{"id":1420,"date":"2006-09-30T00:00:00","date_gmt":"2006-09-30T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2006\/09\/30\/sexualidad-controlada\/"},"modified":"2006-09-30T00:00:00","modified_gmt":"2006-09-30T03:00:00","slug":"sexualidad-controlada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/sexualidad-controlada\/1420\/","title":{"rendered":"Sexualidad controlada"},"content":{"rendered":"<p>O Viagra, a contracep\u00e7\u00e3o hormonal, a preven\u00e7\u00e3o da Aids, a reprodu\u00e7\u00e3o assistida e o controle dos criminosos sexuais representam, segundo o psicossoci\u00f3logo franc\u00eas Alain Giami (Instituto Nacional de Sa\u00fade e da Pesquisa M\u00e9dica &ndash; INSERM), formas pelas quais a medicaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade se manifesta na sociedade contempor\u00e2nea.<BR>  <P>Giami ficar\u00e1 no Brasil at\u00e9 novembro como pesquisador visitante do Instituto de Medicina Social da UERJ, onde ministra o curso &ldquo;A medicaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade&rdquo;, com os professores Sergio Carrara e Jane Russo, no qual discutem as teorias sociol\u00f3gicas e hist\u00f3ricas &ndash; de Foucault, Lanteri-Laura, Conrad e John Gagnon, entre outros &ndash; acerca da sexualidade. A estadia de Giami no IMS, por\u00e9m, tem como objetivo principal o desenvolvimento da pesquisa &ldquo;A profiss\u00e3o de sex\u00f3logo no Brasil: valores e pr\u00e1ticas&rdquo;, estudo comparativo a ser realizado pelos professores S\u00e9rgio Carrara, Jane Russo e Fab\u00edola Rohden (IMS\/UERJ), com a colabora\u00e7\u00e3o de Ana Teresa Ven\u00e2ncio (pesquisadora visitante da COC\/FIOCRUZ) e Igor Torres (mestrando IMS\/UERJ), em parceria com a equipe <I>Sexualit\u00e9, Soci\u00e9t\u00e9, Individu<\/I> coordenada pelo pesquisador no INSERM. O objetivo da pesquisa \u00e9 investigar a organiza\u00e7\u00e3o profissional dos sex\u00f3logos brasileiros, suas concep\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas, concentrando a aten\u00e7\u00e3o no processo de medicaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade.<BR>  <P>Giami realizou pesquisas sobre sexologia na Fran\u00e7a e em mais seis pa\u00edses europeus &ndash; Inglaterra, It\u00e1lia, Dinamarca, Su\u00e9cia, Finl\u00e2ndia e Noruega. &ldquo;Na maioria dos pa\u00edses europeus, a sexologia n\u00e3o \u00e9 uma profiss\u00e3o m\u00e9dica, \u00e9 composta por psic\u00f3logos, educadores, enfermeiras. A maior parte dos sex\u00f3logos s\u00e3o mulheres. Apenas na Fran\u00e7a detectamos que os sex\u00f3logos, em sua maioria, s\u00e3o m\u00e9dicos (homens), o que significa que l\u00e1 a sexologia \u00e9 muito mais medicalizada que em outros pa\u00edses. No Brasil, me parece haver tamb\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o clara entre a medicaliza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o e a predomin\u00e2ncia de homens nesse campo, como na Fran\u00e7a&rdquo;, afirma.Giami.<BR>  <P>Em 1990, ele fez uma pesquisa na Fran\u00e7a sobre a representa\u00e7\u00e3o da Aids pelas enfermeiras, com o objetivo de ver a atitude das profissionais de sa\u00fade frente os portadores de HIV. O estudo foi traduzido para o portugu\u00eas e publicado no livro <I>Enfermeiras frente a Aids: representa\u00e7\u00f5es e condutas, perman\u00eancias e mudan\u00e7as<\/I>(Editora da ULBRA). No Brasil, Giami tamb\u00e9m participar\u00e1 de reuni\u00f5es de trabalho da equipe respons\u00e1vel pela pesquisa &ldquo;Sa\u00fade Sexual, AIDS e Pr\u00e1ticas Profissionais em Sa\u00fade&rdquo;, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem da UERJ.