{"id":1207,"date":"2009-04-28T00:00:00","date_gmt":"2009-04-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2009\/04\/28\/nosotros-los-tipos\/"},"modified":"2009-04-28T00:00:00","modified_gmt":"2009-04-28T03:00:00","slug":"nosotros-los-tipos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/nosotros-los-tipos\/1207\/","title":{"rendered":"\u201cNosotros, los tipos\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Autor do rec\u00e9m-lan\u00e7ado <I>Nous, les mecs<\/I> (N\u00f3s, &ldquo;os homens&rdquo;, &ldquo;os caras&rdquo;, &ldquo;os machos&rdquo;), o soci\u00f3logo franc\u00eas Daniel Welzer-Lang dar\u00e1 a palestra &ldquo;Masculinidades e Viol\u00eancia&rdquo; na Universidade C\u00e2ndido Mendes, no dia 4 de maio, onde, assim como faz no livro, abordar\u00e1 as constru\u00e7\u00f5es sociais do masculino, das lutas e transforma\u00e7\u00f5es das sexualidades e as rela\u00e7\u00f5es entre as duas quest\u00f5es.<BR>  <P>&ldquo;N\u00f3s estamos vivendo, hoje, uma \u00e9poca paradoxal: nunca antes as mulheres, ainda submetidas a formas variadas de domina\u00e7\u00e3o masculina, falaram, discutiram e contestaram tanto. Nunca antes os gays, l\u00e9sbicas e bissexuais abordaram tanto seus modos de vida. Entretanto, os homens continuam em sil\u00eancio. A tal ponto que o soci\u00f3logo canadense Marc Chabot p\u00f4de escrever: <I>&lsquo;A palavra dos homens, \u00e9 o sil\u00eancio&rsquo;<\/I>&rdquo;, afirma Welzer-Lang.<BR>  <P>Especialista em quest\u00f5es de g\u00eanero, sexualidade e viol\u00eancia &ndash; com um enfoque particular na quest\u00e3o do virilismo &ndash; Welzer-Lang dirigiu um grande n\u00famero de pesquisas sobre viol\u00eancia masculina, estupro, prostitui\u00e7\u00e3o e novas pr\u00e1ticas sexuais no espa\u00e7o p\u00fablico. Al\u00e9m de <I>&ldquo;Nous, les mec: essai sur le trouble actuel des hommes&rdquo;<\/I>(Paris, Payot, 2009), \u00e9 autor de <I>&ldquo;Utopies Conjugales&rdquo;<\/I> (Paris, Payot, 2009), <I>Les Hommes violents<\/I> (Paris, Lierre et Coudrier, 1991), <I>Arr\u00eate, tu me fais mal\u2026<\/I> (Montr\u00e9al, Paris, 1992), traduzido para o espanhol em 2007 sob o t\u00edtulo <I>La violencia domestica a traves de 60 preguntas y 59 respuestas <\/I>, e <I>Violence et masculinit\u00e9 <\/I>(Montpellier, 1998).<BR>  <P>Segundo o soci\u00f3logo, seus estudos sobre as mudan\u00e7as masculinas mostram que, na Europa, a id\u00e9ia de igualdade homem\/mulher se tornou uma evid\u00eancia para uma grande parte dos homens. &ldquo;A viol\u00eancia f\u00edsica dom\u00e9stica, na Fran\u00e7a, estaria ligada a \u00ab apenas \u00bb 5% dos companheiros; 10% em uma defini\u00e7\u00e3o mais ampla da viol\u00eancia. Dito isso, quando se examinam os casos desses 5% de homens &lsquo;violentos&rsquo;, a maior parte \u00e9 de jovens formados nos valores viris e homof\u00f3bicos&rdquo;, diz ele ao analisar os la\u00e7os entre viol\u00eancias dom\u00e9sticas e viol\u00eancias p\u00fablicas, na entrevista a seguir.<BR>  <P>Daniel Welzer-Lang \u00e9 professor titular do departamento de Sociologia e pesquisador do Laborat\u00f3rio Interdisciplinar Solidariedades, Sociedades, Territ\u00f3rios (LISST)\/CNRS) da Universidade de Toulouse II. Sua palestra ser\u00e1 realizada na Universidade C\u00e2ndido Mendes (UCAM), \u00e0s 16h do dia 4 de maio (Rua da Assembl\u00e9ia, 10 &ndash; Audit\u00f3rio do 42\u00ba andar &ndash; Centro &ndash; Rio de Janeiro). O evento est\u00e1 sendo promovido pelo Centro de Estudos de Seguran\u00e7a e Cidadania (CESeC\/UCAM) em parceria com o CLAM, o SerH e o ISER..