{"id":1240,"date":"2010-02-23T00:00:00","date_gmt":"2010-02-23T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2010\/02\/23\/placer-en-publico\/"},"modified":"2010-02-23T00:00:00","modified_gmt":"2010-02-23T03:00:00","slug":"placer-en-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/placer-en-publico\/1240\/","title":{"rendered":"Placer en p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p>Em seu conceito mais usual, &ldquo;pega\u00e7\u00e3o&rdquo; \u00e9 um termo empregado para designar a pr\u00e1tica sexual an\u00f4nima, ef\u00eamera e fugaz entre homens que exercem pr\u00e1ticas homoer\u00f3ticas, realizada em espa\u00e7os simbolicamente demarcados nos grandes centros urbanos, como banheiros de <I>shopping centers<\/I>, parques, praias, saunas, cinemas e clubes de sexo &ndash; espa\u00e7os conhecidos por quem os freq\u00fcenta como &ldquo;locais de pega\u00e7\u00e3o&rdquo;, informalmente apropriados para intercursos sexuais furtivos e sem pr\u00e9via vincula\u00e7\u00e3o afetiva.<BR>  <P>O soci\u00f3logo norte-americano Laud Humpreys tem sido considerado o pioneiro neste tipo de estudo devido \u00e0 <I>Tearoom Trade<\/I>, pesquisa que tratou dos encontros sexuais entre homens em banheiros p\u00fablicos nos Estados Unidos, publicada em 1970. Mesmo sendo poss\u00edvel afirmar que no Brasil as investiga\u00e7\u00f5es sobre intera\u00e7\u00f5es de sexo ocasional entre homens em lugares p\u00fablicos e semi-p\u00fablicos sejam escassas nas ci\u00eancias sociais, j\u00e1 desde os anos de 1980 aparecem pesquisas importantes, como <I>O neg\u00f3cio do Mich\u00ea<\/I>, de Nestor Perlongher (1989), sobre prostitui\u00e7\u00e3o masculina em S\u00e3o Paulo, e <I>No escurinho do cinema<\/I>, de Veriano Terto Jr. (1989), sobre a intera\u00e7\u00e3o sexual entre freq\u00fcentadores de um cinema de filmes pornogr\u00e1ficos no Rio de Janeiro. Vale a pena destacar tamb\u00e9m <I>No escurinho do cinema: cenas de um p\u00fablico impl\u00edcito<\/I>, de Alexandre Vale (2000), olhar sobre a prostitui\u00e7\u00e3o travesti e pr\u00e1ticas homoer\u00f3ticas em um &ldquo;cinem\u00e3o&rdquo; em Fortaleza; e <I><<Dark Room.pdf | <U>Dark Room Aqui: um ritual de escurid\u00e3o e sil\u00eancio<\/U> | | | _blank>><\/I>, de Mar\u00eda Elvira D\u00edaz-Ben\u00edtez (2008), sobre pr\u00e1ticas de sexo casual entre homens no quarto escuro de uma boate carioca. Livros como <EM><U><a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=257&amp;sid=56\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Locas, Chongos y Gays<\/A><\/U><\/EM>, de Horacio S\u00edvori (2004), e <I>Fiestas, ba\u00f1os y exilios<\/I>, de Flavio Rapisardi e Alejandro Modarelli (2001), abordam a pr\u00e1tica da pega\u00e7\u00e3o ou &ldquo;yiro&rdquo; entre homens na Argentina.<BR> <BR> Nesta entrevista, o CLAM falou com dois autores que t\u00eam se debru\u00e7ado recentemente no estudo desta quest\u00e3o. Em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado &ndash; &ldquo;Territ\u00f3rios Homoer\u00f3ticos em Belo Horizonte: um estudo sobre intera\u00e7\u00f5es nos espa\u00e7os da cidade&rdquo; &ndash;, defendida em 2003 na PUC Minas, o pesquisador Alexandre Eust\u00e1quio Teixeira, professor assistente do Departamento de Ci\u00eancias Sociais daquela universidade, identifica os locais, as intera\u00e7\u00f5es e as identidades sociais dos sujeitos que freq\u00fcentavam tais territ\u00f3rios na d\u00e9cada de 1990. Graduado em arquitetura e urbanismo, Alexandre foi fazer o Mestrado em