{"id":1531,"date":"2015-07-01T00:00:00","date_gmt":"2015-07-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2015\/07\/01\/la-escuela-ya-es-diversa\/"},"modified":"2015-07-01T00:00:00","modified_gmt":"2015-07-01T03:00:00","slug":"la-escuela-ya-es-diversa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/entrevistas\/la-escuela-ya-es-diversa\/1531\/","title":{"rendered":"\u201cLa escuela ya es diversa\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"\/uploads\/imagem\/Mapa_Genero%20na%20escola.jpg\" width=\"300\" height=\"210\" align=\"left\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Washington Castilhos<\/em><\/p>\n<p>Pressionados pelas bancadas religiosas e com apoio das igrejas evang&eacute;licas e cat&oacute;lica, deputados estaduais t&ecirc;m retirado do texto dos Planos Estaduais de Educa&ccedil;&atilde;o &ndash; documentos que tra&ccedil;am diretrizes para o ensino brasileiro nos pr&oacute;ximos dez anos &ndash; a men&ccedil;&atilde;o a identidade de g&ecirc;nero, diversidade e orienta&ccedil;&atilde;o sexual, sob o argumento de que essas express&otilde;es estimulariam o que eles chamam de &ldquo;ideologia de g&ecirc;nero&rdquo; &ndash; uma doutrina&ccedil;&atilde;o que deturparia os conceitos de homem e mulher e amea&ccedil;aria o modelo tradicional da fam&iacute;lia brasileira. Nos munic&iacute;pios, a discuss&atilde;o nas C&acirc;maras de Vereadores em torno dos Planos de Educa&ccedil;&atilde;o tem seguido a mesma linha argumentativa, ora centrada na afirma&ccedil;&atilde;o de preceitos religiosos que defendem a manuten&ccedil;&atilde;o de uma &ldquo;ordem natural&rdquo;, ora recorrendo a uma linguagem m&eacute;dico\/jur&iacute;dica, ao insinuar que a discuss&atilde;o de g&ecirc;nero nas escolas aumentaria o ass&eacute;dio sobre crian&ccedil;as e adolescentes e estimularia a pedofilia.&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Retirar esses temas dos Planos de Educa&ccedil;&atilde;o, nos diferentes n&iacute;veis, al&eacute;m de desrespeitar os direitos de crian&ccedil;as e adolescentes &ndash; com o falso discurso de proteg&ecirc;-los, quando na verdade s&oacute; est&atilde;o protegendo a manuten&ccedil;&atilde;o de hierarquias, desigualdades e viol&ecirc;ncias &ndash; tamb&eacute;m desrespeita os direitos de professores e outros profissionais da Educa&ccedil;&atilde;o, ao impedi-los de terem forma&ccedil;&atilde;o e suporte na sua atua&ccedil;&atilde;o como educadores sobre quest&otilde;es que aparecem no cotidiano de seu trabalho. A escola j&aacute; &eacute; diversa&rdquo;, avalia a psic&oacute;loga e doutora em Sa&uacute;de Coletiva Vanessa Leite, coordenadora acad&ecirc;mica do Curso de Especializa&ccedil;&atilde;o em G&ecirc;nero e Sexualidade (EGeS &ndash; CLAM\/IMS\/UERJ) e atual coordenadora de forma&ccedil;&atilde;o do CLAM.<\/p>\n<p>Autora do livro&nbsp;<i>&ldquo;Sexualidade adolescente como direito? A vis&atilde;o de formuladores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas&rdquo;<\/i>&nbsp;(CLAM\/EdUERJ), fruto de<img decoding=\"async\" src=\"\/uploads\/imagem\/vanessa_leite2.jpg\" width=\"164\" height=\"134\" align=\"right\" alt=\"\" \/>sua disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado, Vanessa fala, nesta entrevista, sobre normas hegem&ocirc;nicas na sociedade que afirmam, desde a inf&acirc;ncia, o que &eacute; ser masculino e feminino e as assimetrias e desigualdades criadas a partir da&iacute;, e sobre o papel da escola no questionamento e enfrentamento dessa realidade.