{"id":1186,"date":"2008-09-02T00:00:00","date_gmt":"2008-09-02T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2008\/09\/02\/mundo-l-mas-visible\/"},"modified":"2008-09-02T00:00:00","modified_gmt":"2008-09-02T03:00:00","slug":"mundo-l-mas-visible","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/mundo-l-mas-visible\/1186\/","title":{"rendered":"Mundo L m\u00e1s visible"},"content":{"rendered":"<p>Na \u00faltima sexta-feira (29 de agosto), foi comemorado em todo o Brasil o Dia Nacional da Visibilidade L\u00e9sbica, festejado no pa\u00eds desde 1995, quando aconteceu o 1\u00ba Semin\u00e1rio Nacional de L\u00e9sbicas (Senale), primeiro espa\u00e7o organizado por mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais na cena pol\u00edtica brasileira. A data surgiu para mostrar a mobiliza\u00e7\u00e3o especificamente feminina dentro do ent\u00e3o movimento homossexual, que depois passou a se chamar movimento GLBT e recentemente LGBT. A invers\u00e3o das letras foi uma decis\u00e3o tomada na plen\u00e1ria final da I Confer\u00eancia Nacional que reuniu l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em junho passado, em Bras\u00edlia. Na an\u00e1lise da cientista social Gl\u00e1ucia Almeida, pesquisadora associada ao CLAM, a troca de posi\u00e7\u00e3o das letras demonstra a import\u00e2ncia da visibilidade l\u00e9sbica e a necessidade de enfrentar o sexismo dentro do pr\u00f3prio movimento.<BR>  <P>No entanto, ela salienta na entrevista a seguir, que tal invers\u00e3o s\u00f3 passar\u00e1 a fazer sentido, na pr\u00e1tica, quando forem implementadas as pol\u00edticas p\u00fablicas direcionadas ao segmento, definidas na Confer\u00eancia. &ldquo;Sem que essas a\u00e7\u00f5es sejam claramente definidas, n\u00e3o h\u00e1 como antever resultados dessa invers\u00e3o de letras&rdquo;, afirma.<BR>  <P>Gl\u00e1ucia Almeida \u00e9 autora da tese de doutorado em Sa\u00fade Coletiva intitulada &ldquo;Da invisibilidade \u00e0 vulnerabilidade: percursos do corpo l\u00e9sbico na cena p\u00fablica brasileira face \u00e0 possibilidade de infec\u00e7\u00e3o por DSTs e Aids&rdquo;, defendida no Instituto de Medicina Social (IMS\/UERJ), sob a orienta\u00e7\u00e3o do antrop\u00f3logo e professor Sergio Carrara. No trabalho, a pesquisadora mostra como foi sendo constru\u00eddo um discurso pol\u00edtico demonstrativo da vulnerabilidade das mulheres que fazem sexo com mulheres \u00e0s DST\/Aids, e como esse discurso \u00e9 potencialmente gerador de outras vulnerabilidades. O estudo mostrou tamb\u00e9m como o movimento l\u00e9sbico se estruturou dentro do movimento homossexual, discutindo tamb\u00e9m alguns aspectos da vulnerabilidade individual, social e program\u00e1tica desse segmento.<BR>  <P><B>Uma das decis\u00f5es tomadas na I Confer\u00eancia de gays, l\u00e9sbicas, travestis e transexuais este ano foi colocar a letra L na frente na sigla do movimento, que passou a se chamar LGBT. O que a invers\u00e3o das letras significa?<\/B>  <P>Isso demonstra a import\u00e2ncia da visibilidade l\u00e9sbica e da necessidade de enfrentar o sexismo dentro do pr\u00f3prio movimento. Mas enquanto n\u00e3o tivermos claramente definida a implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas publicas decididas na Confer\u00eancia n\u00e3o h\u00e1 como antever resultados dessa invers\u00e3o de letras. Os contextos locais ser\u00e3o decisivos. Se n\u00e3o houver uma sensibiliza\u00e7\u00e3o \u00e9tico-pol\u00edtica dos gestores p\u00fablicos em n\u00edvel local &ndash; o que, para mim, \u00e9 tarefa do movimento e do governo &ndash; a tend\u00eancia \u00e9 de que essas pol\u00edticas n\u00e3o saiam do papel.<BR>  <P><B>As l\u00e9sbicas transitam por dois movimentos &ndash; o LGBT e o feminista &ndash; com interse\u00e7\u00f5es no movimento de mulheres negras. Que agendas s\u00e3o colocadas nesses contextos, levando em conta as especificidades do segmento?<\/B>  <P>A extens\u00e3o da agenda feminista sempre vai representar ganhos para as mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais. H\u00e1 uma demanda pela discuss\u00e3o da sa\u00fade das l\u00e9sbicas para al\u00e9m da sa\u00fade sexual, considerando a sa\u00fade em uma perspectiva mais ampla, que atinge o campo do sofrimento ps\u00edquico, da experi\u00eancia de estigmatiza\u00e7\u00e3o e de viol\u00eancia e suas articula\u00e7\u00f5es com a sa\u00fade. Essa vem sendo a principal demanda na agenda pol\u00edtica do movimento l\u00e9sbico nos \u00faltimos anos. O fundamental seria produzir uma mudan\u00e7a de atitude dos profissionais e servi\u00e7os de sa\u00fade na rela\u00e7\u00e3o com essa popula\u00e7\u00e3o. Do mesmo modo que se faz necess\u00e1rio acontecer em rela\u00e7\u00e3o ao grupo das travestis e transexuais. De certa maneira, a qualidade de atendimento em sa\u00fade tanto na rede p\u00fablica quanto na privada tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o para essas popula\u00e7\u00f5es.<BR>  <P><B>A identidade l\u00e9sbica parece ser menos vis\u00edvel do que as outras identidades dentro do movimento, n\u00e3o?