{"id":354,"date":"2008-06-25T00:00:00","date_gmt":"2008-06-25T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2008\/06\/25\/movimiento-lgbt-en-debate\/"},"modified":"2008-06-25T00:00:00","modified_gmt":"2008-06-25T03:00:00","slug":"movimiento-lgbt-en-debate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/movimiento-lgbt-en-debate\/354\/","title":{"rendered":"Movimiento LGBT en debate"},"content":{"rendered":"<p>Autor de &ldquo;Al\u00e9m do Carnaval: a homossexualidade masculina no Brasil do s\u00e9culo XX&rdquo;, o historiador James Green ministrou a confer\u00eancia &ldquo;30 anos do movimento LGBT no Brasil&rdquo;, na quarta-feira, 18 de junho, no CLAM. Green fez uma leitura da hist\u00f3ria deste movimento no pa\u00eds a partir de seus marcos iniciais &ndash; a funda\u00e7\u00e3o do Grupo SOMOS, em S\u00e3o Paulo, e o surgimento do jornal O LAMPI\u00c3O, em 1978 &ndash; e de duas refer\u00eancias mais recentes: a Parada do Orgulho LGBT de S\u00e3o Paulo, que este ano reuniu mais de 3 milh\u00f5es de pessoas, e a I Confer\u00eancia Nacional, em Bras\u00edlia, que contou com a presen\u00e7a do presidente Luis In\u00e1cio Lula da Silva em sua abertura.<BR>  <P>Para o pesquisador, diretor do Center for Latin American Studies do Watson Institute for International Studies da Brown University, \u00e9 importante entender que, assim como ao longo dos \u00faltimos 30 anos foram criadas as condi\u00e7\u00f5es para que o movimento LGBT chegasse at\u00e9 a I Confer\u00eancia Nacional, j\u00e1 existia no Brasil dos anos 50 um pr\u00e9-movimento, que criou as possibilidades de uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de gays e l\u00e9sbicas iniciada em 1978.<BR>  <P>&ldquo;Esse pr\u00e9-movimento era o resultado de uma s\u00e9rie de fatores sociais e econ\u00f4micos do pa\u00eds, como a urbaniza\u00e7\u00e3o e a concentra\u00e7\u00e3o de pessoas nas grandes cidades, como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, centros que atraiam gays de todo o pa\u00eds. Nesses ambientes das grandes cidades criam-se, a partir de 1951, as primeiras boates e outros espa\u00e7os particulares para gays &ndash; e eventualmente l\u00e9sbicas &ndash;, como os bailes de carnaval e redes sociais de amigos, os quais criam uma identidade para al\u00e9m de uma individualidade. Ou seja, uma rede social que cria uma no\u00e7\u00e3o de que temos alguma coisa em comum, somos todos <I>bichas<\/I>, somos todas <I>sapat\u00f5es<\/I>, temos uma s\u00e9rie de viv\u00eancias que s\u00e3o similares e enfrentamos quest\u00f5es parecidas. Havia tamb\u00e9m uma conjuntura internacional conjugada \u00e0s mudan\u00e7as de g\u00eanero aqui no Brasil: mais mulheres da classe m\u00e9dia indo para a universidade, mais empregos para mulheres que se tornavam independentes da fam\u00edlia. E muitas influ\u00eancias culturais, como o tropicalismo, em n\u00edvel nacional, e, internacionalmente, a cultura hippie e o rock, que v\u00e3o questionando, em certo sentido, as quest\u00f5es de g\u00eanero e o comportamento masculino e feminino, oferecendo alternativas de constru\u00e7\u00e3o do g\u00eanero diferentemente dos padr\u00f5es r\u00edgidos constru\u00eddos nos anos ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. Foi essa conjun\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es sociais, de sociabilidades e mudan\u00e7as culturais na sociedade que abriu a possibilidade do surgimento de um movimento pol\u00edtico&rdquo;, relatou o historiador.