<\/p>\n<p><b>Como v&ecirc; o argumento de que abordar e discutir g&ecirc;nero na escola valorizaria uma tal &ldquo;ideologia de g&ecirc;nero&rdquo;?<\/b><\/p>\n<p>Se formos falar em &ldquo;ideologia de g&ecirc;nero&rdquo;, enquanto &ldquo;doutrina&ccedil;&atilde;o&rdquo;, veremos que a escola &eacute; onde mais se constr&oacute;i o lugar do menino e da menina, do que &eacute; feminino e do que &eacute; masculino. Desde muito pequenas, as crian&ccedil;as s&atilde;o separadas entre comportamentos de menina e de menino, brincadeiras e roupas das meninas e dos meninos. E antes ainda do nascimento, a descoberta do sexo de uma crian&ccedil;a vai determinar os presentes, a cor e a decora&ccedil;&atilde;o do quarto, a forma como se comunicar com o beb&ecirc;. Na fam&iacute;lia e na escola &eacute; comum ensinamentos do tipo&nbsp;<i>&ldquo;isso n&atilde;o &eacute; coisa de menina&rdquo;, &ldquo;menino tem que fazer assim&rdquo;&#8230;<\/i>. Na verdade, isso &eacute; uma das maiores crueldades que se faz com as crian&ccedil;as e adolescentes.<\/p>\n<p>N&oacute;s j&aacute; vivemos uma &ldquo;ditadura de g&ecirc;nero&rdquo;, porque o masculino e o feminino s&atilde;o completamente separados, e a escola, em geral, refor&ccedil;a isso. Os meninos s&atilde;o levados a serem agressivos, a terem que brigar, a gostarem de competir. Uma virilidade lhes &eacute; cobrada desde muito pequenos. H&aacute;, inclusive, um est&iacute;mulo a uma &ldquo;sexualiza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, porque o menino tem que ser o &ldquo;pegador&rdquo;, e isso &eacute; terr&iacute;vel, porque eles acabam tendo que se submeter a essa estrutura que &eacute; muito violenta. E no caso das meninas &eacute; ainda pior, pois vivemos em uma realidade onde lhes &eacute; negada uma s&eacute;rie de coisas: elas n&atilde;o podem, por exemplo, praticar alguns esportes porque&nbsp;<i>&ldquo;isso n&atilde;o &eacute; coisa de menina&rdquo;<\/i>. T&ecirc;m um modo particular de sentar, porque&nbsp;<i>&ldquo;menina n&atilde;o senta de perna aberta&rdquo;<\/i>. S&atilde;o coisas muito pequenas que est&atilde;o no cotidiano das escolas e os educadores n&atilde;o se d&atilde;o conta. Isto &eacute; uma &ldquo;ideologia de g&ecirc;nero&rdquo;.<\/p>\n<p><b>&Eacute; bastante evidente na nossa cultura um entendimento de que as pessoas t&ecirc;m os seus comportamentos determinados em fun&ccedil;&atilde;o dos aspectos biol&oacute;gicos que carregam. Ent&atilde;o voc&ecirc; acredita que essa naturaliza&ccedil;&atilde;o dos comportamentos j&aacute; seria, por si s&oacute;, uma &ldquo;ideologia de g&ecirc;nero&rdquo;? Ou seja, ao contr&aacute;rio dos que afirmam que a abordagem de g&ecirc;nero na Educa&ccedil;&atilde;o instauraria uma tal &ldquo;ideologia de g&ecirc;nero&rdquo;, voc&ecirc; acredita que s&atilde;o os referenciais baseados na biologia (como cores, brinquedos, formas de se comportar) que refor&ccedil;am essa ideologia, isto &eacute;, que ela j&aacute; estaria instaurada antes da escola?