Ci\u00eancias Sociais com o desejo de estudar a cidade de Belo Horizonte (MG) a partir de uma investiga\u00e7\u00e3o de como o uso dos espa\u00e7os influenciam a produ\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es e s\u00edmbolos sobre ela. &ldquo;A escolha do tema da pega\u00e7\u00e3o surgiu da minha curiosidade em conhecer melhor essa forma de apropria\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o da cidade. A pega\u00e7\u00e3o faz parte do imagin\u00e1rio homossexual e, naquela \u00e9poca, tinha muita curiosidade em conhecer esses lugares e como os sujeitos que os freq\u00fcentavam se apropriavam dessas experi\u00eancias para compor suas hist\u00f3rias de vida&rdquo;, lembra ele.<BR> <BR> A pega\u00e7\u00e3o nos clubes de sexo da cidade de S\u00e3o Paulo \u00e9 tema de uma tese de doutorado da \u00e1rea de Estudos de G\u00eanero em Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Campinas (Unicamp), a ser defendida em abril deste ano pelo pesquisador Camilo Albuquerque de Braz. &ldquo;Um dos principais elementos que me instigaram a estudar antropologicamente esses estabelecimentos foi a percep\u00e7\u00e3o de que este era um mercado que dialogava fortemente com conven\u00e7\u00f5es de g\u00eanero. Sabia que lidaria necessariamente com uma ambival\u00eancia: por um lado, \u00abdeslocamento\u00bb de conven\u00e7\u00f5es, por outro, \u00abreafirma\u00e7\u00e3o\u00bb delas. Meu argumento \u00e9 que o mercado dos clubes de sexo em S\u00e3o Paulo flerta com \u00abfetiches\u00bb presentes na pornografia gay e apropria-se de elementos historicamente constru\u00eddos em torno dos <I>leather bars<\/I> norte-americanos e europeus, cruzando estere\u00f3tipos tradicionalmente associados \u00e0 virilidade e tamb\u00e9m \u00e0 sexualidade gay, numa rela\u00e7\u00e3o ambivalente entre o normativo e o transgressivo&rdquo;, afirma Camilo.<BR> <BR> Autores dos artigos &ldquo;Discursos e representa\u00e7\u00f5es sobre os territ\u00f3rios <U>de<\/U> &lsquo;pega\u00e7\u00e3o&rsquo; em Belo Horizonte&rdquo; e &ldquo;Sil\u00eancio, Suor e Sexo: subjetividades e diferen\u00e7as em clubes para homens&rdquo;, que comp\u00f5em a colet\u00e2nea<U> <EM><a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=5973&amp;sid=79\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Prazeres Dissidentes<\/A><\/EM><\/U> (CLAM\/Editora Garamond), Alexandre Teixeira e Camilo Albuquerque de Braz falam de seus trabalhos na entrevista a seguir.<BR> <B><BR> A partir da an\u00e1lise das representa\u00e7\u00f5es dos freq\u00fcentadores dos espa\u00e7os estudados em suas pesquisas, que diferen\u00e7as podem ser estabelecidas entre esses locais e as intera\u00e7\u00f5es que neles acontecem? \u00c9 poss\u00edvel perceber, a partir dessas representa\u00e7\u00f5es, as diferen\u00e7as entre um freq\u00fcentador e outro e a raz\u00e3o de sua escolha por esse tipo de lugar?<\/B>  <P><B>Alexandre<\/B> &ndash; Em rela\u00e7\u00e3o aos tipos de locais de pega\u00e7\u00e3o estudados em minha disserta\u00e7\u00e3o, constatei que aqueles localizados em espa\u00e7os p\u00fablicos (por exemplo, banheiros de parques e pra\u00e7as) ou semi-p\u00fablicos sem controle de acesso (por exemplo, banheiros de supermercados e galerias) foram representados como locais ruins para a pega\u00e7\u00e3o por serem freq\u00fcentados, majoritariamente, por um p\u00fablico pouco desej\u00e1vel (homens feios, velhos, pobres, mendigos etc.), por serem insalubres (pouco ventilados, iluminados, sujos etc.) e por