<\/B>  <P>A invisibilidade da identidade l\u00e9sbica est\u00e1 ligada \u00e0 invisibilidade hist\u00f3rica e cultural do g\u00eanero feminino no que diz respeito ao seu desejo e autonomia. Os trabalhos femininos s\u00e3o desvalorizados socialmente e mal remunerados se comparados aos masculinos, e isso tem um efeito na autonomia feminina e em sua express\u00e3o p\u00fablica. Os bares l\u00e9sbicos, por exemplo, tendem a ser majoritariamente freq\u00fcentados por mulheres de camadas populares. A extrema visibilidade no jeito de se vestir e nos trejeitos associados ao masculino \u00e9 mais freq\u00fcente entre l\u00e9sbicas de camadas populares.<BR>  <P>H\u00e1 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o interna ao movimento que, desde a forma\u00e7\u00e3o do grupo SOMOS, a raiz do movimento, que j\u00e1 se apresentava: em 1980, houve o primeiro racha protagonizado pelas l\u00e9sbicas, por se sentirem exclu\u00eddas das demandas do grupo, tend\u00eancia que persiste at\u00e9 hoje. Atualmente, esta \u00e9 uma tend\u00eancia mais branda, que vem sendo discutida, embora ainda existam grupos que se dissolvam quando a conviv\u00eancia cotidiana entre gays e l\u00e9sbicas fica invi\u00e1vel.<BR>  <P><B>As outras identidades do movimento LGBT t\u00eam visto algumas de suas demandas serem atendidas. Que especificidades contempladas pela identidade l\u00e9sbica ainda precisam ser discutidas? <\/B> <P>Hoje j\u00e1 se fala em homens transexuais dentro do movimento brasileiro, o que h\u00e1 cinco anos n\u00e3o se falava. Isso certamente coloca novas demandas para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade, porque alguns desses homens declaram a necessidade de cirurgia de mastectomia e histerectomia e n\u00e3o demandam o neofalo como alguns dos atuais programas de redesigna\u00e7\u00e3o sexual oferecem.<BR>  <P>Cresceu tamb\u00e9m um discurso pr\u00f3prio das mulheres bissexuais nos encontros realizados pelo movimento de l\u00e9sbicas. Acredito que o movimento caminha para uma diversifica\u00e7\u00e3o maior de suas demandas e para uma maior heterogeneidade de suas bases.<BR>  <P><B>Qual a import\u00e2ncia do dia 29 de agosto &ndash; Dia da Visibilidade L\u00e9sbica?<\/B>  <P>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que se fala em visibilidade e n\u00e3o em orgulho l\u00e9sbico. No caso dos homens a quest\u00e3o colocada n\u00e3o \u00e9 a visibilidade dos mesmos, j\u00e1 que estes j\u00e1 s\u00e3o hipervis\u00edveis, mas a quest\u00e3o de uma imagem positivada. No caso das mulheres, por muito tempo sequer existiu uma imagem negativa. A maior viol\u00eancia contra esse p\u00fablico era a nega\u00e7\u00e3o de sua exist\u00eancia. O sexo entre mulheres ainda \u00e9 visto pelo senso comum como uma atividade sexual preliminar ou um incentivo ao desejo masculino e n\u00e3o como estruturante de rela\u00e7\u00f5es afetivo-sexuais aut\u00f4nomas.<BR>  <P><B>A visibilidade midi\u00e1tica das l\u00e9sbicas aumentou. De que maneira isso contribui?<\/B>  <P>Sem duvida, a abordagem da tem\u00e1tica em s\u00e9ries e telenovelas tem ajudado na constru\u00e7\u00e3o da visibilidade do segmento. O \u00fanico risco \u00e9 de se criar e cristalizar vis\u00f5es estereotipadas das l\u00e9sbicas, seja o estere\u00f3tipo da <I>sapat\u00e3o<\/I> masculinizada, grosseira e violenta, ou o da <I>lady<\/I> ultra-feminina. Uma visibilidade l\u00e9sbica mais positiva pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o implicaria em um reconhecimento da pluralidade de tipos humanos e condutas. A s\u00e9rie &ldquo;The L world&rdquo; n\u00e3o trata a homossexualidade feminina como uma quest\u00e3o menor e ajuda a desconstruir essa <I>glamouriza\u00e7\u00e3o<\/I>. As l\u00e9sbicas do seriado perdem o emprego, brigam com a fam\u00edlia, enfim, vivem dramas humanos. Elas vivem problemas, apesar de serem de camadas altas. A s\u00e9rie trouxe a pluralidade que vimos reclamando no Brasil, embora com as limita\u00e7\u00f5es de abordar a realidade norte-americana, bem distinta da brasileira. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>En el marco del D\u00eda Nacional de Visibilidad L\u00e9sbica (29 de agosto), la investigadora Gl\u00e1ucia Almeida habla de las nuevas demandas del movimiento l\u00e9sbico en Brasil y de lo puede representar para el movimiento la inversi\u00f3n de las letras L y G. <EM>(Texto en portugu\u00e9s)<\/EM><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1186","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Mundo L m\u00e1s visible - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/mundo-l-mas-visible\/1186\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Mundo L m\u00e1s visible - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"En el marco del D\u00eda Nacional de Visibilidad L\u00e9sbica (29 de agosto), la investigadora Gl\u00e1ucia Almeida habla de las nuevas demandas del movimiento l\u00e9sbico en Brasil y de lo puede representar para el movimiento la inversi\u00f3n de las letras L y G. 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