{"id":1214,"date":"2009-07-22T00:00:00","date_gmt":"2009-07-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2009\/07\/22\/ahora-es-necesario-reinventar\/"},"modified":"2009-07-22T00:00:00","modified_gmt":"2009-07-22T03:00:00","slug":"ahora-es-necesario-reinventar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/ahora-es-necesario-reinventar\/1214\/","title":{"rendered":"\u00abAhora es necesario reinventar\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><EM>&ldquo;Esse neg\u00f3cio de ser mulher \u00e9 mais dif\u00edcil do que parecia originalmente&rdquo;<\/EM>. A frase, da fil\u00f3sofa p\u00f3s-estruturalista norte-americana Judith Butler, foi a ep\u00edgrafe escolhida pela jornalista Carla Rodrigues para abrir seu mais novo livro, &ldquo;Coreografias do feminino&rdquo;, um desdobramento de sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado defendida em mar\u00e7o de 2008 no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia da PUC-Rio. Ao desafio inicial da autora nos dois anos de mestrado &ndash; pensar sobre o feminino e o feminismo no \u00e2mbito da filosofia a partir da obra de Jacques Derrida &ndash; somou-se a inten\u00e7\u00e3o de analisar a poss\u00edvel contribui\u00e7\u00e3o do pensamento da desconstru\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo franc\u00eas \u00e0 teoria feminista e a cr\u00edtica que este faz ao chamado falo-logo-centrismo.<BR>  <P>No livro, Carla Rodrigues busca demonstrar de que maneira a pol\u00edtica feminista ainda pode contribuir para o questionamento de estruturas hier\u00e1rquicas e para o fim da suposi\u00e7\u00e3o de superioridade do masculino em rela\u00e7\u00e3o ao feminino. &ldquo;O feminino aparece, na filosofia de Derrida, como o elemento que mina e desconstr\u00f3i as afirma\u00e7\u00f5es do masculino, tanto de verdade como de fundamento. Ele vai pensar v\u00e1rias quest\u00f5es pol\u00edticas contempor\u00e2neas a partir da id\u00e9ia desse feminino como uma aus\u00eancia de fundamentos e aus\u00eancia de uma verdade absoluta&rdquo;, afirma Carla.<BR>  <P>Para tanto, a autora articula as proposi\u00e7\u00f5es de Derrida com te\u00f3ricas feministas como Drucilla Cornell, Joan Scott, Elizabeth Grosz, Diane Elam e Judith Butler, que, assim como o fil\u00f3sofo, defendem a possibilidade de o movimento feminista fazer pol\u00edtica sem necessariamente afirmar a identidade de um sujeito est\u00e1vel, \u00fanico &ndash; as mulheres. Como se fazer a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a partir da\u00ed, colocar a teoria na pr\u00e1tica, \u00e9 uma outra hist\u00f3ria, segundo a autora. &ldquo;Derrida \u00e9 defensor da id\u00e9ia de que o pensamento deve ser resguardado, independentemente do que vir\u00e1 de aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica depois. Somente pensando \u00e9 que se pode vir a modificar as coisas. Minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 pensar a teoria feminista&rdquo;, diz a jornalista, que atualmente se debru\u00e7a sobre sua tese de doutorado, onde, ao inv\u00e9s de dialogar especificamente com as teorias feministas, pretende ampliar a filosofia de Derrida para quest\u00f5es pol\u00edticas contempor\u00e2neas.<BR>  <P>Para ela, a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em nome de interesses espec\u00edficos da mulher &ndash; como se estes fossem um bloco monol\u00edtico &ndash; est\u00e1 fadada ao fracasso. &ldquo;J\u00e1 foi preciso fazer isso, agora \u00e9 preciso reinventar&rdquo;, assinala, nesta entrevista. &ldquo;Coreografias do feminino&rdquo; ser\u00e1 lan\u00e7ado em agosto, pela Editora Mulheres, mas j\u00e1 pode ser adquirido atrav\u00e9s do site <A href=\"http:\/\/www.editoramulheres.com.br\/\">www.editoramulheres.com.br<\/A><\/P> <P><B>A que se referem as &ldquo;coreografias&rdquo; do t\u00edtulo de seu livro? <\/B><\/P> <P>Fa\u00e7o refer\u00eancia a uma entrevista que Derrida deu \u00e0 feminista norte-americana Christie MacDonald, em 1979, e que recebeu o nome de &ldquo;Coreografias&rdquo;. A entrevista teve este t\u00edtulo