{"id":1578,"date":"2007-09-06T00:00:00","date_gmt":"2007-09-06T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2007\/09\/06\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/"},"modified":"2007-09-06T00:00:00","modified_gmt":"2007-09-06T03:00:00","slug":"trajetorias-sexuais-de-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/","title":{"rendered":"Trajet\u00f3rias sexuais de mulheres"},"content":{"rendered":"<p><P><EM><STRONG>&ldquo;Trajet\u00f3rias afetivas e sexuais de mulheres: uma compara\u00e7\u00e3o geracional&rdquo;<\/STRONG><\/EM> <\/P> <P><B>Andr\u00e9a Moraes (p\u00f3s-doutoranda)*<\/B> <\/P> <P>A id\u00e9ia central do projeto &ldquo;Trajet\u00f3rias afetivas e sexuais de mulheres: uma compara\u00e7\u00e3o geracional&rdquo; \u00e9 poder trabalhar com a dimens\u00e3o das escolhas individuais em uma perspectiva sociol\u00f3gica, ou seja, identificar o campo de possibilidades no interior do qual os sujeitos podem fazer suas escolhas. Colocar essas escolhas numa perspectiva temporal tamb\u00e9m nos auxilia a pensar sua din\u00e2mica tanto do ponto de vista do indiv\u00edduo, ou seja, o que acontece ao longo de uma trajet\u00f3ria, quanto do ponto de vista hist\u00f3rico, ou seja, o que ocorre na passagem de um momento da vida em sociedade para o outro.<BR>  <P>A pesquisa est\u00e1 centrada na coleta de relatos orais de mulheres sobre suas trajet\u00f3rias sexuais e afetivas. Elaborei um roteiro de entrevista que conta com perguntas sobre: primeiro relacionamento amoroso, primeira experi\u00eancia sexual, experi\u00eancia sexual atual, parcerias sexuais ao longo da vida, pr\u00e1ticas e grau de satisfa\u00e7\u00e3o na vida sexual, uso de m\u00e9todos contraceptivos, aborto e cuidados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s DST\u00b4s. As mulheres foram selecionadas para entrevista a partir de dois crit\u00e9rios centrais: idade e escolaridade. Foram escolhidas mulheres com idade entre 20 e 27 anos, 37 a 47 anos e de 60 a 70 anos e com ensino universit\u00e1rio completo ou incompleto. O fator educacional \u00e9 um poderoso fator de distin\u00e7\u00e3o social, principalmente para a gera\u00e7\u00e3o mais velha. A restri\u00e7\u00e3o das entrevistadas a esse perfil universit\u00e1rio \u00e9 o que confere, apesar das diferen\u00e7as entre elas, alguma unidade ao conjunto das entrevistas, necess\u00e1ria \u00e0 compara\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m desses dois crit\u00e9rios, houve uma preocupa\u00e7\u00e3o em buscar mulheres com orienta\u00e7\u00f5es sexuais diferenciadas, assim, para cada grupo et\u00e1rio procurou-se por trajet\u00f3rias que inclu\u00edssem pr\u00e1ticas sexuais com pessoas do mesmo sexo, pr\u00e1ticas sexuais com pessoas do sexo oposto e trajet\u00f3rias que inclu\u00edssem ambas as pr\u00e1ticas. A id\u00e9ia aqui \u00e9 a de trabalhar com a diversidade sexual dentro de uma perspectiva de g\u00eanero, ou seja, pensar &#8211; se existe? E quando existe? E como \u00e9? &#8211; a rela\u00e7\u00e3o entre exerc\u00edcios da sexualidade entre mulheres e de mulheres e a constru\u00e7\u00e3o de identidades de g\u00eanero feminino.<BR>  <P>Nesse momento, a fase de entrevistas foi conclu\u00edda e conto com 34 relatos ao todo. Em rela\u00e7\u00e3o ao grupo et\u00e1rio mais velho, tenho um outro material que vou agregar a esse. S\u00e3o nove entrevistas de hist\u00f3rias de vida que fiz entre 2004 e 2005 com mulheres entre 60 e 70 anos, tamb\u00e9m com acesso ao ensino universit\u00e1rio. Nessas hist\u00f3rias a dimens\u00e3o da vida afetiva e sexual tamb\u00e9m foi explorada. Nesse grupo de entrevistas existem duas mulheres que tiveram experi\u00eancia sexual com mulheres.<BR>  <P>Ainda h\u00e1 muito que fazer para o tratamento das entrevistas. Gostaria de tratar nessa palestra de uma dimens\u00e3o espec\u00edfica dos relatos e fazer uma breve compara\u00e7\u00e3o entre eles. \u00c9 ainda um exerc\u00edcio preliminar, mas creio que prof\u00edcuo. Quando a entrevistadora apresenta a pesquisa diz tratar-se de uma investiga\u00e7\u00e3o sobre &ldquo;trajet\u00f3rias afetivas e sexuais de mulheres&rdquo;; temos duas esferas de sentido que ficam conectadas em alguma medida, a esfera dos sentimentos\/afetos e a esfera das pr\u00e1ticas\/viv\u00eancias sexuais. Nos relatos essas esferas se misturam e se afastam, num deslizamento incessante. Minha impress\u00e3o inicial \u00e9 