serem considerados inseguros (por registrarem roubos, batidas policiais etc.). Os demais locais de pega\u00e7\u00e3o semi-p\u00fablicos (cinemas, saunas, banheiros de shoppings etc.) foram representados mais positivamente exatamente por apresentarem caracter\u00edsticas opostas \u00e0s descritas anteriormente: seriam melhor freq\u00fcentados, limpos e mais seguros. Entretanto, apesar dessas diferen\u00e7as estarem claramente marcadas nos discursos, \u00e9 importante ressaltar que foi observada uma heterogeneidade de p\u00fablico em todos os espa\u00e7os descritos, principalmente nos espa\u00e7os de pega\u00e7\u00e3o em locais p\u00fablicos, o que explicaria as descri\u00e7\u00f5es estigmatizadas e negativas desses locais.<BR>  <P><B>Camilo<\/B> &ndash; Um primeiro aspecto que pode ser ressaltado quanto \u00e0s diferen\u00e7as apontadas pelos meus colaboradores de pesquisa entre locais comerciais e n\u00e3o-comerciais para encontros sexuais entre homens \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o de que os primeiros proporcionam relativa seguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos segundos. A pega\u00e7\u00e3o em locais p\u00fablicos, tais como banheiros (\u00abbanheir\u00f5es\u00bb), \u00e9 tida como mais \u00abperigosa\u00bb relativamente aos estabelecimentos comerciais para sexo, seja quanto \u00e0 possibilidade de atua\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, seja quanto \u00e0 possibilidade de assaltos ou mesmo de vexa\u00e7\u00e3o por parte dos demais usu\u00e1rios destes espa\u00e7os. H\u00e1 uma no\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00e3o pessoal e corporal fronteiri\u00e7a em locais p\u00fablicos que, ainda que possa ser tomada como er\u00f3tica ou excitante por conta do perigo que evoca, e pela possibilidade do <I>voyerismo<\/I> e da exibi\u00e7\u00e3o, ainda assim traz implica\u00e7\u00f5es do ponto de vista da seguran\u00e7a que n\u00e3o s\u00e3o menosprezadas por seus sujeitos. N\u00e9stor Perlongher j\u00e1 dizia, em <I>O Neg\u00f3cio do Mich\u00ea<\/I>, que a \u00abmichetagem\u00bb em locais p\u00fablicos figurava na escala mais baixa do \u00abneg\u00f3cio\u00bb, e creio que isso tem muito a ver com quest\u00f5es simb\u00f3licas &#8211; na pega\u00e7\u00e3o em espa\u00e7os p\u00fablicos, a atua\u00e7\u00e3o de marcadores sociais de diferen\u00e7a que podem operar estabelecendo as fronteiras do leg\u00edtimo e do ileg\u00edtimo, do intelig\u00edvel, ainda que n\u00e3o esteja ausente, \u00e9 potencialmente mais \u00abdescontrolada\u00bb do que em locais onde se paga para entrar e onde \u00e9 poss\u00edvel, de certo modo, \u00abselecionar\u00bb a clientela. As falas que apontam para a falta de \u00ablimpeza\u00bb dos banheiros p\u00fablicos, em compara\u00e7\u00e3o com os espa\u00e7os fechados, s\u00e3o significativas nesse sentido e evocam que as fronteiras est\u00e3o borradas neles em v\u00e1rios sentidos. Outra interpreta\u00e7\u00e3o tecida por meus colaboradores diz respeito \u00e0 relativa precariedade dos banheir\u00f5es &#8211; a diferen\u00e7a qualitativamente percebida entre um sexo fugaz, em p\u00e9, dentro de um reservado, e aquele praticado em locais que contam com infra-estrutura, e limpeza, para possibilit\u00e1-lo.<BR>  <P><B>Como esses espa\u00e7os s\u00e3o classificados por seus freq\u00fcentadores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e limpeza?