{"id":349,"date":"2008-06-04T00:00:00","date_gmt":"2008-06-04T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2008\/06\/04\/victoria-del-avance-cientifico\/"},"modified":"2008-06-04T00:00:00","modified_gmt":"2008-06-04T03:00:00","slug":"victoria-del-avance-cientifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/victoria-del-avance-cientifico\/349\/","title":{"rendered":"Victoria del avance cient\u00edfico"},"content":{"rendered":"<p><P align=right><EM>Por Washington Castilhos<\/EM><\/P> <P>O julgamento do Supremo Tribunal Federal, que votou na quinta-feira (29\/5) pela constitucionalidade do artigo 5\u00ba da Lei de Biosseguran\u00e7a &ndash; autorizando, assim, o uso de c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias humanas em pesquisas cient\u00edficas &ndash; de certa forma tirou o pa\u00eds de uma encruzilhada entre avan\u00e7o cient\u00edfico, limites \u00e9ticos e moral religiosa. A decis\u00e3o do STF refor\u00e7ou o car\u00e1ter laico do Estado. Al\u00e9m disso, os debates travados na Corte m\u00e1xima do pa\u00eds desde que a A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade da lei foi acatada, em 2006, serviram tamb\u00e9m para divulgar a posi\u00e7\u00e3o do p\u00fablico leigo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia. Por outro lado, ao decidir pelo prosseguimento das pesquisas sem definir, como muitos esperavam, em que momento come\u00e7a a vida humana &ndash; se na fecunda\u00e7\u00e3o, se no 14\u00ba dia de gesta\u00e7\u00e3o, em outro momento da gesta\u00e7\u00e3o ou no nascimento &ndash; a conclus\u00e3o acaba por contrariar os interesses da Igreja Cat\u00f3lica em tornar sua doutrina acerca do come\u00e7o da vida como a vigente no pa\u00eds. Para a Igreja, a vida come\u00e7a no momento da fecunda\u00e7\u00e3o, raz\u00e3o pela qual, na vis\u00e3o do Vaticano,&nbsp;as pesquisas com c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias deveriam ser terminantemente proibidas.<BR> <\/P> <P>&ldquo;V\u00e1rios podem ser os in\u00edcios da vida humana, tal seja a op\u00e7\u00e3o que se fa\u00e7a por determinada formula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica ou tese&rdquo;, explicou o ministro Celso de Mello, durante o julgamento, que p\u00f4s fim a um longo debate: em mar\u00e7o de 2005, as pesquisas com c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias humanas foram aprovadas no Brasil, no \u00e2mbito da Lei de Biosseguran\u00e7a. Em maio do mesmo ano, no entanto, o ent\u00e3o procurador-geral da Rep\u00fablica, o cat\u00f3lico Cl\u00e1udio Fonteles, entrou no STF com uma A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra o artigo a respeito das pesquisas, sob a alega\u00e7\u00e3o de que estudos do g\u00eanero feriam &ldquo;o direito de embri\u00f5es&rdquo;. A resposta a tal a\u00e7\u00e3o levou tr\u00eas anos: no julgamento da \u00faltima quinta-feira, os ministros restringiram-se apenas a concluir que a Constitui\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o garante ao embri\u00e3o humano mantido em laborat\u00f3rio a garantia da inviolabilidade \u00e0 vida e \u00e0 dignidade.<BR>  <P>A Lei de Biosseguran\u00e7a \u00e9 clara sobre os embri\u00f5es eleg\u00edveis para a pesquisa. Ela determina que somente embri\u00f5es invi\u00e1veis ou embri\u00f5es congelados h\u00e1 mais de tr\u00eas anos, a partir da publica\u00e7\u00e3o da Lei, podem ser utilizados para pesquisa. A Lei tamb\u00e9m define o que \u00e9 um embri\u00e3o invi\u00e1vel: s\u00e3o aqueles sem potencialidade de desenvolvimento celular.