que existe uma influ\u00eancia geracional nesses deslizamentos. Entretanto, n\u00e3o podemos atribuir exclusivamente \u00e0 idade essa diferen\u00e7a. Quando falo em gera\u00e7\u00e3o, o que tenho em mente \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre ter uma determinada idade e partilhar de experi\u00eancias comuns \u00e0s pessoas daquela idade. Al\u00e9m disso, devemos levar em conta que conforme avan\u00e7amos nos grupos et\u00e1rios\/geracionais tamb\u00e9m vamos assistindo a uma mudan\u00e7a na maneira como as mulheres falam das experi\u00eancias sexuais e dos afetos: o vocabul\u00e1rio muda, os cen\u00e1rios se transformam, a densidade das cenas ganha outro colorido. O exerc\u00edcio da sexualidade \u00e9 uma pr\u00e1tica que vai ganhando terreno na vida das mulheres, as mais jovens estariam no in\u00edcio desse processo. Mas, n\u00e3o quero dizer com isso que haja uma progress\u00e3o linear, o processo n\u00e3o \u00e9 de amplia\u00e7\u00e3o progressiva da dimens\u00e3o da sexualidade na vida das pessoas, ao contr\u00e1rio, o movimento pode ser pendular com momentos de maior e menor valoriza\u00e7\u00e3o dessa esfera na vida das mulheres entrevistadas.<BR>  <P>O ponto espec\u00edfico que eu gostaria de explorar hoje diz respeito ao uso de uma &ldquo;linguagem&rdquo; para descrever as experi\u00eancias sexuais. Nesse sentido, identifico diferen\u00e7as entre as gera\u00e7\u00f5es de mulheres.<BR>  <P>Entre as mulheres jovens o que ganha express\u00e3o nos relatos sobre a vida sexual s\u00e3o os termos &ldquo;intimidade&rdquo; e &ldquo;confian\u00e7a&rdquo;. Eles t\u00eam diferentes sentidos e ambos aparecem nos discursos femininos. A intimidade relaciona-se diretamente com o tempo, quanto mais longo o tempo, maior intimidade. A intimidade manifesta-se em dois sentidos: consigo mesmo e com o outro, intimidade significa conhecer mais e melhor seu pr\u00f3prio corpo e o que fazer na hora do sexo, a intimidade na rela\u00e7\u00e3o significa que existe liberdade e perda de pudor entre o casal, a intimidade tornaria o desempenho sexual mais prazeroso. \u00c9 algo que se conquista atrav\u00e9s da pr\u00e1tica; \u00e9 um aprendizado de si e sobre o outro, uma descoberta. Quando se alcan\u00e7a intimidade \u00e9 sinal de que h\u00e1 um amadurecimento da pessoa e da rela\u00e7\u00e3o. A confian\u00e7a implica estabilidade da rela\u00e7\u00e3o, o que significa dizer que deve haver pelo menos algum sinal do outro de que pretende dar alguma continuidade ao relacionamento. A estabilidade \u00e9 medida pela rea\u00e7\u00e3o do outro, da\u00ed a preocupa\u00e7\u00e3o em saber se o outro n\u00e3o vai abandonar a rela\u00e7\u00e3o se houver intercurso sexual e se a mulher n\u00e3o vai &ldquo;ficar falada&rdquo;. H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o da mulher em n\u00e3o ter muitas rela\u00e7\u00f5es sexuais com parceiros diferentes nem ceder sempre \u00e0s investidas dos namorados, justamente para n\u00e3o ser acusada de &ldquo;dar muita confian\u00e7a&rdquo;. As mulheres que usam a categoria &ldquo;intimidade&rdquo; n\u00e3o se preocupam tanto em controlar a quantidade de seus relacionamentos sexuais, ao contr\u00e1rio, a pr\u00e1tica constante e variada \u00e9 que leva \u00e0 melhoria do sexo. O termo confian\u00e7a s\u00f3 foi mencionado por mulheres com pr\u00e1ticas exclusivamente heterossexuais. J\u00e1 o termo intimidade aparece nos discursos de jovens com pr\u00e1ticas tanto homo quanto heterossexuais. Um aspecto que considero bastante relevante \u00e9 o fato de haver pouca refer\u00eancia ao amor e \u00e0 paix\u00e3o relacionados ao sexo. Num total de 12 relatos nessa faixa et\u00e1ria, somente duas mulheres utilizaram uma linguagem sentimental para se referir \u00e0s suas experi\u00eancias sexuais: uma delas disse que s\u00f3 transa porque ama o namorado e uma outra falou que o ideal para ela seria intimidade, estabilidade e paix\u00e3o, mas ela acha que tudo isso junto, na verdade, n\u00e3o existe.<BR>  <P><B>&ldquo;Eu tenho a impress\u00e3o que cada relacionamento tem um ponto forte. N\u00e3o d\u00e1 pra encontrar tudo numa pessoa s\u00f3, sabe? Como \u00e9 que eu vou encontrar um cara que seja parceiro, que seja companheiro, que goste de mim, me respeite, que eu goste dele, que seja bom de cama, que eu tenha tes\u00e3o nele, que seja bem sucedido, seja um cara preocupado com futuro, interessado em constituir fam\u00edlia, sabe? N\u00e3o estou achando que eu vou encontrar essa pessoa perfeita. E Eu tamb\u00e9m n\u00e3o sou perfeita&rdquo;.