{"id":1290,"date":"2011-02-10T00:00:00","date_gmt":"2011-02-10T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2011\/02\/10\/el-genero-en-la-medicina\/"},"modified":"2011-02-10T00:00:00","modified_gmt":"2011-02-10T02:00:00","slug":"el-genero-en-la-medicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/el-genero-en-la-medicina\/1290\/","title":{"rendered":"El g\u00e9nero en la medicina"},"content":{"rendered":"<p>Historicamente, diversas concep\u00e7\u00f5es foram se configurando para tentar explicar diferen\u00e7as entre homens e mulheres. Nesse processo, as ci\u00eancias biom\u00e9dicas exerceram um papel relevante na defini\u00e7\u00e3o dos significados atribu\u00eddos aos corpos, influenciando as discuss\u00f5es sobre g\u00eanero e sexualidade. A antrop\u00f3loga Daniela Manica, em sua tese de doutorado, analisou a trajet\u00f3ria de pesquisas cl\u00ednicas do m\u00e9dico brasileiro Elsimar Coutinho e discutiu como a medicina, os aprimoramentos tecnol\u00f3gicos e o surgimento da p\u00edlula anticoncepcional foram determinantes nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<BR>  <P>O m\u00e9dico Elsimar Coutinho \u00e9 especialista na \u00e1rea de reprodu\u00e7\u00e3o e, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, desenvolveu m\u00e9todos contraceptivos e tratamentos hormonais. Sua notoriedade foi ampliada em 1996 com o lan\u00e7amento do livro &ldquo;Menstrua\u00e7\u00e3o, a sangria in\u00fatil&rdquo;, cuja ideia central \u00e9 compreender a menstrua\u00e7\u00e3o como um acontecimento n\u00e3o natural, fruto da interven\u00e7\u00e3o humana sobre o processo reprodutivo. Determinados m\u00e9todos contraceptivos, destaca Daniela Manica, trariam tamb\u00e9m como efeito a interrup\u00e7\u00e3o dos sangramentos peri\u00f3dicos, o que devolveria \u00e0 mulher esse suposto atributo &ldquo;natural&rdquo;. Em entrevista ao CLAM, a antrop\u00f3loga demonstra como a ci\u00eancia m\u00e9dica contribui para construir concep\u00e7\u00f5es sobre g\u00eanero e sexualidade.<BR>  <P><B>Como \u00e9 a ideia da desnaturaliza\u00e7\u00e3o da menstrua\u00e7\u00e3o? O que isso significa?<\/B>  <P>O argumento central de Elsimar Coutinho \u00e9 de que a menstrua\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 natural, ela \u00e9 um efeito do controle que a sociedade historicamente exerceu sobre o processo reprodutivo. Segundo ele, as mulheres contempor\u00e2neas, principalmente as do \u00faltimo s\u00e9culo, t\u00eam um controle mais efetivo sobre sua fertilidade, tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios m\u00e9todos contraceptivos que foram desenvolvidos. Esses m\u00e9todos acabaram produzindo epis\u00f3dios mais frequentes de sangramento do que as nossas bisav\u00f3s, por exemplo, que tinham um filho atr\u00e1s do outro. H\u00e1 um s\u00e9culo e meio, as pessoas tinham mais filhos, o que n\u00e3o acontece atualmente.<BR>  <P><B>A ideia, ent\u00e3o, \u00e9 a de que as mulheres s\u00e3o, por obra da natureza, destinadas exclusivamente \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o?<\/B>  <P>Sim, como se o destino natural das mulheres fosse a maternidade. No estado hipot\u00e9tico da &ldquo;natureza&rdquo;, elas ficariam sempre gr\u00e1vidas ou amamentando. Nessas situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o haveria menstrua\u00e7\u00e3o. Atualmente, o controle sobre o processo reprodutivo mudaria esse panorama.<BR>  <P><B>E o Dr. Elsimar \u00e9 cr\u00edtico a isso?<\/B>  <P>N\u00e3o sei se ele \u00e9 exatamente cr\u00edtico. Ele usa esse argumento para justificar a contracep\u00e7\u00e3o hormonal, que foi um campo de pesquisas que ele se dedicou em sua trajet\u00f3ria, desde a d\u00e9cada de 1950. Ele desenvolveu muitos m\u00e9todos contraceptivos. Ent\u00e3o, acredito que isso o ajudou a procurar uma justificativa para o uso desses m\u00e9todos.<BR>  <P>A p\u00edlula foi formatada para reproduzir os sangramentos. Ela poderia n\u00e3o ter esse efeito, mas isso foi uma forma que a ind\u00fastria farmac\u00eautica encontrou para transformar tal m\u00e9todo num produto poss\u00edvel para a \u00e9poca, a d\u00e9cada de 1960. Foi uma sa\u00edda para possibilitar que fosse vi\u00e1vel socialmente, reproduzindo os sangramentos.