{"id":440,"date":"2009-06-16T00:00:00","date_gmt":"2009-06-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2009\/06\/16\/investigacion-y-activismo\/"},"modified":"2009-06-16T00:00:00","modified_gmt":"2009-06-16T03:00:00","slug":"investigacion-y-activismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/investigacion-y-activismo\/440\/","title":{"rendered":"Investigaci\u00f3n y activismo"},"content":{"rendered":"<p>Existem trabalhos acad\u00eamicos, como o&nbsp;livro &ldquo;O que \u00e9 Homossexualidade&rdquo;, de Peter Fry e Edward MacRae, cujo impacto na sociedade e no movimento social produz efeitos t\u00e3o importantes quanto as a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e conquistas do pr\u00f3prio movimento, assinalou o antrop\u00f3logo Sergio Carrara (CLAM\/IMS\/UERJ) ao comentar a primeira mesa do F\u00f3rum &ldquo;Sexualidades, movimentos sociais e academia: pesquisas e interven\u00e7\u00f5es no Brasil&rdquo;, evento realizado pelo CLAM no dia 10 de junho por ocasi\u00e3o do XXVIII Congresso Internacional da Associa\u00e7\u00e3o de Estudos Latino-Americanos (LASA), que aconteceu no Rio de Janeiro de 11 a 14 de junho. Participante do evento, Peter Fry (IFCS\/UFRJ) fez uma reflex\u00e3o biogr\u00e1fica durante sua apresenta\u00e7\u00e3o na primeira mesa &ndash; <I>Hist\u00f3rias e gera\u00e7\u00f5es na pesquisa e ativismo LGBT<\/I>.<BR>  <P>&ldquo;A rela\u00e7\u00e3o do Estado com a sociedade mudou radicalmente nos \u00faltimos 30 anos. Esse pequeno movimento &ndash; menor do que o movimento feminista &ndash; \u00e9 o \u00fanico que consegue colocar nas ruas mais de 3 milh\u00f5es de pessoas todos os anos. N\u00e3o se trata de um movimento de gueto, mas inclusivo, com capacidade de incorporar, de fazer alian\u00e7as e causar simpatias. Gra\u00e7as a isso, estamos vivendo uma situa\u00e7\u00e3o muito melhor&rdquo;, disse ele.<BR>  <P>O antrop\u00f3logo destacou a diferen\u00e7a entre movimento e movimenta\u00e7\u00e3o. &ldquo;O que vemos em dias de Paradas do Orgulho LGBT, com metr\u00f4s e \u00f4nibus lotados, n\u00e3o \u00e9 o movimento, mas sim uma movimenta\u00e7\u00e3o. Mas o movimento consegue se aliar a essa movimenta\u00e7\u00e3o, e \u00e9 esta que vai dar a visibilidade ao movimento. H\u00e1 uma solidariedade da sociedade para com o movimento&rdquo;, analisou.<BR>  <P>Seguindo uma mesma linha biogr\u00e1fica, o historiador James Green (Brown University) lembrou quando, em setembro de 1978, entrou para o Grupo SOMOS, de S\u00e3o Paulo, primeiro grupo de defesa dos direitos homossexuais do pa\u00eds, criado em maio daquele ano. &ldquo;Ao sair da ditadura militar com aqueles ativistas, era dif\u00edcil imaginar um movimento LGBT t\u00e3o amplo como o que vemos hoje&rdquo;, afirmou.<BR>  <P>Green ressaltou a hist\u00f3rica e recorrente alian\u00e7a do movimento com a esquerda brasileira &ndash; e enfatizou em particular a alian\u00e7a feita com o movimento sindical dos metal\u00fargicos do ABC paulista da d\u00e9cada de 1970, do qual o atual presidente do Brasil, Luis In\u00e1cio Lula da Silva, ent\u00e3o metal\u00fargico, fez parte.<BR>  <P>&ldquo;O imagin\u00e1rio da \u00e9poca era de que n\u00e3o existia oper\u00e1rio homossexual. Quem poderia imaginar que algum dia haveria um trabalho contra a homofobia na classe oper\u00e1ria e que Lula participaria da abertura da Confer\u00eancia LGBT de 2008? Foram as transforma\u00e7\u00f5es no Brasil dos anos 70, 80 e 90 que abriram as possibilidades desse grande movimento que hoje existe no Brasil&rdquo;, finalizou o historiador.