<\/B>  <P>No grupo intermedi\u00e1rio, com idades entre 37 e 47 anos, a linguagem muda. Torna-se n\u00edtida a id\u00e9ia de estabelecimento de um projeto no campo amoroso e sexual. O projeto \u00e9 entendido aqui no sentido que Gilberto Velho empresta ao termo. \u00c9 uma maneira de dar sentido a uma trajet\u00f3ria, de construir uma mem\u00f3ria dos envolvimentos amorosos e sexuais e tra\u00e7ar expectativas futuras baseadas nessas experi\u00eancias pregressas. Os relatos das hist\u00f3rias de envolvimento ganham mais intensidade e s\u00e3o vistos como contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o da narradora como pessoa. Cada envolvimento \u00e9 analisado do ponto de vista das contribui\u00e7\u00f5es que trouxe para a forma\u00e7\u00e3o de si. O outro da rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 avaliado e julgado. O campo das rela\u00e7\u00f5es de amor sexual \u00e9 valorizado pelas mulheres entrevistadas porque indica para elas e para os outros a possibilidade que elas t\u00eam de estabelecer rela\u00e7\u00f5es com outras pessoas. \u00c9 o status de &ldquo;casada&rdquo;, &ldquo;separada&rdquo;, &ldquo;solteira&rdquo;, &ldquo;encalhada&rdquo;, &ldquo;namorada&rdquo;, &ldquo;caso&rdquo; que confere um eixo para a mulher a partir do qual ela pode conceber um projeto no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es afetivas e sexuais; um projeto que pode incluir a manuten\u00e7\u00e3o desse status ou sua modifica\u00e7\u00e3o. O projeto pode se tornar p\u00fablico, dependendo do seu grau de aceita\u00e7\u00e3o social. As mulheres s\u00e3o julgadas como femininas se apresentam projetos afetivos e sexuais nos quais o envolvimento relacional esteja em foco. O significado da pr\u00e1tica sexual nesse envolvimento relacional \u00e9 variado.<BR>  <P>No caso das mulheres casadas, o sexo \u00e9 um elemento de manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade da rela\u00e7\u00e3o. Entre as mulheres heterossexuais, casadas, com filhos pequenos h\u00e1 uma queixa relativa \u00e0 perda de qualidade das rela\u00e7\u00f5es sexuais no casamento. Elas avaliam que a rela\u00e7\u00e3o poderia estar melhor se elas e os respectivos parceiros investissem mais na qualidade da rela\u00e7\u00e3o sexual. Mas, elas atribuem ao cansa\u00e7o cotidiano e \u00e0s exig\u00eancias de ter filhos pequenos os obst\u00e1culos a esse investimento. Ressalto que elas evocam a necessidade de um comprometimento m\u00fatuo do casal na melhoria da qualidade da vida sexual. Elas n\u00e3o assumem a tarefa como algo exclusivo de um dos g\u00eaneros, ao estilo do &ldquo;casal igualit\u00e1rio&rdquo;, retratado na literatura antropol\u00f3gica sobre o casamento nas camadas m\u00e9dias. Um modelo de d\u00edade que tem como valor o apagamento das fronteiras de g\u00eanero no cotidiano das rela\u00e7\u00f5es conjugais. Para essas mulheres, a rela\u00e7\u00e3o sexual caiu numa rotina e n\u00e3o existe uma variedade de posi\u00e7\u00f5es e car\u00edcias. A dura\u00e7\u00e3o do ato tamb\u00e9m \u00e9 considerada pequena se comparada com o in\u00edcio do casamento. A chegada dos filhos \u00e9 um marco divisor da libido, as mulheres se queixam de que seu interesse por sexo diminuiu, que a excita\u00e7\u00e3o \u00e9 menor, que n\u00e3o h\u00e1 mais privacidade para o casal. Conversam sobre o assunto com seus maridos, mas o casal n\u00e3o consegue tomar atitudes para &ldquo;melhorar a rela\u00e7\u00e3o&rdquo;.<BR>  <P>Entre as mulheres que est\u00e3o casadas com mulheres, a necessidade de investimento no sexo tamb\u00e9m se exprimiu. O recurso a produtos er\u00f3ticos foi explicitamente citado por uma das mulheres como tendo aberto mais possibilidades de explora\u00e7\u00e3o do prazer no casal:<BR>  <P><B>&ldquo;A gente gosta desses cremes, tem v\u00e1rios cremes que a gente usa. Tem uns vibradores. Nada assim, a gente nunca comprou nada em forma de p\u00eanis, n\u00e3o. \u00c9 mais creme e uns brinquedos que eles fazem, dados, peninha, algema, essas coisas. A gente inventa muito, a gente fica olhando o que tem de diferente, de novo assim, a gente compra pra ver como \u00e9 que \u00e9&rdquo;.