<BR>  <P><B>Na sua tese, voc\u00ea fala em media\u00e7\u00e3o da tecnoci\u00eancia como uma forma de devolver \u00e0 mulher uma condi\u00e7\u00e3o natural. Nota-se que a medicina, nesse processo, tem um papel importante em criar significados sobre o corpo. \u00c9 poss\u00edvel afirmar que h\u00e1 uma maior visibilidade na medicina sobre os corpos femininos em rela\u00e7\u00e3o aos masculinos? Isso tem alguma implica\u00e7\u00e3o como um marcador de g\u00eanero?<\/B>  <P>Com certeza, definitivamente h\u00e1 uma leitura clara do corpo feminino como ligado \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o, e tudo aquilo que supostamente diz respeito aos aspectos reprodutivos tem uma visibilidade muito maior para as mulheres do que para os homens. A pr\u00f3pria \u00e1rea dos estudos sociais da ci\u00eancia, do ponto de vista feminista, se desenvolveu com bastante \u00eanfase e cr\u00edtica sobre determinados pressupostos e abordagens cient\u00edficas.<BR>  <P>A antrop\u00f3loga Emily Martin faz um <U><a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=1553&amp;sid=54\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo da linguagem<\/A><\/U> reproduzida pelos sistemas m\u00e9dicos em que a reprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 o paradigma. A finalidade reprodutiva definiria as mulheres. Ent\u00e3o, todos os sinais, todos os fen\u00f4menos que acontecem no corpo das mulheres est\u00e3o relacionados \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o. Tudo aquilo que acontece no corpo feminino \u00e9 lido a partir desta perspectiva e, dessa forma, a menstrua\u00e7\u00e3o, assim como a menopausa, s\u00e3o compreendidas como falhas no sistema.<BR> <B><BR> A mulher vai muito mais ao m\u00e9dico do que o homem. Para ela, existe a ginecologia, mas n\u00e3o h\u00e1 uma ci\u00eancia an\u00e1loga para ele, ou seja, ela tem um corpo mais medicalizado. O que isso reflete?<\/B>  <P>Isso se reflete no caso do homem n\u00e3o s\u00f3 no que diz respeito \u00e0 contracep\u00e7\u00e3o. A \u00fanica coisa que se produziu com a mesma \u00eanfase pela ind\u00fastria farmac\u00eautica foram os rem\u00e9dios para tratar disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til. Isso j\u00e1 diz muito sobre como se equacionam homens e mulheres em mat\u00e9ria de sexualidade e reprodu\u00e7\u00e3o. A mulher est\u00e1 ligada \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o e o homem, por seu lado, \u00e0 sexualidade. O que se busca para eles \u00e9 uma \u00eanfase na sexualidade.<BR>  <P>Inclusive, os estudos sobre fertilidade e infertilidade masculinas s\u00e3o muito incipientes. N\u00e3o existe, por exemplo, uma p\u00edlula masculina, um produto que h\u00e1 trinta anos vem sendo anunciado pela ind\u00fastria farmac\u00eautica, mas que nunca de fato foi produzido. H\u00e1 v\u00e1rios estudos sobre poss\u00edveis subst\u00e2ncias com tal efeito, mas nada efetivamente foi produzido, porque h\u00e1 uma s\u00e9rie de entraves sociais, do ponto de vista das perspectivas de g\u00eanero, que impedem que isso aconte\u00e7a.<BR>  <P>Historicamente, houve uma assimetria nos enfoques mais usuais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s concep\u00e7\u00f5es sobre homens e mulheres. Na hist\u00f3ria da reprodu\u00e7\u00e3o e da contracep\u00e7\u00e3o, a \u00eanfase dos m\u00e9dicos para entender esses fen\u00f4menos do ponto de vista bioqu\u00edmico foi muito maior no caso das mulheres. Evidentemente, a partir do impacto da AIDS, os m\u00e9todos de barreira, como a camisinha, re-equacionaram essa quest\u00e3o. Passa-se a falar sobre a preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis. E a\u00ed o foco nos homens como foco de pol\u00edticas de sa\u00fade passa a ser um pouco maior.