{"id":1224,"date":"2009-10-21T00:00:00","date_gmt":"2009-10-21T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2009\/10\/21\/categorias-sexuales-en-disputa\/"},"modified":"2009-10-21T00:00:00","modified_gmt":"2009-10-21T02:00:00","slug":"categorias-sexuales-en-disputa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/categorias-sexuales-en-disputa\/1224\/","title":{"rendered":"Categor\u00edas sexuales en disputa"},"content":{"rendered":"<p>A pedofilia est\u00e1 frequentemente retratada nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. O ju\u00edzo de valor imediato que ela traz \u00e9 categ\u00f3rico: a rela\u00e7\u00e3o com uma crian\u00e7a ou adolescente \u00e9 vista como uma monstruosidade inaceit\u00e1vel, ideia n\u00e3o apenas traduzida pelo jornalismo como tamb\u00e9m refor\u00e7ada pela literatura m\u00e9dica, psicol\u00f3gica, religiosa e por quest\u00f5es culturais. No dia-a-dia, pode soar pouco plaus\u00edvel que existam indiv\u00edduos que aspiram legitimar ou conseguir algum reconhecimento para seus desejos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as. Mas h\u00e1, mesmo que de maneira pontual, alguns movimentos de auto-afirma\u00e7\u00e3o e de busca por aceita\u00e7\u00e3o social da rela\u00e7\u00e3o sexual com menores que s\u00e3o identificados, sobretudo na internet.<BR>  <P>O fen\u00f4meno, antes mesmo de aparecer na rede virtual, j\u00e1 chamava a aten\u00e7\u00e3o de Alessandro Jos\u00e9 de Oliveira, doutorando em Ci\u00eancias Sociais da Unicamp. Enquanto trabalhou em um programa de combate \u00e0 explora\u00e7\u00e3o sexual, observou que, para alguns dos adolescentes (na faixa dos 12 aos 14), a imagem que tinham dos seus &ldquo;abusadores&rdquo; nem sempre era de total repulsa.<BR>  <P>Ato cont\u00ednuo, ele se mobilizou para estudar o tema e escreveu o artigo &ldquo;De &lsquo;ped\u00f3filo&rsquo; \u00e0 <I>&lsquo;boylover<\/I>&rsquo;: ilus\u00e3o ou uma nova categoria sexual que se anuncia?&rdquo;, presente no livro &ldquo;Prazeres Dissidentes&rdquo;, (CLAM\/Editora Garamond), organizado por Mar\u00eda Elvira D\u00edaz-Ben\u00edtez e Carlos Figari, lan\u00e7ado no dia 21 de outubro, em S\u00e3o Paulo.<BR>  <P>Em entrevista ao CLAM, Alessandro Jos\u00e9 de Oliveira fala sobre suas impress\u00f5es a respeito dessas categorias sexuais, seu discurso predominante e como elas operam com tal designa\u00e7\u00e3o dentro de contextos legais e m\u00e9dicos.<BR>  <P><B>O t\u00edtulo de seu artigo &ldquo;De &lsquo;ped\u00f3filo&rsquo; \u00e0 &lsquo;boylover&rsquo;: ilus\u00e3o ou uma nova categoria sexual que se anuncia?&rdquo; termina com uma pergunta. Achou uma resposta? Em caso afirmativo, como se d\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o dessa nova categoria sexual?<\/B>  <P>Esse artigo \u00e9 uma tentativa de demonstrar que h\u00e1 uma instabilidade nas categorias que, frequentemente, a maioria das pessoas considera fixa. Nesse sentido, sim, posso afirmar que est\u00e1 (como sempre esteve) em curso a cria\u00e7\u00e3o de uma ou mais categorias sexuais. Contudo, n\u00e3o se pode desconsiderar a presen\u00e7a de uma tradi\u00e7\u00e3o que permite conservar e refor\u00e7ar os sentidos conhecidos. Ou seja, respondendo a pergunta, eu diria que sim e que n\u00e3o: sim porque \u00e9 percept\u00edvel uma tentativa de cria\u00e7\u00e3o de uma nova categoria, inserida, como outras, no marco de disputas de sentidos, como parte consider\u00e1vel da hist\u00f3ria da sexualidade nos revela. Mas, eu tamb\u00e9m diria que n\u00e3o, porque n\u00e3o h\u00e1 como apagar o efeito daquilo que est\u00e1 tradicionalmente consolidado. N\u00e3o podemos nos esquecer que essa categoria, al\u00e9m de ser altamente estigmatizada, tem que lidar com o fato de estar inserida dentro daquilo que consideramos um crime.