{"id":1529,"date":"2015-06-17T00:00:00","date_gmt":"2015-06-17T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2015\/06\/17\/entre-eleccion-y-determinacion\/"},"modified":"2015-06-17T00:00:00","modified_gmt":"2015-06-17T03:00:00","slug":"entre-eleccion-y-determinacion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/entre-eleccion-y-determinacion\/1529\/","title":{"rendered":"Entre elecci\u00f3n y determinaci\u00f3n"},"content":{"rendered":"<p>Ao ser diagnosticado com um tipo agressivo de c&acirc;ncer de pele, em 2009, e antes de come&ccedil;ar a quimioterapia que poderia deix&aacute;-lo inf&eacute;rtil, o contador Roberto Neils optou por guardar seu s&ecirc;men em uma cl&iacute;nica a 200 graus negativos. Enquanto estava vivo, ele e sua mulher iniciaram o tratamento de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida, interrompido porque o c&acirc;ncer havia se espalhado para os ossos. Um ano depois do diagn&oacute;stico, ele morreu. Como n&atilde;o havia deixado por escrito a vontade de ser pai, a esposa &ndash; a professora K&aacute;tia Lenerneier &ndash; precisou ent&atilde;o recorrer &agrave; Justi&ccedil;a e conseguiu uma liminar que autorizou a cl&iacute;nica a fazer a fertiliza&ccedil;&atilde;o com o s&ecirc;men do marido. Ela engravidou na segunda tentativa. A menina foi o primeiro caso registrado no Brasil de um beb&ecirc; gerado com s&ecirc;men de pai j&aacute; morto.<\/p>\n<p>Certas tecnologias reprodutivas &ndash; ou reprodu&ccedil;&atilde;o medicamente assistida, no jarg&atilde;o m&eacute;dico &ndash; permitem a concep&ccedil;&atilde;o dispensando a rela&ccedil;&atilde;o sexual, a qual &eacute; substitu&iacute;da por procedimentos biom&eacute;dicos em que pelo menos um gameta &eacute; manipulado fora do corpo. A manipula&ccedil;&atilde;o de gametas permite a doa&ccedil;&atilde;o de s&ecirc;men, de embri&otilde;es, de &oacute;vulos e a gesta&ccedil;&atilde;o substituta, mais conhecida como barriga de aluguel e recentemente como barriga solid&aacute;ria. Ao serem realizadas fora do corpo humano, as t&eacute;cnicas separam o ato sexual da concep&ccedil;&atilde;o, o que permite novas configura&ccedil;&otilde;es de parentesco. Na simbologia de parentesco ocidental, a concep&ccedil;&atilde;o resulta da rela&ccedil;&atilde;o sexual, s&iacute;mbolo de amor do casal. Por sua vez, as t&eacute;cnicas de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida dispensam o ato sexual e permitem a circula&ccedil;&atilde;o de subst&acirc;ncias germinativas. Atrav&eacute;s delas, &eacute; poss&iacute;vel fazer doa&ccedil;&atilde;o de s&ecirc;men para casos de infertilidade masculina e tamb&eacute;m o congelamento do pr&oacute;prio s&ecirc;men para postergar o seu uso em caso de doen&ccedil;as (como no caso dos tratamentos quimioter&aacute;picos para c&acirc;ncer que podem acarretar infertilidade) ou mesmo visando a reprodu&ccedil;&atilde;o p&oacute;stuma, como no exemplo do casal do Paran&aacute; citado acima.<\/p>\n<p>Desenvolvidas anos atr&aacute;s para casais heterossexuais com problemas de fertilidade, as tecnologias reprodutivas passaram a ser recursos para pessoas cujas rela&ccedil;&otilde;es sexuais n&atilde;o s&atilde;o f&eacute;rteis &ndash; exemplo de casais homossexuais &ndash; ou para indiv&iacute;duos que desejam conceber sem a participa&ccedil;&atilde;o de um parceiro, al&eacute;m de permitir a gesta&ccedil;&atilde;o de mulheres p&oacute;s-menopausa com uso de &oacute;vulos ou embri&otilde;es doados.