{"id":1434,"date":"2012-09-19T00:00:00","date_gmt":"2012-09-19T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2012\/09\/19\/deseo-criminalizado\/"},"modified":"2012-09-19T00:00:00","modified_gmt":"2012-09-19T03:00:00","slug":"deseo-criminalizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/","title":{"rendered":"Deseo criminalizado"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;O tema tem sido recorrente na m&iacute;dia brasileira: reportagens denunciando crimes, rotulados como pedofilia, que envolvem pornografia na internet com adolescentes e crian&ccedil;as. A amplitude de opera&ccedil;&otilde;es policiais tem caracterizado uma esp&eacute;cie de cruzada antipedofilia, que se espraia por diversas institui&ccedil;&otilde;es e espa&ccedil;os. A rotina midi&aacute;tica revela como a no&ccedil;&atilde;o de pedofilia &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, matizada em m&uacute;ltiplos planos que envolvem desde a defini&ccedil;&atilde;o, penal e m&eacute;dica, do que &eacute; ser ped&oacute;filo, passando pelo trabalho policial e legislativo em rela&ccedil;&atilde;o ao tema, at&eacute; a configura&ccedil;&atilde;o que a categoria assume na sociedade. Nessa din&acirc;mica, discursos jur&iacute;dicos e psiqui&aacute;tricos se articulam com concep&ccedil;&otilde;es morais e pol&iacute;ticas sobre sexualidade e inf&acirc;ncia, resultando em uma realidade em que o desejo por si s&oacute; torna-se potencialmente perigoso.<\/p>\n<p>O processo de elabora&ccedil;&atilde;o social da pedofilia foi o tema central da tese de doutorado &ldquo;O monstro contempor&acirc;neo: constru&ccedil;&atilde;o social da pedofilia em m&uacute;ltiplos planos&rdquo; (<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/teses2.ufrj.br\/72\/teses\/778656.pdf\" rel=\"noopener\">dispon&iacute;vel aqui<\/a>), defendida no in&iacute;cio deste ano no Museu Nacional (UFRJ) pela antrop&oacute;loga Laura Lowenkron, cujo envolvimento com quest&otilde;es do campo da sexualidade j&aacute; vinha desde o mestrado, quando estudou os processos de regula&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es sexuais intergeracionais envolvendo menores no mundo contempor&acirc;neo. O per&iacute;odo de planejamento e realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa de doutorado coincidiu com a opera&ccedil;&atilde;o Carrossel (2007), da Pol&iacute;cia Federal, destinada a combater a pornografia infantil na internet. No in&iacute;cio de 2008, foi criada a Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito (CPI) da Pedofilia, no Senado, voltada tamb&eacute;m para a investiga&ccedil;&atilde;o dos chamados &ldquo;crimes de pedofilia&rdquo; na rede mundial de computadores e para a busca por alternativas penais para a situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Acompanhando&nbsp;<i>in loco<\/i>&nbsp;os trabalhos da pol&iacute;cia e da CPI, Laura Lowenkron desenvolveu uma etnografia com o intuito de esmiu&ccedil;ar quais os elementos simb&oacute;licos e pol&iacute;ticos que se articulam na produ&ccedil;&atilde;o da pedofilia enquanto um problema social. O que seria a pedofilia? Qual o papel da pornografia infantil no jogo simb&oacute;lico de constru&ccedil;&atilde;o deste problema social? Quais as for&ccedil;as e institui&ccedil;&otilde;es que prevalecem para demarcar as fronteiras conceituais da pedofilia? O trabalho da pesquisadora revela que a pedofilia est&aacute; longe de ter uma unidade conceitual. Nos tempos atuais, &eacute; um termo poliss&ecirc;mico. De acordo com a Laura Lowekron, a pedofilia, atualmente, &eacute; uma categoria social englobante, fluida, que congrega distintos sentidos e delitos envolvendo crian&ccedil;as e adolescentes.<\/p>\n<p>Para Laura Lowenkron, nesta entrevista concedida ao CLAM, a defini&ccedil;&atilde;o de pedofilia, nos marcos atuais, e a consequente cruzada contra esta categoria situada entre a patologia e o crime imp&otilde;em alguns problemas, dentre os quais o fato de que se tem protegido menos as crian&ccedil;as de carne e osso do que um ideal de inf&acirc;ncia. &ldquo;H&aacute; outras rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a e desigualdade que atingem adolescentes e crian&ccedil;as que passam despercebidas&rdquo;, afirma Laura Lowenkron.<\/p>\n<p>Confira abaixo a entrevista.<\/p>\n<p><b>Em sua pesquisa, que processos voc&ecirc; observou na constru&ccedil;&atilde;o dos significados da rela&ccedil;&atilde;o sexual com crian&ccedil;as e adolescentes?