{"id":527,"date":"2010-05-05T00:00:00","date_gmt":"2010-05-05T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2010\/05\/05\/la-perspectiva-de-los-periodistas\/"},"modified":"2010-05-05T00:00:00","modified_gmt":"2010-05-05T03:00:00","slug":"la-perspectiva-de-los-periodistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/la-perspectiva-de-los-periodistas\/527\/","title":{"rendered":"La perspectiva de los periodistas"},"content":{"rendered":"<p>Certa vez, ao entrevistar um antrop\u00f3logo cujo foco de pesquisa era a sexualidade, o rep\u00f3rter de uma rede de televis\u00e3o, antes de fazer uma pergunta e julgando que o especialista pudesse achar sua quest\u00e3o simplista demais, foi logo se desculpando: &ldquo;O senhor desculpa a pergunta, mas \u00e9 que o conhecimento de um jornalista tem quil\u00f4metros de extens\u00e3o e cent\u00edmetros de espessura&rdquo;. O antrop\u00f3logo n\u00e3o avaliou inadequada a pergunta do jornalista, mas o exemplo revela a \u00e1rdua tarefa da m\u00eddia &ndash; e o receio de muitos rep\u00f3rteres &ndash; em abordar um tema que envolve tabus sedimentados. O assunto abrange um conjunto de tem\u00e1ticas que em geral s\u00e3o enfocadas pelos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o de forma estereotipada e frequentemente conservadora. Nesse sentido, o texto da mat\u00e9ria <U><a href=\"http:\/\/www.revistapiaui.com.br\/edicao_43\/artigo_1291\/Como_mudar_de_sexo.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&ldquo;Como mudar de sexo&rdquo;<\/A><\/U>, capa da edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 43 da revista brasileira <I>Piau\u00ed<\/I>, \u00e9 um excelente exemplo de pesquisa jornal\u00edstica bem realizada que, atrav\u00e9s da adequa\u00e7\u00e3o de linguagem e de abordagem ao tratar do tema da transexualidade, pode servir de inspira\u00e7\u00e3o a outros profissionais de Comunica\u00e7\u00e3o na hora de escrever um bom texto sobre sexualidade.<BR>  <P>Em seis p\u00e1ginas da revista formato tabl\u00f3ide, a jornalista Clara Becker mostra como funciona o processo transexualizador no ambulat\u00f3rio de urologia do Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto (HUPE\/UERJ), refer\u00eancia em cirurgia reconstrutora genital, onde o urologista Elo\u00edsio Alexsandro realiza procedimentos de mudan\u00e7a de sexo pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Sem cair em clich\u00eas, a jornalista acompanha a rotina do m\u00e9dico e de seus\/suas pacientes, relatando suas vidas e expectativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 opera\u00e7\u00e3o.<BR>  <P>Foram tr\u00eas meses de apura\u00e7\u00e3o, termo no jarg\u00e3o jornal\u00edstico equivalente \u00e0 &ldquo;investiga\u00e7\u00e3o&rdquo; que se faz em um trabalho de campo para uma pesquisa acad\u00eamica. A jornalista pesquisou e leu trabalhos de autores como o da soci\u00f3loga Berenice Bento &ndash; &ldquo;O que \u00e9 transexualidade&rdquo; (Editora Primeiros Passos) e partes de sua tese de doutorado, que resultou no livro <U><a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=1552&amp;sid=53\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&ldquo;A reinven\u00e7\u00e3o do corpo: sexualidade e g\u00eanero na experi\u00eancia transexual&rdquo;<\/A><\/U> (CLAM\/Ed. Garamond). Outros autores como Judith Butler e Harry Benjamin, o famoso endocrinologista alem\u00e3o que em 1966 publicou o livro &ldquo;O fen\u00f4meno transexual&rdquo;, tamb\u00e9m foram importantes fontes. Clara conversou com especialistas no tema, como o bioeticista An\u00edbal Guimar\u00e3es (Fiocruz) e a pesquisadora M\u00e1rcia Ar\u00e1n, professora do Instituto de Medicina Social (IMS\/UERJ) e coordenadora da &ldquo;Pesquisa Nacional sobre Transexualidade e Sa\u00fade: condi\u00e7\u00f5es de acesso e cuidado integral&rdquo;.