{"id":1417,"date":"2005-05-16T00:00:00","date_gmt":"2005-05-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2005\/05\/16\/movimento-homossexual-em-foco\/"},"modified":"2005-05-16T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-16T03:00:00","slug":"movimento-homossexual-em-foco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/movimento-homossexual-em-foco\/1417\/","title":{"rendered":"Movimento homossexual em foco"},"content":{"rendered":"<p><IMG src=\"\/uploads\/conteudo\/\/sopa.gif\" align=left><\/A>Resultado de uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em Antropologia Social defendida na Unicamp, em 2002, o livro \u00abSopa de Letrinhas? Movimento homossexual e produ\u00e7\u00e3o de identidades coletivas nos anos 90\u00bb, de Regina Facchini, reconstitui a trajet\u00f3ria do movimento homossexual no Brasil, sobretudo de meados dos anos 80, buscando situar este movimento no interior das abordagens te\u00f3ricas sobre movimentos sociais e terceiro setor. A obra foi lan\u00e7ada&nbsp;pelo CLAM e pela Editora Garamond, em S\u00e3o Paulo, na mesma semana&nbsp;da&nbsp;9\u00aa Parada do Orgulho GLBT, evento que levou&nbsp;mais de dois milh\u00f5es de pessoas \u00e0 Avenida Paulista. Nesta entrevista, a autora fala de lutas e conquistas do movimento e da import\u00e2ncia das paradas para a visibilidade homossexual.<BR> <BR> <B>Do que trata &ldquo;Sopa de letrinhas&rdquo;? Por qu\u00ea este t\u00edtulo? <\/B><BR> <BR> O foco principal recai sobre os fatores envolvidos na multiplica\u00e7\u00e3o de identidades coletivas agrupadas no interior do movimento e na prolifera\u00e7\u00e3o de siglas que procuravam, e at\u00e9 hoje procuram, dar conta da diversidade do sujeito pol\u00edtico desse movimento. Esse \u00e9 um fen\u00f4meno que se observa a partir de meados dos anos 1990 e que se intensifica no final dessa d\u00e9cada. O t\u00edtulo faz alus\u00e3o \u00e0 multiplicidade de siglas utilizadas para referir esse sujeito pol\u00edtico complexo e questiona a aus\u00eancia de sentido nisso tudo, que \u00e9 sugerida pela express\u00e3o \u00absopa de letrinhas\u00bb, utilizada pela imprensa, em finais dos anos 90, para se reportar ao fen\u00f4meno.<BR> <BR> <B>Em seu livro, a sra. pontua a hist\u00f3ria do movimento homossexual em tr\u00eas momentos, cada um respectivo a uma determinada d\u00e9cada. Quais s\u00e3o esses momentos? <\/B><BR> <BR> Um primeiro momento vai do surgimento do grupo Somos de S\u00e3o Paulo, primeira agremia\u00e7\u00e3o homossexual com finalidades prioritariamente pol\u00edticas, em 1978, em pleno per\u00edodo da &ldquo;abertura&rdquo; pol\u00edtica, at\u00e9 1983, quando se d\u00e1 sua dissolu\u00e7\u00e3o. Esse momento \u00e9 marcado por grande \u00eanfase antiautori\u00e1ria e comunitarista no modo de atua\u00e7\u00e3o dos grupos e pela formula\u00e7\u00e3o das propostas do movimento em conson\u00e2ncia com a id\u00e9ia de uma transforma\u00e7\u00e3o mais ampla da sociedade, que n\u00e3o se restringiria somente a benef\u00edcios para os homossexuais. Pesquisando nesse per\u00edodo, Edward MacRae falou em 22 grupos espalhados ao longo do pa\u00eds no come\u00e7o dos anos 80, concentrados majoritariamente no eixo Rio de Janeiro-S\u00e3o Paulo. Os grupos mais influentes no per\u00edodo se apresentavam como grupos de afirma\u00e7\u00e3o homossexual ou de a\u00e7\u00e3o em favor dos homossexuais. Nas passeatas era poss\u00edvel ouvir palavras de ordem como &ldquo;o sexo anal derruba o capital&rdquo;. Nesse per\u00edodo, foram formuladas muitas das principais demandas trazidas pelo movimento at\u00e9 hoje: luta