{"id":1218,"date":"2009-09-01T00:00:00","date_gmt":"2009-09-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2009\/09\/01\/la-diversidad-del-mundo-l\/"},"modified":"2009-09-01T00:00:00","modified_gmt":"2009-09-01T03:00:00","slug":"la-diversidad-del-mundo-l","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/la-diversidad-del-mundo-l\/1218\/","title":{"rendered":"La diversidad del mundo L"},"content":{"rendered":"<p><P>H\u00e1 cinco anos, a antrop\u00f3loga argentina Andrea Lacombe (MN\/UFRJ) se debru\u00e7a sobre as diferentes sociabilidades l\u00e9sbicas. Em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, defendida em 2005 no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social, do Museu Nacional\/UFRJ, Lacombe centrou-se na masculinidade de mulheres, isto \u00e9, nas pr\u00e1ticas perform\u00e1ticas que a princ\u00edpio seriam pensadas como pr\u00f3prias e particulares dos homens e que, nesses casos, s\u00e3o reapropriadas por mulheres para desenvolver sua apresenta\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, sem que por esse motivo deixem de considerar a si mesmas como mulheres. A ser defendida ainda este ano, sua tese de doutorado versar\u00e1 sobre as subjetividades poss\u00edveis entre mulheres que t\u00eam rela\u00e7\u00f5es homoer\u00f3ticas. Em ambas as pesquisas, no entanto, a antrop\u00f3loga prefere ressaltar que o termo &ldquo;l\u00e9sbica&rdquo; n\u00e3o aparece como modo de auto-defini\u00e7\u00e3o ou de refer\u00eancia entre suas informantes.<BR> <\/P> <P>&ldquo;As mulheres que entrevistei n\u00e3o se sentem representadas com a palavra &lsquo;l\u00e9sbica&rsquo; ou &lsquo;lesbianismo&rsquo;, por consider\u00e1-las fruto do discurso m\u00e9dico e pol\u00edtico. Particularmente, penso que este termo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o inclusivo quanto outros como &lsquo;entendida&rsquo; ou &lsquo;do babado&rsquo;, comumente usados por elas mesmas por darem um sentido de pertencimento&rdquo;, diz Lacombe.<BR> <\/P> <P>Sua cr\u00edtica n\u00e3o \u00e9 direcionada somente aos termos sem\u00e2nticos, mas tamb\u00e9m ao sistema representativo de se fazer pol\u00edtica que, segundo a pesquisadora, cria o que ela chama de &lsquo;compartimentos estanques&rsquo; (pol\u00edticas p\u00fablicas, espa\u00e7os de sociabilidade, datas especiais) para sujeitos particulares com necessidades espec\u00edficas.<BR>  <P><B>Pesquisas sugerem que, assim como as outras identidades LGBT, as l\u00e9sbicas (o L da sigla) t\u00eam suas especificidades, n\u00e3o sendo um grupo t\u00e3o homog\u00eaneo o quanto se sup\u00f5e. N\u00e3o s\u00e3o iguais umas \u00e0s outras e muitos sustentam a exist\u00eancia de um <I>L world<\/I>. De que forma sua pesquisa contempla a multiplicidade de sujeitos existentes dentro dessa identidade? <\/B> <P>Primeiramente, eu n\u00e3o falaria em &lsquo;mundo&rsquo; sen\u00e3o em &lsquo;mundos&rsquo; L. Ali\u00e1s, at\u00e9 o &ldquo;L&rdquo; est\u00e1 sob suspeita, j\u00e1 que no campo da minha pesquisa a palavra l\u00e9sbica n\u00e3o possui carga sem\u00e2ntica, est\u00e1 vazia de significado, n\u00e3o faz parte do contexto discursivo. Tanto na minha pesquisa de campo de mestrado &ndash; sobre masculinidades de mulheres &ndash; como na de doutorado &ndash; sobre os diferentes modos em que mulheres que t\u00eam rela\u00e7\u00f5es homoer\u00f3ticas vivenciam sua sexualidade &ndash;, ambas no Rio de Janeiro, este termo n\u00e3o aparece como modo de auto-defini\u00e7\u00e3o ou de refer\u00eancia. <I>Entendida, do babado, gay, sapat\u00e3o, mulher que gosta de mulher<\/I> s\u00e3o diferentes denomina\u00e7\u00f5es que expressam uma multiplicidade que, por sua vez, t\u00eam algumas caracter\u00edsticas comuns. O interessante \u00e9 o modo em que estas semelhan\u00e7as se desenham e alinhavam, ancoradas basicamente na idade e na apresenta\u00e7\u00e3o de g\u00eanero como vetores de aproxima\u00e7\u00e3o e cruzamento. Com &lsquo;apresenta\u00e7\u00e3o de g\u00eanero&rsquo; refiro-me aos marcadores f\u00edsicos presentes tanto na vestimenta quanto na linguagem corporal, quer dizer, a forma com que essas mulheres