{"id":1423,"date":"2012-05-23T00:00:00","date_gmt":"2012-05-23T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2012\/05\/23\/violencia-domestica-en-japon\/"},"modified":"2012-05-23T00:00:00","modified_gmt":"2012-05-23T03:00:00","slug":"violencia-domestica-en-japon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/violencia-domestica-en-japon\/1423\/","title":{"rendered":"Violencia dom\u00e9stica en Jap\u00f3n"},"content":{"rendered":"<p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, o Jap&atilde;o tem sido confrontado com um grave  problema social: a viol&ecirc;ncia filial, na qual os filhos agridem os pais.  Os epis&oacute;dios de viol&ecirc;ncia n&atilde;o s&atilde;o fatos isolados, est&atilde;o antes de tudo  entrela&ccedil;ados ao fio hist&oacute;rico da sociedade japonesa, cuja organiza&ccedil;&atilde;o  s&oacute;cio-cultural imp&otilde;e valores e costumes generificados. O papel que a  mulher japonesa ocupa reflete a din&acirc;mica de viol&ecirc;ncia que, entre 2000 e  2005, segundo estat&iacute;sticas da Pol&iacute;cia Nacional Japonesa, totalizou 37  casos de assassinato ou tentativa de assassinato de pais.<\/p>\n<p>O fen&ocirc;meno, cujos agressores s&atilde;o geralmente estudantes do sexo  masculino, na faixa et&aacute;ria dos 12 aos 15 anos, tem como v&iacute;tima  preferencial a m&atilde;e, figura que, na pr&aacute;tica, &eacute; respons&aacute;vel pela cria&ccedil;&atilde;o e  educa&ccedil;&atilde;o dos filhos. A antrop&oacute;loga Hilda Maria Gaspar Pereira,  professora de Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; Antropologia e Psicologia na Hokusei Gakuen  Junior College, em Sapporo, pesquisa a quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia contra a  mulher h&aacute; 15 anos. De acordo com ela, que tamb&eacute;m estuda a viol&ecirc;ncia de  g&ecirc;nero na It&aacute;lia, no Brasil e nos Estados Unidos, os valores culturais  da sociedade japonesa dificultam a exposi&ccedil;&atilde;o dos casos de viol&ecirc;ncia,  atrapalhando o mapeamento da real extens&atilde;o do problema.<\/p>\n<p>Segundo um relat&oacute;rio publicado na ter&ccedil;a-feira (22\/05) pela ONG  norte-americana International Rescue Committee, uma em cada tr&ecirc;s  mulheres no mundo sofre viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. De acordo com o  levantamento, a propor&ccedil;&atilde;o de mulheres v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica &eacute; &ndash;  por exemplo &ndash; de 36% nos Estados Unidos, 37% no Brasil, 15% no Jap&atilde;o.<\/p>\n<p>Em entrevista ao CLAM, Hilda Gaspar fala sobre os jogos simb&oacute;licos  que estruturam os pap&eacute;is de g&ecirc;nero na sociedade nip&ocirc;nica, enfatizando o  peso da no&ccedil;&atilde;o de maternidade para a mulher japonesa. Outro ponto  destacado por ela &eacute; o protagonismo da religi&atilde;o na configura&ccedil;&atilde;o das  rela&ccedil;&otilde;es sociais que imp&otilde;em obriga&ccedil;&otilde;es para al&eacute;m do cuidado com os  filhos: a mulher japonesa cuida da casa, do marido e dos sogros, o que  explica a tens&atilde;o intrafamiliar que desencadeia outras formas de  viol&ecirc;ncia, como o abuso infantil e do idoso.<\/p>\n<p><b>A viol&ecirc;ncia filial &eacute; um fen&ocirc;meno que ganha corpo dentro da fam&iacute;lia  japonesa. O que explica a eclos&atilde;o deste fen&ocirc;meno no &acirc;mbito das rela&ccedil;&otilde;es  familiares?