<\/B>  <P>H\u00e1 uma sintonia entre o v\u00ednculo relacional e a boa qualidade da vida sexual no par de mulheres. O fato de ser uma rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel, classificada como casamento, implica na exist\u00eancia de uma rela\u00e7\u00e3o sexual considerada satisfat\u00f3ria. A rela\u00e7\u00e3o pode at\u00e9 perdurar se o sexo n\u00e3o estiver bom, mas certamente n\u00e3o ir\u00e1 muito longe. Como disse uma das entrevistadas, &ldquo;vira amizade; sexo bom \u00e9 determinante&rdquo;. Se virar amizade, abre-se uma porta para a possibilidade de trai\u00e7\u00e3o e a poss\u00edvel substitui\u00e7\u00e3o dessa rela\u00e7\u00e3o por outra. Porque, segundo elas, se a mulher transa com outra, n\u00e3o \u00e9 igual a homem, que &ldquo;separa as coisas&rdquo;, \u00e9 porque algo &ldquo;j\u00e1 est\u00e1 muito errado&rdquo; na rela\u00e7\u00e3o, \u00e9 um sinal claro de que os sentimentos mudaram.<BR>  <P><B>&ldquo;As mulheres homossexuais s\u00e3o muito assim. Se algu\u00e9m te interessa l\u00e1 fora \u00e9 porque a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o ta legal, ent\u00e3o voc\u00ea termina a rela\u00e7\u00e3o, ou ent\u00e3o \u00e0s vezes nem termina. Que com mulher acontece muito isso, n\u00e9? Voc\u00ea tem a rela\u00e7\u00e3o, a\u00ed voc\u00ea se apaixona por outra pessoa, mas voc\u00ea n\u00e3o consegue acabar com aquela rela\u00e7\u00e3o e a\u00ed a outra pessoa n\u00e3o \u00e9 burra, ela vai come\u00e7ando a perceber que voc\u00ea muda, n\u00e9? E a\u00ed a outra pessoa vai te encostando na parede, vai te encostando na parede, voc\u00ea vai dizendo que n\u00e3o, que ela ta delirando, e na verdade n\u00e3o \u00e9 isso n\u00e3o, voc\u00ea ta realmente envolvida com outra pessoa aqui fora. Eu canso de ver isso, \u00e9 impressionante! A\u00ed a pessoa quando ela n\u00e3o tem mais sa\u00edda \u00e9 que ela abre o caminho. Eu acho que funciona assim: eu s\u00f3 vou terminar essa rela\u00e7\u00e3o se eu souber que essa outra vai se manter. Ela n\u00e3o d\u00e1 um tempo de terminar a rela\u00e7\u00e3o, zerar aquilo, ficar sozinha pra tentar outra coisa. N\u00e3o! Ela quer sair direto! A\u00ed ela fica pulando, eu conhe\u00e7o um monte de gente que faz isso&rdquo;.<\/B>  <P>As mulheres heterossexuais casadas t\u00eam um discurso bem semelhante quando perguntadas sobre fidelidade em rela\u00e7\u00e3o aos seus maridos:<BR>  <P><B>&ldquo;Ah, se eu te disser que n\u00e3o tenho essa fantasia, eu estaria mentindo. Mas assim, eu tenho muito medo de encarar outra rela\u00e7\u00e3o, eu acho que eu sou muito apaixonada, ent\u00e3o se eu botar outra pessoa na minha vida \u00e9 porque eu to apaixonada e se eu to a fim \u00e9 porque eu to a fim, se eu to a fim \u00e9 por que eu quero ficar com ele.&rdquo;<\/B>  <P>A falta de investimento na vida sexual denota crise da rela\u00e7\u00e3o. A crise n\u00e3o \u00e9 medida exclusivamente pelo n\u00famero de vezes em que se faz sexo na semana, mas pela qualidade do ato. No caso das mulheres, essa \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica: sentir vontade, se sentir estimulada \u00e9 condi\u00e7\u00e3o central. Segundo Michel Bozon (2004:49), essa centralidade da atividade sexual na manuten\u00e7\u00e3o do casal \u00e9 um tra\u00e7o da vida conjugal contempor\u00e2nea. &ldquo;A sexualidade, que antes era um dos atributos do papel social do indiv\u00edduo casado, tornou-se uma experi\u00eancia interpessoal indispens\u00e1vel \u00e0 exist\u00eancia do casal, formando a linguagem b\u00e1sica do relacionamento&rdquo;.<BR>  <P>A experi\u00eancia das mulheres entre 37 e 47 anos que se encontram sem uma parceria fixa \u00e9 ilustrativa do lugar social que o relacionamento tem para a defini\u00e7\u00e3o do feminino. Grande parte das narrativas nesse grupo de mulheres tentava dar conta dos n\u00f3s que elas identificavam em suas trajet\u00f3rias amorosas. A entrevista foi percebida como um momento quase terap\u00eautico, de desabafo e de presta\u00e7\u00e3o de contas para consigo. A falta de uma parceria n\u00e3o \u00e9, entretanto, falta de sexo e \u00e9 nessa dissocia\u00e7\u00e3o que as falas femininas me interessaram propriamente.