<\/b><\/p>\n<p>A quest&atilde;o da pedofilia enquanto problema social &eacute; um processo genealogicamente constru&iacute;do. Isto &eacute;, h&aacute; uma constru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica que chegou at&eacute; os dias atuais e resultou na no&ccedil;&atilde;o de monstruosidade. Houve uma s&eacute;rie de deslocamentos nas concep&ccedil;&otilde;es sobre inf&acirc;ncia e tamb&eacute;m nas formas de regula&ccedil;&atilde;o social e jur&iacute;dica da sexualidade.<\/p>\n<p>O que aparece como um problema contempor&acirc;neo, independente da categoria ou nomenclatura classificat&oacute;ria, &eacute; a viol&ecirc;ncia sexual contra a crian&ccedil;a, visto como um problema dram&aacute;tico, extremo. O historiador franc&ecirc;s Georges Vigarello, que trabalha com a hist&oacute;ria do estupro, fala que a viol&ecirc;ncia sexual &eacute; a viol&ecirc;ncia do nosso tempo. Ela n&atilde;o existia, ou seja, a quest&atilde;o dos desvios sexuais n&atilde;o era vista como uma quest&atilde;o de viol&ecirc;ncia. Eram desvios morais, que atentavam contra a moralidade p&uacute;blica, contra os valores da fam&iacute;lia, religi&atilde;o e contra a honra masculina. Era uma ofensa contra os valores da sociedade.<\/p>\n<p>Em determinado momento hist&oacute;rico, durante o Iluminismo, o indiv&iacute;duo passa a ser o valor central. A concep&ccedil;&atilde;o do sujeito dotado de autonomia e liberdade foi a condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade hist&oacute;rico-filos&oacute;fica para que emergisse a ideia de viol&ecirc;ncia sexual. No plano pol&iacute;tico, a ideia de viol&ecirc;ncia sexual se torna mais evidente e passa a integrar a agenda social com a mobiliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais, especialmente o feminista e o homossexual, nas d&eacute;cadas de 1960 e 1970. Eles passam a dizer que a quest&atilde;o central para definir a legitimidade de um comportamento sexual &eacute; o consentimento, que diz respeito &agrave; autonomia e &agrave; liberdade dos indiv&iacute;duos. &Eacute; na esteira desses movimentos que surge, mais recentemente, a concep&ccedil;&atilde;o de direitos sexuais, um novo regime de regula&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica da sexualidade que tem como principal modelo normativo n&atilde;o mais o sexo heterossexual e reprodutivo, mas o sexo respons&aacute;vel, seguro e consentido.<\/p>\n<p><b>E de que forma crian&ccedil;as e adolescentes foram integrados a tal modelo de regula&ccedil;&atilde;o?<\/b><\/p>\n<p>Esse processo faz com que crian&ccedil;as e adolescentes, que n&atilde;o s&atilde;o considerados sujeitos plenamente livres e respons&aacute;veis, n&atilde;o fossem vistos como aptos a consentir com discernimento suficiente. Portanto, s&atilde;o merecedores de uma aten&ccedil;&atilde;o particular que envolve comportamentos sexuais. S&atilde;o sujeitos que devem ser protegidos. S&atilde;o sujeitos de direitos especiais, que, por um lado, tem algum n&iacute;vel de autonomia, mas, por outro, exigem tutela.<\/p>\n<p>O que predomina especialmente no campo da sexualidade &eacute; a prote&ccedil;&atilde;o. No contexto em que h&aacute;, de um lado, cada vez mais liberaliza&ccedil;&atilde;o sexual, e, do outro, maior aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sexualidade de crian&ccedil;as como uma quest&atilde;o problem&aacute;tica e potencialmente perigosa, algumas correntes mais conservadoras conseguiram trazer para o plano pol&iacute;tico a ideia da amea&ccedil;a das pervers&otilde;es. No plano pol&iacute;tico, a quest&atilde;o dos direitos da inf&acirc;ncia e da viol&ecirc;ncia sexual infantil foi se consolidando na agenda internacional. Por causa de movimentos conservadores, a agenda foi invadida pela no&ccedil;&atilde;o de pedofilia. Eles deslocaram a aten&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o das desigualdades, do abuso e da explora&ccedil;&atilde;o, para a no&ccedil;&atilde;o das pervers&otilde;es.<\/p>\n<p><b>A pornografia infantil, ent&atilde;o, serviu como um dos meios para justificar a l&oacute;gica das pervers&otilde;es que d&atilde;o um sentido social &agrave; pedofilia?