<\/b><\/p>\n<p>Para qualquer pessoa que convive com alguma crian&ccedil;a fica claro que somos ensinados desde cedo sobre o que &eacute; &ldquo;ser menino&rdquo; e o que &eacute; &ldquo;ser menina&rdquo;. Por que uma menina gosta de rosa? Ela gosta de rosa porque desde pequena ganhou roupas e brinquedos rosas, por ser menina, e todas as outras meninas tamb&eacute;m. A educa&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, e que depois se mant&eacute;m na escola, &eacute; ainda hegemonicamente pela afirma&ccedil;&atilde;o de uma concep&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao g&ecirc;nero que separa e hierarquiza o mundo masculino do mundo feminino de forma brutal. E quando se chega &agrave; adolesc&ecirc;ncia, com a viv&ecirc;ncia da sexualidade, isso se fortalece. Por isso, creio que aqueles que defendem que g&ecirc;nero e sexualidade s&atilde;o assuntos que n&atilde;o devem ser discutidos na escola est&atilde;o completamente descomprometidos com as crian&ccedil;as e adolescentes, uma vez que eles j&aacute; est&atilde;o sendo submetidos a um ensinamento sobre g&ecirc;nero e sexualidade, antes ainda da escola, s&oacute; que essa &eacute; uma educa&ccedil;&atilde;o normatizadora. As normas de g&ecirc;nero s&atilde;o muito r&iacute;gidas. O menino que n&atilde;o cumpre aquilo que &eacute; esperado dele acaba sendo &ldquo;a florzinha&rdquo;, &ldquo;o viadinho&rdquo;, sem que esse menino esteja pensando ainda em quem vai desejar sexualmente. A grande maioria dessas crian&ccedil;as consideradas &ldquo;diferentes&rdquo; ainda n&atilde;o est&aacute; pensando com quem vai se relacionar ou desejar afetivo\/sexualmente mais tarde, apenas n&atilde;o cumpre com uma expectativa de g&ecirc;nero que lhes &eacute; imposta. Assim, acaba se imputando a eles uma homossexualidade. H&aacute; uma confus&atilde;o entre express&otilde;es de g&ecirc;nero e orienta&ccedil;&atilde;o sexual.<\/p>\n<p>Crian&ccedil;as e adolescentes que n&atilde;o cumprem &ldquo;corretamente&rdquo; as normas de g&ecirc;nero e sexualidade s&atilde;o frequentemente discriminadas. Em pesquisa que realizei nos Centros de Cidadania LGBT (ligados ao Programa Rio sem Homofobia), buscando os casos de adolescentes que acessavam os Centros, foi muito recorrente a quest&atilde;o da n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o familiar por conta de o menino se identificar como gay, ou a menina como l&eacute;sbica. Ou ainda pelo fato de alguns adolescentes n&atilde;o se verem no g&ecirc;nero que lhes foi assignado ao nascer, identificando-se como travestis e transexuais. A maior parte dos casos de adolescentes que procuraram os Centros enfrentava problemas com a fam&iacute;lia ou na vizinhan&ccedil;a. Mas tamb&eacute;m havia muitos casos de desrespeito e viol&ecirc;ncias diversas sofridas nas escolas, tanto da parte de colegas, como de professores e gestores.<\/p>\n<p><b>Qual o papel da escola no enfrentamento de quest&otilde;es ligadas &agrave; sexualidade e g&ecirc;nero?<\/b><\/p>\n<p>&Eacute; fundamental que os espa&ccedil;os educativos e que a pol&iacute;tica de Educa&ccedil;&atilde;o d&ecirc;em conta disso, porque essas crian&ccedil;as e adolescentes est&atilde;o na escola cotidianamente, e se elas n&atilde;o t&ecirc;m apoio na fam&iacute;lia, &eacute; importante que na escola elas tenham algum suporte para viver esses momentos dif&iacute;ceis de descoberta e transi&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Ao contr&aacute;rio dos argumentos dos que se op&otilde;em a essa discuss&atilde;o na escola, todos os estudos refor&ccedil;am que falar sobre o assunto n&atilde;o vai estimular o in&iacute;cio da vida sexual, muito menos determinar a orienta&ccedil;&atilde;o sexual das crian&ccedil;as e adolescentes. Al&eacute;m disso, &eacute; importante lembrar que a escola