{"id":1334,"date":"2011-11-09T00:00:00","date_gmt":"2011-11-09T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2011\/11\/09\/estereotipos-neocoloniales\/"},"modified":"2011-11-09T00:00:00","modified_gmt":"2011-11-09T02:00:00","slug":"estereotipos-neocoloniales","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/estereotipos-neocoloniales\/1334\/","title":{"rendered":"Estereotipos neocoloniales"},"content":{"rendered":"<p>Brasileiros, cabo-verdianos e ucranianos s\u00e3o as tr\u00eas maiores comunidades migrat\u00f3rias em Portugal. Nos espa\u00e7os de sociabilidade LGBT, no entanto, os imigrantes brasileiros s\u00e3o os que t\u00eam maior visibilidade, segundo constatou o pesquisador portugu\u00eas Paulo Jorge Vieira (Centro de Estudos Geogr\u00e1ficos \/ Universidade de Lisboa), ao etnografar, para sua disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado, espacialidades gays e l\u00e9sbicas na cidade de Lisboa &ndash; incluindo boates e locais de &ldquo;engate&rdquo; (termo do portugu\u00eas lusitano para <I>&ldquo;pega\u00e7\u00e3o&rdquo;<\/I>), como o Jardim do Campo Grande.<BR>  <P>&ldquo;Cerca de 80% dos imigrantes que encontrei nesses espa\u00e7os eram imigrantes brasileiros. Penso que isso tem a ver com quest\u00f5es culturais. Destes&nbsp;tr\u00eas pa\u00edses [Brasil, Cabo Verde e Ucr\u00e2nia], o Brasil \u00e9 o \u00fanico que apresenta uma viv\u00eancia gay e l\u00e9sbica ativa em termos de locais direcionados&nbsp;\u00e0 esta popula\u00e7\u00e3o e onde h\u00e1 um movimento LGBT organizado&rdquo;, explicou Vieira em sua palestra &ldquo;Orienta\u00e7\u00e3o sexual, mobilidade e exclus\u00e3o\/inclus\u00e3o: notas sobre imigrantes gays em Lisboa&rdquo;, ministrada no CLAM na segunda-feira, 7 de novembro.<BR>  <P>A constata\u00e7\u00e3o de uma presen\u00e7a mais marcante de imigrantes gays e l\u00e9sbicas brasileiros nestes espa\u00e7os o levou a afunilar a quest\u00e3o para o seu Doutorado, que investigar\u00e1 os modos de rela\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia do cruzamento de diferentes formas de desigualdade e discrimina\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade urbana cosmopolita. Nesse caso, o cruzamento entre as popula\u00e7\u00f5es imigrantes e as popula\u00e7\u00f5es LGBT, em especial, pois, no trabalho de campo, ele percebeu como os imigrantes brasileiros s\u00e3o estereotipados por grande parte dos gays portugueses. &ldquo;\u00c9 uma imagem racista, xen\u00f3foba, que reproduz estere\u00f3tipos coloniais em rela\u00e7\u00e3o ao corpo, carregada de uma ideia estereotipada do exotismo tropical brasileiro&rdquo;, afirma ele, na entrevista a seguir.<BR>  <P><B>Voc\u00ea diria que Lisboa \u00e9 uma cidade <I>gay friendly<\/I>?<\/B>  <P>No quadro mundial de uma poss\u00edvel classifica\u00e7\u00e3o de cidades, sim, pode-se dizer que Lisboa \u00e9 uma cidade <I>gay-friendly<\/I>. Existem&nbsp;muitos locais de conv\u00edvio e possibilidade das pessoas explicitarem um gesto de carinho sem sofrerem viol\u00eancia, por exemplo. Lisboa n\u00e3o \u00e9 uma cidade agressiva para gays e l\u00e9sbicas.<BR>  <P><B>Mas em seu trabalho de campo voc\u00ea percebeu formas de exclus\u00e3o e xenofobia no cotidiano de imigrantes gays l\u00e1 em Lisboa, uma certa din\u00e2mica de discrimina\u00e7\u00e3o&#8230; <\/B> <P>Sim, h\u00e1 uma discrimina\u00e7\u00e3o de \u00e2mbito racial, interna \u00e0 pr\u00f3pria comunidade LGBT. Acho que a forma como s\u00e3o estereotipados os imigrantes brasileiros por grande parte dos gays portugueses \u00e9 uma imagem racista, xen\u00f3foba, que reproduz estere\u00f3tipos coloniais em rela\u00e7\u00e3o ao corpo, relativamente a uma ideia estereotipada do exotismo tropical brasileiro. Tudo isso se reproduz no espa\u00e7o gay.