<BR>  <P>Assim, ao mesmo tempo em que se abrem brechas no discurso tradicional, concomitantemente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desprez\u00e1-lo, ignor\u00e1-lo ou apag\u00e1-lo. Nesse sentido, o que fa\u00e7o nesse artigo \u00e9 discutir o processo pelo qual essas categorias sexuais s\u00e3o disputadas e negociadas em nossa sociedade. Isso significa dizer que busco acompanhar as din\u00e2micas sociais pelos quais se confere os sentidos ao termo &ldquo;pedofilia&rdquo; e s\u00e3o elas que poder\u00e3o dizer se novas categorias sexuais se anunciam ou se s\u00e3o ilus\u00f5es.<BR>  <P><B>Hoje em dia, em diferentes pa\u00edses do mundo, o ambiente virtual \u00e9 usado como cen\u00e1rio de uma milit\u00e2ncia cujo objetivo \u00e9 tirar a pedofilia do r\u00f3tulo da pervers\u00e3o e da patologia. Quais os discursos empregados com esse intuito?<\/B>  <P>Fora do Brasil, os principais argumentos utilizados pelos militantes ped\u00f3filos operam como um eco dos movimentos das minorias sexuais. Eles manifestam um desejo de despatologiza\u00e7\u00e3o da pedofilia. Num outro vi\u00e9s, apoiados na concep\u00e7\u00e3o de um sujeito de direitos, eles reivindicam o direito de liberdade no uso do corpo e da sexualidade inclusive pelas crian\u00e7as.<BR>  <P>Por\u00e9m, no caso espec\u00edfico do Brasil n\u00e3o h\u00e1 um ativismo ped\u00f3filo, o que existe s\u00e3o discuss\u00f5es que chegam aos &ldquo;ped\u00f3filos&rdquo; sobre esse ativismo. Aqui, o que se observa com muito mais frequ\u00eancia \u00e9 uma tentativa de se afastar do estigma de monstro atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o com uma patologia. Assim, segundo o que tenho observado, enquanto que l\u00e1 fora, sobretudo na Holanda, os &ldquo;ped\u00f3filos&rdquo; reivindicam seu interesse sexual fora do crime e da doen\u00e7a, os &ldquo;ped\u00f3filos&rdquo; aqui se identificam mais com a doen\u00e7a como estrat\u00e9gia para fugir do estigma da monstruosidade.<BR>  <P><B>O sexo intergeracional era aceito em algumas sociedades antigas, como a Gr\u00e9cia. Historicamente, como se deu a passagem do espectro da normalidade para o da anormalidade e condena\u00e7\u00e3o?<\/B>  <P>Podemos dizer que na pr\u00f3pria sociedade antiga existiram formas diferentes de tratar essas rela\u00e7\u00f5es, tanto de um local para outro como de um per\u00edodo para outro. Contudo, <I>grosso modo<\/I>, e como afirma Hoyston Lambert quando se refere ao amor do Imperador Adriano, as rela\u00e7\u00f5es sexuais entre adultos e pr\u00e9-p\u00faberes eram consideradas constitutivas daquelas sociedades e isso permaneceu mais ou menos assim durante um longo per\u00edodo.