{"id":574,"date":"2010-09-22T00:00:00","date_gmt":"2010-09-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2010\/09\/22\/masculinidades-sin-machismo\/"},"modified":"2010-09-22T00:00:00","modified_gmt":"2010-09-22T03:00:00","slug":"masculinidades-sin-machismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/masculinidades-sin-machismo\/574\/","title":{"rendered":"Masculinidades sin machismo"},"content":{"rendered":"<p>Em <U><a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2010\/06\/23\/world\/europe\/23iht-letter.html?ref=katrin_bennhold\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo<\/A><\/U>&nbsp;publicado no jornal norte-americano <I>The New York Times<\/I> em junho passado, a jornalista Katrin Bennhold afirmou que <I>&ldquo;o feminismo do futuro est\u00e1 se transformando em atrair os homens para o universo das mulheres &ndash; como pais envolvidos, parceiros iguais no lar e embaixadores da igualdade de g\u00eanero, do gabinete \u00e0 sala da diretoria&rdquo;<\/I>. O texto serve como uma pequena s\u00edntese para os dias atuais, em que os homens assumem gradualmente pap\u00e9is que, anos atr\u00e1s, eram desempenhados majoritariamente pelas mulheres. Os anos 2000 tamb\u00e9m marcam novos entendimentos sobre a figura do homem e o surgimento de pol\u00edticas p\u00fablicas focadas nesse p\u00fablico. Antigos deveres femininos v\u00e3o, lentamente, sendo repartidos com os homens sob a forma de direitos garantidos por lei. As controv\u00e9rsias suscitadas, no entanto, indicam que os par\u00e2metros e a\u00e7\u00f5es ainda est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o.<BR>  <P>No Brasil, apesar da lentid\u00e3o do processo que em pa\u00edses n\u00f3rdicos caminha a passos largos, o envolvimento do homem em quest\u00f5es reprodutivas, dom\u00e9sticas e do cuidado infantil \u00e9 uma realidade que, aos poucos e em meio a obst\u00e1culos resistentes, ganha terreno. No in\u00edcio de setembro, a realiza\u00e7\u00e3o do &ldquo;6\u00ba Semin\u00e1rio Nacional Homens e Masculinidades: Pr\u00e1ticas de intimidade e pol\u00edticas p\u00fablicas&rdquo;, organizado pelo Instituto Papai em Pernambuco (nordeste do Brasil), abriu discuss\u00f5es sobre as novas perspectivas que envolvem os homens atualmente.<BR>  <P>A problematiza\u00e7\u00e3o do machismo, bem como o pensamento cr\u00edtico do modelo patriarcal, foram um dos principais objetivos do encontro, de acordo com o pesquisador Jorge Lyra, coordenador-geral do Instituto Papai. &ldquo;Essas quest\u00f5es envolvem outras, como a homofobia e a viol\u00eancia contra a mulher&rdquo;, afirma.<BR>  <P>O Semin\u00e1rio teve como foco as tem\u00e1ticas <I>Homens e pol\u00edticas p\u00fablicas em sa\u00fade<\/I> e <I>Paternidade e direitos reprodutivos<\/I>, entre outras. Para Jorge Lyra, a licen\u00e7a paternidade \u00e9 um tema que precisa ser mais discutido. Atualmente, os pais t\u00eam o direito \u00e0 licen\u00e7a previsto pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que continua sendo de cinco dias e, mesmo transcorridos 22 anos, n\u00e3o h\u00e1 lei que regulamente o assunto. &ldquo;A regulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. Por\u00e9m, mais do que isso, \u00e9 preciso enfatizar a quest\u00e3o da licen\u00e7a parental. Independente do sexo, estamos tratanto de um filho, seja o pai adotivo ou gay&rdquo;, defende o coordenador do Instituto Papai, que participou da campanha <U><<Campanha_Eu_Sou_Pai.pdf | &ldquo;D\u00e1 licen\u00e7a, eu sou pai!