<BR>  <P><B><I>Nous, les mecs<\/I> \u00e9 um t\u00edtulo que chama a aten\u00e7\u00e3o. Qual a sua pretens\u00e3o ao escrever&nbsp;este seu novo livro?<\/B>  <P>Meu prop\u00f3sito \u00e9 falar de n\u00f3s, os <I>mecs<\/I>, os homens. Estamos vivendo, hoje, uma \u00e9poca paradoxal: nunca antes as mulheres, ainda submetidas a formas variadas de domina\u00e7\u00e3o masculina, falaram e contestaram tanto. Nunca antes os gays, l\u00e9sbicas e bissexuais abordaram tanto seus modos de vida. Entretanto, os homens continuam em sil\u00eancio. A tal ponto que o soci\u00f3logo canadense Marc Chabot p\u00f4de escrever: <I>&rsquo;A palavra dos homens, \u00e9 o sil\u00eancio&rsquo;<\/I>. Ent\u00e3o, minha id\u00e9ia \u00e9 tentar explicar o porqu\u00ea desse sil\u00eancio; dizer como n\u00f3s somos socializados, enquanto dominantes, na luta para ver quem \u00e9 o melhor, o mais forte. Mas tamb\u00e9m como n\u00f3s somos socializados de maneira homof\u00f3bica e vistos como &ldquo;os grandes incapazes afetivos&rdquo;, naquilo que eu chamei, como Maurice Godelier, de &ldquo;a casa dos homens&rdquo;, esses lugares onde nos ensinam os valores das masculinidades. Em suma, tentar explicitar a aliena\u00e7\u00e3o masculina criada pelo sistema de g\u00eanero.<BR>  <P>Da mesma forma, trata-se de desconstruir a heterosexualidade que nos faz homem ou mulher. Deixemos de ingenuidade. \u00c9 tempo de os h\u00e9teros fazerem tamb\u00e9m seu <I>coming out<\/I>, falarem da pluralidade de seus desejos e de suas pr\u00e1ticas. Para mim, \u00e9 importante deslocar o olhar, colocar as pseudo-margens (das sexualidades) no centro. Mostrar que todo o sistema s\u00f3cio-sexual est\u00e1, hoje, desestabilizado devido \u00e0s lutas em torno das pol\u00edticas sexuais. Assim, \u00e9 preciso explicitar as vis\u00f5es estreitas da heterossexualidade que s\u00e3o transmitidas aos meninos como heran\u00e7a, pelas quais todo o foco \u00e9 posto sobre a pseudo-diferen\u00e7a dos sexos, a impossibilidade (e a interdi\u00e7\u00e3o) que nos \u00e9 legada, de ser &ldquo;passivo&rdquo;, penetrado&#8230; As ang\u00fastias e as rea\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia que isso pode gerar. Como, diferentemente das mulheres, n\u00f3s somos, antes mesmo da nossa puberdade, socializados como clientes&#8230;.<BR>  <P><B>De que perspectiva <I>Nous, les mecs<\/I> aborda as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero hoje?<\/B>  <P>Eu tento articular duas coisas: primeiramente, a an\u00e1lise geral do sistema de g\u00eanero que eu acabo de desenhar em linhas (muito) gerais. Mas minha pretens\u00e3o \u00e9 fazer isso pela via da principal lente atrav\u00e9s da qual n\u00f3s (os homens) analisamos essa quest\u00e3o. A saber, nosso &ldquo;eu&rdquo;. Como eu, um <I>mec<\/I> (homem,&ldquo;macho&rdquo;), vejo as transforma\u00e7\u00f5es atuais? Se cada um \u00e9 \u00fanico, eu tento, como soci\u00f3logo, que a an\u00e1lise integre todos os &ldquo;eus&rdquo;, esses milhares de homens encontrados ao longo dos meus diferentes estudos &ndash; a viol\u00eancia masculina dom\u00e9stica, o trabalho sexual, a homofobia, a libertinagem, os novos pais e os homens anti-sexistas. Mas tamb\u00e9m esses homens reunidos em mini-grupos de discuss\u00e3o, durante a prepara\u00e7\u00e3o do livro. Trata-se, portanto, de come\u00e7ar a realizar o invent\u00e1rio da virilidade obrigat\u00f3ria por todos os <I>mecs<\/I>, individualmente e coletivamente.