{"id":1471,"date":"2013-07-24T00:00:00","date_gmt":"2013-07-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2013\/07\/24\/francisco-sigue-siendo-bergoglio\/"},"modified":"2013-07-24T00:00:00","modified_gmt":"2013-07-24T03:00:00","slug":"francisco-sigue-siendo-bergoglio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/francisco-sigue-siendo-bergoglio\/1471\/","title":{"rendered":"Francisco sigue siendo Bergoglio"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<i style=\"text-align: right; \"><a href=\"http:\/\/www.sxpolitics.org\/pt\/?p=3433\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">*entrevista publicada originalmente (&quot;As apar&ecirc;ncias n&atilde;o enganam: Francisco &eacute; Bergoglio&quot;) pelo Sexuality Policy Watch (SPW)<\/a><\/i><\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o podemos ter expectativas positivas, nem nos iludir, com a figura de Francisco&rdquo;, afirma a soci&oacute;loga e coordenadora geral das Cat&oacute;licas pelo Direito de Decidir (CDD &ndash; Brasil), Maria Jos&eacute; Rosado, em entrevista ao Sexuality Policy Watch (SPW) a respeito da recente elei&ccedil;&atilde;o do cardeal argentino Jorge Bergoglio ao papado.<\/p>\n<p>Muito se especulou sobre os motivos da ren&uacute;ncia de Bento XVI, em fevereiro de 2013, que gerou intensa cobertura midi&aacute;tica. Era a primeira vez, em mais de cinco s&eacute;culos (o &uacute;ltimo a abdicar fora Greg&oacute;rio XII em 1415), que um pont&iacute;fice deixava voluntariamente o cargo. Os esc&acirc;ndalos de abuso sexual cometidos por cl&eacute;rigos se avolumaram nos &uacute;ltimos anos, manchando a imagem da Igreja Cat&oacute;lica: afinal, a disciplinariza&ccedil;&atilde;o do corpo, das pr&aacute;ticas, dos desejos e da reprodu&ccedil;&atilde;o &eacute; um valor constituinte para a doutrina cat&oacute;lica. Um valor dogm&aacute;tico, manifestado com frequ&ecirc;ncia nos discursos de Bento XVI. Os casos de abuso evidenciaram uma realidade oposta &agrave; apregoada pela Igreja, atingindo frontalmente &agrave; figura pouco carism&aacute;tica e pouco midi&aacute;tica de Bento XVI.<\/p>\n<p>O que, nesse sentido, pode trazer a elei&ccedil;&atilde;o de um novo papa, n&atilde;o europeu, vinculado &agrave; ordem dos jesu&iacute;tas? A op&ccedil;&atilde;o pelo simbolismo franciscano, que expressa uma concep&ccedil;&atilde;o de vida simples e pautada pela pobreza, sinaliza uma mudan&ccedil;a de rumo nas a&ccedil;&otilde;es da Santa S&eacute;? De que forma os direitos sexuais, reprodutivos e femininos estar&atilde;o articulados ao novo papado? O que se pode esperar em rela&ccedil;&atilde;o a temas candentes na agenda pol&iacute;tica brasileira, tais como os direitos da popula&ccedil;&atilde;o LGBT? Que tipo de rela&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &eacute; poss&iacute;vel projetar entre o catolicismo sob Francisco e o movimento evang&eacute;lico, que tem crescido e ocupado explicitamente espa&ccedil;os institucionais do Estado brasileiro?<\/p>\n<p>Para Maria Jos&eacute; Rosado, o horizonte futuro n&atilde;o apresenta ind&iacute;cios de mudan&ccedil;as significativas, em termos do posicionamento da Santa S&eacute; ante temas sens&iacute;veis aos seus valores. Na verdade, destaca a coordenadora da CDD, a novidade &eacute; a postura midi&aacute;tica do papa, cuja atua&ccedil;&atilde;o nestes primeiros meses de pontificado, que ser&aacute; marcado pela visita ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, &eacute; analisada na entrevista abaixo.