{"id":1260,"date":"2010-05-27T00:00:00","date_gmt":"2010-05-27T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2010\/05\/27\/tener-hijos-es-un-derecho\/"},"modified":"2010-05-27T00:00:00","modified_gmt":"2010-05-27T03:00:00","slug":"tener-hijos-es-un-derecho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/tener-hijos-es-un-derecho\/1260\/","title":{"rendered":"Tener hijos es un derecho"},"content":{"rendered":"<p><P align=right><EM>por Bruna Mariano<\/EM><\/P> <P>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS) prepara uma campanha nacional de orienta\u00e7\u00e3o para portadores de HIV\/Aids que queiram ter filhos. Por\u00e9m, a iniciativa vem causando pol\u00eamica. Uma delas est\u00e1 ligada a declara\u00e7\u00f5es do jornalista Alexandre Garcia, feitas no dia 7 de maio na R\u00e1dio CBN. O jornalista afirmou que a a\u00e7\u00e3o do MS estimula a gravidez de mulheres soropositivas e que isso seria &ldquo;uma maluquice&rdquo;. Para a m\u00e9dica Simone Diniz, professora do Departamento de Sa\u00fade Materno-infantil da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP, &ldquo;\u00e9 um direito das mulheres e dos casais decidir sobre sua fecundidade, e o Minist\u00e9rio apenas reconhece esse direito e formaliza uma pol\u00edtica p\u00fablica condizente com o problema&rdquo;.<BR> <\/P> <P>Em nota de esclarecimento, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do MS afirmou que &ldquo;n\u00e3o permitir que pessoas que t\u00eam HIV\/Aids tenham filhos \u00e9 tirar delas o direito \u00e0 cidadania&rdquo;. Ainda segundo informa\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio, as chances de transmiss\u00e3o vertical ou materno-infantil (da m\u00e3e para a crian\u00e7a) podem ser reduzidas a menos de 1% quando tomadas todas as medidas preventivas. As precau\u00e7\u00f5es envolvem o uso da medica\u00e7\u00e3o antirretroviral durante pr\u00e9-natal e parto, inibi\u00e7\u00e3o da lacta\u00e7\u00e3o e tratamento do beb\u00ea por seis semanas. Por sua vez, diante das declara\u00e7\u00f5es do jornalista, no dia 12 de maio a Rede Feminista de Sa\u00fade, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos encaminhou uma carta aberta a Alexandre Garcia protestando contra suas manifesta\u00e7\u00f5es impregnadas por preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o. (Clique <U><a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=6798&amp;sid=8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/A><\/U> e leia a \u00edntegra da carta).<\/P> <P>As declara\u00e7\u00f5es do jornalista vieram exatamente em um momento em que o governo brasileiro, por meio de a\u00e7\u00f5es interministeriais, tem buscado diminuir as discrimina\u00e7\u00f5es contra pessoas que vivem com o HIV-Aids: Uma portaria do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego publicada no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, por exemplo, pro\u00edbe que empresas submetam trabalhadores a exames de HIV, de forma direta ou indireta, por ocasi\u00e3o de admiss\u00e3o, mudan\u00e7a de fun\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica, retorno, demiss\u00e3o ou qualquer outro procedimento ligado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de emprego. A portaria n\u00ba 1.246 tem como base a Lei n\u00ba 9.029, de 13 de abril de 1995, que impede a ado\u00e7\u00e3o de qualquer pr\u00e1tica discriminat\u00f3ria e limitativa para a admiss\u00e3o ou a manuten\u00e7\u00e3o do emprego.&nbsp;O texto tamb\u00e9m se baseia na portaria interministerial n\u00ba 869, de 12 de agosto de 1992, que pro\u00edbe, no \u00e2mbito do servi\u00e7o p\u00fablico federal, a exig\u00eancia de teste para detec\u00e7\u00e3o do HIV tanto nos exames pr\u00e9-admissionais quanto nos peri\u00f3dicos de sa\u00fade.