{"id":29494,"date":"2005-10-20T00:00:00","date_gmt":"2005-10-20T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.fw2web.com.br\/es\/2005\/10\/20\/nao-podem-mais-adiar-nossos-sonhos-estamos-por-nossa-propria-conta\/"},"modified":"2005-10-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-20T02:00:00","slug":"nao-podem-mais-adiar-nossos-sonhos-estamos-por-nossa-propria-conta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/en-los-medios\/nao-podem-mais-adiar-nossos-sonhos-estamos-por-nossa-propria-conta\/29494\/","title":{"rendered":"N\u00e3o podem mais adiar nossos sonhos. Estamos por nossa pr\u00f3pria conta"},"content":{"rendered":"<p>Em 16 de novembro, Bras\u00edlia ouvir\u00e1 a voz de jovens negros e negras que est\u00e3o fora das universidades, mulheres negras que ocupam a base da pir\u00e2mide social, atrizes e atores negros fora das televis\u00f5es e da publicidade, quilombolas sem t\u00edtulos de suas terras, homens e mulheres negras fora dos poderes executivo, legislativo e judici\u00e1rio. <P>Na Capital Federal se ouvir\u00e1 a voz de milhares de negras e negros brasileiros que participar\u00e3o da Marcha Zumbi + 10 para enfatizar a continuidade das lutas pol\u00edticas travadas pelas organiza\u00e7\u00f5es do movimento negro contra o racismo, as desigualdades e as injusti\u00e7as gritantes a que est\u00e1 submetida a popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil. <P>Repara\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a palavra de ordem e a aprova\u00e7\u00e3o do Estatuto da Igualdade Racial a maior bandeira diante da intoler\u00e2ncia hist\u00f3rica do Estado para com a popula\u00e7\u00e3o afrodescendente. <P>Milhares de pessoas chegar\u00e3o do Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste, enfrentando dificuldades mas resistindo e seguindo o exemplo de Zumbi, mostrando ao mundo que somos muitos e muitas e que o racismo brasileiro n\u00e3o est\u00e1 somente na cabe\u00e7a de alguns e algumas.  <P>O movimento negro tem muitas faces mas sempre \u00e9 uma continuidade da grande luta de liberta\u00e7\u00e3o, cujo l\u00edder e refer\u00eancia b\u00e1sica \u00e9 Zumbi dos Palmares. Essa luta \u00e9 propriedade nossa, de todo um povo. <P>A Marcha que ir\u00e1 caminhar no dia 16\/11 est\u00e1 sendo coordenada por uma articula\u00e7\u00e3o nacional composta por v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es e grupos do movimento negro com representa\u00e7\u00e3o em 15 Estados. Zumbi+10 \u00e9 o momento dos afrodescendentes expressarem a for\u00e7a e a garra na luta pela igualdade racial, al\u00e9m de sensibilizar a sociedade para a realidade de exclus\u00e3o do povo negro, a cobran\u00e7a de pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas de promo\u00e7\u00e3o da diversidade e exigir que sejam cumpridos os compromissos assumidos pelo Brasil nas Confer\u00eancias do Sistema Na\u00e7\u00f5es Unidas, al\u00e9m do cumprimento da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira.  <P>Ir \u00e0 Capital Federal significa chamar a aten\u00e7\u00e3o para a conjuntura atual de exclus\u00e3o do povo negro, onde do total de 53 milh\u00f5es de pobres no Brasil, 68% s\u00e3o de negros e negras. O ponto de partida da Marcha Zumbi + 10 se coloca acima de conjunturas e governos. O combate ao racismo e \u00e0s injusti\u00e7as passa pela aprova\u00e7\u00e3o do Estatuto da Igualdade Racial como um instrumento legal, incluindo-se o Fundo Nacional da Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial porque o Estatuto sem defini\u00e7\u00e3o de recursos, sem previs\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, n\u00e3o tem realidade pol\u00edtica. <P>Precisamos de a\u00e7\u00f5es urgentes para mais da metade da popula\u00e7\u00e3o dos sobreviventes do racismo e da pobreza brasileira.  <P>J\u00e1 estamos ouvindo o tambor, convocando a todos e todas \u00e0 luta para derrubar as barreiras que tolhem o nosso povo e partir para a conquista da plena liberdade, igualdade e justi\u00e7a social. <P>MULHERES NEGRAS <P>No Censo Demogr\u00e1fico de 2000, somos 169,5 milh\u00f5es de brasileiros, dos quais 50,79% s\u00e3o do sexo feminino. Os negros j\u00e1 perfaziam 45,3% do total da popula\u00e7\u00e3o brasileira e as mulheres negras equivalem a 49% da popula\u00e7\u00e3o negra, correspondendo a 37.602.461 habitantes. E como vive essa parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o brasileira?  <P>A mulher negra tem sido, ao longo de sua hist\u00f3ria, a maior v\u00edtima da profunda desigualdade racial vigente em nossa sociedade, pois \u00e9 sobre ela que recai todo o peso da heran\u00e7a colonial, onde o sistema patriarcal apoia-se solidamente. <P>A mulher negra est\u00e1 exposta \u00e0 mis\u00e9ria, \u00e0 pobreza, \u00e0 viol\u00eancia, ao analfabetismo, \u00e0 precariedade de atendimento nos servi\u00e7os assistenciais, educacionais e de sa\u00fade.  <P>Os poucos estudos realizados revelam um dram\u00e1tico quadro que se prolonga desde h\u00e1 muitos anos. Uma dramaticidade que est\u00e1 n\u00e3o apenas nas p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es socio-econ\u00f4micas produzidas por um sistema explorador, mas tamb\u00e9m na nega\u00e7\u00e3o cotidiana das condi\u00e7\u00f5es de ser mulher negra, atrav\u00e9s do racismo e do sexismo que permeiam todos os campos da vida de cada uma. <P>Mulheres negras estar\u00e3o em Bras\u00edlia mostrando que o Estado brasileiro continua nos legando condi\u00e7\u00f5es de vida cru\u00e9is e desumanas, incompat\u00edveis com a cidadania quanto ao acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 moradia, ao trabalho e ao lazer.  <P>Iremos \u00e0 Marcha porque estamos rebeladas contra a intoler\u00e2ncia religiosa e a viol\u00eancia racial, traduzida na morte precoce que rouba nossos filhos, nossas filhas, irm\u00e3os e irm\u00e3s, na inf\u00e2ncia, na adolesc\u00eancia e na juventude, impedindo que tenham o direito de chegar \u00e0 vida adulta.  <P>Estaremos na Marcha por nossa pr\u00f3pria conta porque acreditamos num projeto de na\u00e7\u00e3o com justi\u00e7a social, econ\u00f4mica e racial. No dia 16 de novembro, vamos reavivar a nossa teimosia com a ousadia de dizer \u00e0 sociedade e ao governo brasileiro, o pa\u00eds que queremos com a autoridade de quem construiu as riquezas desta na\u00e7\u00e3o. <P>JOVENS <P>Se queremos um Brasil verdadeiramente para todos e todas, n\u00e3o podemos concordar com o absurdo \u00edndice de 2% de jovens negros e negras com acesso a cursos superiores e com a m\u00e9dia de 4,4 anos de frequ\u00eancia escolar de uma pessoa negra. <P>No Brasil, a educa\u00e7\u00e3o para o povo negro foi negada desde a \u00e9poca do Ventre Livre que garantia acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as que nascessem. Com a Confer\u00eancia de Durban, a sociedade brasileira consegue aceitar reserva de cotas para portadores de defici\u00eancia, mulheres. Mas em rela\u00e7\u00e3o ao povo negro \u00e9 mais dif\u00edcil porque isto significa o pavor de dividir o poder. Conhecimento e poder caminham juntos e s\u00e3o instrumentos fundamentais para assegurar a cidadania. <P>A ado\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es