{"id":1331,"date":"2011-10-19T00:00:00","date_gmt":"2011-10-19T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2011\/10\/19\/deuda-historica\/"},"modified":"2011-10-19T00:00:00","modified_gmt":"2011-10-19T02:00:00","slug":"deuda-historica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deuda-historica\/1331\/","title":{"rendered":"DEUDA HIST\u00d3RICA"},"content":{"rendered":"<p>&ldquo;O Brasil tem ainda um longo caminho para poder corrigir um processo longo de exclus\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o que atinge mulheres e negros em particular&rdquo;, avalia Sueli Carneiro, doutora em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e uma das ativistas mais importantes do movimento negro brasileiro &ndash; foi uma das fundadoras do Geled\u00e9s, instituto que defende os direitos das mulheres negras no Brasil. Por isso, ela acredita que o maior m\u00e9rito de iniciativas como a do curso <U><a href=\"http:\/\/www.e-clam.org\/gpp_ger.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gest\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablicas em G\u00eanero e Ra\u00e7a (GPP-GeR)<\/A><\/U>, lan\u00e7ado em 2010 pelo governo federal e ofertado no momento por 11 universidades p\u00fablicas, seja exatamente o de possibilitar \u00e0s pessoas a aquisi\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a uma realidade nacional racista e excludente.<BR>  <P>&ldquo;O discurso do politicamente correto \u00e9 dizer que o Brasil \u00e9 um para\u00edso racial, onde convivem diferentes grupos raciais em total harmonia. Com ele, as pessoas tentam negar as evid\u00eancias de racismo presentes no cotidiano brasileiro, ocultando, assim, a realidade delet\u00e9ria das rela\u00e7\u00f5es raciais&rdquo;, afirma, na entrevista a seguir, em que avalia a forma pela qual se constituiu o percurso do conceito de ra\u00e7a no campo de rela\u00e7\u00f5es raciais no Brasil e as ra\u00edzes hist\u00f3ricas que culminaram no processo de desigualdade e exclus\u00e3o no pa\u00eds.<BR>  <P><B>Como avalia o atual estado da arte da implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas inclusivas para setores tradicionalmente exclu\u00eddos e desfavorecidos? <\/B> <P>A experi\u00eancia de exclus\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia hist\u00f3rica, enquanto a experi\u00eancia de busca de equidade de g\u00eanero e ra\u00e7a \u00e9 recente. Ent\u00e3o temos uma defasagem a\u00ed. A opress\u00e3o sobre mulheres e negros \u00e9 hist\u00f3rica. A consci\u00eancia da sociedade, particularmente no caso brasileiro, \u00e9 muito recente. A implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o chega a duas d\u00e9cadas. |Ent\u00e3o, este \u00e9 um desafio. Temos um longo caminho para poder corrigir um processo longo de exclus\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o que atinge mulheres e negros em particular.<BR>  <P><B>\u00c9 efetivamente poss\u00edvel superar as d\u00edvidas hist\u00f3ricas existentes para com os negros e pobres, especialmente as mulheres, e para com os\/as ind\u00edgenas? <\/B> <P>Desde que a sociedade como um todo se envolva positivamente e expresse vontade pol\u00edtica de corre\u00e7\u00e3o, este processo ser\u00e1 r\u00e1pido. Depende muito da reserva moral que a sociedade tem para buscar a radicaliza\u00e7\u00e3o da democracia e do estado de direito igualit\u00e1rio. S\u00e3o conquistas sempre amea\u00e7adas pelo retorno de id\u00e9ias e ideologias como o racismo, o machismo e o sexismo, que fazem retroceder a democracia.