contra a viol\u00eancia e a discrimina\u00e7\u00e3o voltadas a homossexuais, pelo &ldquo;casamento homossexual&rdquo;, pelo tratamento digno na m\u00eddia, por educa\u00e7\u00e3o sexual nas escolas e contra a patologiza\u00e7\u00e3o de homossexuais. Lutava-se por afirmar a homossexualidade, por torn\u00e1-la um assunto do qual se pode falar. Acreditava-se que isso teria um potencial transformador da sociedade, por meio do rompimento com uma norma social centrada na heterossexualidade e na sexualidade reprodutiva, relacionada \u00e0 opress\u00e3o das mulheres, ao machismo e \u00e0 sobreviv\u00eancia do capitalismo. Essa me parece ter sido a vis\u00e3o hegem\u00f4nica no momento.<BR> <BR> <B>E quanto ao segundo momento? <\/B><BR> <BR> O segundo momento vai de 1983 a 1992. Esse per\u00edodo \u00e9 marcado pela volta ao regime democr\u00e1tico e a conseq\u00fcente fal\u00eancia do modelo de organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1rio e autonomista; e tamb\u00e9m pelo surgimento da aids &ndash; ent\u00e3o chamada de &ldquo;peste gay&rdquo; ou &ldquo;c\u00e2ncer gay&rdquo;. Neste per\u00edodo, houve uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica na quantidade de grupos e o deslocamento do movimento para o eixo Rio de Janeiro &ndash; Nordeste. De 22 grupos localizados no per\u00edodo anterior, no final dos anos 1980 passa-se a cinco ou seis em todo o Brasil. Grupos e ativistas menos envolvidos com propostas de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade de modo mais amplo ganham destaque, voltando sua atua\u00e7\u00e3o para a luta por direitos civis de homossexuais. Formula-se nesse per\u00edodo a no\u00e7\u00e3o de &ldquo;orienta\u00e7\u00e3o sexual&rdquo;, com a finalidade de deslocar o debate que apresentava a homossexualidade como condi\u00e7\u00e3o inata ou como escolha individual. Os encontros do movimento tematizam a necessidade de mobilizar e ampliar o movimento e de fazer frente \u00e0 epidemia do HIV\/aids. Uma grande conquista do per\u00edodo foi a retirada da homossexualidade do c\u00f3digo de doen\u00e7as do INAMPS. Al\u00e9m disso, foram feitas interven\u00e7\u00f5es no C\u00f3digo de \u00c9tica do Jornalista e em favor da inclus\u00e3o da n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o por orienta\u00e7\u00e3o sexual nas garantias individuais da Constitui\u00e7\u00e3o. Esta \u00faltima, embora n\u00e3o tenha alcan\u00e7ado o resultado esperado na Constituinte, desencadeou o processo de formula\u00e7\u00e3o de leis anti-discriminat\u00f3rias em \u00e2mbito estadual e municipal. Uma \u00faltima caracter\u00edstica desse per\u00edodo \u00e9 uma menor refratariedade \u00e0 institucionalidade no \u00e2mbito interno dos grupos e em suas rela\u00e7\u00f5es externas e uma menor valoriza\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas marginais associadas \u00e0 homossexualidade. A palavra de ordem t\u00edpica passa a ser &ldquo;\u00e9 legal ser homossexual&rdquo;.<BR> <BR> <B>Qual o impacto da Aids no movimento na d\u00e9cada de 80? <\/B><BR> <BR> Num primeiro momento, o impacto foi desmobilizador. Muitos homossexuais acreditaram, a princ\u00edpio, que as not\u00edcias da nova doen\u00e7a eram alguma forma de boato, disseminado para tentar controlar a liberdade que os homossexuais vinham alcan\u00e7ando. Num segundo momento, quando pessoas come\u00e7aram a morrer e a imprensa anunciava a doen\u00e7a como &ldquo;peste gay&rdquo; ou &ldquo;c\u00e2ncer gay&rdquo; de modo alarmante, a situa\u00e7\u00e3o se transformou. Nesse contexto, muitos ativistas se afastaram: como afirmar a homossexualidade