{"id":1436,"date":"2012-10-17T00:00:00","date_gmt":"2012-10-17T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2012\/10\/17\/es-necesario-repolitizar-el-sida\/"},"modified":"2012-10-17T00:00:00","modified_gmt":"2012-10-17T03:00:00","slug":"es-necesario-repolitizar-el-sida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/es-necesario-repolitizar-el-sida\/1436\/","title":{"rendered":"\u201cEs necesario repolitizar el Sida\u201d"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"254\" vspace=\"5\" hspace=\"5\" height=\"300\" align=\"left\" src=\"\/uploads\/imagem\/Ribbon.png\" alt=\"\" \/>&ldquo;A epidemia n&atilde;o acabou. Estabiliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o basta&rdquo;<\/i>,  ressaltou o antrop&oacute;logo Richard Parker durante uma Confer&ecirc;ncia sobre os  30 anos de Aids e os desafios pol&iacute;ticos da epidemia no Brasil e no  mundo, realizada no Instituto de Medicina Social (IMS\/UERJ) no dia 11 de  outubro. Refer&ecirc;ncia para os estudos sobre sexualidade e sobre o impacto  causado pelo HIV\/AIDS no Brasil nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, Parker  lembrou que o maior legado da epidemia foi a constru&ccedil;&atilde;o do campo hoje  conhecido como &ldquo;sa&uacute;de global&rdquo;.<\/p>\n<p>Professor titular da Mailman School of Public Health da Universidade  de Columbia, em Nova Iorque (EUA), pesquisador visitante do Instituto de  Medicina Social (IMS\/UERJ) at&eacute; 2014 e autor de livros importantes &ndash;  como &ldquo;Corpos, Prazeres e Paix&otilde;es: Cultura Sexual no Brasil  Contempor&acirc;neo&rdquo; (1991); &ldquo;Na Contram&atilde;o da AIDS: Sexualidade, Interven&ccedil;&atilde;o,  Pol&iacute;tica&rdquo; (2000) e &ldquo;Abaixo do Equador: Culturas de Desejo,  Homossexualidade Masculina, e Comunidade Gay no Brasil&rdquo; (2002) &ndash; o  antrop&oacute;logo tem se dedicado, desde os anos 1980, tanto na academia  quanto no movimento social da AIDS, &agrave; an&aacute;lise de diferentes dimens&otilde;es da  sexualidade no Brasil, desde o comportamento sexual, at&eacute; as condi&ccedil;&otilde;es  de vulnerabilidade e as respostas sociais aos desafios impostos pela  epidemia do HIV.<\/p>\n<p>No in&iacute;cio da d&eacute;cada de 90, como professor no Instituto de Medicina  Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS\/UERJ), criou o  Programa de Estudos em Sexualidade, G&ecirc;nero e Sa&uacute;de, iniciativa que  possibilitou a cria&ccedil;&atilde;o de importantes projetos, incluindo o CLAM. Em  1992, foi chefe da Unidade de Preven&ccedil;&atilde;o do Programa Nacional de AIDS. De  1993 a 1996, pertenceu ao Comit&ecirc; Nacional de Pesquisa de Vacina de  HIV\/AIDS, e de 2000 a 2003, foi membro do Comit&ecirc; Nacional de Pesquisa em  HIV\/AIDS, do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (MS). De 1992 a 1995, foi  coordenador-geral da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira Interdisciplinar de AIDS  (ABIA), onde atualmente ocupa o cargo de Presidente. &Eacute; tamb&eacute;m  co-coordenador do Observat&oacute;rio de Sexualidade e Pol&iacute;tica (SPW).<\/p>\n<p>Com a experi&ecirc;ncia de ter atuado na triangula&ccedil;&atilde;o da Academia,  movimento social e governo, Richard Parker apontou, durante a  Confer&ecirc;ncia, a import&acirc;ncia da sociedade civil na resposta frente &agrave;  epidemia no cen&aacute;rio atual, de aparente estabiliza&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a.&nbsp;<i>&ldquo;O  Programa de Aids brasileiro, que outrora teve um papel de lideran&ccedil;a em  escala global, encontra-se em pleno decl&iacute;nio, e isso &eacute; preocupante. O  Brasil abandonou seu protagonismo na pol&iacute;tica de resposta frente a Aids.  &Eacute; necess&aacute;rio repolitizar a quest&atilde;o dentro das ONGs, da sociedade civil e  do governo, voltar para as ruas, trazer o tema novamente para a arena  de debates. Estamos menos vigilantes&rdquo;<\/i>, avalia ele, na entrevista a seguir.