<\/B>  <P><B>Alexandre<\/B> &ndash; Em Belo Horizonte, a maior parte dos espa\u00e7os de pega\u00e7\u00e3o descritos e analisados est\u00e3o localizados em uma regi\u00e3o chamada de \u00abcentro expandido\u00bb da cidade, uma regi\u00e3o relativamente pequena, com \u00e1rea aproximada de uns quatro quil\u00f4metros quadrados. A localiza\u00e7\u00e3o desses locais dentro dessa regi\u00e3o parece n\u00e3o ser uma vari\u00e1vel significativa para a representa\u00e7\u00e3o dos lugares de pega\u00e7\u00e3o em si, a n\u00e3o ser do ponto de vista da sua acessibilidade. Ou seja, as representa\u00e7\u00f5es produzidas sobre esses locais parecem que n\u00e3o dependem tanto da sua localiza\u00e7\u00e3o, mas, sobretudo, da sua natureza, ou seja, se s\u00e3o p\u00fablicos ou semip\u00fablicos, o perfil predominantes dos seus freq\u00fcentadores, a sua limpeza e seguran\u00e7a. As representa\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 seguran\u00e7a e limpeza dos lugares parecem estar intimamente associadas a vari\u00e1veis muito mais subjetivas do que objetivas. Ou seja, os locais s\u00e3o descritos como limpos\/sujos, seguros\/inseguros, dependendo do tipo de p\u00fablico que o freq\u00fcenta majoritariamente, havendo uma forte correla\u00e7\u00e3o com a vari\u00e1vel de classe social.<BR>  <P><B>Camilo<\/B> &ndash; No registro das diferen\u00e7as que podem implicar em hierarquiza\u00e7\u00f5es contextuais, cabe mencionar a localiza\u00e7\u00e3o dos clubes de sexo em diferentes regi\u00f5es da cidade de S\u00e3o Paulo. Os clubes do centro da cidade freq\u00fcentemente apareceram nas conversas como lugares \u00abdecadentes\u00bb, \u00absujos\u00bb, \u00abmal freq\u00fcentados\u00bb. Para muitos entrevistados, neles n\u00e3o haveria \u00abgente bonita\u00bb ou \u00abque se cuida\u00bb. Muitos me disseram que neles n\u00e3o encontram um p\u00fablico \u00abdesej\u00e1vel\u00bb, mas apenas \u00abgente velha\u00bb, \u00abfeia\u00bb, \u00abdesinteressante\u00bb. Os homens \u00abdesej\u00e1veis\u00bb ou \u00abiguais a eles pr\u00f3prios\u00bb estariam, para alguns entrevistados, nos estabelecimentos que est\u00e3o fora do centro da cidade, que por cobrar entrada mais cara acabariam \u00abselecionando o p\u00fablico pelo pre\u00e7o\u00bb. N\u00e3o \u00e9 banal que os clubes localizados na regi\u00e3o central, com pre\u00e7os de entrada mais acess\u00edveis, sejam tomados como \u00abdecadentes\u00bb. Essas id\u00e9ias repetiram-se \u00e0 exaust\u00e3o. A polariza\u00e7\u00e3o entre os clubes a partir da regi\u00e3o da cidade onde est\u00e3o localizados e seus pre\u00e7os de entrada, aliada \u00e0s representa\u00e7\u00f5es acerca das diferen\u00e7as entre o p\u00fablico que os freq\u00fcenta, ajudam a entender certas distin\u00e7\u00f5es num mapa de hierarquiza\u00e7\u00f5es contextuais que \u00e9 poss\u00edvel apontar a respeito desses locais e de seus sujeitos. Os clubes de sexo paulistanos s\u00e3o tomados por muitos entrevistados como lugares \u00abmistos\u00bb. A segmenta\u00e7\u00e3o desse mercado em S\u00e3o Paulo d\u00e1-se tamb\u00e9m com base em escolhas er\u00f3ticas (sexo em grupo, em p\u00fablico, experimenta\u00e7\u00f5es sexuais), mas em rela\u00e7\u00e3o aos locais para sexo tidos como \u00abtradicionais\u00bb &ndash; saunas, cinemas porn\u00f4s. Entre os pr\u00f3prios clubes de sexo e percep\u00e7\u00f5es sobre seu p\u00fablico, no entanto, essa segmenta\u00e7\u00e3o parece operar mais em termos de classe, e nesse sentido tanto a localiza\u00e7\u00e3o dos estabelecimentos (no centro ou fora dele) quanto o pre\u00e7o de entrada selecionam p\u00fablicos distintos, para muitos dos entrevistados.