<BR>  <P>Segundo o historiador, se n\u00e3o tivesse havido a repress\u00e3o militar ao final de 1968 e o Ato Institucional N\u00famero Cinco, ou AI-5 &ndash; instrumento de poder que deu ao regime militar poderes absolutos e cuja primeira conseq\u00fc\u00eancia foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano &ndash; os primeiros grupos ativistas organizados teriam surgido no pa\u00eds entre 1969 e 1970. &ldquo;Esses grupos teriam feito o mesmo tipo de reivindica\u00e7\u00f5es que surgiram na Argentina &ndash; atrav\u00e9s da &ldquo;Frente de Liberac\u00edon Homosexual&rdquo; &ndash;, no M\u00e9xico, nos Estados Unidos e na Europa&rdquo;.<BR>  <P>James Green considera que o auge da primeira fase do movimento &ndash; iniciada com a forma\u00e7\u00e3o do Grupo SOMOS &ndash; coincidiu com a greve geral de trabalhadores no ABC paulista, em 1980. &ldquo;O encontro nacional foi realizado durante a Semana Santa, a greve geral estava em curso, houve repress\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o no sindicato. Um setor do movimento homossexual vai ent\u00e3o participar da manifesta\u00e7\u00e3o do 1\u00ba de Maio, ostentando duas faixas, uma que dizia &ldquo;contra a interven\u00e7\u00e3o do sindicato ABC, S.O.M.O.S Grupo de Afirma\u00e7\u00e3o Homossexual&rdquo;, e outra contra a discrimina\u00e7\u00e3o do trabalhador homossexual. Ningu\u00e9m nessa \u00e9poca levantava essa quest\u00e3o da possibilidade de discrimina\u00e7\u00e3o no sindicato no Brasil. Mas foi ent\u00e3o inaugurada a primeira iniciativa de di\u00e1logo nesse sentido&rdquo;, relembrou.<BR>  <P>James Green relembrou ainda a fase de recess\u00e3o no movimento. &ldquo;A partir de 1983 muitos grupos acabaram, inclusive o SOMOS, por falta de recursos e a aus\u00eancia do financiamento do Estado. Neste momento ainda n\u00e3o havia a cultura da ONGs, ent\u00e3o os grupos lentamente v\u00e3o desaparecer&rdquo;, disse ele.<BR>  <P>O surgimento da epidemia da Aids marcou, para ele, o in\u00edcio de uma segunda fase do movimento. &ldquo;Havia uma grande confus\u00e3o nesse momento e alguns nomes que militavam no movimento v\u00e3o ajudar na forma\u00e7\u00e3o de grupos para dar uma resposta \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da AIDS no pa\u00eds, como Luiz Mott, da Bahia. Ele vai ser o grande dirigente do movimento durante os anos 80. Paralelamente, o Jo\u00e3o Antonio Mascarenhas criou o grupo Triangulo Rosa. Juntamente com Mott, ele encaminha uma campanha para a proibi\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o da homossexualidade para a Constituinte de 1988. A proposta ganhou 25% da vota\u00e7\u00e3o dos representantes e n\u00e3o foi aprovada&rdquo;.<BR>  <P>O historiador lembrou que o Congresso da ILGA (International Lesbian and Gay Association), realizado no Rio de Janeiro em 1995, foi fundamental para a cria\u00e7\u00e3o, entre os militantes, de uma no\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia de um movimento internacional. &ldquo;No final do congresso, houve uma passeata que reuniu entre mil e duas mil pessoas. No dia anterior, o movimento havia confeccionado muitas m\u00e1scaras, com a id\u00e9ia de que as pessoas iam sair \u00e0s ruas mascaradas, com medo de assumirem publicamente sua sexualidade. Mas as m\u00e1scaras foram jogadas fora, e todos foram \u00e0s ruas assumidos e contentes, com muitas pessoas assistindo. Foi muito importante para o movimento consolidar essa id\u00e9ia&rdquo;, recordou.<BR>  <P><B>Debate<\/B>  <P>Para Green, a I Confer\u00eancia Nacional LGBT marca o in\u00edcio de uma terceira fase do movimento. &ldquo;O encontro em Bras\u00edlia \u00e9 muito emblem\u00e1tico pelo fato de o presidente Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva estar presente. O mesmo Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva que, em 1979, declarou que n\u00e3o existiam homossexuais na classe trabalhadora, que era muito preconceituoso e que s\u00f3 aceitava a quest\u00e3o dentro do PT por que havia um setor da esquerda que apoiava em parte essa