afirmativas para afrodescendentes no sistema educacional de nosso pa\u00eds &ndash; segundo a procuradora do Estado de S\u00e3o Paulo, Fl\u00e1via Piovesan, sustenta-se no argumento de ordem pol\u00edtico-social. Se pretendemos uma sociedade mais democr\u00e1tica, com a transforma\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e institui\u00e7\u00f5es, o t\u00edtulo universit\u00e1rio ainda \u00e9 um passaporte para a ascen\u00e7\u00e3o social e para a democratiza\u00e7\u00e3o das esferas de poder, com o empoderamento dos grupos historicamente exclu\u00eddos.  <P>H\u00e1 tamb\u00e9m o argumento jur\u00eddico, pois a ordem constitucional, somada aos tratados internacionais de prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos ratificados pelo Brasil, acolhem n\u00e3o apenas o valor da igualdade formal, mas tamb\u00e9m da igualdade material. Reconhecem que n\u00e3o basta proibir a discrimina\u00e7\u00e3o, sendo necess\u00e1rio tamb\u00e9m promover a igualdade, por meio de a\u00e7\u00f5es afirmativas. <P>Se ao longo de nossa hist\u00f3ria, para os grupos vulner\u00e1veis a ra\u00e7a sempre foi um crit\u00e9rio de exclus\u00e3o, que seja hoje um crit\u00e9rio de inclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o afrodescendente. <P>Com apenas 2% de jovens negros e negras ocupando os bancos universit\u00e1rios, a dedu\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida: existe uma reserva de cota de 98% para brancos e brancas. <P>Vivendo nas periferias maltratadas das grandes cidades, com ruas mal iluminadas, sem saneamento b\u00e1sico, com escolas depredadas e professores mal preparados, um \u00edndice absurdo de desemprego formam um conjunto que leva o\/a jovem a n\u00e3o encontrar perspectiva de vida digna. Os muitos jovens negros que hoje est\u00e3o nas pris\u00f5es s\u00e3o v\u00edtimas da aus\u00eancia dos elementos essenciais para garantir cidadania.  <P>A sociedade em que vivemos foi erguida sob a \u00e9gide do castigo, a chibata, a tortura, a palmat\u00f3ria. Por isso \u00e9 muito dif\u00edcil conseguir um comportamento social longe da viol\u00eancia. A maioria dos delitos praticados pelos\/as negros\/as \u00e9 delito de sobreviv\u00eancia.  <P>Do lado de fora das pris\u00f5es, est\u00e1 o policial que deve estar a servi\u00e7o da comunidade que deve ser capacitado para isso, e ser bem remunerado. Mas o policial mora num quarto e cozinha com o banheiro do lado de fora, numa favela, e, ganha um sal\u00e1rio miser\u00e1vel. Este homem n\u00e3o pode tomar conta da vida de ningu\u00e9m. <P>Entre as in\u00fameras injusti\u00e7as que cercam a juventude negra, o mercado de trabalho \u00e9 inacess\u00edvel. Nos an\u00fancios publicit\u00e1rios, quando o requisito \u00e9 &ldquo;boa apar\u00eancia&rdquo;, os\/as jovens negros\/as conhecem bem o significado: uma entrevista no Departamento de Recursos Humanos de muitas empresas \u00e9 o suficiente para barr\u00e1-los sem maiores explica\u00e7\u00f5es.  <P>Os\/as jovens negros estar\u00e3o na Marcha Zumbi + 10 exigindo a reserva de cotas nas universidades, mostrando que as cotas \u00e9tnicas s\u00e3o direito \u00e0 repara\u00e7\u00e3o e um modo pedag\u00f3gico de obrigar os brancos ao aprendizado de coletivizar privil\u00e9gios que usurparam de afrodescendentes; continuar a luta para que seja real a aplica\u00e7\u00e3o da Lei 10639 que obriga a inclus\u00e3o da tem\u00e1tica Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira no curr\u00edculo oficial da rede de ensino brasileiro e a capacita\u00e7\u00e3o dos professores\/as na aplica\u00e7\u00e3o da Lei. <P>Tamb\u00e9m estar\u00e3o