{"id":1401,"date":"2006-04-20T00:00:00","date_gmt":"2006-04-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2006\/04\/20\/a-dimensao-social-da-sexualidade\/"},"modified":"2006-04-20T00:00:00","modified_gmt":"2006-04-20T03:00:00","slug":"a-dimensao-social-da-sexualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/a-dimensao-social-da-sexualidade\/1401\/","title":{"rendered":"A dimens\u00e3o social da sexualidade"},"content":{"rendered":"<p>Na pr\u00f3xima quarta-feira, 26 de abril, o soci\u00f3logo norte-americano John Gagnon lan\u00e7ar\u00e1 no Rio de Janeiro a primeira de suas obras traduzidas para o portugu\u00eas &ndash; <I>Uma interpreta\u00e7\u00e3o do desejo: ensaios sobre o estudo da sexualidade<\/I> (CLAM\/Editora Garamond). Gagnon se tornou conhecido no final da d\u00e9cada de 1960 ao abordar, de forma pioneira, a sexualidade como um fen\u00f4meno social. Foi em <I>Sexual Conduct<\/I> (A conduta sexual) que ele e o colega William Simon, co-autor do livro, apresentaram a primeira vers\u00e3o de sua sociologia da sexualidade, baseados numa teoria elaborada por ambos: a dos &ldquo;scripts&rdquo; ou roteiros sexuais.<BR>  <P>Segundo esta teoria, as experi\u00eancias sexuais decorrem de aprendizados sociais: foram aprendidas, codificadas e inscritas na consci\u00eancia dos indiv\u00edduos, os quais aprendem a identificar e mesmo produzir situa\u00e7\u00f5es potencialmente sexuais. Gagnon ignora as dimens\u00f5es naturais\/biol\u00f3gicas da sexualidade, considerando-as exteriores \u00e0 sua teoria. A sexualidade \u00e9 tratada como um objeto definido, como um comportamento roteirizado. Para ele, o comportamento sexual \u00e9 um processo aprendido, possibilitado n\u00e3o por impulsos instintivos ou biol\u00f3gicos, mas por se inserir em roteiros sociais complexos, que s\u00e3o espec\u00edficos de determinados contextos culturais e hist\u00f3ricos.<BR>  <P>&ldquo;Nossa abordagem enfatizava a artificialidade das culturas humanas e, conseq\u00fcentemente, a artificialidade da vida sexual. A vida sexual \u00e9 adquirida e constru\u00edda da mesma maneira que todas as performances sociais. A rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 id\u00e9ia de preced\u00eancia do natural ou do biol\u00f3gico na vida sexual \u00e9 que foi a novidade em nossa abordagem&rdquo;, lembra o soci\u00f3logo.<BR>  <P>Formado pela Universidade de Chicago em 1959, Gagnon fez parte de uma gera\u00e7\u00e3o que, com o decl\u00ednio da hegemonia da Escola de Harvard-Columbia, passou a reformular a disciplina da sociologia nos Estados Unidos do p\u00f3s-guerra. Trabalhou no Instituto Kinsey de Pesquisas sobre Sexualidade e atualmente \u00e9 professor da Universidade do Estado de Nova York, em Stonybrook. Nesta entrevista, o pesquisador atualiza sua teoria, fala de direitos reprodutivos, de feminismo, de h\u00e9tero e homossexualidade, e faz cr\u00edticas \u00e0 abordagem naturalista das pesquisas de Alfred Kinsey e \u00e0s id\u00e9ias de Freud.<BR>  <P><B>No livro &ldquo;A Conduta Sexual&rdquo;, escrito em 1973 em parceria com William Simon, o sr. prop\u00f5e uma nova maneira de pensar o sexo e a sexualidade, isto \u00e9, encar\u00e1-los como um fen\u00f4meno social. Nele \u00e9 apresentada pela primeira vez a teoria dos &ldquo;scripts sexuais&rdquo;, segundo a qual o comportamento sexual \u00e9 um processo aprendido, constru\u00eddo como roteiro, ou seja, todas as nossas experi\u00eancias sexuais j\u00e1 foram codificadas e inscritas na consci\u00eancia, decorrentes de aprendizados sociais e n\u00e3o de fatores fisiol\u00f3gicos. Como e por qu\u00ea os srs. chegaram a essa conclus\u00e3o? <\/B> <P>Como todas novas id\u00e9ias, o que Bill e eu argumentamos tinha base em trabalhos anteriores. Como soci\u00f3logos formados pela Universidade de Chicago, fomos influenciados pelo trabalho de Burgess e Park. A met\u00e1fora da carreira, importante no trabalho de Becker e