<\/b><\/p>\n<p>\u3000 A viol&ecirc;ncia filial foi o primeiro tipo de conflito familiar tornado  vis&iacute;vel no Jap&atilde;o desde o in&iacute;cio dos anos 1970. A conscientiza&ccedil;&atilde;o da  sociedade japonesa com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia familiar teve um processo  lento de reconhecimento. O abuso de crian&ccedil;as, a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e o  abuso de idosos somente tornaram-se evidenciados no Jap&atilde;o a partir do  in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990. Na viol&ecirc;ncia filial, o adolescente se rebela  contra seus pais e, na maioria das vezes, as m&atilde;es s&atilde;o as principais  v&iacute;timas. As agress&otilde;es s&atilde;o frequentemente desencadeadas por causa da  extrema press&atilde;o que os adolescentes sofrem em prol do sucesso escolar.  Embora o estresse causado em fun&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o rigorosa seja uma  determinante fundamental nesse tipo de viol&ecirc;ncia, existem problemas  estruturais que est&atilde;o interferindo nas rela&ccedil;&otilde;es familiares. Devido a  transi&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas que est&atilde;o ocorrendo na sociedade japonesa, a  viol&ecirc;ncia filial n&atilde;o est&aacute; somente aumentando, mas tamb&eacute;m suas formas de  viol&ecirc;ncia est&atilde;o se agravando nas fam&iacute;lias.<\/p>\n<p><b>Que transi&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas s&atilde;o estas?<\/b><\/p>\n<p>Com o advento da urbaniza&ccedil;&atilde;o, diminuiu o suporte gerado pelas  comunidades, onde vizinhos e parentes contribu&iacute;am decisivamente na ajuda  aos pais para a cria&ccedil;&atilde;o de seus filhos. Consequentemente, o aumento do  n&uacute;mero das fam&iacute;lias nucleares colocou as m&atilde;es cada vez mais isoladas e  sem apoio na educa&ccedil;&atilde;o de seus filhos.<\/p>\n<p>Por outro lado, a baixa natalidade e o crescimento das fam&iacute;lias com  filho &uacute;nico t&ecirc;m favorecido o aumento de pais permissivos, dando origem a  uma gera&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as extremamente mimadas. No Jap&atilde;o, existe uma  aceita&ccedil;&atilde;o quase cultural de que a crian&ccedil;a tenha um per&iacute;odo de rebeldia, o  chamado &rdquo;hankoki&rdquo;, no qual reage tendo acessos de f&uacute;ria em decorr&ecirc;ncia  de pequenas frustra&ccedil;&otilde;es. Esse tipo de comportamento &eacute; mais violento em  adolescentes dos 12 aos 15 anos. &Eacute; durante esse per&iacute;odo que se observam  os maiores casos de agressores na viol&ecirc;ncia filial.<\/p>\n<p><b>A ocorr&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia contra os filhos tamb&eacute;m tem sido notada  no Jap&atilde;o, tendo como perpetradora sobretudo a m&atilde;e, apesar da valoriza&ccedil;&atilde;o  da maternidade na cultura japonesa e da import&acirc;ncia que se d&aacute; &agrave; figura  da m&atilde;e na educa&ccedil;&atilde;o dos filhos. O que estaria por tr&aacute;s do quadro de abuso  de crian&ccedil;as por parte das m&atilde;es japonesas?<\/b><\/p>\n<p>A maternidade tem um papel fundamental, enraizado na cultura  japonesa, reafirmando a ideia de que existe um instinto maternal inato  na mulher. Nada seria maior do que o amor materno. A persist&ecirc;ncia desse  mito tem criado uma atual gera&ccedil;&atilde;o de jovens m&atilde;es frustradas, aumentando  ainda mais o risco de abuso de crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>A sociedade japonesa, ainda hoje, exerce uma press&atilde;o muito forte para  que a m&atilde;e se dedique em tempo integral a educa&ccedil;&atilde;o de seus filhos. Essa  ideia &eacute; reforcada pelo conceito do complexo maternal japon&ecirc;s, que foi  introduzido pela soci&oacute;loga Chizuko Ueno no debate feminista. Segundo  Ueno, o complexo materno &ndash; &lsquo;mazaakon&rsquo; &ndash; &eacute; o produto direto da segrega&ccedil;&atilde;o  de g&ecirc;nero no Jap&atilde;o, onde a sociedade define a mulher com o papel b&aacute;sico  de esposa e m&atilde;e. Entretanto, como o marido est&aacute; quase sempre ausente de  casa, a mulher tende a dedicar toda a aten&ccedil;&atilde;o e energia ao seu filho  (masculino), seguindo a influencia de &ldquo;Conf&uacute;cio&rdquo;.