ccedil;&otilde;es na internet e obtido os rem&eacute;dios abortivos, Ely conta ao amante (um homem mais velho, casado) sobre a gravidez. &ldquo;Como isso foi acontecer?&rdquo;, pergunta o homem que &eacute; mais velho e &ldquo;pai de fam&iacute;lia&rdquo;, &ldquo;N&oacute;s sempre nos cuidamos&rdquo;, emenda. E ela responde: &ldquo;Nem sempre&rdquo;.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tEle ent&atilde;o obt&eacute;m informa&ccedil;&otilde;es de uma cl&iacute;nica que pagaria. Ela devia procurar a pessoa indicada e marcar um hor&aacute;rio, mas hesita em fazer a liga&ccedil;&atilde;o. Ap&oacute;s ser questionada pelo homem, Ely acaba encontrando com uma pessoa que lhe explica todo o procedimento. No dia e hora agendados, ambos v&atilde;o at&eacute; a cl&iacute;nica para fazer a aborto.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tAqui, &eacute; importante citar que o homem, em sua posi&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica de g&ecirc;nero e de gera&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a Ely, imp&otilde;e urg&ecirc;ncia e decide o modo com que ser&aacute; feita a interrup&ccedil;&atilde;o da gesta&ccedil;&atilde;o. Ely n&atilde;o argumenta e, ensaia uma resist&ecirc;ncia, mas acaba embarcando no carro a caminho da casa de uma m&eacute;dica onde funcionava a cl&iacute;nica de aborto.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tH&aacute;, ent&atilde;o, uma reviravolta ao fim do filme. Da mulher que decidiu, que encarou a m&eacute;dica dizendo que n&atilde;o iria gerar um filho n&atilde;o planejado, entra uma jovem que coloca a m&atilde;o na barriga e, pouco tempo depois, desiste do aborto perseguido durante toda a narrativa.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tEly sai da cl&iacute;nica sem fazer o aborto e n&atilde;o conta a decis&atilde;o para o amante. Diz apenas que foi tudo bem, pede demiss&atilde;o do emprego e chega em casa cansada, mais uma vez em sil&ecirc;ncio. Nesta cena final, ela senta no sof&aacute; e p&otilde;e novamente as m&atilde;os no ventre, ensaia um leve sorriso de resigna&ccedil;&atilde;o.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tO diretor, desse modo, n&atilde;o nos apresenta um final decisivo, mas remete-nos &agrave; suposta ideia de que, ap&oacute;s um longo percurso, a jovem acabou desistindo do aborto. Resta-nos ent&atilde;o a pergunta: esse final marca um suposto &ldquo;amor ao feto&rdquo; ou uma hesita&ccedil;&atilde;o decorrente do medo do aborto ilegal?<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tNo primeiro caso, seria como se a mulher decidida do in&iacute;cio, na verdade, n&atilde;o soubesse que estava sim &ldquo;pronta para a maternidade&rdquo;. Enquanto pesquisadoras, somos automaticamente levadas ao &ldquo;mito do amor materno&rdquo;, que Elisabeth Badinter trata em seu livro &ldquo;Um amor conquistado&rdquo;, como se a maternidade fosse algo latente na mulher e Ely s&oacute; ainda n&atilde;o soubesse identific&aacute;-lo.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tPor que ela n&atilde;o usou os rem&eacute;dios, m&eacute;todo que ela havia escolhido e que &eacute; reconhecido como seguro?<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tA protagonista gasta muito tempo e dinheiro procurando os medicamentos, chega a marcar o dia em que faria o procedimento na casa da amiga, e em momento algum parece ter d&uacute;vidas sobre sua escolha. Ao contr&aacute;rio, quando o amante prop&otilde;e a cl&iacute;nica, Ely parece estar muito nervosa frente a esse outro m&eacute;todo, e o espectador acaba n&atilde;o conhecendo a escolha final da menina. A &uacute;ltima imagem, com a m&atilde;o no ventre, remete-nos ao feto que at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o estava em quest&atilde;o. Em nenhum momento anterior t&iacute;nhamos visto Ely pensando nele ou em qualquer possibilidade que n&atilde;o fosse o aborto.