se colocam no mundo. Esta converg\u00eancia entre estilos que pressup\u00f5em diferentes subjetividades implica negocia\u00e7\u00f5es que desenham crit\u00e9rios de normalidade no interior dos grupos e entre eles. Por sua vez, a idade como marcador denota diferentes pautas, centradas basicamente na concep\u00e7\u00e3o de intimidade. Neste sentido, os diferentes graus de exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica, como os atos de carinho, por exemplo, variam entre as mais jovens e as mais velhas, denotando diferen\u00e7as no interior da pr\u00f3pria homossociabilidade, em conson\u00e2ncia com pautas culturais de gera\u00e7\u00e3o, mais do que particularismos entre hetero e homossociabilidade.<BR>  <P>Por esses motivos, acredito que conceber uma homogeneidade amparada sob o guarda-chuvas da palavra l\u00e9sbica \u00e9, para mim, um problema a ser colocado tanto na arena pol\u00edtica, quanto na constru\u00e7\u00e3o categorial e te\u00f3rica que se afasta do que acontece na cotidianidade das pessoas.<BR>  <P><B>Qual a import\u00e2ncia de um dia espec\u00edfico para a visibilidade l\u00e9sbica? <\/B> <P>Primeiramente, \u00e9 preciso pensar o porqu\u00ea da necessidade de ter que dar visibilidade a um assunto que supostamente deveria ficar no \u00e2mbito do mundo privado. A quest\u00e3o que est\u00e1 por tr\u00e1s deste dia \u00e9 o imperativo social de tornar p\u00fablico um aspecto da vida privada, com o intuito de defender justamente o direito de exercer, de uma maneira vis\u00edvel, atos da esfera \u00edntima. Esta demanda de tomar conta do pr\u00f3prio corpo coloca a sexualidade como um fator de constitui\u00e7\u00e3o de determinados indiv\u00edduos enquanto sujeitos pol\u00edticos, a partir de um modo de vivenciar sua sexualidade que n\u00e3o responde \u00e0s maneiras modelares estruturantes de uma sociedade heteronormativa. Nesse sentido, a fragmenta\u00e7\u00e3o e os estilha\u00e7os em que se decomp\u00f5e o sujeito pol\u00edtico, ao tentar dar conta da diversidade, apagam um fator preponderante: a possibilidade de uma pr\u00e1tica sexual al\u00e9m da norma. Isto \u00e9, a meu ver, o que realmente deveria ser colocado como reivindica\u00e7\u00e3o na arena pol\u00edtica. Fa\u00e7o eco \u00e0 proposta da fil\u00f3sofa espanhola Beatriz Preciado em utilizar a no\u00e7\u00e3o ou categoria de multid\u00f5es como modo de substituir a id\u00e9ia de minorias sexuais para conseguir estruturar um sujeito politicamente poss\u00edvel, que desatrele a luta pol\u00edtica de uma identidade \u00fanica. Preciado diz que n\u00e3o h\u00e1 uma diferen\u00e7a sexual, mas uma multid\u00e3o de diferen\u00e7as, uma diversidade de potenciais de vida que n\u00e3o s\u00e3o &lsquo;represent\u00e1veis&rsquo; justamente por serem &lsquo;monstruosas&rsquo;. Estas diferen\u00e7as colocam em xeque tanto os regimes de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em si, quanto os sistemas de produ\u00e7\u00e3o de saber cient\u00edfico dos &lsquo;normais&rsquo;. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La antrop\u00f3loga Andrea Lacombe analiza cuan minoritaria puede ser la categor\u00eda &ldquo;lesbiana&rdquo; en determinados grupos de mujeres que tiene relaciones homoafectivas, en funci\u00f3n de la propia diversidad existente, y eval\u00faa la positivaci\u00f3n del D\u00eda de la Visivibilidad L\u00e9sbica. <EM>(Texto en portugu\u00e9s)<\/EM><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1218","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>La diversidad del mundo L - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/la-diversidad-del-mundo-l\/1218\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"La diversidad del mundo L - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"La antrop\u00f3loga Andrea Lacombe analiza cuan minoritaria puede ser la categor\u00eda &ldquo;lesbiana&rdquo; en determinados grupos de mujeres que tiene relaciones homoafectivas, en funci\u00f3n de la propia diversidad existente, y eval\u00faa la positivaci\u00f3n del D\u00eda de la Visivibilidad L\u00e9sbica. 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