<\/p>\n<p><b>O que a elei&ccedil;&atilde;o do papa significa em mat&eacute;ria de direitos femininos, sexuais e reprodutivos?<\/b><\/p>\n<p>N&atilde;o podemos ter expectativas positivas quanto ao papa Francisco, em rela&ccedil;&atilde;o aos direitos das mulheres e de homossexuais. Nos tempos em que ocupou o cargo de cardeal na Argentina, Bergoglio posicionou-se radicalmente contra o aborto legal e seguro e contra o casamento de pessoas do mesmo sexo. Isso indica uma percep&ccedil;&atilde;o de mundo fechada &agrave;s demandas contempor&acirc;neas que resultam da afirma&ccedil;&atilde;o da sexualidade e da reprodu&ccedil;&atilde;o humana como inseridas no campo de direitos a serem respeitados.<\/p>\n<p>Recentemente, ele participou de uma marcha dedicada &agrave; defesa da vida, colocando o peso de sua figura em uma a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica voltada claramente para a condena&ccedil;&atilde;o do aborto. Tamb&eacute;m recentemente, o papa Francisco&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/na-midia\/conteudo.asp?cod=10493\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">defendeu a prote&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica do embri&atilde;o humano<\/a>, refor&ccedil;ando publicamente sua posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria &agrave; quest&atilde;o da interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez. Francisco reproduz o discurso em defesa da vida, como se os defensores dos direitos reprodutivos das mulheres fossem entusiastas da morte. Pelo contr&aacute;rio, defendemos as vidas das mulheres. Ser anti-vida, na minha opini&atilde;o, &eacute; esquecer o sofrimento imposto a milhares de mulheres por causa da clandestinidade do aborto, promovida em boa medida pela press&atilde;o da Igreja Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p><b>Essa defesa da vida se d&aacute; em um momento em que, aqui no Brasil, o Estatuto do Nascituro, projeto que busca igualar, juridicamente, o embri&atilde;o aos seres humanos nascidos e vivos, volta &agrave; pauta no Congresso. Mera coincid&ecirc;ncia ou movimenta&ccedil;&otilde;es arquitetadas?<\/b><\/p>\n<p>A Igreja Cat&oacute;lica &eacute; uma especialista em pol&iacute;tica. N&atilde;o por acaso, mant&eacute;m-se como um poder social e religioso durante tantos s&eacute;culos. Assim &eacute; poss&iacute;vel pensar que haja da parte do Vaticano uma intencionalidade no momento em que reitera publicamente sua posi&ccedil;&atilde;o. Nos &uacute;ltimos anos, na Am&eacute;rica Latina, continente fundamental para a Igreja, v&aacute;rios pa&iacute;ses t&ecirc;m avan&ccedil;ado em legisla&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis aos direitos das mulheres de recorrerem ao aborto legalmente. Essa declara&ccedil;&atilde;o do Papa evidencia uma continuidade n&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o ao seu conte&uacute;do, mas tamb&eacute;m na pretens&atilde;o de influir nas constitui&ccedil;&otilde;es e normas jur&iacute;dicas nacionais. N&atilde;o &eacute; demais lembrar que em pa&iacute;ses de Estado laico legislar segundo princ&iacute;pios religiosos afronta conquistas democr&aacute;ticas.<\/p>\n<p><b>A senhora aponta que ele prossegue na mesma dire&ccedil;&atilde;o que a do papa em&eacute;rito Bento XVI. No entanto, a op&ccedil;&atilde;o pela figura franciscana tem sido apontada como uma poss&iacute;vel forma de suaviza&ccedil;&atilde;o ante a ortodoxia anterior, ideia defendida pelo fil&oacute;sofo e expoente da Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o Leonardo Boff. Como avalia tal interpreta&ccedil;&atilde;o?