<\/p>\n<p>A doa&ccedil;&atilde;o de &oacute;vulos permite separar a maternidade em&nbsp;<i>gen&eacute;tica<\/i>&nbsp;e&nbsp;<i>gestacional<\/i>. No processo biol&oacute;gico regular, uma gestante &eacute; a m&atilde;e biol&oacute;gica no sentido pleno: o embri&atilde;o &eacute; formado de um &oacute;vulo seu e se desenvolve em seu &uacute;tero. A doa&ccedil;&atilde;o de &oacute;vulos e a gesta&ccedil;&atilde;o substituta permitem separar duas modalidades de v&iacute;nculo biol&oacute;gico: a gestante n&atilde;o tem v&iacute;nculo gen&eacute;tico com o embri&atilde;o que porta, pois este foi formado com o &oacute;vulo de outra mulher. Assim, a fornecedora do &oacute;vulo seria a m&atilde;e gen&eacute;tica, e a que engravida &eacute; a m&atilde;e gestacional.<\/p>\n<p>Recentemente foi desenvolvida uma t&eacute;cnica mais eficaz de congelamento de &oacute;vulos por vitrifica&ccedil;&atilde;o, o que tem permitido &agrave;s mulheres manipularem no tempo o planejamento da gesta&ccedil;&atilde;o, usando &oacute;vulos de quando eram mais jovens, uma vez que os &oacute;vulos decaem de qualidade com o avan&ccedil;o da idade e os fol&iacute;culos param de ser maturados com a menopausa. Antes dessa t&eacute;cnica, o recurso dispon&iacute;vel para a mulher era apenas preservar embri&otilde;es gerados com seus &oacute;vulos. A efic&aacute;cia do congelamento &eacute; menor para &oacute;vulos e embri&otilde;es do que para o s&ecirc;men.<\/p>\n<p>Autora de&nbsp;<i>Provetas e clones: uma antropologia das novas tecnologias reprodutivas<\/i>&nbsp;(editora Fiocruz), fruto de sua tese de Doutorado, a antrop&oacute;loga Naara Luna (Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro &ndash; PPGCS\/UFRRJ), fala, nesta entrevista, do modo como essas tecnologias incidem sobre as concep&ccedil;&otilde;es de maternidade, pessoa, fam&iacute;lia e parentesco, e aborda o avan&ccedil;o das regulamenta&ccedil;&otilde;es, que acompanham demandas sociais como aquelas que visam atender casais n&atilde;o heterossexuais quanto ao desejo reprodutivo, ou mesmo de atender a vontade de reprodu&ccedil;&atilde;o tardia.<\/p>\n<p>A entrevista integra a s&eacute;rie tem&aacute;tica &ldquo;Fundamentalismos&rdquo;, sexualidade e Direitos Humanos, desenvolvida pelo CLAM, sobre o tr&acirc;nsito de quest&otilde;es controversas &ndash; como o acesso &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o assistida &ndash; atrav&eacute;s das porosas fronteiras entre o conhecimento cient&iacute;fico, convic&ccedil;&otilde;es pessoais como a f&eacute; religiosa, e os marcos regulat&oacute;rios estatais.<\/p>\n<p><b>Como as tecnologias reprodutivas afetam o modo de pensar maternidade, parentesco e vida, tendo em vista o estatuto do embri&atilde;o?<\/b><\/p>\n<p>As novas tecnologias reprodutivas acirram tens&otilde;es entre determina&ccedil;&atilde;o e escolha, ou entre parentesco natural\/biol&oacute;gico e social que s&atilde;o anteriores historicamente a esses procedimentos. No cen&aacute;rio da ado&ccedil;&atilde;o, havia a oposi&ccedil;&atilde;o entre pais biol&oacute;gicos e pais sociais. Antes disso, havia a figura das m&atilde;es de leite que amamentavam os filhos de outras. Essa oposi&ccedil;&atilde;o entre ordem da lei e ordem da natureza &eacute; importada para processos ditos biol&oacute;gicos: compara-se a gestante &agrave; m&atilde;e social, enquanto a fornecedora de material gen&eacute;tico seria a m&atilde;e biol&oacute;gica, ou mais precisamente a m&atilde;e gen&eacute;tica. A dimens&atilde;o de escolha se amplia, muitas vezes para refor&ccedil;ar la&ccedil;os percebidos como naturais.