<BR>  <P>Parece igualmente importante come\u00e7ar a pensar o depois da domina\u00e7\u00e3o masculina. Participar, desde o nosso lugar atual de homem, da revolu\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica que n\u00f3s estamos prestes a viver. Os homens s\u00e3o, ao menos podem ser tamb\u00e9m, um motor de mudan\u00e7a do sistema de g\u00eanero. Para isso, \u00e9 preciso mapear os debates atuais. Compreender as dificuldades atuais de intera\u00e7\u00e3o de homens e mulheres atrav\u00e9s das nossas duplas socializa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o significa jogar fora todos os valores ditos masculinos. Certos valores &ndash; a solidariedade, o senso de esfor\u00e7o, o esquecimento de si em nome de valores comuns, o fato de ser (n\u00e3o exclusivamente) ativo &ndash; s\u00e3o partilh\u00e1veis por todas as pessoas (homens, mulheres, transg\u00eaneros etc). Assim como certos valores classificados como femininos. Em suma, \u00e9 preciso renegociar o &ldquo;contrato de g\u00eanero&rdquo;. N\u00e3o \u00e9 porque somos dominados (as), oprimidos (as) que temos raz\u00e3o em tudo. Ou porque somos dominantes que estamos errados. Eu dou alguns exemplos, no meu trabalho, em torno das no\u00e7\u00f5es do limpo e do correto, no erotismo. Hoje, homens e mulheres sabem o que n\u00e3o querem mais viver &ndash; viol\u00eancias, opress\u00f5es, explora\u00e7\u00f5es. Resta-nos conceber o que queremos viver juntos e remover as dificuldades e obst\u00e1culos institu\u00eddos pelas representa\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas ligadas ao sistema de g\u00eanero.<BR>  <P>Sobre que aspecto o conceito de \u00ab viriarcado \u00bb proposto no seu trabalho se diferencia da no\u00e7\u00e3o de patriarcado? Eu utilizo &ldquo;viriarcado&rdquo; no sentido que lhe deu a antrop\u00f3loga feminista Nicole-Claude Mathieu (1985, 1991). Ela definiu o viriarcado como o poder dos homens, sejam eles pais ou n\u00e3o, sejam as sociedades patrilineares, patrilocais ou n\u00e3o. De todo modo, como ela mesma reconhece, esse termo, composto do latim (vir-) e do grego (-arkhia, de arkhein &ldquo;comandar&rdquo;) \u00e9 tamb\u00e9m insuficiente.<BR>  <P>A utiliza\u00e7\u00e3o do conceito de viriarcado busca se distanciar do tema popular do &ldquo;patriarcado&rdquo;, reavivado por Christine Delphy, em 1970, quando ela explica a dupla opress\u00e3o das mulheres (capitalismo + explora\u00e7\u00e3o patriarcal da produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica n\u00e3o remunerada, no contexto do contrato de casamento que representa tamb\u00e9m um contrato de trabalho para as mulheres). O sucesso do conceito de patriarcado, amplamente adotado pelos movimentos sociais, fez com que ele se tornasse um tema mal definido que n\u00e3o leva muito em conta as mudan\u00e7as na rela\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres.<BR>  <P>Assim, hoje, em numerosos pa\u00edses, mesmo vivendo ainda sob uma domina\u00e7\u00e3o masculina, as leis sobre a parentalidade suprimiram as vantagens concedidas de fato e de maneira genuinamente &ldquo;patriarcal&rdquo; [no sentido antropol\u00f3gico] aos homens. A homoparentalidade, por exemplo, contestou, com sucesso, a naturalidade da predomin\u00e2ncia dos pais biol\u00f3gicos e sociais. De fato, quanto mais as lutas avan\u00e7am, mais precisos devemos ser nos instrumentos de an\u00e1lise que concebemos. Isso para conseguir, no melhor dos casos, avaliar o caminho que resta a fazer rumo ao desaparecimento do g\u00eanero (o que o senso comum chama de igualdade homens\/mulheres, homo\/heteros), e tamb\u00e9m &ndash; e n\u00f3s o esquecemos frequentemente nas an\u00e1lises vitimol\u00f3gicas atuais &ndash; para apreciar o caminho j\u00e1 percorrido.