<BR>  <P>Richard Parker (Columbia University) fez uma reflex\u00e3o sobre a interface do movimento LGBT e a Aids, a partir do come\u00e7o da resposta brasileira frente \u00e0 doen\u00e7a. Ele dividiu o movimento em quatro momentos hist\u00f3ricos, com o primeiro terminando em 1992, com a morte de Herbert Daniel,&nbsp;vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) no in\u00edcio dos anos 90 durante a gest\u00e3o de Herbert de Souza, o Betinho, fundador da institui\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m morreria de Aids em 1997.<BR>  <P>&ldquo;De 1985 a 1992 tivemos uma desarticula\u00e7\u00e3o do movimento, muito por conta da maneira que a Aids atingiu lideran\u00e7as importantes, como N\u00e9stor Perlongher e Herbert Daniel. Foi o que chamo de &lsquo;per\u00edodo her\u00f3ico&rsquo;, onde h\u00e1 o conflito entre o movimento ativista e o Estado. A comunidade ativista criticou e transformou o primeiro programa de Aids criado nas Am\u00e9ricas, em 1984, em S\u00e3o Paulo&rdquo;, lembrou.<BR>  <P>Segundo ele, uma segunda etapa iria dos anos de&nbsp;1993 a 1997, per\u00edodo em que&nbsp;haveria&nbsp;a chegada do tratamento antirretroviral e a entrada de muitos ativistas nos espa\u00e7os governamentais, onde podiam, mesmo que ainda timidamente, influenciar nas pol\u00edticas p\u00fablicas.<BR> <\/P> <P>&ldquo;Em 1993 h\u00e1 um novo tipo de din\u00e2mica que cruza com a quest\u00e3o da epidemia da Aids no pa\u00eds: o uso do dinheiro p\u00fablico e de recursos governamentais em a\u00e7\u00f5es de grupos ativistas&rdquo;, disse.<BR> <\/P> <P>Para ele, um terceiro&nbsp;momento se iniciaria entre os anos 96\/97, trazendo mudan\u00e7as que seriam determinantes dali para frente. &ldquo;Essas mudan\u00e7as se devem \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de novos medicamentos e da transforma\u00e7\u00e3o da Aids em uma doen\u00e7a cr\u00f4nica e trat\u00e1vel. A Aids tornou-se uma quest\u00e3o administr\u00e1vel&rdquo;, afirmou.<BR>  <P>Com a cronifica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a veio, segundo o antrop\u00f3logo, a incorpora\u00e7\u00e3o da perspectiva de direitos humanos, quarto momento. &ldquo;Ao adotarmos esse paradigma, criaram-se setores para cuidar de certas quest\u00f5es, e houve o surgimento, a partir da\u00ed, da perspectiva dos direitos sexuais, incorporada nos debates nacionais pelos movimentos feminista e homossexual&rdquo;, finalizou.<BR>  <P>A cientista social Regina Facchini (Pagu\/Unicamp) lembrou de seus tempos na Escola de Sociologia e Pol\u00edtica da Unicamp, onde, segundo ela, era improv\u00e1vel que algu\u00e9m falasse de homossexualidade nos idos dos anos 90. &ldquo;Tive meu primeiro contato com o movimento em minha pesquisa monogr\u00e1fica de gradua\u00e7\u00e3o, em 1995. Entre 95 e 97, j\u00e1 no programa de mestrado, n\u00e3o havia quase nada de produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria sobre o movimento homossexual&rdquo;, disse ela.