<\/p>\n<p>A circula&ccedil;&atilde;o de subst&acirc;ncias germinativas propiciada pelas t&eacute;cnicas de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida favoreceu a cria&ccedil;&atilde;o de um mercado onde se pode contatar doadores de gametas e mulheres que disponham, por pagamento, de seus &uacute;teros para desenvolvimento dos filhos projetados por outros. Grandes bancos de s&ecirc;men t&ecirc;m cat&aacute;logos de doadores classificados de acordo com suas caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas (cor da pele, cor dos olhos, cor e textura dos cabelos, altura, complei&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, tipo sangu&iacute;neo, doen&ccedil;as), mas tamb&eacute;m sociais: n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o, profiss&atilde;o, religi&atilde;o, gostos. Uma das regras &eacute; a doa&ccedil;&atilde;o an&ocirc;nima para evitar que doadores de material reprodutivo se vejam implicados nas vidas dos que planejaram ter filhos, bem como na vida das crian&ccedil;as geradas. O v&iacute;nculo gen&eacute;tico n&atilde;o implica heran&ccedil;a nem obriga&ccedil;&atilde;o de sustentar descendentes gen&eacute;ticos nem os genitores. Essa &eacute; uma ruptura das rela&ccedil;&otilde;es de parentesco ditas naturais, de modo que na legisla&ccedil;&atilde;o de alguns pa&iacute;ses, ap&oacute;s os 18 anos, os filhos teriam acesso &agrave; identidade de seus genitores, como ocorre na ado&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Com respeito ao estatuto do embri&atilde;o, o advento da fertiliza&ccedil;&atilde;o in vitro &eacute; o corol&aacute;rio de um processo anterior de autonomiza&ccedil;&atilde;o do feto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher gestante. Dessa vez o embri&atilde;o existe fora do corpo dela, o que era ent&atilde;o uma impossibilidade. As tecnologias de imagem para diagn&oacute;stico fetal foram outros procedimentos que resultaram na autonomiza&ccedil;&atilde;o, em termos do feto ser visto como desvinculado do &uacute;tero, do corpo materno. A pr&oacute;pria legisla&ccedil;&atilde;o sobre aborto, ao considerar a vida do feto em si, como um bem desvinculado da mulher tamb&eacute;m integra esse processo de autonomiza&ccedil;&atilde;o. No caso da fertiliza&ccedil;&atilde;o in vitro, a pr&oacute;pria t&eacute;cnica pode incorrer no n&atilde;o desenvolvimento de v&aacute;rios embri&otilde;es e seu descarte, al&eacute;m disso pode acarretar em mais riscos para o feto, nos casos de redu&ccedil;&atilde;o embrion&aacute;ria, quando v&aacute;rios dos embri&otilde;es transferidos para o &uacute;tero se desenvolvem, nesse caso, para impedir os riscos de uma gravidez m&uacute;ltipla, &eacute; tecnicamente poss&iacute;vel eliminar um ou mais embri&otilde;es. Na busca de qualidade e efici&ecirc;ncia, &eacute; percept&iacute;vel a dimens&atilde;o eug&ecirc;nica. As pesquisas com c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias pretendem dar um &quot;destino nobre&quot; a esse material germinativo que permanece congelado, desenvolvendo estudos para amplia&ccedil;&atilde;o do conhecimento e qui&ccedil;&aacute; futura cria&ccedil;&atilde;o de terapias, tendo como mat&eacute;ria-prima dispon&iacute;vel os embri&otilde;es descartados ou restantes da reprodu&ccedil;&atilde;o assistida. De modo geral, a regulamenta&ccedil;&atilde;o bio&eacute;tica n&atilde;o concorda com a produ&ccedil;&atilde;o de embri&otilde;es humanos exclusivamente para pesquisa, uma possibilidade na fertiliza&ccedil;&atilde;o in vitro.