{"id":1438,"date":"2012-11-07T00:00:00","date_gmt":"2012-11-07T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2012\/11\/07\/lupus-los-sentidos-del-malestar-femenino\/"},"modified":"2012-11-07T00:00:00","modified_gmt":"2012-11-07T02:00:00","slug":"lupus-los-sentidos-del-malestar-femenino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/lupus-los-sentidos-del-malestar-femenino\/1438\/","title":{"rendered":"Lupus: los sentidos del malestar femenino"},"content":{"rendered":"<p>A obra de Michel Foucault se destaca, entre outros aspectos, por apontar a dimens&atilde;o simb&oacute;lica que os eventos biol&oacute;gicos adquirem e mostrar como isso ganha certos significados que est&atilde;o presentes na vida cotidiana, nas institui&ccedil;&otilde;es e nos discursos. Rela&ccedil;&otilde;es de poder s&atilde;o for&ccedil;as que influenciam e regulam, por exemplo, o universo da sa&uacute;de. A pr&oacute;pria medicina, conforme o campo da Sa&uacute;de Coletiva aponta, &eacute; uma pr&aacute;tica tamb&eacute;m social. Os c&oacute;digos de g&ecirc;nero, por exemplo, encontram-se presentes no valor e nas no&ccedil;&otilde;es que muitas enfermidades adquirem.<\/p>\n<p>O L&uacute;pus, doen&ccedil;a cr&ocirc;nica autoimune que se caracteriza por um desequil&iacute;brio imunol&oacute;gico no qual as c&eacute;lulas de defesa, originalmente programadas para nos defender, acabam por atacar tecidos e &oacute;rg&atilde;os, tem grande incid&ecirc;ncia entre as mulheres. De cada dez casos, conforme pesquisas conduzidas pelo Hospital das Cl&iacute;nicas de S&atilde;o Paulo, nove atingem mulheres. Um dado que ultrapassa a esfera meramente biol&oacute;gica, ganhando contornos tamb&eacute;m sociais e simb&oacute;licos. Considerada rara, a doen&ccedil;a &ndash; que n&atilde;o tem uma causa conhecida &ndash; tem tratamento espec&iacute;fico que, se bem feito, permite &agrave;s pessoas uma vida normal.<\/p>\n<p>A psicanalista e cientista social Nadia Regina Loureiro de Barros Lima, atendendo pacientes no Hospital da Universidade Federal de Alagoas, come&ccedil;ou a observar os sentidos que o l&uacute;pus constitui na subjetividade das mulheres.<\/p>\n<p>H&aacute; cerca de 10 anos, ela montou o Grupo de Apoio &agrave;s Pessoas com L&uacute;pus (GAPL&uacute;pus), que busca divulgar conhecimento e conscientizar pacientes, parentes e comunidade do campo da sa&uacute;de sobre a doen&ccedil;a. Em que medida ser mulher, no Brasil, &eacute; um aspecto decisivo na constru&ccedil;&atilde;o social da doen&ccedil;a? De que maneira a psican&aacute;lise pode estar articulada para entender a dimens&atilde;o social e de g&ecirc;nero do l&uacute;pus? Buscando refletir sobre tais aspectos, Nadia Regina entrevistou 17 mulheres, pacientes do Ambulat&oacute;rio Multidisciplinar de L&uacute;pus do Hospital do A&ccedil;&uacute;car de Macei&oacute; (AL). O resultado da pesquisa est&aacute; no livro&nbsp;<i>&ldquo;L&uacute;pus: o que dizem as mulheres? O adoecer feminino como uma inscri&ccedil;&atilde;o dos afetos no corpo&rdquo;<\/i>, lan&ccedil;ado recentemente. Em entrevista ao CLAM, a autora discute sua proposta de apreender a rela&ccedil;&atilde;o psicossocial entre a doen&ccedil;a e as mulheres.<\/p>\n<p><b>A doen&ccedil;a aparece em seu livro como mais do que um evento meramente biol&oacute;gico, a partir de um olhar de g&ecirc;nero. Que efeitos concretos, para al&eacute;m dos sintomas, o L&uacute;pus desperta nas mulheres?<\/b><\/p>\n<p>Em meu estudo, busco apreender o sentido do L&uacute;pus para as mulheres portadoras dessa afec&ccedil;&atilde;o e, nesse sentido, os estudo de g&ecirc;nero constituem a ferramenta te&oacute;rico-metodol&oacute;gica imprescind&iacute;vel. Entre os estudos realizados sobre o adoecer feminino a partir de um olhar de g&ecirc;nero, destacamos os de Susan Bordo e sua leitura foucaultiana do corpo (patologias de protesto) e o de Emilce Dio Bleichmar (feminismo espont&acirc;neo da histeria) e em ambas h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o existente entre corpo e poder. Assim sendo, longe de uma vis&atilde;o apenas biol&oacute;gica, o adoecer se fundamenta numa rede complexa de rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico-culturais. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; nossa an&aacute;lise, na busca do sentido do adoecer, entendemos que o sentido do L&uacute;pus &eacute; constru&iacute;do na rede discursiva tecida pelo fio patriarcal de g&ecirc;nero, ou seja, sob a &eacute;gide dos valores patriarcais, uma categoria historicamente dominante (os homens) tende a exercer seu dom&iacute;nio sobre uma outra (as mulheres) e seus corpos, particularmente pela via do controle da sexualidade e da reprodu&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica. Entre os efeitos do sentido discursivo patriarcal produzido nas mulheres portadoras de L&uacute;pus destacamos o medo da doen&ccedil;a (&#8230; que at&eacute; o nome &eacute; feio) e da morte (&#8230; p&acirc;nico, morrer logo, ser a pr&oacute;xima v&iacute;tima); a emerg&ecirc;ncia da hist&oacute;rica culpabilidade feminina (&#8230; o que &eacute; que eu fiz? por que eu?) ligada &agrave; cl&aacute;ssica tr&iacute;ade associativa &ldquo;doen&ccedil;a &ndash; pecado &ndash; culpa&rdquo;; a&ccedil;&otilde;es dirigidas ao ocultamento (do corpo, da doen&ccedil;a, da sexualidade) e ao afastamento do conv&iacute;vio social por se perceberem estigmatizadas.<\/p>\n<p><b>&Eacute; poss&iacute;vel fazer algum paralelo entre as implica&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas da incid&ecirc;ncia da doen&ccedil;a nas mulheres e a no&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e culturalmente constru&iacute;da de fragilidade da figura feminina?<\/b><\/p>\n<p>Os estudos de g&ecirc;nero, ao analisarem o adoecer feminino, v&ecirc;m trabalhando a rela&ccedil;&atilde;o entre corpo e poder e este, numa estrutura capitalista patriarcal, submete o feminino, fragilizando-o. Assim sendo, a partir de um olhar de g&ecirc;nero, o modo particular como determinadas doen&ccedil;as acontecem em mulheres, pode ser apreendido como efeito da constru&ccedil;&atilde;o discursiva da ordem patriarcal, pr&oacute;pria das condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas em que cada cultura vai moldando subjetividades.<\/p>\n<p>Nesse processo, a linguagem &eacute; constitutiva e vai nomeando e significando sujeitos, fatos, rela&ccedil;&otilde;es. Em nosso estudo, uma particularidade da doen&ccedil;a, cuja incid&ecirc;ncia &eacute; significativamente frequente em mulheres, &eacute; o fato da mesma ter um nome masculino de um animal feroz &ndash; L&uacute;pus &#8211; que, no imagin&aacute;rio coletivo aterroriza o feminino,submetendo-o. Isso acontece tanto na dimens&atilde;o simb&oacute;lica, produzindo um efeito de sentido amea&ccedil;ador, quanto na dimens&atilde;o biol&oacute;gica, pelos danos acarretados pela doen&ccedil;a no corpo.<\/p>\n<p><b>Que articula&ccedil;&otilde;es entre psican&aacute;lise e g&ecirc;nero ajudam a entender o sentido do adoecer para as mulheres investigadas?<\/b><\/p>\n<p>A leitura psicanal&iacute;tica oferece uma contribui&ccedil;&atilde;o fundamental para a apreens&atilde;o de nosso objeto de estudo &ndash; o sentido do adoecer de L&uacute;pus constru&iacute;do pelas mulheres &ndash; j&aacute; que seu foco de aten&ccedil;&atilde;o &eacute; direcionado para a linguagem na constitui&ccedil;&atilde;o das forma&ccedil;&otilde;es inconscientes. J&aacute; Freud dizia nos seus estudos sobre as psiconeuroses que, quando a palavra n&atilde;o vem, o sintoma aparece. Lacan, por sua vez, vai afirmar que o inconsciente &eacute; estruturado como uma linguagem e isso aponta para a relev&acirc;ncia do sentido discursivo do sujeito, enquanto posi&ccedil;&atilde;o de onde est&aacute; falando.<\/p>\n<p>Em se tratando do sujeito feminino, sua constru&ccedil;&atilde;o subjetiva &eacute; hist&oacute;rica e discursivamente constitu&iacute;da de modo diverso da masculina, em fun&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es sociais e posi&ccedil;&otilde;es de sujeito que assume na sociedade capitalista patriarcal. Ao buscar o sentido do adoecer de L&uacute;pus em mulheres, a partir do modo como estas constroem discursivamente a doen&ccedil;a, se faz necess&aacute;rio apreender seus dizeres tendo como refer&ecirc;ncia os subs&iacute;dios que a psican&aacute;lise oferece sobre a fun&ccedil;&atilde;o da sexualidade e dos mecanismos inconscientes no processo de constru&ccedil;&atilde;o subjetiva.