<BR>  <P>\u00c9 preciso considerar que, \u00e0 medida que surge uma maior sensibilidade \u00e0 viol\u00eancia de forma geral e \u00e0 viol\u00eancia sexual em espec\u00edfico, um aparato de controle foi gradativamente sendo criado. Mas a condi\u00e7\u00e3o principal que levou as rela\u00e7\u00f5es sexuais entre adultos e crian\u00e7as para o campo da anormalidade se deu na constitui\u00e7\u00e3o dos valores da sociedade contempor\u00e2nea seguindo duas vias. De um lado, ocorreu um afastamento dos preceitos religiosos e, com isso, uma busca cada vez maior \u00e0s explica\u00e7\u00f5es racionais e &ldquo;cient\u00edficas&rdquo;. Tal fato permitiu que os m\u00e9dicos, entre outros, ganhassem um estatuto de maior prest\u00edgio social, principalmente no final do s\u00e9culo XVIII ao responderem \u00e0 demanda de salvar a vida das pessoas e, sobretudo, atrav\u00e9s de uma enorme interven\u00e7\u00e3o na reorganiza\u00e7\u00e3o das cidades, com as chamadas reformas sanit\u00e1rias. Tal prest\u00edgio, por sua vez, autorizou que eles interviessem de forma a determinar inclusive o que deveria ou n\u00e3o ser permitido em termos das sexualidades das pessoas.<BR>  <P>Como a base normativa do discurso m\u00e9dico era dada por um consenso de que o intercurso sexual era ligado \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o, sendo essa a \u00fanica fun\u00e7\u00e3o a ser considerada normal\/natural, todas as outras formas de sexualidade foram consideradas anormais: entre elas, a pedofilia. Assim surge o sujeito ped\u00f3filo como um anormal.<BR>  <P>J\u00e1 uma segunda via que nos permite compreender como ocorreu a passagem para a anormalidade e condena\u00e7\u00e3o pode ser explorada quando consideramos uma mudan\u00e7a de mentalidade que levou a sociedade a rejeitar mais as viol\u00eancias, incluindo o intercurso sexual entre adulto e crian\u00e7a. Ocorre um processo civilizador, como denomina Norbert Elias.<BR>  <P>Tal processo implicou ainda no desenvolvimento de uma no\u00e7\u00e3o de vergonha que levou a uma maior diferencia\u00e7\u00e3o entre adultos e crian\u00e7as. Dessa forma, n\u00e3o se podia ficar nu em qualquer lugar, nem tampouco falar de qualquer coisa em qualquer lugar. Os relatos de conte\u00fado sexual passaram a ser mais policiados e as crian\u00e7as foram poupadas ou proibidas de se meter nos assuntos dos adultos. Gradativamente separa-se aquilo que corresponderia ao mundo do adulto e aquilo que correspondia ao mundo da crian\u00e7a. Para o historiador Vigarello, uma nova vis\u00e3o da inf\u00e2ncia come\u00e7a a emergir a partir de 1750-60. Contudo, como discute Ian Hacking, \u00e9 somente por volta de 1964 quando a percep\u00e7\u00e3o dos maus-tratos infantis no bojo da pediatria norte-americana desdobrou-se em campanhas contra esses abusos, foi quando os abusos sexuais contra crian\u00e7a ganharam expressividade suficiente para ampliar nossa sensibilidade. E isso marcou mais definitivamente o intercurso sexual entre adultos e crian\u00e7as no lugar da proibi\u00e7\u00e3o como o conhecemos.<BR>  <P><B>Voc\u00ea aponta em seu artigo que no mundo contempor\u00e2neo existem ambig\u00fcidades na lei e uma necessidade de garantir mais prote\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as e aos adolescentes dadas essas falhas. O artigo diz que <I>&ldquo;os crit\u00e9rios legais nunca parecem ser suficientes para disciplinar as din\u00e2micas sexuais&rdquo;<\/I>. Um exemplo \u00e9 a idade de inicia\u00e7\u00e3o sexual masculina e feminina em pa\u00edses como o Brasil, por exemplo, onde pesquisas apontam que essa inicia\u00e7\u00e3o se d\u00e1 abaixo dos 18 anos. Que arranjos est\u00e3o sendo criados para dar conta de tais ambig\u00fcidades?