reivindica\u00e7\u00e3o&rdquo;. O historiador terminou sua exposi\u00e7\u00e3o falando do atual momento do movimento e dos rumos que este deve tomar nos pr\u00f3ximos anos. &ldquo;Existe atualmente uma vis\u00e3o clara das necessidades desse movimento, da inclus\u00e3o na pol\u00edtica do Governo, uma pol\u00edtica contra a homofobia. Penso que nenhum outro governo v\u00e1, de agora em diante, regredir nessas quest\u00f5es. Ou seja, a partir desse momento, \u00e9 s\u00f3 cobrar e dizer: <I>&ldquo;Voc\u00ea est\u00e1 fazendo menos do qu\u00ea o anterior, voc\u00ea tem que fazer mais&rdquo;<\/I>. O Governo tem que ser parceiro do movimento, no sentido de avan\u00e7ar nas nossas conquistas no pa\u00eds. Seja quem for o pr\u00f3ximo presidente n\u00e3o poder\u00e1 fazer menos, vai ter que fazer mais do que est\u00e1 sendo feito atualmente, sen\u00e3o vai ser cobrado por um setor do seu partido, e isso para mim \u00e9 muito positivo. N\u00e3o existe mais a direita &ldquo;direitona&rdquo; neste pa\u00eds, por isso vai ser dif\u00edcil haver um recuo&rdquo;, afirmou.<BR>  <P>Essas \u00faltimas coloca\u00e7\u00f5es de James Green em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s conquistas atuais do movimento LGBT, sua rela\u00e7\u00e3o com o Estado e seu futuro &ndash; vislumbrado positivamente pelo expositor a partir de tais conquistas &ndash; geraram um instigante debate. Enquanto na vis\u00e3o assumidamente otimista de Green &ndash; como o pr\u00f3prio definiu &ndash; o movimento ter\u00e1 um futuro de in\u00fameros ganhos, a julgar pelas recentes conquistas (em especial a I Confer\u00eancia Nacional LGBT, financiada pelo Estado), a antrop\u00f3loga Maria Luiza Heilborn (CLAM\/IMS\/UERJ) ponderou sobre a perspectiva otimista do historiador em torno da linearidade da hist\u00f3ria. A pesquisadora fez uma analogia do movimento LGBT com o feminista em rela\u00e7\u00e3o a seus avan\u00e7os e retrocessos. Maria Luiza salientou que a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 necessariamente progressiva, ao contr\u00e1rio, \u00e9 pass\u00edvel de retrocessos.<BR>  <P>&ldquo;A quest\u00e3o do aborto legal em caso de estupro, por exemplo, \u00e9 uma das coisas que n\u00e3o se consegue implantar nos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, apesar de garantido na lei h\u00e1 anos. Constantemente surgem decis\u00f5es contr\u00e1rias. Ou seja, ganhamos a lei e de repente uma legisla\u00e7\u00e3o local impede a realiza\u00e7\u00e3o da lei, por isso n\u00e3o podemos dizer que a direita &ldquo;direitona&rdquo; seja um obst\u00e1culo realmente descartado. \u00c9 dif\u00edcil dizer que no Brasil n\u00e3o existe realmente uma direita. Em alguns temas cruciais, como a uni\u00e3o civil de pessoas do mesmo sexo e o aborto, se produz <I>backlash<\/I> sistematicamente. Penso que essa analogia com o movimento feminista \u00e9 importante&rdquo;, analisou Maria Luiza.<BR>  <P>Tamb\u00e9m presente ao evento, o antrop\u00f3logo Peter Fry (IFCS\/UFRJ), autor dos cl\u00e1ssicos &ldquo;O que \u00e9 homossexualidade&rdquo; e &ldquo;Para ingl\u00eas ver&rdquo;, criticou a depend\u00eancia financeira do movimento LGBT ao Estado.<BR>  <P>&ldquo;N\u00e3o acredito que o movimento LGBT seja um movimento de massa. N\u00e3o sinto que as demandas pela uni\u00e3o civil, direito \u00e0 heran\u00e7a e ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as por casais do mesmo sexo estejam vindo da sociedade, mas sim do governo. O movimento \u00e9 algo orquestrado pelo Governo. As decis\u00f5es v\u00eam de cima, como a convoca\u00e7\u00e3o da I Confer\u00eancia Nacional. Conquista \u00e9 conquista, n\u00e3o \u00e9 uma coisa dada&rdquo;, ponderou Peter Fry.