<BR>  <P><B>Voc\u00ea diria ent\u00e3o que o preconceito portugu\u00eas contra os imigrantes gays brasileiros seria mais \u00e9tnico do que sexual?<\/B>  <P>Eu diria que, dentro da comunidade LGBT, ele \u00e9 essencialmente \u00e9tnico, sendo mais \u00e9tnico tamb\u00e9m na popula\u00e7\u00e3o em geral. A homossexualidade dos imigrantes brasileiros \u00e9 menos percebida socialmente do que a cor da pele. A cor, a linguagem, o som da linguagem s\u00e3o determinantes.<BR>  <P><B>O sotaque do portugu\u00eas falado pelos brasileiros?<\/B>  <P>Exatamente. Ao avaliar as rea\u00e7\u00f5es, percebe-se uma tend\u00eancia a uma rea\u00e7\u00e3o negativa.<BR>  <P><B>Esse tipo de discrimina\u00e7\u00e3o se d\u00e1 em que contextos? Em que institui\u00e7\u00f5es? Escolas, institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, trabalho&#8230; <\/B> <P>Um pouco dentro de todas essas institui\u00e7\u00f5es. H\u00e1 uma dificuldade para os imigrantes brasileiros no acesso ao aluguel de casas e ao mercado de trabalho, dependendo, obviamente, do tipo de mercado de trabalho que estamos falando. Houve basicamente duas ondas migrat\u00f3rias do Brasil para Portugal. A primeira, mais t\u00e9cnica, aconteceu entre os anos 80 e 90 e era formada por pessoas brancas que foram trabalhar como dentistas, designer e engenheiros de computa\u00e7\u00e3o. A segunda onda migrat\u00f3ria brasileira ocorreu no final dos anos 90 e foi marcada por pessoas de maior diversidade \u00e9tnica e n\u00edvel de escolaridade mais baixo, que foram trabalhar em empregos menos qualificados e de menores sal\u00e1rios. \u00c9 contra estes que a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 mais marcante.<BR>  <P><B>Pode-se enxergar isto como uma certa continuidade da rela\u00e7\u00e3o colonial?<\/B>  <P>Vejo como a ideia de uma rela\u00e7\u00e3o colonial que est\u00e1 no modo como intimamente nos relacionamos entre n\u00f3s e com os outros. E que continua no modo como vivenciamos esse espa\u00e7o p\u00f3s-colonialista. A nossa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o p\u00f3s-colonial de 200 anos, relativamente pouco tempo. No entanto, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de continuidade de discursos coloniais, ou neocoloniais, eu diria.<BR>  <P><B>Uma rela\u00e7\u00e3o de superioridade entre colonizador e colonizado?<\/B>  <P>Superioridade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 col\u00f4nia e em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses europeus tamb\u00e9m. Nosso p\u00f3s-colonialismo \u00e9 marcado pela ideia de que a coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa n\u00e3o foi violenta. Esquecendo os milh\u00f5es de escravos que vendemos e os \u00edndios que dizimamos, parece que n\u00e3o fomos violentos. Essa continuidade do colonialismo \u00e9 clara no modo como, por exemplo, no nosso cotidiano, um gay portugu\u00eas se relaciona com esse outro indiv\u00edduo, que \u00e9 gay como ele, mas ao mesmo tempo \u00e9 um n\u00e3o-portugu\u00eas, n\u00e3o-branco, que \u00e9 diferente e idiotizado&#8230; Isto n\u00e3o acontece sempre, n\u00e3o podemos nunca generalizar, mas ainda \u00e9 muito comum.<BR> <B><BR> Quais s\u00e3o os estere\u00f3tipos mais comuns referentes ao imigrante gay brasileiro? <\/B> <P>Os estudos sobre p\u00f3s-colonialismo e sexualidade mostram que o colonizado \u00e9 sempre visto como hiper-sexual.<BR>  <P><B>Ent\u00e3o o corpo \u00e9 um dos lugares onde h\u00e1 um impacto dessa exclus\u00e3o?