<BR>  <P>Esses m\u00e9todos de barreira impactam a distribui\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos contraceptivos hormonais, mas n\u00e3o tanto. Se analisarmos, por exemplo, os n\u00e3o hormonais, como a laqueadura e a vasectomia, tamb\u00e9m observamos essa diferen\u00e7a. Muito mais mulheres foram esterilizadas do que homens. Ent\u00e3o, isso tamb\u00e9m \u00e9 um reflexo dessa diferen\u00e7a, uma forma como se olha para as rela\u00e7\u00f5es entre g\u00eanero, sexualidade e reprodu\u00e7\u00e3o.<BR>  <P>\u00c9 evidente que, aos poucos, isso est\u00e1 mudando. Hoje em dia, j\u00e1 se come\u00e7a a falar em andropausa, h\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o maior sobre a infertilidade masculina. Mas, comparativamente, considerando-se a \u00faltima metade do s\u00e9culo XX, \u00e9 brutal a diferen\u00e7a.<BR>  <P><B>Essa vis\u00e3o reprodutiva sobre a mulher est\u00e1 ligada a fatores religiosos e morais?<\/B>  <P>Sim, tem a ver, mas h\u00e1 v\u00e1rios processos que acontecem ao mesmo tempo. A ci\u00eancia e a religi\u00e3o s\u00e3o sistemas culturais de pensar a exist\u00eancia humana. A pr\u00f3pria quest\u00e3o da contracep\u00e7\u00e3o, do desenvolvimento dos m\u00e9todos contraceptivos, est\u00e1 dentro de um contexto mais global, de regula\u00e7\u00e3o da sociedade. Existe um potencial pol\u00edtico por tr\u00e1s desse processo, de controlar o n\u00famero de nascimentos, uma preocupa\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica que no fundo fala de um modelo de sociedade no qual vivemos. Tem a ver tamb\u00e9m, no caso dos m\u00e9todos contraceptivos, com o desenvolvimento do capitalismo, a cria\u00e7\u00e3o de uma ind\u00fastria farmac\u00eautica de dimens\u00f5es globais.<BR>  <P>H\u00e1 uma discuss\u00e3o sobre biopol\u00edtica que \u00e9 muito importante nesse contexto. Existe uma preocupa\u00e7\u00e3o com a organiza\u00e7\u00e3o social de uma forma mais ampla, que vai desde o tamanho da popula\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds at\u00e9 o tamanho da fam\u00edlia. Existe um reordenamento das rela\u00e7\u00f5es para construir fam\u00edlias menores, que t\u00eam, por sua vez, uma necessidade de consumo maior. Ao mesmo tempo, o Estado de bem-estar-social vai sendo enxugado. As pessoas precisam se constituir como consumidoras. N\u00e3o h\u00e1 mais Estado provendo com qualidade educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade como nos\u00e9culo XX. Ent\u00e3o, tudo isso acontece ao mesmo tempo. N\u00e3o basta falar apenas em ci\u00eancia e religi\u00e3o, que definem como n\u00f3s pensamos essas quest\u00f5es.<BR>  <P>\u00c9 evidente que temos uma tradi\u00e7\u00e3o androc\u00eantrica na forma como a religi\u00e3o olha a mulher. Isso talvez seja mais evidente na obstetr\u00edcia, na atual rela\u00e7\u00e3o medicalizada das mulheres com o parto. H\u00e1 uma perspectiva negativa sobre o parto, como tamb\u00e9m ocorre na menstrua\u00e7\u00e3o. Por sermos de uma matriz cat\u00f3lica, podemos relacionar como algo muito negativado e que diz respeito ainda \u00e0 forma como a mulher \u00e9 recebida no servi\u00e7o de sa\u00fade. Todo esse momento crucial da exist\u00eancia, da gera\u00e7\u00e3o de vida, de prevenir, de interromper ou levar ao final uma gesta\u00e7\u00e3o, desperta muita aten\u00e7\u00e3o socialmente. E h\u00e1 muitos poderes que perpassam as concep\u00e7\u00f5es religiosas e a ci\u00eancia.<BR>  <P><B>O governo federal brasileiro lan\u00e7ou, em 2009, a Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade do Homem. Uma <U><a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=6279&amp;sid=7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">discuss\u00e3o<\/A><\/U>&nbsp;que o projeto provocou focava a maneira escolhida para angariar a aten\u00e7\u00e3o dos homens, mais resistentes \u00e0 rotina m\u00e9dica do que as mulheres: uma das portas de entrada eram os problemas de disfun\u00e7\u00e3o sexual. De que forma voc\u00ea analisa essa discuss\u00e3o, dentro da l\u00f3gica de que medicina e g\u00eanero s\u00e3o dom\u00ednios que est\u00e3o em constante di\u00e1logo?