<BR>  <P>Apesar de todo o embasamento te\u00f3rico, provido por pessoas de uma academia mais militante, Clara lembra que, em uma primeira vers\u00e3o, o vocabul\u00e1rio que usou fez com que o texto ficasse um pouco pesado, acad\u00eamico demais. &ldquo;Teria que ficar mais leve. Por isso, mesmo juntando informa\u00e7\u00f5es de um especialista e outro que me ajudaram a entender o fen\u00f4meno, n\u00e3o procurei fazer um texto com vi\u00e9s mais pol\u00edtico, na vers\u00e3o final&rdquo;, conta.<BR>  <P>A op\u00e7\u00e3o por uma &ldquo;gram\u00e1tica&rdquo; e pelo uso de termos espec\u00edficos para o tratamento das quest\u00f5es que envolvem os direitos das minorias sociais (mulheres, homossexuais, negros, \u00edndios, entre outras) \u00e9 uma das principais reivindica\u00e7\u00f5es de pesquisadores e militantes dos diversos movimentos e tamb\u00e9m motivo de preocupa\u00e7\u00e3o e cautela para o profissional de Comunica\u00e7\u00e3o que escreve sobre tais segmentos e assuntos. Sugere-se, por exemplo, que a palavra <I>homossexualismo<\/I>, que remete \u00e0 doen\u00e7a, seja substitu\u00edda por <I>homossexualidade<\/I>. Recentemente, em uma <U><a href=\"http:\/\/fantastico.globo.com\/Jornalismo\/FANT\/0,,MUL1578920-15605,00-UGANDA+TEM+PROJETO+QUE+PODE+CONDENAR+GAYS+A+PENA+DE+MORTE.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">esmerada reportagem de TV<\/A><\/U>&nbsp;sobre um projeto de lei de Uganda que prop\u00f5e a pena de morte a pessoas homossexuais, o jornalista s\u00f3 pecou ao usar o tempo todo o termo <I>homossexualismo<\/I>. Por sua vez, a &ldquo;gram\u00e1tica&rdquo; da transexualidade determina que falar em \u00abo transexual\u00bb significa refor\u00e7ar o car\u00e1ter de aberra\u00e7\u00e3o e universalidade desta aberra\u00e7\u00e3o. H\u00e1 esse resvalo na mat\u00e9ria da Piau\u00ed. Clara Becker explica: &ldquo;Como optamos por n\u00e3o usar as siglas MTF (male-to-female) ou FTM (female-to-male), achamos que o uso do artigo &lsquo;o&rsquo; resumiria a ideia&rdquo;.<BR>  <P>&ldquo;A quest\u00e3o \u00e9 que as pessoas transexuais n\u00e3o s\u00e3o uma &lsquo;esp\u00e9cie&rsquo;, com caracter\u00edsticas universais que os unifica em uma identidade desvinculada de contextos geopol\u00edticos, religiosos, classe social, posi\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-ideol\u00f3gica, etnia, biografia&rdquo;, avalia a soci\u00f3loga Berenice Bento. Para ela \u00e9 imprescind\u00edvel tanto em textos jornal\u00edsticos quanto acad\u00eamicos, para uma boa an\u00e1lise da transexualidade, &ldquo;a pluralidade interna entre as pessoas que vivenciam conflitos com o g\u00eanero atribu\u00eddo ao nascer. Algumas pessoas transexuais querem a cirurgia, outras n\u00e3o. Algumas mulheres transexuais se posicionam como feministas; outras acreditam que o melhor dos mundos \u00e9 o estruturado no binarismo; h\u00e1 homens transexuais gays; outros s\u00e3o machistas e outros ainda libert\u00e1rios. O que h\u00e1 de mais interessante na transexualidade e travestilidade \u00e9 apontar as diversas express\u00f5es que o g\u00eanero pode assumir&rdquo;, diz.