{"id":523,"date":"2010-04-13T00:00:00","date_gmt":"2010-04-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2010\/04\/13\/prostitucion-y-economia\/"},"modified":"2010-04-13T00:00:00","modified_gmt":"2010-04-13T03:00:00","slug":"prostitucion-y-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/","title":{"rendered":"Prostituci\u00f3n y econom\u00eda"},"content":{"rendered":"<p>A prostitui\u00e7\u00e3o tem sido tradicionalmente pensada atrav\u00e9s de dois vieses: o da ordem p\u00fablica e o dos valores morais, ou seja, a prostituta ora \u00e9 vista pelas autoridades como uma amea\u00e7a a ser reprimida, ora como pecadora pelas igrejas. &ldquo;Mas quase nunca a prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 entendida como uma atividade econ\u00f4mica&rdquo;, chamam a aten\u00e7\u00e3o os pesquisadores Thaddeus Blanchette (UFRJ\/UNISUAM) e Ana Paula da Silva (USP), autores do <I>paper<\/I> <U><<sexualidade-e-economia-thaddeus-blanchette-e-ana-paula-da-silva.pdf | &ldquo;Amor um real por minuto: a prostitui\u00e7\u00e3o como atividade econ\u00f4mica no Brasil urbano&rdquo; | | | _blank>><\/U>, apresentado no <U><a href=\"http:\/\/www.sxpolitics.org\/pt\/?p=1186\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Di\u00e1logo Latino-Americano sobre Sexualidade e Geopol\u00edtica<\/A><\/U>, evento organizado pelo <U><a href=\"http:\/\/www.sxpolitics.org\/pt\/?cat=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Observat\u00f3rio de Sexualidade e Pol\u00edtica<\/A><\/U> (SPW) em agosto do ano passado para debater as interse\u00e7\u00f5es entre sexualidade, pol\u00edtica, ci\u00eancia, economia e religi\u00e3o.<BR>  <P>&ldquo;H\u00e1 uma l\u00f3gica econ\u00f4mica por tr\u00e1s da prostitui\u00e7\u00e3o. Mas eu n\u00e3o diria que a crise econ\u00f4mica ou que a m\u00e1 situa\u00e7\u00e3o da economia brasileira produzem prostitutas. As mulheres se prostituem por dinheiro. Quando se pergunta \u00e0s pessoas porque elas se engajam na prostitui\u00e7\u00e3o, a resposta \u00e9 quase \u00fanica e un\u00e2nime. Nas palavras de uma de nossas informantes: &lsquo;<I>It&rsquo;s the money, honey. \u00c9 tudo por dinheiro. O que voc\u00ea acha?&rsquo;<\/I>&rdquo;, lembra Thaddeus.<BR>  <P>Para ele, ambas as vis\u00f5es &ndash; o vi\u00e9s da ordem p\u00fablica e o de fundo moral &ndash; negam a racionalidade econ\u00f4mica como motiva\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria da decis\u00e3o do indiv\u00edduo de se prostituir, situando esta pessoa ou como pervertida e moralmente falida ou como algu\u00e9m cuja vontade tem sido subjugada por terceiros. &ldquo;As pessoas sempre t\u00eam que procurar uma justificativa para a prostitui\u00e7\u00e3o por causa do estigma. Interessante \u00e9 entender a prostitui\u00e7\u00e3o como um trabalho organizado socialmente, que \u00e9 entendido e consumido pela sociedade&rdquo;, avalia o pesquisador.<BR>  <P>Pensar de que maneira esse mercado est\u00e1 sendo organizado foi o que o levou, juntamente com Ana Paula da Silva, a mais de cinco anos de pesquisa antropol\u00f3gica entre prostitutas e clientes na regi\u00e3o sul-sudeste do Brasil. A etnografia incluiu desde pontos de prostitui\u00e7\u00e3o da orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, a S\u00e3o Paulo. Foram investigadas diversas modalidades da atividade, como os pontos de ruas, bares, restaurantes, praias, casas de massagem, termas e boates, servi\u00e7os de <I>call girls<\/I>, <I>escort<\/I> e ag\u00eancias, al\u00e9m da chamada <I>girlfriend experience<\/I>, onde o cliente paga para a mulher acompanh\u00e1-lo exclusivamente por um per\u00edodo extenso que pode variar entre um fim de semana at\u00e9 um m\u00eas ou mais.