outros, sugeriu-nos um modelo para a constru\u00e7\u00e3o da vida sexual. Algumas formas de vida sexual j\u00e1 eram organizadas como trabalho (a prostitui\u00e7\u00e3o masculina e feminina \u00e9 um exemplo), nossa percep\u00e7\u00e3o era que esta met\u00e1fora podia ser estendida para todas as formas de sexualidade, assim podia-se pensar em como todos os tipos de atores sexuais adquiriam as habilidades sociais e desempenhavam pap\u00e9is apropriados para pr\u00e1ticas sexuais espec\u00edficas. E tamb\u00e9m como eles aprendiam a participar no mundo social que os cercava. Tais performances requeriam que os atores aprendessem o que passamos a chamar de roteiros para a atua\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is.<BR>  <P><B>De acordo com esta abordagem, s\u00e3o tr\u00eas os tipos de &ldquo;scripts&rdquo; ou &ldquo;roteiros&rdquo;: os culturais, os interpessoais e os intraps\u00edquicos. Quais as diferen\u00e7as entre eles? <\/B> <P>Ao desenvolvermos a teoria, nossa primeira preocupa\u00e7\u00e3o era quanto \u00e0 situa\u00e7\u00e3o social psicol\u00f3gica do sujeito &ndash; o ator e o seu\/sua coadjuvante. Para o prop\u00f3sito anal\u00edtico, isto implicava em dois dom\u00ednios &ndash; o privado (o que passava na cabe\u00e7a dos atores) ou intraps\u00edquico, e o dom\u00ednio p\u00fablico da intera\u00e7\u00e3o interpessoal. A conex\u00e3o entre o que foi planejado ou fantasiado por qualquer indiv\u00edduo e o que aconteceu na intera\u00e7\u00e3o foi sempre inesperado e impreciso. Nas an\u00e1lises posteriores, usamos estas id\u00e9ias para caracterizar o mundo inter-subjetivo da cultura e os roteiros culturais. Meu modo de tratar as conex\u00f5es entre os &ldquo;scripts&rdquo; \u00e9 enxergar o interpessoal e o cultural como &ldquo;p\u00fablico&rdquo;, ligados um ao outro atrav\u00e9s das a\u00e7\u00f5es dos indiv\u00edduos, ou seja, mediados pelos roteiros intraps\u00edquicos desses indiv\u00edduos.<BR>  <P><B>O sr. desenvolveu a teoria dos &ldquo;roteiros sexuais&rdquo; durante a chamada &ldquo;revolu\u00e7\u00e3o sexual&rdquo;. No pr\u00f3logo auto-biogr\u00e1fico de seu livro, o sr. afirma n\u00e3o acreditar muito nessa id\u00e9ia de &ldquo;revolu\u00e7\u00e3o&rdquo;.<\/B>  <P>Sempre fui receoso a respeito do conceito de revolu\u00e7\u00e3o, pensada como uma transforma\u00e7\u00e3o total e repentina das pr\u00e1ticas sociais, mesmo quando aplicado \u00e0s mudan\u00e7as pol\u00edticas. N\u00e3o que eu seja insens\u00edvel \u00e0 id\u00e9ia de grandes mudan\u00e7as sociais ocorridas na \u00e9poca. O problema \u00e9 que n\u00e3o nos damos conta das mudan\u00e7as que estavam ocorrendo antes daquele momento, e acabamos subestimando as continuidades sociais e culturais entre o antes e o depois do chamado &ldquo;per\u00edodo revolucion\u00e1rio&rdquo;.<BR> Os anos 60 e os 70 trouxeram uma mudan\u00e7a significante na sexualidade nos Estados Unidos, a qual esteve sempre ligada \u00e0 mudan\u00e7as ocorridas na &ldquo;vida n\u00e3o sexual&rdquo; da sociedade. O p\u00f3s-guerra produziu o &ldquo;baby boom&rdquo;, isto \u00e9, mais 70 milh\u00f5es de novos cidad\u00e3os norte-americanos num per\u00edodo de 18 anos. Ao mesmo tempo, o pa\u00eds experimentou um per\u00edodo de prosperidade, o qual criou uma crescente classe m\u00e9dia. Os nascidos nesta gera\u00e7\u00e3o entraram na adolesc\u00eancia como consumidores mais pr\u00f3speros do que os jovens de qualquer outra gera\u00e7\u00e3o. Isto fez com que os jovens pudessem testar seu senso de compet\u00eancia no dom\u00ednio sexual durante a adolesc\u00eancia.