<BR>  <P>O sexo sem v\u00ednculo \u00e9 algo perturbador para a organiza\u00e7\u00e3o do g\u00eanero feminino. \u00c9 uma experi\u00eancia que embaralha os c\u00f3digos esperados do g\u00eanero e sua ocorr\u00eancia tradicionalmente enquadra a mulher em um p\u00f3lo negativo do eixo feminino. Fazer sexo fortuitamente pode acontecer, mas existe uma demarca\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es onde isso \u00e9 cab\u00edvel. As mulheres elaboram um discurso de justificativa, n\u00e3o isento de valores morais, para enquadrar a pr\u00e1tica de sexo ocasional em suas vidas. Entre as mulheres casadas, como falamos antes, o sexo fora do casamento apresenta um grande potencial de ruptura da rela\u00e7\u00e3o. Entre as mulheres que n\u00e3o se encontram com uma rela\u00e7\u00e3o no momento, seja ela de casamento ou de namoro, a possibilidade de sexo eventual mant\u00e9m seu car\u00e1ter corruptor, n\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o, mas da pr\u00f3pria capacidade relacional da mulher. \u00c9 preciso deixar claro que as mulheres n\u00e3o negam nem a trai\u00e7\u00e3o nem o sexo eventual, a possibilidade existe e sua ocorr\u00eancia n\u00e3o \u00e9 descartada. As mulheres casadas se referiram a flertes constantes e a trai\u00e7\u00f5es espor\u00e1dicas, mas sabem que est\u00e3o lidando com uma zona de perigo. A amea\u00e7a n\u00e3o vem s\u00f3 da possibilidade do marido descobrir, mas tamb\u00e9m do abalo sentimental que uma trai\u00e7\u00e3o pode provocar nelas. Entre as mulheres que est\u00e3o sem rela\u00e7\u00f5es no momento, o sexo eventual ocupa um lugar ainda mais presente e seu perigo est\u00e1 em &ldquo;virar rotina&rdquo;, ou seja, a mulher ter sexo freq\u00fcente, mas n\u00e3o ter uma companhia.<BR>  <P>Duas situa\u00e7\u00f5es encontradas na pesquisa s\u00e3o paradigm\u00e1ticas: as mulheres solteiras e as mulheres separadas. Nesse caso, vou me restringir aos relatos de duas mulheres que n\u00e3o estavam saindo com ningu\u00e9m na \u00e9poca da entrevista. Ressalto esses casos como emblem\u00e1ticos porque revelam com clareza a situa\u00e7\u00e3o que eu pretendo tratar, a mulher sem algu\u00e9m como um obst\u00e1culo \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o integral do g\u00eanero feminino, percebido socialmente como intrinsecamente relacional. Uma delas j\u00e1 estava h\u00e1 pelo menos dois anos sem se relacionar com algu\u00e9m (o que n\u00e3o quer dizer sem ter rela\u00e7\u00f5es sexuais) e a outra estava h\u00e1 tr\u00eas meses. Uma \u00e9 solteira, nunca se casou nem morou junto, embora tenha tido namoros relativamente longos na juventude. A outra foi casada por 9 anos e estava separada do marido h\u00e1 2 anos. Seu \u00faltimo relacionamento foi com um colega de trabalho, casado. Ela havia rompido a rela\u00e7\u00e3o por n\u00e3o suportar o lugar de amante, eles ficaram 1 ano juntos. Segundo ela, era &ldquo;terr\u00edvel n\u00e3o ter os finais de semana com ele&rdquo;. Nenhuma delas tem filhos e n\u00e3o planejam t\u00ea-los. A maternidade n\u00e3o foi apresentada como uma quest\u00e3o para essas mulheres, uma delas j\u00e1 havia feito aborto por iniciativa pr\u00f3pria e por n\u00e3o desejar ser m\u00e3e. Esse aspecto \u00e9 fundamental porque a necessidade delas em ter rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 vinculada a uma expectativa de ser m\u00e3e ou &ldquo;constituir fam\u00edlia&rdquo;, como apareceu em outras situa\u00e7\u00f5es.<BR>  <P>As duas mulheres t\u00eam pontos em comum: partilham uma rotina de trabalho bastante \u00e1rdua, s\u00e3o financeiramente est\u00e1veis e independentes, moram sozinhas em apartamentos muito amplos e confort\u00e1veis. A vida profissional \u00e9 enfatizada e apresentada com orgulho. N\u00e3o s\u00e3o pessoas solit\u00e1rias, ao contr\u00e1rio, a vida social e familiar \u00e9 intensa e agrad\u00e1vel, sem relatos de graves conflitos com parentes. Ambas circulam no meio art\u00edstico, embora trabalhem com linguagens diferentes, e tem fun\u00e7\u00f5es administrativas importantes nesse circuito. Elas n\u00e3o se conhecem, mas fazem parte de um universo social muito semelhante. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida afetivo-sexual, ambas disseram estar a procura de &ldquo;algu\u00e9m que queira estar com elas&rdquo;.<BR>  <P>O projeto amoroso \u00e9 claro para as duas: encontrar um homem com quem ter uma rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel. O afeto n\u00e3o \u00e9 visto como necess\u00e1rio para o in\u00edcio da rela\u00e7\u00e3o, embora ele deva se desenvolver ao longo do tempo. O passo inicial \u00e9 identificar a disponibilidade de relacionamento no outro. O que mais incomoda no sexo ocasional para elas \u00e9 a descontinuidade. Ele pode ser muito prazeroso, os relatos mais picantes envolviam homens com os quais n\u00e3o havia expectativa de rela\u00e7\u00e3o duradoura, mas n\u00e3o indica que aquele encontro ter\u00e1 um futuro.