<BR>  <P>&ldquo;A maioria das mulheres que entrevistamos n\u00e3o escolheu a prostitui\u00e7\u00e3o como a primeira coisa que elas iriam fazer na vida, se tivessem op\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, todas elas falam que, no seu campo de possibilidades, a prostitui\u00e7\u00e3o atinge melhor o que elas precisam em termos de flexibilidade e dinheiro ganho&rdquo;, afirma Ana Paula.<BR>  <P>A pesquisadora relaciona a procura por este nicho profissional \u00e0s velhas quest\u00f5es ligadas \u00e0 inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho formal. &ldquo;No contexto urbano, a id\u00e9ia de que a mulher ainda \u00e9 respons\u00e1vel pela casa, pela fam\u00edlia, pelos filhos e pelos velhos que est\u00e3o doentes impede muitas vezes que ela possa ter uma carreira. Uma quest\u00e3o a ser colocada \u00e9 que n\u00e3o se pode deixar de pensar sobre as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero no mercado de trabalho. Historicamente, apesar das conquistas femininas, existe uma desvantagem nos trabalhos exercidos por mulheres, na maneira como o mercado organiza e sempre organizou a m\u00e3o de obra feminina&rdquo;, sugere Ana Paula.<BR>  <P>Para Thaddeus, a pouca valoriza\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho formal e as diferen\u00e7as salariais em rela\u00e7\u00e3o aos homens &ldquo;empurram a mulher para trabalhos com certo grau de flexibilidade&rdquo;.<BR>  <P>As conclus\u00f5es tiradas pelos pesquisadores t\u00eam base nos depoimentos de suas informantes, como o de uma trabalhadora sexual da Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, no centro do Rio, que afirmou: <I>&ldquo;N\u00e3o largo isto para virar caixa de supermercado&rdquo;<\/I>. Os antrop\u00f3logos lembram que, para ela, a prostitui\u00e7\u00e3o &ndash; longe de ser uma amea\u00e7a para a fam\u00edlia, j\u00e1 que a atividade da mulher n\u00e3o era segredo para o marido &ndash; virara a \u00fanica maneira em que ela podia reproduzir adequadamente a vida dom\u00e9stica de uma esposa tradicional. &ldquo;Em seu depoimento, ela nos disse: <I>&lsquo;J\u00e1 s\u00e3o passados os dias em que o homem ganhava o suficiente para a mulher ficar em casa, cuidando dos filhos&rsquo;<\/I>&rdquo;, lembram.<BR>  <P>Segundo eles, outro elemento sempre presente nas falas de suas informantes \u00e9 a id\u00e9ia de transitoriedade. Frases como <I>&ldquo;Quando eu casar com um cliente, vou terminar meus estudos e deixar de ser prostituta&rdquo;<\/I> s\u00e3o recorrentes.<BR>  <P>&ldquo;Acho que isto se deve ao fato de ningu\u00e9m conseguir imaginar uma prostituta na terceira idade, por n\u00e3o ser este um modelo. A prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 uma atividade que valoriza o corpo jovem e a vitalidade&rdquo;, salienta Ana Paula.<BR>  <P>Na an\u00e1lise dos pesquisadores, a prostitui\u00e7\u00e3o permite que algumas mulheres tenham outras oportunidades que n\u00e3o teriam se fossem vendedoras, por exemplo. &ldquo;A prostitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma profiss\u00e3o que produza muitos milion\u00e1rios, mas gera, para muitas mulheres, uma sens\u00edvel ascens\u00e3o de classe. Muita gente diz que educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para a prostitui\u00e7\u00e3o. O que a gente v\u00ea sempre em nosso trabalho de campo \u00e9 que a prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9, muitas vezes, a solu\u00e7\u00e3o para a educa\u00e7\u00e3o. Muitas mulheres est\u00e3o em suas faculdades e em cursos particulares com os ganhos da prostitui\u00e7\u00e3o&rdquo;, observa Blanchette.<BR>  <P>Segundo eles, a modalidade de &ldquo;um real por minuto&rdquo; parece ser o padr\u00e3o para o chamado sal\u00e1rio m\u00ednimo da prostitui\u00e7\u00e3o. &ldquo;N\u00e3o encontramos nada mais barato que isso. Mas o interessante \u00e9 que as pessoas sempre ficam chocadas com &lsquo;R$ 1 por minuto&rsquo;. O ponto chave n\u00e3o \u00e9 a negocia\u00e7\u00e3o desta quantia, mas quanto tempo m\u00ednimo o cliente tem que pagar, seja 10 ou 15 minutos, uma hora, duas horas. Para muitas, o programa m\u00ednimo \u00e9 de duas horas. Ent\u00e3o, \u00e9 um pouco enganoso focalizar neste &lsquo;um real por minuto&rsquo;, porque o ponto negociado sempre \u00e9 o tempo m\u00ednimo do programa&rdquo;, explica o pesquisador.