<\/p>\n<p>Em fun&ccedil;&atilde;o disso, a contribui&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise &eacute; fundamental na apreens&atilde;o da subjetividade, enla&ccedil;amento do simb&oacute;lico nos seres humanos. Em minha an&aacute;lise, as articula&ccedil;&otilde;es com a psican&aacute;lise que contribuem para entender o sentido do adoecer para as mulheres investigadas se fazem pela via do simb&oacute;lico, seja com a psicossom&aacute;tica, seja com os estudos de g&ecirc;nero. Com a psicossom&aacute;tica, a partir de uma leitura lacaniana da l&oacute;gica significante (registros Real, Simb&oacute;lico, Imagin&aacute;rio\/ RSI), que entende a afec&ccedil;&atilde;o como um efeito direto dos afetos no corpo, uma &ldquo;falha epist&ecirc;mica&rdquo;, uma esp&eacute;cie de solu&ccedil;&atilde;o para um defeito de filia&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica. Os significantes nomeiam o corpo a partir dos registros RSI e a l&oacute;gica significante trabalha com a constru&ccedil;&atilde;o discursiva do sujeito ps&iacute;quico e, assim sendo, o adoecer &eacute; atravessado por dispositivos simb&oacute;licos, funcionando como um efeito de sentido.<\/p>\n<p>Entre os tra&ccedil;os a destacar nesse processo de produ&ccedil;&atilde;o de sentido como efeito discursivo da posi&ccedil;&atilde;o de sujeitos femininos, apontamos a quest&atilde;o das perdas e separa&ccedil;&otilde;es, instrinsecamente relacionada com o poder dos afetos e tamb&eacute;m com a eclos&atilde;o das afec&ccedil;&otilde;es psicossom&aacute;ticas. J&aacute; no que se refere &agrave; articula&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise com os estudos de g&ecirc;nero, a media&ccedil;&atilde;o pela via do simb&oacute;lico acontece visto que as forma&ccedil;&otilde;es de linguagem n&atilde;o s&oacute; precedem a exist&ecirc;ncia de homens e mulheres, mas os inserem em posi&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas muito antes de terem consci&ecirc;ncia de existirem.<\/p>\n<p><b>Ent&atilde;o, ser homem ou mulher &eacute; uma distin&ccedil;&atilde;o que pesa nas implica&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas de se estar doente?<\/b><\/p>\n<p>Sim. &Eacute; nesse sentido que a psicanalista Maria Rita Kehl afirma que &ldquo;homem&rdquo; e &ldquo;mulher&rdquo; s&atilde;o os primeiros significantes que nos designam logo que chegamos ao mundo. Como seres de linguagem, somos inscritos num grupo marcado, desde logo, por caracter&iacute;sticas comuns. Estas marcas apontam para um sentido atribu&iacute;do, sentido este que, mesmo sendo feito a partir de nossos corpos, &eacute; efeito (&ldquo;&eacute; feito&rdquo;) de um discurso j&aacute; previamente estabelecido: o discurso generizado.<\/p>\n<p>Assim sendo, se a posi&ccedil;&atilde;o masculina e feminina &eacute; da ordem do simb&oacute;lico, &eacute; esse elo simb&oacute;lico que vai permitir o di&aacute;logo estabelecido entre g&ecirc;nero e psican&aacute;lise pela produ&ccedil;&atilde;o feminista: as patologias de protesto como uma &ldquo;solu&ccedil;&atilde;o&rdquo; poss&iacute;vel diante do conflito estabelecido entre as mulheres e os mecanismos de controle que lhes imp&otilde;em padr&otilde;es de feminilidade, bem como o sentido da contradi&ccedil;&atilde;o (resist&ecirc;ncia e reprodu&ccedil;&atilde;o) embutido nessa busca de &ldquo;solu&ccedil;&atilde;o&rdquo;; a histeria como um feminismo espont&acirc;neo. Ao trabalhar a rela&ccedil;&atilde;o entre g&ecirc;nero, psican&aacute;lise e subjetividade, merecem destaque alguns pontos levantados sobre a condi&ccedil;&atilde;o do adoecer das mulheres nesse contexto patriarcal intrinsecamente relacionado com as rela&ccedil;&otilde;es de poder: repress&atilde;o sexual, divis&atilde;o dos espa&ccedil;os p&uacute;blico e privado, sendo este atribu&iacute;do ao feminino reinando nas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e familiares; tipos de poderes pr&oacute;prios a cada g&ecirc;nero, tradicionalmente se atribuindo ao masculino o poder racional e econ&ocirc;mico, enquanto ao feminino, o poder dos afetos, pela regula&ccedil;&atilde;o e controle das emo&ccedil;&otilde;es moldando a constru&ccedil;&atilde;o subjetiva feminina; a culpabilidade feminina; a vaidade das mulheres, resultante do lugar de objeto para o outro.