<BR>  <P><B>&ldquo;Eu conheci ele numa festa, a\u00ed ele pegou meu telefone, a gente saiu. Um dia ele foi na minha casa e a gente come\u00e7ou a se encontrar sempre na minha casa. S\u00f3 que assim, eu n\u00e3o sa\u00eda com ele, eu n\u00e3o apresentava ele pra ningu\u00e9m, eu n\u00e3o ia ao cinema com ele, eu n\u00e3o fazia nada com ele, era uma coisa pra mim especificamente sexual.&rdquo;<\/B>  <P>Al\u00e9m da disponibilidade, o parceiro deve preencher alguns pr\u00e9-requisitos: ser de um meio social similar, n\u00e3o ter uma diferen\u00e7a de idade considerada grande &#8211; isso vale quando a mulher \u00e9 mais velha &#8211; s\u00e3o alguns aspectos considerados na avalia\u00e7\u00e3o do pretendente \u00e0 par est\u00e1vel. Por outro lado, esses elementos podem ficar no plano do ideal. O determinante para elas \u00e9 ser algu\u00e9m que queira estar com elas. Mas, como identificar essa disponibilidade no homem? Onde achar homens dispon\u00edveis? Ou o que uma das entrevistadas chamou de &ldquo;cara legal&rdquo;:<BR>  <P><B>&ldquo;Eu tenho que resolver isso a\u00ed (estar sem parceiro) porque cara legal tem, s\u00f3 que ta muito dif\u00edcil de achar. Cara legal tem, eu tenho certeza disso, absoluta. S\u00f3 que cara legal n\u00e3o ta em botequim, duas horas da manh\u00e3, jogando conversa fora, n\u00e3o ta. \u00c9 muito raro, entendeu? Mas existe&rdquo;.<\/B>  <P>O &ldquo;cara legal&rdquo; \u00e9 aquele que teria um v\u00ednculo est\u00e1vel. A imagem do bar na madrugada remete \u00e0 figura do &ldquo;homem ca\u00e7ador&rdquo;, sem expectativas de envolvimento emocional, a representa\u00e7\u00e3o tradicional da dicotomia homem x mulher no plano do envolvimento emocional. O p\u00f3lo masculino resiste ao envolvimento e procura sexo e o p\u00f3lo feminino procura envolvimento e resiste ao sexo. Nesse sentido, o &ldquo;cara legal&rdquo; n\u00e3o pode estar nos circuitos p\u00fablicos de sociabilidade noturna. No discurso da depoente, ele est\u00e1 em algum lugar que ela n\u00e3o sabe onde fica. O &ldquo;cara legal&rdquo; deve ser &ldquo;achado&rdquo; pela mulher, \u00e9 outro trabalho feminino.<BR>  <P>O interessante \u00e9 que elas n\u00e3o t\u00eam nenhuma d\u00favida sobre a sua pr\u00f3pria disponibilidade para relacionamentos. Essa disposi\u00e7\u00e3o relacional prescinde de justificativas e n\u00e3o precisa nem estar ancorada na pretens\u00e3o de ter uma fam\u00edlia conjugal com filhos. Essa motiva\u00e7\u00e3o para relacionar-se n\u00e3o necessita de explica\u00e7\u00f5es, \u00e9 tomada como auto-evidente. Na minha percep\u00e7\u00e3o, \u00e9 um atributo do g\u00eanero feminino, naturalizado pelas pr\u00f3prias mulheres.<BR>  <P>N\u00e3o encontrei nesse grupo de entrevistadas nenhuma mulher homossexual que declarasse estar sem um relacionamento afetivo-sexual no momento da entrevista, todas estavam &ldquo;casadas&rdquo; e uma estava namorando. Al\u00e9m disso, existe um deslizamento, j\u00e1 apontado pela bibliografia, do relacionamento com v\u00ednculo sexual para a amizade entre mulheres, ou seja, para a manuten\u00e7\u00e3o de algum v\u00ednculo emocional mesmo que o sexo n\u00e3o desempenhe mais uma fun\u00e7\u00e3o a\u00ed.<BR>  <P>No grupo das mais velhas parece haver uma diferen\u00e7a mais clara entre as mulheres com trajet\u00f3ria homo-bissexual e mulheres heterossexuais. Ainda n\u00e3o tenho clareza disso, \u00e9 uma primeira impress\u00e3o porque as entrevistas ainda est\u00e3o em fase de transcri\u00e7\u00e3o. Essa diferen\u00e7a est\u00e1 na manuten\u00e7\u00e3o da vida sexual ap\u00f3s os 60 anos de idade. As mulheres com experi\u00eancia heterossexual exclusiva apontam para duas dire\u00e7\u00f5es, ou seja, por um lado, falam que n\u00e3o se interessam mais pelo assunto e d\u00e3o gra\u00e7as a Deus por terem &ldquo;perdido o tes\u00e3o&rdquo;, por outro lado, acusam os homens de n\u00e3o quererem mais nada com elas e, por se sentirem rejeitadas, n\u00e3o tem mais interesse no sexo. \u00c9 uma zona amb\u00edgua. O incentivo recente \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da vida sexual na velhice \u00e9 visto com estranhamento pelas mulheres idosas heterossexuais, principalmente