{"id":1250,"date":"2010-04-20T00:00:00","date_gmt":"2010-04-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2010\/04\/20\/una-agenda-en-comun\/"},"modified":"2010-04-20T00:00:00","modified_gmt":"2010-04-20T03:00:00","slug":"una-agenda-en-comun","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/una-agenda-en-comun\/1250\/","title":{"rendered":"Una agenda en com\u00fan"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o foi exatamente a primeira vez que o movimento LGBT carioca participou de uma manifesta\u00e7\u00e3o cuja reivindica\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha a ver com as demandas do segmento &ndash; como a criminaliza\u00e7\u00e3o da homofobia e o direito \u00e0 uni\u00e3o civil, por exemplo. Em 1995, o movimento participou de uma passeata pela paz chamada &ldquo;Reage Rio&rdquo;. Mas nunca antes teve tanta visibilidade ou chegou a ser um dos protagonistas de uma manifesta\u00e7\u00e3o macropol\u00edtica, como aconteceu no \u00faltimo 17 de mar\u00e7o, dia em que diversos setores pol\u00edtico-sociais do Rio de Janeiro se mobilizaram contra uma emenda que prop\u00f5e redistribuir os <I>royalties<\/I> advindos do petr\u00f3leo produzido no estado (maior produtor do Brasil) para os outros estados da federa\u00e7\u00e3o.<BR>  <P>&ldquo;Em manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do passado, fic\u00e1vamos sempre entre &lsquo;os outros&rsquo;, n\u00e3o t\u00ednhamos voz, a n\u00e3o ser em nossas Paradas do Orgulho. At\u00e9 porque precisamos compreender qual era a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que esse movimento tinha na rela\u00e7\u00e3o com outros. Uma coisa sou eu, como lideran\u00e7a e gestor p\u00fablico, participar e se impor. Outra coisa \u00e9 convocar a comunidade gay e l\u00e9sbica para participar de um processo onde n\u00e3o temos a certeza que vamos ser bem recebidos. Os tempos eram outros e a gente tinha que se preocupar em n\u00e3o gerar um processo de vitimiza\u00e7\u00e3o em uma comunidade j\u00e1 discriminada. Ent\u00e3o, t\u00ednhamos muito receio de sofrer rejei\u00e7\u00e3o&rdquo;, lembra Cl\u00e1udio Nascimento, ativista que, por sua longa carreira de milit\u00e2ncia &ndash; participou dos prim\u00f3rdios do movimento LGBT brasileiro, na d\u00e9cada de 70 &ndash; foi escolhido pelo governo do estado do Rio de Janeiro para ocupar o cargo de Superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria de Assist\u00eancia Social.<BR>  <P>Nascimento achou importante a participa\u00e7\u00e3o da comunidade LGBT na &ldquo;Caminhada em defesa do Rio&rdquo;, que reuniu mais de 100 mil pessoas, por dois motivos: primeiro porque acredita que a diminui\u00e7\u00e3o dos <I>royalties<\/I> do petr\u00f3leo para o estado do Rio de Janeiro v\u00e1 diminuir os recursos para a \u00e1rea social, onde s\u00e3o desenvolvidas as pol\u00edticas p\u00fablicas para a comunidade LGBT. Segundo, porque, em sua opini\u00e3o, a visibilidade e a for\u00e7a do atual movimento demonstrados na passeata de 17 de mar\u00e7o poder\u00e3o mudar em muito a percep\u00e7\u00e3o que as pessoas t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o a este segmento e gerar alian\u00e7as importantes com a sociedade como um todo e com outros movimentos sociais, o que eventualmente ajudar\u00e1 a arregimentar for\u00e7as na luta pela cidadania de l\u00e9sbicas, gays, travestis e transg\u00eaneros, conforme afirma na entrevista a seguir.<BR>  <P><B>O que a participa\u00e7\u00e3o do movimento LGBT carioca na Caminhada em Defesa do Rio, contra a perda dos <I>royalties<\/I> do petr\u00f3leo sinaliza?<\/B>  <P>Foi um momento marcante que aponta para a constru\u00e7\u00e3o de uma agenda mais ampla do movimento LGBT. Percebemos a import\u00e2ncia de se envolver com outros processos porque, no final, a diminui\u00e7\u00e3o dos <I>royalties<\/I> do petr\u00f3leo para o estado do Rio de Janeiro vai diminuir os recursos para a \u00e1rea social, para projetos estrat\u00e9gicos do campo dos direito humanos. Ent\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o do movimento LGBT carioca na mobiliza\u00e7\u00e3o em defesa do Rio foi importante porque a popula\u00e7\u00e3o como um todo passou a perceber a comunidade LGBT como sujeitos pol\u00edticos, como protagonistas de demandas da sociedade, o que nos coloca em um outro lugar de import\u00e2ncia pol\u00edtica na cena p\u00fablica.<BR>  <P><B>Acha que essa percep\u00e7\u00e3o da sociedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBT poder\u00e1 eventualmente fazer com que a milit\u00e2ncia arregimente mais pessoas simpatizantes para lutar por causas como a criminaliza\u00e7\u00e3o da homofobia, o direito \u00e0 uni\u00e3o civil e \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as por casais homoafetivos, por exemplo?