<\/p>\n<p>Desse modo, a din&acirc;mica da obsessiva miss&atilde;o maternal colabora  negativamente nos dois tipos de viol&ecirc;ncia familiar. As principais  agressoras no caso de abuso infantil s&atilde;o as m&atilde;es biol&oacute;gicas. Na  viol&ecirc;ncia filial, o excessivo dever maternal pelo zelo educacional, em  muitos casos, acaba por coloc&aacute;-las como v&iacute;timas de seus pr&oacute;prios filhos.<\/p>\n<p><b>Como as religi&otilde;es predominantes no Jap&atilde;o contribuem para  estruturar as din&acirc;micas de g&ecirc;nero na sociedade japonesa e em que sentido  isto se relaciona com o fen&ocirc;meno da viol&ecirc;ncia familiar no pa&iacute;s?<\/b><\/p>\n<p>A partir do s&eacute;culo VI, dois importantes sistemas de cren&ccedil;a foram  introduzidos no Jap&atilde;o: o Budismo e o Confucionismo, que possuem  essencialmente uma orienta&ccedil;&atilde;o machista. O Budismo &eacute; uma religi&atilde;o que  desempenha papel importante na sociedade japonesa at&eacute; os dias atuais. O  Confucionismo, apesar de ter sido restringido durante a transi&ccedil;&atilde;o feudal  para a era da moderniza&ccedil;&atilde;o japonesa, ainda influencia com seus valores  &eacute;ticos o pensamento social. Segundo a aplica&ccedil;&atilde;o do C&oacute;digo de Conduta de  Conf&uacute;cio, a mulher caiu na armadilha da domina&ccedil;&atilde;o masculina, durante  todo o seu ciclo de vida.<\/p>\n<p>Apesar das lutas e vit&oacute;rias femininas que marcaram os &uacute;ltimos  s&eacute;culos, a obedi&ecirc;ncia da mulher ainda &eacute; uma expectativa cultural de  muitos japoneses. Consequentemente, a forte divis&atilde;o das obriga&ccedil;&otilde;es de  g&ecirc;nero, na qual a mulher ocupa papel fundamental no trabalho dom&eacute;stico,  na educa&ccedil;&atilde;o dos filhos, no cuidado com o marido e com seus sogros  idosos, a coloca mais exposta a todos os membros da fam&iacute;lia. Desse modo,  existe a grande probabilidade de ela sofrer maiores tens&otilde;es di&aacute;rias,  contribuindo para a ocorr&ecirc;ncia de abusos familiares.<\/p>\n<p><b>As diversas formas de viol&ecirc;ncia intrafamiliar t&ecirc;m sido  denunciadas? J&aacute; se pode mensurar a extens&atilde;o do problema a partir de  estat&iacute;sticas oficiais?<\/b><\/p>\n<p>Existem valores sociais extremamente enraizados na cultura japonesa  que fazem com que a v&iacute;tima se sinta culpada e dificilmente recorra &agrave;  ajuda externa. Valores como a harmonia, a vergonha e a privacidade  colaboram fortemente para o sil&ecirc;ncio das v&iacute;timas. Al&eacute;m disso, associa-se  a isso uma caracter&iacute;stica fundamental na cultura japonesa: o &ldquo;gaman&rdquo;,  ou seja, ag&uuml;entar as dificuldades sem reclamar. Quando se refere &agrave;  viol&ecirc;ncia filial, torna-se mais dif&iacute;cil denunciar o agressor. As m&atilde;es,  principais v&iacute;timas, se sentem muito envergonhadas pelas agress&otilde;es e, ao  mesmo tempo, culpadas por n&atilde;o estarem educando devidamente seus filhos.  