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tEm tempos de discuss&atilde;o sobre a autonomia da mulher, o filme nos apresenta um homem autorit&aacute;rio e um contexto de ilegalidade e inseguran&ccedil;a relacionados ao aborto (infelizmente, muito atuais), mas peca, ao nosso ver, em desconstruir a certeza que Ely carregava no in&iacute;cio. Mais uma vez a decis&atilde;o da mulher posta em xeque.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tCom isso, nos perguntamos: Qual &eacute; a mensagem do filme? Quais seriam as ideias propositais de mostrar os percursos nas farm&aacute;cias e a possibilidade de compra do medicamento de modo ilegal? N&atilde;o<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tse poderia pensar em uma poss&iacute;vel den&uacute;ncia das possibilidades existentes para aqueles corpos que decidem abortar?<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tPor um lado, o filme &eacute; capaz de nos mostrar a realidade da ilegalidade do aborto a partir da dificuldade de acessar os medicamentos, a necessidade de conhecer as pessoas certas e de ter dinheiro suficiente para arcar com os custos. Por outro, frustra-nos saber que a narrativa perdeu uma grande oportunidade de aprofundar o debate sobre o tema.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tO filme ainda retrata o aborto como um procedimento &ldquo;Invis&iacute;vel&rdquo;, algo que n&atilde;o pode ser visto inteiramente, refor&ccedil;ando talvez o mito do trauma atrelado a ele. De certo modo, pode dar coro aos argumentos contr&aacute;rios &agrave; legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tA distribuidora no Brasil, Vitrine Filmes, divulgou o filme associando-o &agrave; luta pela legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto. Essa at&eacute; poderia ser a inten&ccedil;&atilde;o do diretor, mas n&atilde;o &eacute; o que se tem percebido na internet, j&aacute; que o filme tem sido compartilhado tamb&eacute;m em sites contr&aacute;rios ao direito ao aborto.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tSe um mesmo filme pode virar uma ferramenta para duas lutas t&atilde;o contrastantes, &eacute; porque est&aacute; num limbo. Mas j&aacute; passou da hora de termos filmes que falam sobre o aborto na Am&eacute;rica Latina sem limbos, sem m&aacute;scaras, sem imagens escondidas.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tPerdeu-se ainda a oportunidade de desmistificar no filme a experi&ecirc;ncia do aborto provocado, tantas vezes apresentado como uma experi&ecirc;ncia dolorida, traum&aacute;tica e sempre insegura. O que muitas colegas pesquisadoras e ativistas t&ecirc;m nos mostrado, por outro lado, &eacute; que o amor materno &eacute; culturalmente constru&iacute;do, que um aborto pode significar um al&iacute;vio, e que apesar de ilegal pode sim ter riscos reduzidos, desde que utilizados os m&eacute;todos adequados e as informa&ccedil;&otilde;es corretas. As mulheres abortam porque querem, em geral precisam recorrer a um sistema ilegal e inseguro, muitas vezes contam com a ajuda de outras mulheres, e isso precisa tornar-se Vis&iacute;vel.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \tPor fim, reivindicamos abortos cuidados e feministas, em que seja poss&iacute;vel acionar uma grande rede em torno dessa pr&aacute;tica. Isso porque abortar, longe de ser uma experi&ecirc;ncia traum&aacute;tica, pode devolver a capacidade de autonomia dos corpos de autodeterminar o que &eacute; melhor para si. Essa reflex&atilde;o &eacute; o que tem permeado as nossas trajet&oacute;rias como pesquisadoras e ativistas. Outras hist&oacute;rias precisam ser contadas, muitos corpos est&atilde;o cansados de ter que afogar o al&iacute;vio de se livrar do fardo de uma fecunda&ccedil;&atilde;o indesejada. Visibilidade &eacute; o que temos que dar a essas hist&oacute;rias que, em suas singularidades, sangram vida e t&ecirc;m muito a nos dizer.