n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico lugar em que crian&ccedil;as e adolescentes t&ecirc;m acesso a esses temas. H&aacute; muito sobre sexualidade e g&ecirc;nero na televis&atilde;o, na internet, na rua, e esses tamb&eacute;m s&atilde;o espa&ccedil;os de aprendizado, muitas vezes feito de forma equivocada por esses meios. Por isso, &eacute; fundamental tirar a sexualidade do plano do proibido, do ruim, do n&atilde;o falado. A sexualidade &eacute; uma dimens&atilde;o da vida como qualquer outra, que todos n&oacute;s vamos experimentar, e negar essa discuss&atilde;o na escola &eacute; impedir que crian&ccedil;as e adolescentes possam dialogar sobre esses temas e ter maiores condi&ccedil;&otilde;es de viver sua sexualidade de uma forma saud&aacute;vel e prazerosa. Inclusive para que elas possam tamb&eacute;m se proteger melhor de poss&iacute;veis viol&ecirc;ncias.<\/p>\n<p><b>Os opositores &agrave; men&ccedil;&atilde;o do g&ecirc;nero na Educa&ccedil;&atilde;o sustentam o discurso de que abordar esse tipo de assunto &eacute; um papel da fam&iacute;lia.<\/b><\/p>\n<p>Este tamb&eacute;m &eacute; um papel da fam&iacute;lia, s&oacute; que em muitas fam&iacute;lias (e isso ainda &eacute; um tabu na nossa sociedade) n&atilde;o se consegue conversar sobre sexualidade com os filhos. E muitas vezes, quando se conversa, se reproduzem valores que n&atilde;o d&atilde;o conta da necessidade do seu filho ou filha. Assim, &eacute; fundamental que os espa&ccedil;os educativos tratem do tema da sexualidade. Esse &eacute; tamb&eacute;m um papel da Escola. Todos os estudos t&ecirc;m mostrado que as crian&ccedil;as e adolescentes que contam com espa&ccedil;os onde possam conversar sobre sexualidade vivem de forma mais tranquila, e t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de fazer escolhas mais conscientes.<\/p>\n<p>As crian&ccedil;as conhecem o mundo experimentando, brincando. O fato de uma crian&ccedil;a experimentar se vestir de outro g&ecirc;nero, n&atilde;o quer dizer necessariamente que ela ser&aacute; transexual. Se a crian&ccedil;a sente necessidade de tocar seu corpo e isso d&aacute; prazer a ela, o papel do adulto &eacute; de orientar para que ela n&atilde;o se machuque e se proteja, permitindo que ela atenda sua curiosidade. Quando se chama muita aten&ccedil;&atilde;o para essa descoberta, mais se refor&ccedil;a uma ideia de que a masturba&ccedil;&atilde;o &eacute; uma coisa errada, proibida, e de que ele ou ela n&atilde;o pode falar sobre isso. E assim, vai se construindo uma s&eacute;rie de impossibilidades discursivas em rela&ccedil;&atilde;o ao corpo e &agrave; sexualidade. O problema &eacute; que nossa sociedade tem sido historicamente autorit&aacute;ria com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s crian&ccedil;as e adolescentes. A crian&ccedil;a n&atilde;o tem voz e quando o tema &eacute; sexualidade, a situa&ccedil;&atilde;o se complexifica.<\/p>\n<p>N&atilde;o adianta dizer que n&atilde;o podemos tratar de g&ecirc;nero e sexualidade na escola. Primeiro porque j&aacute; h&aacute; concep&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero e sexualidade na escola. Segundo porque crian&ccedil;as que n&atilde;o se identificam com as normas de g&ecirc;nero j&aacute; est&atilde;o nas escolas. Adolescentes que come&ccedil;am a descobrir desejos por pessoas do mesmo sexo j&aacute; est&atilde;o na escola. Negar que a escola tenha que lidar com tal tema &eacute; mais uma viol&ecirc;ncia a que submetemos essas crian&ccedil;as e adolescentes. Ao n&atilde;o discutirmos nada, estamos mantendo uma concep&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica que exclui o que &eacute; diferente. Discutimos g&ecirc;nero na escola sim, mas de uma forma que nega a muitos o direito de viver seu g&ecirc;nero e sua sexualidade.