<\/B>  <P>\u00c9 mais dif\u00edcil que os homens, de maneira geral, busquem ajuda no que diz respeito a problemas de sa\u00fade, procurem apoio m\u00e9dico. Isso tem a ver com os modelos de masculinidade vigentes na nossa sociedade.Quando, por outro lado, para as mulheres, \u00e9 recomendado que a partir da primeira menstrua\u00e7\u00e3o ela procure um ginecologista para cuidar da sua fertilidade, da sua sa\u00fade. H\u00e1 um monitoramento extremamente cuidadoso sobre todo o processo reprodutivo feminino, desde o come\u00e7o da sua vida f\u00e9rtil. Existe um investimento muito grande nessa frente de controle da reprodu\u00e7\u00e3o.<BR>  <P><B>Voc\u00ea fala que as discuss\u00f5es sobre a masculinidade t\u00eam alcan\u00e7ado mais visibilidade. \u00c9 plaus\u00edvel que tais discuss\u00f5es cres\u00e7am mais e se equiparem \u00e0s que existem sobre a mulher?<\/B>  <P>N\u00e3o sei. N\u00e3o sou nem otimista, nem pessimista. H\u00e1 uma visibilidade maior para os homens. Isso est\u00e1 relacionado a uma ruptura mais geral com os sistemas antigos de pensar as diferen\u00e7as de g\u00eanero, como o patriarcalismo. Os movimentos feministas, homossexual, LGBT, enfim, que questionam a fixa\u00e7\u00e3o dessas diferen\u00e7as, t\u00eam um impacto sobre isso.<BR>  <P>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o da andropausa e da medicina, \u00e9 mais complicado. Do ponto de vista das pol\u00edticas p\u00fablicas, h\u00e1 uma tentativa de capta\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico que \u00e9 dif\u00edcil de ser inclu\u00eddo no sistema. Existe uma certa repulsa dos homens para lidar com sa\u00fade. No caso das mulheres, \u00e9 um processo mais naturalizado por conta da pr\u00f3pria quest\u00e3o reprodutiva.<BR>  <P>Cada caso \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o diferente: um homem com problemas card\u00edacos tem um atendimento, tem vias de entrada diferentes no sistema de sa\u00fade. O que se est\u00e1 tentando \u00e9 captar esse pessoal antes. H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o, do ponto de vista das pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade, de capta\u00e7\u00e3o de usu\u00e1rios, que \u00e9 v\u00e1lida. \u00c9 uma estrat\u00e9gia. N\u00e3o sei se isso significa uma mudan\u00e7a estrutural na forma como a sociedade pensa sa\u00fade e rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero.<BR>  <P><B>Mas h\u00e1 um esfor\u00e7o do Estado nesse sentido, n\u00e3o?<\/B>  <P>Sim, e que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, nesse momento, porque h\u00e1 um questionamento sobre uma s\u00e9rie de temas. H\u00e1 uma exposi\u00e7\u00e3o da fragilidade do modelo de masculinidade hegem\u00f4nica que permite que voc\u00ea repense essas quest\u00f5es. Mas, isso n\u00e3o acontece da mesma forma em diferentes segmentos sociais, por exemplo. Existem diferen\u00e7as regionais, pa\u00edses diferentes, n\u00e3o se deve generalizar.<BR>  <P>Observamos que h\u00e1 uma tend\u00eancia geral, uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente com a gest\u00e3o individual da sa\u00fade, uma aten\u00e7\u00e3o mais preventiva, e os homens est\u00e3o nesse processo. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La antrop\u00f3loga Daniela Manica discute &ndash; a partir de su tesis sobre la \u00abdesnaturalizaci\u00f3n\u00bb de la menstruaci\u00f3n, defendida por el m\u00e9dico brasile\u00f1o Elsimar Coutinho &ndash; c\u00f3mo las concepciones sobre sexualidad, g\u00e9nero y cuerpo est\u00e1n entrelazadas a las ciencias m\u00e9dicas. <I>(Texto en portugu\u00e9s)<\/I><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1290","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>El g\u00e9nero en la medicina - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/el-genero-en-la-medicina\/1290\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"El g\u00e9nero en la medicina - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"La antrop\u00f3loga Daniela Manica discute &ndash; a partir de su tesis sobre la &quot;desnaturalizaci\u00f3n&quot; de la menstruaci\u00f3n, defendida por el m\u00e9dico brasile\u00f1o Elsimar Coutinho &ndash; c\u00f3mo las concepciones sobre sexualidad, g\u00e9nero y cuerpo est\u00e1n entrelazadas a las ciencias m\u00e9dicas. 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