Ao mesmo tempo, tamb&eacute;m n&atilde;o querem que eles sofram puni&ccedil;&otilde;es legais, pois  poderiam lhes trazer conseq&uuml;&ecirc;ncias negativas no futuro. Desse modo,  pactuam com a invisibilidade do fen&ocirc;meno, indicando que as estat&iacute;sticas  oficiais s&atilde;o apenas a &ldquo;ponta do iceberg&rdquo;.<\/p>\n<p><b>O fen&ocirc;meno da viol&ecirc;ncia familiar tem tido visibilidade na m&iacute;dia? <\/b><\/p>\n<p>Durante as duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, os problemas relativos &agrave;s crian&ccedil;as e  aos jovens no Jap&atilde;o t&ecirc;m alcan&ccedil;ado um grande destaque na m&iacute;dia. As  coberturas jornal&iacute;sticas, na maioria das vezes sensacionalistas, causam o  p&acirc;nico moral (ou p&acirc;nico social), definido pelo soci&oacute;logo Stanley Cohen  como uma situa&ccedil;&atilde;o em que os valores e interesses da sociedade s&atilde;o  amea&ccedil;ados de alguma forma. Apesar das estat&iacute;sticas criminais n&atilde;o  refletirem o alarme que ronda o imagin&aacute;rio japon&ecirc;s com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua  juventude, o medo &eacute; baseado em crimes espor&aacute;dicos, mas de natureza  brutal, cometidos por esses indiv&iacute;duos.<\/p>\n<p><b>Esse tipo de viol&ecirc;ncia tem impulsionado mudan&ccedil;as penais e\/ou legislativas?<\/b><\/p>\n<p>A suposta onda de viol&ecirc;ncia dos jovens japoneses originou as revis&otilde;es  realizadas na Ata Juvenil. Novas emendas implementadas na lei  culminaram com a mudan&ccedil;a reabilitadora de sua filosofia original,  adotando um car&aacute;ter mais punitivo aos infratores. Entre elas, est&aacute; a  redu&ccedil;&atilde;o da idade de responsabilidade criminal de 16 para 14 anos.  Infelizmente, a mudan&ccedil;a deixou de lado a solu&ccedil;&atilde;o baseada na  reintegra&ccedil;&atilde;o, orientada na comunidade, que seria fundamental para ajudar  os jovens a enfrentar as mudan&ccedil;as atuais no pa&iacute;s.<b><\/p>\n<p> Qual a import&acirc;ncia do olhar hist&oacute;rico-cultural no estudo do fen&ocirc;meno da viol&ecirc;ncia familiar e suas formas?<\/b><\/p>\n<p>O olhar investigativo sob a perspectiva hist&oacute;rico-cultural deve-se &agrave;  riqueza tradicional, onde os valores sociais s&atilde;o originados de cren&ccedil;as,  princ&iacute;pios e costumes muito antigos, que interferem at&eacute; os dias atuais  na organiza&ccedil;&atilde;o familiar. Dessa forma, foi poss&iacute;vel tra&ccedil;ar as influ&ecirc;ncias  hist&oacute;ricas pertinentes ao fen&ocirc;meno da viol&ecirc;ncia familiar, em especial  da viol&ecirc;ncia filial na sociedade japonesa. O aumento da viol&ecirc;ncia  familiar e o &ldquo;recente&rdquo; reconhecimento de seus tipos (viol&ecirc;ncia  dom&eacute;stica, abuso infantil e abuso ao idoso) pode ainda evidenciar a  deterioriza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es pessoais na esfera mais &iacute;ntima entre os  japoneses, mostrando a ruptura no equil&iacute;brio harm&ocirc;nico da sociedade  contempor&acirc;nea moderna com as tradi&ccedil;&otilde;es milenares enraizadas na cultura  nip&ocirc;nica.<\/p>\n<p><b>O que tem caracterizado as pol&iacute;ticas governamentais de enfrentamento do fen&ocirc;meno?