<BR>  <P>Para Ana Paula, outra quest\u00e3o interessante \u00e9 pensar o tempo do trabalho na modernidade. &ldquo;\u00c9 ilus\u00f3rio pensar que as leis que regulam o mercado de trabalho formal n\u00e3o valem na prostitui\u00e7\u00e3o porque o trabalho sexual \u00e9 uma outra coisa. Vivemos em uma sociedade que valoriza e \u00e9 regulada pelo trabalho, pela produ\u00e7\u00e3o. A prostitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente nesse sentido&rdquo;, salienta.<BR>  <P>Nesta perspectiva, o que inquietou bastante os pesquisadores foi descobrir exatamente o que est\u00e1 sendo produzido no marco sexual da prostitui\u00e7\u00e3o. Ex-prostituta da Boca do Lixo, em S\u00e3o Paulo, e da Vila Mimosa, no Rio de Janeiro, a soci\u00f3loga Gabriela Leite diz, por exemplo, que o que a prostitui\u00e7\u00e3o produz \u00e9 a fantasia sexual. &ldquo;Com certeza, \u00e9 isso. Mas existem muitos insumos que entram a\u00ed, n\u00e3o \u00e9 simplesmente o sexo: tem que ter, por exemplo, o lugar para a mulher encontrar o cliente. Ent\u00e3o, a prostitui\u00e7\u00e3o, enquanto uma atividade, \u00e9 muitas vezes similar \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a de teatro, que tem o ato sexual como sua componente central&rdquo;, compara Blanchette.<BR>  <P>Eles tamb\u00e9m desmitificam uma outra cren\u00e7a: a id\u00e9ia de que a mulher mais bonita ganha mais. &ldquo;Isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Sim, se voc\u00ea vai a um lugar p\u00e9-de-chinelo, mais <I>trash<\/I>, voc\u00ea vai encontrar mulheres consideradas mais feias. Se voc\u00ea for a um lugar de elite, voc\u00ea vai encontrar aquelas mulheres de beleza can\u00f4nica como as da capa da revista Playboy. Mas \u00e9 poss\u00edvel encontrar uma mulher com beleza can\u00f4nica da Playboy vendendo sexo a 10 reais por 10 minutos. E \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m encontrar uma mulher considerada feia vendendo por 200 reais. Ent\u00e3o, como um mesmo tipo de mulher vende sexo por 10 reais aqui e 200 reais ali? Em nossas inser\u00e7\u00f5es no campo, ficamos cada vez mais convencidos de que o homem n\u00e3o paga para a mulher, ele paga para os outros homens que o est\u00e3o vendo ali&rdquo;, revela o pesquisador.<BR>  <P>Assim, segundo os pesquisadores, um dos pontos que movimentam a economia do mercado sexual seria exatamente uma performance de masculinidade, como comprar uma revista Playboy, por exemplo. &ldquo;Ou seja, procurar por uma prostituta \u00e9 uma performance masculina. Quando a gente entra em muitos lugares, os homens n\u00e3o est\u00e3o olhando para as mulheres, est\u00e3o olhando para os outros homens. Olham para si mesmos. \u00c9 bem aquela coisa: <I>&lsquo;Eu, homem, estou aqui no prost\u00edbulo onde vou pegar essa mulher&rsquo;<\/I>. E os outros homens est\u00e3o l\u00e1 para ver aquilo. E o que voc\u00ea est\u00e1 pagando, em muitos casos, \u00e9 a qualidade da plat\u00e9ia que assiste a sua performance, seja ela de executivos ou de <I>office boys<\/I>&rdquo;, diz o antrop\u00f3logo.<BR>  <P>&ldquo;\u00c9 uma hip\u00f3tese que a gente est\u00e1 querendo explorar mais. Estamos tentando relativizar a id\u00e9ia de que a mulher \u00e9 o foco da prostitui\u00e7\u00e3o, essa id\u00e9ia do consumo da mulher, e tentando olhar um pouco mais para os homens e ver o que, de fato, est\u00e1 sendo consumido ali&rdquo;, afirma Ana Paula.