{"id":1166,"date":"2008-05-06T00:00:00","date_gmt":"2008-05-06T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2008\/05\/06\/notas-de-un-escandalo\/"},"modified":"2008-05-06T00:00:00","modified_gmt":"2008-05-06T03:00:00","slug":"notas-de-un-escandalo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/notas-de-un-escandalo\/1166\/","title":{"rendered":"Notas de un esc\u00e1ndalo"},"content":{"rendered":"<p>A edi\u00e7\u00e3o desta semana da revista \u00c9poca, uma das principais publica\u00e7\u00f5es semanais brasileiras, apresenta o curioso t\u00edtulo <I>&ldquo;Por que os homens procuram travestis&rdquo;<\/I>, no rol das centenas de manchetes veiculadas desde a semana passada pela imprensa brasileira e mundial sobre o envolvimento do jogador de futebol Ronaldo e tr\u00eas travestis no Rio de Janeiro. Apesar de contar com an\u00e1lises de renomados especialistas em sexualidade e l\u00edderes do movimento trans tentando explicar, como diz o texto, &ldquo;um dos grandes mist\u00e9rios da sexualidade moderna &ndash; a sedu\u00e7\u00e3o exercida <I>pelos<\/I> travestis&rdquo;, a mat\u00e9ria traz ainda, em certa altura, um questionamento moralista: <I>Est\u00e1 bem da cabe\u00e7a um homem casado (&#8230;) que paga R$ 40 por uma hora de sexo com um homem que parece ser mulher?&rdquo;<\/I>.<BR>  <P>&ldquo;N\u00e3o adianta o corpo do texto da revista ter an\u00e1lises mais consistentes se a conclus\u00e3o coloca a quest\u00e3o na vala comum onde sempre esteve: no rol das praticas conden\u00e1veis&rdquo;, avalia a cientista social Larissa Pelucio, pesquisadora do N\u00facleo de Estudos de G\u00eanero (Pagu\/Unicamp) que escreveu v\u00e1rios artigos e defendeu sua tese de doutorado sobre a tem\u00e1tica. A especialista acredita que o caso Ronaldo \u00e9 um evento bastante prop\u00edcio para se refletir acerca da forma como a imprensa se refere, trata e veicula not\u00edcias que envolvem o segmento GLBT. &ldquo;Infelizmente,o caso refor\u00e7a o que de alguma forma j\u00e1 sab\u00edamos: a recusa e resist\u00eancia da imprensa em reconhecer a travesti como um tipo de express\u00e3o de g\u00eanero diferente da homossexualidade exacerbada ou caricatura. Ela n\u00e3o \u00e9 um homem vestido de mulher&rdquo;, ressalta.<BR>  <P>Na verdade, a question\u00e1vel manchete da \u00c9poca e de outras publica\u00e7\u00f5es &ndash; a concorrente revista Veja, por sua vez, estampou <I>&ldquo;A escolha de Ronaldo&rdquo;<\/I> na capa &ndash; expressa o que o senso comum pensa. A grande quest\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00eddia \u00e9 que esta n\u00e3o problematiza esse olhar, apenas o refor\u00e7a, apesar dos diversos estudos j\u00e1 desenvolvidos que desconstroem essa vis\u00e3o transf\u00f3bica. E essa \u00e9 a cr\u00edtica de intelectuais e de organiza\u00e7\u00f5es que defendem os direitos de pessoas GLBT. A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gays, L\u00e9sbicas e Transg\u00eaneros (ABGLT) divulgou nota oficial sobre o epis\u00f3dio <A href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=4156&amp;sid=8\">(clique aqui e leia a carta)<\/A>, criticando a abordagem preconceituosa realizada pela m\u00eddia e pela pol\u00edcia.<BR>  <P>Na an\u00e1lise da pesquisadora, o caso Ronaldo &ldquo;refor\u00e7a todos os preconceitos e binarismos simplificadores da sexualidade e a hierarquia do sexo bom &ndash; homem e mulher com fins procriativos sem nenhum brinquedinho no meio. Algo muito mais presente no discurso do que na pr\u00e1tica&rdquo;, questiona. Dentro desta pir\u00e2mide do bom sexo e do mau sexo, a cientista social acredita que, se no lugar da travesti estivesse uma mulher (biol\u00f3gica) prfissional do sexo, certamente o jogador estaria &ldquo;uns degraus mais acima&rdquo; na considera\u00e7\u00e3o da sociedade. &ldquo;Apesar de se tratar de sexo pago, fortuito, sem fins procriativos, ele estaria envolvido em um esc\u00e2ndalo com uma mulher biol\u00f3gica. Sendo assim, n\u00e3o seria a mesma coisa. Ali\u00e1s, espera-se que os homens cometam excessos, entre eles o sexual&rdquo;, diz.