<\/p>\n<p><b>Como se colocam diferentes vis&otilde;es de ci&ecirc;ncia e religi&atilde;o nesse debate?<\/b><\/p>\n<p>A ci&ecirc;ncia pode fornecer os meios, mas quem faz as constru&ccedil;&otilde;es &eacute; a sociedade. As tecnologias podem se disseminar no mundo, mas os pa&iacute;ses v&atilde;o fornecer as respostas regulamentando a reprodu&ccedil;&atilde;o assistida, ou mantendo-a na informalidade, ou permitindo um para&iacute;so reprodutivo onde todas as op&ccedil;&otilde;es do mercado s&atilde;o livres.<\/p>\n<p>A Igreja Cat&oacute;lica tem mantido uma posi&ccedil;&atilde;o coerente com seus documentos anteriores acerca da regula&ccedil;&atilde;o da fecundidade. Segundo essa perspectiva, o aspecto unitivo e procriativo s&atilde;o insepar&aacute;veis. Por isso a cr&iacute;tica aos m&eacute;todos de contracep&ccedil;&atilde;o classificados como artificiais, que permitem o ato sexual sem reprodu&ccedil;&atilde;o e simetricamente &agrave;s tecnologias reprodutivas que possibilitam a reprodu&ccedil;&atilde;o sem sexo, pois ambos decairiam a dignidade da reprodu&ccedil;&atilde;o. Mais recentemente a Igreja Cat&oacute;lica em seus documentos critica os m&eacute;todos contraceptivos por criarem uma &quot;mentalidade abortiva&quot;. A cr&iacute;tica mais feroz incide na fertiliza&ccedil;&atilde;o in vitro por fomentar o dito &quot;massacre de embri&otilde;es&quot;. A Igreja constr&oacute;i uma continuidade com a discuss&atilde;o sobre o aborto e a prote&ccedil;&atilde;o do feto. Em sua oposi&ccedil;&atilde;o ao aborto, encontra aliados nos Estados Unidos entre igrejas protestantes fundamentalistas. &Eacute; importante salientar que a posi&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o encontra correspond&ecirc;ncia entre os fi&eacute;is cat&oacute;licos.<\/p>\n<p>Entre os evang&eacute;licos, n&atilde;o existe uma oposi&ccedil;&atilde;o de consenso quanto ao aborto. As denomina&ccedil;&otilde;es variam em seu posicionamento quanto ao grau de rejei&ccedil;&atilde;o. No Brasil, quando houve a vota&ccedil;&atilde;o final da lei de biosseguran&ccedil;a em 2005, v&aacute;rios deputados evang&eacute;licos e cat&oacute;licos n&atilde;o militantes votaram favoravelmente &agrave;s pesquisas com c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias. Quanto aos usos de m&eacute;todos de contracep&ccedil;&atilde;o, as igrejas evang&eacute;licas n&atilde;o produzem documentos a respeito, deixando a crit&eacute;rio do casal, e embora alguns pastores defendam a n&atilde;o regula&ccedil;&atilde;o da fecundidade, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel dizer que exista homogeneidade no campo, nem que as mulheres religiosas sigam esses preceitos. Da mesma forma a busca desses m&eacute;todos para ter filhos &eacute; considerada decis&atilde;o do casal. Entre entrevistadas pentecostais, encontrei a d&uacute;vida se elas estariam buscando &quot;os caminhos de Deus&quot; ou se iam &quot;pelo caminho do homem&quot;, como elas diziam.