<\/p>\n<p><b>A Aids foi muito debatida e problematizada, especialmente nas duas  primeiras d&eacute;cadas ap&oacute;s seu surgimento. Trinta anos depois, a  mobiliza&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica contra a doen&ccedil;a parece estar estagnada.  Pode-se dizer que ela saiu de moda?<\/b><\/p>\n<p>De certa forma, sim. Certamente, muito da energia ativista dos anos  1980 e 1990 est&aacute; bem menor hoje em dia. Em alguns casos, essa energia  est&aacute; sendo canalizada para outras quest&otilde;es afins. Nos anos 1990, pessoas  LGBT tinham muito mais probabilidade de entrar na mobiliza&ccedil;&atilde;o da Aids.  Hoje em dia, com o crescimento do movimento LGBT e o aumento de suas  organiza&ccedil;&otilde;es, as pessoas est&atilde;o migrando para este movimento. O  esvaziamento do campo da Aids aconteceu porque ficamos acomodados, de  certa forma. Achamos que t&iacute;nhamos conseguido montar uma estrat&eacute;gia de  controle muito boa e que isso era uma batalha vencida. Assim, ficamos  menos atentos, menos vigilantes.<\/p>\n<p><b>A doen&ccedil;a deixou de fazer parte da agenda do movimento LGBT?<\/b><\/p>\n<p>Eu diria que o movimento LGBT est&aacute; fazendo muito menos do que deveria  neste campo. A Aids &eacute; uma quest&atilde;o quase inexistente no Plano Nacional  de Direitos LGBT. Ela aparece apenas duas vezes, timidamente, o que &eacute;  uma pena, por que muita coisa ainda precisa ser feita. Est&aacute; certo que a  Aids n&atilde;o &eacute; uma epidemia que diga respeito somente aos homossexuais. Ela  atinge a todas as pessoas, mas continua a ter um impacto muito grande  nas pessoas homossexuais, especialmente entre os gays e as travestis.  Ent&atilde;o, dizer que n&atilde;o se trata de uma epidemia estritamente gay n&atilde;o  significa dizer que os gays deveriam se despreocupar. &Eacute; uma agenda que  deve ser reincorporada, pois n&atilde;o est&aacute; sendo priorizada pelo movimento.&nbsp;<\/p>\n<p><b>O que o senhor acha que se deve fazer para a quest&atilde;o voltar a ocupar o espa&ccedil;o que sempre ocupou?<\/b><\/p>\n<p>&Eacute; preciso repolitizar a Aids, isto &eacute;, voltar para as ruas, trazer o  tema novamente para a arena de debates. A tend&ecirc;ncia atual &eacute; que  institui&ccedil;&otilde;es oficiais e governamentais ou atores da sociedade civil  tratem a epidemia como uma quest&atilde;o meramente t&eacute;cnica. Mas n&atilde;o &eacute;. &Eacute;  sempre uma quest&atilde;o pol&iacute;tica, tudo que tem a ver com programas de Aids  tem a ver com pol&iacute;tica. Em 1996, t&iacute;nhamos a certeza da efic&aacute;cia de  tratamentos antirretrovirais. Dezesseis anos depois ainda n&atilde;o  conseguimos garantir acesso aos medicamentos para todas as pessoas no  mundo que precisam, por causa de barreiras pol&iacute;ticas. Ent&atilde;o, todas as  quest&otilde;es que parecem ter solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas dependem de pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>E todas as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas precisam ser trabalhadas para ter o  tipo de resultado que desejamos. &Eacute; preciso debater quais s&atilde;o as  pol&iacute;ticas que queremos e como iremos constru&iacute;-las. Foi s&oacute; por causa de  uma ampla alian&ccedil;a entre diversos movimentos sociais (da reforma  sanit&aacute;ria, homossexual, feminista, ativistas soropositivos) que  conseguimos por em pr&aacute;tica programas e pol&iacute;ticas progressistas frente &agrave;  epidemia de Aids no Brasil. Isso foi uma grande conquista. Mas para  manter esta perspectiva progressista baseada no respeito aos direitos  humanos e na justi&ccedil;a social, &eacute; preciso recri&aacute;-la todos os dias. &Eacute;  importante ter isto em mente na medida em que a Aids, em alguns setores,  ficou banalizada. Temos que voltar a politizar a epidemia.