{"id":546,"date":"2010-07-07T00:00:00","date_gmt":"2010-07-07T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2010\/07\/07\/el-aborto-segun-los-medicos\/"},"modified":"2010-07-07T00:00:00","modified_gmt":"2010-07-07T03:00:00","slug":"el-aborto-segun-los-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/el-aborto-segun-los-medicos\/546\/","title":{"rendered":"El aborto seg\u00fan los m\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<p>A nova lei que descriminaliza o aborto na Espanha entrou em vigor na segunda-feira, 5 de junho. A legisla\u00e7\u00e3o, aprovada em fevereiro pelo Parlamento espanhol, estabelece o direito \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez at\u00e9 a 14\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, no Brasil, o aborto segue sendo uma pr\u00e1tica proibida e estigmatizada. Estudo realizado pela antrop\u00f3loga italiana Silvia de Zordo, pesquisadora da Mailman School of Public Health da Universidade de Columbia (EUA), feito em dois hospitais maternidade da cidade de Salvador (Bahia), mostra o quanto tal estigma influencia nas pr\u00e1ticas cl\u00ednicas dos profissionais de sa\u00fade. Em palestra realizada no CLAM no dia 7 de junho, ela lembrou que, ao terminar o trabalho de campo de sua pesquisa de doutorado sobre pol\u00edticas de planejamento familiar, contracep\u00e7\u00e3o e desigualdades sociais, de g\u00eanero e ra\u00e7a (EHESS, Paris &ndash; campo em Salvador: 2003-2004), o que mais chamou sua aten\u00e7\u00e3o &ndash; e o que a levou a focar sua pesquisa de p\u00f3s-doutorado sobre o tema do aborto &ndash; foi observar que as mulheres de baixa renda, moradoras de bairro popular, t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o dif\u00edcil com o discurso e as pr\u00e1ticas m\u00e9dicas no campo da reprodu\u00e7\u00e3o\/contracep\u00e7\u00e3o, devido principalmente ao baixo n\u00edvel educacional destas e ao acesso dif\u00edcil e limitado que elas t\u00eam aos servi\u00e7os de planejamento familiar e aos m\u00e9todos contraceptivos oferecidos por tais servi\u00e7os (em particular ao DIU e as inje\u00e7\u00f5es hormonais).<BR>  <P>Segundo a pesquisadora, estas mulheres, das mais jovens (18 anos) \u00e0s mais velhas (50 anos), s\u00e3o consideradas (e se consideram) social e moralmente respons\u00e1veis pela contracep\u00e7\u00e3o e cuidado das crian\u00e7as. Al\u00e9m de procurarem interromper as gravidezes n\u00e3o planejadas ou n\u00e3o desejadas atrav\u00e9s de abortos auto-induzidos com <a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?UserActiveTemplate=%5FBR&amp;infoid=6081&amp;query=simple&amp;search%5Fby%5Fauthorname=all&amp;search%5Fby%5Ffield=tax&amp;search%5Fby%5Fheadline=false&amp;search%5Fby%5Fkeywords=any&amp;search%5Fby%5Fpriority=all&amp;search%5Fby%5Fsection=all&amp;search%5Fby%5Fstate=all&amp;search%5Ftext%5Foptions=all&amp;sid=7&amp;text=cytotec\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">citotec<\/A>, muitas vezes escondidas e em condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o seguras, elas procuram ligar as trompas depois de ter dois filhos, independente da idade que tenham (a Lei brasileira estabelece os 25 anos e\/ou 2 filhos vivos como requisitos para poder ligar as trompas).