<\/b><\/p>\n<p>Penso na dire&ccedil;&atilde;o oposta. A op&ccedil;&atilde;o franciscana indica um refor&ccedil;o de uma vis&atilde;o mais tradicional da Igreja. Isso significa dizer que, por tal concep&ccedil;&atilde;o, os pobres aparecem como objeto de caridade. H&aacute; certa ingenuidade ou ilus&atilde;o por parte de quem entende o vi&eacute;s franciscano como um sinal de progressismo. N&atilde;o se trata de uma vis&atilde;o dos pobres como sujeitos da hist&oacute;ria, empoderados, personagens ativos no processo de sa&iacute;da da pobreza, de transforma&ccedil;&atilde;o da realidade social. A vis&atilde;o que o papa Francisco espelha enquadra o pobre como um ser tutelado. H&aacute; diferen&ccedil;as cruciais entre o ideal franciscano e a Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o, por exemplo.<\/p>\n<p><b>Que tipo de implica&ccedil;&atilde;o a postura centrada no pobre pode representar para os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres?<\/b><\/p>\n<p>De um ponto de vista progressista e preocupado com os direitos humanos, nenhuma implica&ccedil;&atilde;o positiva. Por exemplo, a clandestinidade do aborto &eacute; um grave problema de sa&uacute;de. Milhares de mulheres ou morrem ou ficam com a sa&uacute;de em risco por causa da ilegalidade de uma pr&aacute;tica que afeta, sobretudo, mulheres pobres e negras. Tendo em vista que os direitos femininos passam pela sua sa&uacute;de sexual e reprodutiva, insistir na condena&ccedil;&atilde;o do aborto, bem como na sua ilegalidade, significa negar &agrave;s mulheres seu direito &agrave; autonomia e &agrave; efetiva&ccedil;&atilde;o de seus direitos como cidad&atilde;s. Significa retirar-lhes um peda&ccedil;o de cidadania. O aborto &eacute; uma quest&atilde;o de justi&ccedil;a social, pois s&atilde;o as mulheres pobres as que mais sofrem com os m&eacute;todos inseguros de interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez. As mulheres com condi&ccedil;&otilde;es financeiras realizam o aborto com seguran&ccedil;a, em cl&iacute;nicas, ainda que sofrendo tamb&eacute;m o peso da ilegalidade.<\/p>\n<p>Optar pelos pobres e, ao mesmo tempo, negar direitos das mulheres &eacute; uma contradi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><b>O papa Bento XVI era uma figura mais sisuda, de pouco carisma. Mantinha um relacionamento mais protocolar com a m&iacute;dia. O atual papa tem desempenhado uma performance midi&aacute;tica distinta, privilegiando o corpo a corpo com fieis, descartando o uso de roupas tradicionais, deslocando-se em transporte p&uacute;blico. O que essa mudan&ccedil;a de comportamento indica?<\/b><\/p>\n<p>O comportamento mais simples do Papa Francisco, abandonando alguns dos sinais externos de poder e luxo do papado, &eacute; um sinal positivo no sentido de desfazer-se de certos aparatos medievais que marcam o Vaticano. N&atilde;o se sabe ainda, por&eacute;m, se isso indica um projeto de mudan&ccedil;as significativas para a &ldquo;corte&rdquo; vaticana ou se decorre de disposi&ccedil;&otilde;es individuais. H&aacute; tamb&eacute;m, claramente, um investimento midi&aacute;tico que intenta reverter a perda de prest&iacute;gio da Igreja, diante dos esc&acirc;ndalos financeiros e dos problemas gerados pela publiciza&ccedil;&atilde;o dos casos de pedofilia. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pedofilia, especificamente, ele tem dado sinais de que ser&aacute; rigoroso, mantendo &ldquo;toler&acirc;ncia zero&rdquo; nesse sentido. Mas, de modo geral, essa estrat&eacute;gia de constru&ccedil;&atilde;o de uma figura simp&aacute;tica e am&aacute;vel do Papa tem sido &ldquo;comprada&rdquo;pela m&iacute;dia, que a tem divulgado amplamente. Tamb&eacute;m membros da hierarquia e de setores em geral mais cr&iacute;ticos da Igreja tem assumido essa avalia&ccedil;&atilde;o acr&iacute;tica. Parecem esquecer sua atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica na Argentina. &Eacute; como se o Papa Francisco n&atilde;o fosse o Cardeal Bergoglio. Toda essa performance n&atilde;o apaga, sob um olhar cr&iacute;tico, suas posi&ccedil;&otilde;es conservadoras, retr&oacute;gradas e intransigentes em termos de direitos sexuais e reprodutivos. N&atilde;o apaga, tampouco, as evid&ecirc;ncias de seu comportamento, no m&iacute;nimo, leniente durante a feroz ditadura argentina.<\/p>\n<p><b>Com a aproxima&ccedil;&atilde;o das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais brasileiras, que postura se pode esperar do novo papa, tendo em vista que o papa anterior deu declara&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas contr&aacute;rias ao aborto &ndash; usado como arma eleitoral &#8211; nas v&eacute;speras no escrut&iacute;nio de 2010?<\/b><\/p>\n<p>Acredito que haver&aacute; uma tentativa de influ&ecirc;ncia mais direta e contundente. Especialmente se a tem&aacute;tica do aborto protagonizar a agenda eleitoral. O hist&oacute;rico do papa Francisco, nos seus tempos de cardeal, indicam uma atua&ccedil;&atilde;o incisiva. Na Argentina, ele promoveu a&ccedil;&otilde;es e mobiliza&ccedil;&otilde;es contra o matrim&ocirc;nio igualit&aacute;rio (aprovado em 2010). Declarou que a uni&atilde;o entre pessoas do mesmo sexo era uma obra do diabo. No mesmo tom, j&aacute; chamou de lobos aqueles que defendem o aborto. No &uacute;ltimo dia 12 de maio, o Papa participou de uma marcha pr&oacute;-vida em Roma e fez em seguida um pronunciamento de defesa do estatuto do embri&atilde;o. A Rede Latino Americana de Cat&oacute;licas pelo Direito de Decidir divulgou um&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.catolicasonline.org.br\/noticias\/conteudo.asp?cod=3951\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pronunciamento extremamente cr&iacute;tico<\/a>dessa declara&ccedil;&atilde;o. Outra quest&atilde;o que favorece sua aproxima&ccedil;&atilde;o com o contexto brasileiro &eacute; o fato de ser um papa latino-americano. Isso tem um impacto simb&oacute;lico que n&atilde;o se pode desconsiderar. Os la&ccedil;os regionais ficam real&ccedil;ados, criando certa empatia. Para um cl&eacute;rigo que sempre buscou marcar terreno nas discuss&otilde;es pol&iacute;ticas, o Brasil &eacute; um alvo em potencial de suas declara&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a administra&ccedil;&atilde;o da presidenta Dilma Rousseff tem optado pela estabilidade como objetivo central. A manuten&ccedil;&atilde;o do poder, nesse sentido, tem condicionado as decis&otilde;es do governo no campo dos direitos sexuais e reprodutivos. Logo, como j&aacute; tem sido costume nesse governo, direitos tendem a ser moeda de troca em momentos de negocia&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Isso se reflete no sil&ecirc;ncio do Governo Federal, particularmente da Secretaria de Pol&iacute;ticas para as Mulheres, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; CPI do Aborto, ao Estatuto do Nascituro. Reflete-se tamb&eacute;m na suspens&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no campo da preven&ccedil;&atilde;o do HIV\/Aids e do combate &agrave; homofobia, em clara submiss&atilde;o aos interesses dos setores religiosos conservadores que atuam no Congresso Nacional.