<BR>  <P>Segundo ela, o caso tomou esse tipo de repercuss\u00e3o porque mexe com o \u00edcone da masculinidade hegem\u00f4nica nacional &ndash; o jogador de futebol. H\u00e1 alguns meses, um jovem ator de novelas tamb\u00e9m tornou-se capa de jornais em situa\u00e7\u00e3o semelhante. &ldquo;H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre os casos. N\u00e3o se conseguiu tirar do ator ou atriz a suspeita sexual, por isso o grande p\u00fablico perdoa certas coisas. Existe um acordo t\u00e1cito de que no ambiente da cultura art\u00edstica certas coisas s\u00e3o permitidas, como casamento de pessoas mais velhas com mais novas, por exemplo. Quando atores ou atrizes s\u00e3o envolvidos em casos em que recaem suspeitas sobre sua sexualidade, a tend\u00eancia \u00e9 dizer: <I>&ldquo;Eu sabia! Eu sempre achei&rdquo;.<\/I> Diferente de quando o envolvido \u00e9 um jogador de futebol. Nesse caso, estamos lidando com a associa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria de <I>menino-bola-for\u00e7a-competi\u00e7\u00e3o-virilidade<\/I>. Ainda mais quando esse menino vem das classes mais baixas, ascende socialmente e casa com mulheres loiras&rdquo;, analisa.<BR>  <P>Outro aspecto importante levantado pelo caso Ronaldo, na an\u00e1lise da pesquisadora, foi constatar como a sexualidade ainda \u00e9 o principal segredo de uma pessoa. &ldquo;A sexualidade \u00e9 definidora do sujeito. A travesti n\u00e3o tem uma refer\u00eancia humana se n\u00e3o for sua sexualidade. Qualquer pessoa que se envolve com ela vai estar maculada por essa verdade centrada completamente na sexualidade. O fato de o caso Ronaldo ganhar todo esse relevo mostra como a sociedade pensa a sexualidade. H\u00e1 uma economia pol\u00edtica da variabilidade sexual, isto \u00e9, um leque permitido, uma restri\u00e7\u00e3o do que sexualmente pode ser consentido e pens\u00e1vel. Ela vai reger o que \u00e9 mais ou menos aceit\u00e1vel. Mas isto n\u00e3o existe: a sexualidade \u00e9 t\u00e3o plural quanto a pr\u00f3pria humanidade&rdquo;, afirma..<BR>  <P>Para Larissa, o que mais perturba a sociedade \u00e9 que o caso do jogador revela uma sexualidade fora da norma. &ldquo;Esse rapaz rico vai ter sua sexualidade posta em xeque porque se envolveu com pessoas maculadas e desviantes. Ele enganou o Brasil, por isso, para ele a vergonha \u00e9 uma puni\u00e7\u00e3o. Para a travesti o castigo \u00e9 criminalizar. Ela tem que acabar na delegacia de pol\u00edcia, na cadeia&rdquo;.<BR>  <P><I><B>Mocinhos e bandidos<\/I><\/B>  <P>O caso trouxe \u00e0 tona a vis\u00e3o que a sociedade tem das travestis. &ldquo;Ainda h\u00e1 na nossa sociedade a vis\u00e3o da travesti como um ser poluidor, que um homem de bem n\u00e3o deveria procurar, pois ela suja a quem se envolve. No caso Ronaldo, qual a d\u00favida que a culpa seria dela? Ela j\u00e1 \u00e9 errada por si. Um homem vestido de mulher \u00e9 um embuste, por que tudo, de acordo com o senso comum, se justifica pela genit\u00e1lia. A vis\u00e3o que as pessoas t\u00eam \u00e9 de que a travesti \u00e9 oportunista, cria uma situa\u00e7\u00e3o de extremo constrangimento para o cliente ao fazer estardalha\u00e7o e se aproveita para extorqui-lo&rdquo;, assinala.<BR>  <P>No artigo <<mulherescomalgomais.pdf | &ldquo;Mulheres com algo mais&rdquo; (clique aqui para baixar o artigo)>>, Larissa discute a rela\u00e7\u00e3o da clientela com as travestis. Na pesquisa etnogr\u00e1fica realizada entre travestis paulistas e clientes, a antrop\u00f3loga percebeu uma rela\u00e7\u00e3o conflituosa marcada, por parte dos clientes, pela culpa, vergonha e medo de ser tachado de homossexual. &ldquo;\u00c9 um discurso impregnado de culpa&rdquo;, relata a pesquisadora.