<BR>  <P>&ldquo;\u00c9 preciso fazer uma distin\u00e7\u00e3o entre a lei e a decis\u00e3o do STF. A lei em si, nada mais faz do que acompanhar a tend\u00eancia das sociedades democr\u00e1ticas, na busca pela cura de doen\u00e7as atrav\u00e9s da medicina regenerativa. Quanto \u00e0 decis\u00e3o do STF, trata-se de um marco hist\u00f3rico, pois emancipou a popula\u00e7\u00e3o brasileira de uma concep\u00e7\u00e3o religiosa de quando tem in\u00edcio a vida humana e de quando a mesma come\u00e7a a ser constitucionalmente protegida. A libera\u00e7\u00e3o das pesquisas significou um avan\u00e7o, assegurando a independ\u00eancia do Estado relativamente \u00e0s influ\u00eancias religiosas, o que fortalece a democracia&rdquo;, avalia o juiz <a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?UserActiveTemplate=%5FBR&amp;infoid=4241&amp;query=simple&amp;search%5Fby%5Fauthorname=all&amp;search%5Fby%5Ffield=tax&amp;search%5Fby%5Fheadline=false&amp;search%5Fby%5Fkeywords=any&amp;search%5Fby%5Fpriority=all&amp;search%5Fby%5Fsection=all&amp;search%5Fby%5Fstate=all&amp;search%5Ftext%5Foptions=all&amp;sid=7&amp;text=Atua%E7%E3o+premiada&amp;x=3&amp;y=5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Roberto Arriada Lorea<\/A>, do Tribunal de Justi\u00e7a do estado do Rio Grande do Sul.<BR>  <P>Membro da Rede Ibero-americana pelas Liberdades Laicas, recentemente Lorea&nbsp;contestou a presen\u00e7a de crucifixos nas paredes dos tribunais &ndash; inclusive no STF &ndash; levantando um intenso debate nos meios acad\u00eamicos e na m\u00eddia. Para ele, o resultado da vota\u00e7\u00e3o pode ter sido ainda mais progressista do que sugerem as primeiras repercuss\u00f5es. &ldquo;A decis\u00e3o pode servir ainda para afastar o Supremo de uma vincula\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o cat\u00f3lica, a qual ainda se manifesta na presen\u00e7a de um s\u00edmbolo cat\u00f3lico (injustific\u00e1vel) no plen\u00e1rio da Corte. O papel do Estado \u00e9 manter a igual liberdade de todos, sem endossar alguma doutrina religiosa em particular&rdquo;, aponta Lorea.<BR>  <P>Segundo o m\u00e9dico Marco Segre, professor em\u00e9rito da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FM\/USP) e membro da Comiss\u00e3o de Bio\u00e9tica do Hospital das Cl\u00ednicas da FM\/USP, do ponto de vista da \u00e9tica, a decis\u00e3o do STF responde a um questionamento: O que vale mais: um embri\u00e3o que n\u00e3o vai ser implantado ou utilizar esse embri\u00e3o para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida das pessoas?<BR>  <P>&ldquo;N\u00e3o se pode dizer que o embri\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 vivo, n\u00e3o quero contestar os agentes da igreja dizendo que antes da fecunda\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 vida. Mas esta vida pode ser desprezada em favor do avan\u00e7o da ci\u00eancia e da medicina&rdquo;, avalia Segre.<BR>  <P>Os especialistas acreditam que a posi\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s c\u00e9lulas-tronco \u00e9 a maior express\u00e3o do seu dogmatismo, uma vez que esta se coloca contra tais estudos devido ao apego a uma no\u00e7\u00e3o da sacralidade da vida biol\u00f3gica, org\u00e2nica, natural.<BR>  <P>Para a antrop\u00f3loga Maria Luiza Heilborn, professora do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS\/UERJ) e coordenadora do CLAM, a quest\u00e3o central \u00e9 o fato de as igrejas crist\u00e3s tentarem tornar a sua moral religiosa &ndash; baseada na cren\u00e7a da natureza como ordem divina &ndash; uma \u00e9tica universal.<BR>  <P>&ldquo;Se a Igreja n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o da gravidez, como poderia ser a favor de um embri\u00e3o ser manipulado? Para eles, a natureza \u00e9 intoc\u00e1vel, a ordem da natureza n\u00e3o pode ser alterada porque \u00e9 determinada pela lei divina. O problema \u00e9 que, nessa perspectiva, em nome da sacralidade da vida, outras vidas em sofrimento devem permanecer como est\u00e3o.&nbsp;A vida n\u00e3o \u00e9 um bem absoluto&rdquo;, analisa Maria Luiza.