{"id":1322,"date":"2011-08-03T00:00:00","date_gmt":"2011-08-03T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2011\/08\/03\/puesta-en-escena\/"},"modified":"2011-08-03T00:00:00","modified_gmt":"2011-08-03T03:00:00","slug":"puesta-en-escena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/puesta-en-escena\/1322\/","title":{"rendered":"Puesta en escena"},"content":{"rendered":"<p>Nesta entrevista ao CLAM, o pesquisador Raphael Bispo, doutorando pelo Museu Nacional\/UFRJ e professor do curso de Especializa\u00e7\u00e3o em G\u00eanero e Sexualidade (EGeS), fala dos resultados preliminares de sua pesquisa etnogr\u00e1fica com as chacretes, dan\u00e7arinas que auxiliavam o apresentador Abelardo Barbosa, conhecido como Chacrinha, no come\u00e7o da televis\u00e3o brasileira.<BR>  <P>O trabalho, intitulado &ldquo;Vivendo do rebolado: g\u00eanero e envelhecimento na ascendente ind\u00fastria cultural brasileira&rdquo;, investiga as lembran\u00e7as das dan\u00e7arinas em rela\u00e7\u00e3o a esse per\u00edodo de suas vidas, discutindo a percep\u00e7\u00e3o de conhecidas chacretes sobre os estigmas e preconceitos que estavam ligados \u00e0 vida art\u00edstica nos anos 1970, \u00e9poca da ditadura militar e momento de grande efervesc\u00eancia pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural.<BR>  <P>A pesquisa aponta que o sucesso e o renome nas carreiras art\u00edsticas de dan\u00e7arinas televisivas como as chacretes estavam intimamente ligados \u00e0 capacidade de tais mulheres de trafegar nos t\u00eanues limites das cr\u00edticas e estigmas que pairavam sobre elas. &ldquo;Num sentido mais amplo, as chacretes que assumiram de certa forma a performance de g\u00eanero da &lsquo;puta&rsquo;, formulada em torno de suas figuras p\u00fablicas e midi\u00e1ticas, obtiveram mais prest\u00edgio e distin\u00e7\u00e3o social entre suas parceiras na disputada e inst\u00e1vel carreira art\u00edstica na TV. No entanto, adotar uma performance p\u00fablica de &lsquo;puta&rsquo; n\u00e3o significa fazer programas, por exemplo&rdquo;, assinala o antrop\u00f3logo, na entrevista a seguir.<BR>  <P><B>Durante as d\u00e9cadas de 1960 e 1970, mulheres que desempenhavam atividades art\u00edsticas eram taxadas de &ldquo;mulheres da vida&rdquo;, enquanto os homens que trabalhavam nesse meio eram qualificados como &ldquo;homossexuais&rdquo;. A que voc\u00ea atribui esses estigmas e como eles est\u00e3o relacionados \u00e0 moral vigente na \u00e9poca? <\/B> <P>Existe uma express\u00e3o que era recorrente em alguns peri\u00f3dicos da \u00e9poca e que ilumina bem essa pergunta: &ldquo;mulheres de televis\u00e3o&rdquo;. De certa forma at\u00e9 hoje se faz uso da express\u00e3o para referir-se a essa freq\u00fc\u00eancia feminina nos bastidores televisivos que est\u00e1vamos comentando anteriormente. No entanto, vejo que tal forma de se fazer refer\u00eancia carrega em si tamb\u00e9m fortes simbolismos e em muitos casos adquire caracter\u00edsticas acusat\u00f3rias. A express\u00e3o serve tamb\u00e9m como um julgamento moral e uma tentativa de menosprezar a presen\u00e7a delas na TV. Faz-se a associa\u00e7\u00e3o entre ser uma &ldquo;mulher de televis\u00e3o&rdquo; e ser uma &ldquo;puta&rdquo;, uma &ldquo;prostituta&rdquo;, uma mulher de &ldquo;vida f\u00e1cil&rdquo; e com a &ldquo;moral duvidosa&rdquo;.