<BR>  <P>Leia tamb\u00e9m a mat\u00e9ria &ldquo;<U><a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?UserActiveTemplate=_BR&amp;infoid=6615&amp;sid=43\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sexo com prostitutas: a \u00f3tica do cliente<\/A><\/U>&rdquo;<\/P> <P>Veja abaixo uma rela\u00e7\u00e3o de artigos publicados na Sisyphe.org (textos em franc\u00eas)<\/P> <P>* \u00abAbolir la prostitution &#8211; Une question en suspens pour le f\u00e9minisme et pour la gauche\u00bb, par Sylviane Dahan, pr\u00e9face \u00e0 l&#8217;\u00e9dition calagne du livre du sociologue Richard Poulin<\/P> <P>\u00abS&#8217;il y a un ph\u00e9nom\u00e8ne social qui, au cours de ces premi\u00e8res ann\u00e9es du XXIe si\u00e8cle, g\u00e9n\u00e8re controverse et divise le mouvement f\u00e9ministe et l&#8217;ensemble des gauches, c&#8217;est sans doute celui de la prostitution. Traditionnellement, sur cette question se profilaient deux grands champs dans la pens\u00e9e politique. (&#8230;)\u00bb<BR>  <P>Lire l&#8217;article int\u00e9gral: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3574\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3574<\/A>  <P>* \u00abPays-bas: infirmi\u00e8res ou prostitu\u00e9es?\u00bb, par Claudine Legardinier, journaliste et chercheuse<BR>  <P>Lire: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3575\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3575<\/A>  <P>* \u00abMadame Parit\u00e9 commence fort en renvoyant les femmes\u0160 au bordel!\u00bb,par Claudine Legardinier, journaliste et chercheuse<BR>  <P>Lire: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3564\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3564<\/A>  <P>* \u00abDix raisons pour ne pas l\u00e9galiser la prostitution\u00bb, par Janice G. Raymond<BR>  <P>Lire: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article692\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article692<\/A>  <P>Harper, religions, int\u00e9grisme * \u00abGouvernement Harper &#8211; Sabrer avec un z\u00e8le religieux dans les programmes pour les femmes\u00bb, par Bahija Reghai, \u00e9crivaine<BR>  <P>Lire: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3565\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3565<\/A>  <P>* \u00abLe voile, symbole de l&#8217;instrumentalisation des droits des femmes pour un projet totalitaire\u00bb, par Fatoumata Sidib\u00e9, d\u00e9put\u00e9e bruxelloise FDF<BR>  <P>\u00ab(&#8230;) Moi, qui suis issue d&#8217;un pays o\u00f9 l&#8217;int\u00e9grisme islamique gagne du terrain avec comme corollaire la prolif\u00e9ration du port du voile, o\u00f9 les avanc\u00e9es l\u00e9gislatives en mati\u00e8re de droits des femmes se heurtent aux pressions des autorit\u00e9s musulmanes, au nom de la paix sociale, de l&#8217;unit\u00e9 nationale, de la pr\u00e9servation des valeurs sociales et religieuses maliennes qui confinent les femmes dans des statuts de citoyennes de seconde zone,\u00abJe d\u00e9clare que l&#8217;immixtion du religieux dans l&#8217;espace public et le d\u00e9tricotage de la neutralit\u00e9 de l&#8217;\u00c9tat n&#8217;augurent rien de bon pour la d\u00e9mocratie et les droits des femmes.(&#8230;)\u00bb<BR>  <P>Lire l&#8217;article int\u00e9gral: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3570\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3570<\/A>  <P>* \u00abBruxelles &#8211; Manifestation contre les signes convictionnels \u00e0 l&#8217;\u00e9cole\u00bb<BR>  <P>Karima insoumise et d\u00e9voil\u00e9e<BR>  <P>Le R.A.P.P.E.L.<BR>  <P>Le Comit\u00e9 belge Ni Putes Ni Soumises<BR>  <P>Lire: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?breve1540\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?breve1540<\/A>  <P>* \u00abLe myst\u00e8re de la p\u00e9dophilie \u00e9chappe au Vatican\u00bb, par Jean-Claude Leclerc, professeur de journalisme<BR>  <P>Lire: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3571\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3571<\/A>  <P>* \u00abAgression au kirpan \u00e0 Toronto\u00bb &#8211; Presse canadienneL&#8217;usage du kirpan dans une agression survenue vendredi dernier, \u00e0 Toronto, a relanc\u00e9 le d\u00e9bat sur la pertinence de tol\u00e9rer le port de ce signe religieux de la communaut\u00e9 sikh.