num momento em que o estigma se fortalecia? A homossexualidade passou a ser encarada pelo senso comum como um desvio moral, uma anormalidade, que poderia atrair doen\u00e7as e a ira de Deus. Por outro lado, a morte de homossexuais do sexo masculino gerou um cen\u00e1rio de p\u00e2nico e terror na comunidade. Alguns homossexuais tentaram partir para rela\u00e7\u00f5es heterossexuais nesse momento e muitos passaram a adotar um comportamento monog\u00e2mico e afastado da sociabilidade homossexual no &ldquo;gueto&rdquo;. At\u00e9 o final dos anos 1980, ainda se acreditava que a Aids era uma doen\u00e7a restrita a &ldquo;grupos de risco&rdquo;, o que foi confrontado gra\u00e7as ao pioneirismo de um punhado de indiv\u00edduos, em grande parte pessoas que passaram pelo movimento homossexual no momento anterior.<BR> <BR> <B>Quais foram as respostas do movimento gay a essa id\u00e9ia? De que forma esse pensamento foi confrontado? <\/B><BR> <BR> Inicialmente, poucas foram as respostas do movimento. Ainda na primeira metade dos anos 1980, h\u00e1 registros sobre materiais informativos produzidos e divulgados pelo grupo Outra Coisa de S\u00e3o Paulo e pelo Grupo Gay da Bahia. Em S\u00e3o Paulo, surgiu a primeira ONG-aids brasileira, o GAPA, e o primeiro programa estatal de preven\u00e7\u00e3o e controle da epidemia. No cen\u00e1rio nacional, alguns grupos conciliaram a luta por direitos dos homossexuais e a luta contra a epidemia. Outros, no entanto, preferiram se afastar do tema &ldquo;aids&rdquo; de modo a n\u00e3o refor\u00e7ar a associa\u00e7\u00e3o entre aids e homossexualidade. Aqui em S\u00e3o Paulo, apenas grupos exclusivamente l\u00e9sbicos atravessaram a d\u00e9cada de 1980 como um todo. O movimento homossexual paulistano sofreu grande impacto n\u00e3o somente com o surgimento da aids, mas tamb\u00e9m com outros fatores, como o fim do &ldquo;Lampi\u00e3o de Esquina&rdquo; &ndash; jornal da imprensa alternativa de divulgava as id\u00e9ias e a\u00e7\u00f5es do movimento. Durante a d\u00e9cada de 1980 houve, em \u00e2mbito nacional, uma redu\u00e7\u00e3o bastante significativa da quantidade de grupos, o que n\u00e3o significou, por\u00e9m, a desarticula\u00e7\u00e3o do movimento. Existiu, sim, um deslocamento do eixo Rio de Janeiro-S\u00e3o Paulo para um eixo Rio-Nordeste e uma maior visibilidade para discursos que n\u00e3o tinham tanta visibilidade no momento anterior, mais centrados na garantia de direitos civis, menos refrat\u00e1rios a estruturas formais e ao desenvolvimento de rela\u00e7\u00f5es como Estado e partidos pol\u00edticos (n\u00e3o podemos nos esquecer da import\u00e2ncia do processo de &ldquo;redemocratiza\u00e7\u00e3o&rdquo; que come\u00e7a a se desenrolar nesse momento). Ao contr\u00e1rio de interpreta\u00e7\u00f5es que acreditam que esse seja um per\u00edodo perdido ou de refluxo do movimento, creio que esse momento, que vai de 1984 ao in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, seja absolutamente fundamental para compreender os rumos do movimento no contexto atual.<BR> <BR> <B>Quando come\u00e7a o terceiro momento? <\/B><BR> <BR> Um terceiro momento iria de 1992, quando tem in\u00edcio um per\u00edodo de reflorescimento do movimento, at\u00e9 o final de minha pesquisa de campo, em 2000. Esse per\u00edodo \u00e9 marcado no contexto nacional pelo aprofundamento da &ldquo;redemocratiza\u00e7\u00e3o&rdquo;, pela implementa\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de preven\u00e7\u00e3o \u00e0s DST\/Aids baseada na id\u00e9ia de parceria entre Estado e sociedade civil e no incentivo \u00e0s pol\u00edticas de identidade como estrat\u00e9gia para a redu\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade de popula\u00e7\u00f5es estigmatizadas e pelo desenvolvimento da segmenta\u00e7\u00e3o de mercado e fortalecimento e diversifica\u00e7\u00e3o de um mercado &ldquo;GLS&rdquo; (gays, l\u00e9sbicas e simpatizantes) e da m\u00eddia segmentada (revistas, sites).