<\/B>  <P>N\u00e3o falo enquanto um profissional que trabalha especificamente com as leis. Contudo, vejo que recentemente h\u00e1 uma vontade pol\u00edtica de inscrever corre\u00e7\u00f5es nas leis. Podemos inferir atrav\u00e9s da obra &ldquo;Corpos, Prazeres e Paix\u00f5es&rdquo;, de Richard Parker, que no caso do Brasil, a assimetria de g\u00eanero \u00e9 dada historicamente em nossa cultura, sobretudo por uma concep\u00e7\u00e3o machista.<BR>  <P>Segundo ele, nossa hist\u00f3ria \u00e9 fortemente marcada por uma id\u00e9ia de que h\u00e1 mulheres para casar e mulheres para transar. Assim, enquanto que para elas o valor era dado pela sua capacidade de manter-se virgem e destinada ao casamento, para os homens, por outro lado, valorizava-se a busca precoce de relacionamentos sexuais. As modifica\u00e7\u00f5es desse contexto ainda est\u00e3o em curso, principalmente pelo conjunto de mudan\u00e7as que incidem sobre a fam\u00edlia, a religi\u00e3o, a mulher, entre outros. Os movimentos feministas, a revolu\u00e7\u00e3o cultural, o movimento de contra-cultura e o movimento gay, bem como as cria\u00e7\u00f5es de novas tecnologias reprodutivas, t\u00eam sido pe\u00e7as fundamentais para redesenhar esse cen\u00e1rio e alterar as ambig\u00fcidades desse tipo de arranjo.<BR>  <P>No que diz respeito \u00e0s leis, \u00e9 preciso ficar claro que o ponto nodal pelo qual os legisladores debru\u00e7am refere-se a um debate sobre o que est\u00e1 sendo protegido. Dessa maneira, conforme In\u00eas Ferreira Leite (assistente em ci\u00eancias jur\u00eddicas de Lisboa, [2004, pp.27-44]), \u00e9 preciso considerar que legalmente todos t\u00eam liberdade sexual independente da idade. A lei s\u00f3 deve intervir contra o aproveitamento de uma situa\u00e7\u00e3o de desigualdade.<BR>  <P>Assim, podemos considerar que n\u00e3o \u00e9 a descoberta sexual entre adolescentes ou entre crian\u00e7as que deve ser restringida, mas o abuso que pode ocorrer dentro dessa descoberta. Para a autora, o foco \u00e9 a restri\u00e7\u00e3o da liberdade sexual do menor, que s\u00f3 se justifica quando se demonstrar que um contato sexual coloca em causa outros valores, como o livre desenvolvimento do menor. Do contr\u00e1rio, estaria se legislando uma abstin\u00eancia sexual obrigat\u00f3ria e, consequentemente, uma &ldquo;desumaniza\u00e7\u00e3o&rdquo; dos indiv\u00edduos de pouca idade. \u00c9 a partir desses termos que busco afirmar que os crit\u00e9rios legais nunca s\u00e3o suficientes para disciplinar as din\u00e2micas sexuais. Por\u00e9m, somente um profissional que trabalha especificamente com as leis pode responder com propriedade as especificidades dessas contradi\u00e7\u00f5es entre pr\u00e1tica social e restri\u00e7\u00e3o legal.<BR>  <P><B>Em que medida o termo &ldquo;boylover&rdquo; legitima a atra\u00e7\u00e3o por crian\u00e7as? <\/B> <P>O termo &ldquo;boylover&rdquo; \u00e9 um termo em disputa. At\u00e9 onde pude observar, ele \u00e9 convocado para significar: 1 &#8211; uma antinomia com os sentidos tradicionalmente vinculados ao termo &ldquo;pedofilia&rdquo;, isto \u00e9, doen\u00e7a crime ou uma monstruosidade; assim ser &ldquo;boylover&rdquo; \u00e9 ser um sujeito que n\u00e3o \u00e9 doente, criminoso ou mostro, mas por ser