<\/p>\n<p>No Congresso Nacional, iniciativas como o projeto chamado &quot;Estatuto do Nascituro&quot; pretendem estabelecer o direito &agrave; vida desde a concep&ccedil;&atilde;o, com a prote&ccedil;&atilde;o de embri&atilde;o e feto independentemente se dentro ou fora do &uacute;tero materno. Levado &agrave;s &uacute;ltimas consequ&ecirc;ncias, esse projeto proibiria qualquer tipo de aborto, contracep&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia, m&eacute;todos considerados abortivos como o DIU. Ele tornaria invi&aacute;vel a fertiliza&ccedil;&atilde;o in vitro e os procedimentos que a cercam, e impediria por quest&atilde;o de princ&iacute;pio, o aproveitamento dos embri&otilde;es descartados nas pesquisas com c&eacute;lulas-tronco.<\/p>\n<p><b>Em que medida a sofistica&ccedil;&atilde;o dessas t&eacute;cnicas favoreceu debates como o das novas fam&iacute;lias e o da homoparentalidade? Como as novas tecnologias reprodutivas transformam o campo da reprodu&ccedil;&atilde;o humana? Elas relativizam a din&acirc;mica da parentalidade?<\/b><\/p>\n<p>Assim como a ado&ccedil;&atilde;o, as novas tecnologias reprodutivas favorecem uma concep&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lia em que a exist&ecirc;ncia de filhos &eacute; um fator primordial. As novas tecnologias reprodutivas ampliam o acesso a crian&ccedil;as, por&eacute;m com a marca biol&oacute;gica dos pais, a descend&ecirc;ncia gen&eacute;tica de um deles pelo menos no caso dos homossexuais. No caso de casais femininos, h&aacute; projetos de maternidade compartilhada, com o casal de mulheres tentando ter filhos do mesmo doador, para que sejam irm&atilde;os biol&oacute;gicos. N&atilde;o encontrei esse relato acerca de casais masculinos buscarem a mesma doadora de &oacute;vulos ou gestante substituta, talvez pelas dificuldades implicadas. Foi tema na m&iacute;dia o contrato por casais masculinos de mulheres para gestante substituta em pa&iacute;ses ditos para&iacute;sos da fertilidade. No Brasil h&aacute; a colabora&ccedil;&atilde;o de uma parente para um casal de homens gerar filhos.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m entre casais de mulheres, existe outra possibilidade de maternidade compartilhada, quando uma mulher recebe o &oacute;vulo fertilizado de sua companheira. As regras de anonimato na doa&ccedil;&atilde;o proibiriam essa escolha, contudo, j&aacute; ouvi relatos de outros pesquisadores sobre cl&iacute;nicas que concordam em realizar o procedimento.<\/p>\n<p>No tocante ao processo reprodutivo em si, a gesta&ccedil;&atilde;o substituta coloca a mulher que fornece os &oacute;vulos em uma posi&ccedil;&atilde;o masculina em termos de g&ecirc;nero, pois o papel masculino &eacute; de fornecer a semente no &uacute;tero de uma mulher para que engravide.<\/p>\n<p>O investimento na procria&ccedil;&atilde;o e em uma fam&iacute;lia centrada nos filhos parece uma din&acirc;mica mais pr&oacute;xima ao do casal gr&aacute;vido, categoria criada por Tania Salem.<\/p>\n<p><b>Como est&aacute; institu&iacute;da legalmente a quest&atilde;o da reprodu&ccedil;&atilde;o assistida no Brasil?<\/b><\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; lei sobre reprodu&ccedil;&atilde;o assistida no Brasil. Em 1994, foi enviado o primeiro projeto de lei ao Congresso Nacional. Outros foram enviados e nenhum votado. O c&oacute;digo civil, no artigo 1597, presume como filhos concebidos na const&acirc;ncia do casamento aqueles: havidos por fecunda&ccedil;&atilde;o artificial hom&oacute;loga, mesmo que falecido o marido; havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embri&otilde;es excedent&aacute;rios, decorrentes de concep&ccedil;&atilde;o artificial hom&oacute;loga; e os havidos por insemina&ccedil;&atilde;o artificial heter&oacute;loga [com doador an&ocirc;nimo], desde que tenha pr&eacute;via autoriza&ccedil;&atilde;o do marido.