<BR>  <P>&ldquo;Na verdade, a Igreja tem buscado nesse debate sedimentar o imagin\u00e1rio da sacralidade da vida representado pelo embri\u00e3o, para produzir um consenso social frente ao aborto, e, ao faz\u00ea-lo, desconsidera por completo os efeitos potenciais de pesquisas cient\u00edficas sobre a qualidade de vida&rdquo;, destaca Sonia Correa, pesquisadora da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA) e co-coordenadora do Observat\u00f3rio de Sexualidade e Pol\u00edtica.<BR>  <P><B><I>C\u00e9lulas-tronco e Campanha da Fraternidade<\/B><\/I>  <P>No entanto, n\u00e3o tem sido somente atrav\u00e9s dos debates travados no STF nos \u00faltimos tr\u00eas anos que a Igreja vem tentando fortalecer seus dogmas. A visita do papa Bento XVI ao Brasil foi uma dessas oportunidades. Para muitos, no entanto, ainda mais do que a visita de Ratzinger, a Campanha da Fraternidade de 2008&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?UserActiveTemplate=%5FBR&amp;infoid=4122&amp;sid=7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">(leia o texto &ldquo;\u00c9tica ou moral religiosa?&rdquo; publicado aqui)<\/A> &ndash; que teve como tema <I>&ldquo;Fraternidade e defesa da vida: escolhe, pois, a vida&rdquo;<\/I> &ndash; foi o canal mais eficaz para passar a id\u00e9ia da sacralidade da vida e se posicionar contra o aborto, a reprodu\u00e7\u00e3o assistida, a eutan\u00e1sia e as pesquisas com c\u00e9lulas-tronco. Sobre este \u00faltimo item, o texto base da Campanha sustenta que:<I>&ldquo;O grande problema \u00e9tico que se apresenta no caso do uso de c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias est\u00e1 no processo de sua obten\u00e7\u00e3o: o embri\u00e3o deve ser destru\u00eddo! Mesmo sob o ponto de vista apenas biol\u00f3gico, sem discutir se o embri\u00e3o merece ser chamado &lsquo;pessoa&rsquo;, esse fato faz diferen\u00e7a: \u00e9 destru\u00edda uma novidade biol\u00f3gica, \u00fanica na esp\u00e9cie&rdquo;<\/I>. Neste trecho, embora se fale em \u00e9tica, percebe-se que o que est\u00e1 mais uma vez adjacente \u00e9 a moral religiosa, defesa da vida como um valor sagrado.<BR>  <P>No trecho seguinte do documento, a hierarquia cat\u00f3lica busca legitimar-se recorrendo \u00e0 ci\u00eancia: <I>&ldquo;Nas palavras de 57 (cinq\u00fcenta e sete) expoentes do mundo acad\u00eamico e cient\u00edfico norte-americano, em documento divulgado em 27 de outubro de 2004, &lsquo;baseado nas evid\u00eancias dispon\u00edveis, ningu\u00e9m pode predizer com certeza se elas (c\u00e9lulas tronco embrion\u00e1rias humanas), em alguma \u00e9poca, produzir\u00e3o benef\u00edcios cl\u00ednicos e, muito menos, se produzir\u00e3o benef\u00edcios que n\u00e3o sejam obten\u00edveis por outros meios menos. problem\u00e1ticos do ponto de vista \u00e9tico &rdquo;.<\/I>  <P>Em certa altura, tentam &ldquo;provar&rdquo; cientificamente sua argumenta\u00e7\u00e3o: <I>&ldquo;Experi\u00eancias realizadas em ratos ou camundongos com c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias t\u00eam demonstrado que, ao serem injetadas em outro organismo, elas produzem, em cerca de 50% dos casos, tumores, chamados teratomas, que muito facilmente se transformam em tumores cancerosos. Estas c\u00e9lulas s\u00e3o tamb\u00e9m rejeitadas pelo organismo que recebe o transplante (&#8230;) O uso das c\u00e9lulas-tronco adultas, por outro lado, j\u00e1 tem alcan\u00e7ado resultados comprovados de melhora ou cura de doen\u00e7as em seres humanos&rdquo;<\/I>  <P>E terminam acusando pol\u00edticos e cientistas de exagerarem publicamente a &rdquo;promessa&rdquo; das c\u00e9lulas tronco embrion\u00e1rias. <I>&ldquo;As percep\u00e7\u00f5es p\u00fablicas desse enfoque tornaram-se tortuosas e irrealistas&rdquo;<\/I>, declaram no documento.<BR>  <P>Na an\u00e1lise do especialista em bio\u00e9tica Fermin Roland Schramm, da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica (Fiocruz), a igreja usa argumentos cient\u00edficos de uma maneira leviana, uma vez que a ci\u00eancia faz hip\u00f3teses e tenta corrobor\u00e1-las. &ldquo;Eles querem que a ci\u00eancia proceda da mesma maneira que as religi\u00f5es e as verdades teol\u00f3gicas, as quais n\u00e3o s\u00e3o verificadas &ndash; ou se acredita nelas ou n\u00e3o se acredita. Portanto, est\u00e3o exigindo da ci\u00eancia o que ela n\u00e3o pode ser&rdquo;, ressalta.