<BR>  <P>Nesta entrevista, o pesquisador fala da cultura da medicaliza\u00e7\u00e3o nas sociedades contempor\u00e2neas e de seu impacto na sexualidade e nos direitos humanos.<BR>  <P><B>Como o processo de medicaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade pode ser definido? <\/B> <P>A medicaliza\u00e7\u00e3o em geral, e particularmente, a da sexualidade, n\u00e3o \u00e9 simplesmente o recurso \u00e0 medicina para tratar doen\u00e7as, n\u00e3o acontece somente no \u00e2mbito da medicina e dos rem\u00e9dios. \u00c9 um modo de pensar e de perceber as coisas de um ponto de vista m\u00e9dico, desde que a sa\u00fade se tornou o valor supremo das culturas. Ele se d\u00e1 na vida cotidiana, justificado pela centralidade do conceito de sa\u00fade. At\u00e9 meados do s\u00e9culo 19, a liberdade era a id\u00e9ia central da modernidade, conceito surgido no s\u00e9culo 18 atrav\u00e9s da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, as quais n\u00e3o se referem \u00e0 sa\u00fade, e sim \u00e0 liberdade, que era, ent\u00e3o, o valor principal, do ponto de vista \u00e9tico, moral e ideol\u00f3gico. Atualmente, essa id\u00e9ia de liberdade \u00e9 criticada do ponto de vista da sa\u00fade. Criaram-se limites \u00e0 liberdade humana por causa da sa\u00fade. Num universo no qual todo mundo \u00e9 livre para fazer as suas escolhas, o discurso da sa\u00fade fala em controlar e proibir. Minha cr\u00edtica \u00e9 que esse discurso tende apenas a modificar comportamentos individuais, tendo pouca a\u00e7\u00e3o sobre o ambiente, sobre as organiza\u00e7\u00f5es sociais. Esse foco sobre os comportamentos individuais pode ser interpretado como uma moraliza\u00e7\u00e3o, uma vez que desenvolve um controle sobre o corpo humano.<BR>  <P><B>Quando esse processo teve in\u00edcio? <\/B> <P>O processo de medicaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade come\u00e7ou no s\u00e9culo 19, quando a medicina ainda estava ao lado da religi\u00e3o cat\u00f3lica. Desde o come\u00e7o do s\u00e9culo 19 at\u00e9 o s\u00e9culo 20, a medicina vai considerar que a sexualidade reprodutiva \u00e9 a sexualidade boa e saud\u00e1vel e que todas as formas de sexualidade n\u00e3o reprodutivas s\u00e3o doen\u00e7a (masturba\u00e7\u00e3o, coito interrompido, homossexualidade) e, \u00e0s vezes, tamb\u00e9m crime (homossexualidade).<BR>  <P><B>O advento da p\u00edlula anticoncepcional na d\u00e9cada de 60 est\u00e1 relacionado com tal processo? <\/B> <P>Nesta mesma \u00e9poca, houve o surgimento da teoria do orgasmo, publicada, em 1966, no livro <I>Woman sexual response<\/I>, no qual Master and Johnson apresentam a abordagem experimental e psico-fisiol\u00f3gica do processo de orgasmo. Ent\u00e3o,atrav\u00e9s da conceitualiza\u00e7\u00e3o psico-fisiol\u00f3gica do orgasmo e da contracep\u00e7\u00e3o hormonal foi poss\u00edvel pensar que a finalidade da atividade sexual \u00e9 o orgasmo, n\u00e3o a reprodu\u00e7\u00e3o. A p\u00edlula permitiu a realiza\u00e7\u00e3o do \u00abciclo natural da reposta sexual humana\u00bb (Human sexual response cycle). Atrav\u00e9s dela, a medicina passou a legitimar e a favorecer a sexualidade heterossexual n\u00e3o reprodutiva. A simultaneidade desses dois eventos m\u00e9dico-cient\u00edficos (p\u00edlula e orgasmo) sinalizou