&rdquo; | | | _blank>><\/U>. O tema, ele reconhece, ainda \u00e9 pouco debatido. &ldquo;A discuss\u00e3o sobre masculinidade \u00e9 uma novidade, e n\u00e3o se sabe muito o que fazer&rdquo;, lembra.<BR>  <P>Outra tem\u00e1tica presente nas discuss\u00f5es e que reflete as dificuldades que envolvem a participa\u00e7\u00e3o dos homens nos processos de gesta\u00e7\u00e3o e cuidado infantil foi a Lei do Acompanhante (n\u00ba 11.108), sancionada em 2005. A medida prev\u00ea que os servi\u00e7os do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) sejam obrigados a permitir a presen\u00e7a de um acompanhante junto \u00e0 mulher durante o trabalho de pr\u00e9-parto, parto e p\u00f3s-parto imediato.<BR>  <P>Em 2007, o Instituto Papai realizou <U><<pesquisa_lei_do_acompanhante.pdf | pesquisa | | | _blank>><\/U> que traduziu em n\u00fameros as barreiras que o direito ao acompanhante, sobretudo a figura paterna, enfrenta. Em oito maternidades p\u00fablicas de Recife, constatou o trabalho, o acompanhante foi considerado importante. No entanto, as av\u00f3s do rec\u00e9m-nascido ou amigas constitu\u00edram a maioria dos acompanhantes da parturiente. O per\u00edodo de pr\u00e9-natal \u00e9 indicativo do quadro de dificuldades que h\u00e1 pela frente: o n\u00famero de gestantes que v\u00e3o sozinhas \u00e0s sess\u00f5es \u00e9 elevado.<BR>  <P>Nas etapas que envolvem o parto, \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar com mais exatid\u00e3o os obst\u00e1culos impostos ao cumprimento da lei. Na pesquisa, quatro maternidades permitiram apenas mulheres como acompanhante, duas n\u00e3o autorizaram a presen\u00e7a de homens ou mulheres uma admitiu ambos. Apenas uma maternidade recusou-se a responder \u00e0s perguntas da pesquisa.<BR>  <P>Para o coordenador do Instituto Papai, existem barreiras individuais, institucionais e culturais a travar o cumprimento da Lei do Acompanhante. &ldquo;Os servi\u00e7os de sa\u00fade n\u00e3o se preparam adequadamente para a presen\u00e7a de um acompanhante. Os motivos s\u00e3o v\u00e1rios: a pr\u00f3pria resist\u00eancia m\u00e9dica, institucionalizada, que enxerga o acompanhante como um controle externo ao exerc\u00edcio da profiss\u00e3o; a cultura machista enraizada que enxerga os homens como indiv\u00edduos que mais atrapalham do que ajudam na hora do parto; e a vis\u00e3o de que as quest\u00f5es reprodutivas s\u00e3o assunto exclusivo das mulheres&rdquo;, afirma Jorge Lyra.<BR>  <P>O direito negado ao acompanhante, sobretudo o pai, traz preju\u00edzos para os tr\u00eas indiv\u00edduos nucleares daquela situa\u00e7\u00e3o. Jorge Lyra enumera os benef\u00edcios -cientificamente comprovados &#8211; trazidos pela presen\u00e7a do acompanhante. O processo fisiol\u00f3gico do parto \u00e9 positivamente impactado, reduzindo o per\u00edodo de interna\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o. A parturiente ganha confian\u00e7a e, consequentemente, aumenta a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar dela e do beb\u00ea. H\u00e1 um maior controle sobre o servi\u00e7o de sa\u00fade, com uma vigil\u00e2ncia direta contra abusos e procedimento desnecess\u00e1rios. A presen\u00e7a do pai na situa\u00e7\u00e3o do parto contribui para uma maior integra\u00e7\u00e3o ao cuidado infantil, tornando as tarefas mais compartilhadas entre os parceiros e facilitando, inclusive, a inser\u00e7\u00e3o das m\u00e3es no mercado de trabalho.<BR>  <P>Os problemas em rela\u00e7\u00e3o ao cumprimento da lei 11.108 envolvem ainda a <U><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/jornal-hoje\/noticia\/2010\/08\/mulheres-tem-direito-garantido-por-lei-de-acompanhamento-durante-o-parto.