{"id":1286,"date":"2010-12-08T00:00:00","date_gmt":"2010-12-08T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2010\/12\/08\/el-sexo-del-cerebro\/"},"modified":"2010-12-08T00:00:00","modified_gmt":"2010-12-08T02:00:00","slug":"el-sexo-del-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/el-sexo-del-cerebro\/1286\/","title":{"rendered":"El sexo del cerebro"},"content":{"rendered":"<p><P>Autora do trabalho &ldquo;O sexo do c\u00e9rebro: uma an\u00e1lise sobre g\u00eanero e ci\u00eancia&rdquo;, a cientista social Marina Fisher Nucci, pesquisadora do CLAM, doutoranda do Instituto de Medicina Social (IMS\/UERJ) e professora do Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em G\u00eanero e Sexualidade (EGeS), foi uma das <a href=\"http:\/\/www.cnpq.br\/saladeimprensa\/noticias\/2010\/1129.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">premiadas<\/A> na categoria &ldquo;Mestre e estudante de Doutorado&rdquo; do concurso &ldquo;Construindo a Igualdade de G\u00eanero&rdquo;, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico). No trabalho, fruto de sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado no IMS (orientada pela profa. Jane Araujo Russo), Marina buscou investigar e discutir concep\u00e7\u00f5es acerca do g\u00eanero e da sexualidade na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e biom\u00e9dica contempor\u00e2nea e as teorias naturalizantes e biologizantes sobre orienta\u00e7\u00e3o sexual e g\u00eanero, usadas para &ldquo;explicar&rdquo; as diferen\u00e7as entre homens e mulheres e entre hetero e homossexuais <U><a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/content\/253\/5023\/1034.abstract\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">(Clique aqui e veja uma lista de estudos neurocient\u00edficos sobre orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero)<\/A><\/U>.<\/P> <P>&ldquo;Procuro mostrar a forma como essas teorias s\u00e3o constru\u00eddas, como as pesquisas s\u00e3o feitas, como surgem e o que elas tentam provar&rdquo;, explica a pesquisadora. Uma delas \u00e9 a teoria do horm\u00f4nio pr\u00e9-natal, surgida na universidade de Kansas (EUA) no final da d\u00e9cada de 1950, a qual apregoa a id\u00e9ia de que o c\u00e9rebro \u00e9 masculino ou feminino. &ldquo;Ent\u00e3o, por exemplo, a mulher transexual (o homem que nasceu com o sexo biol\u00f3gico masculino e se tornou mulher) teria, segundo essa teoria, um c\u00e9rebro feminilizado. Um c\u00e9rebro de mulher num corpo masculino. Tal ideia at\u00e9 hoje \u00e9 muito difundida, havendo muitas pesquisas sobre ela&rdquo;, afirma Marina.<BR>  <P>V\u00e1rias autoras feministas criticam essas pesquisas. Em &ldquo;O sexo do c\u00e9rebro&rdquo;, Marina Nucci utiliza algumas delas, como Londa Schiebinger, Anne Fausto-Sterling, Marianne Wijingaard, al\u00e9m de Nelly Oudshoorn, autora que, na d\u00e9cada de 1970, ficou famosa por criticar a teoria dos horm\u00f4nios, segundo a qual os horm\u00f4nios, e suas conex\u00f5es com o c\u00e9rebro, determinam o comportamento frente ao sexo oposto e a intelig\u00eancia de homens e mulheres. &ldquo;H\u00e1 uma extensa cr\u00edtica feminista a essas pesquisas. Essas autoras podem ser chamadas de feministas bi\u00f3logas. S\u00e3o formadas em ci\u00eancias biom\u00e9dicas e fazem uma cr\u00edtica de dentro da ci\u00eancia&rdquo;, relata a pesquisadora, na entrevista a seguir.<BR>  <P>A 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio &ldquo;Construindo a Igualdade de G\u00eanero&rdquo; \u00e9 uma iniciativa do CNPq juntamente com a Secretaria de Pol\u00edticas para as Mulheres (SPM\/PR), Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) e o Fundo de Desenvolvimento das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Mulher (UNFEM). No total foram 4.560 trabalhos enviados para concorrer ao pr\u00eamio. Os vencedores recebem esta semana as premia\u00e7\u00f5es em dinheiro, computadores e bolsas de estudos. Para ler o artigo&nbsp;premiado, <a href=\"http:\/\/www.cnpq.br\/premios\/2010\/ig\/edicao6\/grad\/mestre_doutorando\/marina_fisher_nucci.