porque a entrevistadora come\u00e7a o di\u00e1logo com uma provoca\u00e7\u00e3o ao citar uma feminista anarquista do s\u00e9culo XIX chamada Emma Goldman, que dizia <I>&ldquo;de nada me serve a sua revolu\u00e7\u00e3o se eu n\u00e3o puder dan\u00e7ar&rdquo;<\/I>. Na entrevista, Christie discute um texto de Derrida de 1979 chamado <I>\u00c9perons<\/I>, no original em franc\u00eas (<I>Esporas<\/I>, em portugu\u00eas) &ndash; um di\u00e1logo de Derrida com a obra de Nietzsche, primeiro grande fil\u00f3sofo a questionar a id\u00e9ia de uma verdade absoluta. No texto, Derrida questiona a id\u00e9ia do movimento feminista de colocar o homem como inferior e a mulher como superior como forma de desfazer a domina\u00e7\u00e3o masculina. Tirar este papel do homem para d\u00e1-lo \u00e0 mulher seria, para o fil\u00f3sofo, uma invers\u00e3o. O que Derrida sugere no texto \u00e9 uma outra forma de desfazer a oposi\u00e7\u00e3o homem\/mulher e masculino\/feminino, porque, para ele, simplesmente colocar as mulheres em posi\u00e7\u00e3o de superioridade \u00e9 manter a hierarquia. Ent\u00e3o, o que ele diz \u00e9 que as mulheres continuariam presas na mesma estrutura que as oprime, n\u00e3o haveria mudan\u00e7a. O que Emma Goldman quer dizer com <I>&ldquo;de nada me serve a sua revolu\u00e7\u00e3o se eu n\u00e3o puder dan\u00e7ar&rdquo;<\/I> \u00e9, na verdade, <I>&ldquo;para n\u00e3o poder dan\u00e7ar, me libertar, ent\u00e3o n\u00e3o adianta eu ser feminista&rdquo;<\/I>  <P>. Toda a obra de Derrida \u00e9 um questionamento aos pares opositivos. E os movimentos, de uma maneira geral, emergem justamente defendendo o direito \u00e0 diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao padr\u00e3o masculino.<BR>  <P><B>A demanda seria pelo direito \u00e0 diferen\u00e7a ou pelo direito \u00e0 igualdade?<\/B>  <P>\u00c9 primeiramente uma demanda pelo direito \u00e0 diferen\u00e7a, no sentido de ser diferente do padr\u00e3o, e \u00e9 tamb\u00e9m uma demanda pelo direito \u00e0 igualdade, no sentido de que, se essa diferen\u00e7a \u00e9 reconhecida, ent\u00e3o \u00e9 preciso conceder os mesmos direitos. O que muitas das te\u00f3ricas dizem \u00e9 que este \u00e9 um paradoxo: movimentos que surgem defendendo um direito \u00e0 diferen\u00e7a passem a exigir que as pessoas, dentro deles mesmos, sejam todas iguais, que tenham as mesmas demandas, as mesmas caracter\u00edsticas e as mesmas identidades. \u00c9 um paradoxo que come\u00e7ou a ser questionado j\u00e1 no final da d\u00e9cada de 1980. Em 1993, Judith Butler publicou o livro &ldquo;Problemas de g\u00eanero&rdquo;, publica\u00e7\u00e3o importante nesta linha de racioc\u00ednio. A partir do pensamento de Derrida, ela questiona a id\u00e9ia de que se precise afirmar uma identidade para se fazer pol\u00edtica em nome daquela identidade afirmada. Butler reconhece que isso \u00e9 dif\u00edcil de mudar e que toda a pol\u00edtica norte-americana est\u00e1 baseada em um <I>lobby<\/I> de representa\u00e7\u00e3o, mas questiona at\u00e9 que ponto n\u00e3o se pode pensar em fazer um novo tipo de pol\u00edtica sem que seja necess\u00e1rio haver um sujeito est\u00e1vel para faz\u00ea-la. Porque a id\u00e9ia do sujeito est\u00e1vel \u00e9 uma id\u00e9ia proveniente de um tipo de estrutura que se quer combater. Segundo Judith Butler, <I>&ldquo;um modo da domina\u00e7\u00e3o funcionar \u00e9 mediante a regula\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de sujeitos&rdquo;<\/I>.<BR>  <P><B>Mas uma pol\u00edtica representacional fundamentada em uma \u00fanica identidade n\u00e3o tem sido o caminho que o movimento feminista tem tomado, assim como os outros movimentos identit\u00e1rios &ndash; o negro e o lgbt?