<BR> <BR> Como ficou o movimento nesse contexto? <\/B><BR> <BR> No \u00e2mbito do movimento temos: um aumento da quantidade de grupos e expans\u00e3o por todo o pa\u00eds; diversifica\u00e7\u00e3o de formatos das iniciativas do MHB (grupos comunit\u00e1rios, ONGs, setoriais de partidos, grupos religiosos); multiplica\u00e7\u00e3o das identidades coletivas\/segmentos agrupados no interior do movimento; formula\u00e7\u00e3o de respostas frente \u00e0 exclus\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es religiosas; cria\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es de grupos\/organiza\u00e7\u00f5es em n\u00edvel nacional e local como a ABGLT (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gays, l\u00e9sbicas e travestis) e o F\u00f3rum Paulista de GLBT (gays, l\u00e9sbicas, bissexuais e transg\u00eaneros); aumento da visibilidade do movimento na m\u00eddia e na sociedade; ampla participa\u00e7\u00e3o em movimentos de direitos humanos e de resposta \u00e0 epidemia da aids; vincula\u00e7\u00e3o a redes e associa\u00e7\u00f5es internacionais de defesa de direitos humanos e direitos de gays e l\u00e9sbicas; atua\u00e7\u00e3o junto a ag\u00eancias estatais ligadas aos temas DSTs\/Aids e Direitos Humanos; crescimento da participa\u00e7\u00e3o do movimento em f\u00f3runs e comiss\u00f5es que discutem legisla\u00e7\u00e3o ou pol\u00edticas sociais; a\u00e7\u00e3o junto a parlamentares (principalmente partidos de esquerda); proposi\u00e7\u00e3o de projetos de lei nos n\u00edveis federal, estadual e municipal (PCR e anti-discriminat\u00f3rios); proposi\u00e7\u00e3o de candidaturas gays; grande preocupa\u00e7\u00e3o com a visibilidade e a organiza\u00e7\u00e3o de paradas por ocasi\u00e3o do dia do &ldquo;Orgulho Gay&rdquo;.<BR> <BR> <B>Qual o papel das paradas do orgulho gay dentro desse panorama? <\/B><BR> <BR> Creio que as paradas sejam uma das novidades mais importantes da \u00faltima d\u00e9cada no movimento, colocando em cena duas de suas novas estrat\u00e9gias: a visibilidade em massa e a pol\u00edtica l\u00fadica. Embora as manifesta\u00e7\u00f5es de rua sejam uma tradi\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio do movimento, as paradas se diferenciam por sua regularidade e sua vincula\u00e7\u00e3o \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o positiva a respeito de gays, l\u00e9sbicas, bissexuais, travestis e transexuais expressa na id\u00e9ia de &ldquo;orgulho&rdquo;, vers\u00e3o brasileira da f\u00f3rmula &ldquo;Gay Pride&rdquo;. Embora as controv\u00e9rsias com rela\u00e7\u00e3o ao car\u00e1ter &ldquo;festivo&rdquo; das paradas sejam constantes, elas v\u00eam crescendo em n\u00famero e em quantidade de participantes, atraindo cada vez mais a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia e da opini\u00e3o p\u00fablica em \u00e2mbito nacional e internacional. Em 2004, o Brasil teve 42 paradas, tornando-se o segundo colocado num ranking internacional de pa\u00edses com maior quantidade de paradas, e foi respons\u00e1vel pela maior parada em n\u00famero de participantes, na cidade de S\u00e3o Paulo, com estimativas de p\u00fablico que variaram, de acordo com a fonte, entre 1 milh\u00e3o e 500 mil e 1 milh\u00e3o e 800 mil pessoas. Ao colocarem massas