em Bras\u00edlia cantando rap, jogando capoeira, mostrando que ser jovem negro e negra no pa\u00eds inclui preservar a cultura ancestral, conhecer a verdadeira hist\u00f3ria que os livros did\u00e1ticos insistem em n\u00e3o contar, formando novas lideran\u00e7as para o Movimento Negro, e mostrando que aqueles e aquelas que ingressam hoje na universidade, advindos dos cursinhos pr\u00e9-vestibular para negros, devem se orgulhar da luta, da garra em querer provar que todos s\u00e3o capazes, e que tudo poderia ser diferente se esse pa\u00eds n\u00e3o fosse racista como \u00e9.  <P>OS MEIOS DE COMUNICA\u00c7\u00c3O <P>Os participantes da Marcha de 16\/11 na Capital Federal v\u00e3o exigir a democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o para assegurar a representa\u00e7\u00e3o da diversidade racial e pluraridade \u00e9tnica e cultural do Brasil.  <P>Mulheres e homens negros estar\u00e3o mostrando a necessidade da aprova\u00e7\u00e3o do Estatuto da Igualdade Racial que estabelece que as emissoras de televis\u00e3o, as ag\u00eancias de publicidade, os produtores de material publicit\u00e1rio e o Poder P\u00fablico dever\u00e3o assegurar a participa\u00e7\u00e3o de artistas afrodescendentes em filmes, programas e pe\u00e7as publicit\u00e1rias. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 imprescind\u00edvel para a mudan\u00e7a desse cen\u00e1rio de desigualdades e falta de oportunidades.  <P>A Marcha Zumbi + 10 dever\u00e1 agregar artistas que n\u00e3o desejam que seu trabalho esteja reduzido a pap\u00e9is de escravos e trabalhadores dom\u00e9sticos sem conflito, sem hist\u00f3ria, a servi\u00e7o de seus patr\u00f5es brancos; jornalistas sem liberdade de noticiar os eventos da popula\u00e7\u00e3o negra que s\u00e3o ignorados nas reda\u00e7\u00f5es dos grandes jornais e revistas; publicit\u00e1rios que s\u00e3o obrigados a criar suas campanhas isolando a participa\u00e7\u00e3o de afrodescendentes. Esta \u00e9 uma caminhada para unir todos e todas que lutam por cidadania e liberdade. <P>A PALAVRA DE EMANOEL ARAUJO <P>&ldquo;Ser\u00e1 lenda a nossa participa\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria deste pa\u00eds e da identidade de seu povo? Ou ser\u00e1 que, ao contribu\u00edrem para a forma\u00e7\u00e3o de uma identidade nacional que d\u00e1 cara nova \u00e0s velhas tradi\u00e7\u00f5es de uma cultura europ\u00e9ia , ao mesclar o imagin\u00e1rio europeu e lusitano a outras matrizes de um imagin\u00e1rio africano, precisamente por isso o establisment transforma esses negros em brancos? Ou a cor n\u00e3o importa? Mas, se n\u00e3o importa, por que os negros n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0s principais institui\u00e7\u00f5es que grarantem reconhecimento, prest\u00edgio e poder no Brasil? Por que as universidades t\u00eam t\u00e3o poucos negros nos seus quadros, enquanto as cadeias, os pres\u00eddios e as ruas est\u00e3o povoados desses cidad\u00e3os de segunda classe, todos pobres, todos pretos? <P>&ldquo;Penso na ambiguidade desta nossa hist\u00f3ria de que s\u00e3o v\u00edtimas os negros, numa sociedade que os exclui dos benef\u00edcios da vida social, mas consome os deuses do candombl\u00e9, a m\u00fasica, a dan\u00e7a, a comida, as festas de negros, esquecida de suas origens. E penso tamb\u00e9m que, ao inv\u00e9s de registrar o fracasso dos negros frente \u00e0s inumer\u00e1veis injusti\u00e7as sofridas, esta hist\u00f3ria termina por registrar sua vit\u00f3ria e sua vingan\u00e7a, em tudo o que eles foram capazes de incorporar \u00e0 cultura brasileira. Uma cultura que guarda, atrav\u00e9s