<\/p>\n<p>A regulamenta&ccedil;&atilde;o existente s&atilde;o as resolu&ccedil;&otilde;es do Conselho Federal de Medicina (CFM), que n&atilde;o t&ecirc;m a for&ccedil;a de lei. O &oacute;rg&atilde;o j&aacute; prop&ocirc;s tr&ecirc;s resolu&ccedil;&otilde;es sobre reprodu&ccedil;&atilde;o assistida: as resolu&ccedil;&otilde;es 1358\/1992, a 1957\/2010 e a 2013\/2013.<\/p>\n<p><b>De que modo as regulamenta&ccedil;&otilde;es do CFM atendem a demandas sociais, como as que dizem respeito ao desejo reprodutivo de casais n&atilde;o heterossexuais?<\/b><\/p>\n<p>Um ponto presente desde a resolu&ccedil;&atilde;o CFM 1358\/92 e que se manteve nas demais &eacute; a proibi&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter lucrativo ou comercial da doa&ccedil;&atilde;o gametas e embri&otilde;es. Tamb&eacute;m se estabelece o sigilo de identidade entre doadores e receptores, e se restringe o acesso a informa&ccedil;&otilde;es somente por motivo m&eacute;dico e para m&eacute;dicos, com o resguardo da identidade do doador. &Eacute; atribu&iacute;da &agrave; unidade m&eacute;dica a responsabilidade pela escolha dos doadores que deve garantir semelhan&ccedil;a fenot&iacute;pica, imunol&oacute;gica e compatibilidade entre doadores e receptores. Isso significa que na regula&ccedil;&atilde;o existente no Brasil, al&eacute;m do anonimato de doadores e receptores, n&atilde;o existe total liberdade de escolha de um doador que venha a substituir o material germinativo de uma pessoa inf&eacute;rtil. Os m&eacute;dicos escolhem um doador compat&iacute;vel, o que impede a possibilidade de escolhas que se afastem da apar&ecirc;ncia do receptor inf&eacute;rtil.<\/p>\n<p>A &uacute;ltima resolu&ccedil;&atilde;o cita a decis&atilde;o do Supremo Tribunal Federal de 2011, que, nas palavras do CFM, &ldquo;reconheceu e qualificou como entidade familiar a uni&atilde;o est&aacute;vel homoafetiva (ADI 4.277 e ADPF 132)&rdquo;. Trata-se de uma das principais diferen&ccedil;as quanto &agrave;s resolu&ccedil;&otilde;es anteriores, de modo que o CFM, amparado pela decis&atilde;o da corte mais alta do pa&iacute;s, vai levar &agrave;s &uacute;ltimas consequ&ecirc;ncias o que a resolu&ccedil;&atilde;o de 2010 apenas sugeria, garantindo o acesso aos casais homoafetivos.<\/p>\n<p>A resolu&ccedil;&atilde;o define que as t&eacute;cnicas de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida &ldquo;t&ecirc;m o papel de auxiliar a resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas de reprodu&ccedil;&atilde;o humana&rdquo;. Isso muda o enfoque da infertilidade presente na resolu&ccedil;&atilde;o de 1992, o que abre o acesso das t&eacute;cnicas para outras pessoas que n&atilde;o casais heterossexuais inf&eacute;rteis.<\/p>\n<p>A resolu&ccedil;&atilde;o de 2013 estabelece 50 anos como &ldquo;idade m&aacute;xima das candidatas &agrave; gesta&ccedil;&atilde;o de RA&rdquo;. Uma inova&ccedil;&atilde;o da resolu&ccedil;&atilde;o de 2010, mantida em 2013, traz uma importante diferen&ccedil;a: limita o n&uacute;mero de embri&otilde;es transferidos e conforme a idade da mulher, especificando o n&uacute;mero de embri&otilde;es de acordo com intervalos de idade, com o n&uacute;mero m&aacute;ximo de 4 nas mulheres mais velhas, enquanto a vers&atilde;o anterior, de 1992, apenas estabelecia o limite m&aacute;ximo de 4 para evitar a multiparidade.