<\/B>  <P>Com certeza. Primeiro porque a participa\u00e7\u00e3o da comunidade LGBT na manifesta\u00e7\u00e3o demonstrou que esta camada social se preocupa com o pa\u00eds e com seu estado. Quebrou tamb\u00e9m aquele estigma e um certo preconceito de quem acha que homossexual s\u00f3 olha para o seu pr\u00f3prio umbigo, de que s\u00e3o pessoas fr\u00edvolas, sensacionalistas e que lutam por suas pr\u00f3prias causas &ndash; as quais, aos olhos de muitos, parecem absurdas. E quando este segmento entra no cen\u00e1rio da macropol\u00edtica, como aconteceu no \u00faltimo 17 de mar\u00e7o, acaba abrindo uma porta de di\u00e1logos com diversos outros segmentos da sociedade. Havia ali trabalhadores, movimentos estudantis, idosos, movimentos religiosos, v\u00e1rios setores governamentais, sindicatos. Ent\u00e3o foi como se a discuss\u00e3o dos <I>royalties<\/I> tivesse aberto um debate sobre aceita\u00e7\u00e3o, toler\u00e2ncia, n\u00e3o-discrimina\u00e7\u00e3o, como se tivesse passando uma mensagem de que \u00e9 preciso que todos os indiv\u00edduos em nosso estado convivam com a sua pr\u00f3pria diversidade. Porque n\u00e3o seria poss\u00edvel para o governo estadual construir um movimento em defesa do Rio sem antes gerar um conjunto de estrat\u00e9gias que provocassem harmonia e uni\u00e3o. E essa necessidade da constru\u00e7\u00e3o de agenda comum em defesa do Rio fez com que as pessoas passassem a ter um olhar para n\u00f3s, gays, l\u00e9sbicas, travestis e transexuais, tamb\u00e9m como agentes construtores desse processo. Ent\u00e3o, acabamos n\u00e3o discutindo diretamente uma agenda da criminaliza\u00e7\u00e3o da homofobia ou de outros dos nossos projetos no Congresso, mas a mobiliza\u00e7\u00e3o que reuniu o movimento LGBT com outros setores sob a mesma bandeira ajudou a gerar climas sociais mais favor\u00e1veis, uma vez que ao longo do processo de constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas identit\u00e1rias \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer pontes, sensibilizar cora\u00e7\u00f5es e mentes.<BR>  <P><B>A Superintend\u00eancia de Assuntos Individuais, Coletivos e Difusos, a qual coordena h\u00e1 mais de dois anos, \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o criado pelo governo do estado do Rio de Janeiro com a miss\u00e3o de combater a homofobia atrav\u00e9s da execu\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Como definiria uma boa pol\u00edtica p\u00fablica para um segmento t\u00e3o espec\u00edfico quanto o LGBT?<\/B>  <P>Uma boa pol\u00edtica p\u00fablica tem que ser constru\u00edda coletivamente entre governo e sociedade civil e ser feita a partir da demanda da sociedade. Tem que gerar sustentabilidade, ser acompanhada e monitorada pela sociedade e ter uma perspectiva intersetorial. Nenhuma pol\u00edtica consegue andar sozinha, apenas com o apoio de uma determinada Secretaria ou Superintend\u00eancia. O Programa Rio sem Homofobia, por exemplo, aprovado na <U><a href=\"http:\/\/www.laced.mn.ufrj.br\/arquivos\/Nota_Resultados_conferencia_estadual.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1\u00aa Confer\u00eancia de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Estado do Rio de Janeiro<\/A><\/U>, em maio de 2008, e lan\u00e7ado em junho de 2009, ser\u00e1 executado em uma parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que prestar\u00e1 apoio na implanta\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o do Programa e onde ser\u00e1 criado o Laborat\u00f3rio de Pol\u00edticas P\u00fablicas para LGBT. A partir da\u00ed, com a parceria com a UERJ, vamos poder entender melhor o perfil desta comunidade, ter mais pistas que ir\u00e3o ajudar na constru\u00e7\u00e3o de um conjunto de pol\u00edticas p\u00fablicas para atender \u00e0s demandas da popula\u00e7\u00e3o LGBT em nosso estado.<BR>  <P>Outro exemplo de uma parceria bem sucedida tem sido com a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica. Discute-se no Brasil a falta de dados oficiais sobre a viol\u00eancia contra os LGBT, o que sempre gerou um hiato nos estudos que v\u00e3o inspirar as pol\u00edticas p\u00fablicas. Com esta parceria, conseguimos incluir o quesito &ldquo;homofobia&rdquo; como motiva\u00e7\u00e3o do crime nos boletins de ocorr\u00eancia, na parte chamada &ldquo;motivo presumido&rdquo;. Para n\u00f3s, isto significa superar resist\u00eancias.