<\/p>\n<p><b>O senhor diria que a introdu&ccedil;&atilde;o das terapias antirretrovirais  combinadas, em 1996, al&eacute;m de possibilitar que as pessoas soropositivas  vivessem mais, trouxe tamb&eacute;m uma ideia de estabiliza&ccedil;&atilde;o e conseq&uuml;ente  banaliza&ccedil;&atilde;o da epidemia? Podemos falar que houve a&iacute; um b&ocirc;nus e um &ocirc;nus?<\/b><\/p>\n<p>Certamente. Por um lado, havia muito mais &ecirc;nfase na mudan&ccedil;a de  comportamento para reduzir riscos antes da era dos antirretrovirais. Em  diversos lugares do mundo, com o acesso a esses medicamentos, a Aids  passou a ser vista como uma doen&ccedil;a cr&ocirc;nica, menos preocupante. Algumas  pessoas passaram a encar&aacute;-la como uma DST qualquer, e abandonaram os  meios de preven&ccedil;&atilde;o, como a camisinha. Pensaram:&nbsp;<i>&ldquo;Se nos infectarmos, temos tratamento&rdquo;.<\/i><\/p>\n<p>&Eacute; uma vis&atilde;o restrita das coisas, afinal, ningu&eacute;m quer viver com  doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas que s&atilde;o poss&iacute;veis de evitar. N&atilde;o &eacute; legal tomar rem&eacute;dios  para o resto da vida, seja para diab&eacute;ticos ou soropositivos. Isto tem  efeitos negativos na qualidade de vida, al&eacute;m de custos altos para a  pessoa e para o Estado. &Eacute; uma complac&ecirc;ncia contra a qual precisamos  lutar.<\/p>\n<p><b>O que se pode fazer para reverter isso?<\/b><\/p>\n<p>Mobiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Como disse anteriormente, &eacute; necess&aacute;rio  repolitizar a quest&atilde;o da Aids dentro das ONGs, da sociedade civil e do  governo. O governo tem a obriga&ccedil;&atilde;o de melhorar as campanhas. O que  aconteceu no &uacute;ltimo carnaval, com a retirada da campanha publicit&aacute;ria  voltada para popula&ccedil;&atilde;o LGBT, foi um retrocesso muito grande.<\/p>\n<p>A sociedade civil, nos anos 1990, agia com mais ousadia. Havia um  ativismo cultural tentando esticar os limites. Eu acho que a sociedade  civil tem ficado menos ousada, e mais acomodada.<\/p>\n<p><b>Como avalia atualmente o Programa brasileiro de Ais, que se tornou refer&ecirc;ncia no mundo desde seu in&iacute;cio?<\/b><\/p>\n<p>Desde 1998, o Programa tem sido refer&ecirc;ncia, muitas vezes chamado de  programa modelo. No entanto, temos visto que o programa tem prioridade  menor na pauta do atual governo, se compararmos com os governos de  Fernando Henrique Cardoso e de Lula. Acho que a Aids tinha prioridade  maior, recebendo mais aten&ccedil;&atilde;o dentro do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, dentro da  pr&oacute;pria Presid&ecirc;ncia. N&atilde;o temos visto isso no governo Dilma, o que faz  com que o programa seja menos pioneiro. Novas quest&otilde;es t&ecirc;m surgido, como  as novas tecnologias de preven&ccedil;&atilde;o. Mas n&atilde;o vejo o governo debatendo  essas quest&otilde;es emergentes.<\/p>\n<p><b>Que outras defici&ecirc;ncias o senhor v&ecirc; no programa?<\/b><\/p>\n<p>A incorpora&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es de Aids dentro do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de.  Durante muito tempo, o programa de Aids foi um programa muito vertical,  recebendo muitos recursos adicionais atrav&eacute;s dos empr&eacute;stimos do Banco  Mundial e de outros doadores. Isso foi muito criticado.<\/p>\n<p>A longo prazo, n&atilde;o h&aacute; outro caminho que n&atilde;o seja integrar a Aids  completamente ao SUS. Eu acho que muitas das dificuldades do atual  momento &ndash; como, por exemplo, o fornecimento dos medicamentos que &agrave;s  vezes &eacute; interrompido &ndash; refletem a dificuldade de fazer a Aids funcionar  dentro do SUS. Isso vem tamb&eacute;m da pr&oacute;pria dificuldade de se fazer o SUS  funcionar. N&atilde;o &eacute; culpa de pessoas espec&iacute;ficas, dos gestores, &eacute; um  desafio que o Brasil tem hoje em dia: viver o princ&iacute;pio da integralidade  centrada no SUS e integrar a Aids a ele.