para aquelas que se encontram sem parceiro. Entre as casadas, o sexo tem espa\u00e7o, embora com menos freq\u00fc\u00eancia do que tinha quando elas eram mais jovens. Assim, existe uma refer\u00eancia ao sexo como algo que vem sendo deslocado, jogado para as margens. Essas mulheres n\u00e3o assumem para si um projeto afetivo-sexual, isso n\u00e3o \u00e9 algo esperado, como fazem as mulheres da gera\u00e7\u00e3o anterior (o que n\u00e3o significa que ser\u00e1 rejeitado se aparecer, um pouco de romance no horizonte sempre existe, mas para elas n\u00e3o \u00e9 prov\u00e1vel que aconte\u00e7a). Elas se ocupam de outros investimentos afetivos, como o aux\u00edlio aos pais idosos e doentes, o cuidado dos netos e o trabalho. As mulheres homossexuais, por seu turno, afirmam que sua pr\u00e1tica sexual vai muito bem. Tem sexo com freq\u00fc\u00eancia com suas parceiras e afirmam sentir prazer e desejo sexual e que a rela\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 importante para a manuten\u00e7\u00e3o do casal. Um outro dado interessante \u00e9 que essas mulheres de 60 anos relacionam-se com mulheres bem mais jovens do que elas e algumas conheceram suas parceiras pela internet, coisa que tamb\u00e9m n\u00e3o foi muito mencionada nas demais gera\u00e7\u00f5es. S\u00e3o elas tamb\u00e9m que assumem uma imagem mais masculinizada de si, diferente das outras gera\u00e7\u00f5es onde existe uma varia\u00e7\u00e3o dos estilos de apresenta\u00e7\u00e3o de si, com predomin\u00e2ncia de atributos mais femininos.<BR>  <P>Existem muitas compara\u00e7\u00f5es que ainda podem ser feitas intra e entre gera\u00e7\u00f5es. O material das entrevistas \u00e9 bastante rico e diversificado. Nessa apresenta\u00e7\u00e3o queria deixar registrado que a pr\u00e1tica sexual ganha contornos bem distintos se analisamos por experi\u00eancias geracionais. Dentro de cada gera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel perceber os pesos distintos que o &ldquo;estado civil&rdquo; e a orienta\u00e7\u00e3o sexual das mulheres ocupam para suas pr\u00e1ticas sexuais. Ainda cabe lembrar que meu estudo tem um recorte de classe espec\u00edfico, ao restringir o estudo \u00e0s mulheres com ensino universit\u00e1rio essa dimens\u00e3o de classe ganha relev\u00e2ncia, mais claramente ainda na gera\u00e7\u00e3o mais velha em que as mulheres que chegavam a universidade eram de uma minoria bastante privilegiada economicamente.<BR>  <P><B>*Andrea Moraes Alves possui gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1991) , mestrado em Sociologia pela Sociedade Brasileira de Instru\u00e7\u00e3o &#8211; SBI\/IUPERJ (1994) e doutorado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002) . Atualmente \u00e9 Professor adjunto da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Antropologia , com \u00eanfase em Antropologia Urbana. Atuando principalmente nos seguintes temas: velhice, cidade, g\u00eanero, sociabilidade.<\/B><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em palestra no CLAM, no Instituto de Medicina Social (UERJ), realizada no dia 28 de agosto, a antrop\u00f3loga Andr\u00e9a Moraes Alves, professora adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apresentou os resultados iniciais de sua pesquisa de p\u00f3s-doutorado &#8211; <I>&ldquo;Trajet\u00f3rias afetivas e sexuais de mulheres: uma compara\u00e7\u00e3o geracional&rdquo;<\/I> &ndash; cuja proposta \u00e9 trabalhar com a dimens\u00e3o das escolhas individuais em uma perspectiva sociol\u00f3gica. A pesquisa est\u00e1 centrada na coleta de relatos orais de mulheres &ndash; pertencentes a tr\u00eas grupos et\u00e1rios distintos &ndash; sobre suas trajet\u00f3rias sexuais e afetivas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-1578","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-genero"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Trajet\u00f3rias sexuais de mulheres - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Trajet\u00f3rias sexuais de mulheres - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Em palestra no CLAM, no Instituto de Medicina Social (UERJ), realizada no dia 28 de agosto, a antrop\u00f3loga Andr\u00e9a Moraes Alves, professora adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apresentou os resultados iniciais de sua pesquisa de p\u00f3s-doutorado - &ldquo;Trajet\u00f3rias afetivas e sexuais de mulheres: uma compara\u00e7\u00e3o geracional&rdquo; &ndash; cuja proposta \u00e9 trabalhar com a dimens\u00e3o das escolhas individuais em uma perspectiva sociol\u00f3gica. A pesquisa est\u00e1 centrada na coleta de relatos orais de mulheres &ndash; pertencentes a tr\u00eas grupos et\u00e1rios distintos &ndash; sobre suas trajet\u00f3rias sexuais e afetivas.