<BR>  <P>Berenice assinala um ponto importante na reportagem da Piau\u00ed, ao tratar da classifica\u00e7\u00e3o da transexualidade como doen\u00e7a pelo Manual Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstico de Transtornos Mentais da Associa\u00e7\u00e3o Americana de Psiquiatria (APA). &ldquo;\u00c9 necess\u00e1rio discutir a farsa da patologiza\u00e7\u00e3o da transexualidade. Ao se afirmar que h\u00e1 &lsquo;transtorno de identidade de g\u00eanero&rsquo; est\u00e1 se afirmando que uma categoria cultura (masculino e feminino) foi apropriada pelas ci\u00eancias psi e pela bio-medicina como categoria diagn\u00f3stica. Portanto, a luta contra a patologiza\u00e7\u00e3o da transexualidade \u00e9 mais ampla. Estamos tentando apontar que os crit\u00e9rios para se definir &lsquo;o transexual de verdade&rsquo; refor\u00e7am as normas de g\u00eaneros que aprisionam a todos\/as&rdquo;, afirma a soci\u00f3loga.<BR>  <P>Para ela, tamb\u00e9m \u00e9 imprescind\u00edvel desvincular as transforma\u00e7\u00f5es corporais (inclusive as cirurgias de transgenitaliza\u00e7\u00e3o) da mudan\u00e7a dos documentos. &ldquo;O fim do diagn\u00f3stico de g\u00eanero n\u00e3o pode retirar do Estado a obriga\u00e7\u00e3o de assegurar a integralidade do atendimento \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e mental. Nesse sentido, a mudan\u00e7a dos documentos deve ser assegurada, n\u00e3o como uma boa vontade de um\/a juiz\/a progressista, mas como dever do Estado&rdquo;.<BR>  <P>Professor do departamento Interdisciplinar da Universidade Federal Fluminense (UFF) e usu\u00e1rio do programa GEN &ndash; Grupo de Aten\u00e7\u00e3o Integral \u00e0s Pessoas que Vivenciam a Transexualidade do Hospital Pedro Ernesto, o assistente social Guilherme de Almeida considera a mat\u00e9ria da Piau\u00ed, de maneira geral, boa e oportuna, ao discutir na grande m\u00eddia um tema que ainda n\u00e3o tem visibilidade. No entanto, Guilherme acha que ainda que a reportagem comece com uma experi\u00eancia masculina, um problema \u00e9 que todas as falas de profissionais referidas ao longo da mat\u00e9ria tratam unicamente as\/os usu\u00e1rias\/os a partir do g\u00eanero feminino. &ldquo;Embora ousadamente comece com a experi\u00eancia de um jovem FTM (female-to-male), o texto limita-se a esta \u00fanica experi\u00eancia masculina. O mais grave neste caso \u00e9 que, mesmo sendo o \u00fanico caso relatado, a jornalista foca apenas na m\u00e3e do rapaz e no m\u00e9dico e fica nos devendo a leitura do pr\u00f3prio sujeito sobre sua decis\u00e3o de vir ao programa e suas experi\u00eancias de sofrimento e discrimina\u00e7\u00e3o, como faz em todos os outros casos. Al\u00e9m disso, a abordagem da transexualidade masculina termina com a palavra &lsquo;risco&rsquo; e na \u00eanfase no car\u00e1ter experimental das cirurgias genitais, o que soa um tanto pessimista. A mat\u00e9ria tamb\u00e9m falha ao historicizar as cirurgias feitas para MTF (male-to-female) e n\u00e3o fazer o mesmo com as cirurgias FTM&rdquo;, argumenta Almeida.<BR>  <P>Como se v\u00ea, o cuidado com a &ldquo;gram\u00e1tica&rdquo; e a terminologia n\u00e3o deve se limitar somente ao <I>como<\/I> e <I>o que<\/I> deve ser dito, mas tamb\u00e9m a palavras que devem ser evitadas. Na hora de se escrever uma reportagem, \u00e9 importante evitar preconceitos para n\u00e3o incorrer em desservi\u00e7os, por melhores que sejam as inten\u00e7\u00f5es do jornalista. Foi assim no caso do envolvimento do jogador de futebol Ronaldo com tr\u00eas travestis no Rio de Janeiro, descoberto pela imprensa em abril de 2008. Na ocasi\u00e3o, a revista \u00c9poca, uma das principais publica\u00e7\u00f5es semanais brasileiras, apresentou o tendencioso t\u00edtulo <I>&ldquo;Por que os homens procuram travestis&rdquo;<\/I>. Apesar de contar com an\u00e1lises de renomados especialistas em sexualidade e l\u00edderes do movimento trans, o texto apresentava erros &ldquo;gramaticais&rdquo; &ndash; como no trecho em que falava na &ldquo;sedu\u00e7\u00e3o exercida <I>pelos<\/I> travestis&rdquo; &ndash; e trazia ainda um questionamento moralista: <EM>\u00abEst\u00e1 bem da cabe\u00e7a um homem casado (&#8230;) que paga R$ 40 por uma hora de sexo com um homem que parece ser mulher?