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cobran\u00e7a indevida<\/A><\/U>, em cl\u00ednicas privadas, de uma taxa para que a parturiente possa ter algu\u00e9m ao lado. &ldquo;\u00c9 uma lei que, embora tenha se tornado p\u00fablica, ainda enfrenta problemas quanto \u00e0 sua efetiva\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso que haja um processo maior de sensibiliza\u00e7\u00e3o de todas as partes envolvidas para que a lei possa ser plenamente cumprida. Infelizmente, o machismo ainda resiste: a vis\u00e3o da mulher cuidadora <I>versus<\/I> o homem ausente \u00e9 comum. Isso torna necess\u00e1rio que o combate a essa vis\u00e3o seja cont\u00ednuo. A comunica\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o da lei, bem como a exposi\u00e7\u00e3o de seus benef\u00edcios, s\u00e3o essenciais para que se possa avan\u00e7ar ainda mais na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas nessa \u00e1rea&rdquo;, enfatiza Jorge Lyra.<BR>  <P><B><EM>Pr\u00e9-natal para as mulheres e check up para os homens<\/EM><\/B>  <P>Segundo o coordenador do Instituto Papai, desde 1998, quando ocorreu a primeira edi\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio, &ldquo;a condi\u00e7\u00e3o masculina vem sendo discutida a partir das contribui\u00e7\u00f5es e li\u00e7\u00f5es aprendidas com o movimento de mulheres e feminista e do movimento gay e l\u00e9sbico. Para poder pensar essa condi\u00e7\u00e3o, temos que ter em mente que ela n\u00e3o \u00e9 da natureza, n\u00e3o \u00e9 biogen\u00e9tica. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o social, cultural e pol\u00edtica&rdquo;.<BR>  <P>Para Jorge Lyra, as pol\u00edticas p\u00fablicas devem focar a sa\u00fade do homem sem que, por outro lado, se restrinja a essa perspectiva. &ldquo;A sa\u00fade seria uma porta de entrada para refletir a quest\u00e3o da masculinidade e seus significados. \u00c9 preciso ressignificar o entendimento sobre o homem e n\u00e3o restringir-se \u00e0 medicaliza\u00e7\u00e3o da masculinidade&rdquo;, afirma.<BR>  <P>Nessa linha cr\u00edtica, ele questiona tamb\u00e9m a recente iniciativa da Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade do Homem que pretende estimular os pais a realizarem um <I>check up<\/I> no per\u00edodo em que a parceira estiver fazendo o pr\u00e9-natal. &ldquo;Precisamos ter cuidados para n\u00e3o pensarmos nas mulheres de forma utilitarista, ou seja, colocar mais essa responsabilidade nas m\u00e3os das mulheres, de fazer com que os homens se cuidem. Al\u00e9m disso, nota-se uma concep\u00e7\u00e3o heteronormativa, pois na hist\u00f3ria desses homens pode n\u00e3o haver uma mulher. E os casais gays e os pais solteiros? Como ficam nessa iniciativa?&rdquo;, questiona, embora reconhe\u00e7a que, levando-se em conta a estrutura de sa\u00fade nacional focada no pr\u00e9-natal e no Programa Sa\u00fade da Fam\u00edlia (PSF), a medida tem m\u00e9ritos por n\u00e3o criar um servi\u00e7o espec\u00edfico para os homens e, sim, maximizar uma estrutura, um fluxo na sa\u00fade j\u00e1 existente. <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>En Brasil, seminario del Instituto Papai coordinado por pesquisador Jorge Lyra debati\u00f3 las dificuldades encontradas en el cumplimento de la Ley del Acompa\u00f1ante, la reciente pol\u00edtica de salud para el p\u00fablico masculino y la cuesti\u00f3n de la licencia por paternidad.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-574","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - 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