<BR>  <P>Alguns te\u00f3ricos que estudam o tema, como o antrop\u00f3logo Don Kulick, professor da Universidade de Nova York que passou anos desenvolvendo uma pesquisa com travestis em Salvador na d\u00e9cada de 1990, apontam que muitas vezes as travestis podem usar o esc\u00e2ndalo como estrat\u00e9gia de negocia\u00e7\u00e3o, ao fazer uso da vergonha e do medo do cliente contra ele pr\u00f3prio. Os resultados do estudo est\u00e3o compilados no livro <I>Travestis, prostitui\u00e7\u00e3o, sexo, g\u00eanero e cultura no Brasil<\/I>, que ser\u00e1 lan\u00e7ado em portugu\u00eas pela editora Fiocruz no fim de maio. Al\u00e9m do lan\u00e7amento, Kulick dar\u00e1 palestras no CLAM, no dia 21 de maio (14h, audit\u00f3rio do Instituto de Medicina Social) e no dia 26 de maio no Museu Nacional.<BR>  <P>&ldquo;Ningu\u00e9m est\u00e1 dizendo que as travestis s\u00e3o santas. N\u00e3o existe mocinho ou vil\u00e3o nessa hist\u00f3ria. H\u00e1 um certo oportunismo, uma manipula\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o, mas isto faz parte de uma estrat\u00e9gia de negocia\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00e3o na sociedade. Como elas est\u00e3o claramente no lado subalterno, reverter esse jogo hier\u00e1rquico \u00e9 sempre desestruturador. Isso n\u00e3o quer dizer que a pessoa seja boa ou que est\u00e1 fazendo aquilo para se proteger. A vergonha e o estigma colocam a pessoa que est\u00e1 sendo atingida no mesmo campo de quem a atinge. Assim ela passa a usar a seu favor os mesmos termos que ele usa para desqualific\u00e1-la&rdquo;, avalia Larissa.<BR>  <P>Para Richard Parker, na cultura popular brasileira o &ldquo;ser homem&rdquo; n\u00e3o se d\u00e1 exclusivamente em sua rela\u00e7\u00e3o\/oposi\u00e7\u00e3o com o &ldquo;ser mulher&rdquo;, mas na rela\u00e7\u00e3o de proximidade\/afastamento com outras masculinidades tais como o mach\u00e3o, o corno, a bicha ou veado. Assim, o homem que se relaciona com uma travesti, teria de guardar larga dist\u00e2ncia destas \u00faltimas figuras. Afirmar essa masculinidade torna-se uma grande preocupa\u00e7\u00e3o e fator de desestabiliza\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria para os clientes, sejam <I>t-lovers<\/I> ou n\u00e3o. Seus desejos e pr\u00e1ticas sexuais os colocam sempre sob o risco de se distanciarem do p\u00f3lo de maior masculinidade.<BR>  <P>Larissa Pelucio sugere, como uma das formas de mudar a abordagem da m\u00eddia, n\u00e3o conferir tanto peso a esse tipo de noticia e n\u00e3o trabalhar com o \u00f3bvio. &ldquo;Os meios de comunica\u00e7\u00e3o deveriam sair do senso comum da culpabiliza\u00e7\u00e3o&rdquo;, sugere.<BR>  <P>Embora na pesquisa empreendida por Larissa os depoimentos dos clientes sejam carregados de culpa e medo, todos eles, segundo a pesquisadora, demonstram ter consci\u00eancia do que os atrai na sexualidade <I>trans<\/I>. &ldquo;Eles dizem: <I>&lsquo;Mulher \u00e9 fresca com sexo anal. A travesti sabe fazer sexo oral e mulher n\u00e3o&rsquo;<\/I>. Os depoimentos mostram tamb\u00e9m que eles t\u00eam tes\u00e3o pelo p\u00eanis delas. \u00c9 dif\u00edcil encontrar um cliente que n\u00e3o queira ver ou fazer sexo oral na travesti. V\u00ea-las ejacular tamb\u00e9m \u00e9 um prazer mencionado, al\u00e9m do contato excitante com o s\u00eamen&rdquo;, relata.<BR>  <P>No artigo <<tloversconstrucaodeindentidaderecente.pdf | &ldquo;Sexualidade, g\u00eanero e masculinidade no mundo dos t-lovers&rdquo; (clique aqui para baixar o artigo)>>, a pesquisadora lan\u00e7a luz sobre um grupo espec\u00edfico de homens que saem com travestis, os chamados <I>t lovers<\/I>, homens de classe m\u00e9dia, com acesso \u00e0 internet e que participam de blogs e f\u00f3runs sobre a tem\u00e1tica. O artigo mostra as din\u00e2micas do grupo em espa\u00e7os cyber como o Blog www.blogt.da.ru, que tem 16 mil acessos di\u00e1rios.<BR>  <P><I><B>Homofobia e exclus\u00e3o<\/I><\/B>  <P>A pesquisadora ressalta que n\u00e3o se deve esquecer o fato das travestis serem as maiores v\u00edtimas da homofobia, fato este corroborado por diversas pesquisas acad\u00eamicas. Pesquisas realizadas pelo CLAM nas paradas GLBT brasileiras indicam que 34.4% da pessoas trans entrevistadas sofreram discrimina\u00e7\u00e3o e abusos perpetrados por colegas ou professoras\/es na escola. Por esta raz\u00e3o n\u00e3o surpreende que as pessoas trans possuam o menor n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o formal, comparado com os de outras minorias sexuais. No Brasil, somente 17.8% dos gays entrevistados nessas pesquisas n\u00e3o completaram o segundo grau, enquanto entre as pessoas trans esse \u00edndice se eleva a 42.4%. Quase a metade (46.2%) das l\u00e9sbicas entrevistadas fizeram estudos universit\u00e1rios, enquanto apenas 21.4% das pessoas trans freq\u00fcentaram a universidade.