<\/B>  <P>Derrida, Butler e a Drucilla Cornell v\u00e3o dizer que a afirma\u00e7\u00e3o de uma identidade pode ser uma etapa necess\u00e1ria, mas n\u00e3o \u00e9 o suficiente. Nenhum deles est\u00e1 desqualificando os movimentos, at\u00e9 mesmo porque \u00e9 preciso fazer uma distin\u00e7\u00e3o entre os movimentos e as teorias feministas. \u00c9 razo\u00e1vel pensar que na pr\u00e1tica, na milit\u00e2ncia, enfim, na a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, isto seja por enquanto a \u00fanica coisa a se fazer mesmo, o que n\u00e3o quer dizer que as teorias n\u00e3o possam ousar a pensar al\u00e9m disso. Minha preocupa\u00e7\u00e3o, no livro, \u00e9 ousar pensar diferente. A partir da\u00ed, pode-se come\u00e7ar a pensar que h\u00e1 a possibilidade de se fazer pol\u00edtica de uma maneira diferente.<BR>  <P><B>Muitas feministas, como a francesa Fran\u00e7oise Collin, mostram uma certa resist\u00eancia ao pensamento da desconstru\u00e7\u00e3o proposto por Derrida. A possibilidade de alian\u00e7a com esta teoria ainda assusta um pouco as feministas?<\/B>  <P>N\u00e3o h\u00e1 consenso em torno disso. Nos Estados Unidos, o pensamento da desconstru\u00e7\u00e3o de Derrida vai ter uma grande acolhida pelas feministas p\u00f3s-estruturalistas, que o v\u00e3o chamar de p\u00f3s-estruturalismo. Bom lembrar que a formula\u00e7\u00e3o de Derrida n\u00e3o prop\u00f5e a liquida\u00e7\u00e3o do sujeito &ldquo;mulheres&rdquo;, simplesmente porque ele nunca existiu, dado e est\u00e1vel. Sobre isso, h\u00e1 uma frase sensacional de Butler: <I>&ldquo;H\u00e1 o refr\u00e3o que, justamente agora, quando as mulheres come\u00e7am a assumir o lugar de sujeitos, as posi\u00e7\u00f5es p\u00f3s-modernas chegam para anunciar que o sujeito est\u00e1 morto&ldquo;<\/I>. Ou seja, as mulheres se tornaram sujeito, mas o sujeito n\u00e3o existe.<BR>  <P><B>Por\u00e9m, ao mesmo tempo em que Derrida fala que o sujeito n\u00e3o existe, que \u00e9 uma f\u00e1bula, ele fala da exist\u00eancia de um <I>&ldquo;homem-branco-europeu-dotado-de-raz\u00e3o&mdash;sujeito-de-direitos&rdquo;<\/I>&#8230;<\/B>  <P>Ele se refere ao sujeito racional do Iluminismo, do <I>&ldquo;penso, logo existo&rdquo;<\/I>. Derrida diz que a identidade \u00e9 um processo, e substitui a id\u00e9ia de identidade pela id\u00e9ia de identifica\u00e7\u00e3o, por isso critica as fixa\u00e7\u00f5es de identidades para se fazer pol\u00edtica. O que h\u00e1, na verdade, \u00e9 um processo permanente de identifica\u00e7\u00e3o. Por sua vez, Judith Butler diz algo parecido. Segundo ela, o que existe s\u00e3o unidades contingentes e provis\u00f3rias. Isto n\u00e3o quer dizer que o sujeito n\u00e3o exista. Ele n\u00e3o existe como uma coisa \u00fanica, pronta e acabada. Est\u00e1 sempre em processo, parcial e tempor\u00e1rio. As defini\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser novos mecanismos de opress\u00e3o. Elas t\u00eam que ser flex\u00edveis.<BR>  <P><B>E n\u00e3o inflex\u00edveis como o tal <I>homem branco-europeu<\/I>&#8230;<\/B>  <P>Exatamente. Drucila Cornell, fil\u00f3sofa e advogada feminista, vai justamente dizer que n\u00e3o adianta se pensar em igualdade de direitos, porque esta igualdade sustenta o padr\u00e3o masculino como o ideal a ser alcan\u00e7ado, como uma refer\u00eancia. Se pensarmos em igualdade estaremos sempre em uma posi\u00e7\u00e3o inferior em busca de chegar ao mesmo ponto. Por isso, ao inv\u00e9s de pensar em igualdade, Cornell vai pensar em equival\u00eancia, em quais s\u00e3o os direitos equivalentes. Ela vai reconhecer caracter\u00edsticas espec\u00edficas das mulheres ou dos homossexuais. No caso feminino, Drucila Cornell exemplifica a maternidade como uma dessas caracter\u00edsticas. A quest\u00e3o \u00e9 o que fazer para valorizar o espec\u00edfico sem cair em um essencialismo. O problema \u00e9 que muitos dos discursos de defesa das especificidades da mulher acabam caindo em um discurso essencialista que diz coisas como <I>&ldquo;a mulher \u00e9 essencialmente fr\u00e1gil&rdquo;<\/I>. Mas, como diz Cornell, h\u00e1 especificidades e \u00e9 preciso reconhec\u00ea-las n\u00e3o com base nos crit\u00e9rios naturalizantes de sempre, mas para se poder formular uma equival\u00eancia.<BR>  <P><B>Na pr\u00e1tica, como \u00e9 poss\u00edvel propor esta equival\u00eancia de direitos no lugar da defesa da igualdade? A pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica feminista historicamente n\u00e3o vai contra isso, ao basear sua luta na igualdade entre os sexos, por exemplo?