<BR>  <P><a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=3908&amp;sid=90&amp;tpl=view_BR_0125\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><EM>&ldquo;S\u00f3 os viris e discretos ser\u00e3o amados?&rdquo;<\/EM><\/A><EM>,<\/EM> <STRONG>perguntava-se o antrop\u00f3logo S\u00e9rgio Carrara em<\/STRONG> <U><a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=3908&amp;sid=90&amp;tpl=view_BR_0125\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo<STRONG> <\/STRONG><\/A><\/U><STRONG>recente. Parafraseando sua express\u00e3o, nos espa\u00e7os estudados, h\u00e1 alguma valoriza\u00e7\u00e3o da masculinidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s prefer\u00eancias er\u00f3tico-sexuais dos freq\u00fcentadores de ambos os tipos de intera\u00e7\u00e3o?<\/STRONG>  <P><B>Alexandre<\/B> &ndash; Acredito que sim. Nos discursos e representa\u00e7\u00f5es que analisei h\u00e1 evid\u00eancias que apontam que a masculinidade \u00e9 uma caracter\u00edstica valorizada nos espa\u00e7os de pega\u00e7\u00e3o. Inclusive a presen\u00e7a de travestis ou transexuais nesses espa\u00e7os \u00e9 fortemente criticada e rejeitada pelos indiv\u00edduos que tiveram seus discursos analisados. Tamb\u00e9m s\u00e3o representados negativamente homens com corpos pouco masculinos (gordos ou pouco malhados) ou com voz ou trejeitos femininos. Al\u00e9m de serem descritos como pouco desej\u00e1veis, esses sujeitos s\u00e3o responsabilizados por colocarem em risco a pr\u00e1tica da pega\u00e7\u00e3o nesses espa\u00e7os pelo fato de serem pouco discretos. Eles seriam os culpados por afugentar os \u00abhomens\u00bb e aumentar a fiscaliza\u00e7\u00e3o e policiamento dos locais.<BR>  <P><B>Camilo<\/B> &ndash; Aqueles com quem pude dialogar ao longo do trabalho de campo enfatizaram que, nos clubes de sexo, os \u00abcorpos que mais importam\u00bb, para utilizar a express\u00e3o de Judith Butler, s\u00e3o os mesmos de outros contextos de sociabilidade e \u00abca\u00e7a\u00bb (<I>cruising<\/I>) entre homens: jovens, bonitos, bem-dotados, m\u00e1sculos&#8230; Contudo, a partir dos di\u00e1logos e das minhas observa\u00e7\u00f5es em campo percebi que essa reitera\u00e7\u00e3o de conven\u00e7\u00f5es tem suas nuances. As falas deles apontam muito mais para uma id\u00e9ia de controle corporal no sentido de seus \u00abexcessos&rdquo;. Express\u00f5es como \u00abmuito gordo\u00bb, \u00abmuito barrigudo\u00bb, \u00abmuito velho\u00bb foram largamente utilizadas para descrever aqueles que n\u00e3o \u00abfazem sucesso\u00bb algum nestes estabelecimentos. No que diz respeito \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o discursiva de estere\u00f3tipos de virilidade na contextualiza\u00e7\u00e3o dos sujeitos e corpos nos clubes de sexo, um primeiro passo \u00e9 dissociar a penetra\u00e7\u00e3o do corpo de sua \u00abfeminiza\u00e7\u00e3o\u00bb. Um segundo passo \u00e9 pensar que quando esses homens se dizem \u00abmachos\u00bb n\u00e3o est\u00e3o se opondo necessariamente \u00e0 \u00abfeminilidade\u00bb. A rejei\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 de quaisquer atributos &ndash; corporais, gestuais, comportamentais, relativos a sentimentos &ndash; que possam ser relacionados ao estere\u00f3tipo do \u00abefeminado\u00bb. A valoriza\u00e7\u00e3o do \u00abmacho\u00bb e os discursos que constituem o macho como objeto de desejo n\u00e3o se op\u00f5em \u00e0 \u00abfeminilidade\u00bb, no singular, e muito menos a uma