<BR>  <P><B>Brasil ocupa o segundo lugar em popula\u00e7\u00e3o negra no mundo e tal segmento social apresenta enormes \u00edndices de desigualdade s\u00f3cio-racial, apesar de o pa\u00eds contar com uma tradi\u00e7\u00e3o de movimentos sociais de luta contra as iniq\u00fcidades de g\u00eanero e ra\u00e7a &ndash; como o Movimento de Mulheres Negras &ndash;, com inst\u00e2ncias governamentais como a Seppir e com a\u00e7\u00f5es afirmativas. Contudo, algumas pol\u00edticas afirmativas, como a Lei de Cotas para negros, t\u00eam recebido cr\u00edticas de alguns setores&#8230; <\/B> <P>A viol\u00eancia como esta critica \u00e9 feita expressa ignor\u00e2ncia e m\u00e1-f\u00e9. Primeiramente porque o tema j\u00e1 foi objeto de pol\u00edticas p\u00fablicas em dezenas de paises no mundo inteiro, como \u00cdndia &ndash; pioneira na institui\u00e7\u00e3o de cotas para atender a popula\u00e7\u00e3o de dalits &ndash;, Mal\u00e1sia, Alemanha, EUA, Canad\u00e1, \u00c1frica do Sul, Nig\u00e9ria, Noruega, L\u00edbano. Todos esses pa\u00edses adotaram um conjunto de estrat\u00e9gias para lidar com discrimina\u00e7\u00f5es sociais, motivadas por identidade religiosa, \u00e9tnica e diferen\u00e7as de g\u00eanero. A Mal\u00e1sia e o L\u00edbano, por exemplo, usaram tais pol\u00edticas para incluir grupos \u00e9tnicos. Sempre que uma sociedade buscou corrigir desigualdades e o processo de exclus\u00e3o de determinados segmentos &ndash; seja por ra\u00e7a, etnia, g\u00eanero, religi\u00e3o ou orienta\u00e7\u00e3o sexual &ndash;, ela o fez atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es afirmativas. Uma sociedade reconhece que tem problemas e que grupos humanos ficaram para tr\u00e1s por intoler\u00e2ncia religiosa ou \u00e9tnica, e resolve ent\u00e3o adotar um crit\u00e9rio. Quando uma sociedade n\u00e3o muda, \u00e9 preciso que o Estado venha a agir, buscando incluir esses segmentos exclu\u00eddos. \u00c9 um debate atual no Brasil, mas atrasado frente a outros pa\u00edses.<BR>  <P><B>A meta principal do atual governo \u00e9 acabar com a extrema pobreza, a qual, em nosso pa\u00eds, tem ra\u00e7a, etnia, g\u00eanero e localiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel para o governo alcan\u00e7ar esta meta sem transversalizar, sem tratar das iniq\u00fcidades de g\u00eanero e ra\u00e7a que persistem em nossa sociedade? <\/B> <P>Tenho a confian\u00e7a de que um governo que \u00e9 a continuidade de outro governo que foi capaz de promover a mobilidade social e de ampliar as possibilidades de aproximadamente 30 milh\u00f5es de pessoas &ndash; o equivalente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da Argentina &ndash;, seja capaz de alcan\u00e7ar esta meta. Isto \u00e9 pr\u00e9-requisito para transformar este pa\u00eds em um pa\u00eds civilizado. Considerando a convic\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a esta perspectiva, ela \u00e9 essencial para alcan\u00e7ar um contingente de negros\/as que est\u00e3o segregados nos patamares de indignidade humana da hierarquia social. Sem d\u00favida, o recorte racial \u00e9 fundamental para a redu\u00e7\u00e3o da desigualdade social.<BR>  <P><B>Nesse sentido, a Educa\u00e7\u00e3o com esse recorte seria um instrumento essencial neste processo, n\u00e3o? <\/B> <P>Sem d\u00favida. O curso Gest\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablicas em G\u00eanero e Ra\u00e7a (GPP-GeR), por exemplo, parte de um pressuposto positivo, pois as pessoas, ao conhecerem melhor a realidade social e as ra\u00edzes hist\u00f3ricas que culminaram no processo de desigualdade e exclus\u00e3o no Brasil, tornam-se promotores da igualdade e da justi\u00e7a social. A\u00e7\u00f5es como essa, voltadas para gestores p\u00fablicos, s\u00e3o importantes pois possibilitam a aquisi\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade. Ainda existem duas ordens de dificuldades a serem enfrentadas em nosso pa\u00eds: a primeira delas \u00e9 o desconhecimento do gestor p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade de recortes espec\u00edficos a serem contemplados nas pol\u00edticas p\u00fablicas, o que faz com que as pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o possam alcan\u00e7ar certos segmentos sociais de forma igualit\u00e1ria. A segunda dessas dificuldades \u00e9 a resist\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as como elemento fundamental para estruturar pol\u00edticas p\u00fablicas em um contexto de desigualdade social, como \u00e9 o caso do Brasil.