<BR>  <P>\u00c9 preciso destacar que no per\u00edodo da ditadura militar era recorrente entre segmentos mais conservadores do Brasil a constru\u00e7\u00e3o de acusa\u00e7\u00f5es de desvio e anormalidade a certos artistas da \u00e9poca. Al\u00e9m do recurso de cerceamento da liberdade de cria\u00e7\u00e3o por meio da proibi\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as teatrais, do recolhimento de discos, do corte de verbas e da interdi\u00e7\u00e3o de shows e espet\u00e1culos, tais for\u00e7as apoiadoras do golpe militar faziam usos recorrentes das acusa\u00e7\u00f5es de &ldquo;drogados&rdquo;, &ldquo;subversivos&rdquo;, &ldquo;putas&rdquo; e &ldquo;homossexuais&rdquo; a fim de satisfazerem suas tentativas de normatiza\u00e7\u00e3o. In\u00fameras pris\u00f5es e processos contra artistas por consumo de drogas &ndash; seja este um fato real ou apenas imaginado pelos agentes da repress\u00e3o &ndash; foram executados no regime militar atrav\u00e9s de um eficiente aparato de den\u00fancia, capaz de mobilizar uma forte a\u00e7\u00e3o policial por meio de invas\u00f5es de domic\u00edlio e ampla repercuss\u00e3o na imprensa em geral.<BR>  <P>Portanto, categorias acusat\u00f3rias como a de &ldquo;puta&rdquo; e &ldquo;homossexual&rdquo; n\u00e3o s\u00e3o aleat\u00f3rias. Servindo como &ldquo;exemplos&rdquo;, a TV e os artistas que por ela passavam tornaram-se tamb\u00e9m alvos dessas acusa\u00e7\u00f5es. Eles expressavam com vigor a nega\u00e7\u00e3o de alguns dos valores mais caros aos grupos detentores do poder, como a disciplina, a produtividade e uma moral r\u00edgida e de bases heteronormativas. A cr\u00edtica que muitos fizeram por meio de suas obras \u00e0 preemin\u00eancia de estilos de vida mais tradicionais em nossa sociedade refor\u00e7ou ainda mais a imagem negativa do artista e intelectual perante a sociedade em geral. Havia a necessidade de certas autoridades em deter tais artistas destoantes, e essas acusa\u00e7\u00f5es serviam para isso.<BR>  <P><B>Em sua pesquisa, voc\u00ea afirma ainda que o estigma de &ldquo;prostituta&rdquo; era negociado pelas chamadas &ldquo;chacretes&rdquo; (dan\u00e7arinas do programa do apresentador Abelardo Barbosa, o Chacrinha) e muitas se beneficiavam dessa fama para obter mais prest\u00edgio e distin\u00e7\u00e3o na carreira art\u00edstica. De que forma isso acontecia? <\/B> <P>As chacretes eram compreendidas por seus pares como belas mulheres e tinham tamb\u00e9m como objetivo atrair o &ldquo;p\u00fablico masculino&rdquo; para assistir as atra\u00e7\u00f5es de Chacrinha, os convidando a compartilhar a TV com as mulheres de sua casa, o &ldquo;p\u00fablico-alvo&rdquo; dos programas de audit\u00f3rio, de acordo com as id\u00e9ias oriundas dos saberes constitutivos do mundo televisivo.<BR>  <P>O que a minha pesquisa tem apontado \u00e9 que o sucesso e o renome nas carreiras art\u00edsticas de dan\u00e7arinas televisivas estavam intimamente ligados \u00e0 capacidade de tais mulheres em saberem trafegar nos t\u00eanues limites de tais cr\u00edticas de que fal\u00e1vamos anteriormente. Num sentido mais amplo, as chacretes que assumiram de certa forma a performance de g\u00eanero da &ldquo;puta&rdquo;, formulada em torno de suas figuras p\u00fablicas e midi\u00e1ticas, obtiveram mais prest\u00edgio e distin\u00e7\u00e3o social entre suas parceiras na disputada e inst\u00e1vel carreira art\u00edstica na TV. Veja bem: estamos falando aqui do dom\u00ednio da constru\u00e7\u00e3o e formula\u00e7\u00e3o de uma imagem p\u00fablica, de uma <I>persona<\/I>, da apresenta\u00e7\u00e3o de si \u00e0 sociedade como mulher sensual e voraz dentro desse contexto do emergente star system brasileiro.<BR>  <P>Adotar uma performance p\u00fablica de &ldquo;puta&rdquo; n\u00e3o significa fazer programas, por exemplo. As chacretes tinham certa no\u00e7\u00e3o do quanto uma apresenta\u00e7\u00e3o de si de maneira er\u00f3tica e sensual era desej\u00e1vel para o sucesso de suas carreiras de dan\u00e7arina. O papel desempenhado por elas no \u00e2mbito televisivo exigia em seu <I>script<\/I> mais velado, subentendido, um compartilhamento de sua vida privada, seus amores, suas transas com o p\u00fablico em geral. As l\u00f3gicas das rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero no \u00e2mbito da TV constru\u00edam para as dan\u00e7arinas um lugar espec\u00edfico dentro dele, ao darem um valor especial para seus desempenhos profissionais articulados a suas trajet\u00f3rias afetivo-sexuais, seus namoros, suas &ldquo;escapadinhas&rdquo; com os artistas, suas circula\u00e7\u00f5es noturnas pelas boates. Quando isso n\u00e3o foi poss\u00edvel ou n\u00e3o foi feito de maneira plena por elas, sem maiores dilemas, gerou-se in\u00fameros constrangimentos, como demonstram alguns depoimentos delas hoje, que est\u00e3o com cerca de 60 anos de idade.