<BR>  <P>&ldquo;Quando comecei minha pesquisa de doutorado sobre planejamento familiar, a situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e dos direitos reprodutivos no Brasil me parecia paradoxal. Ao mesmo tempo em que a ligadura tub\u00e1ria \u00e9 um dos m\u00e9todos contraceptivos mais usados pelas mulheres, h\u00e1 leis restritivas sobre o aborto e altas taxas de mortalidade materna. Ent\u00e3o, se por um lado as mulheres podem escolher n\u00e3o ter mais filhos ligando as trompas, por outro lado elas n\u00e3o podem interromper uma gravidez indesejada. O Brasil tem um sistema p\u00fablico de sa\u00fade bem estruturado, que oferece servi\u00e7os de planejamento familiar e m\u00e9todos contraceptivos gratuitos &ndash; o que n\u00e3o existe em quase nenhum pa\u00eds, seja na Am\u00e9rica Latina, na Am\u00e9rica do Norte ou na Europa &ndash; e, ao mesmo tempo, apresenta elevadas taxas de mortalidade materna, devido a servi\u00e7os ineficientes de um lado e a pr\u00e1tica do aborto clandestino do outro&rdquo;, avaliou a pesquisadora.<BR>  <P>J\u00e1 em sua pesquisa de p\u00f3s-doutorado sobre as &ldquo;Experi\u00eancias e representa\u00e7\u00f5es dos profissionais de sa\u00fade acerca do aborto legal e ilegal&rdquo;, feita em dois hospitais maternidade de Salvador (BA), em 2009, o que mais chamou sua aten\u00e7\u00e3o foi perceber o quanto o medo dos m\u00e9dicos de serem denunciados ou estigmatizados por lidar com aborto legal ou com as seq\u00fcelas do aborto ilegal influencia as escolhas e a sua pr\u00e1tica profissional, levando \u00e0s altas taxas de obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia em casos de abortos previstos em Lei e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o das pacientes com abortos induzidos incompletos, que nem sempre s\u00e3o atendidas de forma humanizada.<BR>  <P>Nesta investiga\u00e7\u00e3o, Silvia entrevistou em seu trabalho de campo, em Salvador, 25 profissionais de sa\u00fade de um hospital que oferece servi\u00e7os de abortamento legal e 20 outros profissionais em uma maternidade da capital baiana situada na periferia, entre eles ginecologistas, obstetras (metade deles eram ginecologistas obstetras), enfermeiros(as), assistentes de enfermagem e assistentes sociais. &ldquo;Observei que, mesmo reconhecendo e concordando que o que leva muitas mulheres de baixa renda a interromper uma gravidez n\u00e3o planejada s\u00e3o principalmente as dificuldades financeiras que elas enfrentam e a falta de ajuda\/suporte da fam\u00edlia e do parceiro, a falta de participa\u00e7\u00e3o do parceiro na contracep\u00e7\u00e3o e no cuidado das crian\u00e7as \u00e9 &lsquo;naturalizada&rsquo; pela maioria dos profissionais de sa\u00fade entrevistados, em particular pelos m\u00e9dicos. Para eles, os homens n\u00e3o cuidam disso, acham que isso \u00e9 responsabilidade da mulher. Al\u00e9m disso, mesmo reconhecendo que os servi\u00e7os de planejamento familiar n\u00e3o s\u00e3o sempre eficientes, muitos m\u00e9dicos observaram que as pacientes do SUS que eles atendem a cada dia, sobretudo as jovens, s\u00e3o irrespons\u00e1veis, e procuram prazer sexual sem pensar nas conseq\u00fc\u00eancias&rdquo;, relatou a antrop\u00f3loga.<BR>  <P>A pesquisadora lembra que, nas entrevistas, quando perguntados sobre a responsabilidade do homem na esfera sentimental e da contracep\u00e7\u00e3o, os m\u00e9dicos comentavam que <I>&ldquo;os homens s\u00e3o assim&rdquo;<\/I>, <I>&ldquo;a mulher tem que assumir&rdquo;<\/I>, ou como afirmou uma m\u00e9dica,<I> &ldquo;Ela curtiu na hora do prazer, agora tem que curtir a dor&rdquo;<\/I>. Um m\u00e9dico disse <I>&ldquo;Eu sou homem e acho dif\u00edcil isso mudar&rdquo;<\/I>.<BR>  <P>Segundo De Zordo, em sua pesquisa de p\u00f3s-doutorado, um dos dados mais interessantes que emergiram foi que o aborto se configura no discurso de muitos profissionais de sa\u00fade como uma transgress\u00e3o das normas de g\u00eanero. &ldquo;H\u00e1 uma classifica\u00e7\u00e3o moral do abortamento e das mulheres que provocam ou solicitam um aborto. Ao mesmo tempo em que as mulheres v\u00edtimas de estupro, que t\u00eam direito a realizar um aborto legal caso fiquem gr\u00e1vidas, se encaixam na vis\u00e3o normativa da mulher v\u00edtima, elas s\u00e3o tamb\u00e9m vistas como suspeitas &ndash; &rsquo;e se ela estiver mentindo?