&rdquo;<\/EM>. Ou seja, de nada adiantava o texto da revista apresentar an\u00e1lises consistentes se a conclus\u00e3o colocava a quest\u00e3o na vala comum onde sempre esteve: no rol das praticas conden\u00e1veis.<BR>  <P>Embora muito melhor escrita, a mat\u00e9ria da Piau\u00ed, segundo algumas vozes, comete alguns trope\u00e7os. &ldquo;A edi\u00e7\u00e3o da fala da professora Helo\u00edsa Helena fortalece a vis\u00e3o de que existe uma personalidade t\u00edpica das MTF: n\u00e3o feminista, submissa, recatada, delicada&#8230; e compromete a afirma\u00e7\u00e3o da diversidade de experi\u00eancias de mulheres e homens transexuais, que aparece em outros momentos do texto. Embora retrate posicionamentos diferentes, mesmo entre os que s\u00e3o especialistas no tema, politicamente contribui para a reifica\u00e7\u00e3o dos comportamentos e fortalece a patologiza\u00e7\u00e3o dos mesmos&rdquo;, analisa Guilherme de Almeida.<BR>  <P>Sugest\u00f5es v\u00e1lidas, mas, como explicou Clara Becker, a inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi fazer um texto com vi\u00e9s pol\u00edtico. &ldquo;A Academia tem uma linguagem muito pr\u00f3pria, muitas vezes dif\u00edcil de ser entendida pelo grande p\u00fablico&rdquo;, diz a jornalista, referindo-se aos modos e estilos de linguagem acad\u00eamicos. Segundo ela, n\u00e3o se deve esquecer tamb\u00e9m que a \u00abgram\u00e1tica\u00bb apregoada pelos movimentos sexuais ou pelos estudiosos do tema da sexualidade, tanto pode favorecer a compreens\u00e3o dos fatos quanto dificultar a inteligibilidade do p\u00fablico. Um exemplo \u00e9 a palavra &ldquo;homofobia&rdquo;, atualmente usada como baluarte do movimento LGBT na luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o e o preconceito por orienta\u00e7\u00e3o sexual. Como o termo causa dissens\u00f5es e d\u00favidas dentro do pr\u00f3prio movimento e das universidades, a grande imprensa evita us\u00e1-lo. O argumento pode ser v\u00e1lido nas duas dire\u00e7\u00f5es. A sigla LGBT foi aos poucos sendo assimilada pelo grande p\u00fablico, que antes estava acostumado a falar em &ldquo;movimento gay&rdquo; ou &ldquo;GLS&rdquo;.<BR>  <P>A reportagem da revista Piau\u00ed sinaliza um avan\u00e7o, mostrando como a m\u00eddia em geral, e o jornalismo em particular, podem ser ferramentas de dissemina\u00e7\u00e3o de abordagens inteligentes de assuntos complexos. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Un reportaje de la revista mensual brasile\u00f1a Piau\u00ed muestra, al discutir la transexualidad, un tema a\u00fan invisible en los medios masivos, c\u00f3mo el periodismo puede ser una herramienta valiosa para la diseminaci\u00f3n de abordajes inteligentes sobre estos asuntos. <I>(Texto en portugu\u00e9s)<\/I><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-527","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>La perspectiva de los periodistas - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/la-perspectiva-de-los-periodistas\/527\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"La perspectiva de los periodistas - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Un reportaje de la revista mensual brasile\u00f1a Piau\u00ed muestra, al discutir la transexualidad, un tema a\u00fan invisible en los medios masivos, c\u00f3mo el periodismo puede ser una herramienta valiosa para la diseminaci\u00f3n de abordajes inteligentes sobre estos asuntos. 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