de pessoas nas ruas, num misto de manifesta\u00e7\u00e3o por direitos e celebra\u00e7\u00e3o, as paradas ampliam a visibilidade das identidades coletivas presentes no movimento. Nas paradas, a palavra chave \u00e9 visibilidade, mas n\u00e3o se trata de visibilidade individual, ou focada em personalidades e lideran\u00e7as, mas sim da visibilidade em massa. Se, por exemplo, em oito edi\u00e7\u00f5es do evento, a Parada de S\u00e3o Paulo passou de 1200 a 1 milh\u00e3o e meio de participantes e tornou-se manchete dos maiores jornais e mat\u00e9ria de TV em &ldquo;hor\u00e1rio nobre&rdquo;, essa visibilidade se reverte em favor da luta pelos direitos sexuais e esse crescimento reflete a expans\u00e3o e o fortalecimento de um campo social que respeita a diversidade sexual e reconhece as demandas do movimento como leg\u00edtimas. Por outro lado, ao estimular que as pessoas dancem ou desfilem nas ruas ao lado de seus amigos(as), familiares, namorados(as), companheiros(as), as paradas criam um espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica inclusivo: n\u00e3o \u00e9 preciso &ldquo;ser gay&rdquo; para estar l\u00e1, n\u00e3o \u00e9 preciso ser homossexual de um tipo espec\u00edfico, nem \u00e9 preciso &ldquo;gostar de pol\u00edtica&rdquo;, basta estar disposto(a) a romper o limite simb\u00f3lico que separa os que &ldquo;n\u00e3o freq\u00fcentam lugar de bicha&rdquo; ou condenam &ldquo;essa gente&rdquo; dos que se re\u00fanem para celebrar a diversidade. Nesse sentido, as paradas s\u00e3o um instrumento pol\u00edtico extremamente eficaz, uma vez que operam uma reordena\u00e7\u00e3o em n\u00edvel dos aspectos simb\u00f3licos e dos valores da nossa sociedade.<BR> <BR> <B>Pode-se dizer que a cada d\u00e9cada o movimento se renova e cria uma nova identidade?<\/B><BR> <BR> Creio que a formula\u00e7\u00e3o de novas categorias identit\u00e1rias e a subdivis\u00e3o\/complexifica\u00e7\u00e3o do sujeito pol\u00edtico do movimento est\u00e3o relacionadas a fatores como: a \u00eanfase internacional na valoriza\u00e7\u00e3o das identidades; a segmenta\u00e7\u00e3o de mercado; o contato com o movimento homossexual em \u00e2mbito internacional; a necessidade de defini\u00e7\u00e3o precisa de p\u00fablicos alvo para a formula\u00e7\u00e3o de projetos de interven\u00e7\u00e3o financi\u00e1veis; e, a pr\u00f3pria din\u00e2mica da rela\u00e7\u00e3o entre grupos e &ldquo;segmentos&rdquo; no interior do movimento em \u00e2mbito local.<BR> <BR> <B>A Aids trouxe alguma &ldquo;vantagem&rdquo; para o movimento? Muitos afirmam que, no caso do Brasil, a epidemia contribuiu favoravelmente para a visibilidade homossexual, a qual se desfruta hoje em dia. <\/B><BR> <BR> N\u00e3o sei se &ldquo;vantagem&rdquo; seria a melhor palavra, mas concordo com autores como Jo\u00e3o Silv\u00e9rio Trevisan, que enfatizam a visibilidade que a homossexualidade ganhou no cen\u00e1rio brasileiro a partir da aids. Com a epidemia, a m\u00eddia explorou, de modos mais ou menos sens\u00edveis ou apurados, detalhes cotidianos da vida de homossexuais. Como diz Trevisan, a partir da\u00ed ficou evidente que homossexuais existem e n\u00e3o s\u00e3o &ldquo;o outro&rdquo; distante. Se o HIV\/aids no passado era indissoci\u00e1vel, no senso comum, de algum tipo de desvio moral ou da pr\u00f3pria homossexualidade, o que era estigma foi de algum modo revertido a partir da luta coletiva contra a aids e da a\u00e7\u00e3o de ativistas. Apesar de ainda haver segmentos sociais que fazem refer\u00eancias a um suposto &ldquo;grupo de risco&rdquo; ou \u00e0 homossexualidade como doen\u00e7a ou pervers\u00e3o, com