<BR>  <P>O te\u00f3logo Olinto Pegoraro, professor de \u00e9tica no Departamento de Filosofia e presidente da Comiss\u00e3o de \u00c9tica em Pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) considera que: &ldquo;A ci\u00eancia produz fatos sobre experi\u00eancias que nos trazem resultados: pode-se controlar os nascimentos e prolongar a vida. De um ponto de vista religioso, a Igreja cita os resultados cient\u00edficos mas os interpreta de maneira pr\u00f3pria, geralmente uma interpreta\u00e7\u00e3o restritiva, proibitiva&rdquo;, questiona Pegoraro.<BR>  <P>Para Fermin Roland, a vota\u00e7\u00e3o no Supremo mostrou a percep\u00e7\u00e3o e a confian\u00e7a que as pessoas t\u00eam na ci\u00eancia, apesar de alguns ministros terem sugerido diferentes restri\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 normatiza\u00e7\u00e3o \u00e9tica das pesquisas com c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias. &ldquo;Neste caso, a sociedade teve um olhar sobre o assunto e viu que as coisas est\u00e3o dentro de padr\u00f5es&rdquo;.<BR>  <P>Outros especialistas em bio\u00e9tica fazem coro com Roland: Segundo eles, o Brasil tem um sistema de avalia\u00e7\u00e3o de \u00e9tica em pesquisa bastante estruturado. &ldquo;H\u00e1 um grande esfor\u00e7o para que n\u00e3o haja pesquisas sem controle. N\u00e3o defendemos uma ci\u00eancia isenta de controle&rdquo;, defende o m\u00e9dico sanitarista Sergio Rego, coordenador do Comit\u00ea de \u00c9tica em Pesquisa da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica (Fiocruz).<BR>  <P>Fundadora da Comiss\u00e3o de \u00c9tica em Pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a m\u00e9dica Marilena Correa (Instituto de Medicina Social da UERJ), ressalta que hoje em dia n\u00e3o existe um pa\u00eds que n\u00e3o tenha comiss\u00f5es de \u00e9tica em pesquisas nacionais, sejam elas desenvolvidas em institui\u00e7\u00f5es, nas corpora\u00e7\u00f5es ou na ind\u00fastria. &ldquo;Dificilmente se consegue publicar um artigo cient\u00edfico na \u00e1rea das ci\u00eancias exatas sem mostrar que aquela pesquisa foi subjugada. Criou-se, contemporaneamente, ao longo dos \u00faltimos 30 ou 40 anos, um aparato enorme de controle dessas pesquisas. A UNESCO tem uma comiss\u00e3o internacional que discute a bio\u00e9tica. At\u00e9 para que estes possam ter valor cient\u00edfico, hoje em dia temos que ter clareza de quem s\u00e3o os grupos de pesquisa&rdquo;, observa Marilena.<\/P> <P>No caso brasileiro s\u00e3o cinco os grupos de pesquisa que trabalham com c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias. Para Stevens Rehen, professor do Departamento de Anatomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente da Sociedade Brasileira de Neuroci\u00eancias e Comportamento (SBNeC), \u00e9 dif\u00edcil avaliar o quanto a A\u00e7\u00e3o de Direta de Inconstitucionalidade, motivada por valores religiosos, atrasou as pesquisas brasileiras &ndash; o pa\u00eds n\u00e3o derivou at\u00e9 hoje nenhuma linhagem de c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias. &ldquo;Isso ocorre porque \u00e9 arriscado investir em uma pesquisa que poderia se tornar ilegal&rdquo;, disse o cientista. (Ag\u00eancia Fapesp &ndash; 30\/05\/2008).<BR> <\/P> <P>Para a antrop\u00f3loga D\u00e9bora Diniz, professora da Universidade de Bras\u00edlia, &ldquo;para o STF, a defesa da Constitui\u00e7\u00e3o faz parte da manuten\u00e7\u00e3o do Estado Laico sob o qual vivemos e nos pautamos diariamente. O desafio do julgamento da ADI foi sustentar a manuten\u00e7\u00e3o da laicidade do Estado e garantir que a ci\u00eancia siga seu caminho. A pesquisa m\u00e9dica precisa avan\u00e7ar&rdquo;, avalia a pesquisadora.