<BR> Mas talvez a principal mudan\u00e7a acontecida nos Estados Unidos foi a emerg\u00eancia dos movimentos sociais organizados em torno do g\u00eanero, sexualidade e reprodu\u00e7\u00e3o. O movimento pelos direitos civis das d\u00e9cadas de 50 e 60 serviram de modelo para o movimento de mulheres quanto para o de gays e l\u00e9sbicas, os quais se expandiram ao incluir os bissexuais e os transg\u00eaneros. Al\u00e9m disso, diversos assuntos ligados aos direitos sexuais e \u00e0 sa\u00fade vieram \u00e0 tona, inclusive o HIV\/AIDS. A rea\u00e7\u00e3o dos fundamentalistas religiosos a esses movimentos e o conseq\u00fcente conflito s\u00e3o a base central do que chamamos &ldquo;guerras culturais&rdquo; nos Estados Unidos.<BR>  <P><B>Esta id\u00e9ia de &ldquo;revolu\u00e7\u00e3o sexual&rdquo; influenciou seu trabalho de alguma maneira?<\/B>  <P>Quando escrevemos &ldquo;A Conduta Sexual&rdquo;, Bill Simons e eu est\u00e1vamos cientes e em contato com as mudan\u00e7as que estavam ocorrendo entre os jovens e em certos setores da bem-educada classe m\u00e9dia. Como participantes na vida di\u00e1ria da sociedade, est\u00e1vamos vulner\u00e1veis \u00e0 ret\u00f3rica e aos prazeres da revolu\u00e7\u00e3o, mesmo duvidando da sua veracidade.<BR>  <P><B>Como o sr. avalia a teoria na atualidade, levando em conta as mudan\u00e7as sociais do mundo contempor\u00e2neo em rela\u00e7\u00e3o a temas como o feminismo e o movimento de gays e l\u00e9sbicas?<\/B>  <P>A teoria tem se mantido est\u00e1vel e aplic\u00e1vel \u00e0 vida sexual atual. Ao mesmo tempo, o surgimento de movimentos sociais com agendas fortes foi uma grande surpresa. O papel da sexualidade nos movimentos pelos direitos reprodutivos, pelos direitos de gays e l\u00e9sbicas e pelos direitos das mulheres n\u00e3o \u00e9 exatamente o mesmo, embora eles constantemente tenham objetivos comuns. O movimento pelos direitos reprodutivos, centrado na id\u00e9ia de &ldquo;escolha reprodutiva&rdquo; (a qual inclui o controle da fertilidade antes e depois da concep\u00e7\u00e3o) trata a sexualidade como uma forma de conduta nas rela\u00e7\u00f5es entre mulheres e homens. O movimento de gays e l\u00e9sbicas, incluindo a\u00ed os bissexuais e os transg\u00eaneros, \u00e9 organizado em torno de indiv\u00edduos cuja vida sexual e g\u00eanero parece diferenciar-se da maioria. \u00c9 um movimento centrado na id\u00e9ia de identidade sexual e de g\u00eanero e no direito \u00e0 diferen\u00e7a. O movimento feminista \u00e9 composto por mulheres heterossexuais e l\u00e9sbicas, mas ambos os grupos compartilham objetivos como a liberdade sexual e a igualdade de oportunidades para as mulheres. A import\u00e2ncia da sexualidade para cada um desses movimentos \u00e9 m\u00f3vel e mutante, mas fazem parte do campo dos direitos humanos. Os &ldquo;roteiros sexuais&rdquo; dos indiv\u00edduos envolvidos nos tr\u00eas movimentos n\u00e3o diferem tanto quanto no passado, o que os torna diferentes \u00e9 a pol\u00edtica sexual.<BR>  <P><B>E quanto aos heterossexuais como um todo, o que mudou em sua conduta sexual?<\/B>  <P>O que \u00e9 not\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o a eles \u00e9 a diversidade de sua vida sexual. Existem muitos discursos sobre a &ldquo;hegemonia heterosexual&rdquo;, os quais n\u00e3o reconhecem que as institui\u00e7\u00f5es sociais que &ldquo;recompensam&rdquo; os heterossexuais tamb\u00e9m acaba por oprimi-los. As pr\u00e1ticas sexuais e de g\u00eanero entre homens e mulheres variam por idade, classe social, etnia, estado civil e cren\u00e7a religiosa &ndash; vari\u00e1veis que influenciam as pessoas com outros interesses e pr\u00e1ticas sexuais.<BR>  <P>Em primeiro lugar, est\u00e1 claro que ambos os &ldquo;heteros&rdquo; e os &ldquo;outros&rdquo; t\u00eam muitos interesses e objetivos em comum. Em segundo, \u00e9 preciso enfatizar que os heterossexuais n\u00e3o s\u00e3o uma categoria homog\u00eanea.<BR>  <P><B>Qual a diferen\u00e7a entre comportamento sexual e conduta sexual?<\/B> Comportamento sexual descreve o conjunto de pr\u00e1ticas corporais desempenhadas por humanos e n\u00e3o-humanos. A conduta sexual \u00e9 o significado que estas pr\u00e1ticas t\u00eam para o indiv\u00edduo que as realize e para as culturas e sociedades a que eles pertencem. A conduta sexual \u00e9 um comportamento avaliado e compreendido pelos atores em situa\u00e7\u00f5es sociais, definido pela hist\u00f3ria e pela cultura.