<BR>  <P><B>Como analisa a forma pela qual se constituiu o percurso do conceito de ra\u00e7a no campo de rela\u00e7\u00f5es raciais no Brasil? <\/B> <P>Esse debate retornou com for\u00e7a no contexto das contas raciais para as universidades. O conceito vem sendo manipulado vergonhosamente pelos advers\u00e1rios das pol\u00edticas inclusivas e das a\u00e7\u00f5es afirmativas, que tentam negar a autoridade ao conceito de ra\u00e7a. Em primeiro lugar, no caso das iniq\u00fcidades raciais, se existem desigualdades \u00e9 porque existe racismo. Em segundo lugar, o racismo sempre foi usado como arma pol\u00edtica para oprimir e legitimar a opress\u00e3o de povos n\u00e3o brancos. \u00c9 um instrumento de legitima\u00e7\u00e3o de superioridade de um grupo \u00e9tnico em rela\u00e7\u00e3o a outro, o que lhe daria o poder de oprimir e de subjugar. Outro argumento \u00e9 que \u00e9 imposs\u00edvel determinar quem \u00e9 negro no Brasil devido \u00e0 miscigena\u00e7\u00e3o, argumento utilizado para enfraquecer a identidade racial negra e para promover a fissura nessa identidade racial, impedindo que ela se transforme em um elemento mobilizador potente no plano pol\u00edtico. No atual momento, tem sido um instrumento usado para tentar deslegitimar a pol\u00edtica de cota racial. Para efeito das bolsas de estudo que os intelectuais brancos ganham para estudar os negros, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma d\u00favida do que seja a negritude, inclusive entre os detratores. Ou seja, para efeito das pesquisas, todo mundo sabe o que \u00e9 negro. Mas para efeito de pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o.<BR>  <P><B>Acredita que se possa atribuir \u00e0 ideia de &ldquo;ra\u00e7a&rdquo; presente na popula\u00e7\u00e3o brasileira a responsabilidade pelas discrimina\u00e7\u00f5es e desigualdades sofridas pelo\/as negros\/as? <\/B> <P>Se os negros est\u00e3o exclu\u00eddos das inst\u00e2ncias de poder, algu\u00e9m os est\u00e1 discriminando e excluindo. Esta \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do racismo: assegurar a um grupo a constitui\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios em detrimento de outro grupo. Isto se v\u00ea no acesso \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, no trato da Pol\u00edcia para com os negros, enfim, em todas as dimens\u00f5es da vida social. E isto faz com que uma vida valha mais que outra vida, que um grupo humano seja merecedor de uma aten\u00e7\u00e3o e outro n\u00e3o. Ningu\u00e9m se abala que 97% das vagas das universidades sejam utilizadas pelas pessoas brancas. Ent\u00e3o, at\u00e9 o advento das cotas essa realidade n\u00e3o chocava ningu\u00e9m.<BR>  <P><B>Como v\u00ea a forma como o quesito &ldquo;racismo&rdquo; \u00e9 tratado no contexto da chamada democracia racial brasileira e o recorrente discurso de que n\u00e3o h\u00e1 racismo no Brasil? <\/B> <P>Lembro de uma fala do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em que ele dizia que, em certa ocasi\u00e3o, ainda como jovem soci\u00f3logo, ele caiu na imprud\u00eancia de dizer em uma palestra que havia racismo no Brasil, sendo sonoramente advertido que aquilo era quase uma subvers\u00e3o, que ele estava criando um problema de seguran\u00e7a nacional. O discurso do politicamente correto \u00e9 dizer que o Brasil \u00e9 um para\u00edso racial, onde convivem diferentes grupos raciais em total harmonia. Com ele, as pessoas tentam negar as evid\u00eancias de racismo presentes no cotidiano brasileiro. \u00c9 um discurso que tem a inten\u00e7\u00e3o de normatizar uma fala sobre as rela\u00e7\u00f5es raciais, ocultando, com isso, a realidade delet\u00e9ria das rela\u00e7\u00f5es raciais.