<\/P> <P>O jornalista Alexandre Garcia tamb\u00e9m criticou o parto humanizado, afirmando que a presen\u00e7a de acompanhantes durante o parto aumenta as chances de infec\u00e7\u00f5es hospitalares. Entretanto, a presen\u00e7a de um acompanhante durante o momento do parto j\u00e1 \u00e9 garantida pela Lei n\u00b0 11.108, de 7 de abril de 2005. Segundo a m\u00e9dica Simone Diniz, que \u00e9 autora da tese &ldquo;Entre a t\u00e9cnica e os direitos humanos &#8211; possibilidades e limites da humaniza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia ao parto&rdquo;, as declara\u00e7\u00f5es do jornalista constituem uma &ldquo;agress\u00e3o gratuita e desinformada&rdquo;. Veja a seguir a entrevista completa com a m\u00e9dica:<BR>  <P><B>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade pretende lan\u00e7ar uma campanha nacional de orienta\u00e7\u00e3o para portadores de HIV\/Aids que queiram ter filhos. Como avalia essa iniciativa? Acredita que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade est\u00e1 estimulando a gravidez de mulheres soropositivas? <\/B> <P>Na verdade, independentemente do Minist\u00e9rio, todos os anos muitas mulheres soropositivas engravidam, incluindo as que n\u00e3o sabiam que eram soropositivas, e aquelas que sabiam que eram soropositivas e que engravidaram, seja por algum acidente contraceptivo, ou porque queriam engravidar. Com o aumento da sobrevida e da seguran\u00e7a da gravidez, as mulheres e os casais tentam levar uma vida normal e exercer seus direitos, entre eles o de constituir uma fam\u00edlia. Hoje em dia em S\u00e3o Paulo, as chances de transmiss\u00e3o vertical (durante a gravidez) s\u00e3o baixas, cerca de 2%. Se considerarmos que entre as mulheres e homens soropositivos e que tem carga viral baixa ou indetect\u00e1vel as chances de infec\u00e7\u00f5es s\u00e3o menores ainda, \u00e9 claro que o Minist\u00e9rio deve oferecer \u00e0s mulheres e aos casais orienta\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia para que a concep\u00e7\u00e3o, a gravidez, o parto e o p\u00f3s-parto (j\u00e1 que teoricamente a infec\u00e7\u00e3o pode acontecer em qualquer uma destas fases) sejam o mais seguro poss\u00edvel. Informalmente, esses \u00abarranjos concepcionais\u00bb j\u00e1 ocorriam. \u00c9 um direito das mulheres e dos casais decidir sobre sua fecundidade, e o Minist\u00e9rio apenas reconhece esse direito e formaliza uma pol\u00edtica p\u00fablica condizente com o problema.<BR>  <P><B>Como avalia os impactos sociais das declara\u00e7\u00f5es como a do jornalista Alexandre Garcia, que s\u00e3o contr\u00e1rias \u00e0s a\u00e7\u00f5es do MS? Podem ser um est\u00edmulo ao preconceito? <\/B> <P>\u00c9 lament\u00e1vel que um jornalista com tanta visibilidade possa ser t\u00e3o mal informado sobre direitos e, pelo seu coment\u00e1rio, talvez ignore mesmo informa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e epidemiol\u00f3gicas b\u00e1sicas sobre seguran\u00e7a da reprodu\u00e7\u00e3o em pessoas soropositivas, principalmente aquelas com carga viral baixa ou indetect\u00e1vel, que s\u00e3o a maioria dos usu\u00e1rios. Na falta de informa\u00e7\u00e3o, apelou para o preconceito. Acho tamb\u00e9m que sua fala foi agressiva, conseguiu ofender tanto as pessoas soropositivas, quanto as gestantes e suas fam\u00edlias que t\u00eam que lutar durante o trabalho de parto contra servi\u00e7os que violam seus direitos a ter acompanhantes. Uma agress\u00e3o gratuita e desinformada.<BR>  <P><B>Tendo em vista as declara\u00e7\u00f5es de Alexandre Garcia, o que aponta como problem\u00e1tica na abordagem da m\u00eddia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade sexual e reprodutiva da mulher? <\/B> <P>N\u00e3o sei at\u00e9 que ponto se pode generalizar para o conjunto da m\u00eddia brasileira, mas esta fala \u00e9 um exemplo do que n\u00e3o deveria acontecer: primeiro a falta de conhecimento sobre o problema tratado e segundo (para compensar a falta de assunto, talvez) a reafirma\u00e7\u00e3o do preconceito, de classe e de g\u00eanero &#8211; no caso ele conseguiu ser ofensivo contra as mulheres (soropositivas que engravidam cometem \u00abmaluquice\u00bb), e homens (os brasileiros s\u00e3o ignorantes e despreparados, pobres, sujos, b\u00eabados, jamais devem ser admitidos na hora do parto do pr\u00f3prio filho). Espero que isso n\u00e3o seja um padr\u00e3o. Serve como exemplo do que a m\u00eddia deve evitar.<BR>  <P><B>Aqueles que criticam a campanha do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade afirmam que o Estado n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de oferecer tratamento e acompanhamento adequados a gestantes soropositivas. Qual \u00e9 sua avalia\u00e7\u00e3o a respeito desse questionamento?