{"id":1281,"date":"2010-10-20T00:00:00","date_gmt":"2010-10-20T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2010\/10\/20\/realidades-del-acceso-al-aborto\/"},"modified":"2010-10-20T00:00:00","modified_gmt":"2010-10-20T02:00:00","slug":"realidades-del-acceso-al-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/realidades-del-acceso-al-aborto\/1281\/","title":{"rendered":"Realidades del acceso al aborto"},"content":{"rendered":"<p>Em 2007, o assistente social Maur\u00edlio Castro de Matos, professor da Faculdade de Servi\u00e7o Social da UERJ, estava em Portugal realizando um est\u00e1gio de pesquisa quando a popula\u00e7\u00e3o lusitana foi \u00e0s urnas votar no plebiscito que acabou decidindo pela descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto a pedido da mulher at\u00e9 a 10\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o. Estar em Portugal durante esse per\u00edodo possibilitou a Maur\u00edlio acompanhar o debate sobre a implementa\u00e7\u00e3o da interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez naquele pa\u00eds. No Brasil, entretanto, essa \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o que parece longe do horizonte dos direitos humanos, tomando-se como base o <U><a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?UserActiveTemplate=%5FBR&amp;infoid=7342&amp;sid=7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">processo eleitoral no qual vivemos<\/A>,<\/U>&nbsp;em que, mais uma vez, a tem\u00e1tica do aborto protagoniza os discursos de campanha de maneira negativa para satisfazer moralmente uma parte do eleitorado. Atualmente, a interrup\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 permitida no Brasil em casos de gesta\u00e7\u00e3o fruto de estupro ou quando h\u00e1 risco de morte para a m\u00e3e.<BR>  <P>A partir dessas duas realidades diferentes, Maur\u00edlio Castro de Matos desenvolveu sua tese de doutorado na PUC-SP que acaba de ser lan\u00e7ada pela editora Almedina. <I>A Criminaliza\u00e7\u00e3o do Aborto em Quest\u00e3o&rdquo;<\/I> esmi\u00fa\u00e7a o processo portugu\u00eas de 2007 que culminou com a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto. A obra foi alvo de protesto de setores conservadores da Igreja Cat\u00f3lica que fizeram press\u00e3o contra o lan\u00e7amento na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP) e pediram a demiss\u00e3o de professores daquela universidade envolvidos no evento.<BR>  <P>Em entrevista ao CLAM, Maur\u00edlio de Matos fala sobre o panorama em Portugal, tr\u00eas anos ap\u00f3s a despenaliza\u00e7\u00e3o do aborto, e avalia o contexto brasileiro atual e num futuro de curto prazo.<BR>  <P><B>Tanto Portugal como o Brasil s\u00e3o pa\u00edses fortemente marcados pelo catolicismo, embora, no Brasil, as igrejas evang\u00e9licas tenham crescido em n\u00famero nos \u00faltimos anos. Como interpreta que l\u00e1 tenha havido avan\u00e7o nesse sentido, e aqui n\u00e3o? Quais s\u00e3o as particularidades que determinaram desfechos t\u00e3o distintos?<\/B>  <P>Em Portugal houve dois motivos para que, em 2007, a popula\u00e7\u00e3o tenha ido \u00e0s urnas e votado favor\u00e1vel \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o do aborto at\u00e9 a d\u00e9cima semana de gesta\u00e7\u00e3o. O primeiro fato \u00e9 que em 1998 houve um plebiscito sobre a mesma mat\u00e9ria. L\u00e1, o voto \u00e9 facultativo. Nesse pleito, a popula\u00e7\u00e3o votou para que permanecesse como estava, ou seja, mantendo a criminaliza\u00e7\u00e3o. E logo depois a lei come\u00e7ou a ser de fato aplicada. Isso pegou muita gente de surpresa, porque, na realidade, a popula\u00e7\u00e3o, quando foi \u00e0 urna, queria que se mantivesse como estava, ou seja, uma lei que n\u00e3o era aplicada. Houve julgamentos em massa que incidiram sobre muitas mulheres profissionais de sa\u00fade, taxistas, v\u00e1rias pessoas. Aquilo pegou a popula\u00e7\u00e3o de surpresa, que ficou assustada com a penaliza\u00e7\u00e3o. Portanto, foi um acontecimento que sacudiu a popula\u00e7\u00e3o.