{"id":456,"date":"2009-08-04T00:00:00","date_gmt":"2009-08-04T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2009\/08\/04\/otras-opciones\/"},"modified":"2009-08-04T00:00:00","modified_gmt":"2009-08-04T03:00:00","slug":"otras-opciones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/otras-opciones\/456\/","title":{"rendered":"Otras opciones"},"content":{"rendered":"<p><P>Uma pesquisa, realizada pela soci\u00f3loga Luzinete Sim\u00f5es Minella (UFSC) no estado de Santa Catarina e apresentada no Grupo de Trabalho &ldquo;Sa\u00fade e Sociedade&rdquo; do XIV Congresso Brasileiro de Sociologia, acontecido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na semana passada, revela que os contraceptivos mais utilizados, confirmando uma tend\u00eancia nacional, continuam sendo a p\u00edlula e a laqueadura. No entanto, de acordo com o estudo, as mulheres conhecem mais m\u00e9todos do que praticam, e o preservativo masculino, embora seja mais conhecido atualmente, tem sido pouco utilizado como m\u00e9todo de dupla prote\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/P> <P>A pesquisa multic\u00eantrica, coordenada pelo SOS Corpo, com apoio do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (FNUAP), teve como objetivos analisar a trajet\u00f3ria contraceptiva e reprodutiva das usu\u00e1rias do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) em cinco estados da federa\u00e7\u00e3o, incluindo Santa Catarina &ndash; onde a cobertura do atendimento b\u00e1sico em sa\u00fade atinge 70% da popula\u00e7\u00e3o &ndash; e suas percep\u00e7\u00f5es sobre o acesso e a qualidade da aten\u00e7\u00e3o em planejamento reprodutivo. A metodologia incluiu a realiza\u00e7\u00e3o de 60 entrevistas com mulheres entre 18 e 49 anos, em tr\u00eas unidades de sa\u00fade, sendo duas na capital e uma no interior do estado, preferencialmente em \u00e1rea rural.<BR> <\/P> <P>&ldquo;As usu\u00e1rias dessas unidades de sa\u00fade s\u00e3o mulheres de 26 a 35 anos, a grande maioria cat\u00f3licas, com baixos n\u00edveis de escolaridade e de renda familiar. Comparecem aos servi\u00e7os regularmente, e acham que tais atendimentos s\u00e3o bons e que s\u00e3o bem atendidas. N\u00e3o sabemos ao certo se elas classificam os servi\u00e7os como bons simplesmente pelo fato de eles existirem. Talvez elas achem que pior seria se n\u00e3o existissem&rdquo;, analisou a soci\u00f3loga.<BR>  <P>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 resist\u00eancia ao uso do preservativo, a pesquisadora elencou algumas das justificativas usadas pelas mulheres. &ldquo;Elas afirmam que n\u00e3o o usam porque est\u00e3o em uma rela\u00e7\u00e3o afetiva est\u00e1vel ou em uma faixa et\u00e1ria avan\u00e7ada. Uma recomenda\u00e7\u00e3o de nosso trabalho seria a inclus\u00e3o dos homens nesses atendimentos&rdquo;, avaliou Luzinete.<BR>  <P>&ldquo;Por sua vez, embora a esteriliza\u00e7\u00e3o e a p\u00edlula sejam os m\u00e9todos predominantes, as mulheres conhecem o leque de op\u00e7\u00f5es que t\u00eam&rdquo;, finalizou.<BR>  <P><I><B>Anticoncep\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia em destaque no Congresso de Sociologia <\/I><\/B> <P>O debate social sobre a anticoncep\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia (AE) no Brasil foi o tema da apresenta\u00e7\u00e3o, no mesmo Congresso, da pesquisadora Elaine Reis Brand\u00e3o (UFRJ), em co-autoria com Rozana A. Souza (UFRJ). &ldquo;A p\u00edlula do dia seguinte ganhou, na \u00faltima d\u00e9cada, grande visibilidade, sendo utilizada pelas mulheres, normalmente adquirida em farm\u00e1cias, sem acompanhamento ou prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, podendo assim trazer preju\u00edzos \u00e0 sa\u00fade das usu\u00e1rias&rdquo;, avaliou Elaine.