o in\u00edcio da chamada revolu\u00e7\u00e3o sexual. A partir da\u00ed aconteceu a legitimidade da separa\u00e7\u00e3o entre sexualidade, reprodu\u00e7\u00e3o e casamento. A legaliza\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio nas sociedades europ\u00e9ias aconteceu tamb\u00e9m neste mesmo momento, quando se deu o div\u00f3rcio entre a biomedicina e a religi\u00e3o cat\u00f3lica. Por\u00e9m, \u00e9 necess\u00e1rio ressaltar que o advento da p\u00edlula n\u00e3o \u00e9 o bastante para compreender o descolamento da religi\u00e3o e da medicina, e sim, os dois eventos em conjunto. A p\u00edlula n\u00e3o foi pensada para felicitar a liberdade sexual e o orgasmo, foi pensada para controlar a fertilidade, o que a coloca como um dos instrumentos da medicaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade.<BR>  <P><B>A partir da d\u00e9cada de 1980, como o fen\u00f4meno da Aids se relaciona com o processo de medicaliza\u00e7\u00e3o? <\/B> <P>A Aids pode ser pensada como uma outra forma de medicaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade, n\u00e3o no n\u00edvel qu\u00edmico, mas no n\u00edvel da sa\u00fade coletiva, para reorganizar os comportamentos sexuais. O advento da Aids \u00e9 complementar ao da p\u00edlula, que tamb\u00e9m foi criada para reorganizar a vida sexual e controlar a fertilidade. As respostas p\u00fablicas frente \u00e0 epidemia da Aids tamb\u00e9m foram no sentido de reorganizar a vida sexual para se proteger da infec\u00e7\u00e3o. A chegada da Aids trouxe de volta o uso do preservativo, n\u00e3o como contraceptivo como no passado, mas como uma forma de prote\u00e7\u00e3o e de preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis. A epidemia da doen\u00e7a simbolizou tamb\u00e9m uma nova forma de medicaliza\u00e7\u00e3o da homossexualidade como \u00abestilo de vida\u00bb e causa da doen\u00e7a. Por outro lado, para a mulher, o preservativo n\u00e3o \u00e9 usado como um bom contraceptivo. Na era da Aids, recomenda-se usar o preservativo e o contraceptivo, duas t\u00e9cnicas diferentes para se proteger de dois eventos indesej\u00e1veis, a gravidez n\u00e3o desejada e a doen\u00e7a transmiss\u00edvel. S\u00e3o dois aspectos da atividade sexual que fazem parte do processo de medicaliza\u00e7\u00e3o. A preven\u00e7\u00e3o da Aids se encaixa nesse processo porque representa o paradigma da sexualidade protegida e negociada.<BR>  <P><B>Como o sr. analisa o fen\u00f4meno do Viagra? Qual o impacto dessas novas drogas na sexualidade da sociedade contempor\u00e2nea? <\/B> <P>O fen\u00f4meno do Viagra apareceu em 1998 sa\u00eddo de uma d\u00e9cada marcada pela refer\u00eancia permanente entre sexo e Aids, sexo e morte, sexo e doen\u00e7a, sexo e atividade sexual marginal, sexo e promiscuidade. Tudo isso teria que ser diminu\u00eddo, controlado e protegido. Nesse contexto, o Viagra veio favorecer a emerg\u00eancia de uma nova representa\u00e7\u00e3o da sexualidade, que \u00e9 a sexualidade heterossexual, do casal e das pessoas com mais de 50 anos. \u00c9 a volta de um discurso mais otimista sobre a sexualidade, de que sexo \u00e9 bom para sa\u00fade e tem que ser ampliado. No tempo da Aids, a ideologia era de cuidado e preven\u00e7\u00e3o. Aqui, sexo \u00e9 novamente visto como bom para a sa\u00fade e para o bem-estar. A atividade sexual aparece como a categoria central da quest\u00e3o do bem-estar no \u00e2mbito da sa\u00fade sexual, levando em conta o conceito de sa\u00fade proposto pela OMS, definida como um estado de bem-estar completo, a n\u00edvel f\u00edsico, psicol\u00f3gico e social. O maior impacto do Viagra foi o reconhecimento de que sexo \u00e9 bom para a sa\u00fade, o que j\u00e1 tinha acontecido nos anos 1960.