<\/p>\n<p><b>Como a senhora avalia as possibilidades de articula&ccedil;&atilde;o entre o governo federal e o novo papado? Que import&acirc;ncia a Jornada Mundial da Juventude pode ter nesse processo?<\/b><\/p>\n<p>As possibilidades s&atilde;o aquelas previs&iacute;veis, condicionadas pelos recuos do Governo Federal em tratar, de maneira laica e sob a perspectiva dos direitos humanos, as quest&otilde;es de sexualidade, g&ecirc;nero, diversidade e sa&uacute;de reprodutiva. Isso significa dizer que acredito que o governo continuar&aacute; a transigir com setores religiosos conservadores. Apesar de ter &iacute;ndices de aprova&ccedil;&atilde;o muito altos, que dariam respaldo a posi&ccedil;&otilde;es mais ousadas, a postura desse governo tem sido de retrocessos. N&atilde;o tem demonstrado interesse em defender pol&iacute;ticas inclusivas. Recua, abrindo espa&ccedil;o para a consolida&ccedil;&atilde;o do conservadorismo e colocando em risco avan&ccedil;os democr&aacute;ticos.<\/p>\n<p>A articula&ccedil;&atilde;o com o novo papado j&aacute; se demonstra em plena sintonia. O uso de recursos p&uacute;blicos para um evento religioso &eacute; proibido por lei. O papa Francisco &eacute; um chefe de Estado, por&eacute;m &eacute; evidente que sua vinda para a Jornada Mundial da Juventude tem objetivos pastorais. Sua futura presen&ccedil;a no Brasil tem sido tratada como a de um l&iacute;der religioso que se dirige aos fi&eacute;is de sua igreja. Nesse sentido, o governo federal n&atilde;o poderia utilizar dinheiro p&uacute;blico para tal finalidade.<\/p>\n<p><b>&Eacute; poss&iacute;vel tra&ccedil;ar diferen&ccedil;as entre o governo atual e o anterior no que concerne &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es com o Vaticano? Durante o governo Lula (2003-2010), por exemplo, foi assinada, de maneira silenciosa, a Concordata que, entre outras coisas, privilegia a Santa S&eacute; mediante o ensino cat&oacute;lico facultativo nas escolas e a promo&ccedil;&atilde;o de bens e propriedades da Igreja consideradas patrim&ocirc;nio art&iacute;stico e cultural.<\/b><\/p>\n<p>N&atilde;o vejo indica&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;a de postura. Ambos os governos seguem pol&iacute;tica semelhante. O governo anterior articulou a Concordata e o atual a preserva. H&aacute; uma a&ccedil;&atilde;o no Supremo Tribunal Federal para revogar a Concordata, mas n&atilde;o se v&ecirc; qualquer movimento do atual governo para apoiar a medida.<\/p>\n<p>A Concordata representa um desrespeito &agrave; laicidade e &agrave; liberdade religiosa e indica o qu&atilde;o &iacute;ntimo &eacute; o grau de rela&ccedil;&atilde;o entre o Estado brasileiro e o Vaticano. O ensino cat&oacute;lico nas escolas constitui uma afronta &agrave;s outras religi&otilde;es. E indica, ainda, que os direitos sexuais e reprodutivos n&atilde;o s&atilde;o encarados dentro de uma perspectiva educativa que oriente os jovens em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; conscientiza&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o de sua liberdade e autonomia.