<\/p>\n<p><b>Acredita que essa oposi&ccedil;&atilde;o ao g&ecirc;nero na Educa&ccedil;&atilde;o esteja relacionada &agrave; hip&oacute;tese do backlash, segundo a qual os avan&ccedil;os em dire&ccedil;&atilde;o a uma maior igualdade de g&ecirc;nero estariam produzindo uma forma de rea&ccedil;&atilde;o contra a perda de poder e tentativa de reintegrar as mulheres &agrave;s estruturas patriarcais, conforme pontua a pesquisadora Ana Paula Portela? E por isso n&atilde;o poder ser assumido claramente, n&atilde;o estariam tais setores escondendo-se por tr&aacute;s do argumento da defesa da fam&iacute;lia e de uma estrat&eacute;gia discursiva &ndash; que inclui o uso de termos como &ldquo;ideologia de g&ecirc;nero&rdquo; e &ldquo;pedofilia&rdquo;, e sua suposta correla&ccedil;&atilde;o &ndash;, visando com isso arrebanhar aliados, j&aacute; que a palavra &ldquo;pedofilia&rdquo;, por si s&oacute;, j&aacute; causa um certo p&acirc;nico social?<\/b><\/p>\n<p>Vivemos na sociedade brasileira um embate no que diz respeito &agrave;s moralidades em rela&ccedil;&atilde;o ao g&ecirc;nero e &agrave; sexualidade. Um momento em que diferentes moralidades se confrontam fortemente. Consequ&ecirc;ncia, inclusive, das lutas e da organiza&ccedil;&atilde;o de coletivos que historicamente foram exclu&iacute;dos. H&aacute; d&eacute;cadas, o Movimento de Mulheres e o Movimento Homossexual, mais recentemente denominado LGBT, come&ccedil;aram a se organizar. A organiza&ccedil;&atilde;o de tais grupos e a conquista de espa&ccedil;os e direitos at&eacute; ent&atilde;o negados levou setores mais conservadores a reagirem. Mas no centro do confronto n&atilde;o est&atilde;o apenas concep&ccedil;&otilde;es religiosas, a preocupa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; s&oacute; religiosa, &eacute; tamb&eacute;m pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica. Estamos falando de uma intensa luta ideol&oacute;gica por espa&ccedil;os de poder nas estruturas do Estado. E isso tem que ser falado claramente, h&aacute; muitos interesses pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos em jogo.<\/p>\n<p>Quanto ao argumento de defesa da fam&iacute;lia, o interesse vai muito al&eacute;m de defend&ecirc;-la. Porque se n&oacute;s queremos defender a fam&iacute;lia brasileira, basta olhar &agrave; volta em qualquer cidade de qualquer Estado brasileiro, e vamos ver que a fam&iacute;lia brasileira &eacute; diversa h&aacute; muito tempo. N&atilde;o existe s&oacute; aquilo que se convencionou chamar de &ldquo;nova fam&iacute;lia&rdquo;. Existem milhares de fam&iacute;lias chefiadas por mulheres, de av&oacute;s que criam netos, amigos que vivem juntos como fam&iacute;lia&#8230; O padr&atilde;o mais tradicional de fam&iacute;lia nuclear j&aacute; n&atilde;o reflete a realidade h&aacute; muito tempo. Quantos homens, rompendo com as expectativas tradicionais, assumem a cria&ccedil;&atilde;o dos filhos sozinhos? Assim, uma fam&iacute;lia de dois homens ou de duas mulheres com seus filhos &eacute; mais uma possibilidade, entre tantos formatos de fam&iacute;lia que j&aacute; conhecemos.