<BR>  <P>A informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel sobre viol\u00eancia, incluindo viol\u00eancia letal, contra pessoas trans (especialmente travestis profissionais do sexo) \u00e9 realmente alarmante. Os <I>surveys<\/I> mostram que quase 50% reportou haver sofrido viol\u00eancia f\u00edsica por sua identidade de g\u00eanero. Entre os homens gays a propor\u00e7\u00e3o dos que j\u00e1 foram agredidos fisicamente \u00e9 muito menor: 20.3%. As amea\u00e7as e o abuso verbal s\u00e3o uma experi\u00eancia generalizada entre as pessoas trans: foram reportadas por 71.2% de todas as pessoas transg\u00eanero entrevistadas.<BR>  <P>No caso dos assassinatos, tanto no Brasil como no resto da Am\u00e9rica Latina, a pol\u00edcia n\u00e3o parece muito preocupada por investig\u00e1-los. De uma amostra de 12 assassinatos de travestis acontecidos no Rio de Janeiro nos anos 80 e at\u00e9 in\u00edcio dos 90, a pol\u00edcia achou os perpetradores de somente dois, e s\u00f3 um deles foi condenado. De fato a pol\u00edcia constitui uma importante fonte de viol\u00eancia contra pessoas transg\u00eanero, principalmente contra travestis que realizam trabalho sexual. (Fontes: Pesquisa Pol\u00edtica, Direito, Viol\u00eancia e Homossexualidade, <I>survey<\/I> realizado nas paradas do orgulho GLBT de Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Porto Alegre e Recife. <A href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?sid=58\">Dispon\u00edvel aqui.<\/A>  <P>&ldquo;A exposi\u00e7\u00e3o faz parte da constitui\u00e7\u00e3o das travestilidades. Uma travesti, por mais linda que seja, \u00e9 impedida de trabalhar na televis\u00e3o, fazer novela ou ser aeromo\u00e7a. Ent\u00e3o, trabalhar na rua \u00e9 o que lhe resta. Mas, ao mesmo tempo em que \u00e9 boa, por ser um espa\u00e7o de aprendizado, a rua \u00e9 madrasta, cansa e desgasta muito. \u00c9 na rua que um menino efeminado tem a primeira no\u00e7\u00e3o da travestilidade. Encontrar um homem de verdade para elas tamb\u00e9m s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel no <I>chat<\/I> da internet ou na rua&rdquo;, analisa a especialista.<BR>  <P>Ela lembra que desde o surgimento da Aids o que houve de positivo foi a organiza\u00e7\u00e3o do movimento social e as press\u00f5es que resultaram em pol\u00edticas p\u00fablicas positivas que contemplaram as travestis, mas critica o fato dessas pol\u00edticas estarem sempre centradas na sa\u00fade. &ldquo;Esse trabalho n\u00e3o se d\u00e1 somente em um segmento, tem de ser feito inter-setorialmente e abarcar Educa\u00e7\u00e3o, Justi\u00e7a, Trabalho. Os direitos vieram via Aids, numa associa\u00e7\u00e3o perversa. Apesar de ser um ganho, cria-se guetos da sa\u00fade, quando o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) \u00e9 uma conquista de universalidade e n\u00e3o de segmenta\u00e7\u00e3o&rdquo;, diz.<BR>  <P>A pesquisadora acredita que, se aprovada a lei que criminaliza a homofobia no pa\u00eds, a tend\u00eancia a m\u00e9dio prazo \u00e9 de mudan\u00e7a. &ldquo;At\u00e9 1988 as pessoas diziam que criminalizar o racismo era bobagem, mas hoje em dia as pessoas se constrangem em ser racistas ou em fazer uma piadinha de negro. Ao pautar uma discuss\u00e3o publica as pessoas s\u00e3o obrigadas a refletir sobre o assunto em quest\u00e3o. N\u00e3o acho que criminalizar a homofobia seja a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 uma delas&rdquo;, conclui. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Larissa Pelucio (Pagu\/Unicamp) cuestiona la forma en que los medios han tratado un caso p\u00fablico que involucra a travestis y a un futbolista brasile\u00f1o. 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