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clique aqui<\/A><\/P> <P><B>S\u00e3o muitas as pesquisas e teorias biom\u00e9dicas que procuram explicar por bases biol\u00f3gicas as diferen\u00e7as entre homens e mulheres e entre heterossexuais e homossexuais?<\/B> <\/P> <P>H\u00e1 muitos estudos e trabalhos recentes. As pessoas tendem a achar que isto \u00e9 uma coisa antiga e que foi abandonada. Mas pesquisas do tipo est\u00e3o sendo feitas at\u00e9 hoje. Na minha pesquisa, analisei pesquisas recentes, de trabalhos publicados de 1995 a 2009.<BR>  <P><B>O que elas normalmente apregoam?<\/B>  <P>Elas procuram buscar marcadores biol\u00f3gicos do g\u00eanero. H\u00e1 pesquisas que v\u00e3o observar criancinhas brincando com carrinhos ou bonecas e v\u00e3o falar se as meninas brincam mais com carrinhos ou bonecas, e se os meninos brincam mais com um ou com outro. De acordo com esses estudos, isto seria um indicativo do grau de feminilidade ou masculinidade dessas crian\u00e7as.<BR>  <P>Existem v\u00e1rias pesquisas que focam o tamanho do c\u00e9rebro. Mas as pesquisas que eu analisei s\u00e3o mais direcionadas \u00e0 configura\u00e7\u00e3o cerebral, menos focadas no tamanho em si e mais no modo como o c\u00e9rebro se organiza. Eu trabalhei a partir da id\u00e9ia de Thomas Laqueuer sobre dimorfismo sexual, surgida a partir do s\u00e9culo XIX. Parto da cr\u00edtica que Laqueur faz \u00e0 ci\u00eancia.<BR>  <P><B>Ci\u00eancia como algo temporal e socialmente constru\u00edda?<\/B>  <P>Sim, a ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 neutra, \u00e9 localizada. Ci\u00eancia diz respeito \u00e0 pol\u00edtica e \u00e0 sociedade de cada \u00e9poca. Segundo Laqueur, o que vigorava no s\u00e9culo XVIII era um modelo de sexo \u00fanico. Mais tarde, este modelo daria lugar \u00e0 id\u00e9ia de dimorfismo sexual. Ent\u00e3o, num momento a ci\u00eancia sustentava n\u00e3o haver diferen\u00e7as, que os \u00f3rg\u00e3os genitais femininos eram exatamente os mesmos, apenas localizavam-se no interior do corpo devido \u00e0 falta de calor vital. Acreditava-se que, caso recebessem mais calor, as mudan\u00e7as nas estruturas corp\u00f3reas fariam com que o corpo feminino passasse facilmente da categoria social feminina para a masculina. Nesse sentido, a natureza teria uma tend\u00eancia de caminhar sempre para o sexo perfeito, o masculino, refor\u00e7ando a superioridade masculina. \u00c9 a id\u00e9ia da hierarquia de g\u00eanero. Ent\u00e3o, o homem \u00e9 hierarquicamente superior \u00e0 mulher. A mulher seria um homem imperfeito, um homem menor.<BR>  <P><B>O que proporcionou a mudan\u00e7a na concep\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia?<\/B>  <P>A\u00ed surge a id\u00e9ia de que existem homens e mulheres completamente diferentes. S\u00e3o dois corpos completamente diferentes, s\u00e3o ossos diferentes, bacias de tamanho diferentes, nervos. Ent\u00e3o, s\u00e3o seres diferentes. Eles s\u00e3o complementares, por\u00e9m diferentes. Isso significa que h\u00e1 lugares diferentes para seres diferentes. A id\u00e9ia que o Laqueur coloca \u00e9 que essa id\u00e9ia de dimorfismo sexual quer justificar o lugar inferior da mulher na sociedade.<BR>  <P><B>Se antes n\u00e3o existia o dimorfismo sexual, anatomicamente falando, por que passou a existir? De onde surge a necessidade de diferenciar e hierarquizar?