<\/p>\n<p>Mas isso come&ccedil;a a incomodar a partir do momento em que confronta uma estrutura hegem&ocirc;nica, que tira o direito de alguns e mant&eacute;m &ldquo;a normalidade&rdquo; na m&atilde;o de outros. Na minha opini&atilde;o, n&atilde;o cabe o discurso de &ldquo;amea&ccedil;a &agrave; fam&iacute;lia brasileira&rdquo;. Recentemente houve no site do Senado uma enquete que perguntava&nbsp;<i>&ldquo;Voc&ecirc; acha que a fam&iacute;lia &eacute; aquela formada por homem e mulher?&rdquo;<\/i>. Isto porque o que se tem &eacute; um discurso de que &ldquo;os LGBT est&atilde;o fazendo uma campanha para acabar com a fam&iacute;lia&rdquo;. Mas as quest&otilde;es de fam&iacute;lia est&atilde;o muito al&eacute;m das quest&otilde;es de orienta&ccedil;&atilde;o sexual. Vivemos em uma sociedade em que o n&uacute;mero de crian&ccedil;as abandonadas e negligenciadas &eacute; enorme, em que os &iacute;ndices de viol&ecirc;ncia intrafamiliar contra elas s&atilde;o grandes. Poder&iacute;amos dizer que foi isso que a fam&iacute;lia tradicional produziu? A viol&ecirc;ncia e o abandono? &Eacute; claro que n&atilde;o cabe esse discurso generalizante, mas &eacute; bom lembrar que h&aacute; fam&iacute;lias que apoiam e contribuem para o desenvolvimento de seus filhos e fam&iacute;lias que n&atilde;o, de todos os tipos. E afinal de contas, fam&iacute;lia deve ser composta por aqueles com quem contamos afetivamente.<\/p>\n<p>Outro aspecto que n&atilde;o podemos esquecer, &eacute; que muitos dos que defendem a n&atilde;o discuss&atilde;o do g&ecirc;nero e da sexualidade na escola &ldquo;em defesa da fam&iacute;lia e das crian&ccedil;as&rdquo;, s&atilde;o os mesmos que defendem a redu&ccedil;&atilde;o da maioridade penal, outro debate fundamental em curso no pa&iacute;s. Que fam&iacute;lias e que crian&ccedil;as e adolescentes esses setores defendem? Os adolescentes negros e de fam&iacute;lias pobres podem ser presos e tratados como adultos, mas n&atilde;o podem ter na escola p&uacute;blica debates fundamentais a seu desenvolvimento. Acredito que o que precisamos &eacute; de mais escolas de qualidade, atentas &agrave;s in&uacute;meras diferen&ccedil;as e lidando com elas como riqueza e n&atilde;o crit&eacute;rio de exclus&atilde;o..<\/p>\n<p><b>O g&ecirc;nero foi inicialmente criado como categoria anal&iacute;tica para questionar assimetrias e hierarquias entre homens e mulheres. Depois, os estudos de g&ecirc;nero avan&ccedil;aram para al&eacute;m dessas diferen&ccedil;as, e surgiram termos como &ldquo;identidades de g&ecirc;nero&rdquo; ou &ldquo;express&otilde;es de g&ecirc;nero&rdquo;, que contemplam tamb&eacute;m identidades homossexuais. Isso n&atilde;o estaria propiciando uma certa confus&atilde;o entre g&ecirc;nero e homossexualidade?<\/b><\/p>\n<p>N&atilde;o sei se h&aacute; confus&atilde;o. H&aacute;, de certo, deturpa&ccedil;&atilde;o de discursos. Os estudos de g&ecirc;nero se desenvolveram no pa&iacute;s a partir de um questionamento das assimetrias entre homens e mulheres, entre masculinidades e feminilidades. Quem se incomoda com o discurso de g&ecirc;nero est&aacute; se vinculando a uma concep&ccedil;&atilde;o que defende a manuten&ccedil;&atilde;o da mulher em um lugar de subalternidade. Mas, para al&eacute;m da discuss&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre homens e mulheres, os estudos de g&ecirc;nero nos trazem uma importante contribui&ccedil;&atilde;o ao questionar o que seria &ldquo;naturalmente&rdquo; feminino e masculino. Logo, o quanto essas fronteiras s&atilde;o &ldquo;impostas&rdquo; pela cultura. Assim, podemos discutir, o qu&atilde;o violenta pode ser a socializa&ccedil;&atilde;o infantil, visto que as crian&ccedil;as s&atilde;o, desde muito cedo, &ldquo;adestradas&rdquo; a cumprir pap&eacute;is que s&atilde;o esperados delas e ensinadas a encaixar-se nos padr&otilde;es hegem&ocirc;nicos em rela&ccedil;&atilde;o ao g&ecirc;nero.