feminilidade qualquer, mas sim \u00e0 \u00abbichice\u00bb, \u00e0 \u00abefemina\u00e7\u00e3o\u00bb. A grande maioria dos colaboradores da pesquisa ressaltou, ao falar sobre suas prefer\u00eancias er\u00f3ticas, que preferem homens masculinos, utilizando-se de uma s\u00e9rie de atributos e caracter\u00edsticas estereot\u00edpicas para explicar o que seria essa masculinidade. Al\u00e9m disso, a percep\u00e7\u00e3o geral \u00e9 a de que esse \u00e9 um mercado voltado para homens interessados em sexo com outros homens tidos como masculinos, \u00abmachos\u00bb. O g\u00eanero aparece aqui ent\u00e3o como mais um marcador a informar a inteligibilidade dos sujeitos e dos corpos que importam nos clubes de sexo estudados, na chave que venho propondo, que \u00e9 a do controle das pr\u00e1ticas corporais. Os corpos tamb\u00e9m est\u00e3o aqui controlados do ponto de vista do g\u00eanero &ndash; os \u00abexcessos\u00bb a serem contidos aqui s\u00e3o aqueles que possam evocar \u00abefemina\u00e7\u00e3o\u00bb. Mas \u00e9 preciso ter em mente que a sociabilidade nos clubes estudados n\u00e3o \u00e9 restringida ao sexo e \u00e0 \u00abca\u00e7a\u00bb. H\u00e1 certa separa\u00e7\u00e3o entre a \u00ab\u00e1rea do bar\u00bb e os espa\u00e7os que poder\u00edamos denominar como \u00ab\u00e1rea de pr\u00e1ticas\u00bb nesses estabelecimentos. No bar, nem sempre se \u00abfaz a linha de macho\u00bb, como disseram alguns colaboradores da pesquisa. A pr\u00f3pria id\u00e9ia do \u00abfazer a linha\u00bb implica numa certa no\u00e7\u00e3o de \u00abteatralidade\u00bb. As falas de muitos entrevistados evocam a id\u00e9ia de que a valoriza\u00e7\u00e3o da virilidade nos clubes de sexo teria muito a ver com certa no\u00e7\u00e3o de \u00abfantasia\u00bb. N\u00e3o se trata necessariamente, da perspectiva de meus colaboradores, de afirmar uma \u00abess\u00eancia\u00bb masculina est\u00e1vel, mas de \u00abperform\u00e1-la\u00bb, ou de acionar em situa\u00e7\u00f5es er\u00f3ticas justamente aqueles atributos que possam ser lidos como viris do ponto de vista \u00abhegem\u00f4nico\u00bb. \u00c9 poss\u00edvel, talvez, apontar a performatividade de estere\u00f3tipos de g\u00eanero em clubes de sexo masculinos como pr\u00e1ticas potencialmente subversivas, ao expor o \u00abmasculino\u00bb como uma esp\u00e9cie de pastiche.<BR>  <P><B>O quanto os marcadores de ra\u00e7a\/cor e classe social (al\u00e9m de estilo) est\u00e3o presentes em tais representa\u00e7\u00f5es e qual a sua import\u00e2ncia?<\/B>  <P><B>Alexandre<\/B> &ndash; Curiosamente, ao contr\u00e1rio do marcador de classe social, as diferen\u00e7as &ldquo;raciais&rdquo; n\u00e3o foram freq\u00fcentes nos discursos analisados. A &ldquo;cor&rdquo; dos freq\u00fcentadores, quando presente nos discursos, era apenas mais uma das caracter\u00edsticas utilizadas para descrev\u00ea-los, n\u00e3o sendo associada a nenhum padr\u00e3o representacional espec\u00edfico. Nesse sentido, o uso de termos como &ldquo;branquinho&rdquo;, &ldquo;loirinho&rdquo;, &ldquo;moreno&rdquo;, &ldquo;neg\u00e3o&rdquo; n\u00e3o estavam associados a outras caracter\u00edsticas, tais como a beleza ou o &ldquo;dote&rdquo; desses sujeitos, como se poderia supor, a priori. J\u00e1 as descri\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 classe social, ou &ldquo;apar\u00eancia de classe&rdquo; dos freq\u00fcentadores (termo que prefiro), s\u00e3o fundamentais para compreender a constru\u00e7\u00e3o das representa\u00e7\u00f5es sobre os lugares de pega\u00e7\u00e3o e suas caracter\u00edsticas. Observou-se um padr\u00e3o interessante: todos os locais de pega\u00e7\u00e3o que foram descritos como sendo freq\u00fcentados por mendigos ou pobres, principalmente banheiros p\u00fablicos de parques e algumas ruas de pega\u00e7\u00e3o, foram representados como sujos e\/ou inseguros.