<BR>  <P>Al\u00e9m de sua difus\u00e3o, sem o devido apoio dos servi\u00e7os de sa\u00fade, exceto nos casos de viol\u00eancia sexual, ocorre na sociedade brasileira um grande debate na m\u00eddia sobre o m\u00e9todo, aprovado desde 1996, e inclu\u00eddo na 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o do <I>Manual de Assist\u00eancia ao Planejamento Familiar<\/I> do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, e mais recentemente na Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade da Mulher do MS (2004). &ldquo;Surgiu voltado para proteger a mulher v\u00edtima de viol\u00eancia sexual de uma poss\u00edvel gravidez. Hoje, o m\u00e9todo \u00e9 caracterizado como alternativo para uma rela\u00e7\u00e3o sexual desprotegida. Como ele precisa ser utilizado at\u00e9 72 horas ap\u00f3s a rela\u00e7\u00e3o sexual desprotegida, o tempo \u00e9 um fator importante&rdquo;, disse ela.<BR>  <P>Assim como chegou com grande for\u00e7a \u00e0s prateleiras das farm\u00e1cias &ndash; onde \u00e9 mais frequentemente adquirida &ndash; a p\u00edlula do dia seguinte tomou tamb\u00e9m as p\u00e1ginas de jornais e revistas nos \u00faltimos anos, alcan\u00e7ando maior visibilidade do que nos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, onde um certo grau de desinforma\u00e7\u00e3o &ndash; se o m\u00e9todo \u00e9 abortivo ou n\u00e3o &ndash; e o preconceito dos profissionais de sa\u00fade dificultam o seu acesso. A notoriedade na m\u00eddia foi alcan\u00e7ada atrav\u00e9s de casos como o das cidades de Jundia\u00ed e S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, onde leis municipais atribu\u00edram ao medicamento car\u00e1ter abortivo e sua distribui\u00e7\u00e3o chegou a ser suspensa.<BR>  <P>A pesquisadora buscou identificar interlocutores do debate p\u00fablico, os argumentos arrolados, os conflitos ocorridos e os posicionamentos de gestores, m\u00e9dicos, religiosos, educadores, feministas, atrav\u00e9s da an\u00e1lise de dois jornais de grande circula\u00e7\u00e3o nacional: O Globo (RJ) e a Folha de S\u00e3o Paulo (SP), no per\u00edodo 2005-2008. Foram levantadas 28 mat\u00e9rias do di\u00e1rio carioca sobre o tema e 53 do paulista. &ldquo;Discutem-se representa\u00e7\u00f5es sociais que circulam na sociedade, formatando id\u00e9ias, opini\u00f5es, julgamentos e posi\u00e7\u00f5es morais sobre o tema&rdquo;.<BR>  <P>Al\u00e9m do caso de Jundia\u00ed, o tema esteve na m\u00eddia em diversas outras situa\u00e7\u00f5es: na ocasi\u00e3o da regulamenta\u00e7\u00e3o pelo MS da distribui\u00e7\u00e3o da&nbsp;p\u00edlula do dia seguinte&nbsp;a todos os servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade em 2005; na decis\u00e3o do MS em ampliar o financiamento dos m\u00e9todos contraceptivos em 100% (2005); em 2007, quando o ministro da Sa\u00fade, Jos\u00e9 Gomes Tempor\u00e3o, anunciou ser favor\u00e1vel ao uso do m\u00e9todo pelas mulheres; quando o arcebispo de Olinda tentou vetar sua distribui\u00e7\u00e3o no Carnaval daquela cidade em 2008; e quando o prefeito do Rio de Janeiro, C\u00e9sar Maia, recuou na distribui\u00e7\u00e3o da p\u00edlula do dia seguinte em fun\u00e7\u00e3o da press\u00e3o do arcebispo do Rio (2005); dentre outras.<BR>  <P>Segundo a pesquisadora, al\u00e9m de ser caracterizado como m\u00e9todo abortivo por determinados segmentos sociais, ao uso da p\u00edlula do dia seguinte tamb\u00e9m \u00e9 atribu\u00eddo o desregramento do sexo juvenil, ao estimular os adolescentes a n\u00e3o usarem o preservativo, colocando-os em risco perante \u00e0 Aids e outras DSTs. &ldquo;No entanto, estudos mostram que quem recorre ao m\u00e9todo \u00e9 quem mais usa o preservativo&rdquo;, afirmou Elaine. O problema, segundo ela, \u00e9 a influ\u00eancia de valores religiosos nas pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade.<BR>  <P>&ldquo;\u00c8 preciso enfrentar a amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 anticoncep\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, registrado, por exemplo, pela PNDS 2006, como o 3\u00ba m\u00e9todo mais usado entre as mulheres n\u00e3o unidas sexualmente ativas (23%); o 5\u00ba entre as mulheres unidas (11%) e o 3\u00ba m\u00e9todo mais usado entre mulheres de 15 a 19 anos (10,4%). Tais percentuais indicam a difus\u00e3o do m\u00e9todo entre as mulheres, embora tal acesso n\u00e3o se d\u00ea pela via preferencial dos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade&rdquo;, afirma Elaine.