&rsquo;, se perguntavam muitos m\u00e9dicos. As mulheres que fazem\/provocam aborto transgridem as normas de g\u00eanero baseadas na id\u00e9ia da mulher-feminina-de-instinto-maternal. H\u00e1 uma naturaliza\u00e7\u00e3o intensa do processo reprodutivo e da mulher\/m\u00e3e&rdquo;, salientou.<BR>  <P>Outro fator que chamou sua aten\u00e7\u00e3o foi a utiliza\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de curetagem como procedimento m\u00e9dico usual para lidar com o aborto provocado. Ela atribui o n\u00e3o uso de outras t\u00e9cnicas como rea\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos diante do poss\u00edvel estigma de serem considerados (as) de &ldquo;aborteiros(as)&rdquo;, caso mostrassem familiaridade com t\u00e9cnicas abortivas, como a AMIU (Aspira\u00e7\u00e3o Manual Intra-Uterina), procedimento m\u00e9dico r\u00e1pido e seguro de esvaziamento uterino para o tratamento do aborto incompleto e para a bi\u00f3psia endometrial, usado em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo. Esta t\u00e9cnica, como observaram muitos m\u00e9dicos, \u00e9 usada prioritariamente, no Brasil, em clinicas clandestinas, onde mulheres de classe m\u00e9dio-alta abortam ilegalmente. A maioria dos m\u00e9dicos entrevistados pela pesquisadora conhecia essa t\u00e9cnica, sabia que era mais r\u00e1pida e menos complicada e que com AMIU n\u00e3o h\u00e1 necessidade de anestesia geral. Perguntados por que ent\u00e3o usavam curetagem, a resposta foi &ldquo;falta de forma\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o&rdquo;.<BR>  <P>&ldquo;Havia m\u00e9dicos treinados nos dois hospitais que n\u00e3o sabiam que tinham os instrumentos necess\u00e1rios para realizar a AMIU. Pelo que me foi contado, h\u00e1 um certo apego \u00e0s t\u00e9cnicas antigas. Em particular os m\u00e9dicos mais jovens falaram que os m\u00e9dicos mais velhos n\u00e3o queriam usar AMIU porque eles tinham o &lsquo;habito&rsquo; de usar curetagem. Em outras palavras, eles se sentem mais tranq\u00fcilos em realizar a curetagem. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma outra quest\u00e3o: muitos obstetras observaram que a AMIU \u00e9 utilizada em cl\u00ednicas clandestinas para pacientes de classe m\u00e9dica alta. Ent\u00e3o minha hip\u00f3tese \u00e9 que a AMIU n\u00e3o \u00e9 muito utilizada por ser estigmatizada e relacionada \u00e0 pr\u00e1tica do aborto clandestino. Os m\u00e9dicos t\u00eam medo de serem denunciados ou pelo menos estigmatizados pelos colegas como &lsquo;aborteiros(as)&rsquo;, se eles mostram compet\u00eancia e habilidade com essa t\u00e9cnica&rdquo;, afirmou De Zordo.<BR>  <P>Segundo ela, h\u00e1 tamb\u00e9m uma distin\u00e7\u00e3o social entre t\u00e9cnicas que corresponde \u00e0 distin\u00e7\u00e3o entre pacientes do setor publico e particular: a curetagem pode ser considerada uma t\u00e9cnica suficientemente boa para pacientes do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), enquanto a t\u00e9cnica melhor, a AMIU, \u00e9 um privilegio reservado as mulheres de classe m\u00e9dio-alta.