<\/B>  <P>Essa teoria aparece justamente na \u00e9poca em que o liberalismo surgiu, trazendo a ideia de que as pessoas s\u00e3o todas iguais e devem, por isso, ter direitos iguais. Ent\u00e3o, a ci\u00eancia surge para justificar esse lugar da mulher na sociedade, ou seja, a mulher como n\u00e3o portadora de direitos. As pessoas s\u00e3o todas iguais, mas a ci\u00eancia vai legitimar as desigualdades e as hierarquias de g\u00eanero, colocando a mulher como inferior, sem direito ao voto, exclu\u00edda da vida p\u00fablica, e destinada ao lar e \u00e0 maternidade. Esta justificativa biol\u00f3gica da diferen\u00e7a de g\u00eanero, dos papeis diferentes e do papel inferior da mulher na sociedade teve um grande impacto na vida pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural. E o movimento feminista vai questionar essa justificativa biol\u00f3gica da suposta inferioridade feminina.<BR>  <P><B>O feminismo surge num primeiro momento como uma cr\u00edtica?<\/B>  <P>Isso, ele surge com as te\u00f3ricas feministas, mulheres que pensavam e escreviam sobre sociedade. A partir principalmente no final do s\u00e9culo XX, elas partem de uma cr\u00edtica \u00e0 ci\u00eancia, uma cr\u00edtica \u00e0 justificativa biol\u00f3gica para as diferen\u00e7as de g\u00eanero.<BR>  <P><B>As defini\u00e7\u00f5es cient\u00edficas do corpo feminino e, por extens\u00e3o, do papel social das mulheres na hierarquia social, foram determinadas por uma comunidade cient\u00edfica da qual as mulheres praticamente n\u00e3o faziam parte. Ou seja, todas essas concep\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 diferen\u00e7a biol\u00f3gica entre homens e mulheres eram feitas por uma ci\u00eancia masculina?<\/B>  <P>Isso, eram cientistas homens, as mulheres n\u00e3o tinham direito de estud\u00e1-las, n\u00e3o podiam fazer ci\u00eancia. Estavam exclu\u00eddas. Os resultados obtidos por essa ci\u00eancia acabariam por justificar e legitimar ainda mais essa exclus\u00e3o.<BR>  <P><B>O que acabou por atrelar a mulher \u00e0 fun\u00e7\u00e3o reprodutiva?<\/B>  <P>As pr\u00f3prias pesquisas m\u00e9dicas em que tudo que era relacionado \u00e0 mulher era ligado \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, era como se a mulher s\u00f3 servisse para isso. A mulher n\u00e3o podia estudar, porque iria gastar energia \u00e0 toa. Ela nunca iria se igualar aos homens, serviria apenas para a reprodu\u00e7\u00e3o e, por isso, o corpo da mulher se torna mais medicalizado. \u00c9 isso o que a pesquisadora Fab\u00edola Rohden (UFRGS) fala em sua tese sobre o surgimento de uma ci\u00eancia para a mulher &ndash; a ginecologia. Mas n\u00e3o vai haver uma ci\u00eancia an\u00e1loga aos homens, a andrologia, por exemplo. At\u00e9 hoje a mulher vai muito mais ao m\u00e9dico do que o homem. Eles n\u00e3o freq\u00fcentam o urologista uma vez por ano, como a mulher vai ao ginecologista.<BR>  <P><B>Por que o corpo feminino se tornou mais medicalizado que o corpo masculino?<\/B>  <P>H\u00e1 algumas hip\u00f3teses. Porque quem fazia a ci\u00eancia eram os homens, a mulher estava num papel inferior, a medicina serviu para justificar esse papel da mulher. Talvez por esse motivo a mulher seja mais medicalizada que o homem.<BR>  <P><B>Em seu trabalho voc\u00ea analisa a id\u00e9ia de que os horm\u00f4nios, e suas conex\u00f5es com o c\u00e9rebro, determinem o comportamento frente ao sexo oposto e a intelig\u00eancia de homens e mulheres?<\/B>  <P>Sim, analisei pesquisas que partem da id\u00e9ia de que muita testosterona no \u00fatero vai criar um c\u00e9rebro masculino e, conseq\u00fcentemente, um comportamento masculino. O menino, por ter recebido testosterona no seu desenvolvimento enquanto feto, vai querer brincar de carrinho, depois vai ser mais agressivo, mais racional, e ter\u00e1 mais habilidade para a matem\u00e1tica, por exemplo. Enquanto a menina, que n\u00e3o recebeu testosterona, seria mais emp\u00e1tica, mais cuidadosa e cuidadora, e vai preferir brincar de boneca. Ent\u00e3o, essas teorias v\u00e3o afirmar que tudo isto que vemos como caracter\u00edsticas de g\u00eanero s\u00e3o determinadas, ainda durante o desenvolvimento do feto, pelos horm\u00f4nios pr\u00e9-natais. Nelly Oudshoorn mostra que, quando as primeiras pesquisas sobre os horm\u00f4nios come\u00e7aram a acontecer, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, a id\u00e9ia era que existia horm\u00f4nio masculino e horm\u00f4nio feminino. Ent\u00e3o, os cientistas foram medir o n\u00edvel hormonal.