<BR>  <P><B>O sr. tamb\u00e9m aponta as novas tecnologias reprodutivas como uma das maneiras pelas quais o processo de medicaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade se manifesta na atualidade. O que a chamada reprodu\u00e7\u00e3o assistida representa nesse contexto? <\/B> <P>As novas tecnologias reprodutivas simbolizam a dissocia\u00e7\u00e3o entre sexualidade e reprodu\u00e7\u00e3o. Se, por um lado, a p\u00edlula trouxe a possibilidade de se realizar atividade sexual sem o risco da procria\u00e7\u00e3o, essas novas tecnologias tornam poss\u00edvel a procria\u00e7\u00e3o sem atividade sexual. Esta, ali\u00e1s, \u00e9 a express\u00e3o maior da mitologia da cultura cat\u00f3lica, segundo a qual Jesus teria sido criado sem encontro sexual. A id\u00e9ia propagada pela Igreja \u00e9 de abstin\u00eancia e castidade. A reprodu\u00e7\u00e3o assistida favorece duas categorias de pessoas: as que t\u00eam rela\u00e7\u00f5es sexuais mas por problemas biol\u00f3gicos n\u00e3o conseguem procriar, e as pessoas que querem ter filhos mas n\u00e3o querem ter rela\u00e7\u00f5es sexuais, incluindo a\u00ed os homossexuais, v\u00e1rios cat\u00f3licos ou pessoas reprimidas que n\u00e3o querem ter atividade sexual.<BR>  <P><B>E como o sr.percebe o fen\u00f4meno da medicaliza\u00e7\u00e3o nas pr\u00e1ticas da reprodu\u00e7\u00e3o assistida? <\/B> <P>A coleta de esperma, por exemplo, obtida atrav\u00e9s da masturba\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma pr\u00e1tica obrigat\u00f3ria no tratamento m\u00e9dico da esterilidade e da assist\u00eancia m\u00e9dica \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o. A observa\u00e7\u00e3o dos dispositivos m\u00e9dicos e cient\u00edficos da coleta de esperma, nos pa\u00edses do Norte (Europa, Estados Unidos) chama a aten\u00e7\u00e3o para uma grande confus\u00e3o relacionada a esta pr\u00e1tica: torna-se dif\u00edcil distinguir se esta seria uma pr\u00e1tica cl\u00ednica que recorreria a uma pr\u00e1tica sexual, ou se, ao contr\u00e1rio, se trataria de uma pr\u00e1tica sexual realizada em um contexto m\u00e9dico. A coleta de esperma coloca ent\u00e3o a quest\u00e3o fundamental do lugar e do tratamento da sexualidade, e de uma forma mais ampla, dos fen\u00f4menos er\u00f3ticos (n\u00e3o reprodutivos) na pr\u00e1tica m\u00e9dica. Desta maneira, o dispositivo da coleta de esperma por homens est\u00e9reis pode ser inserido no contexto dos fen\u00f4menos ligados \u00e0 medicaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade.<BR>  <P><B>Quais as implica\u00e7\u00f5es da medicaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade na sociedade contempor\u00e2nea? <\/B> <P>A medicaliza\u00e7\u00e3o define as normas para organizar o que \u00e9 o bom n\u00edvel da atividade sexual. Se uma pessoa sofre de impot\u00eancia sexual, transtorno do desejo ou desejo sexual diminu\u00eddo recorre \u00e0 medicina. Para uma pessoa que comete crimes sexuais, abuso de crian\u00e7as ou estupro de mulheres, h\u00e1 tamb\u00e9m rem\u00e9dios para fazer a castra\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, uma forma da medicaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade. Al\u00e9m disso, existe tamb\u00e9m a Psiquiatria que oferece tratamento psico-terap\u00eautico dessa pessoa. Isto significa que a medicina tem o poder e a possibilidade de acrescentar \u00e0 atividade sexual deficiente ou diminuir a atividade sexual exagerada ou desviante. Para pensar a quest\u00e3o da medicaliza\u00e7\u00e3o temos que levar em conta esses dois aspectos.