<BR>  <P>No que se refere ao aborto legal, no caso brasileiro em apenas duas circunst\u00e2ncias o aborto \u00e9 permitido: risco de morte da mulher e gravidez resultante de estupro. Neste \u00faltimo caso, a obrigatoriedade da v\u00edtima em apresentar o boletim de ocorr\u00eancia policial &ndash; que metade dos m\u00e9dicos entrevistados achavam preciso &ndash; j\u00e1 n\u00e3o mais existe: vale a palavra da mulher. Por\u00e9m, para realizar um aborto legal, a mulher deve ter primeiramente uma entrevista com a assistente social e com o psic\u00f3logo (a) do hospital. &ldquo;O objetivo da entrevista \u00e9, nas palavras dos obstetras, para confirmar se foi realmente estupro e para avaliar se ela quer realmente interromper a gravidez. As psic\u00f3logas, pelo contr\u00e1rio, falam que n\u00e3o \u00e9 para confirmar se foi realmente estupro, mas para saber se ela tem condi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas para passar pelo trauma do abortamento. Achei interessante que as psic\u00f3logas, mesmo falando de casos muito dram\u00e1ticos de estupro, nunca faziam conex\u00e3o entre a categoria de trauma e o estupro, mas sim entre o trauma e o abortamento&rdquo;, observou a antrop\u00f3loga.<BR>  <P>Todos os casos devem tamb\u00e9m ser avaliados pelo comit\u00ea de \u00e9tica do hospital que oferece o servi\u00e7o de abortamento legal, previsto por lei. &ldquo;Alguns m\u00e9dicos falavam que na verdade n\u00e3o deveria ser preciso, mas eles se sentem mais protegidos assim&rdquo;, disse Silvia. O problema, segundo ela, \u00e9 que h\u00e1 um tempo m\u00e9dio de espera de uma semana para se conseguir uma aprova\u00e7\u00e3o do comit\u00ea de \u00e9tica. O resultado desta burocracia \u00e9 que o tempo de espera \u00e0s vezes \u00e9 t\u00e3o longo que a gravidez pode vencer o prazo estabelecido pela lei e, nesses casos, o abortamento n\u00e3o pode mais ser realizado. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso: \u00e0s vezes a paciente \u00e9 internada, mas o plant\u00e3o inteiro se recusa a realizar o procedimento, ent\u00e3o ela tem que esperar.<BR>  <P>A quest\u00e3o da obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia, de acordo com S\u00edlvia de Zordo, \u00e9 um dado importante. &ldquo;Uma minoria dos obstetras fala que o m\u00e9dico pode recusar s\u00f3 se tiver um colega dispon\u00edvel para fazer o procedimento. Os outros falam que o m\u00e9dico sempre tem o direito de recusar e, se todos do plant\u00e3o se recusarem a fazer o aborto, o caso passa ent\u00e3o para outro plant\u00e3o, e isso n\u00e3o \u00e9 bem o que o c\u00f3digo de \u00e9tica m\u00e9dica e a Norma T\u00e9cnica do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade estabelecem&rdquo;, contou a pesquisadora.<BR>  <P>Os profissionais de sa\u00fade t\u00eam, de acordo com o estudo, pouco conhecimento sobre as normas t\u00e9cnicas do aborto legal. <I>&ldquo;Eu ouvi falar, mas n\u00e3o conhe\u00e7o os detalhes, n\u00e3o tenho tempo para ler tudo&#8230;&rdquo;<\/I>, era um relato comum, apesar de o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetr\u00edcia (FEBRASGO) terem promulgado duas normas t\u00e9cnicas importantes que visam promover a implanta\u00e7\u00e3o, multiplica\u00e7\u00e3o e a melhoria dos servi\u00e7os de aborto legal nos casos previstos pela lei e tamb\u00e9m a humaniza\u00e7\u00e3o do atendimento \u00e0s mulheres com aborto incompleto.<BR>  <P>A antrop\u00f3loga lembrou que muitos m\u00e9dicos relataram que v\u00e1rios colegas discriminavam as pacientes com aborto incompleto e as deixavam esperar \u00e0s vezes mais do que o tempo necess\u00e1rio para que elas estivessem prontas para realizar uma curetagem ou induzir a expuls\u00e3o do feto. V\u00e1rios m\u00e9dicos tamb\u00e9m relataram o caso de uma mulher com aborto incompleto em gravidez avan\u00e7ada que foi &ldquo;esquecida&rdquo; e morreu em outra unidade de sa\u00fade logo depois. &ldquo;A maioria dos obstetras entrevistados viu pelo menos uma mulher morrer de aborto induzido por causa de manipula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m por uso abusivo de Citotec. Os obstetras acima de 45 anos s\u00e3o os