<BR>  <P>Foi, segundo ela, seu trabalho de campo, desenvolvido entre 97 e 2000, e o contato com pesquisadoras como Regina Maria Barbosa, Adriana Piscitelli e Maria Filomena Gregori, que a levaram ao encontro de diversas institui\u00e7\u00f5es, como a o Pagu, o Nepo (N\u00facleo de Estudos de Popula\u00e7\u00e3o &ndash; Unicamp) e a Abia. &ldquo;O encontro com essas institui\u00e7\u00f5es foi fundamental para saber que a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento \u00e9 importante para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades estrat\u00e9gicas de gestores e ativistas&rdquo;, concluiu a autora do livro &ldquo;Sopa de Letrinhas&rdquo; (CLAM\/Garamond), fruto de sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado.<BR>  <P><B><I>Encontros entre milit\u00e2ncia e academia<\/B><\/I>  <P>Em sua reflex\u00e3o na mesa <I>Encontros entre milit\u00e2ncia e academia<\/I>, a pesquisadora Sonia Correa (Abia\/SPW) optou por um caminho chamado por ela de memorialista, iniciada a partir de sua participa\u00e7\u00e3o nos coletivos feministas. &ldquo;Aliment\u00e1vamos uma enorme rejei\u00e7\u00e3o ou mesmo repulsa ao Estado. Subordina\u00e7\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o, revolu\u00e7\u00e3o eram parte de nosso vocabul\u00e1rio. \u00c9ramos pequenos coletivos, grupos de reflex\u00e3o, de estudo e de conscientiza\u00e7\u00e3o. T\u00ednhamos muitos nomes no final dos anos 70&rdquo;, relembrou.<BR>  <P>Segundo ela, como as mulheres do ent\u00e3o emergente movimento feminista n\u00e3o tinham voz nos espa\u00e7os pol\u00edticos de esquerda, estas se reuniam em espa\u00e7os alternativos, como os encontros da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia), os Encontros de Sociologia da Unicamp, e a reuni\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos Populacionais (Abep) de 1984, a qual teve uma mesa sobre sexualidade. A pesquisadora citou ainda a import\u00e2ncia do GT de G\u00eanero da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletivo (Abrasco), da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Antropologia (ABA), da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas, do NIGS &ndash; N\u00facleo de Identidades de G\u00eanero e Subjetividades da Universidade Federal de Santa Catarina, respons\u00e1vel pelo Encontro Feminista &ldquo;Fazendo G\u00eanero&rdquo;, e, mais recente, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos da Homocultura (ABEH) e o CLAM.<BR>  <P>&ldquo;As feministas antecederam em alguns anos o movimento LGBT e o da Aids. Por\u00e9m, esse relato vitorioso n\u00e3o deve obscurecer as tens\u00f5es ainda presentes, como a quest\u00e3o dos recursos financeiros e o fato de haver ainda uma matriz marxista refrat\u00e1ria. O tema do essencialismo nos acompanha desde os anos 70. A Aids foi a \u00fanica a deslocar o tema do essencialismo. Afinal, como diz Veriano Terto, presidente da Abia, ningu\u00e9m nasce soropositivo. O essencialismo n\u00e3o est\u00e1 somente presente nas disciplinas ditas duras &ndash; como a biologia, a epidemiologia etc . Hoje ele est\u00e1 presente nas normas religiosas e no Estado&rdquo;, finalizou.<BR>  <P>O ativista Beto de Jesus (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gays, L\u00e9sbicas e Trasng\u00eaneros) iniciou sua apresenta\u00e7\u00e3o com um questionamento: Por que se produzem conhecimentos e quais deles s\u00e3o reconhecidos? Como aproveitar o que \u00e9 produzido?