<\/b><\/p>\n<p>Sim, embora n&atilde;o seja o &uacute;nico elemento utilizado para definir pedofilia. O combate &agrave; pornografia infantil na internet acompanhou o processo de surgimento e desenvolvimento r&aacute;pido das novas tecnologias. Os &oacute;rg&atilde;os da lei intensificaram as opera&ccedil;&otilde;es, tornando p&uacute;blica a quest&atilde;o da sexualidade infantil e jovem. Isso abriu espa&ccedil;o para novos temores sexuais, novos p&acirc;nicos sexuais ou morais, manejados por setores conservadores. A sexualidade infantil &eacute; uma porta de entrada privilegiada para tais discursos, porque se outras formas de comportamentos sexuais ganharam legitimidade pol&iacute;tica, a quest&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o com crian&ccedil;as &eacute; un&acirc;nime de que &eacute; um problema.<\/p>\n<p>Tais discursos est&atilde;o articulados a outros eventos e ganham sentido e relev&acirc;ncia no contexto hist&oacute;rico. Antes da CPI da Pedofilia, tiveram outras comiss&otilde;es parlamentares que trabalhavam com a tem&aacute;tica da inf&acirc;ncia e da sexualidade. No in&iacute;cio dos anos 1990, teve uma CPI da Prostitui&ccedil;&atilde;o Infantil; no in&iacute;cio dos anos 2000, houve a CPI da Explora&ccedil;&atilde;o Sexual de Crian&ccedil;as e Adolescentes. Desde o final dos anos 1990, o governo e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil promovem campanhas nacionais contra o abuso e a explora&ccedil;&atilde;o sexual infanto-juvenil no pa&iacute;s, associadas &agrave; agenda pol&iacute;tica mais ampla dos direitos das crian&ccedil;as e dos adolescentes. Ent&atilde;o, outras categorias aparecem para cruzar inf&acirc;ncia e sexualidade.<\/p>\n<p>A categoria pedofilia &eacute; recente, popularizou-se no campo pol&iacute;tico ap&oacute;s a CPI da Pedofilia, cujos trabalhos centraram-se fortemente na pornografia infantil. Dessa forma, novos sentidos para a pedofilia foram articulados, mostrando como seus significados s&atilde;o fruto de conting&ecirc;ncias e processos hist&oacute;ricos.<\/p>\n<p><b>Que outros elementos d&atilde;o inteligibilidade social para a pedofilia?<\/b><\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; s&oacute; por meio da pornografia que se conceitua pedofilia. A pedofilia &eacute; uma categoria ampla. Muitas vezes eu leio sobre &ldquo;crimes de pedofilia&rdquo; na imprensa, mas n&atilde;o sei especificamente do que se trata, se &eacute; explora&ccedil;&atilde;o sexual comercial, abuso sexual ou pornografia de menores de 18 anos na internet.<\/p>\n<p>A pedofilia, originalmente, &eacute; uma categoria da psiquiatria utilizada para designar a presen&ccedil;a de desejos e fantasias sexuais envolvendo crian&ccedil;as pr&eacute;-p&uacute;beres, que podem ou n&atilde;o se atualizar em comportamentos definidos como criminosos. Socialmente, no entanto, de acordo com pesquisa que fiz com material de m&iacute;dia impressa, vi como a pedofilia surgia associada a abuso sexual infantil quando perpetrado por pessoa de status social elevado ou por estrangeiros. Era assim que abuso sexual se confundia com pedofilia. Eram m&eacute;dicos, advogados, padres, pol&iacute;ticos e turistas. Quando o abuso se dava dentro da fam&iacute;lia, o termo pedofilia n&atilde;o era acionado. Aparecia abuso sexual ou estupro.<\/p>\n<p><b>H&aacute; v&aacute;rios n&uacute;cleos verbais para definir pedofilia. Podemos falar de um conceito poliss&ecirc;mico, n&atilde;o apenas geracional, mas tamb&eacute;m relativo a espa&ccedil;os nos quais ocorre?<\/b><\/p>\n<p>Sim. E &eacute; interessante ver como a pornografia infantil ganha notoriedade t&atilde;o evidente. As preocupa&ccedil;&otilde;es em torno da pornografia tendem a ser baseadas em um borramento das fronteiras entre representa&ccedil;&otilde;es visuais, fantasias e atos sexuais. A pornografia infantil se destaca por ser um ind&iacute;cio de interesse er&oacute;tico por crian&ccedil;a. Quem produz ou consome as imagens teria uma atra&ccedil;&atilde;o sexual por crian&ccedil;as. Ou seja, o olhar do ped&oacute;filo j&aacute; &eacute;, em certo sentido, um ato criminoso, concep&ccedil;&atilde;o que tem a ver com a explica&ccedil;&atilde;o patol&oacute;gica para a pedofilia &ndash; a presen&ccedil;a de desejo e fantasia envolvendo crian&ccedil;as pr&eacute;-p&uacute;beres. A pornografia &eacute; um ind&iacute;cio de pedofilia; no &acirc;mbito criminal, &eacute; um ind&iacute;cio de periculosidade, o que justifica a atua&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as policiais para deter aquele que &eacute; potencialmente um abusador de crian&ccedil;as. Essas coisas acabam se misturando e contribuem para uma concep&ccedil;&atilde;o fluida da pedofilia. Uma categoria que eu chamo de englobante, que, inclusive, n&atilde;o est&aacute; prevista no nosso C&oacute;digo Penal e nem no Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente, que estipulam diversos crimes sexuais envolvendo crian&ccedil;as, mas n&atilde;o utilizam a categoria pedofilia.