<BR>  <P>Um segundo ponto importante \u00e9 o seguinte: Portugal, at\u00e9 ent\u00e3o, junto com a Pol\u00f4nia, Malta e Irlanda &ndash; pa\u00edses muito conservadores e pequenos &ndash; eram os \u00fanicos pa\u00edses que criminalizavam o aborto. Todos os outros pa\u00edses da Europa descriminalizaram o aborto. Era uma agenda da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, e, al\u00e9m disso, havia tamb\u00e9m um discurso muito importante para os portugueses de pertencimento \u00e0 Europa, de modernidade. Portugal viveu uma ditadura da d\u00e9cada de 1930 at\u00e9 1974. Al\u00e9m de totalit\u00e1ria, era muito conservadora em termos morais, com uma ideologia do atraso. Salazar (ditador at\u00e9 1970) era um homem muito cat\u00f3lico. Portugal ficou muito isolado. Para se ter uma id\u00e9ia, por exemplo, o pa\u00eds n\u00e3o ouviu os Beatles na d\u00e9cada de 1960. Era proibido. Ent\u00e3o, qualquer discurso que aponte para a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 modernidade, para a unifica\u00e7\u00e3o com a Europa tamb\u00e9m ganha vulto. E isso foi um argumento muito utilizado no plebiscito em 2007.<BR>  <P><B>Como foi o processo de mobiliza\u00e7\u00e3o antes e depois do plebiscito?<\/B>  <P>O qu\u00f3rum foi menor de 50% de votantes. Ganhou-se em v\u00e1rios distritos, mas teve que ser encaminhado para a Assembl\u00e9ia da Rep\u00fablica para que se fosse criado um projeto de lei. Se tivesse passado com mais de 50%, iria direto para o presidente sancionar.<BR>  <P>Nesse per\u00edodo em que ficou na Assembl\u00e9ia, houve muitas tens\u00f5es. Grupos minorit\u00e1rios pediam que a Assembl\u00e9ia n\u00e3o fizesse o projeto. Tamb\u00e9m come\u00e7ou-se a investir no discurso de criar um aconselhamento obrigat\u00f3rio. O que \u00e9 isso? Uma mulher que procura uma unidade de sa\u00fade solicitando a interrup\u00e7\u00e3o de sua gesta\u00e7\u00e3o vai a um posto ou a uma maternidade. Mas ela tem tr\u00eas dias entre a primeira consulta e a interrup\u00e7\u00e3o. \u00c9 um procedimento para que ela possa avaliar a decis\u00e3o. Nesse per\u00edodo, ela pode solicitar o aconselhamento (o atendimento por psic\u00f3logos ou assistentes sociais). O grupo que era contr\u00e1rio queria colocar o aconselhamento como obrigat\u00f3rio, enquanto, na realidade, deveria ser opcional, como de fato ficou sendo.<BR>  <P>Um n\u00famero pequeno de mulheres procura o aconselhamento. Na realidade, o aborto n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o f\u00e1cil na vida de uma mulher. Quando ela decide que o far\u00e1, ela j\u00e1 avaliou muito os pr\u00f3s e contras, ela sabe os riscos que corre. N\u00e3o \u00e9 algo simples.<BR>  <P><B>Qual o panorama em Portugal transcorridos tr\u00eas anos da legaliza\u00e7\u00e3o?<\/B>  <P>O \u00faltimo relat\u00f3rio de 2009 do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o apresentava nenhum caso de morte materna por aborto. Ent\u00e3o, isso \u00e9 um grande avan\u00e7o.<BR>  <P>Outro dado \u00e9 que tem tido uma m\u00e9dia &ndash; entre 2008 e 2009 &#8211; em torno de 18 mil abortos realizados no servi\u00e7o p\u00fablico. Isso nos leva a pensar que se, num pa\u00eds pequeno como Portugal, temos esse n\u00fameros, imagine no Brasil a quantidade de abortos clandestinos.<BR>  <P>Outro dado interessante \u00e9 o perfil da mulher que faz o aborto em Portugal: 82% s\u00e3o portuguesas, 65% s\u00e3o jovens entre 20 e 34 anos, 60% j\u00e1 possuem filhos. \u00c9 um perfil que destr\u00f3i um pouco a id\u00e9ia de que quem faz aborto \u00e9 a outra, a estranha. Quem faz o aborto \u00e9 nossa vizinha, a nossa parente, a nossa colega de trabalho.<BR>  <P><B>Acredita que&nbsp;o aborto seja assunto para plebiscito no Brasil? <\/B> <P>Entendo que a decis\u00e3o pela descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto e a implanta\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o para a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez n\u00e3o seja, por princ\u00edpio, assunto para um plebiscito. O plebiscito tem sua origem na Roma antiga atrav\u00e9s de decis\u00f5es do povo reunido em com\u00edcios. Contemporaneamente, o plebiscito significa a ida da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 urna para decidir sobre uma proposta que, aprovada ou n\u00e3o, implicar\u00e1 na vida de todos. Descriminalizar o aborto \u00e9 facultar um direito \u00e0quelas mulheres que necessitam recorrer a esse procedimento. As que n\u00e3o necessitam ou n\u00e3o querem realizar um aborto continuar\u00e3o a manter a sua gesta\u00e7\u00e3o. Logo, apesar de toda a pol\u00eamica que o assunto traz, n\u00e3o entendo que seja mat\u00e9ria para um plebiscito. \u00c9 uma mat\u00e9ria a ser discutida no Congresso Nacional, com maturidade pr\u00f3pria de um Estado laico no qual deputados e senadores devem legislar para o conjunto dos moradores do pa\u00eds e n\u00e3o a partir dos seus pr\u00f3prios princ\u00edpios religiosos, que cada um tem direito de ter, mas que devem nortear apenas a vida destes e n\u00e3o a pol\u00edtica de uma na\u00e7\u00e3o.