<BR>  <P>&ldquo;O movimento LGBT no Brasil fez op\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria. Como se pensar, por exemplo, uma pessoa trans dentro de uma estrutura? H\u00e1 a\u00ed um n\u00edvel de especificidade. Este caminho tem sido vi\u00e1vel para aquilo que alcan\u00e7amos at\u00e9 agora. A pol\u00edtica identit\u00e1ria \u00e9 uma cilada em muitas vezes, mas em outras tem se mostrado uma estrat\u00e9gia efetiva&rdquo;, disse Beto.<BR>  <P>Segundo ele, nunca houve antes um momento t\u00e3o intenso em n\u00famero de pesquisas sobre as quest\u00f5es LGBT na universidade. &ldquo;Por\u00e9m, ainda temos que desconstruir a desconfian\u00e7a do movimento com a universidade&rdquo;, afirmou.<BR>  <P>O antrop\u00f3logo Julio Sim\u00f5es (USP) falou sobre a produ\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o mais geral do que \u00e9 o movimento LGBT e de como a sexualidade e a homossexualidade s\u00e3o tratadas pelas Ci\u00eancias Sociais, buscando responder aos questionamentos levantados por Beto de Jesus. &ldquo;Nos anos 70, o trabalho de Edward MacRae gerou pol\u00eamica com o pessoal do Grupo SOMOS, especialmente com seu presidente, Jo\u00e3o Silv\u00e9rio Trevisam. Mas nem MacRae era s\u00f3 pesquisador e nem Trevisam era s\u00f3 militante. Os dois reuniam as duas habilidades. Ambos contribu\u00edram para que o SOMOS assumisse um lugar de preced\u00eancia que ocupa na hist\u00f3ria do movimento de defesa dos direitos de pessoas LGBT&rdquo;, lembrou.<BR>  <P>Segundo o pesquisador, o uso da express\u00e3o &ldquo;orienta\u00e7\u00e3o sexual&rdquo; ilustra a rela\u00e7\u00e3o universidade &ndash; movimento social. &ldquo;O movimento fez esta escolha buscando a coopera\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Deram pareceres sobre esta quest\u00e3o, al\u00e9m de MacRae, os pesquisadores Peter Fry, Marisa Correa, Gilberto Velho e Luiz Fernando Dias Duarte. Formou-se a\u00ed uma colabora\u00e7\u00e3o interessante&rdquo;, disse Sim\u00f5es.<BR>  <P>A quest\u00e3o da viol\u00eancia e da vitimiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ilustram, na an\u00e1lise do pesquisador, a coopera\u00e7\u00e3o universidade-milit\u00e2ncia. &ldquo;A vis\u00e3o do movimento era de que a v\u00edtima sexual era uma v\u00edtima indefesa diante de seu algoz. Por sua vez, as pesquisas acad\u00eamicas relativas ao tema chamam a aten\u00e7\u00e3o para as vulnerabilidades especiais&rdquo;, afirmou.<BR>  <P>O antrop\u00f3logo citou ainda outra contribui\u00e7\u00e3o importante: o livro &ldquo;O que \u00e9 homossexualidade&rdquo;, de Fry e MacRae. &ldquo;A obra afasta a vis\u00e3o patologizada da homossexualidade e contribuiu para uma energiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em torno do tema&rdquo;, finalizou.<BR>  <P>Na mesa da tarde, diversos pesquisadores e pesquisadoras apresentaram seus projetos de interven\u00e7\u00e3o e de pesquisa. Participaram Yone Lindgren (Movimento D&rsquo;Elas), Beto de Jesus (ABGLT), Veriano Terto Jr. (ABIA), Eliane Berutti (UERJ-ABEH), Fabiola Rohden (CLAM\/IMS\/UERJ), Gustavo Venturi (Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo), Julio Sim\u00f5es (USP), Laura Moutinho (USP) e Regina Facchini (Unicamp).<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas reunidos en el CLAM discutieron las interfases entre el conocimiento producido en la universidad sobre tem\u00e1ticas de g\u00e9nero, sexualidad y derechos humanos y los movimientos sociales. 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