de sua hist\u00f3ria, um rastro profundo de negros africanos e brasileiros, mulatos e cafusos, construtores silenciosos de nossa identidade&rdquo; (Trecho extra\u00eddo do cat\u00e1logo da exposi\u00e7\u00e3o &ldquo;Negras Mem\u00f3rias, Mem\u00f3rias de Negros&rdquo;). <P>A Marcha Zumbi + 10 contra o racismo e as injusti\u00e7as sociais, e, pela cidadania e a vida \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o do movimento negro brasileiro e se constitui em um ato de indigna\u00e7\u00e3o e protesto pelas condi\u00e7\u00f5es em que vive o povo negro no Brasil, em fun\u00e7\u00e3o dos processos de exclus\u00e3o social determinados pelo racismo e a discrimina\u00e7\u00e3o racial em nossa sociedade. <P>No dia 16 de novembro, Bras\u00edlia ouvir\u00e1 a voz de todas e todos n\u00f3s, mulheres e homens negros, jovens, quilombolas, artistas, jornalistas, religiosos,an\u00f4nimos de v\u00e1rias classes sociais exigindo a aprova\u00e7\u00e3o do Estatuto da Igualdade Racial, cotas para afrodescendentes nas universidades p\u00fablicas, titula\u00e7\u00e3o e regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria das terras das comunidades quilombolas, recursos para o financiamento e a execu\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas de promo\u00e7\u00e3o da igualdade racial, democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, pol\u00edticas que assegurem os direitos das mulheres negras, da juventude, a defesa das religi\u00f5es de matriz africana contra a intoler\u00e2ncia religiosa e a valoriza\u00e7\u00e3o das diversas express\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es culturais do povo negro brasileiro.  <P>Estamos na Marcha com for\u00e7a e alegria para deixar um legado aos que vir\u00e3o, construindo uma nova identidade de resist\u00eancia para o futuro. <P>Estamos na Marcha em 16 de novembro por termos uma orienta\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o palmarina livre.  <P>Estamos por nossa conta n\u00e3o para dividir e sim com a liberdade do refletir e agir porque n\u00e3o aceitamos mais cangalha em nosso corpo, turvando a nossa vis\u00e3o. Desobedi\u00eancia civil ao jingle de que \u00e9 dando que recebemos n\u00e3o como perdidos na noite, cobaias do processo, importar o saber gri\u00f4 do ontem e hoje dos nossos antepassados. <P>Estamos por nossa conta porque n\u00e3o acreditamos no grande marketing submetendo o nosso povo ao franchising da senzala; contra essa economia que vai muito bem aonde a matem\u00e1tica usada \u00e9 1 + 1 negro = zero. <P>Estamos por nossa conta para exigir igualdade de g\u00eanero e ra\u00e7a em tempo real. <P>Estamos por nossa conta porque acreditamos num vento forte que espalhe as folhas da dignidade e da justi\u00e7a para o nosso povo, em um processo de constru\u00e7\u00e3o fora da planta baixa. <P>CASA DE CULTURA DA MULHER NEGRA &ndash; Santos &ndash; S\u00e3o Paulo-Brasil<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 16 de novembro, Bras\u00edlia ouvir\u00e1 a voz de jovens negros e negras que est\u00e3o fora das universidades, mulheres negras que ocupam a base da pir\u00e2mide social, atrizes e atores negros fora das televis\u00f5es e da publicidade, quilombolas sem t\u00edtulos de suas terras, homens e mulheres negras fora dos poderes executivo, legislativo e judici\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-29494","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-en-los-medios"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>N\u00e3o podem mais adiar nossos sonhos. 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