<\/p>\n<p>O fato de um Plano Municipal ou Estadual de Educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o falar nada a respeito de diversidade n&atilde;o vai mudar a realidade de que muitos adolescentes est&atilde;o experimentando tr&acirc;nsitos de g&ecirc;nero, e todos os adolescentes est&atilde;o exercitando sua sexualidade, a despeito do interesse ou do que pensam os deputados e vereadores que elaboram esses Planos. O discurso de nega&ccedil;&atilde;o dessas experi&ecirc;ncias s&oacute; desrespeita os direitos desses jovens. Nosso discurso &ndash; se estamos efetivamente comprometidos com a prote&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e adolescentes &ndash; tem que ser pela afirma&ccedil;&atilde;o dos direitos deles e delas viverem sua sexualidade e express&otilde;es de g&ecirc;nero. As escolas convivem com muitas diferen&ccedil;as e ali deve ser o espa&ccedil;o onde tais diferen&ccedil;as podem ser trabalhadas e discutidas. Negar a discuss&atilde;o &eacute; negar a possibilidade de atuarmos afirmativamente na forma&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os que se respeitam.<\/p>\n<p>Deste modo, &eacute; importante que as tem&aacute;ticas de g&ecirc;nero e sexualidade sejam explicitadas nos Planos. A men&ccedil;&atilde;o gen&eacute;rica que ora est&aacute; sendo proposta por alguns opositores, do tipo &ldquo;respeito &agrave;s diversidades&rdquo;, &eacute; apenas um &ldquo;tapa-buraco&rdquo;, n&atilde;o serve para o momento em que os planos precisam &ldquo;entrar em a&ccedil;&atilde;o&rdquo;, a partir da constru&ccedil;&atilde;o de metas e a&ccedil;&otilde;es. Por isso, &eacute; preciso especificar. Ser gen&eacute;rico n&atilde;o garante que a&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o a essas tem&aacute;ticas realmente chegar&atilde;o &agrave; escola.<\/p>\n<p>A discuss&atilde;o que articula g&ecirc;nero e sexualidade e crian&ccedil;as e adolescentes &eacute; dif&iacute;cil, mas fundamental. Assim, acredito que o fato desse debate vir &agrave; tona &eacute; muito importante, ainda que, infelizmente, venha articulado &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;p&acirc;nico moral&rdquo;. Discutir o tema, mesmo nessas bases, tendo que enfrentar argumentos que muitas vezes consideramos absurdos, &eacute; melhor do que o sil&ecirc;ncio. O debate est&aacute; em jogo. Podemos defender nossas concep&ccedil;&otilde;es. Isso j&aacute; vale muito.<\/p>\n<p><b>O atual debate est&aacute; muito centrado em argumentos religiosos, segundo os quais a &ldquo;ideologia de g&ecirc;nero&rdquo; seria uma &lsquo;doutrina&ccedil;&atilde;o&rsquo; que, ao desconsiderar as diferen&ccedil;as anat&ocirc;micas &ldquo;naturais&rdquo; de meninos e meninas, iria contra uma ordem &ldquo;natural&rdquo; divina. Como v&ecirc; mais uma vez a forte presen&ccedil;a do religioso nos assuntos do Estado?