<BR>  <P>As grandes chacretes fizeram nome por meio das constantes negocia\u00e7\u00f5es com tais exig\u00eancias er\u00f3ticas e o burburinho midi\u00e1tico em torno delas. Participar da TV e fazer sucesso era tamb\u00e9m adentrar com tudo ao <I>bas-fond<\/I> televisivo. As dan\u00e7arinas precisavam ser despojadas no que se refere \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica de suas intimidades. Aquelas que buscaram se resguardar por conta da fam\u00edlia e outras demandas sociais e\/ou n\u00e3o souberam lidar com o fim da vida an\u00f4nima n\u00e3o conseguiram seguir carreira na \u00e1rea. O sucesso est\u00e1 intimamente ligado \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho de chacrete, n\u00e3o s\u00f3 no palco, diante das c\u00e2meras com um bom rebolado, mas tamb\u00e9m nas exig\u00eancias feitas a elas no <I>bas-fond<\/I>, alimentando um estilo de vida que muitas das vezes se confundia com a imagem presente no senso comum da &ldquo;mulher de televis\u00e3o&rdquo; como &ldquo;puta\/prostituta&rdquo;.<BR>  <P><B>Havia algum controle em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade das dan\u00e7arinas?<\/B>  <P>A dire\u00e7\u00e3o do programa, Chacrinha \u00e0 frente, costumava suspender a participa\u00e7\u00e3o das dan\u00e7arinas por cerca de algumas semanas consecutivas quando sabiam de algum caso amoroso. Na verdade, havia certas grada\u00e7\u00f5es em torno desses controles dos relacionamentos sofridos pelas chacretes por parte dos programadores, importante para compreendermos as inflex\u00f5es de g\u00eanero subjacentes ao mundo televisivo da \u00e9poca. Se o artista fosse solteiro, muitas das vezes n\u00e3o havia maiores querelas. O burburinho do <I>bas-fond<\/I> nas revistas de fofoca tr\u00e1s destaque ao programa e rende muitos dividendos. \u00c9 preciso, por variadas maneiras, alimentar a aten\u00e7\u00e3o do telespectador e romances secretos sempre foram um chamariz e tanto.<BR>  <P>No entanto, dependendo da gravidade do caso amoroso &ndash; como namorar com artista casado ou n\u00e3o aparecer nas grava\u00e7\u00f5es por conta de um relacionamento &ndash; a suspens\u00e3o ou at\u00e9 mesmo a demiss\u00e3o era algo sempre em vista. Por\u00e9m, o mesmo Chacrinha que nas lembran\u00e7as de tais mulheres aparece como um pai severo, controlador de suas sexualidades e gestor de uma boa moral em torno de seu programa para a &ldquo;fam\u00edlia brasileira&rdquo; foi um grande incentivador de uma vis\u00e3o mais er\u00f3tica de suas dan\u00e7arinas. Em suas colunas em peri\u00f3dicos da \u00e9poca, por exemplo, costumava escrever not\u00edcias sobre as atribuladas vidas amorosas das chacretes.<BR>  <P>Assim, a possibilidade de afastamento do meio televisivo das dan\u00e7arinas por parte da dire\u00e7\u00e3o devido ao &ldquo;mau comportamento&rdquo; surge mais como um mecanismo a fim de controlar e disciplinar as chacretes do que uma efetiva preocupa\u00e7\u00e3o moralizante por parte dos programadores, preocupados com a imagem de mulheres &ldquo;putas&rdquo; que as chacretes poderiam ter na sociedade da \u00e9poca. Nesse sentido, o conjunto de regras que buscavam normatizar as experi\u00eancias das dan\u00e7arinas no \u00e2mbito desses programas \u00e9 amb\u00edguo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias morais feitas a elas, ora tentando cercear seus comportamentos sexuais por meio de vigias e proibi\u00e7\u00f5es, ora estimulando a sensualidade delas nas grava\u00e7\u00f5es e nos circuitos noticiosos como um todo.