<BR>  <P>Segundo ela, a difus\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o deve ser cuidadosa e precisa cada vez mais reiterar a import\u00e2ncia da AE como um direito a ser garantido pelos servi\u00e7os de sa\u00fade, que precisam, por sua vez, encontrar uma forma de acolher as jovens e mulheres em suas demandas contraceptivas em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia.<BR>  <P><I><B>Perspectiva masculina face ao aborto <\/I><\/B> <P>Outro trabalho apresentado no GT Sa\u00fade e Sociedade do XIV Congresso Brasileiro de Sociologia colocou em foco as experi\u00eancias masculinas frente aos eventos contraceptivos e\/ou reprodutivos, sobretudo nos processos decis\u00f3rios de interrup\u00e7\u00e3o da gravidez. &ldquo;Pouco se discute sobre o processo de decis\u00e3o que se d\u00e1 em um casal&rdquo;, avaliou a pesquisadora Cristiane Cabral (UERJ), que apresentou o <I>paper<\/I> &ldquo;Uma an\u00e1lise sociol\u00f3gica acerca da perspectiva masculina face ao aborto&rdquo;, em co-autoria com Maria Lu\u00edza Heilborn (UERJ) e Elaine Reis Brand\u00e3o (UFRJ), e os dados advindos de uma pesquisa que investiga as articula\u00e7\u00f5es entre o exerc\u00edcio da heterossexualidade, contracep\u00e7\u00e3o e aborto em trajet\u00f3rias sociais de homens e mulheres de diferentes gera\u00e7\u00f5es e camadas sociais, estudo realizado no Brasil, Col\u00f4mbia e Argentina&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=3603&amp;sid=75\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">(pesquisa HEXCA). <\/A><\/P> <P>O material emp\u00edrico (30 entrevistas em profundidade com homens de dois grupos et\u00e1rios de camadas populares e m\u00e9dias) re\u00fane narrativas sobre gravidezes imprevistas e abortamentos, \u00e0s vezes com a mesma parceira, sem que a ocorr\u00eancia do primeiro evento altere as pr\u00e1ticas contraceptivas subseq\u00fcentes. &ldquo;Sil\u00eancio, distanciamento e incertezas figuram nos depoimentos, caracterizando a posi\u00e7\u00e3o masculina como coadjuvante nos processos de tomada de decis\u00e3o protagonizados pelas parceiras&rdquo;, relatou Cristiane.<BR> <\/P> <P>Segundo ela, quando est\u00e3o em rela\u00e7\u00f5es duradouras mais est\u00e1veis, h\u00e1 uma maior participa\u00e7\u00e3o masculina nesta negocia\u00e7\u00e3o. E o fato de terem tido uma experi\u00eancia de aborto n\u00e3o vai mudar o comportamento reprodutivo desses casais, especialmente os de camadas populares. &ldquo;Tanto que h\u00e1 relatos de gravidezes subseq\u00fcentes. Um rapaz nos disse: <I>&lsquo;Continuamos, depois de dois abortos, a n\u00e3o usar camisinha e gozando dentro&rsquo;<\/I>&rdquo;, relatou a pesquisadora. &ldquo;Mesmo assim, eles revelam uma preocupa\u00e7\u00e3o maior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s DSTs do que com a gravidez&rdquo;.<BR>  <P>Em rela\u00e7\u00e3o aos m\u00e9todos de prote\u00e7\u00e3o, os mais presentes em quase todas as entrevistas, segundo Cristiane, s\u00e3o o preservativo e o coito interrompido. &ldquo;Passa-se \u00e0 p\u00edlula, assim que a rela\u00e7\u00e3o se estabiliza&rdquo;, disse ela.<BR>  <P>A pesquisadora falou ainda sobre a dificuldade da pesquisa de campo, de acesso aos homens cujas parceiras tenham realizado aborto. &ldquo;Depois de um ano e meio ainda n\u00e3o conseguimos alcan\u00e7ar nossa meta&rdquo;, afirmou.<BR> <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encuesta realizada&nbsp;en Santa Catarina, parte de un&nbsp;estudio multifocal sobre contracepci\u00f3n y planificaci\u00f3n reproductiva entre usuarias del Sistema \u00danico de Salud (SUS), revela que las mujeres conocen m\u00e1s metodos de los que usan<EM>.&nbsp;(Texto en portugu\u00e9s)&nbsp;<\/EM><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-456","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - 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