<BR>  <P>A decis\u00e3o do Supremo alinha o Brasil com outros 25 pa\u00edses que permitem as pesquisas com c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias. Entre eles, Fran\u00e7a, Espanha, Portugal, Reino Unido, \u00cdndia, Austr\u00e1lia, \u00c1frica do Sul, Estados Unidos e Canad\u00e1.<BR>  <P><B><I>Manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, bio\u00e9tica e os novos pecados sociais<\/B><\/I> <\/P> <P>Uma das estrat\u00e9gias da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), respons\u00e1vel pelo&nbsp;texto base da Campanha, era colocar em xeque a inviabilidade dos embri\u00f5es excedentes &ndash; os usados nas pesquisas com c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias &ndash; atrav\u00e9s de casos ilustrativos. <I>&ldquo;Dar um limite de anos para o congelamento, como fator discriminante para sua viabilidade ou n\u00e3o, parece n\u00e3o corresponder sempre \u00e0 realidade: j\u00e1 aconteceu um embri\u00e3o congelado por seis anos ter conseguido se desenvolver e chegar ao nascimento. Em 2002, ap\u00f3s passar 13 anos como embri\u00e3o congelado a -235\u00ba C, nasceu na Calif\u00f3rnia a menina Laina Beasley, aparentemente sem problemas, apenas com uma antecipa\u00e7\u00e3o de 5 semanas. Seus pais, Debbie e Kent Beaslay, haviam processado o m\u00e9dico dr. Richard Asch quando descobriram que ele utilizava \u00f3vulos e embri\u00f5es de suas pacientes em outras mulheres ou os enviava para pesquisa, sem autoriza\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis. Debbie e Kent conseguiram reaver oito dos doze embri\u00f5es que haviam deixado congelados e um deles, Laina, cresceu normalmente&rdquo;<\/I>, exemplificam. Sergio Rego afirma que a Igreja cita exemplos cl\u00e1ssicos dos abusos em pesquisas somente para justificar suas cr\u00edticas, e que tais casos j\u00e1 t\u00eam sido monitorados pelos comit\u00eas de \u00e9tica. &ldquo;Levantar epis\u00f3dios s\u00f3 refor\u00e7a a import\u00e2ncia dos mecanismos de controle. Da\u00ed a dizer que por conta desses epis\u00f3dios n\u00e3o se deve fazer pesquisa, h\u00e1 uma enorme diferen\u00e7a. Eles usam uma ret\u00f3rica no sentido de tentar se apropriar de informa\u00e7\u00f5es corretas e as interpretam de forma que atendam aos seus pr\u00f3prios interesses&rdquo;, analisa o pesquisador.<BR> <\/P> <P>&ldquo;Se tomamos conhecimento de casos de falta de \u00e9tica em pesquisa \u00e9 porque existe uma press\u00e3o muito grande de se conhecer o que est\u00e3o fazendo com as pessoas que se sujeitam a tais estudos, caso contr\u00e1rio, esses casos n\u00e3o seriam nem mesmo publicizados, conhecidos&rdquo;, ressalta Marilena Correa.<BR>  <P>A manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica tem sido alvo de cr\u00edticas do Vaticano atrav\u00e9s de seus v\u00e1rios instrumentos, seja por meio da Campanha da Fraternidade brasileira, ou nos pronunciamentos papais. Em mar\u00e7o deste ano, Bento XVI divulgou uma lista de novos pecados sociais, a qual inclu\u00eda cr\u00edticas a tais estudos e \u00e0 bio\u00e9tica.<BR>  <P>&ldquo;Eles est\u00e3o perdendo terreno, por isso atacam a bio\u00e9tica como um todo, em vez de dizer a bio\u00e9tica laica ou a bio\u00e9tica religiosa. A bio\u00e9tica religiosa parte do absoluto da sacralidade da vida, temos que obedecer aos des\u00edgnios que ser\u00e3o interpretados pelo papa e pelos bispos, e se n\u00e3o obedecermos estaremos pecando. Mas parece que a bio\u00e9tica cat\u00f3lica est\u00e1 se tornando secund\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 outra, logo toda bio\u00e9tica \u00e9 a dos outros e n\u00e3o a nossa. Este \u00e9 um passo falho&rdquo;, interpreta Fermin Roland.