<BR>  <P>Por falar nisso, \u00e9 sempre agrad\u00e1vel reler os textos dos anos anteriores para se dar conta de que \u00e9 absurdo dizer que a domina\u00e7\u00e3o masculina, ou o patriarcado, se reproduz igual a si mesmo, de maneira a-hist\u00f3rica. Sim, as lutas &ldquo;rendem&rdquo; em termos de mudan\u00e7as individuais e coletivas.<BR>  <P><B>De que maneira, segundo seu ponto de vista, as transforma\u00e7\u00f5es do modelo patriarcal, ou viriarcal, est\u00e3o relacionadas \u00e0s formas atuais de viol\u00eancia, tanto no espa\u00e7o dom\u00e9stico quanto no mundo da rua? <\/B> <P>Para compreender os la\u00e7os entre viol\u00eancias dom\u00e9sticas e viol\u00eancias p\u00fablicas, \u00e9 preciso, inicialmente, aceitar o postulado dos estudos de g\u00eanero sobre a transversalidade p\u00fablico\/privado. S\u00e3o as mesmas rela\u00e7\u00f5es sociais de g\u00eanero que constroem os personagens no p\u00fablico e no privado. As rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o transversais. Assim, \u00e9 porque existe um trabalho dom\u00e9stico gratuito, realizado pelas companheiras, que certos homens podem fazer uma carreira ascendente e r\u00e1pida, estando liberados da carga das crian\u00e7as, do sustento afetivo dos pr\u00f3ximos. Assim tamb\u00e9m, \u00e9 raro que um homem violento em casa &ndash; aquele que pensa ser leg\u00edtimo manifestar assim sua posi\u00e7\u00e3o de homem (de superioridade) frente \u00e0 sua companheira, definida como &ldquo;mulher&rdquo; &ndash; n\u00e3o seja tamb\u00e9m dominante no espa\u00e7o p\u00fablico com seus pr\u00f3ximos, definidos socialmente como inferiores a ele. Al\u00e9m disso, \u00e9 rar\u00edssimo que um homem violento no exterior (trabalho, bar ou lazer, onde a repress\u00e3o das atitudes violentas \u00e9 mais severa), n\u00e3o o seja tamb\u00e9m no espa\u00e7o privado. Eu demonstrei isso amplamente nos meus trabalhos sobre os homens violentos. E esses conhecimentos n\u00e3o s\u00e3o te\u00f3ricos, pois acolhi homens violentos em um dos primeiros centros da Europa, em Lyon (Fran\u00e7a), entre 1987 e 1993.<BR>  <P>Por outro lado, minhas pesquisas sobre os homens e o masculino, notadamente os estudos sobre as mudan\u00e7as masculinas, mostram que na Europa a id\u00e9ia de igualdade homem\/mulher se tornou uma evid\u00eancia para uma grande parte dos homens. Os homens, n\u00e3o sendo o bando de brutos incapazes de pensar &ndash; como nos descrevem certos textos naturalistas que infelizmente se reivindicam feministas &ndash; se adaptam \u00e0s novas demandas das mulheres, \u00e0s evolu\u00e7\u00f5es impostas pelas lutas das mulheres, dos gays, das l\u00e9sbicas&#8230; Na medida em que torna-se dif\u00edcil encontrar empregadinhas submissas, os homens encontram benef\u00edcios rapidamente em deixar os h\u00e1bitos da virilidade machista obrigat\u00f3ria. O que n\u00e3o quer dizer que eles abram m\u00e3o facilmente dos privil\u00e9gios masculinos, que n\u00e3o haja &ldquo;resist\u00eancias masculinas \u00e0s mudan\u00e7as&rdquo;, ou que as representa\u00e7\u00f5es carregadas pelas marcas de g\u00eanero sejam t\u00e3o f\u00e1ceis de modificar.