<BR>  <P><B>Quais as maiores demandas da agenda antirracista no Brasil de hoje? <\/B> <P>Em primeiro lugar cessar o genoc\u00eddio de jovens negros no Brasil, que \u00e9 a dimens\u00e3o mais perversa do racismo brasileiro. Em segundo lugar, aprofundar a experi\u00eancia das cotas raciais por um per\u00edodo que seja poss\u00edvel reverter esse monop\u00f3lio das pessoas brancas no acesso ao ensino universit\u00e1rio. Em terceiro, eu colocaria a solu\u00e7\u00e3o do gargalo da conclus\u00e3o do ensino m\u00e9dio, desafio que pode inviabilizar o acesso \u00e0 universidade. Outra quest\u00e3o critica \u00e9 a sensibiliza\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho e empresarial, porque \u00e9 l\u00e1 que est\u00e1 a maior restri\u00e7\u00e3o \u00e0 mobilidade social dos negros, \u00e9 onde prevalece a brancura como um pr\u00e9-requisito para o acesso \u00e1s melhores ocupa\u00e7\u00f5es no mercado de trabalho. A brancura \u00e9 t\u00e3o importante quanto o diploma nesses casos. Uma outra quest\u00e3o a ser feita \u00e9 o debate sistem\u00e1tico \u00e0 ideologia racista, que se reproduz impunemente, sobretudo nos meios midi\u00e1ticos. \u00c9 necess\u00e1ria uma contra-ofensiva ideol\u00f3gica que combata estere\u00f3tipos, o estigma e o sexismo nas pessoas. Outro tema \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es culturais afrobrasileiras, que significa, por exemplo, tornar efetiva a lei 10639\/2003 &ndash; lei que torna obrigat\u00f3rio o ensino de Hist\u00f3ria e Cultura Afro-brasileira nos curr\u00edculos escolares no pa\u00eds. O racismo \u00e9 um fen\u00f4meno que sempre se manifesta e continua em expans\u00e3o no mundo. \u00c9 uma ideologia que est\u00e1 sempre dispon\u00edvel para se privilegiar um grupo em situa\u00e7\u00e3o de conflito, de crise e tens\u00e3o social.<BR>  <P><B>O crescimento da economia experimentado pelo Brasil nos \u00faltimos anos tem projetado positivamente o pa\u00eds no cen\u00e1rio internacional. \u00c9 poss\u00edvel obter desenvolvimento econ\u00f4mico sem desenvolvimento humano e social? <\/B> <P>\u00c9 evidente que n\u00e3o. Existe um esfor\u00e7o que vem sendo feito nos \u00faltimos dez anos no sentido de manter a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais como uma meta persistente. A perspectiva de desenvolvimento econ\u00f4mico sem inclus\u00e3o social \u00e9 uma perspectiva hist\u00f3rica, em um pa\u00eds que se acostumou com a desigualdade. Alguns te\u00f3ricos dizem que o Brasil optou pela discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia como forma de redu\u00e7\u00e3o de conflitos. A perspectiva recente \u00e9 a da invers\u00e3o deste paradigma. O desenvolvimento econ\u00f4mico tem que se reverter tamb\u00e9m em inclus\u00e3o social e em redu\u00e7\u00e3o de desigualdades. O pa\u00eds entrou num c\u00edrculo virtuoso e o desafio \u00e9 permanecer nele. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>En an\u00e1lisis de la soci\u00f3loga Sueli Carneiro, Brasil tiene todav\u00eda un largo camino para corregir el proceso de exclusi\u00f3n y discriminaci\u00f3n que afecta a mujeres y negros en particular. Seg\u00fan ella, las pol\u00edticas p\u00fablicas y acciones afirmativas, sobre todo en el campo de la Educaci\u00f3n, como el GPP-GeR, tiene un papel fundamental en el proceso de reducci\u00f3n de las desigualdades sociales. <EM>(Texto en portugu\u00e9s)<\/EM><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1331","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>DEUDA HIST\u00d3RICA - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deuda-historica\/1331\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"DEUDA HIST\u00d3RICA - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"En an\u00e1lisis de la soci\u00f3loga Sueli Carneiro, Brasil tiene todav\u00eda un largo camino para corregir el proceso de exclusi\u00f3n y discriminaci\u00f3n que afecta a mujeres y negros en particular. 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