<BR>  <P><B>O sr. e Alfred Kinsey, autor dos pol\u00eamicos &ldquo;O Comportamento Sexual do Homem&rdquo; e &ldquo;O Comportamento Sexual da Mulher&rdquo;, desenvolveram pesquisas na \u00e1rea das pr\u00e1ticas sexuais, mas tomaram caminhos diferentes. \u00c0 \u00e9poca da elabora\u00e7\u00e3o da teoria dos &ldquo;roteiros&rdquo; o sr. trabalhava no Instituto Kinsey. O que mais diferencia as duas abordagens especificamente? <\/B> <P>Minha liga\u00e7\u00e3o era maior com o Kinsey cientista social do que com o bi\u00f3logo evolucionista. Quando se examina cuidadosamente seus dois livros, descobrimos que ele combinou pelo menos tr\u00eas pap\u00e9is: havia o Kinsey te\u00f3rico sexual, o Kinsey reformador sexual (que acreditava que o regime sexual tanto para mulheres quanto para homens nos Estados Unidos era repressivo), e o Kinsey soci\u00f3logo. Haviam outros Kinseys, mas o mais importante pra mim foi a sua orienta\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica. Todas as vari\u00e1veis mais importantes em seu trabalho foram sociais, n\u00e3o biol\u00f3gicas.<BR>  <P>Nossas abordagens se separaram quando eu percebi que sua pesquisa em sexualidade n\u00e3o era sociol\u00f3gica o suficiente. Kinsey n\u00e3o se deu conta que o orgasmo, por exemplo, era uma experi\u00eancia s\u00f3cio-psicol\u00f3gica tanto quanto biol\u00f3gica. Assim, um orgasmo ou experi\u00eancia sexual (o ultimo termo \u00e9 mais relevante em seu livro que diz respeito \u00e0s mulheres) de uma determinada pr\u00e1tica sexual ou de um tempo, em uma determinada cultura, n\u00e3o podem ser tratados como equivalentes. Surveys mais cuidadosamente projetados mostram que os estudos originais de Kinsey n\u00e3o representam a conduta sexual dos Estados Unidos no per\u00edodo que estes foram conduzidos.<BR>  <P><B>Ent\u00e3o foi sua rejei\u00e7\u00e3o ao naturalismo proposto por Kinsey e Freud que acabou por trazer este estudo social da sexualidade?<\/B>  <P>Sem d\u00favida. No per\u00edodo em que est\u00e1vamos escrevendo os ensaios que comp\u00f5em <I>Sexual Conduct<\/I>, tentamos reduzir ao m\u00e1ximo o papel do &ldquo;natural&rdquo;, tanto o quanto do &ldquo;biol\u00f3gico&rdquo;, na explica\u00e7\u00e3o da sexualidade. Freud e Kinsey compreendiam a import\u00e2ncia dos contextos culturais e sociais na express\u00e3o da sexualidade, mas ambos tamb\u00e9m viam essa express\u00e3o como o resultado de uma disputa, um debate entre os imperativos biol\u00f3gicos e a restri\u00e7\u00e3o social.<BR>  <P><B>E o que mais distancia o seu trabalho da abordagem freudiana da sexualidade?<\/B>  <P>Nos \u00faltimos anos, eu me distanciei completamente de qualquer influ\u00eancia que as id\u00e9ias psicol\u00f3gicas de Freud pudessem ter em meu trabalho. O que eu acho mais importante em suas id\u00e9ias (a fantasia, o inconsciente, a estrutura da mente) \u00e9 como elas se tornaram amplamente aceitas na metade do s\u00e9culo 20. Muitos das cr\u00edticas ao trabalho de Freud me parecem corretas, incluindo aquelas que se ap\u00f3iam em uma perspectiva mais positivista. Mas minhas diferen\u00e7as com suas abordagens ap\u00f3iam-se mais na falta de utilidade para minhas pr\u00f3prias id\u00e9ias e pr\u00e1ticas de pesquisa. Freud n\u00e3o \u00e9 \u00fatil para mim.<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pioneiro no estudo social da sexualidade e elaborador da teoria dos &ldquo;roteiros&rdquo; sexuais, o soci\u00f3logo norte-americano John Gagnon chega ao Brasil para o lan\u00e7amento de <I>Uma interpreta\u00e7\u00e3o do desejo<\/I>, primeiro de seus livros traduzidos para o portugu\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1401","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - 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