<\/p>\n<p>Minha pesquisa atual identificou projetos de lei de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida que se ocupam do limite de embri&otilde;es transferidos tamb&eacute;m. Tr&ecirc;s projetos de lei de regulamenta&ccedil;&atilde;o da reprodu&ccedil;&atilde;o assistida apresentados no ano de 2003 prop&otilde;em n&uacute;meros diferentes. O PL 1184\/2003, de autoria do senador L&uacute;cio Alc&acirc;ntara (PSDB), pretende limitar a dois o n&uacute;mero de embri&otilde;es produzidos e transferidos e penalizar quem transferir quantidade superior a essa. O PL 1135\/2003, do deputado Dr. Pinotti (PMDB), prop&otilde;e o n&uacute;mero m&aacute;ximo de transfer&ecirc;ncia de tr&ecirc;s embri&otilde;es, que justifica com os riscos de multiparidade, enquanto PL 2061\/2003, da deputada Maninha (PT), estabelece o n&uacute;mero de quatro, justificado pelo mesmo risco. Os projetos mostram a aus&ecirc;ncia de consenso no campo a respeito desse t&oacute;pico. Nenhum deles prop&otilde;e idade limite para as candidatas ao uso das t&eacute;cnicas de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida.<\/p>\n<p>As regras para doa&ccedil;&atilde;o de gametas mant&ecirc;m o anonimato entre doadores e de receptores que n&atilde;o devem se conhecer. Uma novidade da Resolu&ccedil;&atilde;o de 2013 &eacute; permitir a doa&ccedil;&atilde;o compartilhada de &oacute;vulos, quando a doadora e a receptora (ambas sofrendo de problemas para se reproduzir) compartilham do material biol&oacute;gico e dos custos financeiros, dando prefer&ecirc;ncia &agrave; doadora sobre o material produzido. Esse &uacute;ltimo item regulamenta uma pr&aacute;tica corrente nas cl&iacute;nicas registrada em relatos de campo: uma mulher que necessita de doa&ccedil;&atilde;o de &oacute;vulos paga o tratamento de outra que faz a doa&ccedil;&atilde;o, de modo que ambas dividem os &oacute;vulos resultantes da estimula&ccedil;&atilde;o ovariana da segunda. Se houver um n&uacute;mero muito reduzido de &oacute;vulos ou n&uacute;mero &iacute;mpar, a mulher que ovulou ser&aacute; beneficiada com a maior parte ou a totalidade.<\/p>\n<p>A resolu&ccedil;&atilde;o de 2010 prev&ecirc; o congelamento apenas dos embri&otilde;es excedentes vi&aacute;veis, o que permanece na resolu&ccedil;&atilde;o de 2013. A resolu&ccedil;&atilde;o vigente de 2013, contudo, apresenta uma altera&ccedil;&atilde;o significativa: a possibilidade de descartar embri&otilde;es congelados h&aacute; cinco anos ou mais, por vontade do paciente. Faz-se refer&ecirc;ncia &agrave; possibilidade de doa&ccedil;&atilde;o de embri&otilde;es congelados para pesquisa com c&eacute;lulas-tronco. No tocante ao congelamento apenas dos embri&otilde;es vi&aacute;veis, mais uma vez, percebe-se o esfor&ccedil;o do CFM de manter-se conforme a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira, mas atendo-se &agrave; pr&aacute;tica m&eacute;dica corrente e n&atilde;o apenas &agrave; ideal.<\/p>\n<p>A resolu&ccedil;&atilde;o de 2013 inclui a possibilidade de sele&ccedil;&atilde;o de embri&otilde;es compat&iacute;veis com algum filho do casal afetado por doen&ccedil;a com que tenha como modo de tratamento o transplante de c&eacute;lulas-tronco ou de &oacute;rg&atilde;os, ou seja, revoga o item que permitiria o uso do diagn&oacute;stico gen&eacute;tico apenas para tratar o pr&oacute;prio embri&atilde;o e coloca a possibilidade de seu emprego para a gera&ccedil;&atilde;o de irm&atilde;os doadores, ponto j&aacute; visto em diversos casos na imprensa (Luna, 2004).