<BR>  <P><B>Camilo<\/B> &ndash; A grande maioria dos clientes do clube mais caro dentre os que pesquisei, o qual est\u00e1 localizado em um bairro de camadas m\u00e9dias, \u00e9 \u00abbranca\u00bb. O n\u00famero de freq\u00fcentadores \u00abpretos\u00bb ou \u00abpardos\u00bb, embora sempre menor que o de \u00abbrancos\u00bb em todos os clubes, \u00e9 maior naqueles localizados no centro da cidade de S\u00e3o Paulo. A intersec\u00e7\u00e3o entre classe e ra\u00e7a\/cor aparece quando se observa que quanto mais elitizado o local (seja quanto \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o, seja quanto ao pre\u00e7o), mais evidente a presen\u00e7a de homens \u00abbrancos\u00bb e aus\u00eancia de \u00abpretos\u00bb ou \u00abpardos\u00bb. A associa\u00e7\u00e3o entre ra\u00e7a\/cor negra e virilidade n\u00e3o \u00e9 novidade em an\u00e1lises das ci\u00eancias sociais no Brasil e surge, por exemplo, em estudos de contextos de trocas sexuais entre homens na vida noturna de grandes cidades, como os de Nestor Perlongher e Laura Moutinho. Alguns entrevistados real\u00e7aram essa associa\u00e7\u00e3o estereot\u00edpica entre ra\u00e7a\/cor e virilidade\/masculinidade. O interessante ent\u00e3o \u00e9 perceber como marcadores e estere\u00f3tipos de classe, ra\u00e7a\/cor, g\u00eanero e mesmo de idade est\u00e3o intrigantemente imbricados na constitui\u00e7\u00e3o discursiva da inteligibilidade dos sujeitos e na materializa\u00e7\u00e3o dos corpos que importam nos clubes de sexo para homens.<BR>  <P><B>Locais de pega\u00e7\u00e3o s\u00e3o frequentemente associados \u00e0 promiscuidade e a vulnerabilidades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0s DSTs\/Aids. Esse aspecto foi explorado em suas pesquisas? Como os freq\u00fcentadores lidam com essas quest\u00f5es?<\/B>  <P><B>Alexandre<\/B> &#8211; No meu trabalho optei em n\u00e3o trabalhar com representa\u00e7\u00f5es de risco ou a vulnerabilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s DSTs\/Aids na perspectiva dos sujeitos que praticam pega\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que esse recorte ampliaria demais o problema de pesquisa e a hip\u00f3tese que tinha me proposto investigar em um primeiro momento. O que n\u00e3o significa, evidentemente, que esta n\u00e3o seja uma quest\u00e3o importante de ser investigada. Ao rever os discursos que analisei, principalmente os extra\u00eddos dos f\u00f3runs de discuss\u00e3o das comunidades virtuais selecionadas, percebe-se um n\u00famero razo\u00e1vel de posts que exaltam a pr\u00e1tica de sexo oral e\/ou anal com estranhos sem o uso de preservativo (conhecida como <I>barebacking<\/I>). Por mais que se tenha em mente que se tratam de discursos, e como tal, pass\u00edveis de conter elabora\u00e7\u00f5es fantasiosas ou exageradas, n\u00e3o podemos ignorar o fato de que discursos cont\u00eam representa\u00e7\u00f5es que efetivamente podem direcionar as a\u00e7\u00f5es individuais e coletivas, tal como demonstram alguns estudos sobre representa\u00e7\u00f5es e comportamento de risco, dos quais podemos mencionar os produzidos por Jurandir Freire Costa. Assim, o primeiro passo para elaborar e implementar a\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o mais efetivas para a redu\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade de sujeitos que praticam pega\u00e7\u00e3o, seria compreender as representa\u00e7\u00f5es de risco e vulnerabilidade que possuem.