um termo em disputa, opostamente -2 ser &ldquo;boylover&rdquo;, para alguns, \u00e9 justamente ser a mesma coisa que tradicionalmente se entende como &ldquo;ped\u00f3filo &rdquo; isto \u00e9, um monstro , um criminoso e um doente; para al\u00e9m disso aparece ainda um outro sentido, assim ser &ldquo;boylover&rdquo; \u00e9 tamb\u00e9m investir em 3 &#8211; uma &ldquo;pedofilia&rdquo; politicamente correta em que o sujeito fantasia ou recorda momentos em que esteve com uma crian\u00e7a, mas que n\u00e3o a tocou. Portanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar que o termo &ldquo;boylover&rdquo; legitima a atra\u00e7\u00e3o por crian\u00e7as. Ele indica um conjunto divergente de considera\u00e7\u00f5es sobre essas rela\u00e7\u00f5es.<BR>  <P><B>Em seu artigo voc\u00ea analisa as tens\u00f5es que existem entre os membros da p\u00e1gina de relacionamentos que voc\u00ea pesquisou, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma de se autodenominar, autolegitimar e \u00e0s vis\u00f5es diversas que as pessoas que ali participam t\u00eam sobre o gosto ou admira\u00e7\u00e3o pelas crian\u00e7as. Poderia explicar como se d\u00e3o essas tens\u00f5es, em que consistem? Ou seja, existem hierarquiza\u00e7\u00f5es com base em ju\u00edzos morais e na cria\u00e7\u00e3o de novos &ldquo;desviantes&rdquo; dentro dessa rede?<\/B>  <P>No universo de minha pesquisa h\u00e1 diversas tens\u00f5es que busco explorar. Assim, por exemplo, h\u00e1 uma tens\u00e3o entre aqueles que se auto-avaliam como doentes e aqueles que refutam essa id\u00e9ia, assim como h\u00e1 tens\u00f5es entre aqueles que buscam associar o termo &ldquo;boylover&rdquo; a uma identidade fora do crime e da doen\u00e7a e aqueles que buscam associar esse termo ao sentido tradicional dado ao termo &ldquo;pedofilia&rdquo; (doen\u00e7a e crime). Esses primeiros, (os &ldquo;boylovers&rdquo; que se afirmam distanciando-se das doen\u00e7as e dos crimes) \u00e0s vezes atribuem aos sujeitos que cometem abusos violentos o car\u00e1ter de patol\u00f3gico e criminoso, considerando-os como &ldquo;os verdadeiros ped\u00f3filos&rdquo;. Nesse sentido, eles criam uma hierarquia, pois haveria os &ldquo;boylovers&rdquo; que gostam de crian\u00e7a, mas n\u00e3o as agridem e os ped\u00f3filos (que seriam os monstros, doentes e criminosos). Contudo, no Brasil, h\u00e1 uma diferen\u00e7a a ser considerada; o termo &ldquo;boylover&rdquo;, muitas vezes, \u00e9 acionado para se referir somente aqueles que desejam e fantasiam intercurso sexual com crian\u00e7as. Assim, os demais, isto \u00e9, os ped\u00f3filos seriam tanto aqueles que buscam o consentimento das crian\u00e7as para o intercurso sexual (tais como os ativistas ped\u00f3filos), quanto aqueles que realizam tal intercurso de forma violenta. No bojo de minha pesquisa observo que, de fato, uma nova categoria de desviantes pode estar sendo formulada, mas \u00e9 preciso ressaltar que em locais diferentes, os mesmos enunciadores ora afirmam uma coisa e, em outros lugares de seus enunciados, contraditoriamente, afirmam outra coisa, a respeito do que entendem como pedofilia, &ldquo;boylover&rdquo;, entre outras coisas. Nesse sentido, \u00e9 que prefiro dizer que o que est\u00e1 acontecendo \u00e9 o aparecimento de sentidos novos que est\u00e3o em disputas (e que podem criar novas categorias e novas hierarquias).