<\/B>  <P>A a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica feminista j\u00e1 tem buscado de muitas maneiras em n\u00e3o falar em nome da mulher. Na d\u00e9cada de 80 come\u00e7ou-se a falar nas mulheres brancas, nas mulheres negras, nas mulheres \u00edndias, nas mulheres orientais, nas mulheres ocidentais, tentando justamente se abrir a demandas espec\u00edficas. Uma mulher branca da zona sul da cidade do Rio de Janeiro n\u00e3o pode ser unificada em uma categoria que inclua uma mulher isl\u00e2mica, ou uma mulher negra da \u00c1frica, ou uma imigrante africana que viva na Fran\u00e7a. A milit\u00e2ncia j\u00e1 est\u00e1 tentando dar conta desse desafio h\u00e1 algum tempo.<BR>  <P><B>Como aplicar esta id\u00e9ia de equival\u00eancia no mercado de trabalho, por exemplo, no lugar da id\u00e9ia de igualdade?<\/B>  <P>H\u00e1 pa\u00edses, como os pa\u00edses n\u00f3rdicos e o Jap\u00e3o, em que o casal pode escolher quem vai ficar em casa quando nasce um filho. A It\u00e1lia j\u00e1 est\u00e1 discutindo isto tamb\u00e9m. Esta id\u00e9ia \u00e9 diferente de uma lei que obrigue a mulher a ficar em casa. A licen\u00e7a \u00e9 dada ao c\u00f4njuge que decidir ficar em casa tomando conta do filho. Algu\u00e9m precisa fazer as tarefas dom\u00e9sticas, e esta pessoa n\u00e3o precisa ser a mulher necessariamente. A possibilidade de que um homem &ndash; e n\u00e3o uma mulher &ndash; fique em casa durante um ano cuidando de uma crian\u00e7a \u00e9 muito importante para todo mundo, n\u00e3o somente para as mulheres. Os homens, que sempre estiveram presos a determinados padr\u00f5es, nunca se beneficiaram tanto, diante de tantas possibilidades que se abrem. A desconstru\u00e7\u00e3o da id\u00e9ia de que \u00e9 preciso se encaixar em padr\u00f5es pode ser bom tamb\u00e9m para eles.<BR>  <P><B>Em uma determinada altura do livro, h\u00e1 um questionamento seu: &ldquo;como pensar a pol\u00edtica feminista neste cen\u00e1rio de identidades que tremem?&rdquo; Qual a resposta para isso?<\/B>  <P>As te\u00f3ricas feministas p\u00f3s-estruturalistas n\u00e3o querem acabar com a pol\u00edtica feminista, que j\u00e1 se encontra debaixo de muitas cr\u00edticas. Quando eu coloco esta pergunta \u00e9 porque a pol\u00edtica em nome de interesses espec\u00edficos da mulher &ndash; como se estes fossem um bloco monol\u00edtico &ndash; est\u00e1 fadada ao fracasso. J\u00e1 foi preciso fazer isso, agora \u00e9 preciso reinventar. As unidades s\u00e3o contingentes e provis\u00f3rias. Ent\u00e3o a quest\u00e3o \u00e9 aceitar o provis\u00f3rio dentro da pol\u00edtica, o que \u00e9 muito dif\u00edcil, uma vez que a pol\u00edtica tenta ir em busca de solu\u00e7\u00f5es definitivas. Trata-se de aceitar uma certa fragilidade. Como diz Judith Butler, aceitar diverg\u00eancias, fragmenta\u00e7\u00f5es e rupturas, ao inv\u00e9s de apostar numa unidade totalizante, tamb\u00e9m \u00e9 parte de um processo democr\u00e1tico. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>En su libro&nbsp;\u00abCoreografias do feminino\u00bb, la periodista&nbsp;Carla Rodrigues,&nbsp;reflexiona sobre una&nbsp;pol\u00edtica feminista no fundamentada en un sujeto estable, cuya acci\u00f3n apunte hacia una noci\u00f3n de equivalencia de derechos. <EM>(Texto en portugu\u00e9s)<\/EM><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1214","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>&quot;Ahora es necesario reinventar&quot; - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/ahora-es-necesario-reinventar\/1214\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"&quot;Ahora es necesario reinventar&quot; - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"En su libro&nbsp;&quot;Coreografias do feminino&quot;, la periodista&nbsp;Carla Rodrigues,&nbsp;reflexiona sobre una&nbsp;pol\u00edtica feminista no fundamentada en un sujeto estable, cuya acci\u00f3n apunte hacia una noci\u00f3n de equivalencia de derechos. 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