<\/p>\n<p><b>A popula&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica tem crescido no pa&iacute;s nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, enquanto o catolicismo tem perdido fieis. O Censo de 2010 mostrou que os fi&eacute;is cat&oacute;licos diminu&iacute;ram de 73,6% para 64,6% e os evang&eacute;licos chegaram a 22,4% (42,3 milh&otilde;es) dos brasileiros, um aumento de 44% em rela&ccedil;&atilde;o ao Censo de 2000. Agora, o Datafolha aponta que a popula&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica caiu de 64% para 57%. No Congresso, a bancada evang&eacute;lica aumentou de 36 integrantes (pleito de 2006) para 73 (pleito de 2010). O Papa Francisco tem sinalizado um discurso ecum&ecirc;nico, buscando criar pontes de di&aacute;logo com outras religi&otilde;es. Que tipo de rela&ccedil;&atilde;o entre for&ccedil;as cat&oacute;licas e evang&eacute;licas se pode esperar, sobretudo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pauta dos direitos sexuais e reprodutivos?<\/b><\/p>\n<p>A pauta de ambos os setores &eacute; bastante alinhada. A bancada cat&oacute;lica est&aacute; em sintonia com a evang&eacute;lica. Podem ter suas diferen&ccedil;as e rusgas doutrin&aacute;rias, mas quando o tema &eacute; direitos sexuais e reprodutivos s&atilde;o aliadas. Por isso, devemos falar em bancada religiosa, n&atilde;o apenas desta ou aquela denomina&ccedil;&atilde;o. O ecumenismo do Papa Francisco tamb&eacute;m deve buscar a consolida&ccedil;&atilde;o da sintonia em rela&ccedil;&atilde;o a tais tem&aacute;ticas.<\/p>\n<p>&Eacute; o que temos visto, por exemplo, em rela&ccedil;&atilde;o ao Estatuto do Nascituro, &agrave;s press&otilde;es contr&aacute;rias a decis&otilde;es que favorecem a uni&atilde;o est&aacute;vel ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo e &agrave;s investidas contra pol&iacute;ticas de promo&ccedil;&atilde;o da diversidade nas escolas. Sobre esses temas, cat&oacute;licos e evang&eacute;licos falam a mesma l&iacute;ngua.<\/p>\n<p><b>Que tipo de sa&iacute;da &eacute; poss&iacute;vel pensar para fazer frente &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o crescente dos espa&ccedil;os pol&iacute;ticos por movimentos religiosos?<\/b><\/p>\n<p>Para al&eacute;m da necessidade de os movimentos sociais permanecerem batalhando pela laicidade e pela defesa dos direitos sexuais e reprodutivos, h&aacute; uma movimenta&ccedil;&atilde;o interessante. Tem havido um processo de desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica religiosa, ou seja, as pessoas t&ecirc;m se mostrado aut&ocirc;nomas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es religiosas. Por isso, crescem as experi&ecirc;ncias de manifesta&ccedil;&otilde;es religiosas novas, proposi&ccedil;&otilde;es mais subjetivas, descoladas do dogmatismo que marca as institui&ccedil;&otilde;es. Os &uacute;ltimos censos t&ecirc;m revelado tamb&eacute;m a crescente visibiliza&ccedil;&atilde;o de pessoas que se autodeclaram at&eacute;ias ou sem-religi&atilde;o. Esse pluralismo do campo religioso resulta do fato de o Estado ser laico, isto &eacute;, desvinculado de qualquer religi&atilde;o, o que &eacute; fundamental para a efetiva&ccedil;&atilde;o das liberdades democr&aacute;ticas.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a experi&ecirc;ncia religiosa tem se deslocado para um sentido mais privado. H&aacute; um processo de individualiza&ccedil;&atilde;o da f&eacute; que parece desenhar um horizonte mais positivo, menos presos a dogmatismos institucionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>El papa Francisco llega a Brasil con la misi\u00f3n de pastorear fieles alejados de la Iglesia Cat\u00f3lica, cuya poblaci\u00f3n en el pa\u00eds cay\u00f3 de 64% a 57% (Datafolha). Para Maria Jos\u00e9 Rosado (CDD), el nuevo Papa no representa cambios en temas sensibles a la moral cat\u00f3lica, como la dimensi\u00f3n reproductiva y sexual de la vida. 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