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2007-09-06T03:00:00+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"fw2\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"fw2\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tiempo de lectura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"22 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/\",\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/\",\"name\":\"Trajet\u00f3rias sexuais de mulheres - CLAM - ES\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website\"},\"datePublished\":\"2007-09-06T03:00:00+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"es\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Trajet\u00f3rias sexuais de mulheres\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website\",\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/\",\"name\":\"CLAM - ES\",\"description\":\"S\u00f3 mais um site CLAM - Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos sites\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"es\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010\",\"name\":\"fw2\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"fw2\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/clam.fw2web.com.br\"],\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/author\/fw2\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Trajet\u00f3rias sexuais de mulheres - CLAM - ES","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/","og_locale":"es_ES","og_type":"article","og_title":"Trajet\u00f3rias sexuais de mulheres - CLAM - ES","og_description":"Em palestra no CLAM, no Instituto de Medicina Social (UERJ), realizada no dia 28 de agosto, a antrop\u00f3loga Andr\u00e9a Moraes Alves, professora adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apresentou os resultados iniciais de sua pesquisa de p\u00f3s-doutorado - &ldquo;Trajet\u00f3rias afetivas e sexuais de mulheres: uma compara\u00e7\u00e3o geracional&rdquo; &ndash; cuja proposta \u00e9 trabalhar com a dimens\u00e3o das escolhas individuais em uma perspectiva sociol\u00f3gica. A pesquisa est\u00e1 centrada na coleta de relatos orais de mulheres &ndash; pertencentes a tr\u00eas grupos et\u00e1rios distintos &ndash; sobre suas trajet\u00f3rias sexuais e afetivas.","og_url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/","og_site_name":"CLAM - ES","article_published_time":"2007-09-06T03:00:00+00:00","author":"fw2","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"fw2","Tiempo de lectura":"22 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/","url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/","name":"Trajet\u00f3rias sexuais de mulheres - CLAM - ES","isPartOf":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website"},"datePublished":"2007-09-06T03:00:00+00:00","author":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/#breadcrumb"},"inLanguage":"es","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/articulos-y-resenas\/genero\/trajetorias-sexuais-de-mulheres\/1578\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/clam.org.br\/es\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Trajet\u00f3rias sexuais de mulheres"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website","url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/","name":"CLAM - ES","description":"S\u00f3 mais um site CLAM - Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos sites","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/clam.org.br\/es\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"es"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010","name":"fw2","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g","caption":"fw2"},"sameAs":["https:\/\/clam.fw2web.com.br"],"url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/author\/fw2\/"}]}},"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1578","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1578"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1578\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}