<\/b><\/p>\n<p>O foco tem sido colocado no religioso, mas os Planos nada t&ecirc;m a ver com isso, pois se trata do debate da pol&iacute;tica de Educa&ccedil;&atilde;o, que lida com estudantes e fam&iacute;lias de diversos credos e religi&otilde;es. &Eacute; um equ&iacute;voco conduzir a discuss&atilde;o por esse caminho. Em nome do respeito &agrave;s cren&ccedil;as de algumas fam&iacute;lias, acaba-se desrespeitando milh&otilde;es de outras. Acredito que a Escola tem que ser o lugar de respeito a todas as cren&ccedil;as religiosas e tamb&eacute;m &agrave;queles que n&atilde;o as t&ecirc;m. Mas o foco aqui &eacute; pol&iacute;tica educacional. H&aacute; um desvirtuamento do debate para envolver as pessoas pela paix&atilde;o.<\/p>\n<p><b>Tamb&eacute;m &eacute; muito comum que o adolescente que enfrenta problemas ligados ao seu g&ecirc;nero e &agrave; sua sexualidade na fam&iacute;lia encontre tamb&eacute;m problemas na escola, n&atilde;o s&oacute; por parte de colegas, mas por parte de professores e de gestores. A escola estaria sensibilizada e preparada para tratar desses assuntos?<\/b><\/p>\n<p>Um ponto fundamental dessa discuss&atilde;o &eacute; a necess&aacute;ria cria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os de reflex&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o dos professores e de todos os profissionais de educa&ccedil;&atilde;o sobre as tem&aacute;ticas de g&ecirc;nero e sexualidade. Pois, como falamos, o g&ecirc;nero e a sexualidade est&atilde;o cotidianamente na escola &ndash; seja nas brincadeiras, na afirma&ccedil;&atilde;o de lugares e possibilidades, seja na forma como meninas e meninos s&atilde;o tratados e espera-se que se comportem, ou nas descobertas e encontros. N&atilde;o possibilitar espa&ccedil;os de forma&ccedil;&atilde;o para os profissionais, onde eles e elas possam refletir sobre suas concep&ccedil;&otilde;es e trocar experi&ecirc;ncias do que vivenciam, &eacute; extremamente violento com esses profissionais, pois eles ficam sozinhos para lidar com essas quest&otilde;es que aparecem no cotidiano de seu trabalho.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a proposta de retirar esses temas dos Planos de Educa&ccedil;&atilde;o, nos diferentes n&iacute;veis, al&eacute;m de desrespeitar os direitos de crian&ccedil;as e adolescentes &ndash; com o falso discurso de proteg&ecirc;-los, quando na verdade s&oacute; est&atilde;o protegendo a manuten&ccedil;&atilde;o de hierarquias, desigualdades e viol&ecirc;ncias &ndash; tamb&eacute;m desrespeita os direitos de professores e outros profissionais da Educa&ccedil;&atilde;o, ao impedi-los de terem forma&ccedil;&atilde;o e suporte na sua atua&ccedil;&atilde;o como educadores. No meu contato com educadores de diferentes localidades, tenho encontrado muito interesse e eles me expressam a import&acirc;ncia de contarem com espa&ccedil;os de reflex&atilde;o. Pois s&atilde;o desafiados cotidianamente a lidar com essas tem&aacute;ticas e se sentem muito solit&aacute;rios quando as pol&iacute;ticas de Educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o lhes garantem essa possibilidade de forma&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Referencias a g\u00e9nero y orientaci\u00f3n sexual son retiradas de los Planos Estaduales y Municipales de Educaci\u00f3n brasile\u00f1os bajo el pretexto de que valorizar\u00edan un \u2018adoctrinamiento\u2019 que tergiversa las concepciones de hombre y mujer. 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