<BR>  <P><B>No Brasil, vivemos uma situa\u00e7\u00e3o muito desigual, em que as mulheres que abortam por m\u00e9todos geralmente prec\u00e1rios s\u00e3o as mais pobres e, por isso, enfrentam complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. Ao contr\u00e1rio das mulheres com melhores condi\u00e7\u00f5es que t\u00eam recursos para interromper a gravidez com seguran\u00e7a. Em Portugal, antes da lei tamb\u00e9m havia essa clivagem social em rela\u00e7\u00e3o ao aborto?<\/B>  <P>Sim, embora a situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica dos habitantes de Portugal seja diferente em termos proporcionais, a pobreza tamb\u00e9m existe. H\u00e1 pobreza na periferia, os imigrantes t\u00eam dificuldades para exercerem seus direitos, entre outros problemas. Durante a campanha do plebiscito, se dizia o seguinte: a proibi\u00e7\u00e3o era moralista, porque as mulheres pobres corriam risco de pris\u00e3o e de sa\u00fade enquanto as mulheres que podiam atravessavam a fronteira e realizavam o aborto numa cl\u00ednica privada de qualidade na Espanha, numa cidade chamada Badajoz. Ela \u00e9 refer\u00eancia. Tanto que, quando legalizou-se o aborto em Portugal, essa cl\u00ednica abriu uma filial em Lisboa.<BR>  <P><B>De um modo geral, quais as principais dificuldades para a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto no Brasil?<\/B>  <P>Temos um desafio que \u00e9, primeiro, debater a quest\u00e3o do aborto. Um ponto importante \u00e9 sempre retomar o aborto como um problema de sa\u00fade p\u00fablica. Os dados existentes mostram mortalidade, agravo \u00e0 sa\u00fade.<BR>  <P>Outro ponto \u00e9 que o Estado, desde 1988, \u00e9 laico. N\u00f3s temos que construir uma na\u00e7\u00e3o fraterna, onde haja respeito \u00e0 diferen\u00e7a, que a gente compreenda que existem pessoas com v\u00e1rias religi\u00f5es e outras sem religi\u00e3o, mas todas contribuem &ndash; por meio de impostos e trabalho &ndash; e tamb\u00e9m fazem parte do pa\u00eds.<BR>  <P>O terceiro ponto \u00e9 tentar sair da polariza\u00e7\u00e3o de ser contra ou favor\u00e1vel, porque ningu\u00e9m \u00e9 favor\u00e1vel ao aborto. Trabalhamos com a id\u00e9ia de que o aborto \u00e9 uma escolha, uma alternativa na vida daquela mulher. Mas certamente n\u00e3o \u00e9 uma alternativa f\u00e1cil, n\u00e3o \u00e9 um m\u00e9todo corriqueiro. \u00c9 um direito \u00e0 autonomia da mulher. Para entender, \u00e9 preciso uma s\u00e9ria discuss\u00e3o sobre o conceito de vida, entender que a gesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo cont\u00ednuo, \u00e9 um processo. Tanto que ningu\u00e9m defende a interrup\u00e7\u00e3o no oitavo m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio diferenciar feto e embri\u00e3o de vida humana. Isso se d\u00e1 quando a vida humana j\u00e1 \u00e9 aut\u00f4noma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher que a est\u00e1 gerindo.<BR>  <P><B>Acha que \u00e9 poss\u00edvel, no curto prazo, esse tipo de discuss\u00e3o?<\/B>  <P>Infelizmente, acho que n\u00e3o. Inclusive, acredito que nesta segunda etapa da elei\u00e7\u00e3o vamos ter uma disputa mais conservadora ainda. Note que j\u00e1 houve uma &lsquo;conservardoriza\u00e7\u00e3o&rsquo;: a candidata que estava certa para ganhar teve que dizer que era contra o aborto.<BR>  <P>Grupos religiosos entraram de uma maneira muito forte na discuss\u00e3o sobre sexualidade em geral, e na quest\u00e3o do aborto especificamente. Isso mostra o peso que as religi\u00f5es t\u00eam e a preocupa\u00e7\u00e3o que h\u00e1 com o aborto. Tivemos v\u00e1rias den\u00fancias de religiosos que indicaram votar em tal candidato e n\u00e3o votar em outros. Isso mostra como temos dificuldade de realizar um debate plural, maduro e que respeite as diferen\u00e7as sobre aborto. A tend\u00eancia \u00e9 cada vez mais polarizar essa quest\u00e3o do contra e a favor, o que \u00e9 muito reducionista. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Libro lanzado recientemente analiza el contexto en el que fue aprobada la interrupci\u00f3n voluntaria del embarazo en Portugal (2007), por medio de plebiscito. 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