que viram mais mulheres morrerem de aborto inseguro, porque na \u00e9poca que come\u00e7aram a trabalhar as mulheres n\u00e3o usavam o medicamento, mas sim objetos perfurantes como o talo de mamona e o permanganato de pot\u00e1ssio. Por\u00e9m, apenas 25% sabiam que o aborto \u00e9 a primeira causa de mortalidade materna em Salvador, principalmente os mais jovens. E a maioria dos m\u00e9dicos e tamb\u00e9m dos outros profissionais de sa\u00fade n\u00e3o sabia que nos pa\u00edses onde o aborto foi legalizado, a taxa de mortalidade materna e de abortos diminuiu&rdquo;, relatou.<BR>  <P>De acordo com a pesquisa da antrop\u00f3loga, a maioria dos obstetras, principalmente os mais jovens, concorda que o aborto \u00e9 um problema se sa\u00fade p\u00fablica e tamb\u00e9m um direito da mulher, e que os m\u00e9dicos deveriam obedecer \u00e0 lei e n\u00e3o \u00e0 Igreja. Estes profissionais gostariam tamb\u00e9m que o aborto fosse legalizado em casos de anencefalia e casos graves de m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o fetal. Caso o aborto fosse legalizado, a maioria afirmou que deveria haver limites de tempo para interrup\u00e7\u00e3o da gravidez. Entre os ginecologistas obstetras, aqueles abaixo de 30 anos e acima de 45 anos s\u00e3o mais favor\u00e1veis \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o. &ldquo;A experi\u00eancia com altas taxas de mortalidade materna devido ao aborto \u00e9 fortemente associada com atitudes liberais, o que explica porque m\u00e9dicos acima de 45 anos s\u00e3o favor\u00e1veis \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o&rdquo;, afirmou a palestrante.<BR>  <P>Entre os relatos dos profissionais de atitudes mais liberais, a antrop\u00f3loga lembra ter ouvido frases como: <I>&ldquo;Elas v\u00e3o fazer isso de toda a maneira, quer eu queira, goste ou n\u00e3o&rdquo;, &ldquo;Como profissional e como m\u00e9dico tenho que cuidar da sa\u00fade dela, nem todos compartilhamos os mesmos valores e a mesma religi\u00e3o&rdquo;<\/I>. <I>&ldquo;O corpo \u00e9 dela e ela tem o direito de fazer o que quiser, mesmo que eu n\u00e3o concorde&rdquo;<\/I>.<BR>  <P>Para a pesquisadora da Universidade de Columbia, o Minist\u00e9rio de Sa\u00fade brasileiro deveria investir mais em uma melhor informa\u00e7\u00e3o para obstetras e profissionais de sa\u00fade sobre mortalidade materna e aborto, sobre as normas t\u00e9cnicas que j\u00e1 existem e os servi\u00e7os de aborto legal e oferecer treinamento para estes profissionais sobre t\u00e9cnicas para a realiza\u00e7\u00e3o do procedimento. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La antrop\u00f3loga Silvia de Zordo (Universidad de Columbia\/NY) habla sobre la influencia que el estigma del aborto ejerce sobre las pr\u00e1cticas cl\u00ednicas de los profesionales de la salud y las elevadas tasas de objeci\u00f3n de conciencia en los casos de aborto previstos por la ley brasile\u00f1a. <I>(Texto en portugu\u00e9s)<\/I><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-546","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>El aborto seg\u00fan los m\u00e9dicos - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/el-aborto-segun-los-medicos\/546\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"El aborto seg\u00fan los m\u00e9dicos - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"La antrop\u00f3loga Silvia de Zordo (Universidad de Columbia\/NY) habla sobre la influencia que el estigma del aborto ejerce sobre las pr\u00e1cticas cl\u00ednicas de los profesionales de la salud y las elevadas tasas de objeci\u00f3n de conciencia en los casos de aborto previstos por la ley brasile\u00f1a. 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