<BR>  <P>Lire: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?breve1533\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?breve1533<\/A>  <P>Accommodements pour motifs religieux au Qu\u00e9bec<BR>  <P>* \u00abProjet de loi 94 sur les accommodements raisonnables, burqa et niqab &#8211; L&#8217;arbre qui cache la for\u00eat\u00bb, par Micheline Carrier, \u00e9ditrice de Sisyphe<BR>  <P>Lire: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3566\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3566<\/A>  <P>* \u00abProjet de loi 94 &#8211; Un non-dit r\u00e9v\u00e9lateur\u00bb, par Diane Guilbault, auteure du livre \u00abD\u00e9mocratie et \u00e9galit\u00e9 des sexes\u00bb<BR>  <P>Lire: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3567\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3567<\/A>  <P>* \u00abBurqa et niqab &#8211; Le Qu\u00e9bec montre la voie\u00bb, par Tarek Fatah, journaliste et membre du Congr\u00e8s musulman du Canada<BR>  <P>Lire: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3572\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3572<\/A>  <P>* \u00abProjet de loi 94, niqab et burqa &#8211; Les contradictions de l&#8217;Association canadienne des libert\u00e9s civiles\u00bb, R\u00e9ponse \u00e0 Me Nathalie Desrosiers, de l&#8217;Association canadienne des libert\u00e9s civiles, par Michel Lincourt, architecte et urbaniste \u00e0 la retraite<BR>  <P>Lire: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3576\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3576<\/A>  <P>* \u00abPour un Qu\u00e9bec la\u00efque et pluraliste\u00bb, par Daniel Baril, Guy Rocher et plusieurs autres<BR>  <P>Lire: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3552\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?article3552<\/A>  <P>* Livre &#8211; \u00abD\u00e9mocratie et \u00e9galit\u00e9 des sexes\u00bb, par Diane GuilbaultUne critique des accommodements pour motifs religieux et du relativisme<BR>  <P>Lire; <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?breve1503\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?breve1503<\/A>  <P>* \u00abIslamisme politique &#8211; Prudence et responsabilit\u00e9\u00bb, par Joseph Facal<BR>  <P>Lire: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?breve1536\">http:\/\/sisyphe.org\/spip.php?breve1536<\/A>  <P>&#8211; Autres articles sur Sisyphe: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/\">http:\/\/sisyphe.org<\/A>  <P>&#8211; Le site des \u00e9ditions Sisyphe pour voir tous les livres: <A href=\"http:\/\/sisyphe.org\/editions\/\">http:\/\/sisyphe.org\/editions\/<\/A><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Los antrop\u00f3logos Ana Paula da Silva y Thaddeus Blanchette proponen entender la prostituci\u00f3n como una actividad econ\u00f3mica para pensar los modos como se organiza el mercado sexual, alej\u00e1ndose de la visi\u00f3n moralista que rodea el asunto en el Brasil urbano. <I>(Texto en portugu\u00e9s)<\/I><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-523","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Prostituci\u00f3n y econom\u00eda - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Prostituci\u00f3n y econom\u00eda - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Los antrop\u00f3logos Ana Paula da Silva y Thaddeus Blanchette proponen entender la prostituci\u00f3n como una actividad econ\u00f3mica para pensar los modos como se organiza el mercado sexual, alej\u00e1ndose de la visi\u00f3n moralista que rodea el