<\/p>\n<p>Da resolu&ccedil;&atilde;o de 1992 para a de 2010, tamb&eacute;m permanece inalterada a se&ccedil;&atilde;o VII- Sobre a gesta&ccedil;&atilde;o de substitui&ccedil;&atilde;o (doa&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria de &uacute;tero), mais conhecida como barriga de aluguel. O texto estabelece como condi&ccedil;&atilde;o para tal procedimento a exist&ecirc;ncia de problema m&eacute;dico que impe&ccedil;a ou contraindique a gesta&ccedil;&atilde;o na doadora gen&eacute;tica. O item 1 limita quem poder&aacute; ceder o &uacute;tero: as doadoras tempor&aacute;rias devem pertencer &agrave; fam&iacute;lia da doadora gen&eacute;tica em parentesco at&eacute; segundo grau, sendo outros casos sujeitos &agrave; autoriza&ccedil;&atilde;o do CRM. O item 2 pro&iacute;be o car&aacute;ter lucrativo ou comercial da cess&atilde;o tempor&aacute;ria de &uacute;tero.<\/p>\n<p>A resolu&ccedil;&atilde;o de 2013 vai introduzir outra s&eacute;rie de mudan&ccedil;as na mesma se&ccedil;&atilde;o VII &ndash; sobre gesta&ccedil;&atilde;o de substitui&ccedil;&atilde;o. A primeira &eacute; prever a gesta&ccedil;&atilde;o de substitui&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m em caso de uni&atilde;o homoafetiva. O segundo ponto &eacute; ampliar os graus de parentesco consangu&iacute;neo at&eacute; quarto grau, incluindo as parentes de ambos os parceiros entre as que poder&atilde;o ser doadoras tempor&aacute;rias de &uacute;tero e especificando o que significa o parentesco (no primeiro grau &ndash; a m&atilde;e; no segundo grau &ndash; a irm&atilde; ou av&oacute;; no terceiro grau &ndash; a tia; no quarto grau &ndash; a prima), mantendo o limite et&aacute;rio de 50 anos.<\/p>\n<p>A se&ccedil;&atilde;o final da resolu&ccedil;&atilde;o de 2010, considerado o item mais pol&ecirc;mico de todos na abordagem da imprensa quando ela foi divulgada e mantido na de 2013, trata da reprodu&ccedil;&atilde;o p&oacute;stuma, permitida se houver autoriza&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via do falecido para uso do material congelado.<\/p>\n<p>Nesses termos, as inova&ccedil;&otilde;es principais da resolu&ccedil;&atilde;o relativizam a prote&ccedil;&atilde;o total concedida ao embri&atilde;o gerado in vitro, permitindo a op&ccedil;&atilde;o quanto aos embri&otilde;es excedentes de descarte ap&oacute;s cinco anos de congelamento e de doa&ccedil;&atilde;o para pesquisa com c&eacute;lulas-tronco, enquanto a resolu&ccedil;&atilde;o de 1992 obrigava o congelamento dos embri&otilde;es excedentes, proibia a destrui&ccedil;&atilde;o de embri&otilde;es sem especificar se eram vi&aacute;veis ou n&atilde;o, havendo apenas a doa&ccedil;&atilde;o para reprodu&ccedil;&atilde;o como alternativa, sem op&ccedil;&atilde;o de descarte ou de uso para pesquisa.<\/p>\n<p>Por outro lado, a resolu&ccedil;&atilde;o de 2013, ao mesmo tempo que abre a possibilidade do uso da gesta&ccedil;&atilde;o substituta para casais masculinos, n&atilde;o faculta que um casal de mulheres compartilhe a gravidez com a transfer&ecirc;ncia do &oacute;vulo de uma companheira para outra gestar, pois a doa&ccedil;&atilde;o permanece an&ocirc;nima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La sofisticaci\u00f3n de las t\u00e9cnicas de reproducci\u00f3n asistida abre nuevas posibilidades de comprensi\u00f3n de la maternidad, parentalidad, familia y parentesco. 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