<BR>  <P>E o que fazer com aquele gay, l\u00e9sbica ou travesti que sofre viol\u00eancia? \u00c9 preciso preparar a pol\u00edcia para atend\u00ea-los. Estamos criando uma rede estadual de prote\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, a qual inclui os Centros de Refer\u00eancia LGBT, que servir\u00e3o como um espa\u00e7o de acolhimento desses homossexuais v\u00edtimas de viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o, com a disponibiliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de advogados, psic\u00f3logos e assistentes sociais. Por\u00e9m, para construir esta rede, \u00e9 preciso tanto o equipamento provido pelo governo estadual quanto o fortalecimento dos diversos movimentos sociais organizados em n\u00edveis locais para estimular a comunidade a procurar por estes servi\u00e7os. A\u00ed vemos, mais uma vez, a necessidade de parcerias, desta vez com a milit\u00e2ncia LGBT.<BR>  <P><B>E como v\u00ea o fato de o Rio de Janeiro ainda estar atr\u00e1s de estados que n\u00e3o contam com \u00f3rg\u00e3os governamentais direcionados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBT mas que avan\u00e7aram em quest\u00f5es como o direito ao uso do nome social por travestis e transg\u00eaneros, por exemplo?<\/B>  <P>Vivemos um movimento desigual entre os estados brasileiros em rela\u00e7\u00e3o \u00e1 implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Tudo depende do momento pol\u00edtico e da abertura de brechas para podermos avan\u00e7ar. No Rio, a demanda pelo direito ao uso do nome social tramita nas Secretarias de Educa\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia Social. O Rio avan\u00e7ou em muitas quest\u00f5es, mas, comparativamente, n\u00e3o estamos mais ou menos organizados do que os outros estados. Depende como cada agenda foi pactuada em cada estado. Penso ser necess\u00e1rio trazer mais pessoas para a cena, gerar mais aliados, e isso s\u00f3 conseguiremos atrav\u00e9s da luta contra a homofobia em nosso pa\u00eds. Esta \u00e9 uma bandeira que pode trazer outras vit\u00f3rias na luta pela cidadania LGBT, incluindo o direito ao uso do nome social ou o direito \u00e0 uni\u00e3o civil ou \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as por casais homoafetivos.<BR>  <P><B>Mas tem sido dif\u00edcil fazer passar o PL 122 &ndash; que prop\u00f5e a criminaliza\u00e7\u00e3o da homofobia no Brasil&#8230;<\/B>  <P>Estrategicamente acho que este ser\u00e1 um processo que depender\u00e1 muito mais de den\u00fancias de viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o contra os LGBT do que do Congresso em si. Penso que o movimento precisa recorrer mais \u00e0 Justi\u00e7a, precisa haver um processo maior de judicializa\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, o movimento necessita cobrar da Justi\u00e7a a efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos do cidad\u00e3o, preconizados em nossa Constitui\u00e7\u00e3o. Cito como exemplo a ADPF 132 &ndash; a Arg\u00fci\u00e7\u00e3o por Descumprimento de Preceito Fundamental proposta pelo governo do estado do Rio de Janeiro ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Suprema Corte reconhe\u00e7a a uni\u00e3o entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. Foi necess\u00e1rio recorrer ao STF, uma vez que direitos n\u00e3o est\u00e3o sendo respeitados, na medida em que os homossexuais n\u00e3o t\u00eam os mesmos direitos no que diz respeito \u00e0 uni\u00e3o civil entre pessoas do mesmo sexo. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cl\u00e1udio Nascimento, militante gay al frente de uno de los \u00fanicos entes gubernamentales brasile\u00f1os creados para combatir la homofobia, comenta acerca del d\u00eda en que el movimiento LGBT &ldquo;se puso la camiseta&rdquo; (ver detalle en la foto) como uno de los protagonistas de una manifestaci\u00f3n pol\u00edtica cuyas demandas no eran las de este segmento. <I>(Texto en portugu\u00e9s)<\/I><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1250","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Una agenda en com\u00fan - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/una-agenda-en-comun\/1250\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Una agenda en com\u00fan - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Cl\u00e1udio Nascimento, militante gay al frente de uno de los \u00fanicos entes gubernamentales brasile\u00f1os creados para combatir la homofobia, comenta acerca del d\u00eda en que el movimiento LGBT &ldquo;se puso la camiseta&rdquo; (ver detalle en la foto) como uno de los protagonistas de una manifestaci\u00f3n pol\u00edtica cuyas demandas no eran las de este segmento. 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