a epidemia, a homossexualidade saiu definitivamente da esfera privada para a p\u00fablica. N\u00e3o tenho d\u00favidas de que a epidemia teve um papel muito importante na valoriza\u00e7\u00e3o do sexo do(a) parceiro(a) para a compreens\u00e3o da sexualidade dos indiv\u00edduos, em detrimento de sua adequa\u00e7\u00e3o a pap\u00e9is de g\u00eanero socialmente estabelecidos ou do fato de ser ativo(a) ou passivo(a) nas rela\u00e7\u00f5es sexuais. Isso foi fundamental para que se pensasse menos em pares como &ldquo;bicha\/bofe&rdquo; e &ldquo;fancha\/lady&rdquo; e para que o discurso do movimento pudesse se difundir. N\u00e3o podemos nos esquecer, tamb\u00e9m, da visibilidade que a tem\u00e1tica da sexualidade e da homossexualidade, em especial, ganha no \u00e2mbito acad\u00eamico com a epidemia. A principal quest\u00e3o que parece colocada neste momento \u00e9 se essa visibilidade tomar\u00e1 a forma de amplia\u00e7\u00e3o da compreens\u00e3o sobre a diversidade sexual humana e de respeito a desejos, pr\u00e1ticas e identidades que n\u00e3o contrariem padr\u00f5es \u00e9ticos vigentes, como consensualidade e capacidade de julgamento ou consentimento, ou se sua configura\u00e7\u00e3o se revestir\u00e1 de um car\u00e1ter normatizador.<BR> <BR> <B>A sra. acha que o momento atual \u00e9 bom para os homossexuais? <\/B><BR> <BR> N\u00e3o sei se as coisas podem ser definidas ou abordadas em termos de bom ou mau. A visibilidade e o avan\u00e7o das reivindica\u00e7\u00f5es em favor do sujeito pol\u00edtico do movimento foram acompanhadas, em \u00e2mbito internacional, por uma rea\u00e7\u00e3o conservadora. Ao mesmo tempo em que reivindica\u00e7\u00f5es de gays, l\u00e9sbicas, bissexuais, travestis e transexuais s\u00e3o publicizadas, tamb\u00e9m geram tens\u00f5es, na medida em que se tornam tamb\u00e9m mat\u00e9ria de disputa de v\u00e1rios atores politicamente significativos em \u00e2mbito nacional e internacional. Posi\u00e7\u00f5es a favor ou contra os direitos de homossexuais se expressam nos projetos de lei elaborados atualmente no Brasil. A tem\u00e1tica da homossexualidade desempenha importante papel na disputa atual das igrejas por fi\u00e9is em \u00e2mbito nacional e internacional. Posi\u00e7\u00f5es fundamentalistas, que naturalizam a homossexualidade ou seu car\u00e1ter negativo, t\u00eam ganhado visibilidade internacional e esta parece ser a contrapartida da visibilidade e da relev\u00e2ncia com que se colocam as demandas pelo reconhecimento de quest\u00f5es relacionadas \u00e0 homossexualidade atualmente.<BR> <BR> <B>E individualmente? <\/B><BR> <BR> Em n\u00edvel individual, h\u00e1 maior liberdade ou tranq\u00fcilidade para que homossexuais possam vivenciar seus desejos, principalmente entre as classes m\u00e9dias de centros urbanos. A\u00e7\u00f5es individuais e coletivas na justi\u00e7a brasileira t\u00eam contribu\u00eddo para formar um corpo de jurisprud\u00eancia favor\u00e1vel aos direitos de homossexuais, embora os avan\u00e7os no legislativo sigam a passos lentos. Pol\u00edticas p\u00fablicas inclusivas, ainda que de car\u00e1ter pontual, t\u00eam sido formuladas e implementadas nos tr\u00eas n\u00edveis do executivo. O desenvolvimento do mercado segmentado, principalmente nos centros urbanos, tamb\u00e9m tem propiciado uma amplia\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de sociabilidade e servi\u00e7os voltados \u00e0s necessidades do p\u00fablico consumidor formado por homossexuais. Sem d\u00favida, temos um contexto positivo em v\u00e1rios sentidos, mas bastante tenso de modo geral.