<BR>  <P>O pesquisador sublinha que a manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica faz parte do direito do ser humano de transformar o mundo. &ldquo;Portanto manipular geneticamente \u00e9 um dos patamares em que a pr\u00e1xis humana chegou hoje gra\u00e7as \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, tendo em vista de fato uma melhor adapta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria biologia humana aos seus desejos e necessidades&rdquo;, declara.<BR>  <P>Na an\u00e1lise de Sergio Rego, a Igreja Cat\u00f3lica espera que a Ci\u00eancia n\u00e3o d\u00ea respostas. &ldquo;Eles sugerem a exist\u00eancia de algo esot\u00e9rico, no limite do imponder\u00e1vel, e que n\u00e3o pode ser explicado. A Ci\u00eancia n\u00e3o tem sua verdade estanque. Ela \u00e9 um esfor\u00e7o para conhecer os fen\u00f4menos da natureza, \u00e9 refut\u00e1vel, ou seja, lida com teorias que podem ser desmontadas. Tentamos analisar quest\u00f5es a partir de argumentos que sejam baseados no racioc\u00ednio e n\u00e3o em princ\u00edpios religiosos&rdquo;, diz.<BR>  <P>O pesquisador salienta ainda que a bio\u00e9tica n\u00e3o deve ser encarada como uma id\u00e9ia. &ldquo;Ela n\u00e3o \u00e9 uma corrente, significa refletir sobre os acontecimentos que afetam o ambiente social o bem estar das pessoas.&nbsp;S\u00f3 achamos que essa cren\u00e7a n\u00e3o pode ser imposta a qualquer pessoa, afinal de contas, pessoas t\u00eam diferentes cren\u00e7as ou n\u00e3o acreditam em nada. Ou seja, n\u00e3o pode haver uma imposi\u00e7\u00e3o dada por uma hierarquia&rdquo;, conclui.<BR>  <P>Para Rego, o que a Igreja tem feito n\u00e3o \u00e9 usar a ci\u00eancia e sim manipular informa\u00e7\u00e3o cientifica para atingir a dimens\u00e3o emocional das pessoas para poder atingir seus objetivos. &ldquo;Criam a imagem de que se est\u00e1 falando de um bebezinho ao se falar em c\u00e9lulas-tronco, por exemplo&rdquo;, observa.<BR>  <P>A preocupa\u00e7\u00e3o maior da Igreja era se o STF aprovasse as pesquisas com c\u00e9lulas-tronco, outras formas legais de aborto &ndash; al\u00e9m dos permissivos legais &ndash; poderiam ser tamb\u00e9m aprovadas. No entanto, se no caso do aborto o conservadorismo da sociedade \u00e9 mais evidente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pesquisas com c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias a Igreja Cat\u00f3lica provou uma derrota em suas investidas contra tais estudos, pois a opini\u00e3o p\u00fablica \u00e9 majoritariamente favor\u00e1vel a essas pesquisas. Recente pesquisa do Ibope, encomendada pela organiza\u00e7\u00e3o Cat\u00f3licas pelo Direito de Decidir, antes da vota\u00e7\u00e3o no Supremo, mostrou que 95% dos brasileiros s\u00e3o favor\u00e1veis a esses estudos, considerando-os uma atitude em defesa da vida.<BR>  <P>&ldquo;N\u00e3o \u00e9 por medo do que possa acontecer adiante, na pr\u00f3xima d\u00e9cada, que se deve restringir uma possibilidade importante como o uso de c\u00e9lulas-tronco para debelar doen\u00e7as&rdquo;, afirma Olinto Pegoraro.<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seg\u00fan an\u00e1lisis de especialistas, el fallo Supremo Tribunal Federal que libera las investigaciones con c\u00e9lulas tronco embrionarias humanas reforz\u00f3 el car\u00e1cter laico del Estado y apart\u00f3 a Brasil de la encrucijada entre avance cient\u00edfico y moral religiosa. <EM>(Texto en portugu\u00e9s)<\/EM><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-349","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Victoria del avance cient\u00edfico - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/victoria-del-avance-cientifico\/349\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Victoria del avance cient\u00edfico - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Seg\u00fan an\u00e1lisis de especialistas, el fallo Supremo Tribunal Federal que libera las investigaciones con c\u00e9lulas tronco embrionarias humanas reforz\u00f3 el car\u00e1cter laico del Estado y apart\u00f3 a Brasil de la encrucijada entre avance cient\u00edfico y moral religiosa. 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