<BR>  <P>O antrop\u00f3logo afirmou existir no atual governo o que ele chama de uma &ldquo;ideologia da diversidade, do multiculturalismo&rdquo;. &ldquo;O Estado est\u00e1 dedicado a produzir um Brasil distinto, de identidades diversas. Ent\u00e3o n\u00f3s temos que ter <I>bichas<\/I> com seus direitos, <I>pretos<\/I> com seus direitos e senhoras com os direitos delas, e assim vai&rdquo;, afirmou Peter.<BR>  <P>Peter Fry lembrou que, nos tempos do jornal O LAMPI\u00c3O &ndash; do qual fez parte do conselho editorial &ndash; se discutia a necessidade de se criar uma identidade homossexual. &ldquo;A tend\u00eancia atual \u00e9 de cada vez mais produzir o ser identit\u00e1rio para conseguir qualquer coisa. Eu li no jornal que uma das propostas aprovadas na Confer\u00eancia foi a cria\u00e7\u00e3o de um estatuto LGBT. A proposta do estatuto significa criar direitos espec\u00edficos. Penso que devemos ter uma vis\u00e3o cr\u00edtica do que est\u00e1 acontecendo, e n\u00e3o ficar totalmente deslumbrados por que o Lula deu um sorriso para os gays. N\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o simples, \u00e9 mais complicado&rdquo;, avaliou o antrop\u00f3logo.<BR>  <P>Coordenador da mesa, S\u00e9rgio Carrara (CLAM\/IMS\/UERJ) ponderou: &ldquo;Temos que come\u00e7ar a ficar atentos para o fato de que o movimento est\u00e1 se organizando de uma forma bastante distinta do que vinha se organizando. N\u00e3o se trata apenas de ONGs cujos recursos v\u00eam atrav\u00e9s de projetos financiados por governos e funda\u00e7\u00f5es. Um exemplo disso \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o do n\u00facleo LGBT nas Universidades. A UNE tem hoje um setor deste segmento organizado por estudantes em quase todas as universidades federais do pa\u00eds. Ou seja, esse tipo de organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa pelo Governo Federal, n\u00e3o passa pelo financiamento para a AIDS. Penso que essa forma de mobiliza\u00e7\u00e3o tende a se espalhar e vai jogar esse movimento em um outro contexto, que n\u00e3o \u00e9 mais o da depend\u00eancia do Estado&rdquo;.<BR>  <P>James Green finalizou afirmando que tal depend\u00eancia do movimento ao Governo se d\u00e1 por conta da realidade social brasileira. &ldquo;Concordo que o movimento enfrenta um grande problema de financiamento e de depend\u00eancia do Estado, mas acho que a realidade no Brasil \u00e9 que torna essa rela\u00e7\u00e3o muito estreita. Mas, se por um lado, essa rela\u00e7\u00e3o atrai muitas coisas negativas, por outro lado ela pode criar condi\u00e7\u00f5es positivas. Concordo tamb\u00e9m que o movimento n\u00e3o pode seguir sempre dependendo do financiamento para a AIDS, pois esses financiamentos nacionais e internacionais v\u00e3o acabar em algum momento e se n\u00e3o houver uma autonomia financeira e organizativa por parte do movimento ser\u00e1 muito dif\u00edcil avan\u00e7ar&rdquo;, concluiu.<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Consideraciones del historiador James Green vertidas en conferencia en el CLAM sobre la relaci\u00f3n entre el Estado y las conquistas&nbsp;del movimiento LGBT generaron un debate estimulante. Participaron Peter Fry, Maria Luiza Heilborn y Sergio Carrara.<EM> (Texto en portugu\u00e9s)<\/EM><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-354","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Movimiento LGBT en debate - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/movimiento-lgbt-en-debate\/354\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Movimiento LGBT en debate - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Consideraciones del historiador James Green vertidas en conferencia en el CLAM sobre la relaci\u00f3n entre el Estado y las conquistas&nbsp;del movimiento LGBT generaron un debate estimulante. 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