<\/B>  <P>Se compararmos o Brasil com os outros pa\u00edses, vemos que o SUS \u00e9 uma hist\u00f3ria de sucesso, ainda mais na sua resposta ao HIV. Comparado com outros pa\u00edses, a transmiss\u00e3o vertical do HIV melhorou muito, e seu sucesso mostra o quanto outros aspectos da assist\u00eancia pr\u00e9-natal podem melhorar (preven\u00e7\u00e3o e tratamento da s\u00edfilis por exemplo). Mesmo o programa da sa\u00fade da mulher (PAISM), com suas modifica\u00e7\u00f5es no decorrer dos anos, conseguiu expandir o acesso das mulheres a servi\u00e7os de forma extraordin\u00e1ria. Por\u00e9m ambos certamente t\u00eam muito o que melhorar, principalmente nas desigualdades regionais. A aten\u00e7\u00e3o a gestantes soropositivas nem ser\u00e1 um desafio novo, mas sim o fato de propiciar uma concep\u00e7\u00e3o mais segura. O SUS tem plenas condi\u00e7\u00f5es de oferecer tratamento e acompanhamento adequados a gestantes soropositivas, trata-se de uma quest\u00e3o de prioridade pol\u00edtica, e de reconhecimento de um problema j\u00e1 existente.<BR>  <P><B>O mesmo jornalista criticou o parto humanizado. Em que consiste a humaniza\u00e7\u00e3o do parto e quais s\u00e3o seus benef\u00edcios? <\/B> <P>O termo \u00abparto humanizado\u00bb tem muitos sentidos, mas para os seus ativistas no Brasil em geral se ap\u00f3ia em dois pilares: 1) o respeito aos direitos das mulheres e crian\u00e7as (\u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 escolha informada, ao acesso universal, \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da integridade corporal etc.) e 2) o uso das melhores evid\u00eancias cient\u00edficas sobre a efetividade (essa interven\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00fatil, funciona?) e seguran\u00e7a (os benef\u00edcios s\u00e3o maiores que os efeitos adversos?). Essa abordagem \u00abbaseada em direitos e em evid\u00eancias\u00bb coloca em cheque todo o modelo de assist\u00eancia ao parto no Brasil, pois esse tende a ignorar tanto as evid\u00eancias quanto os direitos. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que os melhores resultados para a m\u00e3e e beb\u00ea saud\u00e1veis s\u00e3o aqueles de um parto com um m\u00ednimo de interven\u00e7\u00f5es (se alguma) que seja compat\u00edvel com a seguran\u00e7a, o conforto e a privacidade materna. No setor p\u00fablico, predomina uma assist\u00eancia repleta de procedimentos dolorosos e arriscados (viola\u00e7\u00e3o do direito a acompanhantes, imobiliza\u00e7\u00e3o das mulheres no parto, uso sem indica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de soro com horm\u00f4nios para \u00abaumentar as dores\u00bb e do corte da vagina e vulva na hora do parto etc). Esses procedimentos desumanizam, pessimizam o parto, fazem com que ele seja mais penoso e arriscado do que deveria, o que contribui para promover, por compara\u00e7\u00e3o, a ces\u00e1rea como \u00abalternativa\u00bb a este tormento. No setor privado, mesmo que estudos mostrem que cerca de 70-80% das mulheres preferem o parto vaginal, foi adotado o modelo de \u00abces\u00e1rea de rotina\u00bb, como \u00abalternativa superior\u00bb a esse parto vaginal pessimizado. Por essa raz\u00e3o, tantas redes de usu\u00e1rias do setor privado se organizam para tentar escapar desta \u00abces\u00e1rea obrigat\u00f3ria\u00bb.<BR>  <P><B>A Lei n\u00b0 11.108, que garante \u00e0 gestante o direito de acompanhamento durante o parto, pode ser considerada uma a\u00e7\u00e3o de humaniza\u00e7\u00e3o? Ela \u00e9 respeitada nos hospitais brasileiros? <\/B> <P>Sim, a Lei n\u00b0 11.108 que garante \u00e0 gestante o direito aos acompanhantes no parto fazem parte deste cen\u00e1rio de humaniza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas. Por press\u00e3o de movimentos sociais, no Brasil temos v\u00e1rias leis que garantem o direito das usu\u00e1rias a um acompanhante de sua escolha. As evid\u00eancias cient\u00edficas s\u00e3o claras: ter um acompanhante melhora muito os resultados de sa\u00fade do parto para a m\u00e3e e o beb\u00ea, por isso no mundo inteiro se incentiva esta presen\u00e7a: privar mulheres e beb\u00eas de acompanhantes leva a resultados inferiores da assist\u00eancia. Ali\u00e1s, os partos normais, fisiol\u00f3gicos, n\u00e3o precisam acontecer em ambiente cir\u00fargico, e qualquer pessoa presente (m\u00e9dico, parteira, acompanhantes) deve estar limpo. Acredito que o jornalista citado desconhe\u00e7a tais informa\u00e7\u00f5es. Infelizmente, nem sempre as pr\u00e1ticas de sa\u00fade se baseiam nas melhores evid\u00eancias cient\u00edficas ou nos direitos. Dados da PNDS (2006) mostram que apenas 16% das mulheres tiveram acompanhantes, no SUS apenas 9%. Mesmo no setor privado, 68% das mulheres tiveram seus direitos violados, e muitas foram obrigadas (ilegalmente) a pagar por um direito j\u00e1 adquirido. A nega\u00e7\u00e3o do direito a acompanhantes no parto \u00e9 um triste exemplo de autoritarismo e discrimina\u00e7\u00e3o institucional, e de como se pode violar a legisla\u00e7\u00e3o de forma descarada e impune. V\u00e1rios grupos de usu\u00e1rios tem lutado para mudar este quadro, e a <U><a href=\"http:\/\/www.partodoprincipio.com.br\/conteudo.php?src=release_Lei_do_acompanhante&amp;ext=html.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rede Parto do Princ\u00edpio<\/A><\/U>, entrou recentemente com uma a\u00e7\u00e3o no Minist\u00e9rio P\u00fablico contra essa viola\u00e7\u00e3o de direitos.<BR>  <P><B>Existem pol\u00edticas p\u00fablicas relativas \u00e0 humaniza\u00e7\u00e3o do parto? Caso sim, qual tem sido sua efic\u00e1cia? Se n\u00e3o existem, o que impede a sua inclus\u00e3o na \u00e2mbito do servi\u00e7o p\u00fablico de sa\u00fade? <\/B> <P>As pol\u00edticas de humaniza\u00e7\u00e3o do parto existem desde a d\u00e9cada de 90 no SUS e mesmo em algumas institui\u00e7\u00f5es privadas, e seus resultados s\u00e3o excelentes. Citaria como exemplo o Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte. As pol\u00edticas incluem a cria\u00e7\u00e3o de centros de parto normal, a premia\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os que se destacam, linhas de financiamento para reforma dos servi\u00e7os, respeito ao direito a acompanhantes, liberdade de movimentos para as mulheres, uso criterioso de interven\u00e7\u00f5es (drogas e cirurgias) ao inv\u00e9s do uso de rotina, direito da mulher de alimentar-se durante o parto, alternativas para o manejo da dor e preven\u00e7\u00e3o de procedimentos dolorosos, entre outros. Existem evid\u00eancias cient\u00edficas robustas de que esses resultados s\u00e3o os mais efetivos e seguros para os partos saud\u00e1veis. Tais pol\u00edticas colocam as necessidades das m\u00e3es e fam\u00edlias em primeiro lugar, ao inv\u00e9s da conveni\u00eancia dos profissionais e institui\u00e7\u00f5es, por isso frequentemente entram em conflito com interesses financeiros e de corpora\u00e7\u00f5es profissionais. Os obst\u00e1culos \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas humanizadas &#8211; em qualquer \u00e1rea &#8211; incluem a dificuldade de reduzir ou abolir pr\u00e1ticas inefetivas e dolorosas (por\u00e9m convenientes aos profissionais), e a supera\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias e autorit\u00e1rias, de forma a incorporar os direitos dos usu\u00e1rios nas pr\u00e1ticas de sa\u00fade. A lei dos acompanhantes pode ser um excelente instrumento para esta mudan\u00e7a cultural dos servi\u00e7os, em dire\u00e7\u00e3o a rela\u00e7\u00f5es servi\u00e7o-usu\u00e1rios mais acolhedoras e democr\u00e1ticas.<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>El Ministerio de Salud del Brasil prepara una campa\u00f1a nacional de orientaci\u00f3n para portadoras\/es de VIH que deseen tener hijos. La iniciativa fue motivo de un an\u00e1lisis errado por parte de un periodista, que en su programa de radio afirm\u00f3 que se tratar\u00eda de &ldquo;una locura&rdquo;. Para la m\u00e9dica Simone Diniz, &ldquo;decidir sobre su fecundidad es un derecho de las parejas&rdquo;.<I>(Texto en portugu\u00e9s)<\/I><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1260","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Tener hijos es un derecho - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/tener-hijos-es-un-derecho\/1260\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Tener hijos es un derecho - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"El Ministerio de Salud del Brasil prepara una campa\u00f1a nacional de orientaci\u00f3n para portadoras\/es de VIH que deseen tener hijos. 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