<BR>  <P>Tais exig\u00eancias morais feitas \u00e0s chacretes n\u00e3o s\u00e3o opostas, pelo contr\u00e1rio, se complementam a partir de uma intricada rede de interesses motivada pelos intuitos de entretenimento e sucesso de Chacrinha, equipe e das pr\u00f3prias dan\u00e7arinas. Proibir as jovens e ao mesmo tempo instigar os telespectadores acerca do potencial sexual que supostamente rondaria as dan\u00e7arinas era uma f\u00f3rmula para garantir a audi\u00eancia e a popularidade ao programa.<BR>  <P><B>Acredita que o estigma sobre atrizes e demais mulheres que trabalham no meio televisivo ainda existe? <\/B> <P>\u00c9 dif\u00edcil de mensurar como esse preconceito com rela\u00e7\u00e3o a mulheres artistas ocorre nos dias atuais j\u00e1 que estou focado em tais dan\u00e7arinas da d\u00e9cada de 1960 e 1970. Por\u00e9m, acredito que de certa forma persistam certos olhares enviesados para mulheres que optam em seguir uma carreira art\u00edstica, mesmo com as grandes mudan\u00e7as ocorridas na sociedade brasileira nas \u00faltimas d\u00e9cadas no que se refere ao comportamento e \u00e0 sexualidade das mulheres. Tais formas de preconceito que colocam em xeque quest\u00f5es de g\u00eanero e sexualidade sempre foram recorrentes nas artes em geral. Vejo nos jornais e revistas de hoje o quanto ainda s\u00e3o in\u00fameros os relatos de atrizes que demonstram terem sofrido preconceito ao longo de suas vidas pelo desempenho de atividades art\u00edsticas.<BR>  <P>Al\u00e9m disso, ser tida como &ldquo;puta&rdquo; n\u00e3o \u00e9 uma exclusividade das mulheres que trabalham na TV e nas artes como um todo. Qualquer tentativa de avaliar negativamente uma mulher em nossa sociedade costuma-se ainda fazer uso de tal categoria, hierarquizando-as e subordinando-as por meio da formula\u00e7\u00e3o de d\u00favidas sobre seus comportamentos afetivo-sexuais. Sendo assim, acredito que persista esse tipo de acusa\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o a mulheres das artes sim, principalmente aquelas que se apresentam ao p\u00fablico n\u00e3o como pessoas d\u00f3ceis, passivas e dependentes &ndash; o processo de constru\u00e7\u00e3o da imagem p\u00fablica da cantora Sandy \u00e9 exemplar nesse sentido &ndash; mas sim como uma mulher diferenciada e n\u00e3o-comum, tal como as antigas chacretes ou as dan\u00e7arinas dos programas contempor\u00e2neos. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>El investigador Raphael Bispo, doctorando del Museo Nacional\/UFRJ, habla sobre c\u00f3mo las &#8216;chacretes&#8217; (bailarinas que apoyaban al presentador brasile\u00f1o Chacrinha en su programa) lidiaban con el estigma de ser \u00abmujeres de televisi\u00f3n\u00bb durante el per\u00edodo conservador de la dictadura militar en Brasil. <I>(Texto en portugu\u00e9s)<\/I><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1322","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Puesta en escena - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/puesta-en-escena\/1322\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Puesta en escena - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"El investigador Raphael Bispo, doctorando del Museo Nacional\/UFRJ, habla sobre c\u00f3mo las &#039;chacretes&#039; (bailarinas que apoyaban al presentador brasile\u00f1o Chacrinha en su programa) lidiaban con el estigma de ser &quot;mujeres de televisi\u00f3n&quot; durante el per\u00edodo conservador de la dictadura militar en Brasil. 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