<\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div> \t<img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/uploads\/imagem\/ab%20resenha%20foto%202.jpg\" style=\"width: 483px; height: 322px;\" \/><\/div>\n<div> \t&nbsp;<\/div>\n<div>\n<div> \t\t*Mestra e doutoranda pelo PROLAM-USP (Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o Interunidades em Integra&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina da Universidade de S&atilde;o Paulo). Bolsista Capes.<\/div>\n<div> \t\t**Doutoranda em Sa&uacute;de Coletiva pelo Instituto de Medicina Social e colaboradora do CLAM. Bolsista Faperj.<\/div>\n<div> \t\t***Mestranda em Psicologia Institucional pela Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo e integrante do Grupo de Estudos e Pesquisa em Sexualidades (GEPS) UFES. Bolsista CAPES.<\/div>\n<div> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div> \t\tLinks para aprofundar:<\/div>\n<div> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div> \t\tGUTTMACHER INSTITUTE. Hoja informativa: Aborto en Am&eacute;rica Latina y Caribe, 2016. Dispon&iacute;vel em: <a href=\"https:\/\/www.guttmacher.org\/sites\/default\/files\/factsheet\/fs-aww-lac-es.pdf\/\">https:\/\/www.guttmacher.org\/sites\/default\/files\/factsheet\/fs-aww-lac-es.pdf\/ <\/a>Acesso em 30 set. 2016.<\/div>\n<div> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div> \t\tNa Argentina, estima-se que ocorram entre 486 mil e 522 mil interrup&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias de gesta&ccedil;&atilde;o (MARIO; PANTELIDES, 2009). MARIO, S.; PANTELIDES, E. A. Estimaci&oacute;n de la magnitud del aborto inducido en la Argentina. In: CEPAL (Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe). Notas de poblaci&oacute;n, ano XXXV, n. 87, Santiago do Chile, 2009.<\/div>\n<div> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div> \t\tBADINTER, Elisabeth. Um Amor Conquistado: o Mito do Amor Materno. Tradu&ccedil;&atilde;o de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.<\/div>\n<div> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div> \t\tOMS (ORGANIZA&Ccedil;&Atilde;O MUNDIAL DA SA&Uacute;DE). Abortamento seguro: Orienta&ccedil;&atilde;o T&eacute;cnica e de Pol&iacute;ticas para Sistemas de Sa&uacute;de. Genebra, 2013. Dispon&iacute;vel em: <a href=\"http:\/\/apps.who.int\/iris\/bitstream\/10665\/70914\/7\/9789248548437_por.pdf\/\">http:\/\/apps.who.int\/iris\/bitstream\/10665\/70914\/7\/9789248548437_por.pdf\/<\/a> Acesso em 15 de ago. 2017.<\/div>\n<div> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div> \t\t&quot;Allanan la farmacia de mutual sentimiento: quieren sacar el misoprostol de las farmacias&quot; Dispon&iacute;vel em: <a href=\"http:\/\/www.agenciapacourondo.com.ar\/generos\/allanan-la-farmacia-de-mutual-sentimiento-quieren-sacar-el-misoprostol-de-las-farmacias\/\">http:\/\/www.agenciapacourondo.com.ar\/generos\/allanan-la-farmacia-de-mutual-sentimiento-quieren-sacar-el-misoprostol-de-las-farmacias\/<\/a> Acesso em 20 de dez. 2017<\/div>\n<\/p><\/div>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta resenha cr\u00edtica, as autoras tecem reflex\u00f5es sobre uma oportunidade perdida pelo filme argentino \u201cInvis\u00edvel\u201d, que aborda o desafio da interromper uma gravidez n\u00e3o desejada. 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