<BR>  <P>De todo modo, o n\u00famero de separa\u00e7\u00f5es conjugais muito conflituosas, entre homens e mulheres, \u00e9 minorit\u00e1rio (menos de 5% das separa\u00e7\u00f5es). E a viol\u00eancia f\u00edsica dom\u00e9stica, na Fran\u00e7a, estaria ligada a \u00ab apenas \u00bb 5% dos companheiros; 10% em uma defini\u00e7\u00e3o mais ampla da viol\u00eancia. Dito isso, quando se examinam os casos desses 5% de homens &ldquo;violentos&rdquo;, a maior parte \u00e9 de jovens formados nos valores viris e homof\u00f3bicos. Homens que integram, inclusive nas suas constru\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, a certeza de que n\u00f3s, os <I>mecs<\/I> somos mais, melhores e diferentes das mulheres e dos <I>&ldquo;veados&rdquo;<\/I>.<BR>  <P>Como provar que se \u00e9 um cara viril, quando desaparecem todos os privil\u00e9gios da masculinidade como trabalho, dinheiro, honras, mulheres \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e as medalhas de virilidade (carros, reconhecimento&#8230;)? Como reagir, ent\u00e3o, \u00e0s mulheres, pr\u00f3ximas ou n\u00e3o, que reivindicam ainda mais igualdade? Mulheres que, por vezes, lhe contestam o lugar de homem superior. Mulheres que querem concorrer com voc\u00ea pelos melhores lugares. Como reagir face aos gays, aos homens que n\u00e3o s\u00e3o verdadeiramente homens e que reivindicam agora o tratamento e reconhecimento dado aos homens ditos &ldquo;normais&rdquo;? Como se comportar quando o capitalismo globalizado lhe interdita o reconhecimento conferido por um trabalho est\u00e1vel, valorizante, onde podemos realizar nossa &ldquo;obra&rdquo; de homem? Em resumo, como permanecer um <I>mec<\/I>, quando n\u00e3o se tem mais nenhum signo exterior de riqueza? E a crise atual contribui, como tamb\u00e9m os novos valores do liberalismo mundial, a esse enfraquecimento.<BR>  <P>Freq\u00fcentemente, n\u00e3o resta nada al\u00e9m da viol\u00eancia para provar, a si mesmo inicialmente e depois aos outros, o fato de que somos e de que permanecemos um <I>mec<\/I>. \u00c9 o que eu chamei de &ldquo;retorno virilista&rdquo;. N\u00f3s temos muitos exemplos, na Fran\u00e7a, de meninos dos meios populares desempregados, sem trabalho e sem dinheiro, que se lan\u00e7am em a\u00e7\u00f5es violentas entre eles e contra outros para provar sua virilidade.<BR>  <P>N\u00e3o estou dizendo que todas as lutas sociais coletivas, inclusive as lutas violentas, sejam o fruto de homens virilistas, de homens desesperados. Eu penso que certos homens utilizam as lutas sociais coletivas, as formas violentas de contesta\u00e7\u00e3o, para provar sua virilidade, colocada em cheque pela evolu\u00e7\u00e3o de nossas sociedades. Nesse sentido h\u00e1 la\u00e7os entre as viol\u00eancias dom\u00e9sticas e as viol\u00eancias exercidas no espa\u00e7o p\u00fablico. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor del libro <EM>Nous, les mecs<\/EM> y especialista en cuestiones de g\u00e9nero, sexualidad y violencia, el soci\u00f3logo franc\u00e9s Daniel Welzer-Lang dictar\u00e1 la conferencia &ldquo;Masculinidades y Violencia&rdquo; en la Universidad C\u00e1ndido Mendes el d\u00eda 4 de mayo pr\u00f3ximo<EM>.(Texto en portugu\u00e9s)<\/EM><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1207","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u201cNosotros, los tipos\u201d - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/nosotros-los-tipos\/1207\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u201cNosotros, los tipos\u201d - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Autor del libro Nous, les mecs y especialista en cuestiones de g\u00e9nero, sexualidad y violencia, el soci\u00f3logo franc\u00e9s Daniel Welzer-Lang dictar\u00e1 la conferencia &ldquo;Masculinidades y Violencia&rdquo; 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