<\/p>\n<p>Houve um projeto de lei que tinha como o objetivo criar o crime de estupro mediante pedofilia, que seria o que hoje &eacute; o tipo penal do estupro de vulner&aacute;vel, que criminaliza pr&aacute;ticas sexuais com menores de 14 anos. A proposta desatou uma grande discuss&atilde;o sobre se seria adequada a inclus&atilde;o da categoria de pedofilia em uma lei penal. N&atilde;o prosperou, pois haveria problemas jur&iacute;dicos ao classificar como crime uma categoria da psiquiatria: a lei penal condena comportamentos, atos; n&atilde;o se pode condenar tra&ccedil;os da personalidade.<\/p>\n<p><b>A condena&ccedil;&atilde;o de tra&ccedil;os da personalidade ou de desejos que embasa um dos sentidos da pedofilia &eacute; uma no&ccedil;&atilde;o bastante foucaultiana, n&atilde;o?<\/b><\/p>\n<p>Sim, est&aacute; ligada &agrave;s diversas formas de controle e vigil&acirc;ncia da vida em suas diversas dimens&otilde;es, como a psiqui&aacute;trica e a m&eacute;dica. Tais formas de controle ganham sentido tamb&eacute;m por meio de classifica&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas. Existe todo um esfor&ccedil;o para se justificar a criminaliza&ccedil;&atilde;o. O argumento &eacute; que a pornografia est&aacute; ligada ao abuso sexual de crian&ccedil;as, que tais imagens alimentam a tara do sujeito. Minha tese &eacute; de que o que efetivamente fundamenta as regula&ccedil;&otilde;es sobre pornografia &eacute; o medo dos perigos que certas fantasias e desejos sexuais representam.<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pornografia infantil, as condutas tipificadas criminalmente s&atilde;o produzir, vender, divulgar, possuir, armazenar pornografia infantil. Na linguagem comum e mesmo no discurso de autoridades p&uacute;blicas, esses diferentes atos s&atilde;o vulgarmente definidos a partir da no&ccedil;&atilde;o englobante de &ldquo;crimes de pedofilia&rdquo;. Por que tais condutas e desejos devem ser penalizados? Fui atr&aacute;s das l&oacute;gicas que justificam tais medidas. A produ&ccedil;&atilde;o &eacute; mais evidente, porque a produ&ccedil;&atilde;o da pornografia infantil est&aacute; ligada diretamente ao abuso. Agora, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; posse ou armazenamento, entramos no terreno do borramento, em que est&aacute; se presumindo que possuir tais imagens equivale a enquadrar o sujeito como virtual abusador.<\/p>\n<p>Outro argumento que tamb&eacute;m entra em cena para punir os consumidores &eacute; de ordem econ&ocirc;mica. As pessoas que consomem as imagens alimentariam uma cadeia que envolve abuso de crian&ccedil;as. A demanda e a oferta, nesse sentido, se articulam na manuten&ccedil;&atilde;o de uma rede de abuso sexual infantil e um mercado de explora&ccedil;&atilde;o sexual comercial de crian&ccedil;as.<\/p>\n<p><b>Como que se d&aacute; a an&aacute;lise das imagens?<\/b><\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, para afirmar que uma imagem &eacute; pornografia infanto-juvenil, &eacute; necess&aacute;rio identificar as pessoas que est&atilde;o na cena. Isso &eacute; muito incipiente, pois &eacute; dif&iacute;cil localizar as pessoas presentes na cena, j&aacute; que as opera&ccedil;&otilde;es policiais se baseiam em imagens que circulam na internet, que na maior parte das vezes n&atilde;o se sabe de onde originalmente vieram. A idade dos jovens &eacute; definida pela apar&ecirc;ncia. Este crit&eacute;rio tem que ser categ&oacute;rico e mostrar inquestionavelmente que h&aacute; um jovem menor de idade. Uma possibilidade s&oacute; poss&iacute;vel em corpos imp&uacute;beres. O que predominantemente se faz &eacute; investigar o crime apenas quando as crian&ccedil;as que participam das cenas pornogr&aacute;ficas podem ser consideradas inequivocamente como tais pelas imagens.