<\/B>  <P>Sim, h\u00e1 a ideia de um corpo hiper-sexual. Esse discurso acontece quando, por exemplo, est\u00e1 ficando tarde da noite e se quer ter uma rela\u00e7\u00e3o sexual. Voc\u00ea sabe que se for \u00e0quele determinado bar vai encontrar muitos brasileiros por l\u00e1, e a tua possibilidade de encontrar um parceiro sexual \u00e9 grande. A constru\u00e7\u00e3o deste estere\u00f3tipo \u00e9 presente. Mas isto \u00e9 tamb\u00e9m usado pelo pr\u00f3prio imigrante brasileiro a favor dele pr\u00f3prio. H\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o mim\u00e9tica de estere\u00f3tipo.<BR>  <P>No entanto, no meio dessa din\u00e2mica de discrimina\u00e7\u00e3o percebi tamb\u00e9m que o portugu\u00eas usa formas de cordialidade muito peculiares. H\u00e1 uma ideia de que n\u00f3s, portugueses, n\u00e3o somos racistas, de que tratamos todos por igual. Mas embora este seja o senso comum, a pr\u00e1tica social \u00e9 bastante diferente. Isso \u00e9 percept\u00edvel em pequenos formatos no cotidiano, na ideia de que existem espa\u00e7os segregados socialmente, por exemplo.<BR>  <P><B>O contexto de uma cidade pequena \u00e9 menos propenso \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o da homossexualidade, por isso a identidade gay \u00e9, antes de tudo, uma identidade de grandes centros urbanos. Assim, muitas pessoas costumam mudar para uma outra cidade ou pa\u00eds para assumir sua homossexualidade, o que fica evidente nos relatos dos brasileiros entrevistados em sua pesquisa. Qual a rela\u00e7\u00e3o do processo de mobilidade com o <I>coming out<\/I>, com a sa\u00edda do arm\u00e1rio? <\/B> <P>Os processos de <I>coming out<\/I>, na maioria dos casos, est\u00e3o relacionados aos processos de mobilidade. Estudar numa escola e passar para o Ensino Superior &ndash; e isso em Portugal significa, em muitos casos, mudar de cidade &ndash; para muita gente significa quebrar as regras de controle e seguran\u00e7a existentes na fam\u00edlia e poder vivenciar sua sexualidade de modo diferente. H\u00e1 pessoas que j\u00e1 &ldquo;experenciaram&rdquo; sua homossexualidade, mas por conta de sua rede de amizades e por sua fam\u00edlia, n\u00e3o a vivenciaram de forma plena em seu territ\u00f3rio de origem. E n\u00e3o quer dizer que isso v\u00e1 acontecer apenas quando as pessoas se mudam para um grande centro urbano europeu. Esta mobilidade pode acontecer de uma pequena vila no interior de um estado brasileiro para uma cidade m\u00e9dia deste mesmo estado. S\u00e3o processos que t\u00eam uma geografia porque s\u00e3o m\u00f3veis, se deslocam. Mas s\u00e3o, ao mesmo tempo, sociais.<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al observar el uso de espacios p\u00fablicos por parte de gays y lesbianas en Lisboa, el investigador portugu\u00e9s Paulo Jorge Vieira (Universidad de Lisboa)&nbsp;se depar\u00f3 con formas de xenofobia y discriminaci\u00f3n racial contra inmigrantes gays brasile\u00f1os, que evidencian la continuidad de discursos coloniales. <EM>(Texto en portugu\u00e9s)<\/EM><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1334","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Estereotipos neocoloniales - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/estereotipos-neocoloniales\/1334\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Estereotipos neocoloniales - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Al observar el uso de espacios p\u00fablicos por parte de gays y lesbianas en Lisboa, el investigador portugu\u00e9s Paulo Jorge Vieira (Universidad de Lisboa)&nbsp;se depar\u00f3 con formas de xenofobia y discriminaci\u00f3n racial contra inmigrantes gays brasile\u00f1os, que evidencian la continuidad de discursos coloniales. 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