<\/p>\n<p><b>A equipe que trata dessas mulheres &eacute; multidisciplinar. Qual a import&acirc;ncia de um acompanhamento das mulheres a partir de diferentes pontos de vista? Como se d&atilde;o as rela&ccedil;&otilde;es entre os profissionais envolvidos no tratamento?<\/b><\/p>\n<p>Entendendo o adoecer como um fen&ocirc;meno que diz respeito a uma totalidade biopsicosocial, a equipe multiprofissional vem responder &agrave; essa realidade, cuja premissa foi estabelecida por Hip&oacute;crates ao afirmar que &eacute; mais importante se preocupar com o doente do que com a doen&ccedil;a que a pessoa tem. Isso significa contemplar a unidade dial&eacute;tica soma &ndash; psych&eacute; constituinte do ser humano. Na experi&ecirc;ncia com o Grupo de apoio &agrave;s pessoas com L&uacute;pus (GapL&uacute;pus), a rela&ccedil;&atilde;o entre profissionais das &aacute;reas bio &ndash; psico &ndash; social acontece atrav&eacute;s do apoio disponibilizado ao grupo por ocasi&atilde;o das reuni&otilde;es e atendimento cl&iacute;nico; nas reuni&otilde;es, profissionais da sa&uacute;de realizam palestras sobre as implica&ccedil;&otilde;es do L&uacute;pus em diferentes &oacute;rg&atilde;os e sistemas do corpo, seguidas de questionamentos e esclarecimentos de d&uacute;vidas.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, s&atilde;o realizadas din&acirc;micas grupais tendo em vista trabalhar o aspecto emocional, o relacionamento interpessoal, a organiza&ccedil;&atilde;o grupal, esclarecimentos e informa&ccedil;&otilde;es sobre sa&uacute;de, direitos e cidadania. A abordagem educativa nos programas educativos de sa&uacute;de tem se mostrado um recurso efetivo, na medida em que busca a ades&atilde;o das pessoas enfermas ao tratamento. Isso acontece de modo producente com a atua&ccedil;&atilde;o de equipes multiprofissionais orientando sobre aspectos gerais da doen&ccedil;a, tratamento medicamentoso, exerc&iacute;cios, dietas, relaxamento, entre outros procedimentos educativos, no sentido de apontar para a constru&ccedil;&atilde;o de novos sentidos sobre o adoecer: problematizando o processo de constru&ccedil;&atilde;o do adoecimento, criando novas rela&ccedil;&otilde;es de estar no mundo e de lidar com a doen&ccedil;a. No caso do adoecer feminino, novas rela&ccedil;&otilde;es com o adoecer &ndash;&nbsp;<i>a dor &eacute; ser<\/i>&nbsp;-, oferecendo e se dando possibilidades para a dor deixar de ser, no feminino, o centro do ser.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enfermedad que ataca sobre todo a las mujeres, el lupus es tema del libro de la investigadora social y psicoanalista Nadia Regina Loureiro de Barros Lima. La autora analiza las dimensiones sociales y simb\u00f3licas de la enfermedad, buscando identificar, con perspectiva psiconal\u00edtica, los significados de g\u00e9nero que se articulan en el malestar y la subjetividad de estas mujeres.<i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1439,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1438","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Lupus: los sentidos del malestar femenino - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/lupus-los-sentidos-del-malestar-femenino\/1438\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Lupus: los sentidos del malestar femenino - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Enfermedad que ataca sobre todo a las mujeres, el lupus es tema del libro de la investigadora social y psicoanalista Nadia Regina Loureiro de Barros Lima. 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