<\/p>\n<p>O que eu fiz foi uma etnografia do olhar, para tentar ver como os policiais analisavam as imagens. Isso &eacute; parte fundamental da constru&ccedil;&atilde;o do problema, pois a pedofilia &eacute; resultado de opera&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas e administrativas cotidianas.<\/p>\n<p><b>Quais os efeitos que a cruzada antipedofilia, baseada nesse jogo poliss&ecirc;mico de sentidos, tem na pr&aacute;tica?<\/b><\/p>\n<p>Analisando a genealogia e as agendas relacionadas &agrave; quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia sexual contra crian&ccedil;as, eu percebi que houve, a partir da problem&aacute;tica da pedofilia pelo vi&eacute;s da pornografia, um deslocamento da aten&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, que antes estava mais direcionada &agrave; quest&atilde;o das desigualdades, das vulnerabilidades e &agrave; estrutura patriarcal que torna mulheres e crian&ccedil;as mais suscet&iacute;veis &agrave; viol&ecirc;ncia. No momento atual, com a no&ccedil;&atilde;o de pedofilia, houve um redirecionamento do eixo simb&oacute;lico que organiza os sentidos da viol&ecirc;ncia sexual contra crian&ccedil;as para a amea&ccedil;a das pervers&otilde;es. Entretanto, essa cruzada antipedofilia acaba por proteger menos as crian&ccedil;as de carne e osso do que um ideal de inf&acirc;ncia. As imagens, muitas vezes chocantes, trazem uma representa&ccedil;&atilde;o polu&iacute;da da inf&acirc;ncia, maculando um ideal historicamente constru&iacute;do sobre essa etapa da vida associado &agrave; pureza e &agrave; inoc&ecirc;ncia infantil. Essas viola&ccedil;&otilde;es s&atilde;o compreendidas, portanto, mais sob a &oacute;tica da idealiza&ccedil;&atilde;o moral da inf&acirc;ncia do que dos direitos. H&aacute; uma &ecirc;nfase no aspecto da monstruosidade, e n&atilde;o apenas em rela&ccedil;&atilde;o aos que cometem a viol&ecirc;ncia. As crian&ccedil;as que aparecem como v&iacute;timas nas cenas pornogr&aacute;ficas tamb&eacute;m s&atilde;o vistas, de certa maneira, como pequenos monstros, ao serem representadas como inf&acirc;ncias pervertidas e perigosamente sexualizadas. A inf&acirc;ncia torna-se monstruosa. Talvez n&atilde;o seja esse o caminho mais adequado para se garantir os direitos de crian&ccedil;as e adolescentes.<\/p>\n<p>A &ecirc;nfase na inoc&ecirc;ncia acaba por aumentar a vulnerabilidade de crian&ccedil;as e adolescentes em rela&ccedil;&otilde;es sexuais intergeracionais e outras intera&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas, tanto por desviar o foco de outras formas de abuso, de outras rela&ccedil;&otilde;es de poder que n&atilde;o passam necessariamente pela sexualidade, quanto por excluir do direito de prote&ccedil;&atilde;o meninas e meninos que j&aacute; perderam a &ldquo;pureza infantil&rdquo;, como temos visto em algumas decis&otilde;es judiciais. Dessa forma, acaba-se por aumentar as assimetrias entre adultos e crian&ccedil;as e tamb&eacute;m entre inf&acirc;ncias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tesis de doctorado de la antrop\u00f3loga Laura Lowenkron analiza las operaciones simb\u00f3licas y pol\u00edticas que han modelado las definiciones sobre la pedofilia. Entre los m\u00faltiples sentidos de la categor\u00eda, ha prevalecido la idea de que manifestaciones de deseo, por s\u00ed solas, ya expresan peligros que deben ser controlados criminalmente. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1435,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1434","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Deseo criminalizado - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Deseo criminalizado - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Tesis de doctorado de la antrop\u00f3loga Laura Lowenkron analiza las operaciones simb\u00f3licas y pol\u00edticas que han modelado las definiciones sobre la pedofilia. Entre los m\u00faltiples sentidos de la categor\u00eda, ha prevalecido la idea de que manifestaciones de deseo, por s\u00ed solas, ya expresan peligros que deben ser controlados criminalmente. (Texto en portugu\u00e9s)\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2012-09-19T03:00:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/05\/9855_laura_lowenkron2.