<BR> <BR> <B>Qual a luta do movimento no momento atual? <\/B><BR> <BR> H\u00e1 uma s\u00e9rie de bandeiras de luta encaminhadas pelo movimento atualmente. Todas elas se referem de algum modo \u00e0 garantia dos direitos individuais e coletivos de gays, l\u00e9sbicas, bissexuais, travestis e transexuais (ou transg\u00eaneros). Para citar algumas das mais vis\u00edveis temos a luta pelo reconhecimento das uni\u00f5es homoafetivas e pela amplia\u00e7\u00e3o das leis anti-discriminat\u00f3rias, pela tipifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia homof\u00f3bica como crime previsto em lei e por pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade que levem em conta as necessidades dessa popula\u00e7\u00e3o e propiciem o respeito \u00e0 diversidade de orienta\u00e7\u00f5es sexuais e identidades de g\u00eanero. Isso tudo n\u00e3o se dissocia, a meu ver, da luta por fortalecer o car\u00e1ter laico do Estado, outra causa do movimento hoje.<BR> <BR> <B>Hoje em dia existe uma diversidade dentro do movimento &ndash; a diversidade da diversidade &ndash; e uma prolifera\u00e7\u00e3o de siglas (a sopa de letrinhas). Quem s\u00e3o esses novos atores?<\/B><BR> <BR> Na verdade, n\u00e3o s\u00e3o atores t\u00e3o novos. Eles est\u00e3o, de algum modo, presentes no movimento desde seu surgimento. Trata-se mais de uma visibiliza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de cada um desses atores. As mulheres, por exemplo, est\u00e3o presentes desde o nascimento do movimento no Brasil: o primeiro grupo exclusivamente formado por l\u00e9sbicas surgiu em S\u00e3o Paulo em 1980, embora apenas em 1993 a palavra &ldquo;l\u00e9sbicas&rdquo; tenha sido especificada no nome dos encontros nacionais do movimento. Travestis come\u00e7am a ser organizar em grupos no in\u00edcio dos anos 90 e s\u00e3o incorporadas ao nome do movimento num encontro nacional de 1995. As primeiras organiza\u00e7\u00f5es de transexuais surgem no IX Encontro Brasileiro, em 1997. Em 1998, surge a partir de S\u00e3o Paulo a proposta de agrupar travestis e transexuais sob o nome &ldquo;transg\u00eaneros&rdquo; e incluir o &ldquo;B&rdquo; de bissexuais \u00e0 sigla que faz refer\u00eancia ao movimento, que \u00e0 \u00e9poca era GLT &ndash; gays, l\u00e9sbicas e travestis. Um nome mais adequado para se referir a travestis e transexuais continua sendo fonte de debate no movimento at\u00e9 hoje. O termo transg\u00eaneros se popularizou nacionalmente e, em \u00e2mbito local, vemos diferentes combina\u00e7\u00f5es dos termos travestis, transexuais e transg\u00eaneros. J\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o a &ldquo;bissexuais&rdquo;, a especifica\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o do &ldquo;B&rdquo; no nome do movimento continua sendo fonte de grande pol\u00eamica interna, bem como o reconhecimento da relev\u00e2ncia da inclus\u00e3o de bissexuais. Nessa mesma dire\u00e7\u00e3o de n\u00e3o enfatizar diretamente identidades espec\u00edficas est\u00e1 o movimento universit\u00e1rio por diversidade sexual, que vem se fortalecendo desde a forma\u00e7\u00e3o do primeiro grupo, em 2002. As rela\u00e7\u00f5es entre esses diversos segmentos no interior do movimento s\u00e3o tensas, oscilando entre a colabora\u00e7\u00e3o m\u00fatua e a exist\u00eancia de conflitos, dependendo do contexto e da quest\u00e3o em pauta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No livro Sopa de Letrinhas?, lan\u00e7ado pelo&nbsp;CLAM e pela Editora Garamond, a antrop\u00f3loga Regina Facchini reconstitui a hist\u00f3ria do movimento homossexual brasileiro. 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