<\/b><\/p>\n<p>No Jap&atilde;o, apesar da viol&ecirc;ncia filial ter sido o primeiro tipo de  agress&atilde;o familiar denunciado, ela continua a ser o de maior tabu na  sociedade. As outras formas de viol&ecirc;ncia familiar, mesmo com a lenta  conscientiza&ccedil;&atilde;o dos japoneses, acabaram recebendo a prioriza&ccedil;&atilde;o de  servi&ccedil;os e pol&iacute;ticas sociais que colocaram o problema da viol&ecirc;ncia como  uma quest&atilde;o de sa&uacute;de p&uacute;blica. O problema &eacute; que al&eacute;m do estresse causado  em fun&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o rigorosa dos pais, o Jap&atilde;o passa por  transforma&ccedil;&otilde;es de ordem social e econ&ocirc;mica, as quais est&atilde;o contribuindo  para o aumento e o agravamento da viol&ecirc;ncia filial, e at&eacute; mesmo gerando a  eleva&ccedil;&atilde;o dos casos de parric&iacute;dios. A tradi&ccedil;&atilde;o de preservar a  privacidade dom&eacute;stica a todo custo tem sido o grande empecilho para as  v&iacute;timas receberem servi&ccedil;os adequados de ajuda. Al&eacute;m da necessidade da  real conscientiza&ccedil;&atilde;o da sociedade para a gravidade do problema da  viol&ecirc;ncia filial, &eacute; fundamental a adequa&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o e a cria&ccedil;&atilde;o de  uma rede de servi&ccedil;os eficazes que possam ajudar tanto as v&iacute;timas como  os agressores. Desse modo, a viol&ecirc;ncia de adolescentes contra pais  (principalmente m&atilde;es), como os outros tipos de viol&ecirc;ncia familiar,  sairia da esfera privada e passaria a ser tratada como uma quest&atilde;o de  sa&uacute;de p&uacute;blica.<\/p>\n<p><b>Como atua o movimento feminista japon&ecirc;s? Em que sentido ele tem se mobilizado em prol da situa&ccedil;&atilde;o da mulher japonesa?<\/b><\/p>\n<p>As feministas japonesas nos anos 70 lutavam contra a prostitui&ccedil;&atilde;o  (protestando contra turismo sexual dos japoneses em v&aacute;rios pa&iacute;ses  asi&aacute;ticos), a pornografia e o estupro. Nos anos 80, a agenda do  movimento estava orientada basicamente contra o ass&eacute;dio sexual nos  locais de trabalho. A viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica s&oacute; se tornou um tema de luta  no movimento no in&iacute;cio dos anos 90, quando um grupo de feministas  conduziu uma pesquisa sobre esse tipo de viol&ecirc;ncia e descobriu uma  situa&ccedil;&atilde;o alarmante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s japonesas. Entretanto, a primeira  investiga&ccedil;&atilde;o nacional realizada pelo governo s&oacute; foi feita em 1999,  mostrando a seriedade do problema e os fatores culturais e tradicionais  que impedem as mulheres de pedir ajuda.<\/p>\n<p>No inicio dos anos 2000, al&eacute;m de press&otilde;es de ativistas japonesas e  press&otilde;es internacionais, o governo foi levado a elaborar a Lei de  Preven&ccedil;&atilde;o &agrave; Viol&ecirc;ncia ao Parceiro e Prote&ccedil;&atilde;o &agrave;s V&iacute;timas. A lei foi  promulgada em outubro de 2001. A cada 3 anos a lei sofre revis&atilde;o para  poder se adequar &agrave;s novas necessidades. Apesar da legisla&ccedil;&atilde;o, dos  centros de ajuda &agrave; mulher e de um novo comportamento da pol&iacute;cia em  rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s v&iacute;timas, os casos de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica est&atilde;o aumentando a  cada ano. Existem d&uacute;vidas, no entanto, se os casos est&atilde;o aumentando de  fato ou se as mulheres est&atilde;o mais &ldquo;corajosas&rdquo; para fazerem suas  den&uacute;ncias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Las transformaciones de orden social y econ\u00f3mico han contribuido al aumento de la violencia filial \u2013principalmente contra las madres\u2013 y de los casos de parricidio en Jap\u00f3n, afirma la antrop\u00f3loga brasile\u00f1a Hilda Gaspar Pereira, que en los \u00faltimos a\u00f1os ha estudiado el fen\u00f3meno en la cultura nipona a partir de una perspectiva hist\u00f3rico-cultural. 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