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"130\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"130\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"fw2\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"fw2\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tiempo de lectura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"16 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/\",\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/\",\"name\":\"Deseo criminalizado - CLAM - ES\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/05\/9855_laura_lowenkron2.jpg\",\"datePublished\":\"2012-09-19T03:00:00+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"es\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/05\/9855_laura_lowenkron2.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/05\/9855_laura_lowenkron2.jpg\",\"width\":130,\"height\":130},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Deseo criminalizado\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website\",\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/\",\"name\":\"CLAM - ES\",\"description\":\"S\u00f3 mais um site CLAM - Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos sites\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"es\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010\",\"name\":\"fw2\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"fw2\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/clam.fw2web.com.br\"],\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/author\/fw2\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Deseo criminalizado - CLAM - ES","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/","og_locale":"es_ES","og_type":"article","og_title":"Deseo criminalizado - CLAM - ES","og_description":"Tesis de doctorado de la antrop\u00f3loga Laura Lowenkron analiza las operaciones simb\u00f3licas y pol\u00edticas que han modelado las definiciones sobre la pedofilia. Entre los m\u00faltiples sentidos de la categor\u00eda, ha prevalecido la idea de que manifestaciones de deseo, por s\u00ed solas, ya expresan peligros que deben ser controlados criminalmente. (Texto en portugu\u00e9s)","og_url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/","og_site_name":"CLAM - ES","article_published_time":"2012-09-19T03:00:00+00:00","og_image":[{"width":130,"height":130,"url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/05\/9855_laura_lowenkron2.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"fw2","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"fw2","Tiempo de lectura":"16 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/","url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/","name":"Deseo criminalizado - CLAM - ES","isPartOf":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/05\/9855_laura_lowenkron2.jpg","datePublished":"2012-09-19T03:00:00+00:00","author":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/#breadcrumb"},"inLanguage":"es","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/#primaryimage","url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/05\/9855_laura_lowenkron2.jpg","contentUrl":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/05\/9855_laura_lowenkron2.jpg","width":130,"height":130},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/deseo-criminalizado\/1434\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/clam.org.br\/es\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Deseo criminalizado"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website","url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/","name":"CLAM - ES","description":"S\u00f3 mais um site CLAM - Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos sites","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/clam.org.br\/es\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"es"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010","name":"fw2","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g","caption":"fw2"},"sameAs":["https:\/\/clam.fw2web.com.br"],"url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/author\/fw2\/"}]}},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/05\/9855_laura_lowenkron2.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1434","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1434"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1434\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1435"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1434"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1434"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1434"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}