<BR>  <P><STRONG>O artigo chama a aten\u00e7\u00e3o para a exagerada atmosfera de p\u00e2nico que atravessa o atual modelo norte-americano de tratamento de quest\u00f5es relativas \u00e0 sexualidade intergeracional. Qual a influ\u00eancia deste modelo no Brasil? Acha que estamos de alguma forma importando este modelo ou tentando encontrar um caminho alternativo?<BR> <BR> <\/STRONG>De forma geral, vemos que a influ\u00eancia de uma m\u00eddia sensacionalista refor\u00e7a a atmosfera de p\u00e2nico em rela\u00e7\u00e3o ao intercurso sexual entre adultos e crian\u00e7as. N\u00e3o se passa uma semana sem not\u00edcias de esc\u00e2ndalo sexual dessa natureza nos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<BR> <BR> Entretanto, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a m\u00eddia sensacionalista que tem contribu\u00eddo para esse p\u00e2nico. Outros meios de comunica\u00e7\u00e3o menos sensacionalistas, tamb\u00e9m t\u00eam noticiado um conjunto de id\u00e9ias a respeito. Apesar dessa forte influ\u00eancia, \u00e9 preciso chamar a aten\u00e7\u00e3o aqui que essa quest\u00e3o \u00e9 bem mais ampla. Congressos de v\u00e1rias \u00e1reas m\u00e9dicas, bem como encontros que discutem forma de proteger as crian\u00e7as, tamb\u00e9m t\u00eam seu peso no sentido de ancorar um discurso muitas vezes exagerado.<BR> <BR> Al\u00e9m disso, diversos pa\u00edses t\u00eam realizado discuss\u00f5es sobre a tem\u00e1tica de forma que o tema tamb\u00e9m ressoa em v\u00e1rios setores da sociedade ocidental. Quero dizer com isso que, se de fato n\u00e3o podemos negar a influ\u00eancia de outros pa\u00edses, por outro lado, o cen\u00e1rio \u00e9 complexo e ainda \u00e9 preciso fazer mais estudos. Assim, n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es de afirmar categoricamente que estamos reproduzindo um modelo ou criando um caminho alternativo de tratar a quest\u00e3o. Ao ficarmos atentos \u00e0 tessitura dos notici\u00e1rios e congressos podemos observar que eles t\u00eam imprimido elementos bem diversificados para se lidar com o tema, no entanto, muitas vezes, os notici\u00e1rios cotidianos inspiram mais \u00e0 como\u00e7\u00e3o do que um esclarecimento sobre essa diversidade de elementos.<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>En su art\u00edculo acerca de las categor\u00edas \u00abped\u00f3filo\u00bb y \u00abboylover\u00bb, publicado en la compilaci\u00f3n Prazeres Dissidentes, lanzada hoy en S\u00e3o Paulo, Alessandro de Oliveira se refiere a c\u00f3mo estas categor\u00edas sexuales operan en contextos legales y m\u00e9dicos. <I>(Texto em portugu\u00eas)<\/I><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1224","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Categor\u00edas sexuales en disputa - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/categorias-sexuales-en-disputa\/1224\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Categor\u00edas sexuales en disputa - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"En su art\u00edculo acerca de las categor\u00edas &quot;ped\u00f3filo&quot; y &quot;boylover&quot;, publicado en la compilaci\u00f3n Prazeres Dissidentes, lanzada hoy en S\u00e3o Paulo, Alessandro de Oliveira se refiere a c\u00f3mo estas categor\u00edas sexuales operan en contextos legales y m\u00e9dicos. 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