<BR>  <P><B>Em sua \u00faltima confer\u00eancia no Instituto de Medicina Social (IMS) da UERJ, em 2005, o sr. criticou o fato de haver um maior investimento, por parte das ind\u00fastrias farmac\u00eauticas, para o desenvolvimento de drogas como o Viagra, do que para a Aids. Como o sr. analisa a quest\u00e3o, tendo em vista a rela\u00e7\u00e3o entre a medicaliza\u00e7\u00e3o e os direitos humanos? <\/B> <P>A ind\u00fastria farmac\u00eautica precisa da medicina para legitimar as drogas que produz. A ind\u00fastria investe pouco no tratamento da Aids. J\u00e1 no campo do tratamento da disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til, se investe muito dinheiro. A l\u00f3gica industrial e comercial n\u00e3o \u00e9 a mesma l\u00f3gica da medicina. N\u00e3o s\u00e3o as necessidades das popula\u00e7\u00f5es que v\u00e3o orientar o desenvolvimento de rem\u00e9dios. Mas \u00e9 necess\u00e1rio relativizar essa quest\u00e3o das necessidades das popula\u00e7\u00f5es. Drogas para a Aids poderiam diminuir a mortalidade. Por outro lado, as drogas direcionadas para as disfun\u00e7\u00f5es sexuais, como o Viagra por exemplo, v\u00e3o melhorar a qualidade de vida. O que observo \u00e9 que muito pouco dinheiro est\u00e1 sendo investido nas drogas para o tratamento da Aids, enquanto muito dinheiro \u00e9 revertido no desenvolvimento de drogas para as disfun\u00e7\u00f5es sexuais. Isto porque elas t\u00eam muito mais dinheiro para ganhar na \u00e1rea das disfun\u00e7\u00f5es sexuais do que na \u00e1rea da Aids. \u00c9 necess\u00e1rio salientar que, quando falamos em medicaliza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, n\u00e3o estamos falando de acesso \u00e0 sa\u00fade, porque grade parte da humanidade n\u00e3o tem acesso a uma aspirina ou a antibi\u00f3ticos. Este, ali\u00e1s, \u00e9 um dos grandes paradoxos da sociedade contempor\u00e2nea: ao mesmo tempo em que coloca a sa\u00fade como princ\u00edpio maior, n\u00e3o garante \u00e0s popula\u00e7\u00f5es o acesso aos cuidados b\u00e1sicos com a sa\u00fade. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investigador visitante en el Instituto de Medicina Social (IMS\/UERJ) hasta noviembre, el psicosoci\u00f3logo franc\u00e9s Alain Giami (INSERM) habla de los aspectos de la medicalizaci\u00f3n de la sexualidad y de su dimensi\u00f3n en la sociedad contempor\u00e1nea. <EM>(texto en portugu\u00e9s)<\/EM><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1420","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Sexualidad controlada - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/sexualidad-controlada\/1420\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Sexualidad controlada - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Investigador visitante en el Instituto de Medicina Social (IMS\/UERJ) hasta noviembre, el psicosoci\u00f3logo franc\u00e9s Alain Giami (INSERM) habla de los aspectos de la medicalizaci\u00f3n de la sexualidad y de su dimensi\u00f3n en la sociedad contempor\u00e1nea. 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