<BR>  <P>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, alguns relatos (tanto entrevistas quanto os extra\u00eddos das comunidades virtuais) apontam casos de viol\u00eancia f\u00edsica ou constrangimento p\u00fablico por parte de policiais ou por fiscais (no caso de banheiros de shoppings e supermercados, por exemplo), sendo raros os casos de viol\u00eancia produzidas por outros atores.<BR>  <P><B>Camilo<\/B> &ndash; A interpreta\u00e7\u00e3o a que cheguei \u00e9 a de que as experi\u00eancias sexuais vividas nos clubes de sexo \u00ab\u00e0 meia-luz\u00bb est\u00e3o n\u00e3o apenas norteadas por marcadores sociais de diferen\u00e7a, mas tamb\u00e9m pela id\u00e9ia do controle dos seus \u00abexcessos\u00bb, tanto de pr\u00e1ticas quanto de corpos. \u00c9 nesse sentido que algumas falas de entrevistados acerca do uso de drogas recreativas e de preservativos me ajudaram nas interpreta\u00e7\u00f5es propostas. Muitos deles relataram como os pr\u00f3prios freq\u00fcentadores acabam ajudando em certo sentido a \u00abvigiar\u00bb acerca do uso de preservativos e mesmo de drogas recreativas il\u00edcitas. Em campo, muitos colaboradores vieram me contar quando viam algu\u00e9m propondo, ou efetivamente \u00abtransando sem camisinha\u00bb. Uma esp\u00e9cie de \u00abcontrole comunit\u00e1rio\u00bb que, nas palavras dos donos dos clubes, os \u00abfreq\u00fcentadores mais ass\u00edduos ajudam a exercer\u00bb. A minha quest\u00e3o na pesquisa n\u00e3o era saber se o uso de preservativos era ou n\u00e3o freq\u00fcente nos clubes de sexo, ou compreender quais seriam os fatores contextuais que levariam ou n\u00e3o a esse uso ou n\u00e3o-uso. Essa quest\u00e3o escapava ao escopo da investiga\u00e7\u00e3o, embora eu reconhe\u00e7a que este seja um tema importante e que mere\u00e7a a nossa aten\u00e7\u00e3o enquanto cientistas sociais. Para os objetivos desta investiga\u00e7\u00e3o em particular, as falas sobre o uso de preservativos, assim como de drogas recreativas il\u00edcitas ou mesmo de \u00e1lcool, auxiliam na interpreta\u00e7\u00e3o de que essas pr\u00e1ticas \u00abpotencialmente descontroladas\u00bb est\u00e3o sujeitas nos clubes a uma esp\u00e9cie de \u00abcontrole\u00bb, de \u00abvigil\u00e2ncia\u00bb do ponto de vista de seus \u00abexcessos\u00bb. E minha proposta interpretativa \u00e9 a de que o significado desse controle, no limite, \u00e9 dar aos clubes legitimidade como um mercado er\u00f3tico poss\u00edvel, vi\u00e1vel &#8211; do mesmo modo como o controle corporal, baseado no g\u00eanero e em outros marcadores de diferen\u00e7a &#8211; estabelece os par\u00e2metros para os limites dos \u00abcorpos que importam\u00bb nos clubes.<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Los antrop\u00f3logos Alexandre Eust\u00e1quio Teixeira y Camilo de Braz analizan las subjetividades, marcadores de diferencia y rituales de interacci\u00f3n que tienen lugar en espacios p\u00fablicos y semip\u00fablicos donde hombres se encuentran para tener sexo ocasional en las ciudades de Belo Horizonte y S\u00e3o Paulo.<I>(Texto en portugu\u00e9s)<\/I><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1240","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - 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