<BR>  <P><B>Que contexto cultural possibilitou o surgimento dessas pesquisas?<\/B>  <P>A id\u00e9ia dos pesquisadores da endocrinologia, como a Nelly Oudshoorn mostra em seu livro, era que os horm\u00f4nios sexuais eram masculinos ou femininos e ponto final. O problema \u00e9 que, quando foram medir o n\u00edvel de horm\u00f4nio em homens saud\u00e1veis, foi encontrado o horm\u00f4nio &ldquo;feminino&rdquo;, o que causou um grande espanto nos pesquisadores. Eles pensaram: &ldquo;Como pode haver na urina de um homem normal um horm\u00f4nio feminino&rdquo;. Ent\u00e3o, v\u00e1rias especula\u00e7\u00f5es surgiram, para justificar essa diferen\u00e7a dos corpos: na verdade, eles seriam &ldquo;hermafroditas latentes&rdquo;, ou teriam ingerido o horm\u00f4nio, por exemplo.<BR>  <P><B>A teoria do horm\u00f4nio pr\u00e9-natal explica tamb\u00e9m a diferen\u00e7a entre homossexuais e heterossexuais?<\/B>  <P>Segundo essa teoria, haveria um cont\u00ednuo de &ldquo;masculinidade&rdquo; e &ldquo;feminilidade&rdquo; cerebral. Ent\u00e3o, enquanto haveria um heterossexual com c\u00e9rebro masculino, o homossexual teria um c\u00e9rebro mais feminilizado ou menos masculinizado, por, supostamente, ter recebido menos testosterona durante o desenvolvimento do feto.<BR>  <P><B>Voc\u00ea acredita que a biologia tem um papel preponderante na esfera pol\u00edtica?<\/B>  <P>Acho que cada vez mais. desde o surgimento dos ideais de igualdade, deu-se mais import\u00e2ncia \u00e0 biologia e passou-se a pensar a ci\u00eancia como algo puramente racional. A id\u00e9ia difundida para o p\u00fablico leigo \u00e9 que o que \u00e9 determinado cientificamente n\u00e3o tem discuss\u00e3o.<BR>  <P><B>Buscar na biologia a explica\u00e7\u00e3o do comportamento sexual ainda \u00e9 uma tend\u00eancia muito freq\u00fcente hoje em dia? Tais pesquisas n\u00e3o seriam mal\u00e9ficas no sentido que acabam por refor\u00e7ar a ideia de &ldquo;problema&rdquo; e estigmatizar ainda mais comportamentos e identidades sexuais tidos como desviantes?<\/B>  <P>Toda hora vemos no jornal que &ldquo;descobriram&rdquo; o gene respons\u00e1vel pela transexualidade, por exemplo. Mas n\u00e3o podemos pensar a ci\u00eancia como se esta fosse malvada, \u00e9 preciso pensar de modo menos dualista, como se houvesse o bem e o mal. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La cientista social brasile\u00f1a&nbsp;Marina Nucci, una de las premiadas en el concurso \u00abConstruyendo la Igualdad de G\u00e9nero\u00bb, del CNPq, discute las teor\u00edas naturalizadas y biologizantes sobre orientaci\u00f3n sexual y g\u00e9nero usadas para \u00abexplicar\u00bb diferencias entre hombres y mujeres y entre heterosexuales y homosexuales. <I>(Texto en portugu\u00e9s)<\/I><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1286","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>El sexo del cerebro - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/el-sexo-del-cerebro\/1286\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"El sexo del cerebro - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"La cientista social brasile\u00f1a&nbsp;Marina Nucci, una de las premiadas en el concurso &quot;Construyendo la Igualdad de G\u00e9nero&quot;, del CNPq, discute las teor\u00edas naturalizadas y biologizantes sobre orientaci\u00f3n sexual y g\u00e9nero usadas para &quot;explicar&quot; diferencias entre hombres y mujeres y entre heterosexuales y homosexuales. 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