asunto en el Brasil urbano. (Texto en portugu\u00e9s)\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2010-04-13T03:00:00+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"fw2\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"fw2\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tiempo de lectura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"11 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/\",\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/\",\"name\":\"Prostituci\u00f3n y econom\u00eda - CLAM - ES\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website\"},\"datePublished\":\"2010-04-13T03:00:00+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"es\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Prostituci\u00f3n y econom\u00eda\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website\",\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/\",\"name\":\"CLAM - ES\",\"description\":\"S\u00f3 mais um site CLAM - Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos sites\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"es\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010\",\"name\":\"fw2\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"fw2\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/clam.fw2web.com.br\"],\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/author\/fw2\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Prostituci\u00f3n y econom\u00eda - CLAM - ES","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/","og_locale":"es_ES","og_type":"article","og_title":"Prostituci\u00f3n y econom\u00eda - CLAM - ES","og_description":"Los antrop\u00f3logos Ana Paula da Silva y Thaddeus Blanchette proponen entender la prostituci\u00f3n como una actividad econ\u00f3mica para pensar los modos como se organiza el mercado sexual, alej\u00e1ndose de la visi\u00f3n moralista que rodea el asunto en el Brasil urbano. (Texto en portugu\u00e9s)","og_url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/","og_site_name":"CLAM - ES","article_published_time":"2010-04-13T03:00:00+00:00","author":"fw2","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"fw2","Tiempo de lectura":"11 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/","url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/","name":"Prostituci\u00f3n y econom\u00eda - CLAM - ES","isPartOf":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website"},"datePublished":"2010-04-13T03:00:00+00:00","author":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/#breadcrumb"},"inLanguage":"es","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/prostitucion-y-economia\/523\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/clam.org.br\/es\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Prostituci\u00f3n y econom\u00eda"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website","url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/","name":"CLAM - ES","description":"S\u00f3 mais um site CLAM - Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos sites","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/clam.org.br\/es\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"es"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010","name":"fw2","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g","caption":"fw2"},"sameAs":["https:\/\/clam.fw2web.com.br"],"url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/author\/fw2\/"}]}},"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/523","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=523"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/523\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=523"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=523"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=523"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}