<\/p>\n<p>Acho muito improv&aacute;vel que no futuro vamos ter os recursos adicionais  que t&iacute;nhamos durante os anos 1990 e na primeira metade dos anos 2000,  como os recursos advindos do Banco Mundial. Isso est&aacute; sendo reduzido. A  crise financeira mundial est&aacute; dificultando tudo. Os pa&iacute;ses ricos que  financiam os empr&eacute;stimos n&atilde;o t&ecirc;m dinheiro para suas pr&oacute;prias  necessidades. Quando h&aacute; escassez, eles ficam mais conservadores em  rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas de coopera&ccedil;&atilde;o internacional.<\/p>\n<p><b>Com a mudan&ccedil;a na geopol&iacute;tica mundial, qual o papel dos pa&iacute;ses emergentes &ndash; como Brasil e &Iacute;ndia &ndash; em rela&ccedil;&atilde;o &aacute; sa&uacute;de global?<\/b><\/p>\n<p>Pa&iacute;ses como Brasil, &Iacute;ndia, China, R&uacute;ssia e &Aacute;frica do Sul t&ecirc;m um papel  absolutamente fundamental. O Brasil, em particular, escolheu a sa&uacute;de  como uma &aacute;rea onde queria agir no palco global. E foi um protagonista em  propor pol&iacute;ticas de Aids mais progressistas. Representou um contraponto  ao conservadorismo dos EUA durante o governo Bush. Por exemplo, nas  negocia&ccedil;&otilde;es sobre Doha (2001), o Brasil foi um ator fundamental na  diplomacia de sa&uacute;de global. Avan&ccedil;ou v&aacute;rias causas, como o acesso a  medicamentos mais baratos. Mas, no geral, n&atilde;o tem sido uma prioridade a  quest&atilde;o da Aids nos f&oacute;runs internacionais.<\/p>\n<p><b>A que atribui o fato de a pol&iacute;tica de Aids ter deixado de ser prioridade no atual governo brasileiro?<\/b><\/p>\n<p>No n&iacute;vel dom&eacute;stico, a minha leitura &eacute; muito clara: tem-se tentado  apaziguar e satisfazer a bancada evang&eacute;lica e a Igreja Cat&oacute;lica, enfim,  as for&ccedil;as conservadoras religiosas que podem gerar votos. &Eacute; pol&iacute;tica  pura e simples. Atribuo tamb&eacute;m &agrave; domestica&ccedil;&atilde;o dos movimentos ativistas  pelo governo, isto &eacute;, ao fato de o governo ter cooptado boa parte dos  ativistas que fizeram parte do movimento da Aids, incorporando-os em  cargos t&eacute;cnicos. Isto quer dizer que o governo j&aacute; tem os votos dos  setores interessados nas quest&otilde;es de Aids e direitos sexuais. Por causa  deste movimento de agradar aos setores religiosos, o governo est&aacute;  deixando de lado a tradi&ccedil;&atilde;o de patrocinar pol&iacute;ticas progressistas com  rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Aids, e aos direitos sexuais e reprodutivos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEl Programa de Sida brasile\u00f1o est\u00e1 en declive, y eso es preocupante. Es necesario repolitizar la cuesti\u00f3n dentro de la sociedad civil y del gobierno, volver a las calles, traer el tema nuevamente a la arena de debate\u00bb, eval\u00faa el antrop\u00f3logo Richard Parker en esta entrevista sobre los 30 a\u00f1os del Sida y los desaf\u00edos pol\u00edticos de la epidemia en Brasil y el mundo. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1437,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1436","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u201cEs necesario repolitizar el Sida\u201d - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/es-necesario-repolitizar-el-sida\/1436\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u201cEs necesario repolitizar el Sida\u201d - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"\u201cEl Programa de Sida brasile\u00f1o est\u00e1 en declive, y eso es preocupante. 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